“Fermê la búche, sivuplê!”. Assim mesmo, com grafia errada, para acentuar o mau francês do soldado brasileiro atuando diante da câmeras de TV, dando uma ordem grosseira (Calem a boca!) seguida de um “por favor”. Tá aqui! Tá viva! Ela tá segurando a minha mão. Ela tá bem! Bem?! A mulher estava há três dias presa sob os escombros, grávida, imóvel, sem água, sem comida. Pensei que a próxima fala do soldado seria: “Começamos o resgate agora ou almoçamos antes?”.
A cena foi exibida no Jornal Nacional do dia 15 de janeiro, sexta-feira, reprisada em todos os telejornais da Globo nas 24 horas seguintes e de novo e novamente no domingo, durante o Fantástico, que abriu e fechou sua edição com as imagens captadas por um soldado brasileiro logo após o terremoto. Grande furo! Viva a inclusão digital! Viva o poder de registrar qualquer coisa a qualquer momento com um simples celular! Grande ajuda ao jornalismo. Por falar nisso, algum jornalista perguntou ao comando do Exército o motivo de o soldado estar brincando de cinegrafista em vez de estar prestando socorro e tentando manter a ordem em uma situação desesperadora daquelas?
No primeiro caso, não era um “resgate emocionante” como foi passado ao telespectador. Foi um desastre vergonhoso mostrando que a preocupação de aparecer na tevê era muito maior que a de salvar uma vida. No segundo, deve ter sido a vocação para repórter do jovem falando mais alto e denunciando que ele escolheu a carreira errada.
Se há uma coisa que repito incessantemente é que se você quer ser feliz e fazer algo bem feito, siga sua vocação. Não importa qual seja. Quando alguém se mete a assumir uma profissão por status social, para ganhar muito dinheiro ou por necessidade, pode ter certeza de que em algum momento – ou em muitos ou em todos! – isso ficará bem claro. Você nunca teve uma empregada doméstica da qual reclamasse por não limpar a casa direito? É porque ela não faz aquilo por vocação, mas por necessidade. Nunca foi a um médico que parecia perdido tentando diagnosticar algo ou demasiado apressado durante a consulta? É porque ele deveria estar pensando na partida de tênis ou no passeio de barco do próximo fim de semana. Vocação é algo sério. Mais ainda quando se trata de assumir uma função que envolve ajudar ao próximo. Se você não nasceu para isso, tente melhorar, tente ser uma pessoa melhor, mas não se meta a fazer disso a principal atividade de sua vida. Ser militar não é ter um emprego, é assumir a missão de defender a vida dos outros colocando a sua em risco.
Ser jornalista profissional é, muitas vezes, ser uma hiena ou um urubu, rondando a desgraça alheia. É um dos motivos de eu ser EX-jornalista. Não é minha vocação. Eu não queria ser repórter de uma das maiores emissoras de TV do planeta, ser reconhecido, ganhar muito bem, viajar por vários países para um dia ter que fazer o papelão de mostrar um ato de incompetência e falta de noção e ainda vendê-lo como algo emocionante. “Cale a boca, você, soldado, e comece já a tirar essa pessoa daí!”. Nenhum motivo “profissional” está acima do bem estar de qualquer ser humano. Compromisso profissional nem dinheiro algum paga A MINHA condição humana. O que vi foi um grupo de humanos desesperados – pobres, sem educação, sem comida, sem condições de nada e ainda arrasados por uma força incontrolável – tentando salvar uma vida enquanto soldados e jornalistas, muito civilizados e no controle de suas vidas, brincavam de fazer um filme de Oliver Stone.
Zilda Arns, bem nascida, de família bem estruturada, bem alimentada, bem estudada, bem casada, bem relacionada, bem tudo, poderia ter vivido quietinha, como dondoca-esposa-mãe-irmã-de-cardeal ou, se quisesse dizer que trabalhava, ganhar muito bem como médica sanitarista, provavelmente em um alto cargo público para o qual seria indicada sem fazer força. Mas não. Zilda Arns resolveu seguir sua vocação. Se até o momento de sua morte você não sabia quem era ela, o que ela fez ou o que representa a Pastoral da Criança, procure saber. E se, com isso, você perceber o quanto a sua e a minha vida são inúteis, já será um passo para mudar essa situação.
No meu entender, essa mulher assumiu algo tão grandioso para se fazer em apenas uma vida que precisou morrer de uma forma espetacular para tornar mais visível sua ação: “Pelo Amor de Deus, olhem para a situação em que seus irmãos vivem! Mexam-se! Façam algo!”. E esta não é uma leitura religiosa e para religiosos. Você pode ler como “Acordem, porra! Vejam a situação em que seus irmãos vivem! Mexam essas bundas moles! Façam alguma coisa!”.
Talvez você nunca antes tenha ouvido falar em Zilda Arns, o que ela fazia e a grandiosidade do seu trabalho de quase três décadas com a Pastoral da Criança, mas certamente você sabe quem são Gisele Bündchen, Sandra Bullock, Brad Pitt, Angelina Jolie e muitos outros que não eram nascidos ou ainda eram crianças quando o trabalho de Zilda começou. Deve saber também sobre as doações milionárias que eles fizeram para ajudar a população do Haiti. Talvez isso tenha feito com que você contribuísse também com 10, 50 ou 100 reais. A partir daí, faço alguns questionamentos: Por que você não segue, há tempos, o exemplo de Zilda Arns? Por que, sem tirar um centavo do bolso, não dedica alguns minutos por dia ou algumas horas uma vez por semana para brincar, ensinar ou simplesmente dar alguma atenção a crianças carentes na sua cidade mesmo? Por que não pega esses 10, 50 ou 100 reais e investe mensalmente em cestas básicas, remédios ou livros para uma criança que mal come ou não consegue estudar aí perto de sua casa ou de seu trabalho? Essa esmola que você deu ao Haiti realmente ajudou em algo ou apenas fez com que você se sentisse mais parecido com astros de Hollywood e aliviasse um pouco sua consciência por nunca fazer nada pelo próximo, esse aí, bem próximo?
No Twitter, surgiu todo tipo de questionamento a respeito da situação no Haiti e das ações geradas em torno dela. No caso das doações, a cobrança de não só passar os números das contas, mas doar efetivamente, até a cobrança explícita a pessoas e instituições que pudessem fazer doações maiores. Cada um faz o que pode e o que sua consciência manda. Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita (Mateus 6:3). Ou, para que não se pense que estou fazendo pregações religiosas: você quer ajudar ou quer ser admirado porque ajuda? Vai esperar outra catástrofe em algum lugar distante para ajudar ou vai ajudar o seu vizinho antes que aconteça uma com ele? Já se perguntou se a esmola ao problema distante não é uma forma de pedir a Deus que o mantenha distante? O versículo seguinte ao citado diz: Para que a tua esmola seja dada em segredo; e teu Pai, que vê em segredo, Ele mesmo te recompensará publicamente. Eu, que não sigo qualquer agremiação religiosa, diria: faça sem esperar qualquer coisa em troca; faça apenas porque é certo.
Houve também um comentário no Twiiter que vale a pena citar. Foi feito por Clotilde Tavares: Não entendo o espanto dos jornalistas com crianças comendo terra no Haiti. No Nordeste que eu conheci, isso acontecia todo dia… Acontecia e acontece. Assim como acontece – mais comumente e não só no interior do Nordeste, mas em qualquer cidade, em qualquer região – de crianças passarem o dia sem comer ou comendo coisas encontradas no lixo e, ao reclamarem, escutam o pai dizer: “Vá dormir que a fome passa”. Talvez seja uma poderosa hipermetropia que nos impeça de ver o que está tão perto. Talvez seja o medo de saber que esteja tão perto. No caso de jornalistas, há também a falta de “formação humana” para que possam exercer devidamente sua função e não se admirar com algo, infelizmente, tão comum.
Creio que o exposto até aqui seja material suficiente para repensarmos nossas atitudes, porém me permito mais algumas linhas para abordar outro ponto do comportamento atual, muito comum nas duas últimas décadas, que não consigo entender e, provavelmente, jamais vou aceitar: os aplausos em sepultamento. Isso, mais uma vez, aconteceu no sepultamento de Zilda Arns. Fico imaginando se as pessoas que aplaudiram estavam felizes pelo fato de ela ter morrido ou se esperavam que ela saísse do caixão para agradecer e dar um bis. Aplauso é um gesto eufórico de aprovação. O que as pessoas aplaudem durante um enterro? A beleza da cerimônia? O discurso do padre? A oportunidade de se livrar do chato que baixa à cova? Tuitei sobre isso e fiquei surpreso com os vários comentários que surgiram a favor do aplauso. O que percebi é que todos vieram de gente muito jovem, no máximo, na casa dos 20 anos, ou seja, gente que cresceu vendo isso e, entendo, só poderia achar natural. Não é. Na maioria das culturas, desde tempos imemoriais, o ritual de sepultamento envolve vários tipos de sentimentos que nada têm a ver com euforia: despedida, finalização de um ciclo, respeito por uma missão cumprida, conscientização sobre nossa condição temporária, reflexão sobre a necessidade de perdoar e viver em paz com todos, sobre como tudo tem o mesmo fim, saudade, etc. Perceba que nem estou falando de culpa, apego, desespero e tristeza, coisas muito comuns na cultura ocidental e mais ainda na brasileira. À exceção de pessoas que tenham levado a vida em festa e explicitem que seus sepultamentos ocorram da mesma maneira, não vejo motivo algum para os aplausos. Zilda Arns não queria aplausos nem em vida, por que iria querer depois de morta? Acredito que ela preferisse que as pessoas pegassem suas mãozinhas e as colocassem à disposição das crianças carentes às quais ela se dedicou. Assim, as crianças também teriam motivos para sorrir, ficar eufóricas e bater palmas. Esses aplausos em sepultamentos me parecem coisa de pessoas pouco trabalhadas emocionalmente (para ser bem delicado). Pessoas que não conseguem se dar um momento de recolhimento, de silêncio, de paz. É preciso barulho para abafar os sentimentos com os quais não se sabe lidar, é preciso uma algazarra para que não se ouça a voz interior. Com os aplausos, saímos do cemitério com a sensação de que saímos de um espetáculo que nos fez bem e fugimos da realidade de que um dia seremos nós no caixão. No meu, não aplaudam. Vivo, não gosto de barulho. Morto, por favor, me deem finalmente um pouco de silêncio.
Encerro com a sugestão de que possamos refletir a respeito dos recentes acontecimentos e de atitudes que podemos mudar para melhorar as nossas vidas e a das pessoas ao nosso redor. Pensemos sobre o que nos dá, hoje, o Haiti nosso de cada dia.
Janeiro de 1990 estava se comportando, para mim, como um típico verão oitentista em Natal: namoro, praia e música. No dia 16 deveria acontecer um show de Marina (Lima), como mais corretamente se fala em Natal, ou, mais cariocamente, da Marina, mas ele foi transferido para o dia seguinte, 17, uma quarta-feira. A apresentação aconteceu no Pavilhão do Centro de Convenções, o que era uma novidade. Nos anos 80, o local mais comum para shows musicais era o Palácio dos Esportes, um ginásio localizado na Praça Cívica, no bairro de Petrópolis, vizinho ao centro da cidade. Três mil pessoas eram suficientes para entupir o Palácio. No grande vão do Pavilhão do Centro de Convenções – construído para abrigar feiras e exposições – deve caber fácil o triplo disso.
No dia seguinte, 18, quinta, Fabíola e eu iríamos para Pitangui, uma praia de veraneio a uns 30 quilômetros de Natal, no município vizinho de Extremoz. Ficaríamos por lá até domingo. Naquele tempo, mesmo no verão e tão próximo à capital, Pitangui era uma praia tranquila, com pouca gente, sem as armadilhas para turistas e a agitação provocada por eles.
Um ano antes, em 17 de janeiro de 1989, também estava indo a um show. Ainda sob o impacto de D, disco gravado no Festival de Montreux em 1987, e com a ajuda das novas O Beco, Uns Dias, Quase um segundo e Bora-Bora (que dava nome ao disco de 1988), a garotada ia conferir os Paralamas do Sucesso. Aquele deve ter sido meu terceiro show da banda. É difícil explicar às gerações mais novas o que era um show de BRock nos anos 80. Éramos mesmo uma tribo e por isso, no caso de Natal, cabíamos tranquilamente no minúsculo Palácio dos Esportes. Se você gostava de forró, ia para o forró. Se gostava de rock, ia a shows de rock. Não nos misturávamos. Não havia esse “ecletismo” de hoje, que me parece apenas desculpa para o mau gosto. Se alguém cogitasse a realização desses “festivais” misturando rock, emo, axé e forró que acontecem hoje, certamente encontraria mais ceticismo do que se desse a notícia de Jesus descendo de uma nave extraterrestre de mãos dadas com Madonna e Cindy Lauper.
O dia seguinte foi de descanso e preparo. Fiquei em casa vendo filmes: Posições Comprometedoras (1985), com Susan Sarandon e Raul Julia; Inocência Destruída (1988), que tem como tema Baby, I love your way, de Peter Frampton; e o já clássico Cabaret (1972), com Liza Minnelli e Michael York.
A quinta, 19 de janeiro, traria algo há muito esperado: um show do RPM. Só quem viveu sabe o que o RPM representava. A histeria causada pela banda de Paulo Ricardo, diziam os da geração anterior, foi o mais perto que chegamos da Beatlemania. Eu posso dizer que nunca vi nada igual. Nem antes, nem até hoje. Uma música do RPM, saindo de um três em um em qualquer festinha, era suficiente para causar uma revolução. Várias Revoluções Por Minuto.
O show aconteceu em área aberta, no Estádio Juvenal Lamartine. Os anos de 1985 e 1986 – quando o RPM mandava prender, mandava soltar e enlouquecia geral – não pareciam suficientemente distantes para não levar um multidão à primeira e única apresentação dos quatro rapazes em Natal. A banda já havia se separado, voltado, gravado mais um disco (Quatro coiotes, em 1988) e estava em final de turnê e de existência, mas, quem não queria ver aqueles caras de perto? Todas as garotas queriam Paulo Ricardo. Todos os garotos queriam ser Paulo Ricardo e pegar todas as garotas. No futuro, continuaríamos querendo ser ele para pegar só a Luciana Vendramini mesmo.
No show, eu me dividia entre curtir quase tardiamente o maior e mais meteórico sucesso do rock brasileiro oitentista, imaginar como seria a década seguinte e, claro, ficar com alguma garotinha bonita. A daquele show seria uma bem pequenina, tipo ninfa – já com uns 19 ou 20 anos, mas com cara de menininha –, por quem eu ficaria louco naquele verão. Mignon, corpo perfeito, ficaria me provocando em algumas idas à praia nos dias seguintes. Ela gostava de mexer com aquele moleque de 16 anos que pensava ser gente. Seu corpo era o fruto proibido, a chave de todo pecado e da libido, e para um garoto (nada) introvertido como eu, era pura perdição.
Bem… e pra vocês, eu deixo apenas o meu olhar 43, aquele assim, meio de lado, já saindo, indo embora, louco que vocês comentem algo sobre aquela época…
O que você faz quando um vírus ou uma bactéria infecta seu corpo e começa a causar algum tipo de doença? Você reage. Tomando remédios ou por ação natural do corpo, que fará o que puder para se ver livre do parasita. Você pode se livrar deles ou vencê-los por um tempo, mas eles são seres tão nocivos que aprenderam a migrar para outros órgãos, a ficar quietos e esperar uma nova chance para atacar e também a passar do seu para outros corpos. Se não fizermos nada, eles são capazes de nos matar, matar nossos familiares, nossos vizinhos, milhares de pessoas.
Mas, por um instante, imagine-se no lugar deles. São seres vivos, agrupados em comunidade, se multiplicam, querem comer, querem viver. Você acha correto que lhes tiremos esses direitos? Sim, claro! Ou nós ou eles. Ou acabamos com eles ou eles acabam conosco.
Então qual o motivo de nos sentirmos tão afetados, tão chocados, tão comovidos quando o grande corpo que chamamos de Terra tenta se livrar de seus parasitas? De nós, os parasitas da Terra. Não é correto que ela nos negue o direito de viver, de nos multiplicarmos, de comer e destruir tudo que vemos pela frente para que possa se salvar? Sim, claro! Ou ela ou nós. Ou ela acaba conosco ou nós acabamos com ela.
Terremotos, tsunamis, alagamentos, altas temperaturas… Você nunca passou por isso? Não estou perguntando se você já esteve no Haiti, na indonésia, em São Paulo ou no Rio, estou perguntando se você não já teve tremores, suores, espirros, diarreias, febre, durante o processo de expulsão de algum parasita. Você nunca passou por isso?
Depois da descoberta de um tumor, você certamente já ouviu que “os exames dirão se é maligno ou não”. Se não for, melhor nem mexer. Vai ficar ali quietinho, vivendo harmoniosamente com você. Não será a causa de doenças, muito menos de sua morte. Há tumores benignos, assim como há humanos benignos. Mas quase nunca esperamos os exames. Tiramos logo e só depois vamos saber se era maligno ou não. A Terra faz o mesmo. Manda uma onda ou um terremoto, destroi uma ilha inteira, mata milhares, não se importando com quem é bom ou mau. E também não se lamenta por isso. Ela queria o mesmo que nós: ficar livre dos parasitas. Afinal, parasita bom é parasita morto, concorda?
Pode ser que você nunca tenha pensado nisso, mas saiba que você nunca esteve só. Mesmo que você seja mais ignorante que eu, já deve teve ter ouvido falar em flora intestinal. São bactérias vivendo em seu intestino e que o ajudam a digerir e até a se proteger de outras bactérias que poderiam lhe causar algum mal. Sim, há bactérias que sabem viver em paz e harmonia com o corpo que habitam. Na maioria das vezes, os homens não são tão evoluídos assim e não conseguem ter esse comportamento, mas isso talvez se deva ao amadurecimento da espécie, afinal, as bactérias são muito mais antigas que os humanos. A gente chega lá.
Temos grande dificuldade em viver em harmonia. Temos grande dificuldade em aprender com as próprias experiências. Temos grande dificuldade em aprender com nossos erros. Não aprendemos com as religiões, que tentam nos ensinar que assim como é no macrocosmo é no microcosmo; como é acima, é abaixo; “assim na terra como no céu”; que há um retorno de nossas ações. Não aprendemos com as ciências, que tentam nos ensinar que os recursos do planeta não são infinitos; que se poluirmos, vamos beber água poluída e respirar ar poluído; que vamos torrar se continuarmos superaquecendo o lugar onde vivemos. Parece que não aprendemos com nada, de forma alguma. As bactérias aprendem; nós, não.
Exagero meu. Claro que aprendemos algo. E foi com as bactérias. Há poucos dias, me chamou atenção a seguinte notícia: Astrônomos dizem que planetas habitáveis devem ser encontrados em até cinco anos. Durante milênios, não conseguimos conhecer todos os tipos de vida que há na Terra, desconhecemos por completo muitos lugares, não conhecemos a cura de várias doenças, não sabemos dividir os alimentos e deixamos milhares de pessoas morrerem de fome todos os dias, não sabemos o que fazer com o lixo que produzimos, não sabemos nem viver em paz dentro de nossas próprias casas, mas gastamos milhões procurando um outro planeta habitável.
Para quê? Para fazermos como as bactérias: migrarmos para outro corpo quando este entrar em colapso e não pudermos tirar mais nada dele. Matamos um e buscamos outro para continuarmos nossas vidas miseráveis e inúteis.
Somos o pior tipo de câncer que existe. Crescemos sem controle, sem respeitar limites, invadimos todos os lugares, destruímos tudo e ainda programamos uma metástase, buscando um novo lugar para onde possamos nos transferir e continuar com nosso estúpido comportamento.
Não preciso acreditar em karma, em planos e castigos divinos ou em previsões científicas. Eu acredito no óbvio, naquilo que consigo enxergar. Somos parasitas. Seremos exterminados pelo corpo hospedeiro ou morreremos com ele. Algo diferente, só se evoluirmos com uma rapidez jamais experimentada por qualquer espécie sobre a Terra. E nisso, infelizmente, eu também não acredito.
O primeiro tremor de terra, a gente nunca esquece. As pessoas pularam de suas camas, os lustres balançavam, os copos e talheres se batiam, livros caíam das estantes, todo mundo correndo para a rua, como se lá não estivesse tremendo. Eu estava em Natal, Rio Grande do Norte, e senti. Isso não aconteceu no último sábado, 9 de janeiro, nem na terça, 11. Isso foi em 1986.
O epicentro foi em João Câmara, município que fica a uns 80 quilômetros da capital. Foram meses de atividade sísmica. Começou em agosto e continuou no mês seguinte. Abalos na casa dos 4 pontos na Escala Richter. Esse em que todo mundo saiu correndo de casa em Natal aconteceu em uma madrugada de novembro, cravou 5.1 e botou abaixo centenas de casas em João Câmara.
Estes nos últimos dias foram de 2.7 e 3.8 (alguns sites noticiaram como 4.3). O de sábado foi sentido em alguns bairros de Natal. O de terça foi sentido em toda a cidade e também em Campina Grande e João Pessoa, na Paraíba, e até em Recife, Pernambuco. É. Foi uma sacudida legal, mas ainda longe daquela em novembro de 1986. Para quem estava em Natal e perto do chão, a sensação era a de um caminhão pesado passando bem perto. Quem estava em prédios, certamente sentiu um balanço maior.
O abalo de terça causou comoção no Twitter. Foi imediato. Todo mundo dizendo que sentiu e informando onde estava. Quem tem menos de 30 anos se apavorou; quem tem mais, se divertiu. Para estes – eu incluso – a prévia de 2012 aconteceu em 1986.
Enquanto alguns pensavam em correr para as montanhas (quais?!), eu, Canindé Soares, Walmir e Jailson Fernandes corríamos para Taipu, município a 60 quilômetros de Natal, onde ocorreu o epicentro. Fotografar abalo? É só fazer uma foto tremida, não? Não. O negócio é conferir os estragos. Dessa vez não caiu nada. Não ainda. Umas rachaduras aqui ou acolá, umas telhas que se afastaram, tudo em construções bem sujeitas a isso. Nos sites e jornais, a apelação de sempre: gente apontando uma rachadura. Até eu fiz uma dessas. E nem precisava ter saído de casa para isso.
Mas meu objetivo era outro. Queria mesmo documentar o que ainda está de pé. Igrejas e casas centenárias que, numa sacudidela mais forte, podem vir abaixo. Depois da simpática e pacata Taipu, estivemos na vizinha Poço Branco. Tudo normal. Valeu pelo pôr-do-sol à beira do açude.
Estive em enchentes no Rio de Janeiro, no apagão em São Paulo e nos tremores em Natal. Posso dizer uma coisa: as pessoas das cidades grandes se desesperam com mais facilidade. Em Taipu e Poço Branco, a impressão era de que nada havia acontecido. E lá foi forte mesmo! Em Recife, dois estados e centenas de quilômetros depois, alguns prédios foram evacuados. Pense no medo!
Vendo as pessoas a pé ou de bicicleta pelas ruas, um sinhozinho sentado do lado de fora de sua casa ou os dois pescadores no fim de tarde no açude, tive a certeza de que se o mundo acabar, vai acabar bem depois por lá. Sem pressa, sem medo, sem estresse algum, coisas que os moradores daquelas pequenas cidades jamais conheceram nem desejam conhecer. E os tremores? São coisas da Natureza. Eles estão acostumados e vivem muito bem com eles e com Ela.
Os primeiros dias de janeiro de 1990, tirando a batida de carro, foram de muito Amor e Paixão ao lado de Fabíola. Juntos há apenas quatro meses, abríamos mãos de costumes e oportunidades para ficarmos juntos. Pela primeira vez, desde que passei a morar em Natal, quatro anos antes, eu dizia não ao verão carioca. Ela, aos 18 anos, pouco depois, abriria mão do sonho de todo adolescente daquela época: uma viagem aos Estados Unidos. Queríamos ficar juntos tanto quanto possível. Ainda não sabíamos (ou talvez soubéssemos), mas tínhamos pouco tempo para isso. A ordem era aproveitar ao máximo.
Um ano antes, em 9 de janeiro de 1989, eu estava no Rio. Entrei em uma das muitas lojas de discos do Centro Comercial de Copacabana (ali na Nossa Senhora com a Siqueira Campos) e comprei Flaunt It, primeiro LP (de 1986), da banda britânica Sigue Sigue Sputnik. Em uma época em que a web não existia, nossas referências sobre música eram as rádios, a tevê, as poucas revistas sobre o assunto e o cinema. Tudo chegando, no mínimo, com um atraso de seis meses. Os malucos do SSS ainda não eram tão conhecidos por aqui, mas todo adolescente já havia escutado pelo menos uma música deles: Love Missile F1-11, que estava no filme Curtindo a Vida Adoidado (Ferris Bueller’s Day Off, também de 1986).
O Novo Cruzado, que ainda não saiu, já foi apelidado de “Bateau Mouche V”. Totalmente sem segurança, nesse ninguém embarca – escrevi na agenda no dia 10, uma terça, seis dias antes da nova moeda entrar em vigor. O Cruzado Novo (NCz$) – era essa a denominação – sobreviveria até março do ano seguinte.
Antes que o Cruzado passasse a ser chamado de novo, comprei, no dia 12, uma edição especial do segundo LP do SSS, Dress for Excess. Com capa e músicas diferentes, a versão brasileira trazia um enorme 1989 e o aviso Brazil Pre-release!!Albinoni VS Star Wars, Hey Jayne Mansfield Superstar, Rio Rocks! e Success até hoje bombam em minha cabeça e, provavelmente, na da vizinha do nono andar daquele prédio na Barata Ribeiro, quase esquina com República do Peru. Depois, todo mundo conheceria o Sigue Sigue, que fez show no Brasil e até se apresentou no… Faustão!
Naquela quinta, acabei não indo a Splish Splash, musical com Cláudia Raia. No dia seguinte, fiz um programa de turista: fui ao Cristo Redentor. Não me lembro de ter ido novamente nesses 21 anos seguintes, mas pode ser que tenha estado lá mais uma vez. Estava nublado e quase não se via a cidade. No sábado, 14, eu anotava: De Volta ao Inferno – Não é o filme, é pura realidade. Acabavam as férias e eu voltava a Natal. No domingo, escrevi várias cartas (algumas aparecerão aqui nesta série). Na segunda, 16, o Cruzado Novo entrava em vigor e eu finalmente via o quinto e último número do jornal Graúna, que na contracapa trazia uma foto minha e outra de Alexandre Mulatinho crianças, numa referência a Go Back, disco do Titãs lançado em 1988 e que havia embalado nosso primeiro ano na faculdade: Jesus não tem dentes no país dos banguelas, Nome aos bois, Bichos escrotos, Marvin, AA UU, Polícia, Cabeça dinossauro, Não vou me adaptar, Lugar nenhum e Marvin. Era um tempo em que os discos eram tão bons que todas as músicas faziam sucesso.
Na periferia, tudo é pouco. Até a luz. As ruas são escuras e depende de onde você mora para saber se ela vai aparecer mais tarde ou sumir mais cedo. Na baixa, vemos os prédios subindo cada vez mais altos. Feliz é quem mora no alto do morro. Mais ainda quem mora nos arranha-céus. Vão pegando o sol e o vento só para eles. E tem a vista. De um lado, a praia, o horizonte que não se sabe onde acaba. De outro, a favela, a miséria, que não se sabe quando acaba. Talvez a vista daqui seja melhor, porque só se olha para cima. É aproveitar e pedir algo aos céus. Aqui, a noite chega antes. Como não tem muito que fazer em casa, a diversão é na rua: ficar na calçada, andar sem destino, beber para esquecer, fazer alguma bobagem, encarar um fliperama. Já levaram até o pôr-do-sol. Agora ele só se põe para os bacanas. Pra lá dos prédios. A gente se contenta com a luz do poste que finge para a gente como finge toda a outra gente: que vão nos tirar daqui, que vão ajudar, que tudo vai melhorar. Deixe estar. O sol morre pra todos, já dizia aquele doidinho, “só não sabe quem não quer”.
O banho da morena é na calçada. Passa gente a pé, de carro, de ônibus. Aproveitando a parada – bem em frente –, às vezes, de lado, disfarçados, os olhos de algum passageiro pousam por mais tempo na pele e nos cabelos ensaboados. Ninguém liga muito. A morena não é alguém. Não tem direito a banheiro, chuveiro, banho sem roupa, privacidade, respeito, um momento só seu. Cumbuca em água pouca, cuidado no cálculo que é para não faltar. Molha, ensaboa, descansa, olha a rua, pega sol, pega fuligem, molha de novo. À vista de todos, mas sem as muitas câmeras previstas por Orwell. Só uma. Quem passa, olha, mas não vê. Se não acreditarmos na miséria, quem sabe ela não desaparece? Não desaparece. A mestiça na calçada a conhece bem. O cenário muda, mas o destino dos personagens é o mesmo. Não é a liberdade dos antepassados à beira do rio. Afastaram o sonho, asfaltaram o rio, mas a menina continua à margem.
Búzios, tem lá e cá. Fica por conta de onde você esteja. Podem também ser lá e lá. Enfim, há Búzios no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Norte. Armação dos Búzios, do Rio de Janeiro, é uma península, conhecida internacionalmente graças às visitas de Brigitte Bardot nos anos 60 e, nacionalmente, graças à novela Viver a Vida. Búzios, no Rio Grande do Norte, é uma praia de grande extensão, quase selvagem (pelo menos na faixa de areia), frequentada principalmente por veranistas, boa para surfe, perigosa para banho, perto de falésias e que fica no município de Nísia Floresta, vizinho a Natal.
Há algum tempo, estando em Natal e tendo passado por Búzios do Rio de Janeiro poucos dias antes, comentei sobre a estátua de Brigitte (1). Uma pessoa ficou chocada. Não sabia que havia uma estátua de Brigitte lá. Ela pensou que eu estava falando de Búzios do Rio Grande do Norte e que Brigitte seria um lendário travesti de Natal. A ideia me pareceu interessante.
Na Búzios fluminense, há também Os Três pescadores (2). Se não há estátuas na semi-selvagem Búzios potiguar, há um monumento deixado por sete pescadores nigerianos: um navio(3) que, segundo consta, teve os motores danificados, ficou à deriva e encalhou por lá. Isso aconteceu no dia 4 de outubro de 2009. Até agora, nenhuma providência do governo nigeriano ou do brasileiro. A única certeza é que lá pro meio do ano começarão a nascer os primeiros filhos dos nigerianos, que têm comido e sobrevivido graças à bondade das moradoras e moradores do local. Respectivamente.
(Fotos: Três pescadores, Laura Corrêa; Brigitte Bardot e Navio encalhado, Sandro Fortunato)
Foi biográfico ou inspirado em fatos reais, eu me esforço. Seja livro, filme ou minissérie, encaro até o fim. Estava com boa vontade em relação a Dalva e Herivelto – Uma canção de amor, mesmo sabendo, desde a pré-produção, que o casal seria representado por Adriana “Celinha” Esteves e Fabio “Dispensa-se Comentário” Assunção. Nem precisei conferir a atuação de ambos para torcer o bico. Nos dois primeiros minutos, as referências a La Môme disseram o que estava por vir. Era de se esperar, já a partir do título descarado. No Brasil, La Môme foi chamado de Piaf – Um hino ao amor. A Globo continua achando que está nos anos 1970 e tratando os espectadores como alienados que só têm alguma conexão com o mundo além-casa ao sintonizá-la. Copiou o maravilhoso filme de Olivier Dahan ao fazer Maysa – Quando fala o coração e agora fez a cópia da cópia. O roteiro apressado, que parece ter sido escrito para o Twitter – cada cena em até 140 caracteres –, não ajudou em nada na construção dos personagens. Tudo de fácil digestão, seguindo a receita do que já fez sucesso. Ponto positivo para a rápida participação de Fernando Eiras interpretando Francisco Alves (esse merece livro, filme, minissérie…). Curioso por conferir Jandir Ferrari como David Nasser, que deve aparecer nos capítulos finais, que mostrará a fase em que, em parceria com Herivelto, compunha as músicas-lavagem-de-roupa-suja-pós-separação. Chega. Nem mais uma linha.
Sobre o casal, registro minha passagem pela exposição As estrelas Dalva de Oliveira e Herivelto Martins nos braços de Sampa, em outubro de 2009, na Caixa Cultural São Paulo (Sé). Simples, mas gostosa de ver.
Sobre outras exposições em São Paulo, continuo devendo – devo, nego, não pago enquanto puder – os textos. Em especial, as de Rodin, no Masp, que terminou no último dia 3; também lá, a de Walker Evans, que vai até este fim de semana (10 de janeiro); e a de Cartier-Bresson. Logo, logo…
Onde você estava, com quem e o que estava fazendo na manhã de 2 de janeiro de 1990? Se me perguntassem isso em uma cena de filme em um tribunal, eu responderia: “Estava na praia de Ponta Negra, em Natal, com minha namorada Fabíola”. E adiantaria: “À tarde, depois do banho, fizemos amor e assistimos ao filme Um Grito no Escuro, que tem Meryl Streep, uma de minhas atrizes preferidas, no elenco”.
Eu tinha 17 anos, meus pais haviam viajado para o Rio e aproveitei para bancar o homem da casa. Errei quando peguei o Corcel II (creme claro, placa ST 0844, RJ) e banquei o playboy, indo para a praia todos os dias, namorada a tiracolo, caipirosca para ficar no grau. Três dias depois, dia 5, uma sexta, foi a última vez que fizemos o passeio. Na volta, chovia. Ao entrar na BR 101, minha arrogância e imprudência de moleque não me fizeram pisar no freio ao ver um caminhão vindo em alta velocidade. Ele deveria manter a faixa e deixar a que eu estava liberada para quem vinha da Estrada de Ponta Negra, mas não fez isso. Em segundos, vi o caminhão crescendo bem ao meu lado e jogando o carro em uma pequena ribanceira. Não aconteceu nada conosco. A lateral do carro ficou amassada e ele jamais voltaria a ser o mesmo, pois a pancada afetou o eixo de direção de forma irreparável.
Gastei o dinheiro de uma poupança, que estava fazendo para viajar, pagando o guincho e mandando consertar a lataria. Meu pais voltariam uma semana depois e talvez não percebessem nada. Se a polícia foi ineficiente e não chegou a tempo, as línguas dos colegas de trabalho de meu pai foram rápidas e competentes, avisando-o de que viram o carro circulando enquanto ele não estava na cidade.
Foi assim que, antes de ter 18 anos e uma carteira de motorista, aprendi a dirigir com cuidado, responsabilidade e, sobretudo, pelos outros. Não o faço hoje. Acho estressante e adoro ter alguém de motorista, desde que também seja calmo e responsável. Estresse, zigue-zague, correria e buzina não são comigo. Quem quiser que morra sozinho. Saudades de Brasília, o lugar mais maravilhoso que existe para dirigir. Tesourinha, tesourão, tesourinha…
E sabem o que eu estava fazendo um ano antes, em 2 de janeiro de 1989? Logo pela manhã comprei um exemplar de The Miami Herald em uma banca na esquina da Avenida Nossa Senhora de Copacabana com República do Peru. Achei parecido com O Globo que, a propósito, havia saído no dia anterior. Era a primeira vez que saía no primeiro dia do ano e trazia a cobertura do réveillon, dando destaque ao naufrágio do Bateau Mouche IV, no qual morreram a atriz Yara Amaral e dezenas de pessoas. Foi também no dia 2 de janeiro daquele ano que experimentei Diet Coke pela primeira vez.
No dia seguinte, 3, uma terça, comprei o argentino La Nacion. Eu era um jovem e ainda aplicado estudante de jornalismo. No fim da tarde, assisti Um Príncipe em Nova York, que se tornaria um clássico da Sessão da Tarde. Na quarta, 4, fui a Todos os Santos e arredores. Visitei Patrícia Olga e Marcinha, amigas de infância. À noite, já de volta à Copa, em uma sessão às 22h, assisti Uma cilada para Roger Rabbit. O filme havia estreado no verão americano, em junho de 1988, mas só chegou aqui em dezembro. Naquele tempo, não tinha isso de “estreia mundial”. No Brasil, quem quisesse ver um filme, tinha que ter paciência e esperar.
Irremediavelmente e para todo sempre apaixonado por Jessica Rabbit, descobri, na quinta, que ela havia sido capa da Playboy americana em novembro. Comprei e a tenho muito bem guardada até hoje. Nesse mesmo dia, saía, em Natal, a quinta (e última) edição do Graúna, um jornalzinho que eu fazia com Alexandre Mulatinho, colega de turma na faculdade. À noite, comecei a ler Diário de um Cucaracha, de Henfil. O nome do jornal, claro, era uma homenagem a ele. Na sexta, 6, telefonei para alguns colegas de ginásio: Renata, Neusa e Cleber. No sábado, 7, continuei os contatos telefônicos: Lívia Formiga, Patrícia Romana e Márcia Cristina. Às 14 horas nos reunimos no McDonald’s do Méier. Dos nove alunos que completaram o ginásio no Pequeno C.E.U. em 1984, sete estavam presentes. Marcinha, muito tímida à época, declinou do convite. Com Sérgio Gama não consegui contato.
Como lembro esses detalhes de dias ocorridos há 20, 21 anos? Porque sempre escrevi. Em agendas ou diários. Estes, sobre os quais falei, têm anotações em agendas. Os detalhes estão ainda frescos na memória. A ideia de escrever sobre eles apareceu no final de 2008, ao revirar uma caixa com agendas, cartas e escritos dos anos 80 e 90, mas só agora coloco em prática. Esporadicamente, aqui no blog, vou lembrar, mostrar fotos, recortes, colagens e tudo mais que ficou guardados nessas cápsulas do tempo. Quem participou, pode ajudar a lembrar de algo mais. Quem não estava lá, pode dizer o que estava fazendo na mesma época. Conseguem lembrar? Contem aí nos comentários.