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	<title>Sempre Algo a Dizer &#187; Televisão</title>
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		<title>Conversa rápida&#8230;</title>
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		<pubDate>Sun, 13 Nov 2011 00:54:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Conversa com o leitor]]></category>
		<category><![CDATA[Desenho]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Televisão]]></category>

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		<description><![CDATA[Estou traindo o blog com outros escritos. Pronto, confessei. Mas não estou traindo os cinco ou seis leitores que ainda vêm aqui. Ninguém está lendo o que ando escrevendo. É tudo coisa para 2012. Não sei para quando é o &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2011/11/12/conversa-rapida/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2011/11/12/conversa-rapida/&amp;text=Conversa rápida&#8230;&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Estou traindo o blog com outros escritos. Pronto, confessei. Mas não estou traindo os cinco ou seis leitores que ainda vêm aqui. Ninguém está lendo o que ando escrevendo. É tudo coisa para 2012. Não sei para quando é o parto, mas a barriga está enorme e quase já sinto as contrações. Parece que serão trigêmeos. Talvez, quadrigêmeos. Enquanto isso, vamos jogar conversa fora&#8230;</p>
<h2 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Carlos Estevão no Jornal da ABI</strong></span></h2>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.readoz.com/publication/read?i=1043787#page30" target="_blank"><img class="size-full wp-image-1088 aligncenter" style="border-style: initial; border-color: initial; margin-top: 0px; margin-bottom: 0px; border-width: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/11/01carlos.jpg" alt="" width="470" height="315" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Para diminuir o peso em minha consciência, aí está algo que andei escrevendo. São seis páginas sobre <strong><a href="http://www.memoriaviva.com.br/carlosestevao" target="_blank">Carlos Estevão</a></strong> na edição de novembro do <strong><em>Jornal da ABI</em></strong> (Associação Brasileira de Imprensa). Considerem como um aperitivo para a biografia que, prometo (com riscos) terminar em 2012. É só <strong><a href="http://www.readoz.com/publication/read?i=1043787#page30" target="_blank">clicar aqui</a></strong> ou na imagem acima e ter acesso às páginas.</p>
<p style="text-align: justify;">Na <strong><em>Revista de História</em></strong> de novembro tem mais Carlos Estevão. Ainda não vi (maldita distribuição setorizada!), mas <strong><a href="www.revistadehistoria.com.br/secao/em-dia/humor-com-personalidade" target="_blank">o texto está no site da revista</a></strong>.</p>
<p style="text-align: center;">* * * * * * *</p>
<h2 style="text-align: justify;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/11/02balada.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-1089" style="border-style: initial; border-color: initial; margin-top: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 10px; margin-right: 6px; border-width: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/11/02balada.jpg" alt="" width="200" height="285" /></a><span style="color: #000000;"><strong> Balada Triste de Trompeta</strong></span></h2>
<p style="text-align: justify;">Estou em uma fase espanhola. Não, não é bem isso que você pensou. Verdade que gosto de uns <em>pechos</em> tamanho G ou GG, preferencialmente naturais de fábrica, mas estou falando de cinema. Nos últimos meses, além de ver/rever oito filmes de Almodóvar; de corrigir uma gravíssima falha de dez anos, vendo <em>Lúcia y el Sexo</em> (2001); de ficar paralisado/apaixonado com a atuação de Laia Marull em<em> Te doy mis ojos</em> (2003); neste sábado foi a vez de ficar bestificado com <em>Balada Triste de Trompeta</em> (aqui, <em>Balada do Amor e do Ódio</em>, 2010).</p>
<p style="text-align: justify;">É tão bom em tudo, que sugiro até aos que foram criados com o pensamento engessado do cinema americano. É tão bom, que eu nem vou dizer que é preciso prestar atenção na analogia com a história política da Espanha, que também serve como pano de fundo à história de amor e ódio dos palhaços Triste e Tonto. Pode ver só como entretenimento, mas lembre-se de respirar. É moderno, violento e, muitas vezes, grotesco. Ao final, dá vontade de comentar: “<em>Viu como se faz, Tarantino?</em>” Fiz questão de NÃO colocar um <em>trailer</em> aqui. Acho até que o pôster ao lado já fala muito. Não procure saber mais nada. Apenas assista. Tão virgem quanto possível.</p>
<p style="text-align: center;">* * * * * * *</p>
<h2 style="text-align: justify;"><strong><strong> </strong><span style="color: #000000;">Sweet Charity</span></strong></h2>
<p style="text-align: center;"><iframe width="420" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/UseIME8v2Ts" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p style="text-align: justify;">E por falar em palhaços, vou acabar vendo o filme do boçal do Selton Melloso. Este ano, já me rendi a <em>Nine</em> (após um ano e meio de relutância) e <em>Sweet Charity</em> (após 42 anos, portanto mais que minha vida toda, de resistência). Rápida explicação. <em>Nine</em> é uma (vá lá!) homenagem a <strong>Fellini</strong>. <em>Sweet Charity</em> é a versão americana de <em>Noites de Cabíria</em>. Ou a aversão, como prefiro. Daí vem um mané, que tem como maior talento imitar a si mesmo, faz um filme sobre palhaços e diz que é homenagem a quem? A quem? Ao deus Fellini. Pois é. Eu, devoto escaldado, me armo logo para uma guerra santa.</p>
<p style="text-align: justify;">Um dia, bem zen (zen raiva, zen bile pulando boc’afora), escreverei detalhadamente minhas impressões a respeito de <em>Nine</em> e <em>Sweet Charity</em>. Deste último, digo que quase tudo que vale a pena ver é essa parte no vídeo acima. Pode ver sem medo. É só dança e não compromete em nada a história. Tem ainda uma parte com Sammy Davis Jr. e outra, quase ao final, com Shirley Maclaine que também são legais. Admito: os americanos são muito bons com musicais e são ótimos em dançar. E Bob Fosse era o cara para pegar isso e levar para o cinema. Estão vendo como, às vezes, sei ser bonzinho com a debilidade mental americana?</p>
<p style="text-align: center;">* * * * * * *</p>
<h2 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Séries, séries, séries&#8230;</span></h2>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/11/03series.jpg"><img class="size-full wp-image-1096 aligncenter" style="border-style: initial; border-color: initial; margin-top: 0px; margin-bottom: 0px; border-width: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/11/03series.jpg" alt="" width="485" height="333" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Vou ser ainda mais bonzinho: os americanos são bons em fazer séries. Não contentes em aniquilar a cultura de metade do planeta pelo cinema, resolveram atacar dentro das casas de todo mundo, que é para não sobrar uma criatura que não repita suas gírias, suas siglas, seus gestos, suas manias. É, <em>brother</em>, você é americano e não sabe. Mas você acha isso <em>awesome</em>, né? <em>WTF</em>, Sandro! <em>Relax, man</em>. Ria um pouco. Ou muito&#8230; <em>LOL</em>.<em> Ok. Hi Five</em>. Nóis é <em>BFF</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Tá, eu me rendo às séries. Continuo vendo <em>Nikita</em> (porque curto japa, principalmente se for japa gostosa&#8230; e ela nem é japa!), <em>Supernatural</em> (podem sacanear) e <em>House</em> (que começo a não botar muita fé que vá mesmo passar da atual temporada). Também estou vendo <em>Person of Interest</em>, apesar de não conseguir acreditar que Ben Linus possa ser um cara legal, que Jesus virou matador e que os dois estão de treta para salvar a vida de um monte de gente que eles nem conhecem. Para desligar o cérebro totalmente, tenho visto<em> Suburgatory</em> e <em>2 Broke Girls</em>. A identificação com Tessa (Jane Levy) e Max (Kat Dennings, que acho linda) é enorme: uma total falta de comiseração com os retardamentos alheios e de fé que isso possa mudar. Minha cara, não?</p>

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		<title>Dalva e Herivelto</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Jan 2010 18:19:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Televisão]]></category>

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		<description><![CDATA[Foi biográfico ou inspirado em fatos reais, eu me esforço. Seja livro, filme ou minissérie, encaro até o fim. Estava com boa vontade em relação a Dalva e Herivelto – Uma canção de amor, mesmo sabendo, desde a pré-produção, que &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/01/07/dalva-e-herivelto/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-370" style="border: 0pt none;" title="dalvaheri1" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/01/dalvaheri1.jpg" alt="dalvaheri1" width="600" height="250" /></p>
<p style="text-align: justify;">Foi biográfico ou inspirado em fatos reais, eu me esforço. Seja livro, filme ou minissérie, encaro até o fim. Estava com boa vontade em relação a <em>Dalva e Herivelto – Uma canção de amor</em>, mesmo sabendo, desde a pré-produção, que o casal seria representado por Adriana “Celinha” Esteves e Fabio “Dispensa-se Comentário” Assunção.  Nem precisei conferir a atuação de ambos para torcer o bico. Nos dois primeiros minutos, as referências a <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/04/30/pour-la-france/" target="_self"><em>La Môme</em></a> disseram o que estava por vir. Era de se esperar, já a partir do título descarado. No Brasil, <em>La Môme</em> foi chamado de <em>Piaf – Um hino ao amor</em>. A Globo continua achando que está nos anos 1970 e tratando os espectadores como alienados que só têm alguma conexão com o mundo além-casa ao sintonizá-la. Copiou o maravilhoso filme de Olivier Dahan ao fazer <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/01/19/a-tv-vai-a-escola/" target="_self"><em>Maysa – Quando fala o coração</em></a> e agora fez a cópia da cópia. O roteiro apressado, que parece ter sido escrito para o <em>Twitter</em> – cada cena em até 140 caracteres –, não ajudou em nada na construção dos personagens. Tudo de fácil digestão, seguindo a receita do que já fez sucesso. Ponto positivo para a rápida participação de Fernando Eiras interpretando Francisco Alves (esse merece livro, filme, minissérie&#8230;). Curioso por conferir Jandir Ferrari como David Nasser, que deve aparecer nos capítulos finais, que mostrará a fase em que, em parceria com Herivelto, compunha as músicas-lavagem-de-roupa-suja-pós-separação. Chega. Nem mais uma linha.</p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-371" style="border: 0pt none; margin: 0px;" title="dalvaheri2" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/01/dalvaheri2.jpg" alt="dalvaheri2" width="250" height="164" /></p>
<p style="text-align: justify;">Sobre o casal, registro minha passagem pela exposição <em>As estrelas Dalva de Oliveira e Herivelto Martins nos braços de Sampa</em>, em outubro de 2009, na Caixa Cultural São Paulo (Sé). Simples, mas gostosa de ver.</p>
<p style="text-align: justify;">No <a href="http://www.memoriaviva.com.br/novoblog" target="_blank"><em>Blog do Memória Viva</em></a>, um pouco da conturbada  história de <a href="http://www.memoriaviva.com.br/novoblog/2010/01/04/dalva-de-oliveira/" target="_blank">Dalva</a> e <a href="http://www.memoriaviva.com.br/novoblog/2010/01/04/herivelto-martins/" target="_blank">Herivelto</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Sobre outras exposições em São Paulo, continuo devendo – devo, nego, não pago enquanto puder – os textos. Em especial, as de Rodin, no Masp, que terminou no último dia 3; também lá, a de Walker Evans, que vai até este fim de semana (10 de janeiro); e a de Cartier-Bresson. Logo, logo&#8230;</p>

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		<title>Alô, Alô, Terezinha!</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Oct 2009 16:14:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Diversão]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Televisão]]></category>

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		<description><![CDATA[Terezinhaaaaaaaa! U-uuuuuuuuuu! Tá fraco. Terezinhaaaaaaaa! U-UUUUUUUUUU! As luzes se apagam e se ouve a voz do Velho Guerreiro. A resposta, como de costume, vinha das chacretes. Mas o coro vinha mesmo de duas fileiras da sala 1 do Cine Reserva &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/10/28/aloalo-terezinha/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><em><img class="alignright size-full wp-image-37" style="border:0 none;" title="aloalo" src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/aloalo.jpg" alt="aloalo" width="282" height="382" /> Terezinhaaaaaaaa!<br />
U-uuuuuuuuuu!<br />
Tá fraco. Terezinhaaaaaaaa!<br />
U-UUUUUUUUUU!</em></p>
<p style="text-align:justify;">As luzes se apagam e se ouve a voz do Velho Guerreiro. A resposta, como de costume, vinha das chacretes. Mas o coro vinha mesmo de duas fileiras da sala 1 do Cine Reserva Cultural, em São Paulo, na pré-estréia de Alô, Alô, Terezinha, filme de Nelson Hoineff, na noite desta terça, 27 de outubro.</p>
<p style="text-align:justify;">Com 45 minutos de atraso – caiu o último bastião da pontualidade brasileira! –, graças ao furdunço feito pelo pessoal do programa <em>Pânico </em>no <em>hall </em>do cinema, o filme começa assim: Chacrinha chama, as chacretes respondem, entra a música de forma estrondosa – <em>Abelardo Barbosa/ está com tudo e não está prosa </em>(&#8230;). Quem, assim como eu, viveu a época da Discoteca e do Cassino do Chacrinha, já estava completamente arrepiado e no clima.</p>
<p style="text-align:justify;">O circo estava montado: chacretes, calouros, cantores e nós, a plateia. <em>Alô, Alô, Terezinha!</em> segue a cartilha do homenageado: é frenético, insano, cômico e grotesco. Há tempos não ria tanto com um filme. O grotesco fica por conta da história dos personagens longe das câmeras. Calouros que sentiram humilhados com a buzinada, que tiveram seus instantes de fama e “estão até hoje batalhando”, acreditando no sonho de se tornarem cantores. Chacretes, que foram mulheres extremamente desejadas, esquecidas e sobrevivendo a duras penas. O glamour ficou na lembrança. A realidade é um tremendo abacaxi. E não é doce.</p>
<p style="text-align:justify;">Não se trata de uma cinebiografia de Chacrinha. O filme é uma soma de retalhos das memórias de quem participou ativamente da história. E o roteiro é tão non sense quanto a própria história que pretende mostrar. Pelos depoimentos das chacretes, se pode acreditar que sejam putas, quase santas ou somente dançarinas. Melhor acreditar que são pessoas como quaisquer outras, com desejos, medos, momentos bons e maus, motivos de orgulho, coisas a esconder. Vivem a vida sem um roteiro pré-estabelecido. Assim como o programa que faziam.  Convidadas a mostrar as reboladas e os passos famosos, algumas chegaram a vestir as roupas que usavam à época. “<em>Coragem!</em>”, gritou alguém na plateia. Coragem mesmo. Não pelo risco de parecerem ridículas, mas por mostrar a vida nada gloriosa que tiveram depois da fama, por contar segredos, desenterrar histórias que podem gerar intrigas.</p>
<p style="text-align:justify;">Quem comeu quem? Quem dava para quem? O travesti Rogéria disse que nunca comeu ninguém, mas que foi muito comido. As chacretes dão nomes aos bois, se orgulham de suas listas ou se arrependem por não terem aceitado propostas mais ousadas.</p>
<p style="text-align:center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-38" style="border:0 none;" title="aloalo2" src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/aloalo2.jpg" alt="aloalo2" width="600" height="165" /></p>
<p style="text-align:justify;">E por falar em ousadia, nada nem ninguém superou a de Índia Potira. Como não gosto de revelar surpresas de filmes, você vai ficar na curiosidade. Digo apenas que, durante a festa no Bar Biroska, logo após a exibição do filme, não resisti a dar um beijo em Índia e elogiar sua atitude. Além de ser uma mulher linda, cheia de personalidade. “<em>Como é bom ouvir isso</em>”, disse ela, com um sorriso enorme. A propósito, o trio de impostores – eu, Zeck e Dany – desembestou a fazer fotos com artistas, chacretes e calouros. Eu “produzia e dirigia”, Dany (cara-de-pau até não mais poder) abordava as vítimas e Zeck clicava. Ao abordarmos Rita Cadillac, Dany me apresentou como “seu fã há 25 anos, mas tímido”. Rita bateu de pronto: “<em>Muito tímido! Eu vi ele dançando ali</em>”. É que pouco antes havia tocado Menudo e eu atendi à ordem de não me reprimir. Estava de olho, hein, Rita?!</p>
<p style="text-align:center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-39" style="border:0 none;" title="aloalo3" src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/aloalo3.jpg" alt="aloalo3" width="600" height="165" /></p>
<p style="text-align:justify;">Quem também estava por lá era o cantor Biafra. Para quem não sabe, a famosa cena do parapente que o atropela foi registrada enquanto gravava para <em>Alô, Alô, Terezinha!</em> E você vai rir ainda mais ao vê-la na telona e com a sequência, que mostra a reação do cantor. Simpático e solícito, brincou quando lhe revelei que passei a vida toda achando que ele era baixinho para finalmente descobrir que eu também sou. “<em>Nós não ficamos devendo nada a ninguém</em>”. Durante rápida apresentação, não teve como fugir do apelo do público: “<em>Voar, voar/ subir, subir&#8230;</em>” Delírio total! No palco do Biroska, a noite foi mesmo dos calouros. Arigatô Flamengo e Abacaxi fizeram a festa. Se deixassem, cantariam a noite toda (assim que subirmos os vídeos, acrescento ao post).</p>
<p style="text-align:justify;">Não canso de dizer: não houve uma década tão divertida como a de 80. E ainda não acabou. Roda e avisa que o filme estreia nesta sexta. <em>Quem vai querer bacalhau? Terezinhaaaaaaaa!</em></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Posts relacionados:</strong><br />
<a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/04/21/chacretes/" target="_self">Chacretes</a><br />
<a href="http://www.sandrofortunato.com.br/sajul06.htm#rita" target="_self">Rita Cadillac, uma mulher que sabe se virar</a></p>
<h3 style="text-align:justify;"><strong>Trailer de <em>Alô, Alô, Terezinha!</em></strong></h3>
<p><center><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/2JiZ8x-zpUk&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/2JiZ8x-zpUk&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></center><br />
<br />
<h3><strong>Abacaxi cantando no Biroska</strong></h3>
<p><center><object width="560" height="340"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/DrTGnX9uCkc&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/DrTGnX9uCkc&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="560" height="340"></embed></object></center></p>

<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/10/28/aloalo-terezinha/&amp;text=Alô, Alô, Terezinha!&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
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		<title>Tiros em Barreiros</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/06/05/tiros-em-barreiros/</link>
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		<pubDate>Fri, 05 Jun 2009 07:36:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo cão]]></category>
		<category><![CDATA[Televisão]]></category>

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		<description><![CDATA[Parece haver um roteiro prévio para certo tipo de chacina. Fazem pouco do sujeito até que um dia ele enlouquece e sai matando gente conhecida, que ele culpa pelo desprezo ou pelos insultos que recebe. O final também não varia: &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/06/05/tiros-em-barreiros/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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<p align="justify"> Parece haver um roteiro prévio para certo tipo de chacina. Fazem pouco do sujeito até que um dia ele enlouquece e sai matando gente conhecida, que ele culpa pelo desprezo ou pelos insultos que recebe. O final também não varia: ele se mata ou é morto pela polícia.</p>
<p align="justify">Foi assim em Columbine, em 1999. Dois jovens estudantes entraram na escola que frequentavam, mataram colegas e professores, 15 ao todo, e depois se mataram. Foi assim também com <a href="http://www.terra.com.br/istoe/politica/144329.htm" target="_blank">Genildo Ferreira de França, em 1997, no distrito de Santo Antônio do Potengi</a> (antes Santo Antônio dos Barreiros), em São Gonçalo do Amarante, município vizinho a Natal (RN). Em doze horas, matou 14 pessoas, aterrorizou a pequena localidade, mobilizou cerca de 120 soldados e terminou morto. Sem direito a velório, enterro normal, nem plaquinha identificando o túmulo.</p>
<p align="justify">Doze anos depois, a história ganha um documentário de 52 minutos. <a href="http://www.youtube.com/watch?v=AANekYKw8FU" target="_blank"><em>Sangue do Barro</em></a> estreou terça passada em uma sala do Cinemark, em Natal. Imprensa, convidados, sessão fechada e eu sem o mínimo interesse em ir. Não pelo filme, mas pela sessão. Para mim, a estreia verdadeira aconteceria na noite de quinta, no Teatro Municipal de São Gonçalo do Amarante, sendo assistido por pessoas que vivenciaram o massacre, que perderam parentes, amigos e vizinhos, gente que nunca viu um filme em tela grande, nunca entrou em um cinema.</p>
<p align="justify">A fila descia pela rua do teatro. Policiais com roupa de camuflagem – como a que Genildo usava durante o massacre – circulavam pelas imediações. Cada um que passava pelas portas do teatro assinava pacientemente um livro, registrando sua presença naquele momento tão importante, até que o acesso para o auditório foi liberado e alguém, ainda na rua, gritou: “Ei, por que eles já estão entrando e a gente ainda tá aqui? A gente vai ficar do lado de fora?!”. O livro foi esquecido e todo mundo correu. A porta já ia fechando quando eu e Canindé Soares conseguimos chegar a ela com nossa melhor cara de “<em>sou jornalista e posso tudo</em>”. Entramos. Muita gente ficou de fora, mas haveria uma segunda sessão.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/sapotengi2.jpg" align="right" border="0" width="368" height="240" />O pequeno auditório com menos de 300 lugares estava lotado. Gente em pé, escorada nas paredes, sentada pelos corredores, no palco. Outro tanto lá fora aguardando a exibição seguinte. Começa o filme. O estranhamento da primeira sessão de cinema é um fenômeno que merece ser assistido. Eu não sabia se assistia ao filme ou prestava atenção ao público. Risos nervosos, “O<em>lha Fulano! Olha Zé de Beltrana!</em>”, os conhecidos virando estrela, aparecendo gigantescos no pano branco ao fundo. A excitação logo deu lugar ao silêncio, aqui e ali quebrado pelo choro, por soluços. Aquelas pessoas estavam experimentando o cinema em sua forma mais plena, se emocionando, vendo suas próprias vidas – algumas literalmente – na tela grande.</p>
<p align="justify">Genildo, o Neguinho de Zé Ferreira, decidiu dar um fim aos boatos de que era homossexual matando todos que o julgavam assim, a começar pela esposa que teria inventado a história para forçar uma separação. No filme, depoimentos de parentes, colegas de infância, conhecidos, vítimas que escaparam e gritadores de noticiosos policiais. Aliás, a meu ver, o documentário exibe demasiadamente cenas do maldito <em>Aqui, Agora</em> com a caçada ao atirador.</p>
<p align="justify">Homossexual. Traficante. Psicopata. O filme parece querer mostrar que não era nada disso e tenta explicar os motivos que levaram o rapaz de 27 anos a cometer a chacina. A construção do personagem vai sendo feita através dos relatos dos entrevistados que também vão revelando onde se encaixam na história. A história é iniciada em ritmo de série policial moderna, se acalma durante a apresentação do Genildo anterior ao dia do massacre, chega à histeria com as cenas dos telejornais e parece se perder quando tenta recolocar os pés no chão e mostrar os efeitos do ocorrido na vida dos filhos do atirador e dos parentes das vítimas. Dois ou três instantes “artísticos”, pendentes para o docudrama, parecem ter sido esquecidos ali na hora da edição. Não fariam qualquer falta. A imagem do protagonista é pouco utilizada e acaba sendo construída no imaginário do espectador.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/sapotengi3.jpg" align="right" border="0" width="368" height="199" />No geral, o filme funciona bem. Não ousa. Tem início, meio e fim. Cumpre o papel de registrar. Não será exibido em Cannes, não ganhará a Palma de Ouro. Mas ganhou as palmas do público de São Gonçalo que, lembrando seu dia mais triste, viveu uma noite mágica. No lugar de qualquer um da equipe, eu teria ficado orgulhoso com isso. Cheguei como jornalista e fui me transformando em ser humano durante a exibição, contagiado por toda aquela gente de verdade que estava ali, por suas histórias, pelo sangue dado, todos os dias, na luta pela sobrevivência.</p>
<p align="justify">Fui ver um filme e voltei com uma lição sobre falta de respeito, intolerância e suas consequências. O povo de Santo Antônio deve ter aprendido isso há doze anos. Se não, <em>Sangue do Barro</em> deve ter servido para reforçar a lição.</p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback3.jpg" usemap="#Map3" border="0" height="25" /></center></p>
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		<title>Outro atentado ao cinema</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/06/02/outro-atentado-ao-cinema/</link>
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		<pubDate>Tue, 02 Jun 2009 10:17:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Televisão]]></category>

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		<description><![CDATA[Um anúncio para a estreia mundial da série Mental, da Fox, que acontece nesta quarta, 3 de junho, me chamou atenção. Simplesmente pelo fato de ser dublada. Na mesma hora, me deparei com o seguinte texto: Diante do fracasso das &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/06/02/outro-atentado-ao-cinema/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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<p><center"> </center"></p>
<p align="justify">Um anúncio para a estreia mundial da série <strong><em>Mental</em></strong>, da Fox, que acontece nesta quarta, 3 de junho, me chamou atenção. Simplesmente pelo fato de ser dublada. Na mesma hora, me deparei com o seguinte texto:</p>
<blockquote>
<p align="justify"><em>Diante do fracasso das dublagens, que em toda parte tem sido repudiada pelo público, parece que ficou definitivamente afastado este perigo que pesava sobre o cinema. É que devido ao fracasso de seus filmes, filmes destituídos de qualquer valor, como ao tempo em que estavam sozinhos no mercado, e com o término da guerra, alguns produtores americanos procuraram um meio de poder oferecer qualquer coisa diferente aos frequentadores de cinema, e, ao mesmo tempo, conseguir um meio de fazer frente à produção nacional de cada país, apresentando seus filmes como concorrentes, pelo menos na fala. Mas o público que vai ao cinema não gostou de ver e ouvir seu artista predileto falando por uma voz estranha e diferente, e, por mais que fosse perfeito o sistema, o movimento dos lábios nunca seria sincrônico.<br />
</em></p>
<p align="justify"><em>Entretanto, a Metro-Goldwyn-Mayer, cujos filmes não são mais capazes de manter a exclusividade nos seus cinemas lançadores, obrigando-os até a procurar produtores mais pobres, para os quais o Leão olhava com desdém, resolveu apelar para um sistema que sem uso de máquinas falantes, era adotado em países atrasados como a China, onde um comentador ficava junto ao pano da tela explicando a ação do filme. Está claro que aqui não aceitaríamos mais este processo que faz lembrar os nossos filmes falados de 1905, com os artistas cantando e falando por trás da tela, mas pensam os diretores da M.G.M., mesmo porque seria mais barato e pouparia o trabalho de manter um elenco de comentadores, que os seus filmes poderiam voltar a ser mudos, sendo apenas gravada a música e a voz “nacional” de um speaker contando toda a ação.<br />
</em></p>
<p align="justify"><em>Este novo atentado que está sendo perpetrado aqui no Rio, já teve uma apresentação nos bairros, e possivelmente os homens estão tomando fôlego para uma experiência maior em plena Cinelândia. Em que pese os elogios de interessados na gravação, não acreditamos que a coisa vá longe; primeiro, porque o público repudiará mais este logro que se procura fazer-lhe; segundo, porque os aparelhos de gravação custam dinheiro, e não acreditamos que a Metro faça qualquer despesa, se não encontrar quem lhe empreste os gravadores ou quem os troque por publicidade nos programas ou um cantinho no salão de espera&#8230;</em></p>
</blockquote>
<p align="justify">O texto, assinado por <strong>Pedro Lima</strong>, foi publicado na seção <strong><em>Cinelândia</em></strong> da edição de 13 de setembro de 1947 da revista <a href="http://www.memoriaviva.com.br/ocruzeiro" target="_blank"><em><strong>O Cruzeiro</strong></em></a>. A partir do pequeno exercício de futurologia do autor, poderíamos contar várias histórias, abordar vários temas e subtemas a respeito dos caminhos tomados pelo cinema, principalmente o americano, ou do avanço tecnológico que experimentamos durante as seis décadas seguintes.</p>
<p align="justify">Se à época o cinema já era cinquentão, vale lembrar que ele havia evoluído muito pouco em termos de tecnologia. Nesse primeiro meio século de existência, a maior mudança talvez tenha sido mesmo a captação das vozes dos atores, o que há muito não era novidade no final dos anos 40. O idioma falado era um fator extremamente importante para o sucesso de um filme. Não é à toa que vários países tinham fortes núcleos de produção. Todos tinham seu próprio público e não era diferente por aqui. Também não é de se admirar que filmes falados em espanhol ou italiano fizessem sucesso no Brasil. Era mais fácil entendê-los.</p>
<p align="justify">Em 1947, os brasileiros não sonhava com a televisão nem com a discussão de que ela mataria ou não o cinema. Todo mais era pura ficção: <em>videotape</em>, cores, dublagens, legendas, controle remoto, VHS, DVD, SAP, <em>closed caption</em>, TV a cabo, <em>pay per view</em>, TV digital, interatividade do telespectador (que fica cada vez menos <em>tele</em> e menos espectador) que passa a dialogar com a própria tevê de várias formas, etc.</p>
<p align="justify">Mas o “problema” das dublagens nunca deixou de existir. Um filme para a hoje chamada tevê aberta, em geral, é exibido em versão dublada. A tecla SAP é ainda quase inútil. Para um público mais exigente e de maior poder aquisitivo, há os canais que apresentam som original e legendas, o que cria outro desespero para quem entende os dois idiomas, pois tende a ficar “corrigindo” a tradução. Isso pode acontecer por simples (muitas vezes má) adaptação ou mesmo por ignorância do tradutor que geralmente conhece melhor o inglês (para falarmos do idioma mais utilizado) que o português, chegando a inventar palavras. E isso não é exclusividade da garotada que capta filmes, traduz e legenda para colocá-los à disposição na Internet. As traduções e legendas dos canais pagos também não são das melhores.</p>
<p align="justify">Voltemos às dublagens. A revolta de Pedro lá no final da década de 40 pode parecer engraçada frente a todas as mudanças que aconteceriam, mas, pelo menos nas salas de cinema, aqui prevaleceu a utilização do idioma original. Somente filmes para crianças são dublados (e o temor maior será quando não houver necessidade disso!), além de alguns arrasa-quarteirões que também ganham cópias dubladas para atingir um público maior. Mas isto é Brasil. Em outros países, há leis que fazem da dublagem algo obrigatório.</p>
<p align="justify">O que realmente não consigo entender é que, pelo menos nos canais pagos, não tenhamos ainda atingido um nível em que, normalmente, todas as opções estariam disponíveis: som original sem legendas, com legendas, dublado ou ainda com legendas no idioma original. Só temos isso em DVD e, mesmo assim, se a produtora for muito boa e cuidadosa. Provavelmente isso mudará com a tevê digital, mas&#8230; quando ela será uma realidade para a maioria? Tenho a impressão que, no Brasil, em se tratando de tecnologia, evoluímos aos solavancos. Quando já existe uma solução para vários problemas, uma resposta para certa demanda, temos o acesso à aparelhagem, mas ela não funciona na prática nem para a maioria. Então nos acomodamos até que damos outro pulo sem termos aproveitado verdadeiramente a vantagem oferecida por vários sistemas. Foi assim desde sempre. Desde quando a televisão chegou, mas ninguém tinha televisor para assistir o que produzia.</p>
<p align="justify">Interessante também é que a dublagem feita no Brasil é uma das melhores do mundo. Se hoje preferimos o som original e as legendas, ninguém com mais de 30 abriria mão das dublagens das séries exibidas até os anos 80. Até porque nem conhecemos as vozes originais! Quem não lembra e não reconhece até hoje a voz do <strong>detetive Magnum?</strong> Como imaginar <strong>Tom Selleck</strong> sem a voz de <strong>Francisco Millani</strong>? Ou <strong>Bruce Willis</strong> sem a voz de <strong>Newton da Matta</strong>? Quem não reconhece imediatamente “<strong>a voz de da Fran”</strong>, da Família Dinossauro, quando aparece <strong>Anjelica Houston</strong> ou qualquer outra atriz dublada por <strong>Maria Helena Pader</strong>? Temos aqui uma dublagem profissionalíssima, feita por excelentes atores que, não raro, dão mais peso às interpretações do que os atores originais.</p>
<p align="justify">A conclusão que chegamos é que, se bem feita, a dublagem não chega a ser o atentado imaginado por Pedro Lima há mais de sessenta anos. Ela pode até mesmo enriquecer e melhorar algo que originalmente não é tão bom. A arapuca se arma quando é mal feita.</p>
<p align="justify">Quanto a <em>Mental</em>, vou esperar para ver, melhor, escutar se o som será o das vozes originais ou teremos uma versão brasileira. Se o caso for este último, mesmo bem feita, a estratégia de exibir a série ao mesmo tempo em todo o mundo para evitar a cópia e distribuição via Internet não deverá ter muito êxito. O futuro dirá.</p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback3.jpg" usemap="#Map3" border="0" height="25" /></center></p>
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		<title>A TV vai à escola</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/01/19/a-tv-vai-a-escola/</link>
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		<pubDate>Mon, 19 Jan 2009 06:07:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Televisão]]></category>

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		<description><![CDATA[E a escola é o cinema. Tenho a impressão de que a teledramaturgia brasileira ainda conta histórias para um povo o qual ela desconfia ter acesso a nada além de um aparelho de tevê. É verdade que nunca tivemos salas &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/01/19/a-tv-vai-a-escola/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/piafmaysa.jpg" width="600" border="0" height="240" /></p>
<p align="justify">E a escola é o cinema. Tenho a impressão de que a teledramaturgia brasileira ainda conta histórias para um povo o qual ela desconfia ter acesso a nada além de um aparelho de tevê. É verdade que nunca tivemos salas suficientes para chamar o cinema de popular em todo o Brasil. Mas vieram o VHS, o DVD, a Internet e a pirataria generalizada que garante por um real algum filme no camelô mais próximo. Hoje, muito mais gente em qualquer lugar tem mais acesso à produção cinematográfica mundial.</p>
<p align="justify">Ana Paula Arósio apaixonando-se durante uma viagem de navio como em <em>Titanic </em>ou Regina Duarte sendo humilhada em público com um banho de sangue (ou coisa que o valha) como Sissy Spacek em <em>Carrie, a Estranha</em>, são descaramentos, digo, “<em>referências</em>” que já não podem ser tentadas. O jeito é buscar “<em>inspiração</em>” em filmes mais antigos ou não tão populares. <strong>Tião</strong>, em <a href="http://sopaodotiao.blogspot.com" target="_blank">seu Sopão</a>, cinéfilo desde os tempos do cinema mudo e à lenha, traçou paralelos e indicou referências das boas produções recentemente apresentadas pela Globo. Recomendo a leitura e falo aqui de detalhes mal trabalhados e outras “fontes de inspiração” para <em>A favorita</em>, <em>Maysa</em> e mais alguns programas.</p>
<p align="justify">Vi <strong><em>Maysa</em></strong> do primeiro ao último capítulo, comportadinho, tentando não ter um enfisema pulmonar só de vê-la fumando tanto. Todos os cigarros banidos das novelas da Globo na última década foram fumados em <em>Maysa.</em> E aposto que eram Galaxy ou Minister (mentira, nem nicotina tinham). A <em>emburrecenzia</em> geral condenou de cara a fragmentação e total falta de linearidade do roteiro. Vai lá. Concordo em parte. Prefiro nivelar por cima e acreditar que é melhor apresentar às pessoas maneiras menos comuns que o papai-mamãe de início-meio-e-fim, mas concordo que fica meio difícil acompanhar uma história mais longa, dividida em capítulos, dessa forma não cronológica. Em algum momento, mesmo o espectador mais atento acaba se perdendo e já não sabe em que época exatamente determinada ação está acontecendo. Ainda mais pelo fato de que, nos seis momentos de Maysa apresentados na série, a grande e visível diferença da protagonista era o cabelo. A Maysa de Larissa Maciel era invariavelmente linda. A Maysa real, nem sempre. Maysa-Larissa se dizia gorda mas era, no máximo, gostosa. Maysa-Maysa, quando gorda, era gorda mesmo. Mas eu falava da estrutura narrativa que, assim como todo o resto da série, foi uma versão brasileira de <strong><em>Piaf – Um hino ao amor</em></strong>, de 2007, uma das mais impressionantes cinebiografias já produzidas. Se em <em>Piaf</em>, um filme de quase duas horas e meia, o vai-e-vem no tempo incomoda alguns (não a mim; eu adorei), imagine em uma série apresentada durante nove dias. Outro ponto é que a Piaf de Marion Cotillard foi caracterizada de forma magnífica em cada fase e muito merecidamente levou o Oscar de Melhor Atriz e de Melhor Maquiagem. De resto, me pareceu que o projeto de quase uma década de Jaymônico (o que eram aqueles Mentex enfiados nos dentes do menino?!) só foi possível depois de ter surgido <em>Piaf</em>, o filme. Assim fica fácil “ousar”.</p>
<p align="justify">E diferente do infeliz gracejo de que “<em>Maysa é a versão brasileira de Amy Winehouse</em>” (como pode uma versão vir antes do original?), título de artigo na <em>Folha de S. Paulo</em>, pode-se, sim, dizer que <strong>Maysa é a versão brasileira de Piaf</strong>. Menos punk e com menos alcance vocal, mas é uma comparação bem mais realista. Em vários sentidos. Quem não conhece a obra e a história da francesa, corra para a locadora e confira. <em>Maysa – Quando fala o coração </em>não terá conseguido estragar nada de <em>Piaf – Um hino ao amor</em>.</p>
<p align="justify">Já sobre <strong><em>A Favorita</em></strong>, também muito se falou da ousadia da narrativa em relação ao comum nas novelas brasileiras. No início, por não definir quem era a mocinha e quem era a bandida (e que bandida! já <strong>estou com saudades da Flora</strong>. “<em>Tiro dói, hein?</em>”; “<em>Pra que hospital? Não vai ser necessário</em>”; “<em>Não tem problema. Depois você psicografa</em>”); nos últimos meses, pelo ritmo alucinante com grandes dramas e revelações a cada capítulo. Isso também tem inspiração recente. Quem leu <strong><em>O Código da Vinci</em></strong> percebeu logo quando “<em>o truque</em>” começou a ser usado em <em>A Favorita</em>. O interessante é que aqui aconteceu o contrário do caso anterior, Piaf-Maysa. A trama, por ser dividida em capítulos na novela, funcionou muito melhor do que a versão para cinema do livro. No filme, o tempo entre as muitas novidades e revelações é tão próximo que não é possível aproveitá-las. Qualquer um que tenha lido o livro antes e visto o filme sabe bem do que estou falando. O livro tem capítulos curtos, nervosos, cada um apresentando uma novidade que já é esclarecida para que logo seja mostrado outro mistério. Na novela, esse artifício funcionou perfeitamente. Quem não queria sempre assistir ao capítulo seguinte nos últimos dois meses da história?</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/mariana.jpg" width="186" align="right" border="0" height="240" />Mas se o autor da novela ousou na narrativa, não conseguiu – ou muito mais provavelmente não pôde – ousar no desenvolvimento de outras histórias dentro da trama. O eterno medo da Globo em escancarar relacionamentos homossexuais já não se discute. O jovem indeciso sobre sua sexualidade e a quarentona que depois de sofrer horrores nas mãos do marido brutamontes resolve ter outras experiências são histórias comuns no mundo real, mas ainda tabu nas novelas da emissora. Com a delicadeza que só um gay sabe ter, o autor deixou Catarina soltar um “<em>Ai, que medo, essa viagem!</em>”, enquanto embarcava na aventura com Stela. Perde o público, que continua fechado em um moralismo jurássico e é impedido de discutir um tema que finge não existir, mas com o qual é obrigado a conviver. Porém, a história não desenvolvida que mais me tocou foi a da <strong>gravidez de Mariana</strong>, filha de Catarina e Leo. A garota fugiu para o Rio, não fez nada por lá, quando voltou descobriram que estava grávida e nunca disse quem era o pai da criança. Para quem de alguma forma lida com histórias (escritores, roteiristas, diretores, leitores, cinéfilos, etc), existe alguma facilidade em ler nas entrelinhas. Já o público noveleiro, a grande massa que acompanha uma novela como o grande entretenimento de sua vida, que discute com o vizinho o que aconteceu no capítulo de ontem, acaba não percebendo certos cortes e dribles a censuras internas. Também de forma muito sutil, no último capítulo, quando Leo aparece e encontra a filha Mariana com seu bebê no colo, escuta um “<em>Não toca nela! O senhor não vai fazer com ela <strong>o que fez comigo</strong></em>”. Ele diz: “<em>Eu sou o que sou, filha</em>” e “<em>Eu vou sentir muita saudade de você, minha filha</em>”, enquanto o olhar dela foge e demonstra repugnância. Será que todo mundo entendeu que a criança era do Leo? Que ele engravidou a própria filha? Que isso é algo velado, mas infelizmente muito comum em casas onde o macho-bruto-alcoólatra abusa sexualmente das próprias filhas? É a história que foi revelada pouco antes do início da novela e chocou o mundo: a do austríaco que manteve a filha presa por 24 anos e a engravidou seis vezes. É a história que está acontecendo neste instante em muitas casas no Brasil.</p>
<p align="justify">Gostaria de ver uma <strong>novela, a forma mais poderosa de se contar uma história em nosso país</strong>, cumprir suas funções sociais. Dentre outras, a de debater e esclarecer certos temas. Mas parece que ainda não estamos tão preparados para isso. Pelo menos o nível começa a melhorar e a busca por referências na história do cinema faz com que as histórias sejam mostradas de forma menos abobalhada. Ainda sobre as recentes produções, temos outros exemplos como <strong><em>Decameron</em></strong> (que vai virar série e sobre o qual <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/01/04/decameron/">falei há poucos dias</a>) e <strong><em>Aline</em></strong>. Ambas com grande potencial para discutir temas considerados tabus. <em>Aline</em> se mostrou uma grande colcha de retalhos de ícones pop a ponto de reeditar <a href="http://www.youtube.com/watch?v=NDHPTvADJ9s" target="_blank">uma cena de <em>Bande à part</em></a>, de Godard, <a href="http://www.youtube.com/view_play_list?p=1AD7AC36EA0F0F11&amp;playnext=1&amp;v=yntX85eQiI0" target="_blank">com uma música de Amy Winehouse</a>.</p>
<p align="justify">Tudo isso faz lembrar que o <strong>Velho Guerreiro</strong> estava certo ao dizer que “<em>na televisão, nada se cria, tudo se copia</em>”. Só espero que em vez de chupações descaradas, prevaleçam a boa escolha e o uso honesto de grandes referências. Subindo o nível, talvez um dia possamos usar de forma positiva um dos bordões de <strong>Bolinha</strong>, outro grande animador popular: “<em>É disso que o povo gosta!</em>”.</p>
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