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	<title>Sempre Algo a Dizer &#187; Viagem</title>
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		<title>Céu, Sol e Mar</title>
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		<pubDate>Fri, 31 Dec 2010 01:13:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Conversa com o leitor]]></category>
		<category><![CDATA[Fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[Viagem]]></category>

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		<description><![CDATA[“Este ano, faço uma retrospectiva fotográfica”, pensei. Logo vi que seria impossível. Só nos lugares em que costumo postar fotos – Twitpic, Flickr, Facebook e Orkut – foram mais de setecentas. E nem sempre as melhores. Que tal fazer uma &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/12/30/ceu-sol-e-mar/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/12/30/ceu-sol-e-mar/&amp;text=Céu, Sol e Mar&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/12/gaivotas_sudoeste.jpg"><img class="size-full wp-image-845 aligncenter" style="border: 0pt none; margin-top: 0px; margin-bottom: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/12/gaivotas_sudoeste.jpg" alt="" width="600" height="350" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">“Este ano, faço uma retrospectiva fotográfica”, pensei. Logo vi que seria impossível. Só nos lugares em que costumo postar fotos – Twitpic, Flickr, Facebook e Orkut – foram mais de setecentas. E nem sempre as melhores. Que tal fazer uma nova seleção? Demoraria dias. Nem sei quantas fotos fiz este ano. Certamente, mais de 10 mil. Como tirar 20 ou 30 para representar 2010? Resolvi, então, eleger um tema: <strong><em>Céu, Sol e Mar</em></strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Pode parecer muito comum uma foto do pôr-do-sol ou de uma praia. Pode até parecer fácil agradar alguém com essas imagens. Mas responda: quantas vezes você parou o que estava fazendo para ver o pôr-do-sol este ano? Quantas vezes em um lugar especial? Em quantos lugares diferentes e especiais? Quantas vezes levantou antes do sol para vê-lo nascer? Em quantas praias esteve em 2010?</p>
<p style="text-align: justify;">Fiz tudo isso muitas vezes. Escolhi 30 fotos feitas em 9 municípios de 4 estados brasileiros. Como muitos sabem, passo a maior parte do tempo enfurnado em algum lugar: escrevendo, lendo, vendo filmes. Não sou chegado a praias e é raro dar um mergulho quando vou a alguma. Talvez por isso, valorize tanto esses momentos. Poderia não escrever sobre eles e não fotografá-los. Poderia somente apreciá-los, mas sempre penso em dividi-los com outras pessoas, com o maior número possível de pessoas. Então, aquele instante único, mágico e perfeito que a luz encontra para mostrar como o mundo é lindo, quase sempre vejo somente com um olho e através de uma máquina.  Para poder mostrar a vocês.</p>
<p style="text-align: justify;">Aqui estão 30 desses momentos. A ideia não é só mostrar lugares bonitos ou fotos bem feitas. Minha sugestão é que você pense um pouco sobre este momento – a virada do ano – “em que as esperanças se renovam” e perceba que isso não precisa ser feito só uma vez por ano, mas, sim, duas ou mais vezes todos os dias. Setecentas&#8230; mil vezes por ano! Acordar e ver o sol nascendo deixa qualquer dia mais bonito. Relaxar com o pôr-do-sol já nos deixa pensando como o amanhã será maravilhoso.</p>
<p style="text-align: justify;">E chega de conversa que 2010, este ano tão intenso, já se foi. Clique aí e viaje mais uma vez comigo (depois, basta fechar a janela e você voltará para cá). Em 2011, iremos a muitos outros lugares e todos os nossos dias serão lindos.</p>
<p><script type="text/javascript">// <![CDATA[
   /* Full Screen Window Opener Script-  © Dynamic Drive (www.dynamicdrive.com) For full source code, installation instructions, 100's more DHTML scripts, and Terms Of Use, visit dynamicdrive.com */ function fullwin(targeturl){ window.open(targeturl,"","fullscreen,scrollbars") }
// ]]&gt;</script><br />
<center></p>
<form>
<input onclick="fullwin('http://www.sandrofortunato.com.br/albuns/solemar2010/solemar01.html')" type="button" value="Clique e comece a viagem" /> </form>
<p></center></p>

<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/12/30/ceu-sol-e-mar/&amp;text=Céu, Sol e Mar&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
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		<title>Diário de São Pedro (VIII) – Texturas da Pitória</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Apr 2010 18:00:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[Livre pensar]]></category>
		<category><![CDATA[São Pedro da Aldeia]]></category>
		<category><![CDATA[Viagem]]></category>

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		<description><![CDATA[Diário de São Pedro (VIII) – Texturas da Pitória Dois temas que me fascinam, ao fotografar, são a Natureza e a degradação. Mais precisamente a eterna beleza da Natureza e a rápida degradação do que o homem cria. Quando os &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/04/27/diario-de-sao-pedro-viii-%e2%80%93-texturas-da-pitoria/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/04/27/diario-de-sao-pedro-viii-%e2%80%93-texturas-da-pitoria/&amp;text=Diário de São Pedro (VIII) – Texturas da Pitória&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden; text-align: justify;">Diário de São Pedro (VIII) – Texturas da Pitória</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden; text-align: justify;">Dois temas que me fascinam, ao fotografar, são a Natureza e a degradação. Mais precisamente a eterna beleza da Natureza e a rápida degradação do que o homem cria. Quando os dois se juntam, me parece mais evidente o quão somos pequenos e imperfeitos, como o pobre homem passa – e rápido! – e como a poderosa Natureza continua, para sempre.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden; text-align: justify;">Nos fins de tarde na Praia da Pitória, tentei registrar alguns desses momentos. A Natureza fica brincando com a luz na água e na areia, criando quadros perfeitos que mudam a todo instante. Um segundo depois já não estão mais lá e nunca se repetirão. (Pretensamente) Capturados, podem servir como catalisadores para acalmar a mente dos que moram nos grandes centros ou mesmo aos que não conseguem perceber tais momentos quando se deparam com eles.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden; text-align: justify;">Divido dez imagens com vocês. Para vê-las ou salvá-las em tamanho maior, basta clicar nelas. Reparem calmamente em cada detalhe. Espero que viajem maisue eu.</div>
<p style="text-align: justify;">Dois temas que me fascinam, ao fotografar, são a Natureza e a degradação. Mais precisamente a eterna beleza da Natureza e a rápida degradação do que o homem cria. Quando os dois se juntam, me parece mais evidente o quão somos pequenos e imperfeitos, como o pobre homem passa – e rápido! – e como a poderosa Natureza continua, para sempre.</p>
<p style="text-align: justify;">Nos fins de tarde na Praia da Pitória, tentei registrar alguns desses momentos. A Natureza fica brincando com a luz na água e na areia, criando quadros perfeitos que mudam a todo instante. Um segundo depois já não estão mais lá e nunca se repetirão. (Pretensamente) Capturados, podem servir como catalisadores para acalmar a mente dos que moram nos grandes centros ou mesmo aos que não conseguem perceber tais momentos quando se deparam com eles.</p>
<p style="text-align: justify;">Divido dez imagens com vocês. Para vê-las ou salvá-las em tamanho maior, basta clicar nelas. Reparem calmamente em cada detalhe. Espero que viajem mais que eu.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://twitpic.com/1iwjs5/full" target="_blank"><img class="size-full wp-image-534 aligncenter" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/04/textura01_pequena.jpg" alt="" width="500" height="375" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://twitpic.com/1iwk4b/full" target="_blank"><img class="size-full wp-image-535 aligncenter" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/04/textura02_pequena.jpg" alt="" width="500" height="375" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #ffffff;"><a href="http://twitpic.com/1iwkdm/full" target="_blank"><img class="size-full wp-image-536 aligncenter" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/04/textura03_pequena.jpg" alt="" width="500" height="375" /></a></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #ffffff;"><a href="http://twitpic.com/1iwkkq/full" target="_blank"><img class="size-full wp-image-537 aligncenter" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/04/textura04_pequena.jpg" alt="" width="500" height="375" /></a></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #ffffff;"><a href="http://twitpic.com/1iwksv/full" target="_blank"><img class="size-full wp-image-538 aligncenter" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/04/textura05_pequena.jpg" alt="" width="500" height="375" /></a></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #ffffff;"><a href="http://twitpic.com/1iwl0p/full" target="_blank"><img class="size-full wp-image-539 aligncenter" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/04/textura06_pequena.jpg" alt="" width="500" height="375" /></a></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #ffffff;"><a href="http://twitpic.com/1iwl8p/full" target="_blank"><img class="size-full wp-image-540 aligncenter" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/04/textura07_pequena.jpg" alt="" width="500" height="375" /></a></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #ffffff;"><a href="http://twitpic.com/1iwlh3/full" target="_blank"><img class="size-full wp-image-541 aligncenter" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/04/textura08_pequena.jpg" alt="" width="500" height="375" /></a></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #ffffff;"><a href="http://twitpic.com/1iwlus/full" target="_blank"><img class="size-full wp-image-542 aligncenter" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/04/textura09_pequena.jpg" alt="" width="500" height="375" /></a></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #ffffff;"><a href="http://twitpic.com/1iwm0s/full" target="_blank"><img class="size-full wp-image-543 aligncenter" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/04/textura10_pequena.jpg" alt="" width="500" height="375" /></a><br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;">

<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/04/27/diario-de-sao-pedro-viii-%e2%80%93-texturas-da-pitoria/&amp;text=Diário de São Pedro (VIII) – Texturas da Pitória&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
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		<title>Diário de São Pedro (VII) – Dois fins de tarde</title>
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		<pubDate>Sat, 24 Apr 2010 17:00:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[São Pedro da Aldeia]]></category>
		<category><![CDATA[Viagem]]></category>

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		<description><![CDATA[Na Pitória Já não é tão silenciosa a Pitória. Vai longe a calma que encontrei em julho do ano passado. Agora não são apenas os cães aprisionados nas casas ladrando feroz e invejosamente contra os vira-latas livres que brincam na &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/04/24/diario-de-sao-pedro-vii-%e2%80%93-dois-fins-de-tarde/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/04/24/diario-de-sao-pedro-vii-%e2%80%93-dois-fins-de-tarde/&amp;text=Diário de São Pedro (VII) – Dois fins de tarde&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-523 aligncenter" style="margin-top: 0px; margin-bottom: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/04/pitoria_menino_poente.jpg" alt="pitoria_menino_poente" width="600" height="450" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Na Pitória</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Já não é tão silenciosa a Pitória. Vai longe a calma que encontrei em julho do ano passado. Agora não são apenas os cães aprisionados nas casas ladrando feroz e invejosamente contra os vira-latas livres que brincam na areia.  São os homens com seus aparelhos de vomitar barulho. Dicró, ao longe, até ajuda a compor a cena, mas logo surge um axé ou tecnobrega rival em algum bar ou carro por perto.  Roncos dos motores de pequenas embarcações aumentam a balbúrdia. E as crianças estão grosseiras como nunca. Palavrões dos quais talvez nem saibam o significado são usados como vírgula e ponto.</p>
<p style="text-align: justify;">Na Pitória, só os cães vadios são felizes. Eu sou feliz na Pitória.</p>
<p style="text-align: center;">* * * * * * *</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-524 aligncenter" style="margin-top: 0px; margin-bottom: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/04/praiadosol_poente_cinza.jpg" alt="praiadosol_poente_cinza" width="600" height="450" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Na Praia do Sol</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Ok, Baby Jesus, Sandro vai pecar. Pecado pequeno e costumeiro. Nada que vá me levar ao inferno. A caminhada até a Praia do Sol mereceu uma cerveja. A atração principal está tímida, escondida pelas nuvens, não deve se apresentar hoje. Ainda é cedo e pode ser que, até a hora marcada, mude de idéia. Até lá, vou pecando sem pressa.</p>
<p style="text-align: justify;">Foi difícil arranjar um local com um mínimo de barulho. Escolhi um quiosque onde se ouve Clara Nunes. Usei o velho truque de chegar bem ao lado do aparelho de som para fazer o pedido. Como não me escutava, a dona do lugar foi obrigada a baixar o volume. Peguei a cerveja, larguei um sorriso no balcão e me afastei tanto quanto possível. É Clara e ao longe.</p>
<p style="text-align: justify;">O sol brinca com tons de rosa. Começa a revelar os contornos das nuvens na tela cinza. Na água, só as crianças. A inocência deve protegê-las da poluição. Queria ter esse poder. As pessoas, nas mesas, começam a ir embora. Quem chega, para não perder a viagem, fotografa com o céu monocromático ao fundo.</p>
<p style="text-align: justify;">Pôr-do-sol, na Praia do Sol, hoje, não tem.</p>
<p style="text-align: center;">* * * * * * *</p>
<p style="text-align: right;"><a href="http://twitpic.com/photos/sandrofortunato" target="_blank">Mais fotos desta temporada em São Pedro da Aldeia.</a></p>

<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/04/24/diario-de-sao-pedro-vii-%e2%80%93-dois-fins-de-tarde/&amp;text=Diário de São Pedro (VII) – Dois fins de tarde&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
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		</item>
		<item>
		<title>Tremores de terra no Nordeste: Eu fui!</title>
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		<pubDate>Tue, 12 Jan 2010 05:42:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Livre pensar]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Viagem]]></category>

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		<description><![CDATA[O primeiro tremor de terra, a gente nunca esquece. As pessoas pularam de suas camas, os lustres balançavam, os copos e talheres se batiam, livros caíam das estantes, todo mundo correndo para a rua, como se lá não estivesse tremendo. &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/01/12/tremores-de-terra-no-nordeste-eu-fui/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/01/12/tremores-de-terra-no-nordeste-eu-fui/&amp;text=Tremores de terra no Nordeste: Eu fui!&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-408" style="border: 0pt none;" title="Açude Poço Branco" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/01/poente_pocobranco.jpg" alt="poente_pocobranco" width="600" height="250" /></p>
<p style="text-align: justify;">O primeiro tremor de terra, a gente nunca esquece. As pessoas pularam de suas camas, os lustres balançavam, os copos e talheres se batiam, livros caíam das estantes, todo mundo correndo para a rua, como se lá não estivesse tremendo. Eu estava em Natal, Rio Grande do Norte, e senti. Isso não aconteceu no último sábado, 9 de janeiro, nem na terça, 11. Isso foi em 1986.</p>
<p><img class="size-full wp-image-409  alignright" style="border: 0pt none; margin: 0px;" title="Igreja de Nossa Senhora do Livramento, em Taipu." src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/01/igreja_taipu.jpg" alt="igreja_taipu" width="286" height="210" /></p>
<p style="text-align: justify;">O epicentro foi em João Câmara, município que fica a uns 80 quilômetros da capital. Foram meses de atividade sísmica. Começou em agosto e continuou no mês seguinte. Abalos na casa dos 4 pontos na Escala Richter. Esse em que todo mundo saiu correndo de casa em Natal aconteceu em uma madrugada de novembro, cravou 5.1 e botou abaixo centenas de casas em João Câmara.</p>
<p style="text-align: justify;">Estes nos últimos dias foram de 2.7 e 3.8 (alguns sites noticiaram como 4.3). O de sábado foi sentido em alguns bairros de Natal. O de terça foi sentido em toda a cidade e também em Campina Grande e João Pessoa, na Paraíba, e até em Recife, Pernambuco. É. Foi uma sacudida legal, mas ainda longe daquela em novembro de 1986. Para quem estava em Natal e perto do chão, a sensação era a de um caminhão pesado passando bem perto. Quem estava em prédios, certamente sentiu um balanço maior.</p>
<p style="text-align: justify;">O abalo de terça causou comoção no Twitter. Foi imediato. Todo mundo dizendo que sentiu e informando onde estava. Quem tem menos de 30 anos se apavorou; quem tem mais, se divertiu. Para estes – eu incluso – a prévia de 2012 aconteceu em 1986.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignright size-full wp-image-410" style="border: 0pt none; margin: 0px;" title="Sinhozinho em Poço Branco" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/01/pbranco_sinhozinho.jpg" alt="pbranco_sinhozinho" width="286" height="210" />Enquanto alguns pensavam em correr para as montanhas (quais?!), eu, Canindé Soares, Walmir e Jailson Fernandes corríamos para Taipu, município a 60 quilômetros de Natal, onde ocorreu o epicentro. Fotografar abalo? É só fazer uma foto tremida, não? Não. O negócio é conferir os estragos. Dessa vez não caiu nada. Não ainda. Umas rachaduras aqui ou acolá, umas telhas que se afastaram, tudo em construções bem sujeitas a isso. Nos sites e jornais, a apelação de sempre: gente apontando uma rachadura. Até eu fiz uma dessas. E nem precisava ter saído de casa para isso.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas meu objetivo era outro. Queria mesmo documentar o que ainda está de pé. Igrejas e casas centenárias que, numa sacudidela mais forte, podem vir abaixo. Depois da simpática e pacata Taipu, estivemos na vizinha Poço Branco. Tudo normal. Valeu pelo pôr-do-sol à beira do açude.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignright size-full wp-image-412" style="border: 0pt none; margin: 0px;" title="Açude Poço Branco" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/01/pbranco_acude.jpg" alt="pbranco_acude" width="286" height="210" />Estive em enchentes no Rio de Janeiro, no apagão em São Paulo e nos tremores em Natal. Posso dizer uma coisa: as pessoas das cidades grandes se desesperam com mais facilidade. Em Taipu e Poço Branco, a impressão era de que nada havia acontecido. E lá foi forte mesmo! Em Recife, dois estados e centenas de quilômetros depois, alguns prédios foram evacuados. Pense no medo!</p>
<p style="text-align: justify;">Vendo as pessoas a pé ou de bicicleta pelas ruas, um sinhozinho sentado do lado de fora de sua casa ou os dois pescadores no fim de tarde no açude, tive a certeza de que se o mundo acabar, vai acabar bem depois por lá. Sem pressa, sem medo, sem estresse algum, coisas que os moradores daquelas pequenas cidades jamais conheceram nem desejam conhecer. E os tremores? São coisas da Natureza. Eles estão acostumados e vivem muito bem com eles e com Ela.</p>
<p style="text-align: right;"><em>Mais fotos e em tamanho maior em<br />
<a href="http://twitpic.com/photos/sandrofortunato" target="_blank">twitpic.com/photos/sandrofortunato</a></em></p>

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		<title>Dois Búzios</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Jan 2010 19:23:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Estatuária]]></category>
		<category><![CDATA[Fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[Viagem]]></category>

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		<description><![CDATA[Búzios, tem lá e cá. Fica por conta de onde você esteja. Podem também ser lá e lá. Enfim, há Búzios no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Norte. Armação dos Búzios, do Rio de Janeiro, é uma &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/01/07/dois-buzios/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-380" style="border: 0pt none;" title="buzios3h" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/01/buzios3h.jpg" alt="buzios3h" width="600" height="150" /></p>
<p style="text-align: justify;">Búzios, tem lá e cá. Fica por conta de onde você esteja. Podem também ser lá e lá. Enfim, há Búzios no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Norte. Armação dos Búzios, do Rio de Janeiro, é uma península, conhecida internacionalmente graças às visitas de Brigitte Bardot nos anos 60 e, nacionalmente, graças à novela <em>Viver a Vida</em>. Búzios, no Rio Grande do Norte, é uma praia de grande extensão, quase selvagem (pelo menos na faixa de areia), frequentada principalmente por veranistas, boa para surfe, perigosa para banho, perto de falésias e que fica no município de Nísia Floresta, vizinho a Natal.</p>
<p style="text-align: justify;">Há algum tempo, estando em Natal e tendo passado por Búzios do Rio de Janeiro poucos dias antes, comentei sobre a estátua de Brigitte <strong>(1)</strong>. Uma pessoa ficou chocada. Não sabia que havia uma estátua de Brigitte lá. Ela pensou que eu estava falando de Búzios do Rio Grande do Norte e que Brigitte seria um lendário travesti de Natal. A ideia me pareceu interessante.</p>
<p style="text-align: justify;">Na Búzios fluminense, há também Os Três pescadores <strong>(2)</strong>. Se não há estátuas na semi-selvagem Búzios potiguar, há um monumento deixado por sete pescadores nigerianos: <a href="http://www.flickr.com/photos/unsdiasemnatal/4254433392/" target="_self">um navio</a> <strong>(3) </strong>que, segundo consta, teve os motores danificados, ficou à deriva e encalhou por lá.  Isso aconteceu no dia 4 de outubro de 2009. Até agora, nenhuma providência do governo nigeriano ou do brasileiro. A única certeza é que lá pro meio do ano começarão a nascer os primeiros filhos dos nigerianos, que têm comido e sobrevivido graças à bondade das moradoras e moradores do local. Respectivamente.</p>
<p style="text-align: right;">(Fotos: <em></em><em>Três pescadores</em>, Laura Corrêa;<br />
<em>Brigitte Bardot</em> e <em>Navio encalhado</em>, Sandro Fortunato)</p>

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		<title>Diário de São Pedro (VI)</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Jul 2009 21:12:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte tumular]]></category>
		<category><![CDATA[Cemitérios]]></category>
		<category><![CDATA[Estatuária]]></category>
		<category><![CDATA[São Pedro da Aldeia]]></category>
		<category><![CDATA[Viagem]]></category>

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		<description><![CDATA[Dentre as coisas que gosto e sempre há em todo lugar, estão igrejas e cemitérios. Há algum tempo, folheando uma edição de 1930 de O Cruzeiro, encontrei a foto (acima, à esquerda) de uma igreja em São Pedro da Aldeia. &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/07/23/diario-de-sao-pedro-vi/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2009/07/igrejaspa.jpg" alt="igrejaspa.jpg" /></p>
<p>Dentre as coisas que gosto e sempre há em todo lugar, estão igrejas e cemitérios. Há algum tempo, folheando uma edição de 1930 de <em><a href="http://www.memoriaviva.com.br/ocruzeiro" target="_blank">O Cruzeiro</a></em>, encontrei a foto (acima, à esquerda) de uma igreja em São Pedro da Aldeia. Isso foi depois de minha última vinda para cá, no final de 2007. Trata-se da <a href="http://twitpic.com/9x8tb" target="_blank">Igreja Matriz de São Pedro da Aldeia</a>.</p>
<p><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2009/07/igrejaspa2.jpg" border="0" alt="" align="right" />A construção é de meados do século XVIII. Há quem diga que foi concluída em 1783. No site da paróquia, em um texto confuso, fala-se em 1748, mas também não dá certeza. Por lá, só me disseram que “<em>aaaaaaah! é muito antiga</em>”. Isso é um trabalho para o Sandro-Memorialista, mas quem passou por lá foi o Sandro-Turista. Fico devendo. Fica para a próxima.</p>
<p>A Aldeia de São Pedro foi fundada por jesuítas em 1617. A igreja, como de costume, fica no ponto mais alto e a cidade se desenvolveu ao seu redor. Na sua frente, desde 1887, há outra igreja. Pelas datas gravadas no frontispício, deve ter sido concluída em 1941. A mais antiga ameaçava cair. Está aí até hoje, talvez não tão firme nem tão forte, mas ainda de pé, após mais de duzentos anos.</p>
<p>Por fora, a igreja parece grande. A nave, porém, é pequena. Quatro pares de colunas, duas fileiras com aproximadamente vinte bancos e já se chega ao altar. Chegando lá, à esquerda há uma pequena capela; à direita, a sacristia, que dá passagem para um espaço mais amplo, cercado, a céu aberto, onde fica o cemitério.</p>
<p>Não parecesse tão impróprio, diria que é o cemitério mais aconchegante que já vi: pequeno, protegido, arborizado, com algumas estátuas. Parece mesmo um jardim santo. Como <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/06/15/o-primeiro-marmore/">já disse aqui</a>, até meados do século XIX era costume enterrar os mortos nas igrejas e arredores. O túmulo mais antigo que vi nesse pequeno cemitério aponta um sepultamento em 1847. “<em>Aqui jazem os restos mortaes de D. Joaquina Maria Thereza &#8211; Fallecida a 5 de outubro de 1847 &#8211; e do Comendador Manoel de Souza Teixeira, fallecido a 2 de novembro de 1856</em>”. A construção representa um pequeno templo sustentado por quatro colunas. Ao centro, uma urna com pés. Sobre ela, um crânio sem a mandíbula. Meio macabro, mas levemos em conta a concepção de morte para os católicos do século XIX. Aparentemente é todo em mármore e muito bem executado, como toda a estatuária do pequeno cemitério. Há vários outros monumentos lá: urnas, <a href="http://twitpic.com/9x989" target="_blank">representações de anjos</a>, santos, melancolia, etc.</p>
<p><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2009/07/igrejaspa4.jpg" border="0" alt="" align="left" />Não pude observar os hábitos dos católicos de São Pedro. Fiquei adiando uma ida à missa e só uma única vez estive perto da igreja, em um domingo, quando os sinos bateram seis da tarde. Mas a missa seria uma hora depois. Em outra noite, vi algumas pessoas chegando para um casamento. <a href="http://twitpic.com/a2c6a" target="_blank">O templo tem uma iluminação modernosa</a> que não é afetada pelas pequenas construções ao redor.</p>
<p>Por pura preguiça (pecado capital!), também não fui a pelo menos uma das missas rezadas aos sábados, aqui mesmo na Praia da Pitória, a poucos passos, na Igreja Filial de São Pedro. <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/07/10/diario-de-sao-pedro-iii/">Anteriormente expliquei esse termo</a> que nunca havia visto. Na Praia do Sol também tem outra Filial, sendo que é de Nossa Senhora das Graças. Cercada por grades pontiagudas, parece bem menos cordial que as outras.  No entanto, em minha única passagem por lá, no meio da tarde de uma quinta, eu a encontrei aberta. Pode ter sido coincidência. Na Filial de São Pedro, quinta também é o dia em que há uma prece, no início da noite. Fora isso, só abre para a missa de sábado.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>** Confira mais fotos em <a href="http://twitpic.com/photos/sandrofortunato" target="_blank">http://twitpic.com/photos/sandrofortunato</a> **</p>
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		<title>Diário de São Pedro (V)</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Jul 2009 13:40:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[São Pedro da Aldeia]]></category>
		<category><![CDATA[Viagem]]></category>

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		<description><![CDATA[Pareceu-me estranho falar de praia e sol com as chuvas e o frio dos últimos dias. Adiei por um dia escrever sobre a caminhada, feita na quinta-feira passada, até (quase) a Praia da Baleia e São Pedro mudou o tempo &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/07/22/diario-de-sao-pedro-v/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img border="0" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2009/07/spasud01.jpg" alt="spasud01.jpg" /></p>
<p align="justify">Pareceu-me estranho falar de praia e sol com as chuvas e o frio dos últimos dias. Adiei por um dia escrever sobre a caminhada, feita na quinta-feira passada, até (quase) a Praia da Baleia e São Pedro mudou o tempo aqui na Aldeia.</p>
<p align="justify"><img border="0" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2009/07/spasud02.jpg" align="right" />Hoje o sol saiu e com ele veio minha disposição para escrever. Verdade seja dita, já bate uma ponta de saudade destes dias maravilhosos em São Pedro da Aldeia e, se não fossem as coisas da vida – ser adulto dever ser mesmo muito chato! –, eu não sairia daqui tão cedo. Vou, mas retorno em algumas semanas para pegar o fim do inverno e o início da primavera.</p>
<p align="justify">Mas vamos ao breve relato sobre a missão de desbravamento das praias deste istmo.</p>
<p align="justify">Na quinta, 16, parti da Praia da Pitória, às 15h30, com destino à Praia do Sudoeste. A Pitória é uma praia de pescadores; a seguinte, do Arrastão, é quase somente uma passagem até a Praia do Sol; esta tem uma parte tomada por quiosques na areia e, dizem, é repleta de selvagens turistas (perdoem-me a redundância) na alta estação. Depois vem a Praia do Sudoeste e, mais uma vez, tudo muda.</p>
<p align="justify">Andei por aproximadamente um quilômetro sem ver viva alma, exceto pelo vira-lata ensandecido que correu em minha direção assim que pisei na praia, seu dono pescador e outro senhor que fez pouco do meu pequeno momento de desgraça: “<em>Ele só quer brincar</em>”. Sei.</p>
<p align="justify">A Sudoeste é uma típica praia de veraneio. Repleta de pousadas e grandes casas, muitas ao estilo de fazenda. Meio estranho pensar em fazenda na praia, mas é isso mesmo. A palavra sempre surge quando se pergunta até onde vai a faixa denominada do Sudoeste. “<em>Até aquela ponta lá, onde é fazenda do Roberto Marinho</em>”.</p>
<p align="justify">O homem morreu há seis anos, mas seu poder continua sobre a terra. A “fazenda do Roberto Marinho” é a península. Um lugar privilegiado, lindo, difícil ou mesmo impossível de contornar a pé porque quase não há uma faixa de areia que permita a caminhada. Fica em um local mais elevado e de lá pode se ver o nascente e o poente mudando de posição durante as estações. Bem longe de vizinhos. Resumindo: o lugar que eu sonhei. Casa comigo, Dona Lily Marinho!</p>
<p align="justify">Voltando à realidade&#8230; caminhei pela vazia Praia do Sudoeste e indico: se quiser conhecê-la, aproveite os veranicos durante o inverno. Tudo fica vazio, em paz e os preços muito mais baratos.</p>
<p align="justify">Fiquei para registrar o poente e me dei conta de que era a primeira vez que via esse momento “no mar”. Senti-me no Pacífico! As aspas são por conta de que “o mar” aqui é a imensa Lagoa de Araruama. A posição do istmo onde fica São Pedro da Aldeia permite que de vários pontos e em diferentes épocas, se assista o nascer e o pôr do sol “no mar”. E, sim, a lagoa é de água salgada.</p>
<p align="justify">Resolvi voltar de ônibus que, sem pressa alguma, parando a todo instante na Estrada do Boqueirão, não leva mais de dez minutos para retornar ao ponto de onde parti na Praia da Pitória. Em determinado trecho, ele passa pelo outro lado do istmo. Ainda não caminhei por lá e talvez não faça isso desta vez. Os últimos quatro dias foram de frio e só tenho outros três para terminar as digitalizações do acervo de Appe (falarei a respeito em outro texto). Como devo estar novamente aqui em setembro e outubro, pretendo aproveitar as cores da primavera para continuar esse mapeamento fotográfico das praias de São Pedro da Aldeia.</p>
<p align="center">** Confira mais fotos em <a target="_blank" href="http://twitpic.com/photos/sandrofortunato">http://twitpic.com/photos/sandrofortunato</a> **</p>
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		<title>Diário de São Pedro (III)</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/07/10/diario-de-sao-pedro-iii/</link>
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		<pubDate>Fri, 10 Jul 2009 14:18:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livre pensar]]></category>
		<category><![CDATA[São Pedro da Aldeia]]></category>
		<category><![CDATA[Viagem]]></category>

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		<description><![CDATA[Ontem escrevi no Twitter que a farsa das caminhadas matinais havia acabado. Seria mais correto dizer que as falsas caminhadas matinais haviam acabado. Eram curtas, mais de observador do que de andador, desculpa para procurar um lugar quieto onde escrever &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/07/10/diario-de-sao-pedro-iii/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2009/07/spapsol.jpg" alt="spapsol.jpg" /></p>
<p align="justify">Ontem escrevi no <a target="_blank" href="http://twitter.com/sandrofortunato">Twitter</a> que a farsa das caminhadas matinais havia acabado. Seria mais correto dizer que as <em>falsas</em> caminhadas matinais haviam acabado. Eram curtas, mais de observador do que de andador, desculpa para procurar um lugar quieto onde escrever e ler um pouco.</p>
<p align="justify"><img border="o" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2009/07/5spa.jpg" align="right" />Na quarta, comecei verdadeiras caminhadas vespertinas. Deixei a Praia da Pitória e seus pescadores e fui buscar outras, segundo ouvia dizer, mais bonitas e desejadas. A praia seguinte é a do Arrastão.  Já havia andado por um trecho dela em minha última caminhada matinal. É aquela com casas grandes e cães neuróticos. Mais adiante, na altura em que encontra a Estrada do Boqueirão, vê-se um trapiche antigo e um barzinho que convida para ver o pôr do sol. Continuando pela orla, o mato alto empresta um aspecto de abandono à trilha. Mais uns trezentos metros e o cenário muda novamente. Enormes casas com muros a poucos metros da água e a visão da Praia do Sol.</p>
<p align="justify">Quando terminam as casas e se chega à praia propriamente dita, vemos uma série de quiosques padronizados. Nessa época, em dia de semana, há pouca gente. Melhor assim. Dizem que é área bem movimentada no verão. Deve ser um inferno. Quanto menos gente, melhor. Um ou dois casais, uma família e algum funcionário público com uma Kombi da prefeitura vomitando um pagode. Foi esse o cenário que encontrei.  Caminhando um pouco mais, os ruídos do bicho-homem vão embora e se ouve apenas o som das pequenas vagas e do vento nas árvores. Fui até aí no primeiro dia. Subi em direção à estrada. Vi um campinho onde crianças de uma escola pública jogavam futebol e a Igreja Filial de Nossa Senhora das Graças.  Se o termo “igreja filial” lhe parece estranho, devo explicar que não é invenção minha. É assim mesmo que são chamadas. São maiores que capelas e foram construídas próximas à praia, um pouco distante das matrizes. Na da Praia do Sol, bem no meio da tarde, encontrei quatro senhorinhas entregues às suas orações. Tão envolvidas que nem perceberam minha chegada e meu rápido passeio de reconhecimento pelo local.</p>
<p align="justify">Na quinta, resolvi ir além. Fui até o final da Praia do Sol, que não acaba onde eu pensava. Depois de uma pequena área com casas humildes e barcos de pescadores, estende-se ainda um pouco, numa ponta que abriga condomínios e casas luxuosas. Até aí, devo ter andado uns quatro quilômetros. Vi pouca gente. Passada essa área, há outra ponta repleta de pedras que marca a divisão entre as praias do Sol e do Sudoeste. Esta última é minha próxima missão.</p>
<p align="justify">Retornei desse ponto com a intenção de procurar um local calmo e bonito, onde pudesse sentar, ler, escrever um pouco e aguardar o poente. Levava uma mochila com livro, caderno, máquina&#8230; mas percebi que nada disso valeria muito ali. A máquina fotográfica, sim, para mostrar a vocês algo da beleza do local. O resto era inútil. Já passo o dia inteiro – a vida toda – lendo e escrevendo, por que não utilizar esses momentos da maneira correta? O ideal é esquecer tudo e se deixar levar pela Natureza. Sentir o sol, o vento, a água, aproveitar o silêncio. Em certo momento, até a câmera começou a me incomodar. Não tenho o direito de tentar eternizar, de aprisionar um momento desses. Capacidade muito menos! Cada instante é único, cada onda em constante movimento, cada reflexo que dança e muda de lugar&#8230; Tudo deve ficar na memória para que, quando comece a desvanecer, venha a vontade fazer uma nova visita.</p>
<p align="justify">Confesso que pretendo ainda fotografar as outras praias de São Pedro da Aldeia e, mais que isso, fotografar o nascente e o poente em cada uma delas. Haja disposição! E quem aguenta tanto céu, tanto mar, tanto azul? Eu aguento. Nem sabia disso, mas começo a crer que sim. As primeiras fotos me incomodaram: céu, mar, azul, linha do horizonte, céu, mar, azul, linha do horizonte&#8230; De repente, o que me incomodava foi me deixando tranquilo.</p>
<p align="justify">Tranquilidade maior, penso, terei durante as caminhadas para esperar o nascer do sol. Ninguém por perto, nenhum barulho, nenhuma pressa, nada além de beleza, equilíbrio, paz e harmonia.</p>
<p align="center">** Confira fotos diariamente em <a target="_blank" href="http://twitpic.com/photos/sandrofortunato">http://twitpic.com/photos/sandrofortunato</a> **</p>
<p><center><img useMap="#Map3" border="0" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback3.jpg" height="25" /></center><br />
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		<title>Diário de São Pedro (II)</title>
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		<pubDate>Sat, 04 Jul 2009 15:12:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livre pensar]]></category>
		<category><![CDATA[São Pedro da Aldeia]]></category>
		<category><![CDATA[Viagem]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2009/07/spa0407.jpg" alt="spa0407.jpg" /> </p>
<p align="justify">A chuva do dia anterior parece nunca ter estado por aqui e hoje o dia amanheceu bonito. Poucas e pequenas nuvens a lembrar que ali estava o céu, dando algum volume ao <em>dégradé</em> pálido das primeiras horas de São Pedro.</p>
<p align="justify">Aventurei-me pelo lado esquerdo da orla da lagoa. Esquerdo, se você está olhando para ela. Afastei-me do local onde ficam os pequenos barcos e comecei a ver grandes casas. Certamente nenhuma de pescador, que se contenta com o que a Natureza lhe dá e não costuma ter essas necessidades inventadas, esses sentimentos de poder e ostentação. São casas de veranistas, quase sempre com mais de um andar e com as comodidades da cidade grande que aqui só servem para tirar a tranquilidade: carros, condicionadores de ar, parabólicas denunciando os televisores. Trazem seus barulhos, suas perturbações que garantem a distância de uma vida calma. Silêncio e paz de espírito não se encontram em<em> shoppings</em>.</p>
<p align="justify"><img border="0" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2009/07/spa0207.jpg" align="right" />Até os cães dessas casas são diferente. Grandes, agressivos, barulhentos, neuróticos. Os cães vagabundos que dormem nos trapiches, não. São dóceis, calmos. Quando alguém se aproxima para interromper seu descanso, levantam a cabeça como a perguntar se precisam mesmo sair dali. Aproveitam o frio da madrugada e o suave calor da manhã com a mesma pressa – nenhuma – e o mesmo respeito – todo. Nem bem escrevo isso, três deles correm em minha direção e se jogam na areia bem a minha frente. Parecem saber que estou falando deles. Logo continuam suas brincadeiras pela orla. São livres. Diferentes dos monstros supernutridos que latem desesperada e histericamente do outro lado dos muros, defendendo seus donos e fazendo valer a ração de cada dia.</p>
<p align="justify">Você já teve a sensação do frio deixando seu corpo porque o sol começa a aquecê-lo? É uma sensação de estar vivo. Bem diferente daquela de acordar e ficar molengando na cama como se a vida o estivesse chamando para resolver os doze trabalhos de Hércules antes do meio-dia.</p>
<p align="justify">Acordar por já ter dado ao corpo o descanso que ele necessitava. Sair no silêncio e no friozinho da manhã. Escolher um lugar calmo e sentar para esperar o nascer do sol, um espetáculo que acontece todos os dias, mas que nunca é igual.</p>
<p align="justify">Aos poucos, ir sentindo o calor na pele e ter novamente a certeza de que está vivo.</p>
<p align="justify">Um dia que começa assim é sempre perfeito.</p>
<p><center><img useMap="#Map3" border="0" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback3.jpg" height="25" /></center></p>
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		<title>Diário de São Pedro</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Jul 2009 15:39:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livre pensar]]></category>
		<category><![CDATA[São Pedro da Aldeia]]></category>
		<category><![CDATA[Viagem]]></category>

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		<description><![CDATA[Onde já se viu sair para caminhar, logo cedo, carregando máquinas fotográficas, livro, caderno&#8230;? Quem já me viu sentado em um banco de praça, às seis e pouco da manhã, garrancheando em um caderno? Estou na pracinha da filial (!) &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/07/01/diario-de-sao-pedro/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img border="0" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2009/07/gaivotas.jpg" alt="gaivotas.jpg" /></p>
<p align="justify">Onde já se viu sair para caminhar, logo cedo, carregando máquinas fotográficas, livro, caderno&#8230;? Quem já me viu sentado em um banco de praça, às seis e pouco da manhã, garrancheando em um caderno?</p>
<p align="justify"><img hspace="5" border="0" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2009/07/igreja.jpg" alt="igreja.jpg" align="right" />Estou na pracinha da filial (!) da Igreja de São Pedro, na Praia da Pitória, em São Pedro da Aldeia (RJ). Atrás de mim, a pequena igreja; do lado direito, uma construção de quatro andares abandonada há anos; à esquerda, um campinho de futebol de areia cercado por grades. Elas não existiam quando estive aqui da última vez.</p>
<p align="justify">Alguns pescadores já partiram, cães fazem sua caminhada matinal assim como alguns humanos. Estes talvez estejam buscando o “padrão carioca” de boa forma. Ficam de lá pra cá e de cá pra lá no calçadinho da Pitória. Alguns caminham pela areia “para forçar mais”. Há quem se arrisque a entrar na lagoa. Deve estar um gelo! Mas está bem mais limpa. Há dois anos, lembro, o cheiro era insuportável.</p>
<p align="justify">São Pedro da Aldeia guarda características de vila de pescadores, mas tem também traços marcantes da proximidade com a cidade grande: sujeira, barulho, abandono&#8230; Até as pessoas já não se cumprimentam. Olham desconfiadas quem vem na direção contrária e desviam o olhar quando se percebem flagradas. Uma ou outra ainda é educada. “<em>Bom dia!</em>” “<em>Bom dia!</em>”</p>
<p align="justify"><img hspace="5" border="0" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2009/07/caes.jpg" alt="caes.jpg" align="right" />Para mim, parece tão estranho quanto olhar “para o mar” e não ver o sol nascendo. Na verdade, estou olhando para a lagoa e, do ponto onde estou, o sol nasce “por detrás da cidade”. A lagoa vai se iluminando timidamente, a água vai misturando tons de azul-cinza e alaranjados. Os barcos vão ganhando cores.</p>
<p align="justify">Há andorinhas, gaivotas e garças. Pelo menos é o que minha ignorância diz. Os bem-te-vis eu garanto. Só ouço e são inconfundíveis.</p>
<p align="justify">Percebendo toda a calma ao redor, tenho vontade de nem pensar. Isso sim deve ser meditar de verdade: ausência de pensamento. Chego lá. Com minha mente perturbada – e nem é das mais, garanto! –, sinto vontade me afastar um pouco, sentar à beira de um trapiche e ler algo. E o pensamento já foge para daqui a alguns minutos quando estarei “revelando” as fotos no computador e tentando entender minha própria letra para blogar isso.</p>
<p align="justify">Se eu sumir por esses dias, não se preocupem. Devo ter aprendido a viver. Ao menos estarei tentando.</p>
<p><center><img useMap="#Map3" border="0" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback3.jpg" height="25" /></center><br />
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		<title>Em paz com o Rio</title>
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		<pubDate>Tue, 30 Jun 2009 11:40:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Viagem]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2009/06/bondinho.jpg" alt="bondinho.jpg" /></p>
<p align="justify">Uma trégua. Melhor chamar assim. Fui, me diverti, fiquei um pouco mais, me vi sem pressa para isto ou aquilo e, sobretudo, para sair correndo. Ainda há coisas que me incomodam e que só um milagre mudaria. O barulho, a sujeira, a decadência de grandes áreas, os bairros fantasmas, a pouca cordialidade&#8230; Mas algo essencial mudou para que eu pudesse ver tudo isso de outra forma: a minha tolerância.</p>
<p align="justify">O encontro com os amigos de infância, o reconhecimento ou a reapresentação de certos lugares, a constatação de uma ou outra coisa boa ainda está por ali, mesmo que ninguém perceba, que não dê valor a ela.</p>
<p align="justify">Pela primeira vez considerei tirar o Rio da última posição dentre os lugares que voltaria a morar. E não colocaria outro lá. É claro que há lugares com os quais você tem maior identificação, maior afinidade, mas se eu estiver aberto e devidamente preparado, posso melhorar qualquer um onde resolva estar.</p>
<p align="justify">Em vez de esperar ou cobrar mudanças, mudo eu. Bem mais rápido e com resultados fáceis de perceber.</p>
<p align="justify">O Rio decadente não era só o do mundo real. Existia também dentro de mim e assim eu contribuía para sua destruição. Parecia-me cada vez mais feio a cada encontro.  Agora não. Agora parece mais com algo com o qual não devo me impacientar.</p>
<p align="justify">Começamos a nos entender. Da próxima, ainda menos pressa. Vamos nos permitir.</p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback3.jpg" usemap="#Map3" border="0" height="25" /></center><br />
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		<title>No Rio</title>
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		<pubDate>Fri, 26 Jun 2009 10:38:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Viagem]]></category>

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		<description><![CDATA[Cinco da manhã. O Rio dorme. Essa é uma das impressões que tenho de “minha terra”: o Rio sabe dormir, sabe relaxar. As aspas ficam por conta de eu não me sentir enraizado a lugar algum, nem mesmo a este &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/06/26/no-rio/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2009/06/005_cristo_manha.jpg" title="005_cristo_manha.jpg"></a></p>
<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2009/06/005_cristo_manha.jpg" alt="005_cristo_manha.jpg" border="0" /></p>
<p align="justify">Cinco da manhã. O Rio dorme. Essa é uma das impressões que tenho de “minha terra”: o Rio sabe dormir, sabe relaxar. As aspas ficam por conta de eu não me sentir enraizado a lugar algum, nem mesmo a este onde nasci e cresci. Sou do mundo. Este retorno e os acontecimentos das últimas 24 horas deixaram isso bem claro, intensificando ainda mais essa sensação.</p>
<p align="justify"><em>Flashback</em>. Há 24 horas, eu estava dentro do avião deixando Natal. Vinha adiando isso desde o final do ano passado. De repente, em 48 horas, recebo um chamado para renascer – e não estou falando da igreja – como veremos adiante. O pessoal do <em>De Lá Pra Cá</em>, programa da TV Brasil, me convoca para falar sobre <em>O Amigo da Onça</em>. Chico Caruso, Jaguar, Paulo Betti, Marco Antônio Souza (autor de <em>Prazer e Poder do Amigo da Onça</em>) são os outros convidados. E o que tenho a ver com isso? Estou escrevendo a biografia de <a href="http://www.memoriaviva.com.br/carlosestevao" target="_blank">Carlos Estevão</a>, que desenhou o Amigo por mais de dez anos. Despenco-me de Natal ao Rio, deixando momentaneamente de lado e atropelando alguns planos que vinham sendo pensados e calculados há meses.</p>
<p align="justify">Voo tranquilo até Salvador, onde, às 7 da manhã, embarcam 46 hienas – aquele espécime que anda em bando, fede, faz barulho e ri o tempo todo. Há quem chame de “adolescente”. Adeus, descanso. Adeus, leitura. Adeus, paz. São 46 jovens, de 14 e 15 anos, de um colégio particular da capital baiana, em excursão à Argentina. Nenhum negro. O dinheiro ainda corre mais fácil entre os mais claros, mesmo na capital mais negra do país. Não creio, mas gostaria de viver o suficiente para ver um mundo mais equilibrado, mais justo, menos discriminatório.</p>
<p align="justify">Chego ao Rio exatamente na hora prevista: 9h10. No Galeão, alguém da produção da TV Brasil me espera com uma plaquinha: Sandro <em>Fortunado</em>. Nunca conheci alguém com esse nome. Nem mesmo Afortunado, que é a palavra em português, mas trocam constantemente. É isso ou Furtado. Levo na boa. Do contrário, somente eu perderia. Só não perdoo quando o erro é cometido por algum conhecido. È Fortunato, cazzo!</p>
<p align="justify">Sigo para a TV Brasil, que fica na Lapa. Sempre achei o caminho do Galeão para o centro algo terrível. Não é o Rio que o turista vê nas fotos. É feio, sujo, poluído em todos os sentidos. Talvez isso seja bom para chocar aquele que chega pela primeira vez. Um “bem-vindo ao mundo real”. Já na redação, me entretenho com o redivivo laptop, enquanto aguardo a hora de encontrar a equipe, que está em externa com Chico Caruso. Vou tuitando, avisando aos de Natal que fui, aos do Rio que cheguei, aos outros que um dia eu dei chegar lá.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2009/06/002_delapraca_p1.jpg" alt="002_delapraca_p1.jpg" align="right" border="0" hspace="6" />Perto do meio-dia, tudo estranhamente acontecendo na hora (os cariocas andam britânicos!) e me deixando muito feliz por isso, sigo para a Praça Paris, uma escolha inspirada de <strong>José Araripe Jr.</strong>, diretor do <em>De Lá Pra Cá</em>, figura muito simpática, tipo “bom carioca”, para gravarmos minha participação no programa. A Praça Paris nasceu na mesma época da revista <em><a href="http://www.memoriaviva.com.br/ocruzeiro" target="_blank">O Cruzeiro</a></em>, na segunda metade da década de 1920. A estatuária que há somente nela renderia um livro. Pelas praças vizinhas e pela Cinelândia, vamos encontrar a maior coleção estatuária a céu aberto do Rio, talvez do país. A maioria francesa. Monumentos grandiosos, busto a rodo. Conheço <strong>Sara Vinhal</strong>, responsável pela pesquisa do programa, que fez o contato inicial comigo, e <strong>Vera Barroso</strong>, ágil, prática, espirituosa e ainda mais bonita pessoalmente. A chuva parece querer atrapalhar, mas logo vai embora e gravamos de primeira. Espero que algo seja aproveitado. O programa vai ao ar na próxima segunda, dia 29, às 22h, na TV Brasil.</p>
<p align="justify">Em seguida, me deixam em Botafogo. Eu ainda de mala e cuia, me sentindo um retirante cibernético, cheio de quinquilharias eletrônicas na mochila e com uma bagagem de mão com roupas e livros. Fico no Edifício Argentina e me aboleto em um café para dar conta, no mundo virtual, de que a missão na Matrix está concluída. As 48 horas seguintes, em tese, seriam de férias. Ligo para <strong>André Corrêa</strong>, neto de Carlos Estevão, que mui gentilmente me instala em seu apartamento, um pouco mais adiante. Banho, roupa limpa, Internet. Mas o que quero mesmo é dormir um pouco, algo que quase não tenho feito nas últimas semanas. O cansaço, a temperatura perto de 20 graus (e caindo), a chuva e a sensação de dever cumprido acabam me derrubando. Fico sabendo da morte da pantera <strong>Farrah Fawcett</strong>, a primeira lembrança que tenho de uma loira, mas deixo para digerir mais tarde. Capoto ao lado do computador e acordo duas horas depois com a Internet fervendo e o Twitter bombando com o morreu-não-morreu do <strong>Michael Jackson</strong>. O mundo parou. Você sempre lembrará onde estava e o que estava fazendo quando Michael Jackson morreu. Eu estava no escritório do apartamento de André, em Botafogo, no Rio, acompanhando pela Internet as pessoas ao redor do mundo alucinando com a notícia.</p>
<p align="justify">Michael morria e eu renascia. Foram nove meses em Natal até receber o chamado para nascer outra vez no Rio. Nunca incluo a cidade em meus planos. A imensa São Paulo é minha amante mais querida e alguma pequena e pacata cidadezinha que talvez eu ainda nem conheça é a esposa amável e tranqüila com a qual sonho em passar o resto de minha vida. Mas a vida é voluntariosa, depois de mais uma gestação, quis que eu nascesse outra vez no Rio.</p>
<p align="justify">Seis e doze. Preguiçosamente o dia começa a nascer. Um ou outro caminhão alerta que é preciso acordar, cariocas. Está na hora daquela chuveirada matinal com água suficiente para lavar Copacabana inteira, da fúria do esfregaço, do “não tem jeito mermo, mas ainda bem que hoje é sexta”.</p>
<p align="justify">Agora pela manhã, vou fazer umas fotos com a ceguinha (minha pobre câmera) pelos arredores. No início da tarde, me desloco para o Grande Méier e me encontro com amigos de infância. À noite, parte da turma do ginásio se encontra.</p>
<p align="justify">Vou contando tudo. <a href="http://twitter.com/sandrofortunato" target="_blank">Acompanhe pelo Twitter</a>.</p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback3.jpg" usemap="#Map3" border="0" height="25" /></center></p>
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		<title>Turismo histórico-cultural e três velhos bigodudos</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Mar 2009 16:05:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte tumular]]></category>
		<category><![CDATA[Estatuária]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Viagem]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando se planeja viajar ao Nordeste do Brasil, geralmente os pensamentos se voltam para sol, praia, calor e alguma música estúpida. Aos amigos que passam por Natal , sempre preferi mostrar um aspecto diferente da cidade. Enquanto os guias e &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/03/30/turismo-historico-cultural-e-tres-velhos-bigodudos/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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<p align="justify">Quando se planeja viajar ao Nordeste do Brasil, geralmente os pensamentos se voltam para sol, praia, calor e alguma música estúpida. Aos amigos que passam por <strong>Natal </strong>, sempre preferi mostrar um aspecto diferente da cidade. Enquanto os guias e outros conhecidos os ajudam a saciar seus desejos mundanos de turista, costumo lhes dar uma oportunidade de realmente conhecer a cidade.</p>
<p align="justify">A extensão desses passeios depende do interesse e da disposição de cada um, mas invariavelmente as pessoas se surpreendem com o que teriam perdido se ficassem só lagartixando sob o sol ou matando neurônios ao som do axé.</p>
<p align="justify">Há poucos dias, pude fazer um desses passeios com <strong>Edvaldo</strong>, antigo amigo de família. Pernambucano de Recife (indubitavelmente uma cidade que sempre se preocupou com sua cultura), interessou-se pela proposta. A pé, percorremos os bairros das <strong>Rocas</strong>, <strong>Ribeira</strong>, <strong>Cidade Alta</strong> e <strong>Alecrim</strong>, os mais antigos e populares da cidade, dos quais os turistas normalmente nem ouvem falar.</p>
<p align="justify">Enquanto caminhávamos, comecei a falar do trabalho sobre <strong>bustos e estátuas</strong> que estou fazendo. Sempre que encontrávamos algum pelo caminho, eu dizia quem era, falava sobre a pessoa, dos motivos da homenagem e da localização do monumento, etc. Isso se estendia para a história do local, levava a algum prédio, praça ou outro monumento e assim sucessivamente. Em determinado instante, ele demonstrou surpresa por eu “<em>saber aquilo tudo</em>”. Primeiro, não sei tanta coisa assim. Segundo, eu <strong>nem sabia que sabia aquilo</strong>.</p>
<p align="justify">Sua observação me fez perceber como <strong>é fascinante conhecer o mundo que nos cerca</strong>. Em vez de simplesmente ir de um lugar a outro apressadamente, sem apreciar as coisas ao redor, seria interessante conhecer os nomes das ruas, quem foi a pessoa que dá nome àquela via, quem é aquele representado na estátua no meio da praça, o que ele fez, qual sua importância, porque a praça leva tal nome, etc. Quando se faz isso, você passa a conhecer toda a História de um determinado local. Não é uma <em>decoreba</em> como costumam fazer nas escolas. <strong>Você realmente aprende porque passa a viver e entender tudo aquilo.</strong> Você passa a fazer parte da história e, mesmo sem querer, aprende a mantê-la viva. Mais: conhecendo o local em que vive (ou que está visitando), você se sente mais íntimo dele, se sente mais à vontade, mais seguro. Da mesma forma que cada um se sente em sua própria casa.</p>
<p align="justify">O mais interessante é que esse processo não tem fim. <strong>Sempre haverá algo a aprender</strong>, alguma coisa a ser descoberta, muitas surpresas a serem reveladas.</p>
<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/3irmaos.jpg" border="0" /></p>
<p align="justify">Há mais ou menos um mês, escutei o seguinte de um popular, em uma pracinha no bairro das Quintas, em Natal: “<em>Em vez de botar esse monte de velhos bigodudos, a prefeitura deveria iluminar, ajardinar, fazer áreas de lazer nas praças</em>”. Certíssima a opinião do cidadão. A prefeitura tem mesmo que fazer tudo isso. Mas o que mais me chamou atenção foi a referência aos “<strong><em>velhos bigodudos</em></strong>”. Em geral, as pessoas não sabem quem são essas figuras homenageadas com bustos e estátuas em praça pública. Essa falta de conhecimento histórico alimenta a distância (entre o povo e as figuras ilustres) e acaba gerando antipatia.</p>
<p align="justify">O bigodão era comum no século XIX, início do século XX. Homenagens com bustos e estátuas também era comuns até metade do século passado, portanto nada mais natural que existam muitos bigodudos espalhados por nossas praças. Mas há em Natal alguns bigodudos que sempre chamaram minha atenção: <strong>Pedro Velho</strong>, <strong>Alberto Maranhão</strong> e <strong>Augusto Severo</strong>. Mesmo em minha paquidérmica ignorância, saberia dizer algo sobre cada um deles. Pedro Velho foi o primeiro governador do Rio Grande do Norte e também senador. Alberto Maranhão também foi governador, construiu o Teatro Carlos Gomes, que depois teria seu nome. Augusto Severo foi pioneiro da aviação e morreu em um acidente com um dirigível que pegou fogo. Muito bem. Nada mal para um carioca ignorante como eu, que até poderia dizer mais uma ou duas coisas sobre cada um deles. O que eu não sabia, até pouco tempo, é que os três eram irmãos. Bem que eu achava aqueles bigodudos muito parecidos&#8230;</p>
<p align="justify">Pedro Velho de Albuquerque Maranhão, o primogênito (eram seis irmãos ao todo), foi abolicionista, primeiro governador do Rio Grande do Norte, e é tido como o organizador na política no estado. Isso faz parte da <em>decoreba </em>que, acredito, devem ensinar nas escolas potiguares. Mas quando você se interessa em saber um pouco mais sobre aquele bigodudo que tem um busto na Praça Cívica (Praça Cívica Pedro Velho, no bairro de Petrópolis), vai saber de sua importância como republicano, que ele fundou o Partido Republicano no Rio Grande do Norte, lançou um jornal chamado <em>A República</em> e que, ainda no sistema confuso, logo após a proclamação da República, assumiu como governador. Que nesse cargo, durante os dois anos seguintes, passariam outras 12 pessoas, até que em fevereiro de 1892, ele fosse eleito pelo Congresso Legislativo Estadual e, só então, teríamos uma organização muito próxima da que temos ainda hoje.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/3irmaos2.jpg" width="258" align="right" border="0" height="373" />Alguns anos depois, veremos seu irmão, Alberto Maranhão, assumindo o governo pela primeira vez, em março de 1900. De grande importância para as artes e a cultura, pouco antes de terminar seu primeiro mandato, em 1904, inaugura o Teatro Carlos Gomes. Em 1902, bem no meio de seu primeiro mandato, acontece na França um acidente com o balão dirigível <em>Pax</em>, no qual morre Augusto Severo. Em 1913, durante o segundo mandato de Alberto Maranhão, é inaugurada uma estátua em homenagem a seu irmão aeronauta próximo ao Teatro Carlos Gomes. Em 1957, o teatro passaria a se chamar Alberto Maranhão. Hoje, muitos anos depois, essas e muitas outras histórias podem ser relembradas em um simples passeio pelo bairro da Ribeira, onde também ficava o antigo Palácio do Governo (hoje uma escola de balé), que teria a sede mudada por Alberto Maranhão para a Cidade Alta&#8230; onde centenas de outras histórias podem ser contadas em mais um passeio. Isso parece não ter fim.</p>
<p align="justify">Perceba que estamos falando de <strong>apenas três pessoas de uma mesma geração de uma única família</strong>. Suas histórias pessoais ajudam a explicar a História da cidade e também do país, quando falamos de temas como a abolição da escravatura, a proclamação da república e o pioneirismo na aviação, para citarmos somente uns poucos.</p>
<p align="justify">Voltando ao passeio. Da Ribeira, subimos para a Cidade Alta e depois fomos para o Alecrim, para um dos tipos de visitas mais ricos que se pode fazer a qualquer cidade: uma ida ao cemitério. Vou deixar para um próximo texto maiores detalhes sobre essa modalidade de visitação e estudo histórico. Agora vou apenas mostrar algumas curiosidades acerca dos três irmãos bigodudos. Pedro Velho foi o único enterrado em Natal. Ele faleceu em dezembro de 1907, a bordo de um navio, em Recife. No <strong>Cemitério do Alecrim</strong>, há um interessante mausoléu em sua homenagem, construído em 1939. O mausoléu não tem entrada. É como um cofre forte construído ao redor do túmulo. O nome de Pedro Velho e uma placa identificam o monumento.</p>
<p align="justify">Os irmãos Augusto Severo e Alberto Maranhão foram enterrados no<strong> Cemitério São João Batista</strong>, no Rio de Janeiro. Severo, como dito, morreu em Paris. Seu corpo foi levado para o Rio de Janeiro e sepultado no “cemitério dos ricos” da então capital federal. À época, Pedro Velho era senador. Foi feito um monumento, estilo obelisco, com sua efígie, obra do escultor Rodolfo Bernardelli. Alberto Maranhão, falecido em 1944, também foi enterrado no mesmo cemitério e tem um busto em seu túmulo.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/mdantas.jpg" width="368" align="left" border="0" height="187" />No próximo texto, sobre bustos, estátuas e arte tumular, pretendo mostrar como aprender algo de nossa cultura e de nossa História em passeios por cemitérios. Sem falar na riqueza artística. São <strong>grandes museus a céu aberto </strong>nos quais, talvez pela pouca ação do bicho homem, se consegue preservar melhor diversos monumentos. Mais preocupados em roubar o bronze dos crucifixos e argolas dos túmulos, os ladrões deixam em paz as esculturas, a arquitetura e, consequentemente, a História. São menos nocivos que alguns responsáveis por bens públicos, “artistas” sem talento e alunos mal educados. <strong>Manoel Dantas </strong>que o diga. O busto em sua homenagem em uma escola, que também leva seu nome, no bairro do Tirol (Natal &#8211; RN) transformou-se em insulto à memória do jornalista. Já a efígie em seu túmulo, no Cemitério do Alecrim, resiste bravamente há 65 anos.</p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback3.jpg" usemap="#Map3" border="0" height="25" /></center></p>
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		<title>A reportagem como ela é</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Jan 2009 16:58:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Viagem]]></category>

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		<description><![CDATA[Veterinário. Era o que eu dizia querer ser quando crescesse. Preferia lidar com animais a lidar com gente. A vida, sábia e sempre disposta a contrariar, resolveu me fazer jornalista. E assim pude realizar minha preferência em lidar mais com &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/01/07/a-reportagem-como-ela-e/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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<p class="MsoNormal" align="justify">Veterinário. Era o que eu dizia querer ser quando crescesse. Preferia lidar com animais a lidar com gente. A vida, sábia e sempre disposta a contrariar, resolveu me fazer jornalista. E assim pude realizar minha preferência em lidar mais com animais do que com gente.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">A gente que eu conhecia e a que está por aí são mesmo sem graça. Todos com pressa, sem tempo, vivendo uma não-vida, vestindo mil máscaras para tentar mostrar como realmente são. Mas existe gente de verdade, como na escola do poeta Russo, gente interessante, gente que faz descobrir o verdadeiro sentido do termo <em>humanidade</em>.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/sibauma2.jpg" width="268" align="right" border="0" height="511" />Essa gente me atrai. Não tenho uma veia jornalística. Tenho uma artéria de grosso calibre sedenta por histórias que me nutram, que me mantenham vivo. Não busco personagens. <strong>Busco pessoas.</strong> Não desejo cumprir pauta e encher buracos em troca de uns caraminguás. Desejo contar histórias de vida que enriqueçam as de outras pessoas sem que estas precisem passar pelas mesmas experiências, aprendendo em minutos – e sem dores – o que talvez não tivessem oportunidade de aprender em cem anos.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">A reportagem me atrai. Não a saída para cumprir pauta, para “fazer matéria”. Falo de <strong>reportagem como ela deve ser</strong>. A captura da essência, em textos e fotos, que mostre tanto quanto possível a <strong>realidade</strong>. Eu disse “<em>realidade</em>”? Não é à toa que a melhor revista de reportagens da história do jornalismo brasileiro tivesse esse nome.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Há muito tempo que fazer uma matéria é sentar ao telefone ou trocar mensagens eletrônicas. Tudo rápido e acético, sem abandonar o conforto da cadeira e do ar condicionado. Reportagem é outra coisa. É sair cru e preparado para o que der e vier, pronto para encarar a história real e não apenas com o objetivo de conseguir algumas informações que complementem um texto pré-concebido antes mesmo de se ter contato com a realidade. Olha ela outra vez.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Foi com esse espírito que eu e <strong><a href="http://canindesoares.blog.digi.com.br/blog/" target="_blank">Canindé Soares</a></strong> partimos, logo cedo, no feriado de Reis, para <strong>Sibaúma</strong>, uma pequena praia ao lado da internacionalmente conhecida e festejada Pipa. Sabíamos que não iríamos encontrar uma pequena comunidade só de <strong>negros descendentes de escravos</strong>. E isso era justamente o que não interessava: o que já sabíamos. Pegamos uma estrada desconhecida, que nos levaria a pessoas e suas velhas histórias totalmente novas para nós.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><o:p></o:p>Ali todos conhecem todo mundo, sabem onde moram, se estão em casa ou em outro lugar, e, se são de lá mesmo, quase sempre têm algum grau de parentesco. São simpáticos, educados, falam bem, um ou outro demonstra timidez mais que desconfiança. As casas são simples e pequenas, as famílias são grandes e a cada quinze ou dezesseis anos já surge uma nova geração. Nem todas as casas têm telefone, quase não se vê alguém com celular, mas há acesso à Internet na única escola pública e na praça, onde há uma praga do mundo moderno: uma lan house. Não há livraria, nem banca de jornais. Nem mesmo há um carteiro. Alguém vai aos Correios em Tibau do Sul, município ao qual o distrito de Sibaúma está atrelado, pega as correspondências e faz a distribuição entre os moradores da praia. As notícias chegam mesmo pela tevê. Por mais simples, pobre e pequena que seja, praticamente toda casa tem uma parabólica.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Nem bem chegamos, nos deparamos com uma casa de taipa e, junto a ela, três gerações de uma família enorme como são todas entre os descendentes de negros de Sibaúma. <strong>Seu Sebastião</strong> veio da Paraíba, mas sua esposa <strong>Avani </strong>é dali mesmo, assim como todos os filhos e netos do casal. <strong>José</strong>, o neto de dois anos, é um garoto simpático e que adora posar para fotos. Nos olhos puxados, a certeza de que Sibaúma não é só de negros. Mesmo os mais antigos têm traços indígenas. São <em>cafuzos</em>, mas o termo que vingou foi o de <em>caboclo</em>. Às vezes nos deparamos com alguém que aponte outro como “<em>caboclo</em>”, quase de uma forma depreciativa, como a dizer que não é negro puro.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/sibauma3.jpg" width="256" align="left" border="0" height="360" />Mas essas denominações ficam para os livros didáticos. Em Sibaúma, convivem todas as cores em variados tons. Em outra casinha de taipa, minúscula, quente e sem qualquer conforto, encontramos <strong>seu João Honorato</strong>, um dos mais velhos da comunidade. Sua idade? Segundo ele, 83, mas qualquer pessoa com mais de quarenta tem dificuldade em precisar a idade por ali. Alfabetizados e registrados na própria localidade, só os nascidos da década de 80 para cá. Seu Honorato nos convida para entrar, acomoda-se como pode em sua rede e começa a contar a história da terra como se tivesse acontecido um dia desses. Ele não trabalha, anda com dificuldade apoiado em um pau, tem os olhos amarelados e ainda fuma, mas a memória está lá e a voz é segura e forte para alguém que parece tão frágil. Não tem contato com os filhos, que deixaram Sibaúma, e nem sabe se tem netos. Certamente tem. Procriar é o esporte oficial da comunidade. Na nova geração, a cara do Brasil fica mais presente. Há branquinhas que desafiam os fatores dominantes da hereditariedade e o sol forte como <strong>Safira</strong>, que freqüenta a única igreja evangélica do local e sonha em ser cantora. E ela é afinada. Mais adiante, na casa de <strong>Dona Juvina</strong> – 80 e alguns anos, nove filhos, um dos quais, Neusa, não vê ou tem notícias há mais de três décadas –, encontramos <strong>Ismael</strong>, de apenas 21 dias, também mestiço.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">A cada parada, muitas surpresas, muitas histórias e uma vontade de ficar ouvindo tudo, totalmente esquecidos do tempo. Quase ao final, encontramos seu Modesto Caetano. Lembranças, delírios, invenções. Tudo sem perder o foco. Tudo fazendo sentido. São tantas histórias que não caberiam em uma só reportagem. Nem em uma edição inteira de uma revista de reportagens, se isso ainda existisse. Cabem em uma série. Cabem em <strong>um livro</strong>.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Os desdobramentos dessa e de outras aventuras junto a Canindé serão avisados aqui no blog. Este foi só um aperitivo. Em breve, mais novidades.</p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback3.jpg" usemap="#Map3" border="0" height="25" /></center></p>
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