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	<title>Sempre Algo a Dizer &#187; Uncategorized</title>
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		<title>Retrato Censurado do Grão-Mestre Varonil</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Feb 2012 11:00:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[•► Leia primeiro o post anterior: Retrato do Grão-Mestre Varonil &#8220;Não fumo, não cheiro e não bebo, mas às vezes minto um pouquinho.&#8221; &#8220;A coisa que mais odeio é a hipocrisia. É a mentira da mentira.&#8221; Tim Maia Alto, loiro, &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2012/02/01/retrato-censurado-do-grao-mestre-varonil/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong>•► Leia primeiro o post anterior:</strong> <em><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2012/01/29/retrato-do-grao-mestre-varonil/">Retrato do Grão-Mestre Varonil</a></em></p>
<p style="text-align: right;"><em>&#8220;Não fumo, não cheiro e não bebo, mas às vezes minto um pouquinho.&#8221;</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>&#8220;A coisa que mais odeio é a hipocrisia. É a mentira da mentira.&#8221;</em><br />
<strong>Tim Maia</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2012/02/wilde.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-1172" style="border-style: initial; border-color: initial; border-image: initial; margin-left: 9px; margin-right: 9px; border-width: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2012/02/wilde.jpg" alt="Acredite: Não é Oscar Wilde. É o Tim Maia." width="250" height="416" /></a>Alto, loiro, branco, olhos azuis, porte atlético, requintado, sem vícios e com uma educação de causar inveja à realeza britânica. Assim era Sir Sebastião Rodrigues Maia, o Belo Brummel da Tijuca, <strong>esse aí da foto</strong>. Qualquer relação com aquele menino preto, gordo e pobre, preso várias vezes nos Estados Unidos e no Brasil, que bebia, fumava maconha, cheirava cocaína, arranjava confusão com meio mundo e que, adulto, atenderia pelo nome de Tim Maia é criação de alguma mente desequilibrada.</p>
<p style="text-align: justify;">Pensamentos e atos nesse sentido, se descobertos, podem resultar em ação indenizatória ou coisa que o valha. Não que sejam proibidos. Expurgos, prisões, torturas, detenções e que tais podem ser utilizados não como castigo, mas como ação preventiva para eliminar quem possa talvez cometer tal crime futuramente. Tudo já avisado e reavisado pelo Senhor Orwell – alto, loiro, branco, etc – desde 1949 com referência a 1984 (facebook 21.01.2012 foto errata cueca degradante retifica refs impessoas apaga reescreve).</p>
<p style="text-align: justify;">O Big Brother é real e bem diferente do que passa na sua teletela – aquilo, sim, bem degradante. O Ministério da Verdade não brinca em serviço e já mandou reescrever tudo. No caso, só apagar mesmo. Como mandaram apagar as fotos da Scarlett Johansson – loira, branca, linda, etc – e todas as cópias não autorizadas de quase tudo que já foi pensado e registrado da metade do século passado para cá. Chupa essa manga, Bial! O amor é lindo.</p>
<p style="text-align: justify;">Sem temer a Polícia do Pensamento, levanto aqui algumas questões. Por que a foto de um artista, provocador e anárquico, vestindo apenas uma camisa rasgada e cueca é “degradante” para sua imagem e outra de uma modelo anoréxica com visíveis transtornos psiquiátricos é exemplo a ser seguido e pode valer milhares de dólares? Por que a do negro gordo de cueca parece um insulto e a do Elvis gordo não? Por que uma só foto feita por uma profissional de jornalismo, recebida por ele em seu quarto de hotel – de cueca e camisa rasgada –, é chocante e milhares de fotos da inglesa Amy – branca, ex-linda, etc – esquelética, chapada, desdentada, cheia de hematomas, perseguida onde quer que fosse e visivelmente contrariada com os registros dessa imagem não chocam? E, aproveitando essa última comparação, por que o negro gordo era picareta por não cantar ou faltar aos shows marcados, mas a branquinha magrela era atração ao fazer o mesmo e por um preço muito maior?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Por que a foto do Tim Maia de cueca é degradante para sua imagem e a do Pelé nu não é para a dele?</strong> E se em vez do corpo atlético e do dote avantajado, Pelé tivesse uma barriga enorme e um pinto pequeno? Talvez fosse meio degradante&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Por que a Carla Bruni, esquelética, pernas tortas, seios pequenos, meio flácidos e brigados (um não chega perto nem olha para o outro) é bonita e o Tim Maia é feio? Quem disse que é para ser assim? Para mim, ela é só uma branquela com talento para atrair homem rico e ele era um cara com um poder extraordinário na garganta, capaz de hipnotizar qualquer um que ouvisse sua voz. Tão poderoso que continua fazendo isso quase uma década e meia depois de morto.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Por que uma foto dele pode ser um insulto à sua memória e reeditar discos que ele se recusou a reeditar durante a vida inteira não é?</strong> Aliás, quem é que decide o que é bom ou não para a imagem de alguém que já morreu? Como perguntou um usuário do Facebook: “<em>quem é o procurador dele? O Chico Xavier?!</em>” É&#8230; porque tem que ser alguém que tenha bom trânsito entre os dois mundos e, até onde se sabe, Chico só era bom nisso quando estava do lado de cá.</p>
<p style="text-align: justify;">Vamos partir para outra vertente. Por que Xuxa faz um filme comercial em que aparece na cama com um menor, depois se esforça para esconder isso, e um filme íntimo e totalmente explícito da americana Kim Kardashian com o namorado aparece e ela, em vez de esconder, diz “<em>é meu mesmo e quem quiser ver vai ter que pagar</em>”, negocia a exibição e distribuição por milhares de dólares? Por que a Val Hellooo Marchiori toma tanto champanhe em sua taça de ouro? É para esquecer que se chama Valdirene Aparecida e cresceu nos cafundós? Por que aqui as pessoas se esforçam tanto para esconder e até – como se fosse possível – apagar o passado? Como diria Cazuza (que era alto, loiro, atlético, hetero e sem vícios): “<em>São caboclos querendo ser ingleses</em>”.</p>
<p style="text-align: justify;">Outra pergunta. <strong>Por que Nelson Motta pode escrever um calhamaço de 400 páginas e repetir inúmeras vezes que Tim Maia era gordo, preto, maconheiro, encrenqueiro, cheirava loucamente, mas o próprio Tim Maia não pode ser ele mesmo em uma foto?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Respondendo a todas as perguntas de uma vez: somos uma sociedade de hipócritas. Queremos seguir os modelos que nos fizeram acreditar que são os melhores. Queremos ter cabelo liso, pele clara, dentes brancos, alguém ao lado, um carro, dinheiro para gastar no shopping. E queremos apagar qualquer vestígio de nossos passados que não correspondam a esses padrões. Assim, aquele tido como o melhor escritor brasileiro aparece branco em uma propaganda do governo. Um grande cantor tem que estar sempre bem vestido (como se isso fizesse alguma diferença para a voz dele), “ter boa aparência”. Como podemos ter ídolos que não correspondam aos tais padrões almejados? Ídolo não sua, não tem necessidades fisiológicas, não sofre, está sempre feliz, teve uma educação maravilhosa, tem bom gosto para tudo (não importando o lixo que seja) e, acima de tudo, não tem passado. Só ser for lindo e inventado. O passado, assim como o amor, a gente inventa.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Somos selvagens querendo ser dândis.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Ídolos incontestes da música brasileira são Tom, Vinicius, Chico, Nara&#8230; Mesmo que não entendamos muito bem o que queriam dizer nas poucas vezes que ouvimos suas músicas. Mas são todos brancos, bem nascidos, educados, falam línguas civilizadas. Cartola, Nelson Cavaquinho, Candeia, Dona Ivone Lara são criaturas que atiçam nossa curiosidade, nos fazem sentir mais humanos, sem preconceitos. Mas quem quer ser preto, pobre e favelado? Um violãozinho no sofá do apartamento de frente para a praia cai melhor, não? Mais parecido com nossos anseios burgueses. <strong>Quem quer ser Tim? Quem quer ser Tom?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Continuo achando que Tim Maia não era um débil mental incapaz que foi pego desprevenido pela diabólica Luciana. Ele estava fazendo o que sempre fez: provocando. Sabendo bem no que ia dar. Lamento que a foto não tenha sido publicada quando ele estava vivo. E se não gostasse, que processasse. Ele sacaneava todo mundo, mas quando era ele o sacaneado, não curtia muito. Quem não lembra do processo contra o <em>Casseta &amp; Planeta</em> por conta da imitação que Bussunda fazia dele? “<em>Alguém tem uma gilete aí? (&#8230;) Alguém tem um espelho aí? Vou pegar, hein!</em>”</p>
<p style="text-align: justify;">É grave essa atuação do Ministério da Verdade. É assim que começam a nos calar, a cercear nossa liberdade. Então, não vale tudo? Vale. Só não vale dançar homem com homem, mulher com mulher, nem Tim Maia doidão de cueca. O resto vale.</p>

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		<title>Que venha a próxima!</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Sep 2009 11:00:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Tô puto da vida. Então, se você é uma pessoa sensível, passe para o texto anterior, que é uma croniqueta afrescalhada, e seja feliz. No decorrer deste, provavelmente vou mandar alguém se fuder e isso vai ser um dos momentos &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/09/22/que-venha-a-proxima/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2009/09/paulao01.jpg" alt="paulao01.jpg" /></p>
<p style="text-align: justify">Tô puto da vida. Então, se você é uma pessoa sensível, passe para o texto anterior, que é uma croniqueta afrescalhada, e seja feliz. No decorrer deste, provavelmente vou mandar alguém se fuder e isso vai ser um dos momentos mais bonitos e sofisticados. Avisei.</p>
<p style="text-align: justify">Muito fácil incensar alguém quando essa figura está aparecendo, está ganhando, está com grana, está no alto. Nos últimos dois meses, quis falar de um cara, em um texto só a respeito dele, mas me segurei. Ontem, segunda, pensei: “<span style="font-style: italic">É HOJE! É hoje que vou pagar pau para ele porque o filho da puta merece</span>”. Pensei um pouco mais e resolvi deixar para o dia seguinte. Porque o dia seguinte, acontecesse o que acontecesse na porra da noite da segunda-feira, seria diferente.</p>
<p style="text-align: justify">Eu tô puto, eu chorei (e isso é MUITO raro!), eu esbravejei, eu xinguei no Twitter, eu estava doido para mandar alguém tomar no cu e nem era da forma bonita, com jeitinho, carinho, conversa no pé do ouvido, momento de prazer.</p>
<p style="text-align: justify">Todo mundo sabe (pelo menos deveria) que, na vida, a gente perde mais do que ganha. E brasileiro tem uma merda de um sentimento que acha que vencedor é só quem fica em primeiro lugar. A figura pode ser a segunda melhor do mundo em alguma coisa e nêgo acha que não é merda nenhuma. O lindão é o primeiro. Lembra o Felipe Massa no ano passado? Eu olhava pra cara do Felipe Massa e pensava: “<span style="font-style: italic">Puta vencedor do caralho! Segurando a onda, sabendo que o lance era dele, mas tendo que engolir e esperar a hora em que vai ser dele de fato e de direito</span>”. Vencer e comemorar é mole. Saber que você é o melhor e não receber os louros porque a coisa não depende só de você é que é foda.</p>
<p style="text-align: justify">Vencer é bom pra caralho, mas vencedor de verdade não prolonga muito a festa. Sabe que a conquista é efêmera. O sabor mais doce passa rápido. Ali na ponta da língua. Em 2005, eu saía da premiação dos dez anos do iBest com dois troféus para o <a href="http://www.memoriaviva.com.br" style="font-style: italic; font-weight: bold" target="_blank">Memória Viva</a>: Melhor site de Arte &amp; Cultura por votação popular e TOP 3, na mesma categoria, pelo júri oficial. No carro, logo depois da cerimônia, <span style="font-weight: bold">Clayton</span>, meu amigo, me olhou e disse: “<span style="font-style: italic">Passou, né? Já está pensando no próximo</span>”. Era isso mesmo. Era o melhor momento do site, o de maior reconhecimento, em sete anos malhando em ferro frio. Deveria curtir, mas sabia que no dia seguinte aquilo não valeria mais nada e eu teria que continuar a malhação. Queria curtir um pouco mais e nós – eu, Clayton, <span style="font-weight: bold">Zé Luiz </span>e <span style="font-weight: bold">Wilson</span> – tentamos ir a um show das <a href="http://www.velhasvirgens.com.br" target="_blank"><span style="font-weight: bold; font-style: italic">Velhas Virgens</span></a>, mas não conseguimos encontrar o lugar. Fomos para casa. A festa acabou mais cedo. Outras conquistas viriam para cada um de nós. Muitas ainda estão por vir.</p>
<p style="text-align: justify">Mas esse lance de premiação é, quase sempre, muito injusto. Por isso é bom ganhar, mas sem se enganar. Você não é necessariamente o melhor porque em algum instante a maioria disse que você era. Você tem que saber que é foda independente de reconhecimento. E não achar que é foda, mas<span style="font-weight: bold"> SABER QUE É</span>.</p>
<p style="text-align: justify">Mas essa história não é sobre mim. É sobre <span style="font-weight: bold">Paulão de Carvalho</span>, um dos caras mais fodas que conheço e reconheço como tal.</p>
<p style="text-align: justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2009/09/paulao02.jpg" alt="paulao02.jpg" align="right" />Foi em 1996 que, após um longo e tenebroso inverno, eu e <span style="font-weight: bold">Marcelo Andrade</span> nos reencontramos. Isso aconteceu bem ao lado do Palácio dos Esportes, local por onde passaram as bandas brasileiras de rock dos anos 80. Marcelo havia deixado o emprego, estava prestes a viajar para a Europa e havia se livrado de uma mulher chata pra caralho. “<span style="font-style: italic">Vamos comemorar!</span>” Passamos em minha casa, pegamos um vinho barato e saímos pela cidade em seu Fiat. Naquela porra velha que ele chamava de carro, sintonizamos na rádio Transamérica. Estava rolando um “<span style="font-style: italic">Estúdio ao vivo</span>”, programa que levava bandas para tocar na própria rádio. Começamos a ouvir a putaria que estavam rolando e nos identificamos de cara. Que banda era aquela? As <span style="font-style: italic">Velhas Virgens</span>. Rock’n’roll macho e escroto. Antes que faltasse gasolina e ficássemos parados no meio da ainda quase deserta Estrada de Ponta Negra, eu disse: “<span style="font-style: italic">Vou trazer esses caras para Natal</span>”.</p>
<p style="text-align: justify">No ano 2000, intensifiquei os contatos com a banda para realizar a tal ideia maluca. No dia 11 de outubro, <span style="font-weight: bold">Cavalo</span>, guitarrista das <span style="font-style: italic">Velhas</span>, chega à cidade. Dois dias depois, Paulão desembarca em Natal, feliz por ter estabelecido um novo recorde: 12 latas de cerveja durante um voo. Ou nove, sei lá. Sempre aumento uma ou duas. Era uma porrada de cerveja. Enquanto esperamos o restante da banda, que chegaria dali a meia hora, derrubamos mais uma meia dúzia de latinhas. À noite, todos completamente desconectados (principalmente <span style="font-weight: bold">Tuca </span>e <span style="font-weight: bold">Caio</span>), circulamos por vários lugares. A primeira parada foi na Cervejaria Continental. Não aquela que você conhece, uma muito mais legal, lugar de bêbado-responsa. Foi ali que rolou a primeira canja: uma versão acústica de <a href="http://www.youtube.com/watch?v=hsAJjuWkFYw" target="_blank"><span style="font-style: italic; font-weight: bold">Uns drinks </span></a>com Paulão (voz e gaita), Cavalo (violão) e <span style="font-weight: bold">Lips</span> (triângulo). Paulão, pra variar, esqueceu a letra e foi socorrido por Lips e pelo resto do povo. &#8220;<span style="font-style: italic">Tô chegando em casa/ com todo cuidado/ São três da manhã/ Eu tô embriagado</span>&#8220;. Até hoje, é minha música preferida das <span style="font-style: italic">Velhas</span>. Dali, rolou um <span style="font-style: italic">Mustang Sally</span> em uma festa chamada Lual dos Amigos e depois&#8230; bem, depois estava todo mundo tão bêbado que ninguém lembra de quase mais nada.</p>
<p style="text-align: justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2009/09/paulao03.jpg" alt="paulao03.jpg" align="right" />Sabadão. Quase todo mundo chapado e sem condições. Paulão anda nu pelo corredor do hotel. Tuca, Caio e Lips dormem o dia todo. Cavalo e <span style="font-weight: bold">Claudia </span>vão à praia. À noite, a galera de Natal delira com a primeira apresentação das <span style="font-style: italic">Velhas Virgens</span> no Nordeste. Muito rock, muita cerveja, muita putaria. Fazer o quê? As <span style="font-style: italic">Velhas</span> são isso. Mas há um detalhe importantíssimo nessa noite. A cidade estava vazia. Havia uma grande festa acontecendo em um município vizinho e parece que Natal inteira foi para lá. Havia pouca gente no show. Enquanto alguns dos “meus amigos” de Natal faziam fila para botar no meu rabo sem cuspe e com areia, pouco antes de subir ao palco, aquele estranho que eu havia conhecido no dia anterior me disse: “<span style="font-style: italic">Você não deve nada à gente</span>”. Fizeram um puta show! Quem viu jamais esquecerá. Eu, fudido, resolvi ficar fudido e meio. Tomei todas e me diverti pra caralho. Logo em seguida, levei Paulão ao aeroporto. Na época (e hoje de novo), ele trabalhava no Domingo Legal, no SBT. De Sampa, escreve uma <span style="font-style: italic">Conversa de Botequim</span> (por e-mail) na qual declara: “<span style="font-style: italic">As Velhas, neste exato momento, são uma banda dividida e quebrada&#8230; quebrada por que bebe mais do que ganha (yeeeeees !!!!)&#8230; e dividida porque estão lá em Natal, de frente pro mar, comendo peixe frito pescado na hora e tomando todas: Lips, Caio, Tuca, Claudia e Cavalo&#8230; só esta ‘besta’ chamada Paulão é que voltou para a base em Sampa, pra correr atrás de outras coisas&#8230; mas na sexta volta lá e vamos detonar mais um show duca</span>”.</p>
<p style="text-align: justify">No dia 20 de outubro, Paulão retorna a Natal. Do aeroporto, vai direto passar o som. Quem esteve nos dois shows garante que o segundo, apesar de não ter as mesmas excelentes condições técnicas (palco, som e luz) do primeiro, foi ainda melhor. A zona dessa vez foi na República da Música. O rock rolou mais que solto e a cerveja nem se fala. Fiz strip e tomei banho de cerveja, me esfregando com uma groupie no palco. Putaria grande. Dia claro e todo mundo pelos cantos. Eu estava tão pra lá de depois que nem consegui deixar Paulão no aeroporto. Somente na segunda, dia 23, consegui falar com ele para ser gentilmente chamado de filho da puta.</p>
<p style="text-align: justify"><a href="http://www.youtube.com/watch?v=jgOdlYxS4Os" target="_blank"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2009/09/paulao04.jpg" alt="paulao04.jpg" align="right" border="0" /></a>Quase um ano depois, me mudo para Brasília. No início de 2002, vou a São Paulo e fico na casa de Paulão. Melhor pular algumas partes dessa história. Para manter a amizade e as vidas de todos os envolvidos, declaro que Paulão é um santo e eu um safado que não vale nada. Nessa época, ele tinha um bar, o <span style="font-weight: bold; font-style: italic">RoquenRow</span> (em 2007, eu ganharia uma relíquia: uma caneca de chopp com a logo do boteco) e as <span style="font-style: italic">Velhas</span> sempre tocavam lá. Preciso ficar repetindo que, em qualquer história, sempre tem muita cerveja, muito rock e muita putaria? Não, né? Todo mundo já entendeu. Ok. Seguindo&#8230; Foi nessa estada por lá que descobri “um segredo” com o qual passei a ameaçá-lo. Paulão é o compositor do tema de <span style="font-style: italic">Fantasia</span>, aquele programa do SBT com um monte de meninas seminuas rebolando. <a href="http://www.youtube.com/watch?v=jgOdlYxS4Os" target="_blank"><span style="font-style: italic">É verão, há um sentimento novo na cidade/ Coração cheio de sonhos e felicidaaaade&#8230;</span></a> Eu sei que você lembra. Como é que o autor de alguns dos versos mais românticos do cancioneiro putanhesco brasileiro como <span style="font-style: italic">Eu nunca vi uma mulher/ Que não gostasse de foder/ Até hoje ninguém disse &#8220;Não&#8221;/ E a primeira não vai ser você</span> ou <span style="font-style: italic">Mulher maluca, de onde você saiu?/ Eu vou fazer o que você mandar/ Entro no clima, mas não sou viado/ E dedo no meu cu você não vai enfiar&#8230;</span> por que  esse poeta faz a música-tema de um programa como <span style="font-style: italic">Fantasia</span>? Eu respondo: porque ele é bom nisso. Porque ele é capaz de criar seja o que for para grudar no seu ouvido. Porque ele é tão bom que faz isso até sob encomenda. É um puto! Dinheiro na mão, calcinha no chão. E em vez de me decepcionar com o ídolo roqueiro que se prostitui, passei a admirá-lo de verdade. Juro: eu queria saber fazer isso. <strong>P</strong><span style="font-weight: bold">aulão é uma puta que goza.</span> Tira o dinheiro de quem está a fim de pagar por seus serviços, chama o feio de lindo, rebola do jeito que o freguês pede e ainda goza. Eu queria ser assim, mas ainda sou uma putinha cu doce. Um dia, perderei todos os pudores e vou dar pra valer.</p>
<p style="text-align: justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2009/09/paulao05.jpg" alt="paulao05.jpg" align="right" />A partir daí, houve uma série de desencontros. Em todas as vezes que ia a São Paulo, a banda estava fazendo show em outro estado. Foram quatro anos de jejum, até que, em setembro de 2005, Paulão avisa que as velhas se apresentarão em Brasília. Lá vou eu para uma festa gigante, numa ponta do Lago Norte, num lugar com dois palcos onde tocariam três bandas. Cheguei lá no melhor estilo brasiliense, arrotando influências, perguntando se sabiam com quem estavam falando, fui entrando (sem pagar, claro!), me metendo nos camarins e bebendo todas as cervejas que via pela frente. Quem era eu? Ah, “<span style="font-style: italic">o cara ali das Velhas</span>”. As <span style="font-style: italic">Velhas</span>, que chegaram duas horas depois e, para variar, foram começar o show umas três horas depois do horário marcado. Nesse dia, REconheci <span style="font-weight: bold">Andréa</span>, a Dona Paulona. REconheci porque já havia conhecido quatro anos antes,em São Paulo, na casa de Paulão. Ela não lembrava de mim. Depois quem bebe é que esquece as coisas&#8230; Tudo bem. Eu e ela nos plantamos na frente do palco, no meio da garotada que gritava alucinada pelo primeiro show das <span style="font-style: italic">Velhas</span> em Brasília. Fiz algumas fotos e tentei gravar uns vídeos, mas não dava (só esse <a href="http://www.youtube.com/watch?v=0OedXNtVw6w" target="_blank">Manifesto Orgasmático pela Paz</a>). Quando eles começam a tocar, só dá vontade de pular, bater cabeça, soltar o selvagem que tentamos esconder inutilmente. E eu estava no maior jejum de <span style="font-style: italic">Velhas</span>. Pulei, me acabei, o dia clareou e lá estava eu, um total irresponsável, feliz e me sentindo vivo. Paulão ficou mais uns dias em Brasília. Andréa morava lá nessa época.</p>
<p style="text-align: justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2009/09/paulao06.jpg" alt="paulao06.jpg" align="right" />Em abril de 2006, Velhas de novo no Centro-Oeste. Andréa aparece lá em casa com uma amiga. Largo tudo (eu sou um irresponsável!) e lá vamos nós para Goiânia, poucas horas antes do show, com Andréa dirigindo e dizendo que é macha para pegar a estrada que não conhece. A macheza ficou em Brasília. Assim que saímos da cidade, ela entregou os pontos e o volante. Quem assumiu? O bonitão aqui. Com a carteira vencida. Ela também só está sabendo desse detalhe agora. Toca pela estrada escura. O senso de direção que só um homem tem e ainda a proteção que só os bêbados e loucos possuem nos fizeram chegar a tempo. Do hotel, seguimos no businho da banda até o local do show. Goiânia, para quem não sabe, não é só um curral breganejo. Tem uma galera roqueira alucinada lá. Foi um dos melhores shows das <span style="font-style: italic">Velhas</span> que assisti. Já percebeu que, até então, vi shows deles em quatro estados diferentes? De resto, você sabe: rock, suor e cerveja. Muita. Depois, toca todo mundo pra suíte da estrela. Eu me joguei em um sofá e fiquei por lá, todo encolhido. No dia seguinte, descobri que era um sofá-cama e que Paulão havia dormido com sua namorada-esposa-amante e a amiga dela. Mas só dormido mesmo. Juro! Verdade. MESMO. Café quase almoço e preparativos rápidos para voltar à capital federal. O macho-alfa assumiu o volante perguntando quem tinha sido o anão que havia dirigido o carro antes. Anão é seu pinto, seu viado gordo! Tá respondido? No fim de semana, fomos ao <span style="font-style: italic">Gate’s</span>. Ah, o <span style="font-style: italic">Gate’s</span>! Como sonhei com um show das Velhas naquele lugar.  Chegando lá, Paulão percebe que em cinco minutos acabaria o horário para pedir chopp duplo. “<span style="font-style: italic">Desce três duplos</span>”. Esquentar? Se você já bebeu comigo ou com ele, sabe que não haveria tal possibilidade.</p>
<p style="text-align: justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2009/09/paulao07.jpg" alt="paulao07.jpg" align="right" />Algum tempo depois, Andréa deixava Brasília e voltava a morar em São Paulo. Antes que completassem bodas de prata de namoro, os dois resolvem juntar os trapos. Em outubro de 2007, encontro o casal em seu habitat natural em um domingo de jogo do Corinthians. Paulão tem o escudo do time tatuado no peito. Precisa dizer mais? Precisa. Foi nesse ano que o Corinthians caiu para a segundona. Passamos em um supermercado para comprar&#8230; claro! Enquanto Andréa garantia as brejas, Paulão me sacaneava por eu ter passado a tarde catando piso do Martinelli no lixo. Débil mental foi a coisa mais carinhosa que ouvi. Daí Andréa volta para o carro e pergunta sobre a coleção de azulejos que ele fazia quando criança. Rá! Filho da puta traumatizado! Fazia troca-troca com os primos também? Partimos para o futebol. Digo, para o apartamento deles. Eu detesto futebol. Enquanto o Corinthians se afundava, Paulão quase enfartava e Sandro se embriagava. Tudo na mais perfeita ordem. Foi dessa vez que revelei a Paulão um de meus projetos memorialísticos: escrever sobre meus amigos. Não curto esse papo de esperar morrer para falar bem e fazer de santo. Homenagem boa é quando se está vivo. Paulão estava/está na lista (<a href="http://www.sandrofortunato.com.br/sanov07.htm">falei sobre isso aqui</a>). Fiz umas fotos boas nesses dias. Nesse aquecimento biográfico, fiquei conhecendo um pouco mais do Paulo adolescente, vi uns quadros antigos, coisas muito legais. Mas isso vai ficar para o tal livro.</p>
<p style="text-align: justify">Falando em livro&#8230; puta que pariu, ainda não comentei o livro de viagem que Paulão escreveu quando bebeu toda as cervejas da Europa. Tô devendo, eu sei. Pago ainda este ano. Tá, mas eu comecei falando que estava puto, falei sobre incensar os queridinhos da hora, contei um monte de história de bêbado&#8230; Como essas coisas se encaixam? É que na segunda à noite, quando tudo mudaria – e mudou – eu estava pregado na frente da tevê, tenso e sem cerveja porque não bebo em casa (um dia explico isso), vendo a semifinal para oitavo elemento do CQC. Estava esperando a confirmação do nome de Paulão para a final. Só que isso não aconteceu. E eu fiquei puto. MUITO PUTO! Não era uma questão de torcer por alguém, mas de justiça. Paulão era, desde o início, disparado o melhor.</p>
<p style="text-align: justify">Há mais ou menos dois meses, quando apresentaram os trinta e poucos selecionados entre os mais de 23 mil inscritos e vi que Paulão estava no meio, pensei: “<span style="font-style: italic">É dele! É dele!</span>” Mas isso era mais um desejo que uma certeza. Por não acreditar nele? Não. Por sabê-lo muito acima do exigido. É verdade. E isso ficou ainda mais claro para mim em uma das eliminatórias em que ele saiu dizendo que segurou a onda. A puta velha é tão puta velha que sabia disso. Sabia que não podia “aloprar” ou, como eu preferiria dizer no caso, ser 100% ele mesmo. Eu gosto do CQC, mas é um programa de tevê, com uma galera nova, deslumbrada, metida a inteligente. <span style="font-weight: bold">Marcelo Tas</span>, claro, não se encaixa nisso. Gosto de metade do grupo e acho bem boba a outra metade. Cumprem seu papel, mas é meio bobo, humor de adolescente metido a sabichão, meio arrogante até. Paulão não podia aloprar. Foi conquistando espaço, conquistando, conquistando&#8230; e ficou entre os quatro finalistas. Mesmo antes, eu tinha certeza de uma coisa: se ele saísse, seria por conta de uma mulher. Não que houvesse alguma ali que fosse melhor que ele, mas elas eram melhores que a maioria dos homens e eu achava que havia uma tendência a se contratar uma mulher. Só errei numa coisa: pensei que isso pudesse acontecer na final, entre ele e Carol, a baixinha por quem torço agora. Colocaram duas mulheres na final.</p>
<p style="text-align: justify">Mas foda-se! Particularmente, sofri com essas eliminatórias. Agora não me interessa muito o resultado e, pelos comentários no Twitter, não interessa para muito mais gente que também torcia por ele.</p>
<p style="text-align: justify">Também acho que Paulão, apesar da putavelhice que lhe confere uma adaptabilidade invejável, tem um estilo muito diferente da turma do CQC. Assim como nunca se dobrou a exigências de gravadoras e trilhou mais de duas décadas sendo ele mesmo, imprimindo sua personalidade, arrebatando fãs em todo o país mesmo sem ter espaço em rádios e tevês,seria muito bom que não mudasse o tom para se encaixar em um programa de tevê ou seja lá onde for.</p>
<p style="text-align: justify">Acho que esse concurso para escolha do oitavo CQC foi uma porta. Ou um trampolim para um salto maior. Paulão trabalha nos bastidores de TVs há anos. Não é possível que agora todos continuem cegos a um talento que deveria passar para o outro lado das câmeras. Não um talento que precise se enquadrar em algum conceito, mas sim uma força da Natureza para a qual se precisa abrir espaço. Por que ser oitavo elemento de uma trupe quando se é único? Alguém que o conheça consegue imaginá-lo de terno preto, uniformizado e não usando <span style="font-style: italic">caralho</span> como vírgula? O lance com o CQC não foi um objetivo não alcançado. <span style="font-weight: bold">Foi apenas parte do caminho</span>. Não é dor de cotovelo minha. Estou falando – e sabendo bem do que e de quem – que DUVIDO que nessa eterna busca por algo novo, diferente e realmente bom pelas TVs, Paulão, agora finalmente mostrado em um meio de comunicação de massa, não seja DEVIDAMENTE aproveitado. E sem jamais por em risco o que sabe fazer melhor: <span style="font-weight: bold">Rock’n’Roll</span>.</p>
<p style="text-align: justify"><span style="font-style: italic">Let it roll!</span> Essa porra ainda vai muito longe. Que venha a próxima batalha!</p>
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		<title>Um momento de paz</title>
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		<pubDate>Sun, 12 Jul 2009 18:03:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Quem procurar em meus textos – pessoais e profissionais – sempre encontrará algo sobre a morte. Há quem diga que ela me impressionou muito quando aos 18 anos de idade levou meu primeiro amor, que tinha apenas 19 e outra &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/07/12/um-momento-de-paz/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Quem procurar em meus textos – pessoais e profissionais – sempre encontrará algo sobre a morte. Há quem diga que ela me impressionou muito quando aos 18 anos de idade levou meu primeiro amor, que tinha apenas 19 e outra vida começando dentro dela. Estão certos. O que não sabem é <em>como</em> isso me impressionou.</p>
<p align="justify">Acabei por aprender, muito cedo, sobre a impermanência de tudo. Eu era um jovem universitário, inteligente, metido a gostoso, repleto de motivos para se arrogante (e era!), desejado, apaixonado e correspondido. Ela era jovem, bonita, muito inteligente, extremamente querida por todos, divertida, sempre bem humorada, cheia de vida e de uma grandeza que sabe-se lá como cabia em corpo tão pequeno. Nós nos casamos em uma tarde de dezembro. Ela foi internada no mesmo dia e só deixou o hospital 18 dias depois. Já sem vida. Nem chegamos a morar juntos.</p>
<p align="justify">Houve uma grande comoção, em Natal, por conta dessa história. É muito mais difícil entender a morte de uma pessoa jovem. Mais ainda quando ela está saudável, feliz, gerando outra vida. Muita gente que não a conhecia, nem a mim, nem nossas famílias, esteve no velório e no sepultamento. Pessoas mais próximas achavam que eu não estava nada bem e temiam que eu fizesse alguma bobagem.</p>
<p align="justify">Bobagem era pensar nisso. Havia uma força muito maior me guiando naquele momento. Aos que não me conhecem, devo esclarecer que nunca segui qualquer religião, nunca fui crente seja no que for e até me considero uma pessoa sem fé, apesar de ter o que chamo de “um grande instinto religioso”.</p>
<p align="justify">O que Fabíola me ensinou – dentre muitas coisas – foi a amar e viver em paz com as pessoas como se não existisse amanhã. Nunca deixar nada para o dia seguinte. Nunca dormir contrariado com alguém. Nunca entrar em conflito, muito menos com quem se ama.</p>
<p align="justify">Não aprendi isso de imediato, mas sabia que a lição era essa. O aprendizado vem se desenvolvendo durante esses quase 20 anos após esse episódio. Estúpido como só eu consigo ser, precisei de outros exemplos para saber que a morte não é a pior das perdas e que, na verdade, ela é a única a qual somos realmente obrigados a aceitar, pois não há qualquer esperança de que a situação mude. Em determinados aspectos, é até a mais fácil de aceitar.</p>
<p align="justify">Nesse rastro, aprendi também que a vida não é como a gente quer, mas sim da maneira que deve ser. O estranho é que ela pode ser contrária a tudo que você quer e ainda assim essa será a melhor maneira. A sua capacidade de aprender é que fará toda a diferença.</p>
<p align="justify">Há pouco menos de um ano, me senti preso em uma arapuca, numa situação, para mim, completamente inimaginável. Estava de volta a Natal e morando na casa dos meus pais. Tinha ido visitar minhas filhas e resolver problemas com documentos. Era para ter ficado apenas quatro dias. Fiquei quase um ano.</p>
<p align="justify">Tão sereno quanto possível, em meio ao que me parecia ser o maior turbilhão, a maior provação com a qual já havia me deparado, comecei a entender os motivos de ter sido colocado ali contra minha vontade. Havia vários incêndios a serem controlados: minha mãe sobrecarregada cuidando de meu pai e de meu avô; meu pai, sempre intolerante, com enormes conflitos internos em relação ao próprio pai, que depois de mais de vinte anos estava de novo morando com ele; meu avô, já com 88 anos, aparentemente saudável, mas embaralhando as histórias que lembrava, tendo dificuldades para reconhecer as pessoas; filha adolescente dando trabalho&#8230; Eu não queria nada daquilo. A minha vida pacata com uma jovem esposa e um filho lindo com três anos de idade era bem mais agradável.</p>
<p align="justify">Cada vez mais centrado, comecei a perceber que, mesmo que não quisesse fazer parte daquele quadro, eu era uma peça que estabelecia algum equilíbrio a tudo aquilo. Também não me pergunte como – já disse que não sigo fé alguma –, mas, mesmo que nada parecesse indicar isso, sentia que duas mortes aconteceriam em breve.</p>
<p align="justify">A primeira foi a de meu avô, único dos avós que me restava, pai do meu pai, no sábado de carnaval. Ontem, também sábado, foi a do meu pai.</p>
<p align="justify">Quando viajei há duas semanas, outra coisa que também sentia, mesmo que novamente nada parecesse indicar, é que isso aconteceria enquanto eu estivesse longe. E aconteceu. Estou em São Pedro da Aldeia, no Rio de Janeiro, e a notícia só chegou a mim neste domingo no final da manhã.</p>
<p align="justify">Próximas a meu pai estão pessoas que nunca viram a morte de perto, não lidam bem com isso ou que precisam aprender a lidar melhor. À distância, sei que não preciso estar lá porque ele também não está mais lá. A forma que me acostumei a ver já não será mais vista, não será mais usada. Em liberdade – e ele precisava disto! –, talvez agora sua essência esteja mais acessível e, independente de crenças, ele continue seu caminho.</p>
<p align="justify">Sempre considerei meu pai uma pessoa emocionalmente bruta, que não sabia demonstrar o carinho que sentia pelos outros. E, pode apostar, sentia. Demorei muito para, muito mais que aceitar, pois isso pouco adiantaria, compreender suas razões para ser daquele jeito. E foi somente nos últimos onzes meses que cheguei a essa compreensão, percebendo que não tinha qualquer mágoa em relação a ele e até transformando um sentimento de piedade em carinho.</p>
<p align="justify">Em meu último aniversário, em abril, ele me deu um presente e me cumprimentou. Nem lembro quando havia feito isso antes. Talvez eu fosse muito pequeno para guardar a lembrança. Desculpou-se por ser algo simples (como se precisasse fazer isso) e me deu parabéns. Eu levantei, agradeci e lhe dei um beijo na testa. E vi que ele estava se esforçando, após 65 anos de embrutecimento, em ser uma pessoa mais doce.</p>
<p align="justify">Nunca deixei de amar meu pai. Aprendi a respeitá-lo, a entender suas limitações, suas fraquezas, a perdoar seus erros. Enquanto muitos, em meu lugar, o teria visto como um inimigo, eu comecei a vê-lo como meu maior mestre. Ele errou para que eu não errasse. Sem querer, cumpriu o papel de pai, me ensinando a ser forte, a ser uma pessoa com menos defeitos que ele. Sem demonstrar Amor, me fez uma pessoa que ama sem medidas. Tanto a ponto de ver nele não só a figura de pai, mas de um ser humano com todas as suas complexidades, seus conflitos, seus defeitos.</p>
<p align="justify">No final do ano passado, durante um de seus muitos acessos de fúria que sempre pareceram insanos, sem motivo, chamei-o à realidade e trocamos de lugar. Com toda a paciência que me foi dada, passei uma hora e meia lhe falando a respeito de como se deve viver em harmonia com as pessoas, de como devemos demonstrar nossos sentimentos e que eles devem ser bons SEMPRE. E se não for? Nós devemos aprender a transformá-los em algo bom. Durante aquela conversa, me transformei no pai dele. Era eu quem dava conselhos a alguém ainda despreparado, verde, inexperiente. Foi ali que soube de problemas que o atormentavam há décadas e que, em vez de resolver, ele alimentou e fez crescer. Percebi a prisão que havia criado para si mesmo. E mais uma vez reconheci meu grande mestre bem ali. Sem ter a mínima ideia do que fazia, ele continuava me ensinando. Ele começou a mudar, a se desprender das coisas que o seguravam aqui. Começou a se libertar da prisão que havia construído.</p>
<p align="justify">Agora ele está perto como nunca. Nunca mais verei aquele corpo que ele tanto maltratou fumando e comendo descontroladamente. Não lançarei um último olhar àquela criatura tão branca que ao misturar-se como minha mãe me fez esse vira-lata moreno de nome italiano.</p>
<p align="justify">Sinto apenas por não ter falado a ele que procurasse conversar com meu irmão que, sem querer e sem perceber, vem repetindo alguns de seus erros. Queria que ele também pudesse ser o mestre do meu irmão. Se há outra coisa que aprendi nessa vida, além de que se deve amar as pessoas como se nunca mais fosse vê-las, é que muitas vezes o mestre está todo o tempo por perto, mas o discípulo só percebe quando está pronto. E nem mesmo há qualquer garantia de que um dia o reconheça.</p>
<p align="justify">Liberto, sinto-o presente como nunca. Se não tivemos a oportunidade de prolongar a inversão de papéis, se não precisei cuidar dele quando estivesse realmente necessitado, é porque já não era necessária essa lição. Nem para mim, nem para ele.</p>
<p align="justify">Com toda sua rispidez, impaciência e intolerância, ele me ensinou a amar, tolerar, esperar, compreender. Eu o agradeço muito por isso, meu pai.</p>
<p align="justify">Agora já não há mais Jorge, Jorginho, Fortunato, seu Jorge, pai, vô. Agora existe Paz. Se realmente nos encontramos com os que nos deixaram por aqui, espero que a vó Mafalda e o vô Moacyr o recebam e continuem cuidando de você. Minhas orações, meu perdão, meu carinho, meu amor, meu respeito, você terá para sempre. Por aqui, continuaremos tocando a história. Mamãe, seus filhos, meus filhos, Aimeé, Ananda e a atual ponta desse ramo, Pietro Fortunato, aquele outro branquelo, que você só viu muito pequeno e todo mundo achou que era sua cara. Continue me ajudando a fazer dele um homem muito melhor do que jamais imaginamos ser. O Amor, eu garanto.</p>
<p align="justify">Luz, Muita Luz, Pai!</p>
<p align="justify"><strong>PS:</strong> Há poucos dias eu estava falando como, mesmo com todo seu descuido, você era um cara que atraía a atenção das mulheres. Eu queria ser assim. Você sempre foi muito bonito.</p>

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		<title>Janelas</title>
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		<pubDate>Mon, 20 Oct 2008 20:10:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Das janelas televisas e dos monitores conectados à Internet, nós brasileiros ficamos a ver janelas este ano. Primeiro com a menina jogada por uma. Quantas vezes foi mostrado aquele buraco na parede? Quantas a boneca fazendo o papel da menina &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/10/20/janelas/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Das janelas televisas e dos monitores conectados à Internet, nós brasileiros ficamos a ver janelas este ano. Primeiro com a menina jogada por uma. Quantas vezes foi mostrado aquele buraco na parede? Quantas a boneca fazendo o papel da menina mostrou o que as câmeras de segurança falharam em captar? Faltou algo. Faltaram os últimos instantes de vida da criança despencando e encontrando a morte no impacto contra o chão. Faltou matar a curiosidade mórbida de assisitir a morte ao vivo.</p>
<p align="justify">Seis meses depois, as atenções se voltam para outras janelas. Agora com a expectativa de acompanhar toda a novela em tempo real. O Big Brother está montado, mas não há qualquer desconfiança sobre aquilo não ser verdadeiro. É a vida como ela é: crua, bruta, estúpida, cheia de erros. São nossos erros vistos nos outros. O que faz com que, por um instante, nos sintamos melhores, superiores. O desequilibrado, as ameaçadas, quem está correndo risco de morrer, quem está tentando salvar e pode falhar.  Nenhum deles é um de nós. Mas poderia ser. E a sabedoria maior reside em aprender com a observação. Talvez isso responda a pergunta que faço desde o desfecho dessa história: <strong>A que veio Eloá?<br />
</strong></p>
<p align="justify">Há dezenas de lições a serem aprendidas com esse folhetim. Centenas de questões a serem pensadas, analisadas.  Para mim, a que mais incomoda é essa: A que veio Eloá? Por que se dá a vida a alguém para que ela seja tirada antes de a pessoa ter a oportunidade de começar a utilizá-la?</p>
<p align="justify">Acredito que Eloá tenha sido <strong>sacrificada para mostrar, a milhões e de uma só vez, muitos dos erros que estamos cometendo</strong> e aonde estes estão nos levando.</p>
<p align="justify">A polícia errou? Demorou muito em agir? Deixou uma ex-refém se tornar outra vez refém? Deveria ter abatido o criminoso quando teve oportunidade? Não pensou que a invasão pudesse não surtir o efeito desejado? Por que não manteve cortada a energia do local? Por que permitiu que o criminoso tivesse todas as informações do que estava acontecendo do lado de fora, todo o tempo, pela tevê? Por que a tevê e a imprensa em geral transformou isso em um espetáculo que nos faz pensar que mais nada está acontecendo no planeta? Por que a imprensa se envolveu tanto e guindou um jovem desequilibrado à categoria de astro de tevê? Por que insistiu tanto em conversar e tentar convencer o garoto a se entregar quando isso é trabalho da polícia? Como a imprensa pode julgar o trabalho da polícia quando é, em parte, responsável por atrapalhar esse trabalho? Como a polícia pode ter medo de fazer seu trabalho por estar sendo monitorada? Como tudo aquilo poderia acabar bem?</p>
<p align="justify">Estas e muitas outras questões poderiam simplesmente não exisitir se tentássemos seguir o sábio conselho pitagórico: Educai as crianças e não será preciso punir os adultos. Sejam esses adultos criminosos, pais, policiais ou jornalistas.  Não seria preciso apontar culpados se cada um de nós assumisse sua parcela de responsabilidade e evitasse ou ao menos reduzisse a possibilidade de que situações como essa chegassem a exisitir. Não existiria culpa ou culpado se não houvesse erro. <strong>Não existiria efeito se não houvesse causa.</strong></p>
<p align="justify">No ponto em que chegamos, essa mudança precisa ser radical e certamente demorará muitos anos, algumas gerações talvez, para atingirmos um nível que possa ser chamado de civilizado. Mas essa mudança precisa ser iniciada. Agora. Dentro da casa de cada um. Mais: dentro de cada um.</p>
<p align="justify">Deveríamos deixar de nos ocuparmos em olhar para as janelas dos outros e dar atenção ao que se passa do lado de dentro das nossas janelas. <strong>Deveríamos aprender a apreciar o que vai nas janelas das almas das pessoas com quem convivemos</strong>. Deveríamos olhar em seus olhos, procurar compreendê-las, aceitá-las, auxiliá-las, orientá-las. Deveríamos tornar limpas e transparentes as nossas próprias janelas e mostrar em nossos olhares que temos como único objetivo vivermos em paz e harmonia.</p>
<p align="justify">Se a simples expectativa de um mundo melhor não for motivação suficiente, pensemos que tais atitudes podem evitar que o próximo circo se arme ao redor de nossa casa, que milhões de cegos fiquem com os olhos grudados em nossas janelas, que seu filho se sinta o rei do gueto ou sua filha seja a Eloá da vez.</p>
<p><strong>Pense em Paz. Construa a Paz. Viva a Paz.</strong></p>

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		<title>O dia em que seremos felizes</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Oct 2008 19:28:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando não se está preparado, se repete o ano. É o mais indicado. Continuo na tentativa de aprender sobre respeito e tolerância. Nesse processo, relembro – portanto percebo que não havia realmente aprendido – que a maior prisão que existe &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/10/14/o-dia-em-que-seremos-felizes/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Quando não se está preparado, se repete o ano. É o mais indicado. Continuo na tentativa de aprender sobre respeito e tolerância. Nesse processo, relembro – portanto percebo que não havia realmente aprendido – que a maior prisão que existe é aquela que nós criamos.</p>
<p align="justify">E todas as prisões têm o mesmo carcereiro. Ele atende pelo nome de <strong>Desejo</strong>. O sobrenome varia: Desejo de Liberdade, de Amar, de Possuir Algo, de Ter Alguém.</p>
<p align="justify">Escravos de nossos desejos, parimos o sofrimento. Para fugir do monstro que criamos, tentamos desviar o foco dele, culpamos pessoas e situações. Procuramos justificar nossa dor com um quem, um quê, um onde, um como, um porquê. “<em>Ele não me quis</em>”, “<em>Não tenho dinheiro</em>”, “<em>Seria tão bom se eu viajasse para um país distante</em>”&#8230; Inventamos de tudo e dificilmente percebemos que a raiz do problema está na palavra que inicia este texto: <em><strong>Quando</strong></em>.</p>
<p align="justify">O que realmente causa o sofrimento é a relação com o tempo. Pouco importa se não se tem mais aquela pessoa ou se ela ainda não apareceu, se haverá dinheiro para comprar algo ou se não há mais, se será possível viajar. A dificuldade é lidar com o “quando”, isto é, com o fato de os desejos não estarem sendo satisfeitos neste momento.</p>
<p align="justify">Vivemos no passado, tentamos viver no futuro e <strong>esquecemos de viver o agora</strong>, de perceber a situação presente e o que ela nos oferece de bom. Presos aos nossos desejos, insistimos em continuar experimentando dores passadas ou em criar novas por ainda não termos o que queremos.</p>
<p align="justify">A mente fica divagando, fica buscando algo que não existe mais, que ainda não existe ou mesmo nem vai existir e deixa de ter a percepção do que está acontecendo. Neste momento, você está se dedicando a ler este texto e, se chegou até aqui, deve estar gostando. Então mantenha sua mente aqui neste instante. Somente aqui. Leia calmamente, concentre-se, procure entender o que está sendo dito. <strong>Agora, mantenha sua mente aqui</strong>.</p>
<p align="justify">Ao terminar, continue exercitando o domínio de sua mente em relação ao aqui e o agora. Vai fazer amor? Faça apenas isso, concentre-se nisso, dê o seu melhor. Vai responder e-mails? Leia as mensagens com calma, responda da mesma forma. Vai pegar um ônibus para chegar ao local onde trabalha? Curta a caminhada até a parada, aproveite a espera para ler algo ou somente relaxar, perceba todo o caminho independente de estar confortavelmente sentado ou em pé dividindo o pouco espaço com outras cem pessoas. Sorria para elas. No momento, estão passando pelas mesmas dificuldades que você. Olhe pela janela, aprecie o caminho, descubra algo novo.</p>
<p align="justify">Eu fui muito feliz, eu serei muito feliz, mas eu gosto mesmo é de saber que <strong>sou feliz agora</strong>, que há motivos para isso, que os percebo, que os aproveito. Quero que aqueles que amo sejam felizes agora. Independente do que estejam vivendo. Meu único desejo é que não sejamos escravos de nossos desejos. Que apreciemos cada passo no caminho para nossas realizações. Assim não correremos o risco de chegarmos até elas e percebermos que perdemos muitas oportunidades no caminho e que já estamos querendo algo mais.</p>
<p><strong>O dia em que seremos felizes é sempre hoje</strong>. Experimente.</p>

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		<title>Desprocrastinando</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Jun 2008 14:18:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Nem João, nem Pedro, muito menos Rosa, Pelé ou Garrincha. Todos os temas programados de sexta até domingo ficaram na vontade. O site ficou fora do ar por três dias. Estourou a largura de banda definida para ele. Em português: &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/06/30/desprocrastinando/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Nem João, nem Pedro, muito menos Rosa, Pelé ou Garrincha. Todos os temas programados de sexta até domingo ficaram na vontade. O site ficou fora do ar por três dias. Estourou a largura de banda definida para ele. Em português: andou tendo um porrilhão de acessos e foi pras picas. Aproveitei para visitar o mundo real, mas muito sem vontade de fazer nada. Fiquei nuns livrinhos fáceis e filmes idem. Foi-se junho e meio 2008. Começo o segundo semestre mais organizado, (muito) mais chato, mais sedento e me preparando para uma nova gestação. Eu sou uma gata. Entro em gestação a cada dois meses. Vou fazer umas sinapses e volto já.</p>

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		<title>Chegou um tempo</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Jun 2008 12:24:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[O mundo lá fora anda muito chato. Ponho a cabeça fora da janela e vejo incompreensão, solidão, guerras várias, medos muitos, tristezas todas. Vejo saudades de um mundo melhor, de uma vida melhor, de alguém, de algo, de uma situação. &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/06/16/chegou-um-tempo/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/gato.jpg" border="0" height="255" width="600" /></p>
<p align="justify">O mundo lá fora anda muito chato. Ponho a cabeça fora da janela e vejo incompreensão, solidão, guerras várias, medos muitos, tristezas todas. Vejo saudades de um mundo melhor, de uma vida melhor, de alguém, de algo, de uma situação.</p>
<p align="justify">Procuro o que comentar, sobre o que falar, mas não quero alimentar o que está se passando. Não quero fazer parte do fermento.</p>
<p><em>Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.</em></p>
<p align="justify">Fecho a janela, volto para dentro. Vou arrumar a casa. Estarei aqui. Pode bater, pode chamar, mas não me peça para sair. Pode entrar. Convidado, quase calado, sem desfazer a ordem que tento manter.</p>
<p align="justify">Bruto que sou, sei que não adianta morrer. Atendo ao conselho do poeta. Prefiro mesmo viver.</p>
<p><em>A vida apenas, sem mistificação.</em></p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback.jpg" usemap="#Map" border="0" height="25" /></center></p>
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