<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Sempre Algo a Dizer &#187; Política</title>
	<atom:link href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/category/politica/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo</link>
	<description></description>
	<lastBuildDate>Wed, 01 Feb 2012 11:00:20 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.3</generator>
		<item>
		<title>Nós somos o mundo</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/02/11/nos-somos-o-mundo/</link>
		<comments>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/02/11/nos-somos-o-mundo/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 11 Feb 2010 07:54:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Anos 80]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/?p=501</guid>
		<description><![CDATA[Envie a eles seu coração Assim saberão que alguém se importa com eles E suas vidas serão mais fortes e livres (Dionne Warwick em We are the World) Tenho três filhos. Aimée, a primeira, está completando 17 anos hoje. É &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/02/11/nos-somos-o-mundo/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/02/11/nos-somos-o-mundo/&amp;text=Nós somos o mundo&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em>Envie a eles seu coração<br />
Assim saberão que alguém se importa com eles<br />
E suas vidas serão mais fortes e livres</em><br />
(Dionne Warwick em <em>We are the World</em>)</p>
<p style="text-align: justify;">Tenho três filhos. Aimée, a primeira, está completando 17 anos hoje. É difícil explicar a ela – e acredito que será muito mais para os dois mais novos, atualmente com 10 e (quase) 5 anos – que já existiu um mundo sem Internet, que precisávamos esperar para ter determinada informação, no qual artistas eram ativistas políticos e humanitários e faziam músicas que varriam o planeta, fazendo com que as pessoas parassem e pensassem que havia algo muito maior e mais importante que suas próprias vidas, que deveriam agir para transformar esse mundo em um lugar mais justo e melhor para se viver.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 1982, eu tinha 10 anos – idade atual de Ananda, minha filha do meio –, e escutei uma música, em inglês, que me tocou de alguma forma. Eu não entendia nada do que ela dizia além da palavra que lhe dava título e era repetida algumas vezes: <em>Africa</em>. Qualquer manifestação artística honesta e bem realizada desconhece barreiras de linguagem. Essa canção foi feita por excelentes músicos populares que sabiam como transpor essas barreiras. A impressão que ela me deixou, até hoje, é que começava de uma forma melancólica mas esperançosa e, em determinado momento, pouco antes do refrão, fazia uma convocação para, na sequência, ganhar outras vozes reafirmando uma necessidade urgente.</p>
<p><center><br />
<object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/9NuA7AripfU&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/9NuA7AripfU&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object><br />
</center></p>
<p style="text-align: justify;">Certamente demorou algum tempo, alguns anos talvez, para que eu soubesse que era realmente isso.  A voz se elevava ao dizer “<em>Hurry, boy, it&#8217;s waiting there for you</em>” (em uma tradução livre: <em>Rápido, garoto, tudo está lhe esperando por lá</em>). No refrão, dizia em coro: <em>There&#8217;s nothing that a hundred men or more could ever do (&#8230;) /Gonna take some time to do the things we never had </em>(<em>Não há nada que uma centena de homens ou mais não possa fazer (&#8230;) /Vai levar algum tempo para fazer as coisas que nunca fizemos</em>).</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/watw_big.jpg" target="_blank"><img class="alignright size-full wp-image-502" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/02/wearetheworld.jpg" alt="" width="288" height="347" /></a>Devo ter recebido essa informação por volta de 1985, quando já bombardeados com as muitas imagens da fome na África – a maioria pela TV, durantes os telejornais –, vimos um grupo de artistas (naquele tempo havia artistas de verdade, não meras “celebridades”) se unir, criar e cantar uma música que virou um verdadeiro mantra, que por si só parecia ter a força de executar mudanças gigantescas: <em>We are the World</em>. Para mim, um adolescente de 13 anos, ela parecia ganhar mais força quando entrava alguma das vozes dos astros do pop rock que eu costumava ouvir. Aquelas vozes mais conhecidas falavam diretamente a mim: Tina Turner dizendo que somos todos parte da fantástica família de Deus; Michael Jackson, de uma forma muito doce, dizendo que somos o mundo, somos as crianças; mais adiante, caso alguém não tivesse entendido, a voz rouca e poderosa de Bruce Springsteen repetindo isso de outra forma; e o esclarecimento era dado pela voz de Cindy Lauper, dizendo que deveríamos perceber que a mudança só poderia vir quando nós nos juntássemos e resistíssemos como se fossemos um só.</p>
<p style="text-align: justify;">Acredito que a experiência de <em>We are the World</em> só possa ser plenamente entendida por quem viveu aquela época. Não podíamos baixar o clipe para um computador ou vê-lo no <em>YouTube</em> a qualquer instante. Não havia nem videocassetes. Tínhamos que esperar a música ser executada em uma rádio ou o vídeo ser exibido na TV. Quando isso acontecia, todos corriam, aumentavam o som e, mesmo sem saber direito o que estavam falando, cantavam junto, fazendo parte daquele coro: <em>We are the world, we are the children / We are the ones who make a brighter day.</em> Era um momento de oração. Depois, comprando o LP e com isso contribuindo para combater a fome na África, podíamos “rezar” mais vezes.</p>
<p><center><br />
<object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/jzw6GiqZyD0&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/jzw6GiqZyD0&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object><br />
</center></p>
<p style="text-align: justify;">Hoje, 25 anos depois, Quincy Jones e Lionel Richie, dois dos idealizadores daquele momento, reúnem um novo time para fazer <em>We are the World &#8211; 25 for Haiti</em>, que será lançado nesta sexta, 12 de fevereiro, durante a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno de Vancouver. Um quarto de século depois, o mundo está muito diferente, totalmente conectado. A informação chega imediatamente a qualquer lugar do planeta e pode ser acessada e repassada a qualquer momento, quantas vezes for preciso. Muita coisa mudou, mas não a nossa incapacidade de resolver os problemas dos nossos irmãos mais necessitados.</p>
<p><center><br />
<object width="560" height="340"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/Glny4jSciVI&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/Glny4jSciVI&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="560" height="340"></embed></object><br />
</center></p>
<p style="text-align: justify;">Duvido que alguém discorde da afirmação de que hoje as pessoas são muito mais insensíveis do que 25 anos atrás. O problema da fome na África continua e a ele se aliou o da AIDS que, até agora, já matou o equivalente a uma vez e meia a população da cidade de São Paulo. E há outro tanto desses vivendo com o vírus. Não fomos capazes de deter isso e ainda fazemos previsões para um futuro pior. Em 15 anos, mais de 200 milhões – mais do que toda a população atual do Brasil – estarão infectados com o HIV na África.</p>
<p style="text-align: justify;">A situação do Haiti não é diferente. <em>Noventa por cento dos 5 milhões de haitianos são subalimentados. Há seis médicos para cada 100 mil habitantes. A expectativa de vida não chega a 50 anos. Noventa por cento da população é analfabeta e 73% das crianças com menos de 14 anos nunca foram à escola. O desemprego e o subemprego são da ordem dos 70%.</em> E o que você acabou de ler não é uma informação divulgada recentemente, por conta do terremoto que matou mais de 230 mil pessoas. Você leu um parágrafo de uma matéria de agosto de 1973 da revista <em>Realidade</em>. Quase quatro décadas depois, a realidade é bem pior.</p>
<p style="text-align: justify;">Há duas coisas que não consigo entender: como não conseguimos aprender com nossos erros e como bilhões de pessoas não conseguem impedir que alguns poucas deixem milhões de outras nessa situação por décadas e até séculos. Grande parte dos 5 milhões dos quais falava a matéria de <em>Realidade</em> em 1973 já morreu. Surgiram pelo menos duas outras gerações, hoje cerca de 8 milhões de pessoas, que já nasceram condenadas a esse mesmo tipo de existência.</p>
<p style="text-align: justify;">Naqueles dias de 1985 em que o mundo estava cantando <em>We are the World</em>, Baby Doc, então presidente dito vitalício do Haiti, comemorava 14 anos de sua chegada ao cargo, transmitido por seu Papai Doutor (Papa Doc), que passou seus 28 últimos anos de boa vida vampirizando o país.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-503" style="border: 0pt none;" title="babydoc" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/02/babydoc.jpg" alt="babydoc" width="500" height="555" /></p>
<p style="text-align: justify;">No ano seguinte, 1986, Baby Doc e família fugiram para a França. Somente quatro anos depois, o Haiti teria o que é considerado como sua primeira eleição livre. O eleito foi o padre Jean-Bertrand Aristide, que também sofreu golpes e ficou em um vai-e-vem no cargo até 2004, quando foi retirado do país por tropas americanas. Aristide acabou se refugiando na África do Sul, outro país com um povo extremamente sofrido – a parte negra, para não fugir à regra.</p>
<p style="text-align: justify;">Não pretendo me estender nem falar agora sobre esse completo absurdo chamado Apartheid, que durou mais de meio século. Quero apenas terminar lembrando o maior símbolo de resistência contra esse regime de separação, Nelson Mandela, que passou quase três décadas preso pelo “crime” de defender a igualdade de direitos para todos os homens, independente de cor. Hoje, 11 de fevereiro de 2010, faz 20 anos que Mandela foi libertado.</p>
<p style="text-align: justify;">Naqueles conturbados anos 80, quando parecíamos mais dispostos a lutar por um mundo melhor, ele ainda estava preso. Além de <em>Africa </em>(1982) e <em>We are the World</em> (1985), quem viveu aqueles tempos também deve lembrar outra canção que marcou a década: <em>Mandela Day</em> (1988), do Simple Minds. Era o mundo pedindo a libertação de um homem, de um símbolo de resistência e de humanidade. Nós realmente acreditávamos que éramos <em>O</em> mundo e não só a parte mais egoísta dele. Desejo que as gerações que viram sua história continuem inspiradas por seus ideais. E que, como é dito em um dos versos da música feita para ele, as crianças continuem conhecendo a história desse homem. Talvez ainda haja tempo de revermos esse roteiro que parece levar sempre ao mesmo fim. Talvez ainda sejamos fortes e suficientemente humanos para mudarmos nossa História.</p>
<p><center><br />
<object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/FFnJmz5pWc4&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/FFnJmz5pWc4&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object><br />
</center></p>

<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/02/11/nos-somos-o-mundo/&amp;text=Nós somos o mundo&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/02/11/nos-somos-o-mundo/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Desencontro da Paz</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/10/10/desencontro-da-paz/</link>
		<comments>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/10/10/desencontro-da-paz/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 10 Oct 2009 08:30:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Livre pensar]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/10/10/desencontro-da-paz/</guid>
		<description><![CDATA[Barack Obama, ganhador do Nobel da Paz, foi o assunto da sexta, 9. No mundo inteiro, nos telejornais, na Internet. Mas um detalhe irônico não foi comentado aqui no Brasil. Esperei o Jornal Nacional e nada. Então joguei no Twitter: &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/10/10/desencontro-da-paz/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/10/10/desencontro-da-paz/&amp;text=Desencontro da Paz&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Barack <img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2009/10/obama_lama.jpg" alt="obama_lama.jpg" align="right" border="0" />Obama, ganhador do Nobel da Paz, foi o assunto da sexta, 9. No mundo inteiro, nos telejornais, na Internet. Mas um detalhe irônico não foi comentado aqui no Brasil. Esperei o <em>Jornal Nacional</em> e nada. Então joguei no <em>Twitter</em>: Ninguém falou que o Nobel da Paz 2009 não recebeu o Nobel da Paz de 1989, o Dalai Lama, que está nos EUA?</p>
<p align="justify">É provável que você lembre de pelo menos dois ganhadores do Nobel da Paz dos últimos vinte anos: Dalai Lama (1989) e Nelson Mandela (1993). Duas personalidades inegavelmente inspiradoras e ligadas ao tema “Paz”. Não que outras não sejam, mas quase sempre estavam relacionadas a fatos ou movimentos menos conhecidos, digamos, de menor apelo universal: campanha em favor dos povos indígenas na Guatemala; por uma solução pacífica para os conflitos na Irlanda do Norte; ativismo pelos direitos humanos no Quênia, etc. Não são menos merecedores ou importantes, mas é impossível não perceber a relevância de nomes como os de Nelson Mandela e Tenzin Gyatso, o Dalai Lama. Este, por ser também um líder religioso carismático e viajar constante pelo mundo, é sempre o primeiro a ser lembrado.</p>
<p align="justify">Na segunda-feira passada, 5 de outubro, o Dalai Lama chegou aos Estados Unidos. Pela primeira vez, desde que começou a visitar o país, em 1991, não foi recebido pelo presidente. Ironicamente, quatro dias depois, com o Dalai Lama ainda em território americano, o presidente Obama é anunciado ganhador do Nobel da Paz.</p>
<p align="justify">Quando o Dalai Lama se viu obrigado a deixar o Tibete, em 1959, Barack Obama nem havia sido concebido.  O primeiro tem uma luta de meio século mundialmente reconhecida; o segundo é uma promessa. Quem deveria negar-se a receber quem? É uma pergunta retórica. Até porque o Dalai Lama receberia qualquer um, inclusive Obama.</p>
<p align="justify">O fato é que os dirigentes de países que mantêm relações diplomáticas com a China evitam recebê-lo. E, claro, isso não é gratuito. A cada anúncio de viagem líder tibetano, o governo chinês “pede” que o governo do país visitado não o receba. Quando esteve no Brasil em 1999, o então presidente Fernando Henrique esteve com ele por 15 minutos, em caráter não oficial, na casa de Antônio Carlos Magalhães (que era presidente do Senado). Ainda assim, o Itamaraty sambou miudinho e deu satisfações a Pequim. Na visita mais recente, em abril de 2006, Tenzin Gyatso esteve com o então ministro Gilberto Gil e outras autoridades políticas. Lula? Devia estar viajando.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2009/10/bush_lama.jpg" alt="bush_lama.jpg" align="right" border="0" />Nenhum presidente americano havia se rendido a esse “capricho chinês”. Os senhores da guerra, Bush pai e Bush filho, estiveram com Tenzin Gyatso. O pacificador Obama não.</p>
<p align="justify">O Dalai Lama disse, em entrevista, que não queria “criar inconveniência a ninguém” e que não estava desapontado por não ser recebido pelo presidente americano. Ainda em Washington quando o vencedor do prêmio foi anunciado, parabenizou Obama. Em carta, disse ao presidente que o comitê do Nobel “reconheceu seus esforços para a resolução de conflitos internacionais através da sabedoria e do poder do diálogo”.</p>
<p align="justify">Acredito que Obama assumiu uma responsabilidade gigantesca ao ser eleito presidente. O Nobel da Paz foi o cheque em branco que o comitê do prêmio passou a ele “em nome do mundo”, uma espécie de “<em>yes, you can</em>”. Não acredito que ele tenha um <em>karma</em> tão bom quando o do Dalai Lama. A começar por essa esnobada e pelas rédeas “impostas pela diplomacia”, duvido que tenha liberdade para agir como e causar o efeito que o líder tibetano consegue.</p>
<p align="justify">Se eu tivesse que votar em alguém para representar os ideais de Paz, votaria em um espírito livre e iluminado. Se tivesse que apostar em alguém para salvar e mudar a humanidade, apostaria em quem age com o coração. Mas o mundo está cada vez mais estranho. A nova Paz não recebe a que conhecíamos. Já não sabemos muito bem o que ela é e nem como é sua cara. Apenas acreditamos que um dia a encontraremos.</p>

<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/10/10/desencontro-da-paz/&amp;text=Desencontro da Paz&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/10/10/desencontro-da-paz/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Uma aula com mestre Brito</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/01/20/uma-aula-com-mestre-brito/</link>
		<comments>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/01/20/uma-aula-com-mestre-brito/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 20 Jan 2009 07:23:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ditadura militar]]></category>
		<category><![CDATA[Fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Memória Viva]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/01/20/uma-aula-com-mestre-brito/</guid>
		<description><![CDATA[Era para ser só um papo, desses bem informais, coisa de colegas. Isso sendo eu um poço de pretensão para chamar Orlando Brito de colega, afinal ele já era um nome bem conhecido e trabalhava na Veja quando eu ainda &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/01/20/uma-aula-com-mestre-brito/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/01/20/uma-aula-com-mestre-brito/&amp;text=Uma aula com mestre Brito&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/brito.jpg" border="0" /></p>
<p align="justify">Era para ser só um papo, desses bem informais, coisa de colegas. Isso sendo eu um poço de pretensão para chamar <strong>Orlando Brito</strong> de colega, afinal ele já era um nome bem conhecido e trabalhava na <em>Veja </em>quando eu ainda estava deslumbrado por ser um <em>universotário</em> de Jornalismo. Assim, o que era para ser um papo virou uma aula.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/vejaulis.jpg" width="288" align="right" border="0" height="181" />Quem não é da área, pode não estar ligando o nome à pessoa, ou melhor, o nome às imagens. Orlando Brito é o responsável por várias das fotos mais marcantes da História política brasileira desde a época da ditadura militar. Foram 14 anos de <em>O Globo</em>, 16 de <em>Veja</em> e, nos últimos tempos, em sua própria agência, a <a href="http://www.obritonews.com.br" target="_blank"><em>Obritonews</em></a>, para falarmos somente de uma parte dos seus <strong>mais de 40 anos de fotojornalismo</strong>.</p>
<p align="justify">A conversa começou no saguão de um hotel com ares de depoimento para o <a href="http://www.memoriaviva.com.br" target="_blank"><strong><em>Memória Viva</em></strong></a> e terminou numa pizzaria com lembranças e histórias comuns sobre Brasília. Brito tem um jeito manso de falar, bem calmo, como todo bom mineiro. Logo fui percebendo que mais do que registrar a História, ele ajudou a construir a memória do país. Dentre suas fotos mais famosas, está aquela que mostra o perfil de <strong>Ulisses Guimarães</strong>, desenhado por um contraluz, e que foi uma das 113 capas que fez para <em>Veja</em>. Um único fotograma feito na semana da morte do deputado. “<em>Uma foto premonitória</em>”, como disse ele. Não deve ter ficado entranhada apenas em minha memória pois, passados 16 anos, a própria <em>Veja </em>apresentou uma malfadada versão, em fevereiro do ano passado, para falar da “aposentadoria” de Fidel. Ao ver a capa sobre o ditador cubano, Brito teve a impressão de já conhecê-la.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/congresso.jpg" width="360" align="left" border="0" height="174" />Pode ter sido uma “homenagem ao mestre”. É realmente impressionante como certas imagens ficam em nosso baú de memórias e podem ser acessadas a qualquer momento. Falando sobre outras capas, ele conta a história de um ensaio com Dante de Oliveira, deputado federal responsável pela emenda constitucional que propunha o restabelecimento das eleições diretas e que acabou inspirando o movimento Diretas Já. Ele seria capa de uma edição de abril de 1984, mas a foto de uma placa de trânsito, na qual se lia “<strong><em>Devagar</em></strong>”, bem em frente ao Congresso, dizia muito mais que um retrato do deputado. A revista circulou uma semana antes de eu completar 12 anos de idade e, naquela época, política ainda não era um assunto que chamava minha atenção. Mais de duas décadas depois, em 2005, em pleno escândalo do mensalão, <strong>fiz uma foto de uma placa de trânsito com o congresso ao fundo</strong>. Ela sinalizava um declive acentuado e a imagem sugeria, obviamente, que os parlamentares estavam “descendo a ladeira” com a tal venda de votos. Jurava que já tinha visto aquela idéia em algum lugar. No papo com Brito, finalmente veio a lembrança.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/britomol.jpg" width="288" align="right" border="0" height="202" />Já na pizzaria, na companhia de <a href="http://canindesoares.blog.digi.com.br/blog/" target="_blank"><strong>Canindé Soares</strong></a> e Rodrigo, assistente de Brito, começamos a perceber que tínhamos conhecidos em comum, em Brasília. Mas a maior coincidência foi descobrir que fizemos um trabalho muito parecido, de digitalização de imagens de Juscelino Kubistchek a partir do acervo de revistas <a href="http://www.memoriaviva.com.br/ocruzeiro" target="_blank"><em><strong>O Cruzeiro</strong></em></a> no Memorial JK. Para encerrar essa (que, espero, tenha sido só a primeira) aula de História do fotojornalismo brasileiro, ganhei um exemplar de <strong><em>Corpo e Alma</em></strong>, seu quinto livro, publicado em 2006, e que você não vai encontrar por aí, pois não foi comercializado em livrarias. Para fomentar ainda mais a inveja, aí está uma imagem das mais de duzentas publicadas nele. O livro “funciona” assim: primeiro você quer engolir todas as imagens de uma só vez; depois quer ver cada uma demoradamente; e depois quer ver cada uma outra vez, perceber os detalhes, imaginar as histórias por trás dela, comungar com o momento do registro. Imagens para outros belos álbuns de Orlando Brito não faltam. Fora tudo que já fez em mais de quatro décadas e que guarda cuidadosamente, ele está trabalhando na produção de pelo menos mais quatro livros: dois em parceria com outros fotógrafos e tendo o futebol como tema, um sobre índios e outro sobre o universo que conhece muito bem, o do Poder. Mais detalhes e muitas outras histórias iremos conferir no material que será colocado no <a href="http://www.memoriaviva.com.br" target="_blank"><em><strong>Memória Viva</strong></em></a>, em fevereiro. Fiquem espertos e não percam.</p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback3.jpg" usemap="#Map3" border="0" height="25" /></center></p>
<map name="Map3">
<area href="http://feeds.feedburner.com/semprealgo" shape="rect" coords="410,0,510,23" />
<area shape="rect" coords="257,0,370,24" alt="Logo abaixo em  COMMENTS" />
<area href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/atualizacoes-por-email" shape="rect" coords="0,1,228,26" /> </map>

<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/01/20/uma-aula-com-mestre-brito/&amp;text=Uma aula com mestre Brito&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/01/20/uma-aula-com-mestre-brito/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>E quando ela se zanga</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/05/13/e-quando-ela-se-zanga/</link>
		<comments>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/05/13/e-quando-ela-se-zanga/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 14 May 2008 02:30:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/05/13/e-quando-ela-se-zanga/</guid>
		<description><![CDATA[Lá vai Marina andar mais uns metros para chegar ao trabalho. Para voltar ao Senado, onde deixou saudades. Foi um efeito borboleta às avessas. A terra tremeu na China e a nossa borboletinha bateu asas aqui no Planalto Central. Marina &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/05/13/e-quando-ela-se-zanga/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/05/13/e-quando-ela-se-zanga/&amp;text=E quando ela se zanga&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/marina1.jpg" align="right" height="352" width="248" />Lá vai <strong>Marina</strong> andar mais uns metros para chegar ao trabalho. Para voltar ao Senado, onde deixou saudades.</p>
<p align="justify">Foi um efeito borboleta às avessas. A terra tremeu na China e a nossa borboletinha bateu asas aqui no Planalto Central.</p>
<p align="justify">Marina é uma figura fisicamente frágil. Mas tem um espírito danado de forte. Fez a parte dela e agüentou enquanto pôde essa luta inglória que é defender a Natureza. Particularmente, acho que ela (a Natureza) sabe se cuidar muito bem e já começou a mostrar que se cansou de todas as sacanagens sofridas.</p>
<p align="justify">Marina, menina pobre. Marina seringueira. Marina ambientalista. Marina amiga e companheira de luta de <strong>Chico Mendes</strong>. Marina senadora. Marina ministra. Marina de novo pronta a fazer barulho na tribuna.</p>
<p align="justify">“<em>Se não sou capaz de mudar alguma coisa aqui e agora, seguramente não serei capaz de mudar no futuro</em>”, deve, finalmente, ter pensado. A frase é de <strong>Betinho</strong>, mas está na <em><strong>Revista da Marina</strong></em>, publicada por seu gabinete, em agosto de 2001, quando eu desembarcava em Brasília e começava a trabalhar no Senado.</p>
<p align="justify">No ano seguinte, pensei em uma “<strong>campanha de humanização</strong>” que, dentre outras coisas, contaria com a apresentação de fotos dos senadores quando crianças, talvez até em crachás – usados por eles – em alguns momentos (idéia ainda mais estúpida que tentar defender a Amazônia). Marina estava em tratamento de saúde quando estive em seu gabinete e não tive o prazer de vê-la mais de perto, de falar com ela. Muitas vezes a vi atravessando os corredores do Senado, passinho lento, discreta, quase sempre sozinha.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/marina2.jpg" align="left" border="0" height="216" width="158" />Essa é uma das imagens que guardo dela. A outra está aí ao lado. É a primeira foto de Marina, já uma adolescente. “<em>Mas eu queria uma foto em que ela aparecesse mais novinha, criancinha</em>”, expliquei. Mas não existe. Esta foi a primeira. A família não tinha dinheiro para ter uma máquina ou mesmo uma vida social na qual surgisse uma foto. A pobreza era tamanha que não permitia registros. Era uma história para ser esquecida. Ou gravada apenas na alma.</p>
<p align="justify">Lição de humildade aprendida. Já quase ao final do primeiro mandato como senadora, os filhos mais novos iam à escola a pé ou de ônibus. O carro da família havia acabado de ser comprado. À prestação. Marina não tem deslumbres. Acreditava que pudesse fazer algo no Ministério. Se desistiu – e acho que demorou muito – é porque achou melhor voltar ao seu habitat natural, onde pode ser mais ativa, onde pode se fazer ouvida.</p>
<p align="justify">Nos 120 anos da Lei Áurea, Marina fez-se livre. Com as bênçãos de <strong>Caymmi</strong>, só peço, Marina, você faça tudo, mas faça um favor: continue sendo esse exemplo de honestidade, força e perseverança. A luta é inglória, repito, mas não está perdida.</p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback.jpg" usemap="#Map" border="0" height="25" /></center></p>

<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/05/13/e-quando-ela-se-zanga/&amp;text=E quando ela se zanga&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/05/13/e-quando-ela-se-zanga/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Mais um ponto para Dilma</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/05/08/mais-um-ponto-para-dilma/</link>
		<comments>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/05/08/mais-um-ponto-para-dilma/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 08 May 2008 17:43:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/05/08/mais-um-ponto-pra-dilma/</guid>
		<description><![CDATA[Tentei segurar os dedos para não comentar sobre a audiência de Dilma Roussef, ontem, no Senado. Mais precisamente sobre o infeliz momento em que o senador José Agripino usou palavras da ministra em uma entrevista – sobre ter mentido muito &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/05/08/mais-um-ponto-para-dilma/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/05/08/mais-um-ponto-para-dilma/&amp;text=Mais um ponto para Dilma&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/dilma3.jpg" align="right" border="0" height="221" width="300" />Tentei segurar os dedos para não comentar sobre a audiência de <strong>Dilma Roussef</strong>, ontem, no Senado. Mais precisamente sobre o infeliz momento em que o senador <strong>José Agripino</strong> usou palavras da ministra em uma entrevista – sobre ter mentido muito quando torturada durante a ditadura – para dizer que tinha “<strong><em>medo de estarmos voltando ao regime de exceção</em></strong>”.</p>
<p align="justify">Dos telejornais da noite de ontem aos diários impressos de hoje, todos comentaram sobre a “<strong>insensibilidade</strong>” do senador. Insensibilidade, não. <strong>IMBECILIDADE. </strong></p>
<p align="justify">Só mesmo um <strong>filhote da ditadura</strong>, que teve sua vida política inaugurada como prefeito biônico, poderia fazer uma comparação tão estúpida. Em todos os sentidos. <strong>Pelo ridículo</strong> de tratar as atrocidades cometidas pela ditadura em “nome da lei e da ordem” como uma situação comum; <strong>pela incapacidade</strong> de perceber que isso enterraria de vez qualquer possibilidade de ataque à ministra <strong>e pela cara-de-pau</strong> de ser ele a dizer que “<em>tem medo de estarmos voltando ao regime de exceção</em>”. Vale lembrar: “<strong><em>estado de exceção</em></strong>”, “<em><strong>regime de exceção</strong></em>” são termos água de colônia utilizados para disfarçar o mau cheiro daquilo que atende pelo nome de ditadura. <strong>Termos utilizados somente por seus criadores, mantenedores e beneficiários.</strong></p>
<p align="justify"><em>A palavra é prata, o silêncio é ouro</em>; há milênios ensina a sabedoria chinesa. Impagável <a href="http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM824778-7823-PARA+GOVERNO+DILMA+VENCEU+TESTE+POLITICO,00.html" target="_blank">a cara de “<em>Putz, fiz merda!</em>” de Agripino</a> na hora em que Dilma começou a responder. Definitivamente, ele perdeu uma bela oportunidade de ficar calado. Disse o que queria, ouviu o que DEVERIA. O país teve a oportunidade de assistir a <strong>uma histórica lição pública</strong>, de um reavivamento sobre os absurdos de uma época que não se pode esquecer para que jamais se repita. Pena que os capatazes e o gado estivessem mais concentrados no espetáculo de uma prisão televisionada.</p>
<p align="justify">Qualquer pessoa pode ser contrária ao governo que Dilma representa, às suas idéias e até ao seu jeito, mas <strong>sua personalidade e seu caráter são admiráveis</strong>. Artigos raríssimos no meio político brasileiro.</p>
<p align="justify"><strong>Textos relacionados<br />
</strong><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/03/08/dilma-e-a-atualizacao-do-passado">Dilma e a atualização do passado</a><br />
<a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/04/22/agripino-pode-mandar-enquadrar">Agripino? Pode mandar enquadrar.</a></p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback.jpg" usemap="#Map" border="0" height="25" /><br />
<map name="Map">
<area shape="rect" coords="257,0,370,24" alt="Logo abaixo em  COMMENTS" />
<area href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/atualizacoes-por-email" shape="rect" coords="0,1,228,26" alt="Clique e cadastre seu e-mail" /> </map>
<p> </center></p>

<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/05/08/mais-um-ponto-para-dilma/&amp;text=Mais um ponto para Dilma&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/05/08/mais-um-ponto-para-dilma/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Ecos de 68</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/04/26/ecos-de-68/</link>
		<comments>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/04/26/ecos-de-68/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 26 Apr 2008 06:17:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/04/26/ecos-de-68/</guid>
		<description><![CDATA[Apesar de ser um leitor compulsivo, meu relacionamento com a leitura de livros, especificamente, não é do tipo “simples devorador”. Há várias nuances sobre as quais pretendo tratar em breve, numa série sobre o prazer de ler. Abordo o assunto &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/04/26/ecos-de-68/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/04/26/ecos-de-68/&amp;text=Ecos de 68&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/1968.jpg" align="right" border="0" height="265" width="168" />Apesar de ser um leitor compulsivo, meu relacionamento com a leitura de livros, especificamente, não é do tipo “<em>simples devorador</em>”. Há várias nuances sobre as quais pretendo tratar em breve, numa série sobre o prazer de ler. Abordo o assunto agora apenas para dizer que uma das facetas desse relacionamento é o de ler, de tempos em tempos, um mesmo livro. Nessa lista de releituras estão, dentre outros, <em>A metamorfose</em>, de Kafka; <em>A Polaquinha</em>, de Dalton Trevisan; <em>Vidas Secas</em>, de Graciliano Ramos; e <em><strong>1968 – O ano que não terminou</strong></em>, de <strong>Zuenir Ventura</strong>.</p>
<p align="justify">O livro foi lançado em 1988, coincidindo com minha entrada na universidade. Comprei e li no mesmo ano, em uma edição do <em>Círculo do Livro</em>. Em 1998, li de novo. E mais uma vez agora em 2008. Vinte, trinta e quarenta anos depois dos fatos narrados nele. O tema vai ficando mais familiar e ao entendimento são somados outros conhecimentos e minha própria experiência.</p>
<p align="justify">Desta última vez, não saía de minha cabeça o fato de aquela geração estar, finalmente, no poder. E alguns já “nem mais”, como <strong><a href="http://www.zedirceu.com.br" target="_blank">José Dirceu</a></strong>. Seria, então, uma nova leitura. Daí surgiu outra das minhas obsessões. Começo a buscar livros afins e vou me mergulhando cada vez mais fundo no tema. Na seqüência do livro de Zuenir, busquei <em><strong>Abaixo a ditadura – O movimento de 68 contado por seus líderes</strong></em>, de José Dirceu e <strong>Vladimir Palmeira</strong>, lançado em 1998.</p>
<p align="justify">Fico me perguntando se a garotada de hoje tem a mais pálida idéia de quem são essas figuras e do que elas representam para nossa História. Não seria exagero algum dizer que tivemos alguns presidentes que não tiveram a importância histórica desses dois enquanto estudantes.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/abaixo.jpg" align="right" border="0" height="235" width="168" />Abro parênteses para falar sobre José Dirceu. Quando <strong>Lula</strong> foi eleito, ninguém tinha dúvida de que seu sucessor mais provável seria o Zé. Pelo menos eu achava isso. Eu e muita gente que mirou nele para tirá-lo do ministério e, não satisfeita, cassá-lo como deputado, que era para não dar asa à cobra. Tudo dentro dos conformes. Ele não é santo. Nem qualquer um que se meta com política. Acho que <strong>o único erro dos petistas</strong> que vêm sendo fritados um a um nos últimos anos <strong>é que não se escolaram na sacanagem</strong>, não se “profissionalizaram”, antes de chegar ao poder. E os doutores nisso não perdoaram. Vêm limando uma a uma todas as lideranças de esquerda, seguindo o conselho de Herr Bornhausen (<a href="http://flog.digizap.com.br/sandrofortunato/43131" target="_blank">lembram?</a>): “<em>vamos nos livrar desta raça por 30 anos</em>”.</p>
<p align="justify">Falei do Zé para falar de como as informações são manipuladas pelas elites, de como a boiada vai sendo facilmente tangida por quem tiver o grito mais forte e do que o tempo faz com as pessoas. Há líderes de esquerda no Brasil que lutaram muito mais e passaram por infernos que <strong>Che Guevara</strong> não passou nem em seus piores pesadelos. A figura de Che foi endeusada pela então nova elite e o resto é história. Até hoje, a garotada estampa a cara dele em tudo quanto é lugar, repete o “<em>Hay que endurecerse&#8230;</em>” e sabe que ele andou de motocicleta por aí. Agora pergunte a essa garotada quem foi e o que fez Vladimir Palmeira, José Dirceu, <strong>Franklin Martins</strong>, <strong>Fernando Gabeira</strong>&#8230; A história de cada um deles não acabou aos vintes e poucos anos, com a de muitos outros, sabe-se lá porquê. Mas durante duas décadas, quem mandava na história oficial fez deles os bandidos, os renegados. Eu acho muito mais válido andar com uma camisa com a cara do Gabeira e a frase “<em><strong>O que é isso, companheiro?</strong></em>” do que com uma do <em>CliChê</em> Guevara.</p>
<p align="justify">Quando esse povo começou a chegar ao poder, sem luta armada, eleitos pelo voto popular – <strong>algo pelo qual eles lutaram tanto</strong> –, logo começaram a cortar suas asas. Nós desaprendemos a pensar. Foi preciso uma liderança extremamente popular, vinda dos sindicatos, para se criar um símbolo de resistência. Símbolo que só foi realmente aceito pela maioria quando se enquadrou em parâmetros mais burgueses, mais parecidos com o sonho de consumo da classe média. Lulinha Paz e Amor, barba aparada, ternos bem cortados, fala moderada, <em>en passant</em> em vez de <em>menas</em>. Ele seria – porque até o momento, não obstante sua popularidade, o tempo verbal mais correto parece-me este –, repito, ele <em>seria</em> o caminho para essas lideranças de esquerda, mais politizadas, mais intelectualizadas, vindas das universidades, chegarem ao poder. Mas a direita conhece bem a lição e não deixou que outro mito, outro símbolo fosse criado. <strong>O passaralho continua voando solto.</strong></p>
<p align="justify">E, finalmente, quanto à mudança das pessoas, volto ao livro de Dirceu e Vladimir. Escrito há dez anos (a partir de depoimentos), impressiona pela maturidade dos então cinquentões falando de suas lutas na juventude. Não se arrependem de nada, sabem que tudo aquilo foi necessário, mas fazem uma avaliação ponderada, um “se fosse assim poderia ter sido melhor, mais eficiente”, que desmonta qualquer máscara de bicho-papão que se queira dar a eles. E outros dez anos passaram. Dia desses, vi uma <a href="http://noticias.uol.com.br/ultnot/2008/04/16/ult23u1927.jhtm" target="_blank">entrevista de Zé Dirceu ao UOL News</a> e fiquei impressionado com sua serenidade, com seu tom, suas declarações certeiras, comedidas, coerente e fiel às idéias e aos colegas que, alguns querem fazer acreditar, “lhe deram as costas”. Pena que não tenha aprendido isso antes. Mas se Collor, que saiu como saiu, hoje está no Senado, é só uma questão de tempo, talvez “30 anos”, para “essa raça” aprender a se manter e brigar de igual pra igual com os cachorros grandes. Fecha parênteses do Zé.</p>
<p align="justify">Neste final de semana, temos ainda ecos dessa história. Hoje, <a href="http://www.memoriaviva.com.br/novoblog/2008/04/26/zuenir-ventura-lanca-novo-livro-sobre-o-movimento-de-68" target="_blank">Zuenir Ventura está lançando <strong><em>1968 – O que fizemos de nós</em></strong></a> que, segundo o próprio, teve como preocupação “<em>encontrar no mundo atual o que nasceu ou se desenvolveu em 1968</em>”. Essa é a grande chave para bem aproveitar e aplicar tudo o que aconteceu naquela época. Antes que eu corra para comprar, devorar e muito provavelmente colocar esse novo capítulo escrito por Zuenir nas lista dos livros que lerei várias vezes, detenho-me em uma curiosidade de época sobre Vladimir Palmeira.</p>
<p align="justify">Na mesma edição de <a href="http://www.memoriaviva.com.br/ocruzeiro" target="_blank"><em><strong>O Cruzeiro</strong></em></a> onde estava impressa a foto dos estudantes lavando a Sorbonne, que utilizei no <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/04/25/o-poder-ultrajovem">texto anterior</a>, há uma extensa fotorreportagem intitulada <em><strong>O difícil caminho do entendimento</strong></em>, na qual se mostram os conflitos entre universitários e polícia. Mais adiante, um misto de perfil e um dia na vida de Vladimir Palmeira na matéria <em><strong>Assim nasce um agitador</strong></em>.</p>
<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/vladimir.jpg" border="0" /></p>
<p align="justify"><em>“Não, não quero fazer uma revolução para meus filhos, netos ou outras gerações. A geração atual é que vai gozar da nova sociedade. Não quero uma revolução de caridade para o futuro. <strong>É agora e já</strong></em>”, dizia Vladimir, na edição de 6 de julho de 1968. Por mais que ecos daquele tempo sejam ouvidos ainda hoje, as palavras do líder estudantil encerram uma verdade absoluta. <strong>As revoluções, cada uma a seu tempo e com seus motivos, são para hoje.</strong></p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback.jpg" usemap="#Map" border="0" height="25" /></center><br />
<map name="Map">
<area href="mailto:sandrofortunato@gmail.com" shape="rect" coords="410,0,600,23" alt="Escreva-me" />
<area shape="rect" coords="257,0,370,24" alt="Logo abaixo em  COMMENTS" />
<area href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/atualizacoes-por-email" shape="rect" coords="0,1,228,26" alt="Clique e cadastre seu e-mail" /> </map>

<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/04/26/ecos-de-68/&amp;text=Ecos de 68&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/04/26/ecos-de-68/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O poder ultrajovem</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/04/25/o-poder-ultrajovem/</link>
		<comments>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/04/25/o-poder-ultrajovem/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 25 Apr 2008 05:15:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/04/25/o-poder-ultrajovem/</guid>
		<description><![CDATA[. &#160; Ah, os jovens! Eles podem tudo. Eles podem mudar o mundo. E sempre acreditam que para melhor. Confesso que me diverti assistindo à ocupação da reitoria da UnB pela tevê. Ria, olhava para minha esposa (que estudou na &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/04/25/o-poder-ultrajovem/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/04/25/o-poder-ultrajovem/&amp;text=O poder ultrajovem&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/sorbonne.jpg" border="0" height="396" width="450" /></p>
<p align="center"><font color="#ffffff">.</font></p>
<p align="center"> <img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/unb2008.jpg" border="0" height="361" width="450" /></p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify">Ah, os jovens! Eles podem tudo. <strong>Eles podem mudar o mundo.</strong> E sempre acreditam que para melhor.</p>
<p align="justify">Confesso que me diverti assistindo à<strong> ocupação da reitoria da UnB</strong> pela tevê. Ria, olhava para minha esposa (que estudou na UnB), ria mais, lembrava dos meus tempos de UFRN, ria mais ainda. Os jovens são todos iguais. Uns mais, outros menos, mas são sempre jovens.</p>
<p align="justify">Quando fizeram a lavagem da reitoria, lamentei não estar lá. Juro! Vestiria meus vinte anos outra vez e me precipitaria rampa abaixo. Antes, lembraria de tirar o celular e o <em>MP3 Player</em> e de pedir a alguém para fotografar ou filmar com minha câmera. Claro, somos brasileiros e estamos em 2008. Nada daquela sisudez dos estudantes <strong>franceses lavando a Sorbonne no maio de 68</strong>. Muito menos a dos nossos compatriotas, naquele mesmo ano, <strong>virando e incendiando carros nas ruas</strong>. Os tempos são outros. A ocupação da reitoria da UnB não esperava nem os telejornais. Estava <strong>nervosa e festiva nos <em>blogs</em>, no <em>Flickr</em>, no <em>YouTube</em>, no <em>Twitter</em></strong>. Outros tempos, outros tempos&#8230;</p>
<p align="justify">“Nos meus”, há vinte anos, também tinha dessas fanfarras. Com as cores da época.</p>
<p align="justify"><strong>1988 – UFRN</strong> – Curso de Jornalismo. Mais uma turma que iria mudar o mundo. Sandro no meio. Pelegos no Centro Acadêmico. Vamos tirar esse povo! Os malucos se reúnem. Roberto Homem redige o Manifesto Rolentrando. Prometemos caçar os professores fantasmas. Prometemos lutar por um jornalismo independente. Prometemos lutar pela modernização do curso. Prometemos fazer uma campanha limpa em todos os sentidos. Prometemos, prometemos, prometemos&#8230; Além de prometer, <strong>nós sabíamos mesmo era fazer festas</strong>. O som interrompia as aulas e ia até a madrugada. Numa festa-comício, reunimos tantas bandas que cada uma podia tocar, no máximo, três músicas. Tinha para todos os gostos e para a falta de também. Festa, muita festa. Amanhecíamos dormindo sobre os freezers, sobre as mesas, nos corredores. Como é bom ser jovem!</p>
<p align="justify">Ganhamos a eleição! <strong>Tudo vai mudar!</strong> O C.A., o curso, a UFRN, o Brasil, o planeta todo! Final de ano chegando&#8230; vamos fazer uma festa para comemorar, depois a gente assume. Férias. Voltamos no ano seguinte e ninguém assumiu nada. A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, o C.A. fechou. Durante meses. Depois foi arrombado, saqueado e, finalmente, entregue à chapa tão politizada – de esquerda, claro! –, que havia perdido para nós. Naquele tempo, a esquerda apanhava sempre.</p>
<p align="justify">Em 1968, havia mil <strong>motivos para lutar</strong>. Em 1988, havia mil <strong>motivos para festejar</strong>. Em 2008, mil motivos para <em>blogar</em>, <em>flickar</em>, <em>twittar</em>, para despachar o reitor. Isso não tem preço. Para todas as outras coisas, sempre há uma fundação ou um cartão corporativo.</p>
<p align="justify">Aqueles estudantes da UnB, que acompanhei de perto durante quatro anos bem recentes e julgava politicamente acomodados, no meio da farra midiática fizeram o que deveriam fazer. Até os de Relações Internacionais que, em sua maioria, cultivam um ar blasé de “<em>assembléia, só a da ONU</em>” acamparam, gritaram e, enfim, chutaram os boas-vidas. Parece que a garotada acordou. Aí eu pergunto: <strong>E agora? Quais são os ideais que alimentam esse ressurgimento do movimento estudantil?</strong> Existe mesmo uma luta pela modernização das universidades? E não era esse um dos motivos da luta de 68? O que aquela geração conseguiu? E a minha, de 88? O que conseguimos além de ficar bêbados? O que irá conseguir a de 2008? <strong>Eleger-se, criar barriga, corromper-se?</strong></p>
<p align="justify">Drummond, o mesmo que perguntou “e agora?” já deu a resposta: <em>Se, na conjuntura, o poder jovem cambaleia, vem aí, com força total, o poder ultrajovem.</em></p>
<p align="justify">Já estou louco para ver como será 2028.</p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback.jpg" usemap="#Map" border="0" height="25" /></center></p>
<map name="Map">
<area href="mailto:sandrofortunato@gmail.com" shape="rect" coords="410,0,600,23" alt="Escreva-me" />
<area shape="rect" coords="257,0,370,24" alt="Logo abaixo em  COMMENTS" />
<area href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/atualizacoes-por-email" shape="rect" coords="0,1,228,26" alt="Clique e cadastre seu e-mail" /> </map>

<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/04/25/o-poder-ultrajovem/&amp;text=O poder ultrajovem&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/04/25/o-poder-ultrajovem/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Agripino? Pode mandar enquadrar.</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/04/22/agripino-pode-mandar-enquadrar/</link>
		<comments>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/04/22/agripino-pode-mandar-enquadrar/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 22 Apr 2008 03:00:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/04/22/agripino-pode-mandar-enquadrar/</guid>
		<description><![CDATA[Quando vi a capa da Caros Amigos de abril com o senador José Agripino de mãos postas e a chamada dizendo que “a pose de santa de altar disfarça o neocoronel com todos os seus vícios”, pensei que iriam desancá-lo &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/04/22/agripino-pode-mandar-enquadrar/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/04/22/agripino-pode-mandar-enquadrar/&amp;text=Agripino? Pode mandar enquadrar.&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/caros133.jpg" align="right" border="0" height="231" width="200" />Quando vi a capa da <em><strong>Caros Amigos</strong></em> de abril com o <strong>senador José Agripino</strong> de mãos postas e a chamada dizendo que “<em>a pose de santa de altar disfarça o neocoronel com todos os seus vícios</em>”, pensei que iriam desancá-lo a valer. Nem tanto.</p>
<p align="justify">Quem morou e foi jornalista no Rio Grande do Norte entende a justificativa, ao final, quando o repórter <strong>Léo Arcoverde</strong> diz que conseguiu “<em>entrevistar apenas três pessoas (e todas sem se identificar)</em> (&#8230;) <em>Ninguém quer tocar no assunto</em>”. Típico. Ainda bem que Léo saiu de lá. Bem-vindo ao clube e seja feliz.</p>
<p align="justify">Passei por vários jornais e tevês em Natal. Por sorte ou afinidade, logo me bandeei para a área cultural, mas até nela encontrei dificuldades em publicar uma ou outra vez. Em Natal, costuma-se fazer um jornalismo amarrado, de rabo preso, no qual os conselhos de calar aparecem a todo instante.</p>
<p align="justify">Mas há franco-atiradores. Ali pelo <strong>final de 1993, início de 1994</strong>, aos 21 anos de idade, quando se pode tudo e eu ainda acreditava que o jornalismo mudaria o mundo, que deveria ser porta-voz da verdade e outras bobagens, eu parecia despontar como um deles. Fui então “convocado” para <strong>uma entrevista com Agripino</strong>. À época, ele estava deixando o governo do estado para concorrer a uma vaga no Senado.</p>
<p align="justify">A entrevista era para a <em>Revista RN Econômico</em>. Eu estava assumindo a editoria, estava curtindo ficar na redação e não via qualquer motivo para participar de um encontro desses, mesmo porque o jornalista que iria fazer a entrevista era muito experiente e competente na área de política. Mas obedeci e, mesmo a contragosto, acabei indo.</p>
<p align="justify">Iniciada a conversa, na casa dele, comecei a achar que tudo estava muito morno. <strong>Papo de comadre</strong>, perfil de coluna social. E já que estava por ali, eu deveria me intrometer. Fiz uma pergunta – nem lembro do que se tratava – que foi mal recebida. Ele olhou rapidamente para mim, ignorou a questão e continuou o papo. Pouco depois, voltei à carga. Ele deu uma resposta ríspida e perguntou: “<em><strong>Você não é daqui, é? Pelo sotaque é carioca</strong></em>”. A partir dali, fui tratado como “<em>o carioca</em>” e só muito tempo depois fui atinar para o motivo da pergunta e para o escárnio que o tratamento guardava. <strong>Eu não era dali e “não estava sabendo me comportar”. </strong></p>
<p align="justify">Sugeri uma capa no qual Agripino dava adeus ao Rio Grande do Norte. Era pra ser um “<strong><em>já vai tarde</em></strong>” (tenho meus momentos <em>Veja</em>), mas não explicitei tal vontade (mesmo porque jamais seria atendida). Ficou um negócio tosco. Infelizmente – ou felizmente! – meus arquivos da época jazem em um guarda-roupa na casa dos meus pais, em Natal, e não tenho como reproduzi-la no momento.</p>
<p align="justify">Encontrei-o outras vezes, em coberturas diversas, mas como nunca fiz o gênero “<em><strong>oi, coronel, vosmicê lembra de mim?</strong></em>”, nem tinha papo ou, quando tinha, era rápido, frio e totalmente impessoal.</p>
<p align="justify"><strong>Em 2002</strong>, reencontrei-o de forma inusitada. Eu trabalhava na Subsecretaria de Projetos Especiais da Secretaria de Comunicação do Senado Federal. Uma foto de Agripino veio parar em minhas mãos. Ela seria utilizada em um quadro na galeria de presidentes de uma comissão da qual ele era titular (Assuntos Econômicos, se ainda lembro). Minha missão: <strong>Pitanguear a foto</strong>, isto é, “aliviar as marcas de expressão; deixar o senador mais bonito”. A costumeira busca por estreitamento de relações com os poderosos e a cata por migalhas que é praxe nos palácios, fizeram com que me mandassem lhe mostrar o resultado pessoalmente. “<em>Vai lá. Faz uma média</em>”. Mais uma vez contra minha vontade, fui à toca da raposa.</p>
<p align="justify">Antes de ser confundido com algum maluco a pedir favores que a segurança havido deixado passar, me apresentei, mostrei a foto à secretária e aguardei um pouco. Convidado a adentrar o gabinete, mostrei o resultado da plástica e ouvi um “<em>agora está melhor</em>” acompanhado de um sorriso. Tive a sensação de estar caminhando na contramão do que sempre acreditei e de que, em momento algum, deveria ter “ajudado a melhorar sua imagem”.</p>
<p align="justify">Saí do gabinete pensando em uma melhor aplicação para a frase com a qual ele encerrou o encontro: “<em><strong>Pode mandar enquadrar</strong></em>”. Léo e a <em>Caros Amigos</em> arranjaram uma muito boa.</p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback.jpg" usemap="#Map" border="0" height="25" /></center></p>
<map name="Map">
<area href="mailto:sandrofortunato@gmail.com" shape="rect" coords="410,0,600,23" alt="Escreva-me" />
<area shape="rect" coords="257,0,370,24" alt="Logo abaixo em  COMMENTS" />
<area href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/atualizacoes-por-email" shape="rect" coords="0,1,228,26" alt="Clique e cadastre seu e-mail" /> </map>

<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/04/22/agripino-pode-mandar-enquadrar/&amp;text=Agripino? Pode mandar enquadrar.&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/04/22/agripino-pode-mandar-enquadrar/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>49º aniversário do exílio do Dalai Lama</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/03/10/49%c2%ba-aniversario-do-exilio-do-dalai-lama/</link>
		<comments>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/03/10/49%c2%ba-aniversario-do-exilio-do-dalai-lama/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 10 Mar 2008 11:06:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Aniversário]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/03/10/49%c2%ba-aniversario-do-exilio-do-dalai-lama/</guid>
		<description><![CDATA[
<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/03/10/49%c2%ba-aniversario-do-exilio-do-dalai-lama/&amp;text=49º aniversário do exílio do Dalai Lama&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><a href="http://www.freetibet.org" target="_blank"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/freetibet.jpg" border="0" height="180" width="600" /></a></p>

<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/03/10/49%c2%ba-aniversario-do-exilio-do-dalai-lama/&amp;text=49º aniversário do exílio do Dalai Lama&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/03/10/49%c2%ba-aniversario-do-exilio-do-dalai-lama/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Dilma e a atualização do passado</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/03/08/dilma-e-a-atualizacao-do-passado/</link>
		<comments>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/03/08/dilma-e-a-atualizacao-do-passado/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 08 Mar 2008 21:53:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/03/08/dilma-e-a-atualizacao-do-passado/</guid>
		<description><![CDATA[“Dia a dia e quase minuto a minuto o passado era atualizado. Desta forma, era possível demonstrar, com prova documental, a correção de todas as profecias do Partido; jamais continuava no arquivo uma notícia, artigo ou opinião que entrasse em &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/03/08/dilma-e-a-atualizacao-do-passado/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/03/08/dilma-e-a-atualizacao-do-passado/&amp;text=Dilma e a atualização do passado&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/dilma.jpg" border="0" alt="" width="600" height="250" /></p>
<blockquote style="text-align: justify;"><p><em>“Dia a dia e quase minuto a minuto o passado era atualizado. Desta forma, era possível demonstrar, com prova documental, a correção de todas as profecias do Partido; jamais continuava no arquivo uma notícia, artigo ou opinião que entrasse em conflito com as necessidades do momento. Toda a história era um palimpsesto, raspado e reescrito tantas vezes quanto fosse necessário”.</em><br />
<strong><em> 1984 </em></strong>– George Orwell</p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">Começo todo <strong>texto com conteúdo político</strong> ou que assim pareça com um aviso: <strong>sou anarquista</strong>. Para ficar claro: <strong>não voto em ninguém</strong>. Para que ninguém tenha dúvidas:<em><strong> Hay gobierno, soy contra</strong></em>. Mas não faço disso uma bandeira. Trata-se de um posicionamento extremamente pessoal. <span style="text-decoration: underline;"><strong>EU</strong></span> sou contra, mas admito que se com alguns estalando chicotes o mundo está como está, imagine como não estaria sem isso! Sou tão anárquico que, em última instância, sou até mesmo contra a anarquia.</p>
<p style="text-align: justify;">Portanto, aos que usam, <strong>desfaçam-se de suas viseiras político-partidárias </strong>e entendam que este texto pretende falar de revisionismo e manipulação de informação com o intuito maniqueísta de tocar o gado para outro pasto.</p>
<p style="text-align: justify;">Há cinco anos, a panfletária revista <em>Veja</em> (que deveria retomar seu antigo slogan e acrescentar a ele um grande “não”: <em>Veja e <strong>NÃO</strong> leia</em>) apresentou uma pequena matéria intitulada <a href="http://veja.abril.com.br/150103/p_036.html" target="_blank"><em>O cérebro do roubo ao cofre</em></a>, na qual se falava do “<strong>passado pouco conhecido</strong>” da então ministra das Minas e Energia, hoje Ministra-Chefe da Casa Civil, <strong>Dilma Vana Rousseff</strong>. Desde então, a matéria – que tomei como meramente informativa – virou folheto eletrônico, estilo <em>pps</em>, que pretende mostrar “<em><strong>o passado e o presente de uma assaltante</strong></em>”. Com as histórias de uso indevido dos cartões corporativos, um dos mais recentes “escândalos” (só sendo idiota para não saber que essa bandalheira <strong>SEMPRE aconteceu</strong>) do atual governo, o panfleto eletrônico foi atualizado e ganhou nova força. Revestido de <strong>toda inocência</strong> que ainda me resta, acredito que a provável indicação do nome da ministra para concorrer ao Planalto não deve ter influenciado essa nova edição. Deve ter sido <strong>mera coincidência</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">De forma jocosa, a mensagem intitulada <strong><em>Trajetória criminosa</em></strong> faz uma introdução à história do roubo do cofre do governador paulista <strong>Adhemar de Barros</strong>, em 1969. Em menos de meia hora, <strong>2,5 milhões de dólares</strong> mudaram de mãos. A <strong>companheira Stella</strong> – codinome de Dilma – era o tal cérebro por trás da ação.</p>
<blockquote style="text-align: justify;"><p><strong>Interlúdio para curiosos.</strong> Se, nos dias de hoje, o governador de São Paulo cumprir dois mandatos consecutivos – oito anos – e juntar todos os seus salários, sem gastar um centavo, incluindo férias e décimo terceiro, e colocar em um cofre na casa de sua amante no Rio de Janeiro (desculpem, eu havia esquecido de dizer que o tal cofre roubado estava no Rio na casa de uma amante do governador), ele deverá conseguir juntar algo perto de um milhão de dólares. Mas, claro, tendo sido ganho honestamente pelo administrador de um estado que tem como capital uma das maiores cidades do mundo, esse dinheiro estaria rendendo em algum bom investimento no setor bancário, imobiliário, agropecuário ou outro ário. <strong>Fim do interlúdio.</strong></p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">Em resumo: depois da introdução e da reprodução da matéria de <em>Veja</em> – negritada em várias passagens – o panfleto diz que <strong>temos uma criminosa, uma ladra como ministra</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu, <strong>SINCERAMENTE</strong>, acredito no amor e na devoção às ideologias. No caso do período de governo militar no Brasil, <strong>CREIO</strong> que muitos militares acreditavam estar defendendo o país de uma grave ameaça e que deveriam <strong>FAZER QUALQUER COISA</strong> para detê-la, inclusive matar. Também <strong>CREIO</strong> que os chamados “terroristas” e “subversivos” acreditavam estar defendendo a liberdade e que deveriam <strong>FAZER QUALQUER COISA</strong> para restituí-la, inclusive roubar e matar. E eu <strong>ATÉ ACREDITO</strong> que <strong>EM ALGUNS INSTANTES, ALGUNS</strong> militares e alguns “subversivos” eram apenas pessoas com idéias diferentes. <strong>Tudo muito legítimo.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Eu acho que a <strong>REVOLUÇÃO MILITAR</strong> pode ter sido honesta e legítima. Acho que muita gente acreditava mesmo estar combatendo a “ameaça comunista” e que ela deveria ser varrida a todo custo para que a democracia fosse restabelecida. Os militares diziam isso, a imprensa fez coro, o povo adorou. Só que <strong>na hora em que se passa por cima daquilo que se diz defender, aí está decretado o fim da legitimidade</strong> de uma ação. A democracia não veio e o que era revolução mostrou-se <a href="http://www.radiobras.gov.br/especiais/Golpe64/golpe64_capa.htm" target="_blank"><strong>GOLPE</strong></a>, mera tomada de poder à força.</p>
<blockquote style="text-align: justify;"><p><strong>Outro interlúdio.</strong> “<em>Agora, caçaremos os comunistas por todos os lados do país. Mandaremos mais de 2.000 agentes comunistas – numa verdadeira Arca de Noé – para uma viagem de turismo à Rússia. Mas uma viagem que não terá volta. <strong>Que falem em democracia</strong>, agora, <strong>na Rússia</strong></em>”. Palavras de Adhemar de Barros em sua primeira entrevista após o golpe, deixando claro que democracia não era bem a palavra de ordem ao combater a “ameaça comunista”. <strong>Fim do outro interlúdio.</strong></p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">Em política não há santos ou inocentes. É tal e qual uma guerra: você entra para matar ou morrer. Mas isso tem que valer para os dois – ou todos – os lados. <strong>Revogados os princípios morais</strong>, vale tudo. As prometidas eleições não vieram, instaurou-se a censura e o governo podia prender, torturar e matar quem fosse contra suas idéias. <strong>Estava instituído o vale-tudo.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Os papéis se inverteram: quem era mocinho virou bandido e vice-versa. Havia <strong>uma nova revolução</strong> pregando a liberdade que os antigos revolucionários diziam defender. O resto é História e <strong>o que me preocupa</strong> é justamente isso: <strong>o desconhecimento e a revisão da História</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Dilma – ou Stella, como preferir – roubou e participou de atos terroristas, isto é, de ações violentas contra as instituições vigentes? Sim. Ela poderia ser (e foi) condenada judicialmente por isso? Sim. <strong>E moralmente?</strong> Creio que não.</p>
<p style="text-align: justify;">Como dito na própria matéria, Dilma “<em>não teve participação física na ação. ‘<strong>Se tivesse tido, não teria nenhum problema em admitir</strong>’, diz a ministra, com orgulho de seu passado de combatente</em>”. Verdadeira. Honesta. Coerente. Não pretende, agora no poder, fazer qualquer revisão histórica e fazer esquecer qualquer ato que tenha praticado. Honestíssima e de caráter invejável.</p>
<p style="text-align: center;"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/dilma2.jpg" border="0" alt="" width="450" height="252" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>É comum aos governos totalitários a tentativa de reescrever a História</strong>. Dilma Rousseff não faz parte de um. Aliás, as fichas dos arquivos militares nas quais suas atividades “criminosas” estão registradas podem ser consultadas e até publicadas nos meios de comunicação justamente por isso: porque <strong>hoje vivemos numa democracia</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Parece fácil <strong>tocar os novilhos</strong> – as gerações mais novas – para qualquer lugar e fazê-los acreditar em versões que invertam os valores e se aproveitem de sua ignorância (no sentido mais literal, de desconhecimento dos fatos) e falta de vivência em relação a uns dos períodos mais sombrios de nossa História.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim como Dilma foi de guerrilheira à ministra, eu poderia um dia deixar de ser anarquista e fazer uso do meu título de eleitor. Poderia até deixar minha iconoclastia de lado e votar numa pessoa pelo simples fato de ela ser quem ela é, independente de seu partido e das idéias que ele defende. Na possibilidade de Dilma Rousseff ser candidata à presidência, há em mim um forte impulso em promover tal mudança.</p>
<p style="text-align: justify;">Na vida política, <strong>essas reservas de coerência e moral são raras</strong>. A essa mulher, que foi presa, torturada, sobreviveu e venceu, juntam-se outras de menor evidência mas não de menor importância. Um dia antes deste <strong>8 de Março, Dia Internacional da Mulher</strong>, sete outras tiveram <a href="http://noticias.uol.com.br/ultnot/2008/03/07/ult23u1413.jhtm" target="_blank">indenizações estipuladas pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça</a>. Uma delas é <strong>Clara Charf</strong>, companheira de <strong>Carlos Marighella</strong>, uma octogenária que agora tem direito a uma indenização mensal vitalícia de irrisórios R$ 2.520, valor do qual poderia, mas não irá recorrer. Suas palavras resumem o que pretendi dizer com este longo texto sobre o descabido ataque virtual a Dilma: “<strong>O Estado jamais vai poder pagar as vidas das pessoas. O que a gente tem que pedir é que isso não se repita no Brasil. </strong>O mais importante não é o dinheiro, mas o valor dessa comissão para<strong> tornar público o que aconteceu</strong>”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #ff0000;">E você? Você que viveu os tempos da ditadura ainda tem medo de tornar pública sua opinião? E você, mais jovem, que não viveu, tem dentro de si um medo do qual desconhece o motivo? Clique aí nos comentários e exercite sua liberdade.</span> O que eu tinha a dizer está dito. Publique-se.</strong></p>

<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/03/08/dilma-e-a-atualizacao-do-passado/&amp;text=Dilma e a atualização do passado&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/03/08/dilma-e-a-atualizacao-do-passado/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>7</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>

