| Postado
em 25 de outubro de 2007, quinta |
|
::
Memória Viva de Appe
Quem
acompanha o Sempre Algo a Dizer,
já leu a respeito de Appe
em algumas ocasiões. Quem não
conhece seu trabalho, agora não tem
mais desculpa. Acaba de ser disponibilizado
o site Memória
Viva de Appe.
Nessa
primeira fase, podem ser vistas mais de 60
caricaturas e 40 telas do artista que ficou
mais conhecido por seu trabalho como chargista
político da revista O Cruzeiro.
Em
dezembro, o site ganhará ainda outras
áreas com mais desenhos, vídeos
e materiais inéditos de sua biografia.
|
|
|
| |
| Postado
em 22 de outubro de 2007, segunda |
|
::
Regininha na Merda
Eu
vou tirar você desse lugar, Regininha!
Do local mais próximo onde encontrar
um exemplar da segunda edição
da revista M...
que chega às bancas nesta terça
(23) no Rio e (“junto
comigo”)
até sexta em Sampa (no
site, a lista de onde encontrar).
Amém,
Regininha, Amém! Confesso
que este pai de família ainda (eu disse
AINDA) não viu sua estréia como
atriz do sexo, mas promessa é dívida
e, se você está mesmo batendo
esse bolão todo como parece na capa
da M... mais uma vez: Amém,
Regininha, Amém!
Segundo
informações enviadas por Silvio
Lach, um dos (ir)responsáveis
pela M...,
...
com o novo número, a revista pretende
ter um dos maiores sucessos de vendas da história
deste país, já que preparou
uma “Edição Apelativa
Sexo & Violência”, pois é
disso que o povo e a mídia gostam.
A maior parte dos textos, ensaio fotográficos
e cartuns falam de um dos dois assuntos. Mas
há ainda espaço para falar de
outras merdas, como a política.
Seguindo
a filosofia de não ter medo de se jogar
no ventilador, a “M...” tem com
um dos pontos altos do número 2 o ensaio
fotográfico, protagonizado por uma
jovem e sensual modelo, com um desfecho surpreendente.
(...)
Na
capa, aparece Regininha Poltergeist, a dançarina
performática que virou atriz pornô.
Além de posar para fotos “interagindo”
com um vaso sanitário (uma marca da
revista), ela dá uma entrevista divertida
para a seção “Experiência
Pós-M” (dedicada a quem foi à
merda e voltou para contar), na qual diz como
foi a decisão de aceitar fazer sexo
diante das câmeras. Ela também
comete indiscrições sobre pessoas
que passaram por sua cama, falando com muito
bom humor de suas aventuras com Fernando Vanucci
(“Foi um acidente”), Eri Johnson
(“Ele já foi mais humilde”)
e Rubinho Barrichelo (“Quis me levar
para São Paulo, mas eu só quis
ter uma noite com ele”). Não
deixa de comentar também o mercado
de prostituição de atrizes conhecidas
da televisão. A abertura da entrevista
é feita por Tico Santa Cruz, do Detonautas,
que se revelou um grande fã onanista
de Regininha.
A
terceira entrevista é com o dançarino
de funk Lacraia, que posa para um ensaio vestido
de homem. Irreconhecível, Lacraia também
dá uma de macho ao criticar DJ Marlboro
(“ele fica com os direitos autorais
de jovens talentos”) e Rômulo
Costa (“ele nunca nos repassou o lucro
que teve com uma gravação do
Serginho em um de seus discos”). Entre
as declarações inusitadas, Lacraia
diz que sonhava em posar nu, revela que tem
planos de ser apresentador de programa infantil
e pede um gay na presidência, sugerindo
o nome de Fernando Gabeira (“Ele não
é, mas é!”).
O
novo número tem ainda Gabriel
O Pensador falando do papa e outros
nomes ligado à hipocrisia; Paulo
Caruso desabafando sobre dura a tarefa
de ter que desenhar Renan Calheiros; Léo
Jaime discorrendo sobre o autofelattio;
a deputada federal Manuela D’Ávila
narrando como foi sua chegada ao Congresso;
o ator André Ramiro
e o ex-traficante João Guilherme
Estrella falando de Tropa
de Elite (Estrella diz que os
consumidores de drogas evitam que os bandidos
desçam para assaltar nas ruas) e mais
um monte de gente boa.
E
chega. Corra pro banheiro mais próximo,
mas dê uma passadinha na banca antes.
|
|
|
| |
| Postado
em 19 de outubro de 2007, sexta |
|
::
Os dragões talibãs da Universal
contra
os santos guerreiros

Detalhe
de São Jorge e o dragão, de
Donatello
A
história começa pelo fim: os
dragões cuspiram fogo e os santos viraram
cinzas. Doze anos após o infame episódio
do chute na santa, um “pastor”
da Universal realiza uma versão hardcore
e põe
fogo em duas imagens: uma do Senhor
Morto, outra de São Pedro. Detalhe:
peças no estilo barroco jesuítico,
com quase quatro séculos
de (ex-)existência, tombadas
pelo Instituto do Patrimônio Histórico
e Artístico Nacional (Iphan).
Resumindo:
os talibãs da Universal cansaram da
simples intolerância entre times religiosos
e partiram para o massacre histórico-cultural.
A briga não é mais com os católicos,
mas com qualquer brasileiro. Logo vão
querer brincar de Deus e tocar fogo em Outro
Preto e Tiradentes em um remake de
Sodoma e Gomorra.
Acredito
piamente que as pessoas só erram por
ignorância. Mas vá ser
ignorante assim no inferno!
E
o jeito como conseguiu esses tesouros foi
algo do tipo
“vender a alma ao diabo”:
exigiu-as em troca de orações
para um doente. O coitado, assim como as imagens,
não escapou.
Temos
uma grande massa de gente simples, fácil
de ser tangida por qualquer aboio ou por showzinhos
de poltergeist de camelô, mas
quem não faz parte do rebanho tem o
dever de alertar a todos sobre esse circo
de horrores promovido por débeis
mentais travestidos de pastores em
pulgueiros caiados e enfeitados de templo.
Quem quiser acreditar em qualquer coisa, que
o faça, mas ao menos procure uma religião.
Quer ser protestante? Procure a Igreja Luterana,
a Presbiteriana, a Anglicana... Mas se for
pra ficar gritando (mania que esse povo tem
de achar que Deus é surdo!), pulando,
chutando e queimando coisas, vá pra
um show de Heavy Metal.
Quando
do episódio do chute na santa, entrevistei
o então Arcebispo de Natal
D. Heitor de Araújo Sales
(irmão de D. Eugênio).
Em determinado momento, ele exclamou: “Até
que ponto pode chegar o desatino humano!”.
Se for como a ignorância, certamente
é um poço sem fundo.
|
|
|
| |
| Postado
em 18 de outubro de 2007, quinta |
|
::
Eu evacuo para o Rolex do Huck

Nos
últimos cinco meses, forcei-me a viver
uma saudável alienação.
Nada de Pan, nada de Renan, de jornalista
pelada... Deixei de assistir tevê, não
acompanho nem me interessa muito seja lá
o que for. Dou uma olhada nos sites de notícias
e faço a triagem: quase tudo que leio
está nos parcos cadernos de cultura.
O resto do mundo e suas neuroses que
se lixem.
Como
uma coisa puxa outra, caí na armadilha
de ler o
artigo de Luciano Huck
na Folha de SP,
em 1º de outubro. Tendo seu Rolex roubado,
ele bradou
“Onde está a polícia?
Onde está a ‘Elite
da Tropa’?
Quem sabe até a ‘Tropa
de Elite’!
Chamem o comandante Nascimento!”
Bati o olho e vaticinei: “Vai
virar novela”.
Virou.
Perdi
as contas dos artigos-respostas, artigos-sacanas,
artigos-vamos-pensar-o-mundo e reportagens
de acompanhamento da polícia à
caça do bibelô. É mesmo
uma indecência não termos segurança,
mas é ainda mais indecente um cara
ostentar um relógio de dez mil reais
em um país onde milhares de pai de
família, que têm
“a sorte”
de ter um emprego, demoram mais de dois anos
para ganhar esse dinheiro e, com ele, precisam
fazer a mágica de dar casa, comida,
saúde e escola aos seus.
Longe
de mim fazer o discurso de “rico
não pode mostrar que é rico”.
Pode. Mas quem tem dinheiro para comprar
um Rolex, tem dinheiro para comprar
dois. Então vai lá e desembolsa
outra merreca de dez contos e dê graças
aos céus por estar vivo e inteiro.
Ou então vá morar na Suíça,
onde tem segurança e Rolex custa bem
menos.
Ele
utilizou o jornal de maior circulação
do país para dizer que paga impostos
e não tem segurança, mas sequer
prestou queixa em uma delegacia. Ou seja:
não acredita no sistema que ele mesmo
alimenta. A polícia, por outro lado,
sob holofotes, correu para mostrar serviço.
E provou mais uma vez que, quando quer, funciona.
Nada
contra o incrível Luciano. Mas espero
que o capítulo final dessa novela tenha
sido a genial tira de Caco Galhardo
na Folha de SP de hoje. Duas amigas
discutem sobre o caso até que Chico
Bacon levanta da mesa e dispara: “Bom,
o papo está uma porcaria, mas eu realmente
tenho que ir”.
De
volta à minha doce alienação.
|
|
|
| |
| Postado
em 15 de outubro de 2007, segunda |
|
::
Vidas e histórias
Quando
liguei o gravador, Dona Mathilde
disparou: “Você
não vai me fazer aquela pergunta idiota
que todo jornalista faz, vai?”
Eu já sabia qual era e ri. Para não
deixar dúvidas, ela encenou a pergunta
e a resposta que costumava dar: “‘Como
é ser filha de Cecília Meireles?’
É a mesma coisa que ser filho da sua
mãe!”.
A
sábia Mathilde – que na mesma
ocasião disse que eu valeria uns 100
camelos por conta dos meus dentes separados
– foi encontrar sua mãe na semana
passada. Em nossa única conversa gravada,
contou histórias jamais publicadas.
Algumas, como a do suicídio do pai,
foram desabafos. Outras, qualquer jornalista
daria tudo para ouvir. Como a de que Carlos
Lacerda, horas antes de ser internado
para “tratamento
de desidratação”
(morreria 24 horas depois), estava saudável
e brigando com ela para deixar para o dia
seguinte a assinatura de um contrato de publicação
da obra de Cecília.
Histórias
contadas por seus protagonistas ou testemunhas
e que estão guardadas, preservadas.
Também
há poucos dias, outra história
nos chegou em formato de livro: Clara
Nunes – Guerreira da Utopia,
de Vagner Fernandes. Clara
também teve uma morte que nunca foi
bem explicada e esse episódio tem certo
destaque no livro. O autor parece pressentir
que contestações virão
por aí. Não se trata de uma
“biografia oficial” o que significa
dizer que muita coisa pode desagradar os parentes
da biografada.
Histórias
podem desagradar alguém ao serem lembradas.
E histórias mal contadas podem desagradar
mais ainda. Mas onde está a
verdade?
Nesta
segunda, outra biografia (que, confesso, estou
louco para devorar) está sendo lançada:
O Bispo – A história
revelada de Edir Macedo. O Zé
Ninguém que, quando eu era criança,
pregava em um coreto numa praça do
bairro carioca do Méier é hoje
milionário, espalhou seu negócio
não só por todo o Brasil mas
também Estados Unidos, Europa e Japão.
Tem um canal de televisão que está
disputando a segunda posição
em audiência e tem pretensões
de chegar à primeira. Abriu outro só
de notícias. Teve a desfaçatez
de colocar na capa de sua biografia –
oficialíssima – a foto de um
episódio que poderia ser a maior vergonha
de sua vida e ele soube transformar em uma
de suas maiores glórias, quase se passando
por mártir. E ainda crava um título
que, em português, o coloca em destaque
– O Bispo – e
já serve, no mínimo, para a
edição que deverá chegar
aos outros países da América
Latina (Bispo, em espanhol, é Obispo).
Digam o que disserem, de bobo, Edir não
tem nada. Se ele se esforçar mais um
pouco, vai acabar me convertendo!
Não
há dúvidas, O Bispo
não mostra A história. Mostra
a versão de Edir Macedo.
Como
os (três) leitores assíduos deste
blog sabem, estou em pesquisas para
duas biografias: a de Carlos
Estevão e de Appe,
ambos desenhistas da revista O
Cruzeiro. Como os
que me conhecem há mais tempo também
sabem, sou extremamente criterioso
– para não dizer chato
mesmo – no tocante à
apuração dos fatos. E se há
algo em que não se pode confiar é
na memória, Por isso escrevemos. Mas
então chegamos a outra coisa na qual
não se pode confiar: na escrita sem
cuidado. Se algo foi publicado em um jornal,
revista ou livro isso não quer dizer
que seja verdade.
E
há, ainda, pelo menos dois tipos de
pessoas que, sem querer, normalmente distorcem
os fatos: os fãs e os familiares.
Não fazem isso deliberadamente, mas
sim porque trabalham, principalmente, com
suas memórias afetivas.
Nem um, nem outro quer ouvir “falar
mal”
de seu “objeto
de culto”.
Só que estamos lidando com vidas humanas.
Errar faz parte da natureza humana. E daí
se fulano foi alcoólatra, teve amantes,
foi homossexual, brigou com alguém?
Nada disso é errado ou vergonhoso.
Quem não pode errar é
aquele que se propõe a escrever sobre
a vida alheia.
Uma
vida não pode ser reinventada. Isso
é ficção, romance. Creio
que nunca teremos a resposta para a seguinte
pergunta: A
quem pertence uma
história?
Quem resolve contar uma se coloca em posição
delicada, precária e na qual erros
não podem ser admitidos. O resultado
deve ser algo que o próprio biografado
pudesse dizer ao terminar de ler: “Eu
preferiria que você não tivesse
dito isso ou aquilo, mas tudo que está
aqui é verdade”.
|
|
|
| |
| Postado
em 12 de outubro de 2007, sexta |
|
::
Paulo Autran
Impressão
minha ou quando o negócio aperta aqui
por baixo o povo lá de cima pede ajuda?
Paulo
Autran, trabalhava, trabalhava, trabalhava,
sem parar. Para nascer e morrer, escolheu
feriados. Nasceu independente, morreu como
criança.
.
.
.
Paulo
Autran (1922 - 2007) por Appe,
1973.
.
|
|
|
| |
| |
|
|
|