Postado em 29 de setembro de 2005, quinta

:: Setenta vezes sete

Não me regozijo em perdoar quem me ofendeu. Isso é uma obrigação natural. Não vejo nela nada de especial. Não penso que seja divino, que vou ganhar pontos com o povo lá em cima, nem que serei perdoado por meus erros também. Perdôo porque é isso que tem que ser feito. Pelo simples fato de ser humano.

E porque não sou dado a me envenenar.

Já passei pela experiência de não perdoar. Não conheço veneno pior que o rancor, esse tipo de ódio profundo que não se expressa e fica corroendo a pessoa que o possui.

Perdôo sem que a pessoa que me ofendeu precise pedir perdão. Deixo-a com seus maus sentimentos. De mim, não leva nem o desprezo. Não me permito sentir qualquer coisa por quem me ofende.

Também acredito que só se erra por ignorância. Quanto maior a ofensa, quanto maior o atentado contra um irmão, maior é a ignorância daquele que provoca tal situação.

Se um dia percebe seu erro e vem pedir perdão, fico feliz. Por ele. Como disse antes, não me regozijo com sua humilhação. Ficou feliz por ter se tornado mais consciente, por buscar aliviar seu coração.

Quanto a mim, também ignorante e imperfeito, erro e ofendo. Serenados os ânimos, acalmado o sangue italiano, meu bom caráter me obriga a pedir perdão. Quando não o recebo, rezo para que aquele que ofendi torne-se mais humano.

A quem, por ignorância, ofendi, perdão. A quem me ofendeu sem saber, perdôo. Tantas vezes quanto se fizer necessário.

 
Postado em 27 de setembro de 2005, terça

:: 2 Filhos da Arábia

Pé-de-moleque, cocada, maria-mole, paçoca e pirulito Zorro. Saquinho bom de Cosme e Damião tinha que ter esses doces. Balas Juquinha também eram muito bem-vindas. Soft era o terror das mães. A gente sempre engasgava com elas. E cocô de rato, tinha quem gostasse, mas o celofane transformado em saquinhos parecia mais interessante que o próprio doce que nem era lá tão doce.

De tudo, o que eu mais gostava era cocada. Gosto até hoje. Tradicional, de leite condensado, de coco queimado, de abóbora. Todas.

Correr atrás de doces pelas casas da vizinhança era uma farra nos anos 70 e até início dos anos 80 nos subúrbios do Rio. Nas primeiras vezes, eu pegava só nas casas da rua onde morava e ficava decepcionado com a contagem no final da tarde ou no dia seguinte. Enquanto alguns garotos pegavam 40 ou 50 saquinhos, eu não havia conseguido 20. Depois fui me aventurando pelas ruas mais próximas e descobrindo as casas que distribuíam mais e melhores saquinhos de doces.

Na maioria, as pessoas ficavam no muro ou entregavam os sacos pelas grades do portão. A criançada se espremendo. Alguns pegavam e imediatamente saíam em busca de outro ponto de distribuição. Outros pegavam e se faziam de doidos, tentando pegar mais um. É pro meu irmão, dizia. Manda ele vir pegar, rebatia quem estava distribuindo. Tristeza era chegar naquele amontoado de crianças e, quando sua mão estava chegando quase lá, ouvir a sentença fatal: Acabou! Aaaaaaaaaaaah! E todo mundo já corria para outra casa.

Algumas pessoas distribuíam doces só pelo gosto de ver a alegria da criançada. Outros porque haviam feito promessa aos gêmeos santificados. Uma casa no início da José Bonifácio, no bairro de Todos os Santos, era famosa. Os moradores admitiam cerca de 50 crianças em um determinado horário. Faziam uma oração, ofereciam lanche e depois os saquinhos, que eram dos mais ricos das redondezas.

Meus amigos de outros Estados, mesmo os da minha idade ou pouco mais velhos, não têm lembranças do Dia de Cosme e Damião. Acho mesmo que era uma tradição mais forte no Rio de Janeiro. Santos católicos, os gêmeos também são venerados pelas religiões afro-brasileiras. Protetores das crianças, quase sempre eram a primeira opção de ajuda divina buscada pelas mães em ocasião de acidentes ou doenças dos filhos. Em troca da graça, quase sempre a promessa era a de distribuir doces no dia dedicado a eles, 27 de setembro.

A tradição de distribuir doces deve resistir em alguns lugares mais calmos, no Rio, onde as pessoas ainda não esqueceram os costumes de suas religiões.

Ano passado, em Brasília, entrei em uma farmácia e vi uma estatueta dos irmãos nascidos na Arábia, mas filhos de pais católicos. Fiz uma foto (esta que está ilustrando o texto) e fiquei me perguntando quem era aquele baixinho no meio dos dois e o que os três estavam fazendo ali. É que, além de protetores das crianças, eles são padroeiros das escolas de Medicina e das Farmácias. E o pequenininho no meio deles é Doum, uma entidade venerada por umbandistas e que tem uma história parecida com a dos santos católicos. Ele é representado em tamanho menor pois seria protetor das crianças em sua primeira infância, até os 7 anos. Dizem que é muito arteiro.

A violência nas ruas – que deixam as pessoas cada vez mais trancadas em suas casas –, o esquecimento das tradições, o surgimento de inumeráveis igrejas evangélicas – que não veneram santos... tudo isso e muitos outros motivos podem ter acabado com aquela festa que era correr pelas ruas atrás de doces. Mas as minhas lembranças dos dias de Cosme e Damião estão bem guardadas. Vai uma cocadinha aí?

 
Postado em 26 de setembro de 2005, segunda

:: De Dalai a Kerouac

Sou notívago. Durante a noite, duas telas me acompanham: a do computador e a da TV. Esta funciona quase sempre como um rádio. De vez em quando, quando algo chama a atenção, tiro os olhos da outra e me concentro nela.

Em uma noite dessas, fiquei procurando um filme que me servisse de trilha sonora enquanto escrevia. Pânico, terror e alta tensão. E sangue. Muito sangue. Foi só o que encontrei. O que passa na cabeça de alguém que programa filmes desse tipo para a madrugada? Será que alguém consegue dormir depois de assisti-los? E talvez esteja nesta a resposta para a primeira pergunta: é para não dormir mesmo!

Aqueles segundos de zapear entre gritos e tiros, me fez um mal danado. Desliguei a TV, abandonei o computador e corri para as estantes. Necessitava de um soro anti-violência com urgência. Precisava ser rápido. Estava agonizando.

Meu olhar foi direto aos livros budistas. Buscava calma, harmonia, contemplação, não-ação.

Restabelecida a tranqüilidade, achei que precisava sair dali, precisava viajar. Não queria voltar para a TV ou para o computador. Pretendia manter a mente livre, calma, apenas seguindo. Então encontrei uma edição nova, comprada há alguns meses, de On the road, de Jack Kerouac.

A primeira viagem foi ao tempo em que o li pela primeira vez. Isso aconteceu, provavelmente, no final dos anos 80. Naquele tempo, todo aluno maluco de Jornalismo – perdoando-me a redundância – tinha que ler e achar lindo o já trintão livro de Kerouac. Em tese, ele traduzia um sonho de liberdade, de sair por aí sem qualquer responsabilidade, somente vivendo o que a vida trouxesse. Afinar-se com a geração beat – ainda que estivéssemos tão distante dela e nem soubéssemos direito do que se tratava – era cult.

Hoje, muito pé na estrada e na jaca – muitas jacas! – depois, continuo a viagem daquela noite de fuga da violência na TV de outra forma. Sem pressa alguma, tanto quanto meu filho de quatro meses me permite, leio algumas páginas diariamente, dentro do carro, enquanto esperamos sua mãe sair da aula. Entrei em uma viagem diferente daquela feita há quase vinte anos. Nesta, não há qualquer ansiedade. Não há planos, idealizações ou qualquer desejo, a não ser o de que não acabe.

É uma viagem calma. Como a caminhada de um monge. Contemplativa, aprendendo algo a cada passo do caminho. Vivendo o próprio caminho, percebendo que trilhá-lo é mais importante que definir uma meta de chegada. Na bagagem, quase nada. Pela estrada, vou deixando montes de querer ser. Vou sendo só eu, cada vez mais leve, mais calmo e mais parecido comigo mesmo.

 
Postado em 22 de setembro de 2005, quinta

:: Aí, cowboy viado!

Antes que alguém comece a praguejar contra mim e me chamar de preconceituoso, uma explicação: não tenho nada contra homossexuais e tampouco contra cowboys, até porque estes últimos moram a muitos milhares de quilômetros daqui e sequer preciso conviver com eles.

Esse arremedo de cowboys que temos por aqui é uma das piores degenerações de nosso tempo. Quando, no final da década de 80, os artistas viraram as costas para a possibilidade de Collor tornar-se presidente, os breganejos (outra degeneração, desta vez de nossa própria cultura) aproveitaram o vácuo e se instalaram.

A praga já dura uma década e meia. Nem a gripe espanhola foi tão arrasadora. Em comum, só o fato de terem nascido no mesmo lugar. Apesar de chamada “espanhola”, a tal gripe nasceu no Kansas, terra de cowboys.

Quando se pensava que o flagelo perdia força, resolvem fazer uma novela das oito – a mais poderosa arma de imbecilização em massa já criada – tendo esse submundo como tema.

Em seguida, dois dos maiores representantes do, digamos, gênero, convencidos de que “quem tinha que gostar já gostou” e era chegada a hora de conquistar um novo público, lançam um filme sobre a pré-história de seu sucesso. Ótimos atores, ótima produção e uma história de novela. Neste final de semana, pouco mais de um mês depois de lançado, 2 Filhos de Francisco deve ficar entre as três maiores bilheterias do cinema brasileiro após sua “retomada”. Lisbela e o Prisioneiro (3º lugar) e Cidade de Deus (2º) estão na casa dos 3 milhões de espectadores. Há quem espere que 2 Filhos passe Carandiru, que teve mais de 4 milhões e meio de espectadores em salas de cinema.

Mas quando se pensa que nada pior pode acontecer, eis que acontece. O Ministério da Cultura (!) escolheu 2 Filhos de Francisco para representar o Brasil na competição pelo Oscar de melhor filme estrangeiro em 2006. Méritos do filme à parte, ele está representando o quê? Nossa cultura ou nossa capacidade de piorar o que já é ridículo?

Na contramão dos estereótipos e suas caricaturas bizarras, surge Brokeback Mountain, de Ang Lee. Ganhador do Leão de Ouro de melhor filme do Festival de Veneza, há duas semanas, o filme conta a história da amizade e do romance proibido entre dois cowboys.

Não é um filme para causar polêmica. É apenas uma história de amor. E sem vibratos de péssimo gosto querendo passar por bênção vocal. Queria ver se teríamos, aqui no Brasil, cowboys que se assumissem viados. Tem que ser muito macho pra isso. Por aqui, eles preferem ser cornos e montar duplas sertanejas. Devem ser os chifres que mexem com suas cabeças e os deixam assim.


Clique para ver o trailerClique para ver o vídeoClique aqui para ver o trailer de Brokeback Mountain, que estréia nos Estados Unidos em dezembro e deve chegar ao Brasil somente em 2006.

E clique aqui para ver o verdadeiro Cowboy viado. Esse é nosso! Produto nacional da VaiVc.

 
Postado em 21 de setembro de 2005, quarta

:: Eu e Millôr

Gostaria de dizer que estive com Millôr Fernandes, que o conheci, conversamos e rimos juntos. Mas isso ainda não aconteceu.

O guru do Méier, bairro carioca onde cresci, sempre fez parte de minha vida. Há quase dois anos, tentei entrar em contato com ele. Estava colocando no ar o site O Cruzeiro on line e gostaria da autorização de Millôr para a publicação de sua antiga coluna O Pif-Paf.

Enviei e-mails ao seu escritório, a sua esposa e a ele. Nada. Nenhuma resposta.

Um conhecido de Cora Rónai disse que faria contato, mas foi logo falando que Millôr é uma pessoa difícil, que gosta de ser endeusado. Pensei: “E daí? Ele pode!”

Tenho uma teoria paradoxal: todo iconoclasta adora ser ídolo. A voz de Renato Russo incitando o público sempre me vem à cabeça: “Eu adoro ser idolatrado! Me amem”.

Eu amo Millôr! Se ele gostar disso, ótimo. Se não, tudo bem também.

Eis que uma noite, depois de um bom tempo sem visitar seu site, encontro nele a seção Pif-Paf. Clico lá e o que encontro? Todo o material que disponibilizei em O Cruzeiro on line. E creditado! “O Cruzeiro on line é um trabalho de preservação histórica do site Memória Viva”.

Fiquei ainda mais fã! E me senti um pouquinho mais perto desse deus do sarcasmo. Amém, Millôr.

 
Postado em 20 de setembro de 2005, terça

:: O primeiro dia de aula

1976, Primeiro dia de aula no Jardim de Infância – Minha mãe se prepara como pode para aquele traumático primeiro dia na escola. Eu ainda não havia completado quatro anos e era filho e neto único rodeado de mimos. No Jardim Escola Cebolinha, no bairro de Todos os Santos, no Rio, as crianças se espremiam, os braços esticados tentando alcançar as mães do outro lado da grade. Lágrimas, berreiro. Parecia um campo de concentração no qual estavam separando mães e filhos. Da rua, minha mãe olhava para mim enquanto eu dizia: Vai embora, mãe! Vai logo! Acho que ela não estava chorando pelos mesmos motivos que as outras mães. Já naquela época, eu não era muito normal.

1979, Primeiro dia de aula no Pequeno C.E.U. – O Cebolinha só ia até o que então denominava-se segunda série do primeiro grau. Era um colégio bem pequeno. Na terceira série, fui estudar no Pequeno C.E.U., um colégio um pouco maior. Mais gente na turma, uniforme diferente. Só observava. Não foi traumático. Difícil foi quando chegou o carnaval e minha mãe não entendeu a circular que dizia que os alunos até a segunda série deveriam ir fantasiados. Então ela me mandou para a aula vestido de índio – com direito à machadinha e cocar de penas. Passei a manhã agüentando uma coleguinha cantando O que é que a baiana tem

1986, Primeiro dia de aula no Salesiano – Minha família se mudou para Natal e lá estava eu no famoso colégio de padres que, à época, diziam ser o melhor da cidade. Saí de uma turma com nove alunos em um colégio no Rio para outra com 60, em Natal. Pela primeira vez, eu não era o menor em sala de aula. Parecia uma vantagem. Em compensação, eu não entendia as gírias e muito do que falavam meus colegas de classe. Era uma desvantagem. Pedindo que os novos alunos se apresentassem, o professor me perguntou: E você veio de onde? Do Rio, respondi. Do Rio Potengi?, gracejou ele enquanto a turma caía na gargalhada. E eu: Rio, assim sozinho, só existe um: o de Janeiro. Com essa pérola bairrista, encerrei meu primeiro diálogo no Salesiano.

1988, Primeiro dia de aula no Curso de Jornalismo da UFRN – Aos 15 anos, cabelos compridos, óculos escuros, uma bermuda toda rasgada (que um dia havia sido uma calça jeans) e uma pasta de couro cheia de adesivos das bandas de rock da época. Cheguei atrasado e, segundo meus colegas, entrei batendo a pasta em todas as carteiras. Fui eleito o doidão da turma.

2005, Primeiro dia de aula na Uneb, em Brasília – A sala tem ar condicionado ou pelo menos algo parecido que faz algum barulho e refrigera quase nada. Tudo é limpinho, as carteiras são novas e eu não sou mais o caçula da turma. Provavelmente sou o mais velho. Sempre fui um crítico ferino da universidade pública e suas graves faltas. As particulares, sempre chamei de caça-níqueis, tirando duas ou três. Agora que estou em uma delas, começo a ver o que vai em seus intestinos. Deixe-me experimentar mais um pouco para falar a respeito.

 
Postado em 19 de setembro de 2005, segunda

:: Velhas cada vez mais novas

Penso que daqui a 50 anos verei as Velhas Virgens subindo ao palco da seguinte maneira: Paulão em uma cadeiras de rodas, levado por Lili, Lips se apoiando em seu andador até a bateria, Tuca de bengala, Caio e Cavalo sendo gentilmente acomodados em poltronas enquanto alguém vai pegar seus violões.

Então Lips dará três batidinhas com as baquetas e todos se transformarão nos mesmos loucos cheios de energia que hoje – e há anos – fazem o melhor show de rock deste país. Será nessa hora que, à beira do palco, jogarei minha fralda geriátrica para o ar e pularei até o final do show, dure o tempo que durar.

Foi lá pelos idos de 1997 que ouvi as Velhas pela primeira vez. Havia reencontrado um grande amigo que acabara de sair de um relacionamento pesado. “Então vamos comemorar!”, disse eu. Pegamos uma garrafa de vinho e saímos rodando por Natal até a gasolina do carro dele acabar. Quando ainda rodávamos, sintonizamos uma rádio de São Paulo que estava transmitindo, ao vivo, do estúdio, um show das Velhas Virgens. A identificação foi imediata. Depois de duas ou três músicas, não tive dúvidas: “Vou trazer esses caras para Natal”.

Em outubro de 2000, lá estavam eles chegando à capital do Rio Grande do Norte para seus primeiros shows no Nordeste. Paulão desembarcou propagandeando um novo recorde: nove cervejas em um vôo. Isso foi numa tarde de sexta. Quando Paulão embarcou de volta para São Paulo na madrugada de domingo, não tinha visto nada da cidade. O tempo em que esteve sóbrio deve ter coincidido com o que estava dormindo.

Na semana seguinte fariam mais um show em Natal. Alguém deve ter uma foto minha tomando banho de cerveja no palco. Banho mesmo. Da cabeça aos pés.

Em setembro de 2001, eu baixava em São Paulo. Na mesma noite, as Velhas se apresentaram no RoquenRow Bar, que era então o QG da banda. Em outras idas minhas a São Paulo, nunca coincidiu de eles estarem se apresentando. Até que em maio deste ano, na noite em que ganhei o prêmio de melhor site de Arte & Cultura no iBest, eles estavam na cidade. Era tudo que eu queria para comemorar, mas eu e meus amigos acabamos não encontrando o lugar do show e fomos todos para casa como bons meninos.

Foi um jejum de quase 4 anos. Eu já me preparava para ir até Goiânia quando Paulão avisa, por e-mail, que também se apresentariam em Brasília. Quando chegam esses avisos divinos, você só pensa uma coisa: FODEU!

E lá vou eu para mais uma maratona de cervejas, putaria nos camarins, fotos mil e tietagem na frente do palco. As Velhas não envelhecem nunca! Foi o melhor show deles que já vi. E tenho certeza que o próximo será ainda melhor.

Aproveitando: Lili foi a escolha mais acertada que a banda já fez nesses quase vinte anos de existência. E pensar que a japinha era um bebê quando essa putaria toda começou! Pervertam-na, Velhas! E até breve...

 
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