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	<title>Sempre Algo a Dizer &#187; Periódicos</title>
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		<title>Quase pretos ou quase brancos</title>
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		<pubDate>Tue, 05 Jul 2011 23:00:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
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		<category><![CDATA[Periódicos]]></category>

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		<description><![CDATA[Ontem, comecei a escrever uma série de textos que mostra o peso do fotojornalismo na construção e no fortalecimento da cultura americana e como os brasileiros, que adoram imitar os americanos, não conseguiram fazer algo parecido. O texto já ia &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2011/07/05/quase-pretos-ou-quase-brancos/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Ontem, comecei a escrever uma série de textos que mostra o peso do fotojornalismo na construção e no fortalecimento da cultura americana e como os brasileiros, que adoram imitar os americanos, não conseguiram fazer algo parecido. O texto já ia na oitava página e parei na análise de duas fotos da primeira edição da <em>Life</em>, de novembro de 1936, que mostravam a mistura de raças no Brasil.</p>
<p style="text-align: justify;">Vejam as fotos, as legendas (traduzidas) e parte do meu texto.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/07/brlife2.jpg"><img class="size-full wp-image-1029 aligncenter" style="border: 0pt none; margin-top: 0px; margin-bottom: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/07/brlife2.jpg" alt="" width="590" height="381" /></a></p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;"><em><strong>Civilização</strong> é o nome que os brasileiros dão a esta escultura de um homem e uma mulher negróides, para uma nova raça brasileira que está emergindo dos portugueses misturados com negros e índios. (&#8230;) A despeito da estátua, os cidadãos do Rio, auto-intitulados cariocas, são predominantemente brancos. Mas muitos aristocratas brancos do Rio têm parentes pretos e, no negróide Norte do Brasil, uma gota de sangue branco faz um homem &#8220;branco&#8221;.</em></p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;"><em><strong>O homem com o chapéu preto </strong>(centro) é considerado praticamente branco no Brasil. Sua companhia na dança do subúrbio da Penha, no Rio, é muito mais clara, definitivamente com características europeias. Ela é uma mulher branca, acolhida e alegremente desposada por um homem &#8220;praticamente branco&#8221;. O jovem com casaco cinza e calça branca tem uma boa mistura de sangue indígena e português. Todos estes são mais claros que o homem branco do Norte do Brasil. Todos os negros brasileiros votam e vivem em termos de igualdade legal com os homens brancos puros.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Hoje, pela manhã, me deparo com a seguinte notícia no site da <em>Veja</em>:</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Professor é acusado de mandar aluno africano clarear a cor</strong></p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;"><em>A Universidade Federal do Maranhão (UFMA) solicitou a abertura de um processo administrativo disciplinar para apurar as denúncias de racismo contra um professor da instituição. Alunos do curso de Engenharia Química apontaram atos de discriminação do professor José Cloves Verde Saraiva contra o aluno africano Nuhu Ayuba, inscrito na disciplina Cálculo Vetorial. Saraiva já pediu desculpas e disse que a situação foi um mal-entendido.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;"><em>Uma cópia da denúncia foi entregue ao Ministério Público Federal. &#8220;Informamos que o professor Cloves Saraiva vem sistematicamente agredindo nosso colega de turma Nuhu Ayuba, humilhando-o na frente de todos&#8221;, afirmaram os alunos na petição pública. Segundo os estudantes, o professor teria dito que Ayuba &#8220;deveria voltar à África e clarear a sua cor&#8221;.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Brasil, 1936, visto pelos americanos. Brasil, 2011, visto por nós mesmos.</p>
<p style="text-align: justify;">O último parágrafo que escrevi ontem dizia o seguinte:</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;">Independente da época e do contexto, preconceito racial (e por qualquer tipo de diferença) é uma estupidez indesculpável. No entanto, 75 anos depois, sendo brasileiro (portanto, vira-lata), vejo a legenda e a foto como o documento de uma época em que o Brasil buscava uma identidade racial, social, e não tinha o preconceito típico do americano. Esquecendo um pouco os comentários racistas, a foto é maravilhosa, não? Dispensa qualquer legenda ou interpretação. Retrata a verdadeira mistura que forma nosso povo e sua alegre convivência. Pelo menos nesse ponto, tínhamos tudo para sermos superiores, mais civilizados. <strong>Pena que, até nisso, o brasileiro tenha se americanizado.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Se a Ku Klux Klan aceitasse caboclos, esses brasileiros praticamente negros que se acham brancos poderiam ter seu clubinho.  Acho bem merecido quando esse tipo babaca de brasileiro é maltratado no exterior e se sente colocado no lugar <strong>onde todo racista deveria estar: abaixo de qualquer outro ser humano</strong>. Só lamento que, mesmo assim, não aprendam.  Seres desse tipo nunca aprendem. Nunca viram gente.</p>
<p style="text-align: center;">* * * * * * * *</p>
<p style="text-align: justify;">► <strong>DICA do mano BUCA DANTAS:</strong> <strong><a href="http://www2.uol.com.br/JC/sites/especial_joaquimnabuco/html/html2/index.html" target="_blank">Quase brancos, quase negros</a></strong></p>

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		<title>Um corpo, duas almas</title>
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		<pubDate>Wed, 31 Mar 2010 22:45:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livre pensar]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Periódicos]]></category>

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		<description><![CDATA[No início de março, estava mexendo na parte mais antiga e ainda existente de minha hemeroteca quando me deparei com uma edição especial de Fatos e Fotos, de abril de 1996, sobre as gêmeas siamesas Abigail e Brittany Hensel.  A &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/03/31/um-corpo-duas-almas/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class="alignright size-full wp-image-517" style="border: 0pt none; margin: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/03/hensel.jpg" alt="" width="322" height="210" />No início de março, estava mexendo na parte mais antiga e ainda existente de minha hemeroteca quando me deparei com uma edição especial de <em>Fatos e Fotos</em>, de abril de 1996, sobre as gêmeas siamesas Abigail e Brittany Hensel.  A revista-pôster com as meninas vinha no embalo de duas edições de <em>Manchete</em> (reproduzindo a americana <em>Life</em>) e de um programa na TV <em>Manchete</em>, que veiculou, no Brasil, a entrevista de Oprah Winfrey com elas e seus pais.</p>
<p style="text-align: justify;">Abby e Britty são um tipo raro de gêmeos siameses. Externamente, o que se vê é um corpo com duas cabeças. Internamente, da cintura para cima há órgãos duplicados (dois rins esquerdo, dois estômagos, duas vesículas, dois corações, duas colunas vertebrais que se fundem na base e 3 ou 4 pulmões). O sistema circulatório e os órgãos abaixo do abdome são únicos.</p>
<p style="text-align: justify;">Na matéria, uma frase em destaque me deixou intrigado: <em>Ninguém sabe ao certo o que vai acontecer quando elas crescerem</em>. Pois bem, elas cresceram, completaram 20 anos neste março de 2010 e dizem até que uma delas está noiva.</p>
<p style="text-align: justify;">Minha intenção, ao lembrar a história dessas meninas, é fazer com que você reflita sobre pelo menos uma das muitas lições que Abby e Britty podem nos dar. Quanto tempo durou aquele seu amor eterno com quem você queria ficar por toda a vida? Quanto tempo teria durado se vocês nunca tivessem se desgrudado por um único instante? Qual seria a intensidade de seu amor por alguém que você fosse obrigado a conviver por todos os minutos de toda sua vida? Como seria não ter segredos? Como seria não ter um único momento de solidão? Como seria saber que quando aquela pessoa morresse, você também morreria ou quando você morresse, também iria matá-la?</p>
<p style="text-align: justify;">Quando soube da existência das meninas, eu tinha 24 anos. Desde então passei a imaginar que não poderia existir Amor maior e mais bem provado que o delas. Não sei como eu agiria se fosse obrigado a passar por uma provação dessas, mas se não fosse por imposição, se fosse por vontade própria, adoraria me entregar – de corpo e alma – a quem tivesse o mesmo desejo. Ficar juntinho até o final dos dias. Resolver qualquer diferença imediatamente. Não poder ir um para cada lado quando discordassem de algo. Aprender a viver em perfeita harmonia, em perfeito Amor, aceitando e aprendendo com o outro. Sempre colaborando, dividindo as dificuldades para torná-las mais leves, somando forças para alcançar objetivos.</p>
<p style="text-align: justify;">Dois corações batendo por uma vida em comum. Isso é Amor.</p>
<p><center><object width="480" height="385"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/BkKWApOAG2g&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/BkKWApOAG2g&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"></embed></object></center></p>

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		<title>Elas não são más. Só foram desenhadas assim.</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Oct 2009 09:30:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Desenho]]></category>
		<category><![CDATA[Erotismo]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Periódicos]]></category>
		<category><![CDATA[Quadrinhos]]></category>

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		<description><![CDATA[Em novembro, Marge Simpson estará na capa da Playboy americana. Vai para minha coleção e me ajudará a esquecer a edição brasileira do mesmo mês que ameaça trazer a capa mais sem graça de sua história. Marge estará na capa &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/10/12/elas-nao-sao-mas-so-foram-desenhadas-assim/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2009/10/playtoon.jpg" alt="playtoon.jpg" /></p>
<p align="justify">Em novembro, <strong>Marge Simpson</strong> estará na capa da <em>Playboy</em> americana. Vai para minha coleção e me ajudará a esquecer a edição brasileira do mesmo mês que ameaça trazer <a href="http://www.abril.com.br/noticias/diversao/fernanda-young-confirma-ensaio-nu-playboy-se-explica-498157.shtml" target="_blank">a capa mais sem graça de sua história</a>.</p>
<p align="justify">Marge estará na capa e em três páginas, “sexy e nua”, mas sem mostrar tudo. Quem quiser vê-la em detalhes, com atributos diferentes dos originais e fazendo tudo que se possa imaginar, basta navegar pela Internet. Ela, seus familiares e todos os moradores de Springfield já realizaram todas as taras possíveis graças às benditas mentes pervertidas de inúmeros desenhistas.</p>
<p align="justify">Para a revista, mais pudica, é um momento histórico. Diz-se que é a primeira vez que um desenho será capa da <em>Playboy</em>. Em termos. Outra personagem do mundo dos desenhos já mereceu tal honraria: a sensualíssima e inigualável <strong>Jessica Rabbit</strong>. Isso aconteceu em novembro de 1988 e tenho meu exemplar para provar! A diferença é que Jessica era, na verdade, uma arte criada sobre foto da modelo <strong>Laura Richmond</strong> (<a href="http://www.centerfold.com/playmates/1988/laura_richmond/images/section_bigphoto.jpg" target="_blank">aqui</a> para os mais envergonhados e <a href="http://playboypt.narod.ru/1988/LauraRichmond.htm" target="_blank">aqui</a> para quem quer ver mais).</p>
<p align="justify">Era um tempo diferente, no qual os seios eram naturais e as mulheres ostentavam belos pelos púbicos. A geração que a <em>Playboy</em> pretende atingir com Marge é siliconada e raspada. Aliás, é assim que a senhora Simpson aparece em muitos desenhos na <em>web</em>, mas nós sabemos que ela não é turbinada. Basta descobrir se ela é azul original ou se aquilo é tintura.</p>
<p align="justify">Só espero não ter que esperar outros 21 anos para ver uma edição com <strong>Lois Griffin</strong> ou <strong>Francine Smith</strong>. E que venham bem mais ousadas.</p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback3.jpg" usemap="#Map3" border="0" height="25" /></center></p>
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		<title>Queda e queda do Guaporé</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Mar 2009 06:08:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bastidores]]></category>
		<category><![CDATA[Fotografia]]></category>
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		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Memória Viva]]></category>
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		<description><![CDATA[Domingão, de chuva depois sol, último antes de 2009 começar de verdade. Cometo a agora incomum ação de comprar um jornal. Culpa de Carlos, o Magno, que publicou nota comentando a respeito do livro que eu e Canindé Soares estamos &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/03/02/queda-e-queda-do-guapore/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/guapore1.jpg" border="0" width="600" height="450" /></p>
<p align="justify">Domingão, de chuva depois sol, último antes de 2009 começar de verdade. Cometo a agora incomum ação de comprar um jornal. Culpa de <strong>Carlos, o Magno</strong>, que <a href="http://diariodenatal.dnonline.com.br/site/colunistas/index.php?idcolunista=10" target="_blank">publicou nota</a> comentando a respeito do livro que eu e <a href="http://canindesoares.blog.digi.com.br/blog/" target="_blank"><strong>Canindé Soares</strong></a> estamos fazendo. Para facilitar a vida de nossos biógrafos, vou clipar o texto e me deparo com uma foto imensa do <strong>Museu Nilo Pereira</strong> – também conhecido como <strong>Guaporé</strong>, que fica no município potiguar de Ceará-Mirim – tomando a primeira página d’<em>O Poti</em>. <em>Guaporé em abandono, quase ruínas</em> era a chamada. A matéria falava sobre o estado lastimável do prédio construído em meados do século XIX.</p>
<p align="justify">Também estive no Guaporé. Veja algumas fotos que fiz por lá e depois continuamos a conversa.</p>
<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/guapore2.jpg" border="0" width="450" height="338" /></p>
<p align="center">Vista interna do sótão.</p>
<p align="center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/guapore3.jpg" border="0" width="450" height="338" /></p>
<p align="center">Cômodo do andar superior com janelões bem danificados servindo de varal.<br />
No piso, marcas circulares feitas com querosene numa tentativa de espantar morcegos.</p>
<p align="center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/guapore4.jpg" border="0" width="450" height="338" /></p>
<p align="center">Cama antiga, em exposição, servindo de varal para panos de chão.</p>
<p align="center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/guapore5.jpg" border="0" width="450" height="297" /></p>
<p align="center">Porta do andar térreo e sua peculiar tranca.<br />
Carta, como outros documentos, danificada por traças.</p>
<p align="center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/guapore6.jpg" border="0" width="450" height="338" /></p>
<p align="center">Fotos, quadros e outros documentos.</p>
<p align="center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/guapore7.jpg" border="0" width="450" height="338" /></p>
<p align="center">Cacos de objetos artesanais guardados em um baú.</p>
<p align="justify">Estas são algumas das mais de 150 fotos – e <strong>nem são as mais chocantes</strong> – que fiz quando estive lá pela primeira vez. Isso foi em dezembro. Dezembro de 2003. Sim, dois mil e três. Naquele dezembro, visitei pelo menos oito museus em Natal e o Guaporé, em Ceará-Mirim. A escala de avaliação começava em “<strong><em>patético</em></strong>”, passava por “<strong><em>abandonado</em></strong>” e terminava em “<strong><em>isso é o que mesmo?!</em></strong>”.</p>
<p align="justify">A história começou com uma visita ao <strong>Museu Casa Café Filho</strong> e a constatação de que o acervo do único potiguar a assumir a presidência da República estava jogado às traças. Levei isso ao conhecimento de um jornal local que não se interessou pelo caso. Acabei <a href="http://www.memoriaviva.com.br/cafe.htm" target="_blank"><strong>publicando a matéria</strong></a> em página inteira, no mês seguinte, no <em>Jornal do Brasil</em>. O caso foi discutido pela Comissão de Memória dos Presidentes da República e o Iphan resolveu constatar, <em>in loco,</em> a gravidade do assunto. Depois disso, outro jornal de Natal demonstrou interesse pela seqüência de matérias relacionadas aos outros museus mas, como eu já esperava, o negócio esfriou e nada saiu. Cidade pequena, todo mundo se conhece, todo mundo é amigo, ninguém quer ferir suscetibilidades nem ser indelicado, sabe como é. Como eu tinha mais o que fazer, fui cuidar das minhas coisas e tocar minha vida em Brasília, onde morava desde 2001.</p>
<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/guapore8.jpg" border="0" width="450" height="338" /></p>
<p align="justify">Passado pouco mais de cinco anos, eis o Guaporé em primeira página numa edição de domingo. Sinceramente, não vai aqui nenhuma crítica ao tempo que o assunto levou para ganhar a atenção de um periódico local. Como jornalista, poderia achar a matéria fria, mas como memorialista, <strong>me assusta a enorme possibilidade de vê-la reeditada daqui a cinco ou dez anos sem necessitar de grandes mudanças</strong>. Os anos de abandono terão aumentado, portas e paredes terão caído e talvez as traças tenham morrido de fome. De resto, <strong>é provável que tudo continue igual</strong>. Infelizmente. Espero estar errado, mas não apostaria nisso.</p>
<p align="justify">Que o jornalismo se apresse em fazer seu trabalho de registrar e denunciar. Que a História, com sua infinita paciência, possa utilizar as lições do passado para construir um futuro melhor. Pena que poucos saibam que só existe um momento certo para fazer isso: o presente. Até a lição ser aprendida, veremos muita coisa vindo abaixo.</p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback3.jpg" usemap="#Map3" border="0" height="25" /></center><br />
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		<title>Verdade para quê?</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/11/23/verdade-para-que/</link>
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		<pubDate>Sun, 23 Nov 2008 04:38:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo cão]]></category>
		<category><![CDATA[Periódicos]]></category>

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		<description><![CDATA[Depois da óbvia capa com Obama, a Veja (sempre ela… Leu na Veja? Azar o seu.), retoma sua série de capas apelativas, demonstrando que a fofoca e o mundo cão são negócios mais rentáveis que o jornalismo. Como todo o &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/11/23/verdade-para-que/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/veja380.jpg" align="right" height="193" width="156" />Depois da óbvia capa com Obama, a <em>Veja</em> (sempre ela… Leu na <em>Veja</em>? Azar o seu.), retoma sua série de capas apelativas, demonstrando que <strong>a fofoca e o mundo cão são negócios mais rentáveis que o jornalismo</strong>.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Como todo o planeta parece estar em paz, não há catástrofes, problemas ambientais ou sociais acontecendo e falta imaginação para uma boa reportagem, a pedida é requentar algo que provoque a sede de sangue do leitor. Na falta de algo melhor (ou pior), os duzentos dias de férias do casal Nardoni são motivo de capa.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">O julgamento público continua e a idéia é mostrar a boa vida dos dois. Não há qualquer novidade sobre o caso ou sobre o andamento do processo. A “reportagem especial” parece querer somente alimentar o ódio e a vontade de linchamento.<o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" align="justify">O atual jornalismo brasileiro segue a vocação quinto-mundista de escrever com sangue e fazer ferver o do <em>ledor</em> bruto, que se finge leitor com desejo de informação. A capa desta semana de <em>Veja</em> me pareceu ainda mais sem sentido pois, no mesmo dia em que chegou às bancas, finalmente saquei do envelope o livro <strong><em>Maddie – A verdade da mentira</em></strong>, sobre <a href="http://sic.aeiou.pt/online/noticias/pais/multimedia/maddie+1+ano.htm" target="_blank">o caso da garotinha inglesa desaparecida em Portugal</a> em maio de 2007.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">O livro foi escrito por Gonçalo Amaral, Coordenador Operacional das investigações do caso, desde o início, em 3 de maio de 2007, até 2 de outubro do mesmo ano, quando foi afastado. Aposentou-se em junho deste ano e, no mesmo mês, lançou o livro com o qual pretende apontar a verdade sobre os acontecimentos com a menina.<o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/maddie.jpg" align="right" height="227" width="156" /><strong>Um mês depois de lançado</strong>, a meu pedido, <a href="http://amazingideas-lifestyle.blogspot.com/" target="_blank"><strong>Marcelo e Renata</strong></a> me mandaram um exemplar. <strong>Já era a quinta edição</strong>. Há algumas semelhanças entre os casos de Maddie e Isabella. Há inúmeras e gigantescas diferenças na cobertura dos casos, mas em relação ao ocorrido em Portugal, vou falar somente sobre o livro.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><em>Maddie – A verdade da mentira </em>foi escrito por um policial com 26 anos de uma respeitada carreira e lançado pouco mais de um ano depois do desaparecimento, com o caso ainda sem solução. <strong>No primeiro mês, vendeu mais de 125 mil exemplares </strong>em um país com uma população quase igual a da cidade de São Paulo. Se cada exemplar foi lido por pelo menos três pessoas, quase 5% da população do país fez isso no primeiro mês de existência do livro. Se a mesma proporção fosse aplicada ao Brasil, seria como se quase toda a cidade de São Paulo – ou Portugal quase inteiro, isto é, algo perto de 10 milhões de pessoas – lesse um livro em um mês. Nem Paulo Coelho consegue uma mágica dessas.<o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Verdade seja dita, uma edição de <em>Veja </em>é lida por algo como meia cidade do Rio de Janeiro, cerca de 3 milhões de pessoas. Verdade continue sendo dita, isto é <strong>quase nada em um país com 190 milhões de habitantes</strong>. Em compensação, a cobertura dos telejornais só não atinge alguns indígenas, alguns moradores de ruas e alguns bichos-grilos que fazem questão de não ver tevê. Em resumo: <strong>somos um país de analfabetos teleguiados</strong>.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><strong>Oito em cada dez livros mais vendidos no Brasil </strong>na última década são de auto-ajuda, sobretudo os que prometem milagres nas áreas de carreira e finanças. Mesmo com toda a procura e todo o marketing, são necessários uns quatro meses para vender 125 mil exemplares. Proporcionalmente&#8230; proporcionalmente não se chega lá.<o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Esse tipo de comparação só reforça o estigma de que não lemos e de que não temos preocupação em nos aprofundarmos nas histórias, em descobrirmos a verdade. Seja como jornalistas ou como leitores, <strong>não temos tal compromisso</strong>. Tudo é uma novela e o que vem mastigado nas revistas – ou, ainda mais fácil, pelos gritos do apresentador de telejornal estilo mundo cão – basta para alimentar nossos desejos mórbidos. Não vamos além.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Um simples exemplo como este ainda denuncia outras situações suficientes para desenvolver várias teses, mas levanto uma última que é o <strong>pouco ou nenhum apreço pela verdade</strong>, o que certamente nos leva a cometer grandes injustiças e marcar a ferro e fogo juízos que ficarão para a História como reais, mesmo que pairem sobre eles todas as dúvidas. Mas isso já é <strong>assunto para o próximo texto</strong>.</p>

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		<title>80 anos de &#8220;O Cruzeiro&#8221;</title>
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		<pubDate>Mon, 10 Nov 2008 03:00:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Aniversário]]></category>
		<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Memória Viva]]></category>
		<category><![CDATA[Periódicos]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; Não sei como vocês se sentem depois das eleições. Eu, o que posso dizer é que me sinto moderadamente otimista. O que aliás não é pouco, para quem se afundava naquele desengano tão desamargurado. O parágrafo acima não é &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/11/10/80-anos-de-o-cruzeiro/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" align="justify">&nbsp;</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/cruz80.jpg" height="260" width="600" /></p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><em>Não sei como vocês se sentem depois das eleições. Eu, o que posso dizer é que me sinto moderadamente otimista. O que aliás não é pouco, para quem se afundava naquele desengano tão desamargurado.</em></p>
<p class="MsoNormal" align="justify">O parágrafo acima não é meu. É de <strong>Rachel de Queiroz</strong> em sua <em>Última Página</em>, coluna que manteve por muitos anos na revista <a href="http://www.memoriaviva.com.br/ocruzeiro" target="_blank"><em><strong>O Cruzeiro</strong></em></a>. <em>Na crista da onda</em> era o texto e foi publicado na edição de 22 de novembro de 1958, que comemorava os 30 anos da revista.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Bem poderia ser a abertura para um artigo sobre a eleição de Barack Obama na edição dos 80 anos que <em>O Cruzeiro</em> estaria completando nesta segunda. E provavelmente o mulato Obama estaria na capa da edição da semana. Um texto de <strong>David Nasser</strong> marcaria a ferro os remanescentes da América profunda, os brancos racistas que já não parecem tão fortes. Mesmo enfatizando as boas novas, escrevendo o que os leitores gostariam de ler e fortalecendo sua tendência situacionista, antes de finalizar faria uma comparação entre a histórica vitória contra o racismo nos Estados Unidos e a nossa própria seis anos antes, quando a “esperança venceu”. E aproveitaria para cobrar do novo presidente americano a revolução que não vimos por aqui.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><strong>Chateaubriand</strong> veria como chá fraco e frio a embaixada em Londres e faria mira <st1:personname productid="em Washington. A" w:st="on">em  Washington. A</st1:personname> esta altura, <em>The Cruise</em>, a versão em inglês de sua revista já teria 20 ou 25 anos e seria referência de exportação de nossas belezas. As mulheres americanas estariam acostumadas a esperar cada edição para tentar imitar nossa moda e sonhar em ter corpos perfeitos como as brasileiras. <a href="http://www.memoriaviva.com.br/carlosestevao" target="_blank"><strong>Carlos Estevão</strong></a> estaria satirizando nossos péssimos costumes – alguns tão ou mais antigos que a revista – e <a href="http://www.memoriaviva.com.br/appe" target="_blank"><strong>Appe</strong></a>, com seu traço fino, seria o elegante carrasco da desclassificada horda política.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">E se esta semana não há cento e tantas páginas de <em>O Cruzeiro </em>para celebrarmos e comprovarmos como seria essa história, temos ao menos uma página de seu único remanescente: <strong>Millôr Fernandes</strong>.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Foi em um exercício de imaginação assim que “<em>a revista contemporânea dos arranha-céus</em>” tornou-se também <a href="http://www.memoriaviva.com.br/ocruzeiro" target="_blank"><strong>contemporânea da Internet</strong></a>. E lá se vão seis anos. Debruçando-me sobre centenas de edições desde então, fiz várias viagens e aprendi História, principalmente do Brasil, como jamais havia pensado <st1:personname productid="em aprender. Mais" w:st="on">em aprender.  Mais</st1:personname> que isso, fui descobrindo e reconstituindo muitas histórias interessantes perdidas nas memórias de alguns poucos e que, aos poucos, vão sendo contadas. Isso me faz crer que essa história iniciada em 1928 ainda não terminou.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Pedindo novamente licença a Rachel, encerro essa louvação com a ajuda de suas palavras publicadas no Jubileu de Prata da revista:</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><em>Hoje, aniversário de </em>O Cruzeiro<em>, esta casa, é claro, está <st1:personname productid="em festa. Jornais" w:st="on">em festa. Jornais</st1:personname> são como chineses e não como moças bonitas: não se envergonham da idade, antes se sentem orgulhosos dos cabelos brancos e das rugas, e, quanto mais velhos, mais vaidade tiram disso. E pois, o coquetismo não está em negar a idade, mas em confessá-la abertamente: </em><strong>oitenta anos!</strong></p>
<p class="MsoNormal">Muito ainda ouviremos falar a respeito dela.<br />
<o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal"><strong>Texto relacionado:</strong><br />
<a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/06/06/mastigue-bem-antes-de-engolir/">Mastigue bem antes de engolir</a></p>

<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/11/10/80-anos-de-o-cruzeiro/&amp;text=80 anos de &#8220;O Cruzeiro&#8221;&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
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		<title>Todos na Merda</title>
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		<pubDate>Tue, 04 Nov 2008 19:41:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Periódicos]]></category>

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		<description><![CDATA[Quero vê-los sorrir, quero vê-los dançar. Chega hoje às bancas do Rio – e até o final da semana em São Paulo – a edição de número 3 da revista M. Na capa e sentado no trono, ele, o deus &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/11/04/todos-na-merda/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/sidneym.jpg" align="right" />Quero vê-los sorrir, quero vê-los dançar. Chega hoje às bancas do Rio – e até o final da semana <st1:personname productid="em S￣o Paulo" w:st="on">em São Paulo</st1:personname> – a edição de número 3 da <strong>revista <em>M</em></strong>. Na capa e sentado no trono, ele, o deus da sensualidade cigana brasileira, o dono da pélvis mais requebrante desde Elvis, o imortal e inigualável <strong>Sidney Magal</strong>.<o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" align="justify">O cantor aparece em entrevista à seção <em>Experiência pós-M</em> e conta sobre os períodos em que passou longe dos holofotes no mercado musical. Para quem ainda não conhece a revista, esta é a seção na qual alguém conta sua experiência após ter saído da merda. Não é todo mundo que assume já ter estado lá (quem nunca esteve?), muito menos no mundo das celebridades. A propósito, é este o tema da terceira edição: <em>Celebridades</em>.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><o:p></o:p>Há muito mais gente na <em>Merda</em>: Marcelo Rubens Paiva, Léo Jaime, Rosana Hermann, Marcelo Madureira, Fernando Caruso, Nani, André Dahmer, Tico Santa Cruz&#8230; <strong>Até eu estou na <em>Merda</em></strong>. Em quatro páginas, está a obra (no sentido popular nordestino do termo) <strong><em>A maior enganação do mundo</em></strong>, na qual percebe-se que “<em>a vida até parece uma festa, em certas horas isso é que nos resta</em>” e que administrar uma cidade pode ser apenas dar ao povo um rala-bucho. Mais que toda a filosofia e poesia contida nesse libelo, chamo a atenção para a assinatura, que em minha biografia estará no capítulo sobre meus dons proféticos.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><o:p></o:p><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/m3.jpg" align="left" />No ensaio sensual, a <strong>Mulher Acerola</strong>, vivida por Douglas Silva, que ganhou funk com direito a <strong><a href="http://br.youtube.com/watch?v=h8LwKIx4y1s" target="_blank">vídeo bombando no YouTube</a></strong>. Outro destaque é o <strong>Teste do Vibracall</strong>, onde uma moça de família empresta suas partes íntimas para descobrir quais aparelhos celulares têm os melhores modos de vibração para satisfazer sexualmente as mulheres. O vídeo teve vida breve no YouTube, mas está <a href="http://www.dailymotion.com/video/x78z8u_teste-do-vibra-call-na-vagina_fun" target="_blank"><strong>disponível no DailyMotion</strong></a>. Aliás, pelo que pude ver, o teste não é bem onde disseram, mas pelo menos faz vibrar no lugar certo.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify" align="justify"><o:p></o:p>Como seus editores já assumiram, <em>M&#8230;</em> “é a única revista bimestral que sai uma vez ao ano, devido a uma impressionante prisão de ventre editorial”. Prometeram curá-la a partir deste número. Sugiro procurarem <strong>patrocínio do Actvia e do Lactopurga </strong>para ver se essa merda sai com mais regularidade.<u><o:p></o:p></u></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify">Aos que não conseguirem nas bancas ou estiverem fora de Rio e São Paulo (vamos espalhar essa <em>Merda</em> pelo país todo, minha gente! Como pode não ter Merda em Brasília, na Bahia ou no Acre?), saibam que parte dessa suave fragrância pode ser alcançada pela web. No site <a href="http://www.mcorporation.com.br" target="_blank"><em><strong>M Online</strong></em></a>, além do blog sempre atualizado, a partir de amanhã (5 de outubro) tem um cheirinho da terceira edição.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><o:p></o:p>E que a <em>Merda</em> saindo hoje não seja um presságio sobre as eleições nos Estados Unidos. Espero que os americanos escolham bem aquele que vai governar o Brasil nos próximos anos e lembrem que <strong>M é de merda</strong>.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><strong>Textos relacionados:</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify">:: <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/safev07.htm">Com as mãos na Merda</a> (19.02.2007)<br />
:: <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/saout07.htm">Regininha na Merda</a> (22.10.2007)</p>

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		<title>Chacretes</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/04/21/chacretes/</link>
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		<pubDate>Mon, 21 Apr 2008 03:00:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Anos 80]]></category>
		<category><![CDATA[Erotismo]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Periódicos]]></category>

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		<description><![CDATA[Que Blitz! Que Cazuza! Que Titãs! Que nada! Quando eu ligava a tevê nas tardes de sábado, nos anos 80, eu queria mesmo ver as Chacretes. Para um pré-aborrecente, o Cassino do Chacrinha fazia as vezes de telecatecismo, por assim &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/04/21/chacretes/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/chacretes.jpg" align="right" border="0" height="314" width="238" />Que Blitz! Que Cazuza! Que Titãs! Que nada! Quando eu ligava a tevê nas tardes de sábado, nos anos 80, eu queria mesmo ver as <strong>Chacretes</strong>. Para um pré-aborrecente, o <a href="http://br.youtube.com/watch?v=ATd-ZDKvYE8" target="_blank">Cassino do Chacrinha</a> fazia as vezes de telecatecismo, por assim dizer.</p>
<p align="justify">Eu sonhava com as chacretes. Todo mundo sonhava. Mas como diria John Lennon e também o padeiro depois de esvaziar o cesto: “<em><strong>O sonho acabou</strong></em>”.</p>
<p align="justify">Engrossando as estatísticas que dizem ter aumentado em 46% a audiência dos telejornais nas duas últimas semanas, lá estava eu com a tevê ligada, à espera de mais um capítulo da <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/04/07/isabella" target="_blank">novela da menina</a> (que já não me esforço por entender porque não há o que entender) quando ouvi o porta-voz dos mauricinhos – O incrível Huck – falando algo sobre o <strong>Velho Guerreiro</strong>. Cheguei a tempo de <a href="http://belezapura.globo.com/Novela/Belezapura/Capitulos/0,,AA1677796-10261,00.html" target="_blank">ver a entrada das chacretes</a>: <strong>Rita Cadillac</strong>, <strong>Marlene Morbeck</strong>, <strong>Índia Poti</strong>, <strong>Edilma Campos</strong>, <strong>Lucia Apache</strong>, <strong>Regina Polivalente</strong>, <strong>Sandrinha Toda Pura</strong> (que ele chamou de Toda Dura&#8230; se bem que&#8230;), <strong>Cleópatra</strong>, <strong>Cleo Toda Pura</strong> e <strong>Cris Saint Tropez</strong>. Algumas me deram a certeza de que o sonho realmente acabou.</p>
<p align="justify">Justiça seja feita! <strong>As mais novas ainda estão lindas</strong> e batendo um bolão. Regina Polivalente, Cleópatra, Cleo Toda Pura e Cris Saint Tropez estão bem na fita. Mas a verdade é que nem bem a presepada terminou e minha mente sórdida de memorialista safado já estava em busca de uma edição especial da <em><strong>Internacional</strong></em> (“revista para adultos”) só com chacretes, feita ali pelo final de 1982 ou início de 1983.</p>
<p align="justify">Das que apareceram na tevê, só Rita Cadillac (sempre ela!) estava entre as quatro que posaram para a revista. As outras eram <strong>Lia Hollywood</strong>, <strong>Fátima Boa-Viagem</strong> e <strong>Índia Amazonense</strong>. Todas em ótima forma e – algo raro hoje em dia – naturalíssimas. Nada de peitões a mais ou costelas a menos. Mas o interessante mesmo dessa edição é a entrevista (me engana que eu gosto!) com Rita, Lia e Índia. Reproduzo o texto de apresentação para que vocês possam sentir o tom.</p>
<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/chacretes2.jpg" border="0" /></p>
<p align="justify">Lembrei também que, na mesma época, as três haviam participado do filme <em><strong>Tessa, a gata</strong></em>, adaptação do livro de mesmo nome de <strong>Cassandra Rios</strong> (quem tiver uma cópia, por favor&#8230; será regiamente recompensado).</p>
<p align="justify">Essas e muitas outras devem aparecer ainda este ano. As homenagens a <strong>Chacrinha</strong> – muito merecidas – não são à toa. Em julho, fará <a href="http://br.youtube.com/watch?v=kjXsJeN_yHY" target="_blank"><strong>20 anos que ele morreu</strong></a>.</p>
<p><strong> Textos relacionados</strong><br />
<a href="http://www.sandrofortunato.com.br/sajul06.htm#rita"> Rita Cadillac, uma mulher que sabe se virar</a><br />
<a href="http://www.sandrofortunato.com.br/sagost07.htm">Pecados de Cassandra</a></p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback.jpg" usemap="#Map" border="0" height="25" /></center></p>
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		<title>Mad – a saga continua</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Apr 2008 21:50:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Desenho]]></category>
		<category><![CDATA[Periódicos]]></category>
		<category><![CDATA[Quadrinhos]]></category>

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		<description><![CDATA[Esclareça-se logo: a saga que continua é a dos leitores para conseguir encontrar a revista. Morta pela terceira vez, no Brasil, em 2006; prometida para reencarnar em 2007; anunciada para fevereiro de 2008; renascida no final de março; finalmente em &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/04/11/mad-a-saga-continua/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/mad01.jpg" align="right" border="0" height="530" width="188" />Esclareça-se logo: a saga que continua é a dos leitores para conseguir <strong>encontrar a revista</strong>. Morta pela terceira vez, no Brasil, em 2006; prometida para reencarnar em 2007; anunciada para fevereiro de 2008; renascida no final de março; finalmente em minhas mãos quase em meados de abril. Aqui, na capital da Borborema, as poucas bancas que receberam a primeira edição foram agraciadas com <strong>um exemplar apenas</strong>. Consegui encontrar em uma banca escondida, mas não um segundo ou um até terceiro, como costumo fazer com primeiras edições.</p>
<p align="justify">O aviso de <a href="http://www.ota.com.br" target="_blank">Ota</a> na <a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=81586" target="_blank">comunidade da revista no Orkut</a> não era treta: “<em><strong>Comprem porque vai virar raridade</strong>. Os babacas da Panini fizeram uma tiragem ridícula, esta nova </em><strong>Mad</strong><em> vai virar peça rara de colecionador</em>”. Já virou.</p>
<p align="justify">Deve ter sido ali pelos 10 ou 11 anos de idade que comprei a <em>Mad</em> pela primeira vez, editada ainda pela Vecchi, no que viria a ser conhecida como a “primeira série brasileira”. O resto, todo mundo já sabe: morreu, ressuscitou pela Record, morreu de novo, ressuscitou pela Mythos, morreu outra vez e aí está pela Panini, sabe-se lá até quando.</p>
<p align="justify">Segundo Ota me disse por e-mail, não avaliaram bem “<em>o potencial da revista e imprimiram menos do que deveriam. Então vai realmente faltar, se as coisas continuarem nesse ritmo. Mas vai ser mensal. Ela está quase igual à série anterior, exceto que agora é toda colorida e tem 8 páginas a menos, sendo que a impressão é MIL VEZES melhor. Mas com certeza não deve ir pra Portugal</em>”.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/mad02.jpg" align="left" border="0" height="530" width="188" />Bem, a <em>Mad</em> é a <em>Mad</em>. Com essa sentença, quero dizer que há várias gerações, incluindo as mais novas que nem conheciam a revista, que vão atrás de <strong>conferir o mito que é a revista</strong>. Nesse embalo, outro mito é cobrado por tudo que se refere ao nome <em>Mad</em> neste país. E pelo que <a href="http://www.ota.com.br/blog" target="_blank">escreveu em seu blog</a> um dia desses, Ota já está de saco cheio disso.</p>
<p align="justify">Gostei desse primeiro número, mas senti falta de uma galera antiga que já morreu ou não aparecia desde a série anterior. Dos mestres, <strong>Aragonés</strong> marca presença em sete das 44 páginas (contando as capas). E é ótimo vê-lo em cores. Aliás, a revista estar toda em cores foi algo que desagradou muita gente. Eu gostei.</p>
<p align="justify">Estava com saudades das <strong>sátiras aos filmes</strong>, marca registrada da revista, ainda mais em tempos de sucessos nacionais. Pena que <strong><em>Meu nome não é Enjôony</em></strong> tenha ficado em uma página apenas. Pena maior não ter visto (ainda, espero) a paródia de <em>Tropa de elite</em>, mesmo com atraso e em tempos de charges eletrônicas que já sugaram o mote até o último caroço. Clássico é clássico. <strong><em>Droga de elite</em></strong> (a vontade denunciada na página de <em>Enjôony</em>) certamente entraria na seleção de grandes versões da Mad.</p>
<p align="justify"><strong>A capa dessa primeira edição</strong>, que parece ter sido feita especialmente para celebrar a volta da revista do mundo dos mortos, <strong>é</strong> <strong>a mesma da edição americana</strong> de novembro último. O pôster de Che Neuman Guevara também foi capa da matriz no mês passado. A próxima capa, já mostrada no morno e escondido <a href="http://web.hotsitepanini.com.br/mad" target="_blank"><em>hotsite</em> da Mad brazuca</a>, traz paródia de <em>Heroes</em> e já se sabe que vem por aí <strong>uma edição “feita por macacos”</strong>&#8230; como a <em>Mad</em> americana deste mês. Com <strong>tantos talentos e tanto assunto por aqui</strong>, espera-se (pelo menos eu espero) que a revista tenha <strong>mais conteúdo brasileiro</strong> ou vai correr o risco de vender só para adolescentes educados pelo Tio Sam. Pensando bem, eles sabem fazer lixo muito melhor que qualquer outro. Particularmente, já começo a sentir falta da <a href="http://www.ota.com.br/eca" target="_blank"><strong><em>Eca</em></strong></a>.</p>
<p align="justify"><font color="#ffffff">.</font></p>
<p align="center">* * *</p>
<p align="justify">Ainda sobre lançamento – esse recentíssimo –, na onda das revistas eletrônicas editadas como as de papel, acaba de ser lançada a <em><strong>Feed-se</strong></em>, voltada para o público blogueiro (se você está lendo isso&#8230;). <a href="http://www.feed-se.com.br" target="_blank">Baixe a primeira</a> e boa leitura.</p>

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		<title>Isabella</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Apr 2008 13:48:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo cão]]></category>
		<category><![CDATA[Periódicos]]></category>

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		<description><![CDATA[Gostaria de começar a semana com um tema mais ameno, mas isso parece quase impossível. Então vamos à pauta que, por hora, abrandou a temperatura do óleo em que estão fritando Dilma Roussef. Há poucos dias, cansados e desesperados pela &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/04/07/isabella/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/isabella.jpg" border="0" height="264" width="600" /></p>
<p align="justify">Gostaria de começar a semana com um tema mais ameno, mas isso parece quase impossível. Então vamos à pauta que, por hora, abrandou a temperatura do óleo em que estão fritando Dilma Roussef.</p>
<p align="justify">Há poucos dias, cansados e desesperados pela terrível fase de birra que Pietro vem apresentando, resolvemos desaposentar a empoeirada tevê que jazia há meses empoeirada em um canto da casa. Ligar a tevê, para mim, é realmente um ato de desespero. Principalmente quando as opções são apenas os canais abertos. Isso feito, acontece <strong>a morte da garota Isabella</strong>. E o que serviria de babá a Pietro, passa a ser governanta de seu pai.</p>
<p align="justify">Peguei-me esperando o jornal seguinte. E o próximo e ainda o outro. Além do sentimento comum de desejo por justiça, minha atenção se voltou, desde o primeiro instante, para <strong>o roteiro da novela</strong>, isto é, para o tratamento dado à notícia.</p>
<p align="justify">Estamos acostumados a esse tipo de caso. Sob holofotes, <strong>as autoridades se sentem no <em>Big Brother</em></strong>. De agentes do submundo passam a celebridades e, como em qualquer <em>reality show</em>, querem mostrar aos espectadores uma imagem de distinção, competência, bom caráter, de donos da situação e de todos os poderes. A cada início de telejornal fico na expectativa do surgimento de Pedro Bial a dizer “<strong><em>Vamos ver como andam os nossos heróis</em></strong>” para, em seguida, chamar delegado, promotor, policiais e suspeitos.</p>
<p align="justify"><strong>Segredo de Justiça</strong> é algo tão bem guardado que há quem acredite que isso não existe. <strong>É pura ficção</strong>. O que está em segredo diante de tudo que tem sido exposto? O caso Isabella rende teses – que não cabem aqui – sobre o discurso da comunicação de massa. A tevê, parece-me, está ligeiramente mais cuidadosa. Assim como “os heróis” que se apresentam diante das câmeras. “<em>Não estou acusando&#8230;</em>”,  “<em>Não estou dizendo&#8230;</em>”, “<em>É bom ter cuidado&#8230;</em>”. É bom ter <strong>muito cuidado</strong>.</p>
<p align="justify">As principais revistas semanais foram mais enfáticas. Parecem aliviadas com <strong>a quebra do longo jejum de sangue inocente</strong>. Desde fevereiro do ano passado, quando <strong>o garoto João Hélio</strong> foi arrastado por quilômetros por um carro roubado, não víamos nada parecido. Pelo menos não tão perto e tão espetacular, no sentido mais bizarro e <em>business</em>, do termo. Há <a href="http://www.findmadeleine.com" target="_blank">o caso da inglesinha Madeleine</a>, desaparecida há quase um ano em Portugal, mas não só parece distante como não foi apresentado um corpo ao circo de horrores que se cria nesses casos. Madeleine é só especulação. Pode ter tido um fim (se é que) muito parecido com o de Isabella, mas esta é uma história de mistérios onde conhecemos o fim mas desconhecemos o que levou a ele. É como nos filmes em que <strong>a primeira cena é a da morte</strong> do personagem principal e que nos obriga a ficar sentados e hipnotizados à espera de que se mostre o porquê.</p>
<p align="justify">A história toda é muito confusa. Segue um roteiro no qual aumentam as dúvidas à medida que aumentam as informações. É porque, como nos filmes, <strong>só faltam as informações realmente necessárias</strong>: <em>Quem? Como? Por que?</em></p>
<p align="justify"><strong>Crimes envolvendo família</strong> – sejam por dinheiro, ciúmes ou qualquer outro motivo injustificável – <strong>costumam ser desvendados logo</strong>. As confissões aparecem rápido. Deixo aos psicólogos, psiquiatras e religiosos as explicações pelo desejo de expiação por parte de quem os comete. Da <a href="http://www.memoriaviva.com.br/ocruzeiro/30071960/300760_1.htm" target="_blank">Fera da Penha</a> ao casal Richtofen, passando por Daniela Perez, os “<em>quens</em>”, “<em>comos</em>” e porquês sempre aparecem.</p>
<p align="justify">Além de “<strong>Por que?</strong>”, há outras perguntas que sempre me vêm nesses casos.</p>
<p align="justify"><strong>1) Como é que alguém faz algo assim e dorme?</strong><br />
<strong>2)</strong> Como é que alguém pode defender quem fez isso? (Todos têm direito à defesa. Isso é incontestável. O que me assombra é como um advogado pode mentir para tentar livrar a cara do criminoso como se ele não tivesse cometido o crime. E, neste caso específico, nem estou dizendo que isso exista até o momento. Eu só consigo conceber a seguinte atitude: “<em>Você fez? OK. Vamos tentar entender o que aconteceu, evitar o linchamento e buscar uma pena justa segundo o que dizem nossos códigos</em>”.)<br />
<strong>3)</strong> Que tipo de desequilíbrio pode levar a cometer um ato como esse?<br />
<strong>4) </strong>Quando as autoridades aprenderão que alimentar um circo em torno de casos assim atrapalha muito mais do que ajuda?<br />
<strong>5) </strong>Quando a imprensa aprenderá que não tem poderes de polícia nem muito menos de juiz e que suas condenações, invariavelmente precipitadas, são mais severas e, no caso de um julgamento errado, não há como reverter o estrago causado?<br />
<strong>6)</strong> Quando teremos uma<strong> reforma penal</strong> decente que responderá à altura a crueldade de nossos tempos?</p>
<p align="justify">Se alguém puder respondê-las, agradeço.</p>

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		<title>Em Realidade</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Apr 2008 11:00:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Memória Viva]]></category>
		<category><![CDATA[Periódicos]]></category>

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		<description><![CDATA[O pau comeu na casa de Noca, ou melhor, aqui na redação do Sempre Algo a Dizer durante a reunião de pauta para saber que encaminhamento seria dado a este texto sobre a revista Realidade. Eu, Sandro F., repórter, 35 &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/04/01/em-realidade/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/realidade.jpg" border="0" height="154" width="600" /></p>
<p align="justify">O pau comeu na casa de Noca, ou melhor, aqui na redação do <font color="#e01e2e"><em><strong>Sempre Algo a Dizer</strong></em></font> durante a reunião de pauta para saber que encaminhamento seria dado a este texto sobre a<em><strong> </strong></em>revista <em><strong>Realidade</strong></em>.</p>
<p align="justify">Eu, Sandro F., repórter, 35 anos, nem drogado nem prostituído, sugeri uma exaltação ao bom jornalismo, à imersão na reportagem, aos bons tempos em que ser jornalista era motivo de orgulho. Nosso editor, S. Fortunato, disse que seria mais interessante mostrar o ambiente cultural e jornalístico em que a revista surgiu, compará-la a já sem fôlego <a href="http://www.memoriaviva.com.br/ocruzeiro" target="_blank"><strong><em>O Cruzeiro</em></strong></a>, falar sobre o público que exigia uma publicação como <em>Realidade</em>. O Redator-chefe, Sandro Fortunato, queria uma contextualização mais política, em que se falasse como um investimento empresarial teoricamente apoiado pelo governo militar podia se mostrar tão de esquerda e abordar tantos temas-tabus; que se enfatizasse seu surgimento dois anos depois do golpe e a mudança sofrida com o AI-5. Foi então que outro redator, o Sandrão, lembrou que esses tempos áureos – do lançamento a dezembro de 1968 – tinham no pelotão de frente os jornalistas <strong>Paulo Patarra</strong> e <strong>Sérgio de Souza</strong>, que nos deixaram este ano.</p>
<p align="justify">Em realidade, vos digo: falar de <em>Realidade</em> sem desenvolver uma tese acadêmica, escrever um livro (jamais escrito!) ou tomar pelo menos uma dúzia de páginas como a revista fazia para cada matéria é muito difícil. A parada foi resolvida de maneira bem democrática: os chefes mandaram e eu obedeci. “Põe tudo isso aí em um texto rápido para o leitor-internauta, fala das principais capas e reportagens do período 66-68 e avisa que tem um site que vai disponibilizar um sistema de pesquisa para se saber em qual edição saiu cada matéria, quem escrevia na revista, etc”, disseram eles. “Então tá”, disse eu.</p>
<p align="center">* * *</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/realidade01.jpg" align="right" border="0" />O golpe militar de 1964 começou com uma grande mentira: a data. Os militares insistindo que tudo se desenrolou no dia 31 de março; todo o restante dizendo que havíamos acordado sob fuzis em <strong>1º de abril, dia da mentira</strong>.</p>
<p align="justify">Foi também com uma mentira que <em>Realidade</em> fez sua estréia dois anos depois, em <strong>abril de 1966</strong>. <em><strong>Foi assim que ganhamos o Tri</strong></em>, dizia a primeira chamada na capa que trazia <strong>Pelé</strong> sorrindo e ostentando o <em>busby</em> usado pelos guardas da Rainha Elizabeth, numa antecipação do que seria o resultado da Copa do Mundo, a se realizar na Inglaterra dali a três meses. Aquele foi o primeiro furo – não no sentido jornalístico, de dar a notícia antes de todos – da revista, que inventou de brincar com o que ainda não era e nem viria a ser realidade. A reportagem-sonho e o sonho de uma grande revista de reportagem acabariam logo. A primeira seria enterrada pela Hungria, no jogo que fez <strong>Garrincha</strong> conhecer sua única derrota com a camisa da seleção, e por Portugal; o segundo acabaria em dezembro de 1968, com o decreto do Ato Institucional número 5.</p>
<p align="justify">Na <em>Carta do Editor</em>, assinada por <strong>Victor Civita</strong>, publicada na primeira edição da revista, há um “afago diplomático nos líderes da revolução”: “<em>Queremos comunicar a nossa fé inabalável no Brasil e no seu povo, na liberdade do ser humano, no impulso renovador que hoje varre o País, e nas realizações da livre iniciativa</em>”. <strong>Assis Chateaubriand</strong>, dono dos Diários Associados da qual a já não mais poderosa revista <em>O Cruzeiro</em> fazia parte, acreditava que a nova concorrente era protegida pelo governo. Conchavos e ciúmes à parte, <em>Realidade</em> dava um banho de jornalismo, seguindo a tendência do <em>new journalism </em>norte-americano. No ano de seu lançamento, abordaria vários temas-tabus como a pílula anticoncepcional, jogo do bicho, divórcio, juventude e sexo, celibato na Igreja e educação sexual da criança. Na edição de dezembro, enquanto outras revistas costumavam usar símbolos cristãos, reforçando a fé e os costumes religiosos, perguntava na capa: <strong><em>Deus está morrendo?</em></strong></p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/realidade10.jpg" align="right" border="0" />O ano de <strong>1967</strong> começaria de forma inesperada para <em>Realidade</em>. A edição de janeiro, número 10, especial, trazia um raio X da mulher brasileira da época. <em>O que elas pensam e querem</em>, <em>Confissões de uma moça livre</em> e <em>Eu me orgulho de ser mãe solteira</em> eram algumas das chamadas. Um juiz de Menores entendeu que a revista tinha caráter obsceno e era “<em><strong>profundamente ofensiva à dignidade e à honra da mulher</strong></em>” e mandou apreender a edição. Somente na gráfica, foram retidos 231.600 exemplares de um total de 475 mil. Ironia que uma edição em homenagem à mulher fosse considerada ofensiva a ela. Ironia mesmo seria a liberação, vinte meses depois, como veremos mais adiante.</p>
<p align="justify"><strong>A censura</strong> parece ter aumentado a vontade de falar de tudo sem freios. A edição seguinte traria na capa um superclose de uma mulher, em delírio quase orgástico, fazendo alusão ao carnaval. Na de março, uma matéria sobre como os comunistas tomaram o poder na Rússia. Em abril, <strong>Carlos Lacerda</strong> falava sobre o antiamericanismo. A de maio, com uma matéria sobre drogas, mostrava na capa um homem se injetando. Em junho, uma matéria sobre censura. Em outubro, matéria de capa sobre racismo no Brasil e nos Estados Unidos. Em novembro, a verdade sobre a renúncia de <strong>Jânio</strong> e, fechando o ano, a edição de dezembro trazia uma mulher nua cobrindo os seios numa chamada para uma matéria sobre sonhos.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/realidade32.jpg" align="right" border="0" />Como todos sabem, o ano seguinte, <strong>1968</strong>, traria tristes lembranças ao país. Realidade entrou o ano tentando esclarecer as coisas. <em>Por que o homem bebe</em>, <em>por que morre o brasileiro</em>, <em>por que lutam os protestantes</em>, <em>por que a América é odiada</em> eram as chamadas de capa da edição de janeiro. Em fevereiro perguntava <em><strong>Quem ameaça o Brasil: esquerda ou direita?</strong></em> Em abril, a capa trazia <strong>Fidel Castro</strong>; em agosto, <strong>Che Guevara</strong>.</p>
<p align="justify">Em novembro de 1968, a matéria principal era a cobertura das eleições presidenciais americanas por Carlos Lacerda. Quase <strong>23 páginas</strong> foram dedicadas a mostrar que, apesar de tudo, os Estados Unidos eram <strong>livres para escolher seus representantes</strong>. Essa edição tem ainda outras peculiaridades. O primeiro texto contava a vitória conseguida pela revista junto ao Supremo Tribunal Federal: <strong>a liberação da edição especial sobre a mulher</strong>, no dia primeiro de outubro. Era uma vitória. Mesmo que, um ano depois da apreensão, 225 mil exemplares tenham sido destruídos. Na última página, na seção Brasil pergunta, o questionamento era: <em><strong>Está em marcha um golpe de estado para derrubar o atual governo?</strong></em> Na primeira página, ao lado do sumário, no expediente, ainda não se sabia mas era a última vez em que apareceriam os nomes de Paulo Patarra e Sérgio de Souza como diretor e editor de texto, respectivamente. Quase toda a redação se demitiria.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/realidade33.jpg" align="right" border="0" /><strong>Dezembro de 1968</strong> traria o endurecimento do regime militar. <strong>Decretado o AI-5</strong>, dentre outros absurdos, estabelecia-se a <strong>censura prévia</strong>. A edição daquele mês marcava o fim do melhor período de <em>Realidade</em> e também era recheada de detalhes especiais. Na capa, o último feito de Paulo Patarra: uma entrevista com <strong>Luís Carlos Prestes</strong>. Na parte de esportes, uma matéria dizia que “<em>o caminho da seleção brasileira até a Copa do Mundo de 1970, no México, passa pela esquerda</em>”. <strong>Gerson</strong>, <strong>Rivelino</strong> e <strong>Tostão</strong>, em página inteira, ladeados pelo título: <em><strong>Nestas esquerdas o Brasil confia</strong></em>. A revista ainda brindava os leitores com a edição completa de <em><strong>A revolução dos bichos</strong></em>, de <strong>George Orwell</strong>. O conto, que deixa claro o desencanto do autor com o socialismo ante a ascensão do Stalinismo poderia servir como propaganda do governo, mas ali estava como “<em><strong>uma veemente de denúncia de todo tipo de totalitarismo e opressão</strong></em>”.</p>
<p align="justify"><em>Realidade</em> seguiria até a edição 120, de março de 1976. Mas essa já seria outra <em>Realidade</em>.</p>
<p align="center">* * *</p>
<p align="justify"><strong>Abril de 2008</strong>. A edição deste mês da revista <em>Caros Amigos</em> não deve trazer o nome de Sérgio de Souza como editor. Ele faleceu no dia 25 de março. Dois meses antes, em 21 de janeiro, foi Paulo Patarra. Esses dois certamente estavam tramando algo e devem estar lançando uma revista, em algum lugar, por esses dias.</p>
<p align="justify">Também neste abril, o site <a href="http://www.memoriaviva.com.br" target="_blank"><strong>Memória Viva</strong></a> começará a disponibilizar a <strong>catalogação de seu acervo</strong>. Essa primeira fase inclui o período que vai <strong>desde o lançamento de <em>Realidade</em></strong>, em abril de 1966, <strong>até a edição 45</strong>, de dezembro de 1969. Será possível pesquisar por títulos das matérias, nomes dos colaboradores e palavras-chaves. <strong>Não se trata de digitalização da revista</strong>. O sistema <strong>é uma ferramenta para auxiliar pesquisadores</strong> que têm determinados periódicos como objeto de estudo mas não têm acesso a coleções completas. Na fase inicial do projeto estão sendo catalogados <em>Realidade</em> e o jornal <strong><em>O Pasquim</em></strong>. O lançamento será feito no final deste mês e faz parte das <strong>comemorações pelos 10 anos do site Memória Viva</strong>.</p>

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		<title>Eles gostam de aparecer por aqui</title>
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		<pubDate>Wed, 19 Mar 2008 23:11:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Desenho]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/fredbalcao.jpg" border="0" /></p>
<p align="justify">O desenho de <strong>Hermes</strong> na <a href="http://www.carosamigos.com.br" target="_blank"><strong><em>Caros Amigos</em></strong></a> deste mês era o que estava faltando para me fazer escrever. Nos últimos dias tenho estado tão envolvido em meus projetos pessoais que acabei boicotando toda tentativa de texto. Achei que seriam (mais) chatos (que o normal). Mas, afinal, este não é um blog dos mais comuns. Nada de Ctrl+C/Ctrl+V de poeminhas e textículos, quase nunca uma opinião sobre algum tema quente.</p>
<p align="justify">Vivo com meus fantasmas, como o Fred Balcão, personagem de Hermes. E hoje, quando abri a revista, o desenho de <strong>Fellini</strong> pulou antes mesmo de eu perceber que página era aquela. Fellini é um dos meus queridos fantasmas. Estava para falar mais uma vez sobre ele esta semana. Comprei recentemente uma edição da revista <strong><em>Realidade</em></strong> (faltam poucos números para completar a coleção) que trazia uma matéria que poderia ser boba, mas me pareceu interessante: <em>Um dia na vida de Fellini</em>.</p>
<p align="justify">O texto introdutório me surpreendeu pois dizia ser ele “<strong><em>um homem que não gostaria de deixar sinais de sua presença no mundo, ‘para não ser jamais julgado pelas coisas que fiz</em>’</strong>”. Sim, a matéria era sobre o Fellini que você pensou, o Federico. Só mesmo um gênio para pensar e brincar com essa <strong>impossibilidade</strong>.</p>
<p align="justify">Àquela altura, agosto de 1973, Fellini já havia dirigido três filmes ganhadores do Oscar de Filme Estrangeiro (língua não-inglesa) e estava prestes a ganhar outro com <em><strong>Amarcord</strong></em>, filme que nem coloco em minha lista de melhores de todos os tempos, pois acho uma covardia compará-lo com qualquer outro.</p>
<p align="justify">Essa mesma edição trazia Hitler na capa. Dentro, 16 páginas com trechos de uma série de dez artigos escritos por Werner Maser para a revista alemã <em>Der Spiegel</em> e adquiridos com exclusividade, por <em>Realidade</em>, para reprodução no Brasil. E ainda: 73 de 135 fotos escolhidas pela <em>Associated Press</em> como as melhores que haviam passados pela agência até então e um resumo do livro, à época ainda inédito no Brasil, <em>The Hindenburg</em>, de Michael Mooney, sobre o incêndio do dirigível nazista. Que revista era <em>Realidade</em>, hein? E essa edição estava longe de seus melhores momentos.</p>
<p align="justify">Tenho estado imerso nas páginas de <em>Realidade</em>, mas precisamente em seus primeiro anos – 1966 a 1969 – por que estou dando os toques finais na primeira parte do <strong>meu acervo</strong> que ficará <strong>disponível para consulta</strong> no <a href="http://www.memoriaviva.com.br" target="_blank"><em><strong>Memória Viva</strong></em></a> a partir do próximo mês. Não se trata de digitalização e reprodução das páginas, como muita gente pensou e divulgou quando falei desse trabalho em relação a’ <em><strong>O Pasquim</strong></em> (as primeiras edições do jornal também estarão disponíveis para consulta nessa primeira fase). É uma catalogação. Falarei mais a respeito na próxima semana.</p>
<p align="justify">Esses primeiros anos de <em>Realidade</em> são os que têm <strong>Paulo Patarra</strong>, um de seus fundadores, como redator-chefe. Patarra morreu em janeiro deste ano. A <em>Caros Amigos</em> de fevereiro traz sua “última conversa gravada”. É nessa edição que tem também uma imperdível entrevista com <a href="http://www.marcosbagno.com.br" target="_blank"><strong>Marcos Bagno</strong></a>, lingüista, professor da UnB, autor do livro <em><strong>Preconceito lingüístico – o que é, como se faz</strong></em> (em 49ª edição), fundamental para qualquer <strong>escrevedor de brasileiro</strong>. De forma sábia, a revista admite que “<em>certamente por ignorância, a gente ‘descobriu’ só agora um representante do grupo de lingüistas que está virando de cabeça pra baixo o português que todos aprendemos na escola</em>”. É impossível ter contato com o pensamento de Bagno e se manter o mesmo. Concordando ou discordando. Desde que comprei o livro citado na Livraria Universidade, próxima ao Restaurante Universitário da UnB, há alguns anos, me vi livre dessas bobajadas (uau!) sobre “escrever português corretamente”. Sobre<strong> a necessidade de saber se expressar</strong> e sobre <strong>a imbecilidade dos caçadores de erros alheios</strong>, <strong><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/sanov06.htm">escrevi aqui</a></strong>, em novembro de 2006, nos textos <em><strong>Comunicação, expressão e a falência das normas</strong></em> e <strong><em>Eu se amarrei no sugerimento do Dunga</em></strong>. Valem uma relida.</p>
<p align="justify">Bagno, na edição deste mês, estréia sua coluna <em><strong>Falar brasileiro</strong></em>. Bola dentro. Se você tinha medo do Pasquale e congêneres, liberte-se com a leitura de Marcos Bagno. Também nessa edição, entrevista com <a href="http://www.luisnassif.com.br" target="_blank"><strong>Luis Nassif</strong></a>. Ponto principal: <a href="http://luis.nassif.googlepages.com/home" target="_blank"><strong>o pau com a <em>Veja</em></strong></a>. Leia.</p>
<p align="justify">Estou de volta à revista que trouxe o desenho que abriu este texto e com a impressão denunciada pelo personagem que chamou minha atenção. Nele, o cineasta italiano, assim como eu, percebe “<em>minha vida passou tão rápido. Ela me parece um longo filme de Fellini, sem cortes</em>”. É assim que tenho vivido. Ainda bem!</p>
<p align="justify">Volto depois que for embora o “<strong><em>coelhinho da Paz</em></strong>”, como diz <strong>Pietro</strong> na sabedoria de seus quase três anos. <strong>Boa Paz a todos.</strong></p>

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		<title>De Bundas</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Feb 2008 15:48:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
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		<category><![CDATA[Texto de quinta]]></category>

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		<description><![CDATA[A bunda tem o poder. Rita Cadillac já sabia disso. Gretchen já sabia disso. Carla Perez, Scheilas, o Brasil inteiro sabia disso. A bunda de Simone de Beauvoir fez este blog bombar. Se fosse seu pensamento&#8230; Duvido! Que acharia Simone &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/02/14/de-bundas/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/bundas.jpg" align="right" border="0" height="257" width="208" />A bunda tem o poder. Rita Cadillac já sabia disso. Gretchen já sabia disso. Carla Perez, Scheilas, o Brasil inteiro sabia disso. <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/02/12/mexeram-na-bunda-da-simone">A bunda de Simone de Beauvoir</a> fez este blog bombar. Se fosse seu pensamento&#8230; Duvido! Que acharia Simone de tudo isso? Ela que disse: “<em>Não se nasce mulher: torna-se</em>”. Que diria diante do poder da bunda? <a href="http://www.memoriaviva.com.br/drummond" target="_blank">Drummond</a> deu a resposta: “<em>A bunda basta-se</em>”.</p>
<p align="justify">Para os que não entenderam, para os que acharam familiar a capa de <em>Fesses</em>, explico. Com a polêmica sobre a foto retocada de Beauvoir na capa da <a href="http://hebdo.nouvelobs.com/hebdo/parution/p2252" target="_blank"><em>Le Nouvel Observateur</em></a>, pensei imediatamente na revista <em><strong>Bundas</strong></em>, lançada por Ziraldo e outros remanescentes de <em>O Pasquim</em> em junho de 1999. A número 1 é esta que ilustra o texto. A partir dela, criei a <em>Fesses</em>, coloquei a frase de Nelson Rodrigues – <em>Indecente é a cara</em> – numa versão para Simone, indiquei o que a verdadeira foto deveria ou não conter (como se faz em qualquer produto que se vá consumir) e pronto.</p>
<p align="justify">Para terminar, deixo-os com a bunda cantada pelo poeta:</p>
<p align="justify"><font color="#ffffff">.</font></p>
<p><strong>A bunda, que engraçada</strong></p>
<p>A bunda, que engraçada.<br />
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.</p>
<p><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/bunda.jpg" align="right" border="0" height="283" width="220" />Não lhe importa o que vai<br />
pela frente do corpo. A bunda basta-se.<br />
Existe algo mais? Talvez os seios.<br />
Ora &#8211; murmura a bunda &#8211; esses garotos<br />
ainda lhes falta muito que estudar.</p>
<p>A bunda são duas luas gêmeas<br />
em rotundo meneio. Anda por si<br />
na cadência mimosa, no milagre<br />
de ser duas em uma, plenamente.</p>
<p>A bunda se diverte<br />
por conta própria. E ama.<br />
Na cama agita-se. Montanhas<br />
avolumam-se, descem. Ondas batendo<br />
numa praia infinita.</p>
<p>Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz<br />
na carícia de ser e balançar<br />
Esferas harmoniosas sobre o caos.</p>
<p>A bunda é a bunda<br />
redunda.</p>
<h5><strong>Carlos Drummond de Andrade © Graña Drummond<br />
In <em>O amor  Natural</em> – Editora Record &#8211; 1992<br />
Ilustração de Milton Dacosta</strong></h5>

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		<title>Mexeram na bunda da Simone de Beauvoir!</title>
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		<pubDate>Tue, 12 Feb 2008 16:18:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por uma questão de ética e princípios históricos Versão Herbert Richers: Abaixo o Photoshop! Abaixo a ditadura da magreza! Abaixo a beleza padronizada! Não entendeu nada? Então clique aqui.
<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/02/12/mexeram-na-bunda-da-simone/&amp;text=Mexeram na bunda da Simone de Beauvoir!&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h4 align="center">Por uma questão de ética e princípios históricos</h4>
<h4 align="center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/simone01.jpg" border="0" height="392" width="300" /></h4>
<h4 align="center">Versão Herbert Richers:</h4>
<h4 align="center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/simone02.jpg" border="0" /></h4>
<h4 align="center">Abaixo o Photoshop! Abaixo a ditadura da magreza! Abaixo a beleza padronizada!</h4>
<h4 align="center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/simone03.jpg" border="0" height="392" width="300" /></h4>
<h4 align="center">Não entendeu nada? Então <a href="http://diversao.uol.com.br/ultnot/2008/02/11/ult4326u650.jhtm" target="_blank">clique aqui</a>.</h4>

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		<title>As aventuras de Angelo Agostini</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Jan 2008 22:00:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O nosso Dia Nacional dos Quadrinhos, comemorado em 30 de janeiro, nos foi dado por um italiano. Nesta data, em 1869, Angelo Agostini publicava o primeiro capítulo de As aventuras de Nhô Quim na revista Vida Fluminense. Com um protagonista, &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/01/30/as-aventuras-de-angelo-agostini/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/agostin1.jpg" border="0" /></p>
<p align="justify">O nosso <strong>Dia Nacional dos Quadrinhos</strong>, comemorado em 30 de janeiro, nos foi dado por um italiano. Nesta data, em 1869, <strong>Angelo Agostini</strong> publicava o primeiro capítulo de <em><strong>As aventuras de Nhô Quim</strong></em> na revista <em><strong>Vida Fluminense</strong></em>.</p>
<p align="justify">Com um protagonista, desenhos seqüenciados e consistência narrativa, já podíamos dizer: <em>Sim, nós temos quadrinhos!</em> Foram catorze capítulos e sem final. Somente os nove primeiros foram desenhados por Agostini. Os outros cinco foram feitos por <strong>Cândido A. de Faria</strong>. Nhô Quim era um caipira rico, atrapalhado e sem maldade. Suas desventuras na Corte era o cenário ideal para que Agostini criticasse os “problemas urbanos, modismo, costumes sociais e políticos da época”.</p>
<p align="justify">No entanto, uma outra historieta de Agostini é apontada como sendo a precursora das HQs brasileiras. <em><strong>As cobranças</strong></em>, de 1867, publicada em <em><strong>O Cambrião</strong></em>. Com <em><strong>As aventuras de Zé Caipora</strong></em>, que começaram a ser publicadas em 27 de janeiro de 1883, na <strong><em>Revista Illustrada</em></strong>, de propriedade Agostini, está formada a tríade que dá início à História das nossas histórias em quadrinhos.</p>
<p align="justify">Desde o início da <em>Revista Illustrada</em>, em 1876, Agostini apresentava algum tipo de história sequenciada, ainda que somente para ilustrar alguma situação cômica ou criticar algo, sem um personagem fixo ou qualquer tipo de continuidade além da circunstância mostrada em um único número.</p>
<p align="justify">Em 2002, o Senado Federal editou <em><strong>As aventuras de Nhô Quim &amp; Zé Caipora – Os primeiros quadrinhos brasileiros 1869-1883</strong></em>, organizado por Athos Eichler Cardoso. O álbum reúne todos os capítulos das histórias dos dois personagens – 14 de Nhô Quim e 75 de Zé Caipora – publicados em diferentes periódicos.</p>
<p align="justify">Infelizmente, as edições do Senado carecem de divulgação. Não se costuma encontrá-las em qualquer livraria. Geralmente tratam de temas importantes, custam muito menos do que se tivessem sido lançados por uma empresa preocupada com lucro (<a href="http://www.livrariasenado.com/produtos.asp?produto=217" target="_blank">esse álbum de Agostini</a>, com quase 200 páginas em <em>couche</em> custa apenas trinta reais e é enviado sem custos adicionais para qualquer parte do território nacional) e são conhecidas por poucos. Eu mesmo só soube de sua existência porque trabalhava lá quando foi lançado.</p>
<p align="justify">Não se trata de edição fac-similar, o que costuma desagradar a colecionadores e pesquisadores. As imagens receberam tratamento digital, os textos manuscritos foram substituídos por fontes modernas e até parte da seqüência original de três capítulos foi modificada para que se ajustasse à maioria. Decisões editoriais que desagradam aos puristas mas acabam provendo acesso a um número muito maior de pessoas a esse material.</p>
<p align="justify">Uma curiosidade – apontada pelo próprio organizador dessa edição – é que as histórias de Zé Caipora tiveram alterações editoriais feitas pelo próprio Angelo Agostini.</p>
<blockquote>
<p align="justify"><em>Na revista </em>Don Quixote<em>, uma 3ª edição é reeditada a partir do nº 125, de 1º de junho de 1901. Os 24 capítulos iniciais são redesenhados, modificando-se pequenos detalhes e o texto é agora impresso em letra tipográfica em vez de manuscrita (&#8230;)</em></p>
</blockquote>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/agostin2.jpg" border="0" /></p>
<p>Em 2010, completará um século que Agostini partiu. Espera-se que mais homenagens apareçam e que sua importância seja reconhecida por outras gerações.</p>

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