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	<title>Sempre Algo a Dizer &#187; Música</title>
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		<title>Retrato do Grão-Mestre Varonil</title>
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		<pubDate>Sun, 29 Jan 2012 15:14:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
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		<description><![CDATA[Tá lá a foto do Tim estendida no Facebook! De cuecas e camisa rasgada, pouco se lixando para a câmera de Luciana Whitaker. Aliás, ele estava achando sua mãozinha clicadora – e provavelmente ela inteira – gostosa e fez questão &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2012/01/29/retrato-do-grao-mestre-varonil/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2012/01/timcens.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1169" title="" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2012/01/timcens.jpg" alt="" width="600" height="405" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Tá lá a foto do Tim estendida no Facebook! De cuecas e camisa rasgada, pouco se lixando para a câmera de <strong><a href="http://www.lucianawhitaker.com" target="_blank">Luciana Whitaker</a></strong>. Aliás, ele estava achando sua mãozinha clicadora – e provavelmente ela inteira – gostosa e fez questão de deixar isso claro. Esse era o Tim.</p>
<p style="text-align: justify;">Luciana postou a foto em <a href="http://www.facebook.com/lucianawhitaker" target="_blank">seu perfil no Facebook</a> na sexta, 27 de janeiro, acompanhada do seguinte texto:</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;"><em>Editando fotos hoje, encontrei essa foto nunca publicada. Tim Maia tinha hora marcada para receber a Folha de S. paulo. Cheguei lá, no apart hotel da Barra, ele estava de camiseta rasgada e&#8230; cueca! Com o rádio muito alto, não conseguia escutar as perguntas do repórter (acho que era o Marcelo Migliaccio) e pediu para eu desligar o som. Olhou minha mão em seu aparelho de som e disse: &#8220;Hum, que mãozinha gostosa&#8230;!&#8221; Fiquei braba e acabei fazendo a foto dele de cueca mesmo.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Na noite de sábado, quase mil pessoas já haviam compartilhado a postagem, inclusive eu, pelo <a href="http://www.facebook.com/memoriaviva" target="_blank">perfil do Memória Viva</a>. No domingo pela manhã, encontrei comentários que achavam a imagem “degradante” e diziam que “faltou ética” ao publicá-la. Segue reprodução do meu comentário, junto à postagem, após de ter lido isso:</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;">A leitura que se faz das coisas – de um texto, de uma foto, de um quadro, um filme, uma música&#8230; – varia imensamente de pessoa para pessoa. A cultura de cada um (aquilo que a pessoa aprendeu, juntou e reuniu como seus valores) vai fazer com que ela enxergue algo de uma forma completamente diferente de outros. Sou fascinado pela obra de Goya, mas tem quem a ache grotesca, bizarra, assustadora. E tem quem não se sinta fascinado ou incomodado. Sou jornalista e fotógrafo há mais de 20 anos, tendo trabalhado a maior parte do tempo na área cultural. Sou fã do TIM MAIA. Na minha opinião (no meu gosto pessoal), jamais houve melhor cantor na história da música brasileira. Nessa foto, só consigo ver o retrato fiel do porra-louca que ele sempre foi e do qual que se orgulhava muito de ser. Grande cantor, grande artista, grande beberrão, mulherengo e safado. Em resumo: UM SER HUMANO. Cheio de potencialidades, de boas e más qualidades, de defeitos e contradições. Assustar-se ou achar degradante essa foto é não entender que ELE ERA ASSIM. Não se importava com aparências, com o que pensavam dele, com convenções sociais. <em>UM</em> Tim Maia que, ao receber jornalistas, estivesse de banho tomado, perfume, roupinha passada, falasse e se comportasse como um acadêmico querendo posar de membro da elite não seria <em>O</em> Tim Maia. Seria uma farsa! Essa foto me fez lembrar um comentário de Marcelo Nova, último grande companheiro de palco e de farra de Raul Seixas. Quando Raul morreu e começaram a derramar um mar de elogios, Marcelo se indignou e falou que logo estariam dizendo que ele era santo. Isto seria um insulto! Olho para essa foto e vejo um Tim Maia lindo, verdadeiro, sincero e escroto do jeito que ele era. Ele, que não era nenhum incapaz ou um retardado mental que não soubesse o que estava fazendo, riria muito de vê-la estampada na <em>Folha de S. Paulo</em>. Mas quem teria a coragem dele para fazer isso?</p>
<p style="text-align: justify;">Em bom e claro português: a foto é do caralho! Nem dá para imaginar o impacto que teria se estampada na <em>Folha de S. Paulo</em> dos anos 90 (ela não diz quando foi feita, mas creio que tenha sido naquela época). Mas o impacto veio quase década e meia depois da morte de Tim e pelo Facebook. A meu ver, um impacto positivo. É a cara do Tim, sem talquinho ou água de colônia. Mais que histórica, a foto é honesta!</p>
<p style="text-align: justify;">Lembrei algumas situações pelas quais passei e as exponho aqui para acrescentar dados à discussão e desenvolver o tema sobre “momentos e escolhas no fotojornalismo” e não sobre “ética” porque não vejo motivo para isso.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando fotografo para ilustrar matérias, quase invariavelmente o faço para as minhas. Isto é, estou lá para entrevistar/apurar E TAMBÉM para fotografar. No caso, a fotografia é produzida como complemento do meu trabalho principal, que é escrever. Acontece que, sendo assim, as fotos têm pouco de jornalismo, pois serão feitas separadamente, em outro momento, e provavelmente serão posadas, dispensando muito da naturalidade que poderia ser registrada quando o entrevistado estivesse mais preocupado em falar e demonstrando suas emoções. No entanto, em mais de vinte anos, tive algumas oportunidades de estar só fotografando ou de poder dar mais atenção a isso.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma das vezes foi em um carnaval, no início dos anos 90, que passei na praia de Pirangi, no Rio Grande do Norte. No mesmo hotel, estavam vários conhecidos atores de televisão e um casal, da mesma idade que eu, que começava a aparecer e chamava já chamava bastante atenção: <strong>Selton Mello</strong> e <strong>Danielle Winits</strong>. Era um tempo em que fotógrafo era fotógrafo e não qualquer pessoa com uma câmera, como hoje. E eu era o único que também estava hospedado no hotel e tinha acesso direto aos convidados globais durante todo o dia, incluindo passeios turísticos e outros momentos de lazer. Selton e Danielle eram namorados. Tínhamos todos 19 ou 20 anos. Danielle, linda, era uma jovem normal. Simpática, curiosa, conversava com todo mundo. Selton era mais reservado (ou antipático, se preferir), sempre de óculos escuros, nunca olhava diretamente para as pessoas e só falava baixo e enrolado com aquela voz que todo mundo sabe imitar. Já era cheio de pose. Mas não dá para ser muito posudo quando se se é gordinho, branquelo e está só de sunga. Menos ainda se você vive da sua imagem e namora uma garota de corpo perfeito. Imagine o contraste! Pensando agora, acho que ele estava bem incomodado com minha câmera. Mas qual era meu interesse em fotografar aquele cara quando a Danielle Winits, 19 aninhos, estava de biquíni bem na minha frente? Nenhum. Se fosse hoje, sairia no Ego: <em>Selton deixa gordurinhas à mostra durante o carnaval</em>. Mas eu não sou tão mau assim (talvez seja) e a foto que lembro bem e gostei de ter feito foi dos dois, abraçados, no meio das dunas de Genipabu. Uma foto linda, aberta, em um cenário paradisíaco, de um jovem casal que começava a carreira na tevê. “<em>Uma foto para Caras</em>”, pensei na hora. Não enviei, nem jamais publiquei. Mas um detalhe, que provavelmente passaria despercebido à maioria, ficou na minha cabeça. Danielle estava de costas para mim, entregue, curtindo o namorado, como qualquer adolescente. Selton, apesar do rosto colado ao dela, olhava em minha direção. Ele sabia que eu estava fotografando e estava, por assim dizer, participando daquela encenação. Qualquer um que trabalhe com a própria imagem sabe bem o que faz quando tem um fotógrafo por perto. Não há inocentes ou malfeitores numa situação dessas. Há um acordo silencioso e óbvio. Um está ali para aparecer; outro, para fazer aparecer.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2012/01/anselmo.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-1163" title="" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2012/01/anselmo.jpg" alt="" width="230" height="307" /></a>Outra situação aconteceu em 2004. Fui a Salto (SP), com um pequeno grupo, para entrevistar <strong><a href="http://www.memoriaviva.net.br/siteantigo/anselmo.htm" target="_blank">Anselmo Duarte</a></strong> em seu apartamento. Ele abriu a porta muito à vontade para receber aqueles estranhos e, quando viu a câmera, pediu para fazer a barba. Era uma barba de um ou dois dias. Nada assustador. Eu já havia feito pelo menos uma foto, mas ele demonstrou a vontade de se apresentar de outra forma e só as fotos pós-barba foram publicadas. Como eu poderia dizer não ao maior galã da história do cinema brasileiro? Como eu poderia dizer não ao único brasileiro ganhador da Palma de Ouro? Como eu poderia dizer não àquele senhor de 84 anos e ainda vaidoso? Meu instinto agiu com a velocidade de sempre e registrou o senhor que estava em sua casa, despreocupado com a estampa, roupa amassada, barba por fazer, como qualquer pessoa normal. Mas Anselmo Duarte era o bonitão, bem cuidado e cheio de expressões. Essa era a imagem que ele sempre mostrou. Existe outra, outro lado, comum (diria até desinteressante), que registrei, mas&#8230; o que ela diz? Nada de especial. “<em>Você não vai me pedir para fazer uma foto segurando a Palma de Ouro, vai? Jornalista não tem imaginação. Já fiz dezenas de fotos iguais a essa.</em>” Fazer, eu fiz. Até porque a Palma estava quebrada (um apresentador de tevê deu um tombo nela!) e eu nunca vi uma foto dele com o troféu naquelas condições! Depois do puxão de orelha, não publiquei a foto aparentemente tão comum e repetida, mas eu sabia que aquele detalhe fazia a diferença. O registro foi feito. Quando e como usar é uma escolha somente minha.</p>
<p style="text-align: justify;">Reportagens feitas nas casas dos entrevistados costumam gerar momentos extremamente peculiares, como da vez em que eu aguardava uma famosa atleta sair do banho para fazer uma matéria. Ela não foi avisada da minha chegada e, de repente, aparece totalmente nua e dá de cara comigo. Ela grita e corre para o quarto. Eu, entre constrangido e agradecido aos céus, tento fingir que nada aconteceu. Não, dessa vez, não fotografei.</p>
<p style="text-align: justify;">Imagem é algo poderoso. Duvido alguém citar algo que Itamar Franco tenha feito quando presidente, mas da foto dele, no carnaval de 1994, ao lado de Lilian Ramos sem calcinha, todo mundo lembra. Para mim, a foto de Tim Maia feita por Luciana Whitaker é daquelas icônicas, fiéis, que escancaram a personalidade e a alma da figura fotografada. Não tem nada de “assustador”, “degradante” ou “antiético” como vi em alguns comentários. Eu diria que existe, sim, hipocrisia, falta de senso crítico e de sensibilidade para entender o que ela realmente representa. Além de tudo isso, essa indignação parece algo de uma sociedade muito preocupada com a aparência e que desaprendeu a perceber a essência dos seres. Há uma identificação provocada pelo medo de se ver daquele jeito, como se a roupa fosse a pessoa ou representasse sua dignidade. “Eu não gostaria de ser mostrado assim!” Ninguém precisa ter esse medo. Ninguém é o Tim Maia, não tem seu talento, sua fama, nem sua incrível personalidade, que dispensava roupas novas e alinhadas. E Tim Maia não era um santo ou um deus para ser esculpido, idealizado e idolatrado como tal. Era humano – como tal, cheio de talentos e defeitos –, desses de dar orgulho à espécie. E sua humanidade nunca havia sido tão bem retratada.</p>

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		<title>Mais forte que ela</title>
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		<pubDate>Sun, 24 Jul 2011 18:23:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Conversa com o leitor]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/07/amyorlan.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-1055" style="border: 0pt none; margin: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/07/amyorlan.jpg" alt="Amy por Orlandeli" width="270" height="495" /></a>Naquele julho de 1990, chorei durante horas. Deitado na cama, som nas alturas, cantava e chorava. Eu tinha 18 anos e a morte de Cazuza representava a morte da geração dos meus ídolos e de parte dos meus sonhos. Representava também o medo de uma doença avassaladora, sobre a qual pouco se sabia. Seis anos depois, aos 24, a cena foi um pouco diferente. Eu já era pai, havia me separado e criava uma criança. Sem falar que, antes disso, havia perdido minha primeira esposa, grávida, aos 19 anos. Portanto, já não achava a mínima graça na morte. Meu foco já havia saído da minha vida – e de qualquer vazio que pudesse existir nela – para começar a se concentrar em sua continuidade, aquilo que ainda estaria aqui quando eu morresse: meus filhos, as ideias e o mundo que eu deixaria a eles. Em outubro de 1996, não chorei por Renato Russo. Eu me perguntei o que ele estava querendo dizer ao enterrar a geração dos meus ídolos. Por que eu idolatrava gente que se destruía?</p>
<p style="text-align: justify;">Dia 23 de julho de 2011. Amy morreu. Não chorei. Minha parcela de dor reservada à morte ainda estava sendo usada pelos 92 inocentes assassinados, horas entes, por um maluco na Noruega e não achei justo redirecioná-la a alguém que vinha tentando se matar há mais de cinco anos. Amy podia esperar. Ou ter escolhido um dia melhor para morrer.</p>
<p style="text-align: justify;">“<em>Insensível!</em>” Se você pensou isso após ler as últimas frases, este texto é principalmente para você, tão sensível à morte de uma celebridade autodestrutiva e, provavelmente, tão indiferente a todas as mortes e mazelas que acontecem a todo instante.</p>
<p style="text-align: justify;">Amy escolheu morrer. Demorou a conseguir isso, mas conseguiu. Parabéns. Antes de continuarmos, fique bem claro: sou fã de primeiríssima hora dela. Da voz dela. Desde quando ela era uma garotinha linda e cheia de curvas, antes mesmo de aparecer já esquisitona na capa de seu segundo disco. Sim, Amy “trouxe de volta a alma à música” e blá-blá-blá. Fez isso seis anos atrás e morreu logo em seguida. O que se viu nos últimos cinco anos foi um cadáver insepulto tentando lembrar as letras de suas próprias músicas e se manter em pé em um palco. Se você curtia essa aberração, se gostava do show de horrores que era a vida dela, entendo perfeitamente o motivo de ter chorado sua morte. Eu chorei quando a linda, talentosa e promissora menina Amy morreu cinco anos atrás, aos 22 anos.</p>
<p style="text-align: justify;">Amy deixou uma obra maravilhosa? Não. Ela começou a desenhar uma e desceu colina abaixo. Ela deixou um disco muito legal. Ela explodiu e pronto. Acabou. Uma obra maravilhosa, vai ser deixada por Nana Caymmi. E duvido que o mundo vá se descabelar quando ela morrer. Amy era uma grande artista? Não. Ela poderia ter sido. Um grande artista se cuida, cuida de sua saúde, de seu corpo (que é ferramenta de trabalho), quer sempre estar bem para seu público, para melhorar sua arte, para produzir sempre mais e melhor.  E qual o motivo de tanta comoção pela morte de Amy? É porque as pessoas gostariam de ser iguais a ela. Desejam ter talento, sucesso, dinheiro, reconhecimento e até a impossível juventude eterna. No entanto, não vejo uma só pessoa pagando o preço disso tudo. Vejo pessoas com vidas comuns e atitudes comuns, contentes com suas pequenas conquistas – um emprego (preferencialmente que dê pouco trabalho e pague bem), alguns cartões de crédito, roupas, um carro, uma aposentadoria –, sentadas na frente da TV ou do computador, vigiando e vivendo a vida de outras pessoas. Elegem um ídolo e esperam seu martírio, seu sacrifício. Ele morre e todos continuam suas vidas comuns. Elegem outro e repete-se o processo. Por ora, seus pecados estão perdoados. Amy morreu por vocês. E há quem se sinta no céu graças ao sacrifício dela.</p>
<p style="text-align: justify;">O ídolo Amy tinha pés e alma de barro. Frágeis, não demoraram a quebrar. Morta, milhares de pessoas em todo o mundo declararam amor por ela. Enquanto viva, não houve um só que realmente a amasse a ponto de ficar ao seu lado, tratá-la como ser humano, dar carinho, atenção e tirá-la do buraco em que se meteu.</p>
<p style="text-align: justify;">Conheci várias pessoas que morreram por overdose ou outra consequência do uso exagerado de drogas. Nenhuma que tenha feito ou deixado algo genial. Cada uma delas era, como qualquer viciado, alguém frágil demais para enfrentar o mundo &#8220;de cara&#8221;, de peito aberto. Preferia se mudar para um universo paralelo no qual podia acreditar ser um gênio, um super-homem, alguém especial. O único legado que deixaram foi o da hipocrisia. Quem fica – e age do mesmo jeito – diz que o outro &#8220;morreu do coração&#8221;, &#8220;de uma doença misteriosa&#8221;, &#8220;não se sabe de quê&#8221;. Onde fica a &#8220;atitude rock&#8217;n'roll nessa hora? Ponha na lápide: <em>Orgulhosamente morto por overdose. Consegui! Yeaaaah!</em> Mas se a vida foi uma mentira, por que não perpetuá-la na morte?</p>
<p style="text-align: justify;">O discurso de rebeldia, de contracultura, de viver a mil, parece muito bonito, muito sedutor. Principalmente quando não é você quem precisa morrer para dar autenticidade a ele. Assim, é mole ser doidão!</p>
<p style="text-align: justify;">Amy era igual a Janis? A Hendrix? A Morrison? Em quê? Na estupidez da juventude? No vazio existencial? No desequilíbrio emocional? E nós? Ainda somos tão iguais aos de 30, 40 anos atrás e não aprendemos nada? Muito doidão dos anos 60 percebeu a idiotice de se matar e, a cada uma dessas mortes, já avisava a todos que pegassem leve. Vivam, façam o que quiserem, sejam livres, mas não se matem. E estão aí, aos 70, 80 anos. Pergunte a qualquer um deles se preferiria ter morrido aos vinte.</p>
<p style="text-align: justify;">Dez anos a mil? Mil anos a dez? Parece mais sábio viver cem anos a cem. Sem acelerar muito, sem criar limo, dando tempo e trato às nossas potencialidades. Quem ama a vida é correspondido. É amado por ela. Um ano, uma década ou meio século a mais é sempre bem-vindo.</p>
<p style="text-align: justify;">Meus heróis não morreram de overdose. Meus heróis vivem tanto quanto possível e da melhor maneira, sem confundir intensidade com autodestruição.</p>
<p style="text-align: justify;">Por mim, Amy, você não precisaria ter ido. Poderia ter ficado muito mais tempo cantando, encantando ou simplesmente vivendo e sendo feliz.</p>
<p style="text-align: center;">* * * * * * *</p>
<p style="text-align: right;">Ilustração mui gentilmente cedida por <a href="http://blogdoorlandeli.zip.net/" target="_blank"><strong>Orlandeli</strong></a></p>

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		<title>De como Sandrinho virou Lobão</title>
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		<pubDate>Sun, 24 Apr 2011 16:58:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Anos 80]]></category>
		<category><![CDATA[Biografia]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
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		<description><![CDATA[Desde o fim do ano passado, estava evitando ler biografias. No processo de escrever a de Appe, entrei numas de não me deixar influenciar por estilos de narrativa. Além disso, não queria arriscar me apaixonar pela vida de outro alguém &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2011/04/24/de-como-sandrinho-virou-lobao/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/04/lobao_01_livro.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-954" style="border: 0pt none; margin: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/04/lobao_01_livro.jpg" alt="" width="228" height="321" /></a>Desde o fim do ano passado, estava evitando ler biografias. No processo de escrever a de <a href="http://www.memoriaviva.com.br/appe" target="_blank">Appe</a>, entrei numas de não me deixar influenciar por estilos de narrativa. Além disso, não queria arriscar me apaixonar pela vida de outro alguém neste momento.  Evitava até comprar biografias e, quando o fiz, consegui não ler. Mas aí chega Dona Luciana Ubarana com <em>Lobão – 50 Anos a Mil</em> e imediatamente pensei: “<em>Fudeu!</em>”</p>
<p style="text-align: justify;">Ah! Para quem não me conhece de longas datas, prazer, eu sou Lobão. Explico. O ano é 1987 e estou no pré-vestibular do Salesiano, em Natal. Carlos “Cristão”, professor de Química, tinha a mania de soltar um “<em>Voooooooooo&#8230;</em>” olhando para um lado da turma e apontando para outra para finalizar “<em>&#8230;CÊ!</em>”. Virava, descobria para quem estava apontando e dizia o nome da vítima. Numa dessas vezes, eu fui a vítima. Usava um corte de cabelo batido na base e um franjão que cobria os olhos. Fazia de tudo para que ninguém me notasse (usando um corte desses na Natal de 87? Tá!). Havia chegado à cidade no ano anterior e como todo estranho, sofria <em>bullying </em>(só disse isso porque está super na moda ter sofrido <em>bullying</em>). Pois bem. Carlos mandou um “vooooooCÊ”, virou para mim, olhou para meu cabelo e completou: “<em>Você, Lobão.</em>” Pronto. O apelido pegou de imediato. Virei Lobão.</p>
<p style="text-align: justify;">Voltemos ao outro Lobão. Chegou a Semana Santa, peguei o livro e não desgrudei antes de ler duzentas páginas. Estava lendo os bastidores de uma história que vi e que, em alguns momentos, cruzou com a minha. O corte de cabelo e o apelido Lobão, em 87, não vieram do nada. No verão 86-87, aos 14 anos de idade, eu havia feito minha primeira entrevista. Adivinhe com quem. Pois é. Eu, Fabinho, Marcelo Jucá e Gustavo Lamartine – “<em>uma turminha da pesada que adorava aprontar mil aventuras</em>” – resolvemos aproveitar a passagem de Lobão por Natal e ir até o hotel onde ele estava, na Via Costeira, tentar falar com ele. Eu, tendo um <em>insight</em> do que faria muitas e muitas vezes no futuro, desmontei as caixas do meu <em>stereo</em> portátil, descolei um microfone, uma fita TDK e fui pronto para registrar aquela parada. Levei também a Olympus Trip do meu pai.</p>
<p style="text-align: justify;">Chegamos na cara dura e nos apresentamos. O recepcionista pediu que esperássemos. Voltou dizendo que Lobão estava na piscina e que podíamos ir até lá. Meio sem graça, chegamos até a área externa e ficamos procurando. De repente, de uma espreguiçadeira, Lobão se vira e acena. Fomos até lá e começamos a conversar. Eu, já todo jornalista, gravando tudo. O que ele estava achando de Natal, como era o novo show, se o rock errou mesmo e aquelas coisas de moleque se achando gente. Gustavo, o tempo de boca aberta, queixo apoiado na mão, sem falar nada. Quando resolvemos despertá-lo do transe, disse apenas o seguinte: “<em>E o Herbert?</em>” Pronto. Lobão danou a baixar o pau no Herbert Vianna e o resto do papo foi só aquilo. Uma hora de blá-blá-blá, acabou a fita, sessão de autógrafos e eu, sempre preparado e com tudo pensado, saquei a <em>Playboy </em>de setembro de 1986, edição em que Daniele Daumerie (que foi esposa de Lobão) aparecia. Levemente constrangido, ele autografou na página dupla que abria o ensaio. Muito simpático, foi nos deixar na entrada do hotel (talvez para ter certeza de que aquela molecada iria mesmo embora e deixá-lo em paz). Lembrei da Olympus. Fiz uma foto dos meninos com ele e pedi que fizessem uma dele comigo. Eu, na época um <em>boy</em> com um metro e sessenta e pouco, ao lado daquele gigante de quase dois metros. Saí com uma cara de “<em>peraí!</em>”, segurando o trambolho do gravador e a revista.</p>
<p style="text-align: justify;">Daquele show do Lobão, lembro bem dele abraçado a uma garrafa de uísque que foi esvaziada durante a apresentação. Era a turnê de <em>O Rock Errou</em>. Estava em meu primeiro verão em Natal. Os verões dos anos 80 na cidade eram repletos de shows de BRock: Titãs, Ultraje, Paralamas, Kid Abelha, Biquiní Cavadão&#8230; Eu tinha ido ao primeiro show da minha vida alguns meses antes, no Palácio dos Esportes: Cazuza.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/04/lobao_02_ronaldo.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-955" style="border: 0pt none; margin: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/04/lobao_02_ronaldo.jpg" alt="" width="288" height="280" /></a>Acho que foi antes desse encontro que comprei <em>Ronaldo foi pra Guerra</em>, segundo LP de Lobão, assinado por Lobão e os Ronaldos. Comprei em uma loja no Hiper Bom Preço. Acho difícil explicar a quem chegou ao mundo na era pós-LP o significado da compra de um disco e o ritual que era ouvi-lo. Escolher o bolachão, apreciar a capa, olhar o encarte se o disco não fosse lacrado (os discos importados geralmente eram), comprar, desfilar com ele até em casa, se trancar no quarto, tirar do plástico pela primeira vez, limpar com a almofadinha, colocá-lo no 3 em 1, levar a agulha ao vinil, deitar e acompanhar as letras pelo encarte (quando tinha).  Você ouvia e apreciava uma obra completa, um determinado momento do artista. Era uma viagem. E eu viajei muito ouvindo <em>Corações Psicodélicos</em>, <em>Não tô entendendo</em>, <em>Tô à toa Tókio</em>, <em>Abalado </em>(a primeira balada lobônica que ouvi), <em>Os tipos que eu não fui</em>, <em>Bambina</em>&#8230; E aí acontecia uma mágica dos tempos do LP: virar o disco. A primeira música do lado B era <em>Me chama</em>. Para quem viveu aquela época, não é preciso dizer mais nada. <em>Me chama </em>é a música que mostrava que os brutos roqueiros também amam.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>O Rock Errou</em>, comprei depois. Ouvi muito durante o ano de 1987, o mesmo em que virei Lobão. Também foi naquele ano que deixei não só o franjão, mas todo o resto do cabelo crescer. Os padres do Salesiano não me viam com bons olhos. Na verdade, os alunos também não. O pessoal estava acostumado com forró e vaquejada e não aturava muito a atitude <em>rock’n’roll</em> do carioca alienígena. Tô falando: eu sofria <em>bullying</em>. Mas cagava e andava para isso. Pressionado, resolvi cortar o cabelo. Costumava ir ao salão do seu Guedes, o mais tradicional da cidade e até hoje o preferido pelos políticos, alpinistas da área e wannabes reaças em geral. Cheguei com minha vasta cabeleira – também mal vista pelos clientes – e pedi ao Beto, filho do seu Guedes , para cortar: “<em>Raspa dos lados</em>”. Olha&#8230; Para mim, moicano era um troço velho, de punk dos anos 70, mas, para Natal de 1987, era um negócio pesado e impensável. Enquanto o ministro Aluízio Alves aparava suas carapas brancas na cadeira ao lado, Beto ajudava a nascer o primeiro pós-punk de Natal. Não era um moicaninho de boutique desses de hoje, raspadinho do lado e “deixado em cima”; nem essas frescuras pintadas. Era uma senhora e mui respeitável crista que, armada, tinha lá seu palmo de altura (mantive o comprimento grande do resto do cabelo).  Papai ,mamãe, eu não pedi para vocês me tirarem do Rio em plena explosão do rock nacional. Sinto muito. A cidade ia ter que me engolir. Do Guedes, peguei o ônibus direto para o Salesiano. A coisa mais bonita que ouvi no caminho foi “<em>se fosse meu filho, eu dava uma surra pra se ajeitar</em>”. Uma senhora&#8230; uma velha chata pra caralho foi fazendo um discurso no ônibus sobre como a juventude estava perdida, que o mundo ia acabar e que gente assim (como eu) deveria apanhar até se emendar.  Quando o ônibus parou na Ribeira, virei para a velha, dei o maior berro que podia e desci do ônibus. Bob Cuspe iria se orgulhar. O Salesiano parou quando entrei. Os padres quiseram me expulsar. Deviam achar que eu estava com o diabo no corpo. E se estava, não saiu até hoje. O Lobão, o Sandro Lobão, se assumiu ali.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/04/lobao_04_panfleto.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-956" style="border: 0pt none; margin: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/04/lobao_04_panfleto.jpg" alt="" width="208" height="280" /></a>1988, faculdade de jornalismo. Foi nesse ano que Lobão voltou a Natal com a turnê do LP <em>Vida Bandida</em>. Ele já havia sido preso, estava estouradaço e era o capitão dos malucos de verdade. Na noite de 31 de julho, eu estava bem na frente do palco montado no gramado no Estádio Juvenal Lamartine. Como lembro a data? É porque guardo até o hoje o panfleto (este reproduzido aí ao lado). Estava lá, todo aplicadinho de cerveja.  O show tinha o apoio da rádio 96 FM. A propósito, durante anos, infernizei Ênio Sinedino e Germano (respectivamente, diretor geral e de programação da 96) para liberarem aquele <em>Cena de Cinema</em>, primeiro LP do Lobão, que eles tinham por lá e não servia para nada, afinal as músicas eram gravadas em cartucho e, depois, passaram a usar CD. Nunca me deram. O <em>Cena</em>, como Lobão conta no livro, vendeu pouco e foi logo tirado de circulação por conta de uma encrenca sua com a gravadora. Diz que foram vendidos cerca de 6 mil discos. Eu só teria um já nos anos 2000. Comprei na Baratos da Ribeiro, em Copacabana. Novinho. Detalhe: também deve ter sido de alguma rádio, pois tem um carinho de “<em>Invendável – Amostra grátis</em>”. Para mim, não foi. Na mesma leva, ainda vieram para minha coleção <em>O Império dos Sentidos</em> (segundo de Fausto Fawcett, com Silvia Pfeifer na capa) e as trilhas de <em>Amarcord</em>, de Fellini, e <em>Areias Escaldantes</em>, de Francisco de Paula.</p>
<p style="text-align: justify;">Para quem não sabe, <em>Areias</em> é um filme louquíssimo, non sense, feito em 1985. Francisco de Paula (que conheci em 2006 no Festival Internacional de Cinema de Brasília e vez ou outra dá o ar da graça aqui no <em>blog</em>) juntou Regina Casé, Luis Fernando Guimarães, Diogo Vilela e parte da nata do rock brasileiro – Titãs e Lobão, que participam do filme, mais Lulu Santos, Ira, Ultraje a Rigor, Gang 90 &amp; Absurdettes na trilha sonora – para contar uma história louca (coisa de quem cheirava muito) com terroristas e uma polícia de elite na Província de Kali. Vivia passando no <em>CineBrasil</em>, mas eu tenho uma cópia em DVD que me foi dada por Francisco.</p>
<p><center><br />
<iframe title="YouTube video player" width="480" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/SG8dgO2ez5Y" frameborder="0" allowfullscreen></iframe><br />
</center></p>
<p style="text-align: justify;">Em 2001, fiz aquela que por um bom tempo chamei de minha última entrevista. Sim, com Lobão. Achei que seria <em>A</em> entrevista e queria encerrar meus dias de jornalista com ela. Falei com esposa de Lobão por telefone e ela disse que ele responderia as perguntas por e-mail. Não gostei da ideia, mas encarei. Foi um desastre. Lobão sempre viu jornalistas como Dom Quixote via moinhos. Era botar o olho e partir para o ataque. Por <em>e-mail</em>, à mercê de interpretações erradas que não poderiam ser devidamente esclarecidas, acabou não rendendo, mas <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/tafalado/arquivos/lobaovpi.htm" target="_blank">publiquei assim mesmo</a>. Dez anos depois, vejo Lobão muito mais manso, mais acessível e até admitindo que estava sempre armado e pronto a desancar qualquer um. Inclusive eu, que estava super-bundão, em um momento único, mais fã que jornalista, levantando a bola para ele cortar. Cortou e veio bem na minha cara. Tudo bem.</p>
<p style="text-align: justify;">Há poucos dias, Lobão esteve duas vezes em Natal. Na primeira, veio autografar o livro. Tive vontade de ir para que autografasse seus/meus LPs, mas abortei a ideia quando imaginei a garotada Restart cuzona que estaria por lá idolatrando um cara que sempre foi iconoclasta. Na mesma semana, voltou para fazer um show no “teatro do shopping da cidade”. Não consigo imaginar um show de Lobão com gente vestidinha, com cheirinho de perfume e sentada.  Eu ia querer quebrar aquela porra toda, então, resolvi ficar em casa. Era véspera do meu aniversário e eu não ia querer estragar as boas lembranças dos últimos 25 anos: a entrevista no hotel; os shows no Juvenal Lamartine; outro também em Natal, nos anos 90, com quase ninguém; um em Brasília, quando lançou seu disco independente. O velho Lobo, para mim, era o Lobão novo. Este novo Lobão, cinquentão e educadinho, estou curtindo muito nas páginas do livro que serei obrigado a terminar. Ali, ele continua <em>rock’n’roll</em> e me fazendo lembrar coisas da natureza dos lobos, como ir contra tudo e contra todos agarrado à ideia de que está fazendo a coisa certa (por mais que o mundo mostre o contrário), sendo fiel a si mesmo e feliz a todo custo. Só não digo que fazemos parte da mesma matilha porque tanto aquele quanto este lobo é do tipo solitário.</p>
<p style="text-align: justify;">E chega. Vou ali matar o livro e continuar girando o mundo, sempre com a certeza de que “<em>é melhor viver dez anos a mil do que mil anos a dez</em>”.</p>
<p style="text-align: center;">* * * * * * *</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Mais Lobão (o outro) no Tumblr:</strong> <a href="http://sandrofortunato.tumblr.com" target="_blank">http://sandrofortunato.tumblr.com</a></p>

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		<title>Ai, meu Deus! Chuparam o Hermeto!</title>
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		<pubDate>Tue, 05 Apr 2011 00:55:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>

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		<description><![CDATA[Isto nem deveria estar neste blog. Nem sei se ele serve para isto, mas como também já não sei muito bem para que ele serve, vamos lá&#8230; Cá estava eu, alegre e pimpão, ouvindo pela primeira vez Voice, o disco &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2011/04/04/ai-meu-deus-chuparam-o-hermeto/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Isto nem deveria estar neste <em>blog</em>. Nem sei se ele serve para isto, mas como também já não sei muito bem para que ele serve, vamos lá&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Cá estava eu, alegre e pimpão, ouvindo pela primeira vez <em>Voice</em>, o disco novo da japinha <strong>Hiromi Uehara</strong>. Baconoso, de bom gosto, estava curtindo, achando um tanto brasileiro – jazz, né? sacomé: bossa nova, improviso, jazz, choro, influências indo e vindo, world music, coisa e tal&#8230; Até que cheguei à faixa 5, <strong><em>Labyrinth</em></strong>, que, mais que brasileira, me pareceu muito familiar. E foi por volta de 1min 48s que não tive dúvida: já tinha ouvido aquilo. Pelo menos, aquele trecho. (Clique abaixo e preste bastante atenção no trecho que vai de 1min 48s a 2min 30s)</p>
<p><center><iframe title="YouTube video player" width="480" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/cLME8lBxEgk" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></center></p>
<p style="text-align: justify;">Ray Charles pode ser surdo, Stevie Wonder pode ser mouco, mas o moreno Sandro escuta mesmo muito bem e tem uma memória de elefante, principalmente para música (sim, as frustrações deixam marcas).  Já tinha ouvido aquilo com <strong>Hermeto Pascoal</strong>, em 2003, em uma apresentação em Brasília.  Sim, mas e daí? Hermeto é conhecido e reverenciado no mundo todo. A jovem japa poderia ter gravado uma música dele. Fui conferir.  Googla que googla e quase nada vem. O tal <em>Voice</em> nem aparece no site oficial dela, mas está à venda no da Telarc, que faz parte da Concord Music Group. Não ajudou muito, pois não há informações sobre a composição das faixas. Apelo para São Google de novo. <em>Labyrinth</em> é de <strong>Stanley Clarke </strong>e, se você curte jazz, já está em terreno conhecido. A música está no CD <em>The Stanley Clarke Band</em>, lançado ano passado e que ganhou o Grammy 2011 de Melhor Álbum de Jazz Contemporâneo.  Nesta versão, da qual Hiromi também participa, o baixo é mais forte e o trecho em questão começa por volta de 1min 58s. Escute.</p>
<p><center><iframe title="YouTube video player" width="480" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/6E_n8Acc4T0" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></center></p>
<p style="text-align: justify;">E para ninguém achar que estou maluco, aí vai a gravação que eu mesmo fiz no show do Hermeto em 2003. Infelizmente, no vídeo, a música não é apresentada (nome, se dele ou de outro) e eu já comecei a viajar achando que fosse de&#8230; bem, deixa pra lá. O que importa é que pelo menos sete anos antes desses acordes aparecerem no disco de Stanley Clarke, eu já tinha ouvido.  E, agora, só descanso depois que preencher essa lacuna da minha vasta ignorância.  Que música é essa, quem compôs e quando? Alguém me diz?</p>
<p><center><iframe title="YouTube video player" width="480" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/mc4pzOxz7Sw" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></center></p>
<p></p>
<p><center>* * * * * *</center></p>
<p style="text-align: justify;"><b>ATUALIZADO EM 05.04, ÀS 17h50:</b> João Antônio Buhrer escreveu nos comentários e informou qual é a música: <b><i>Bebê</i></b>, de Hermeto Pascoal. Confira no vídeo abaixo com Hermeto e Sivuca.</p>
<p></p>
<p><center><iframe title="YouTube video player" width="480" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/Q3AT6WnU7Rg" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></center></p>

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		<title>Foi bom enquanto durou</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Feb 2010 20:33:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Anos 80]]></category>
		<category><![CDATA[Anos 90]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Há 20 anos...]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[Fevereiro de 1989 começou entre cartas, postais, reuniões do Centro Acadêmico e filmes. Neste último quesito, minha múltipla personalidade continuava se manifestando.  Via desde o pop Robocop (1987) aos ótimos Alta ansiedade (1977), homenagem de Mel Brooks a Hitchcock, e &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/02/06/foi-bom-enquanto-durou/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-495  aligncenter" style="border: 0pt none;" title="5filmes80" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/02/5filmes80.jpg" alt="5filmes80" width="600" height="181" /></p>
<p style="text-align: justify;">Fevereiro de 1989 começou entre cartas, postais, reuniões do Centro Acadêmico e filmes. Neste último quesito, minha múltipla personalidade continuava se manifestando.  Via desde o pop <em>Robocop</em> (1987) aos ótimos <em>Alta ansiedade </em>(1977), homenagem de Mel Brooks a Hitchcock, e <em>O Sol da Meia-Noite</em> (1985), com matadores Mikhail Baryshnikov e Gregory Hines dançando e encantando. Dentre minhas frustrações, está a de não ter me tornado um dançarino. Hoje, babo na frente da TV com programas como <em>So you think you can dance</em>. Não se engane: não era uma frescura latente. Eu não queria ser o Baryshnikov; queria ser o John Travolta, ser um imã para mulheres como Jamie Lee Curtis e ficar mais bonito depois dos 40 (ainda tenho fé neste ponto).</p>
<p style="text-align: justify;">Se alguém lembrou de <em>Perfeição </em>(1985), com Travolta no papel de jornalista transitando em uma academia cheia de loiras de collants e caras com mullets e faixas na cabeça, acertou em cheio. Foi um dos filmes que assisti naquele fevereiro. No entanto, o mais marcante daqueles dias foi <em>Repo Man </em>(1984), um longa de ação-comédia-ficção científica estrelado por Emilio Estevez, que no Brasil ganhou o título de <em>Repo Man – A Onda Punk</em>. Assisti na noite de sábado, 11 de fevereiro. Sim, já existia SuperCine naquela época.</p>
<p style="text-align: justify;">Em fevereiro do ano seguinte, 1990, distribuidoras de filmes em VHS costumavam me mandar alguns de seus lançamentos. O nível começou a subir. Comecei a ficar mais seletivo. Já em relação aos livros, estava em uma fase bem “não pense muito, apenas leia”. Depois de <em>Cartas da Mãe</em>, de Henfil, eu devorava, em uma noite, <em>O Reverso da Medalha</em>, de Sidney Sheldon. um apontamento na agenda daquele ano me traz uma surpresa. Na sexta, 9, li <em>O Estudante</em>, de Adelaide Carraro. Não lembrava disso. Pensava que jamais havia lido qualquer livro seu antes de 2006 (li pelo menos trinta deles do final de 2006 a abril de 2007).</p>
<p style="text-align: justify;">Nas bancas, chegava a <em>Playboy</em> com uma capa muito esperada pelos adolescentes da época. Trazia uma baianinha, muito linda e com jeitinho de índia. Elimary Silva era seu nome, mas todos a chamavam de Mara Maravilha. Era um tempo em que as mulheres ainda eram de verdade. Mara fazia sucesso com a criançada, com os meninos adolescentes e com as meninas que se identificavam com a garotinha bonita, sensual, mas com ar puro que cantava <em>Não faz mal (eu tô carente, mas eu tô legal)</em>. Ah, Britney, desculpe-me dizer, mas eu era muito mais a Mara (até porque, em 1990, você era só uma garotinha desconhecida de 9 anos). Hoje, a convertida Mara prefere nem lembrar aquele período. <em>Foi bom enquanto durou/ E valeu/ O que passou já passou/ Não faz mal&#8230;</em></p>
<p><center><br />
<object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/bAS1riUeU6g&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/bAS1riUeU6g&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object><br />
</center></p>

<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/02/06/foi-bom-enquanto-durou/&amp;text=Foi bom enquanto durou&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
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		<title>André da Rabeca</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/01/19/andre-da-rabeca/</link>
		<comments>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/01/19/andre-da-rabeca/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 19 Jan 2010 17:55:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[Em 2000, comecei uma série sobre figuras populares de Natal (RN) para o site Natal na Íntegra. André da Rabeca estava nos primeiros nomes pautados e chegou a ser fotografado, mas a matéria não foi  concluída. No dia 6 de &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/01/19/andre-da-rabeca/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-436" style="border: 0pt none;" title="andre_rabeca" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/01/andre_rabeca.jpg" alt="andre_rabeca" width="600" height="471" /></p>
<p style="text-align: justify;">Em 2000, comecei uma série sobre figuras populares de Natal (RN) para o site <em>Natal na Íntegra</em>. André da Rabeca estava nos primeiros nomes pautados e chegou a ser fotografado, mas a matéria não foi  concluída. No dia 6 de agosto de 2008, de volta à cidade, encontrei <a href="http://twitpic.com/ytd66" target="_blank">André no meio-fio em frente à Manchete Calçados</a>, na esquina das ruas Coronel Cascudo e Princesa Isabel, na Cidade Alta. Saquei o “chaveirinho” do bolso e fiz algumas fotos. André não era de muita conversa, mas, encantado com a máquina, me perguntou quanto custava e comentou que poderia ganhar uns trocados a mais se tivesse uma, fotografando os casamentos nos quais, vez ou outra, era chamado para tocar.</p>
<p style="text-align: justify;">Nascido no interior do Rio Grande do Norte em 27 de outubro de 1942. Segundo seu pai, André era mole e não dava para trabalhar na roça. No início dos anos 80, pegou a estrada para a capital e foi tocar rabeca nas ruas. As últimas notas de sua história como rabequeiro foram dadas em dezembro passado. A tuberculose se manifestou mais uma vez e seu estado de saúde piorou rápido. Como todo desvalido, fez sua peregrinação pelos postos e hospitais públicos: Posto de Saúde de Mãe Luíza (bairro onde morava), Hospital dos Pescadores (Rocas) e Walfredo Gurgel. Medicado e mandado para casa, sem o tratamento adequado, só parou no quarto, o Giselda Trigueiro, quando já era muito tarde. Deu entrada na segunda, 11 de janeiro, e faleceu na tarde do sábado seguinte, dia 16, às 16h05.</p>
<p style="text-align: justify;">André morreu aos 67 anos, deixando Dona Nazaré, sua esposa, e cinco filhos. Destes, só Ivanilson, o mais novo e único nascido em Natal, morava com ele. Os três filhos homens estiveram no sepultamento no cemitério do Bom Pastor, no domingo, 17. As duas filhas, que moram em cidades do interior, nem sabem que o pai faleceu. Nenhum deles aprendeu a tocar rabeca. Nem os muitos netos. O instrumento, que nos últimos tempos ficava na lanchonete Fri-Shop (em frente à Manchete Calçados), continua guardado por Jeane Araújo, dona do local. Segundo Ivanilson, <a href="http://twitpic.com/ytdhy" target="_blank">a rabeca</a> será doada ao Museu de Cultura Popular Djalma Maranhão.</p>

<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/01/19/andre-da-rabeca/&amp;text=André da Rabeca&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
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		<title>Há 20 anos: Marina, Paralamas e RPM</title>
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		<pubDate>Sat, 16 Jan 2010 17:15:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Anos 80]]></category>
		<category><![CDATA[Anos 90]]></category>
		<category><![CDATA[Há 20 anos...]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[Janeiro de 1990 estava se comportando, para mim, como um típico verão oitentista em Natal: namoro, praia e música. No dia 16 deveria acontecer um show de Marina (Lima), como mais corretamente se fala em Natal, ou, mais cariocamente, da &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/01/16/ha-20-anos-marina-paralamas-e-rpm/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Janeiro de 1990 estava se comportando, para mim, como um típico verão oitentista em Natal: namoro, praia e música. No dia 16 deveria acontecer um show de Marina (Lima), como mais corretamente se fala em Natal, ou, mais cariocamente, da Marina, mas ele foi transferido para o dia seguinte, 17, uma quarta-feira. A apresentação aconteceu no Pavilhão do Centro de Convenções, o que era uma novidade. Nos anos 80, o local mais comum para shows musicais era o Palácio dos Esportes, um ginásio localizado na Praça Cívica, no bairro de Petrópolis, vizinho ao centro da cidade. Três mil pessoas eram suficientes para entupir o Palácio. No grande vão do Pavilhão do Centro de Convenções – construído para abrigar feiras e exposições – deve caber fácil o triplo disso.</p>
<p style="text-align: justify;">No dia seguinte, 18, quinta, Fabíola e eu iríamos para Pitangui, uma praia de veraneio a uns 30 quilômetros de Natal, no município vizinho de Extremoz. Ficaríamos por lá até domingo. Naquele tempo, mesmo no verão e tão próximo à capital, Pitangui era uma praia tranquila, com pouca gente, sem as armadilhas para turistas e a agitação provocada por eles.</p>
<p style="text-align: justify;">Um ano antes, em 17 de janeiro de 1989, também estava indo a um show. Ainda sob o impacto de <em>D</em>, disco gravado no Festival de Montreux em 1987, e com a ajuda das novas <em>O Beco</em>, <em>Uns Dias</em>, <em>Quase um segundo</em> e <em>Bora-Bora </em>(que dava nome ao disco de 1988), a garotada ia conferir os Paralamas do Sucesso. Aquele deve ter sido meu terceiro show da banda. É difícil explicar às gerações mais novas o que era um show de BRock nos anos 80. Éramos mesmo uma tribo e por isso, no caso de Natal, cabíamos tranquilamente no minúsculo Palácio dos Esportes. Se você gostava de forró, ia para o forró. Se gostava de rock, ia a shows de rock. Não nos misturávamos. Não havia esse “ecletismo” de hoje, que me parece apenas desculpa para o mau gosto. Se alguém cogitasse a realização desses “festivais” misturando rock, emo, axé e forró que acontecem hoje, certamente encontraria mais ceticismo do que se desse a notícia de Jesus descendo de uma nave extraterrestre de mãos dadas com Madonna e Cindy Lauper.</p>
<p><center><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/VslpQzlgJYs&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/VslpQzlgJYs&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></center></p>
<p style="text-align: justify;">O dia seguinte foi de descanso e preparo. Fiquei em casa vendo filmes: <em>Posições Comprometedoras </em>(1985), com Susan Sarandon e Raul Julia; Inocência Destruída (1988), que tem como tema <em>Baby, I love your way</em>, de Peter Frampton; e o já clássico<em> Cabaret </em>(1972), com Liza Minnelli e Michael York.</p>
<p><center><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/BmjFk7i4hyg&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/BmjFk7i4hyg&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></center></p>
<p style="text-align: justify;">A quinta, 19 de janeiro, traria algo há muito esperado: um show do RPM. Só quem viveu sabe o que o RPM representava. A histeria causada pela banda de Paulo Ricardo, diziam os da geração anterior, foi o mais perto que chegamos da Beatlemania. Eu posso dizer que nunca vi nada igual. Nem antes, nem até hoje. Uma música do RPM, saindo de um três em um em qualquer festinha, era suficiente para causar uma revolução. Várias Revoluções Por Minuto.</p>
<p style="text-align: justify;">O show aconteceu em área aberta, no Estádio Juvenal Lamartine. Os anos de 1985 e 1986 – quando o RPM mandava prender, mandava soltar e enlouquecia geral – não pareciam suficientemente distantes para não levar um multidão à primeira e única apresentação dos quatro rapazes em Natal. A banda já havia se separado, voltado, gravado mais um disco (<em>Quatro coiotes</em>, em 1988) e estava em final de turnê e de existência, mas, quem não queria ver aqueles caras de perto? Todas as garotas queriam Paulo Ricardo. Todos os garotos queriam ser Paulo Ricardo e pegar todas as garotas. No futuro, continuaríamos querendo ser ele para pegar só a Luciana Vendramini mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;">No show, eu me dividia entre curtir quase tardiamente o maior e mais meteórico sucesso do rock brasileiro oitentista, imaginar como seria a década seguinte e, claro, ficar com alguma garotinha bonita. A daquele show seria uma bem pequenina, tipo ninfa – já com uns 19 ou 20 anos, mas com cara de menininha –, por quem eu ficaria louco naquele verão. Mignon, corpo perfeito, ficaria me provocando em algumas idas à praia nos dias seguintes.  Ela gostava de mexer com aquele moleque de 16 anos que pensava ser gente. <em>Seu corpo </em>era<em> o fruto proibido, a chave de todo pecado e da libido, e para um garoto </em>(nada) <em>introvertido como eu, </em>era<em> pura perdição</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Bem&#8230; e pra vocês, <em>eu deixo apenas o meu <a href="http://www.youtube.com/watch?v=zeSXO-7uNxE" target="_blank">olhar 43</a>, aquele assim, meio de lado, já saindo, indo embora</em>, louco que vocês comentem algo sobre aquela época&#8230;</p>

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		<title>Go back to 1989</title>
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		<pubDate>Sat, 09 Jan 2010 18:41:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Anos 80]]></category>
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		<category><![CDATA[Música]]></category>
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		<description><![CDATA[Os primeiros dias de janeiro de 1990, tirando a batida de carro, foram de muito Amor e Paixão ao lado de Fabíola. Juntos há apenas quatro meses, abríamos mãos de costumes e oportunidades para ficarmos juntos. Pela primeira vez, desde &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/01/09/go-back-to-1989/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-402" style="border: 0pt none;" title="ssstitas" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/01/ssstitas.jpg" alt="ssstitas" width="600" height="210" /></p>
<p style="text-align: justify;">Os primeiros dias de janeiro de 1990, tirando a batida de carro, foram de muito Amor e Paixão ao lado de Fabíola. Juntos há apenas quatro meses, abríamos mãos de costumes e oportunidades para ficarmos juntos. Pela primeira vez, desde que passei a morar em Natal, quatro anos antes, eu dizia não ao verão carioca. Ela, aos 18 anos, pouco depois, abriria mão do sonho de todo adolescente daquela época: uma viagem aos Estados Unidos. Queríamos ficar juntos tanto quanto possível. Ainda não sabíamos (ou talvez soubéssemos), mas tínhamos pouco tempo para isso. A ordem era aproveitar ao máximo.</p>
<p style="text-align: justify;">Um ano antes, em 9 de janeiro de 1989, eu estava no Rio. Entrei em uma das muitas lojas de discos do Centro Comercial de Copacabana (ali na Nossa Senhora com a Siqueira Campos) e comprei <em>Flaunt It</em>, primeiro LP (de 1986), da banda britânica Sigue Sigue Sputnik. Em uma época em que a web não existia, nossas referências sobre música eram as rádios, a tevê, as poucas revistas sobre o assunto e o cinema. Tudo chegando, no mínimo, com um atraso de seis meses. Os malucos do SSS ainda não eram tão conhecidos por aqui, mas todo adolescente já havia escutado pelo menos uma música deles: <em>Love Missile F1-11</em>, que estava no filme <em>Curtindo a Vida Adoidado</em> (<em>Ferris Bueller&#8217;s Day Off</em>, também de 1986).</p>
<p><center><br />
<object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/pk30a0qsVIk&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/pk30a0qsVIk&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object><br />
</center></p>
<p style="text-align: justify;"><em>O Novo Cruzado, que ainda não saiu, já foi apelidado de “Bateau Mouche V”. Totalmente sem segurança, nesse ninguém embarca</em> – escrevi na agenda no dia 10, uma terça, seis dias antes da nova moeda entrar em vigor. O Cruzado Novo (NCz$) – era essa a denominação – sobreviveria até março do ano seguinte.</p>
<p style="text-align: justify;">Antes que o Cruzado passasse a ser chamado de novo, comprei, no dia 12, uma edição especial do segundo LP do SSS, <em>Dress for Excess</em>. Com capa e músicas diferentes, a versão brasileira trazia um enorme 1989 e o aviso <em>Brazil Pre-release!!</em> <a href="http://www.youtube.com/watch?v=r-coORYpt7w" target="_blank"><em>Albinoni VS Star Wars</em></a>, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=2rciJ8TCPXY" target="_blank"><em>Hey Jayne Mansfield Superstar</em></a>, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=xcSGXBlxiWo" target="_blank"><em>Rio Rocks!</em></a> e <em>Success</em> até hoje bombam em minha cabeça e, provavelmente, na da vizinha do nono andar daquele prédio na Barata Ribeiro, quase esquina com República do Peru. Depois, todo mundo conheceria o Sigue Sigue, que fez show no Brasil e até se apresentou no&#8230; Faustão!</p>
<p><center><br />
<object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/W40PGggXAvs&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/W40PGggXAvs&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object><br />
</center></p>
<p style="text-align: justify;">Naquela quinta, acabei não indo a <em>Splish Splash</em>, musical com Cláudia Raia. No dia seguinte, fiz um programa de turista: fui ao Cristo Redentor. Não me lembro de ter ido novamente nesses 21 anos seguintes, mas pode ser que tenha estado lá mais uma vez. Estava nublado e quase não se via a cidade. No sábado, 14, eu anotava: <em>De Volta ao Inferno – Não é o filme, é pura realidade.</em> Acabavam as férias e eu voltava a Natal. No domingo, escrevi várias cartas (algumas aparecerão aqui nesta série). Na segunda, 16, o Cruzado Novo entrava em vigor e eu finalmente via o quinto e último número do jornal <em>Graúna</em>, que na contracapa trazia uma foto minha e outra de Alexandre Mulatinho crianças, numa referência a <em>Go Back</em>, disco do Titãs lançado em 1988 e que havia embalado nosso primeiro ano na faculdade: <em>Jesus não tem dentes no país dos banguelas</em>, <em>Nome aos bois</em>, <em>Bichos escrotos</em>, <em>Marvin</em>, <em>AA UU</em>, <em>Polícia</em>, <em>Cabeça dinossauro</em>, <em>Não vou me adaptar</em>, <em>Lugar nenhum</em> e <em>Marvin</em>. Era um tempo em que os discos eram tão bons que todas as músicas faziam sucesso.</p>

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		<title>Dalva e Herivelto</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Jan 2010 18:19:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Televisão]]></category>

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		<description><![CDATA[Foi biográfico ou inspirado em fatos reais, eu me esforço. Seja livro, filme ou minissérie, encaro até o fim. Estava com boa vontade em relação a Dalva e Herivelto – Uma canção de amor, mesmo sabendo, desde a pré-produção, que &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/01/07/dalva-e-herivelto/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/01/07/dalva-e-herivelto/&amp;text=Dalva e Herivelto&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-370" style="border: 0pt none;" title="dalvaheri1" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/01/dalvaheri1.jpg" alt="dalvaheri1" width="600" height="250" /></p>
<p style="text-align: justify;">Foi biográfico ou inspirado em fatos reais, eu me esforço. Seja livro, filme ou minissérie, encaro até o fim. Estava com boa vontade em relação a <em>Dalva e Herivelto – Uma canção de amor</em>, mesmo sabendo, desde a pré-produção, que o casal seria representado por Adriana “Celinha” Esteves e Fabio “Dispensa-se Comentário” Assunção.  Nem precisei conferir a atuação de ambos para torcer o bico. Nos dois primeiros minutos, as referências a <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/04/30/pour-la-france/" target="_self"><em>La Môme</em></a> disseram o que estava por vir. Era de se esperar, já a partir do título descarado. No Brasil, <em>La Môme</em> foi chamado de <em>Piaf – Um hino ao amor</em>. A Globo continua achando que está nos anos 1970 e tratando os espectadores como alienados que só têm alguma conexão com o mundo além-casa ao sintonizá-la. Copiou o maravilhoso filme de Olivier Dahan ao fazer <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/01/19/a-tv-vai-a-escola/" target="_self"><em>Maysa – Quando fala o coração</em></a> e agora fez a cópia da cópia. O roteiro apressado, que parece ter sido escrito para o <em>Twitter</em> – cada cena em até 140 caracteres –, não ajudou em nada na construção dos personagens. Tudo de fácil digestão, seguindo a receita do que já fez sucesso. Ponto positivo para a rápida participação de Fernando Eiras interpretando Francisco Alves (esse merece livro, filme, minissérie&#8230;). Curioso por conferir Jandir Ferrari como David Nasser, que deve aparecer nos capítulos finais, que mostrará a fase em que, em parceria com Herivelto, compunha as músicas-lavagem-de-roupa-suja-pós-separação. Chega. Nem mais uma linha.</p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-371" style="border: 0pt none; margin: 0px;" title="dalvaheri2" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/01/dalvaheri2.jpg" alt="dalvaheri2" width="250" height="164" /></p>
<p style="text-align: justify;">Sobre o casal, registro minha passagem pela exposição <em>As estrelas Dalva de Oliveira e Herivelto Martins nos braços de Sampa</em>, em outubro de 2009, na Caixa Cultural São Paulo (Sé). Simples, mas gostosa de ver.</p>
<p style="text-align: justify;">No <a href="http://www.memoriaviva.com.br/novoblog" target="_blank"><em>Blog do Memória Viva</em></a>, um pouco da conturbada  história de <a href="http://www.memoriaviva.com.br/novoblog/2010/01/04/dalva-de-oliveira/" target="_blank">Dalva</a> e <a href="http://www.memoriaviva.com.br/novoblog/2010/01/04/herivelto-martins/" target="_blank">Herivelto</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Sobre outras exposições em São Paulo, continuo devendo – devo, nego, não pago enquanto puder – os textos. Em especial, as de Rodin, no Masp, que terminou no último dia 3; também lá, a de Walker Evans, que vai até este fim de semana (10 de janeiro); e a de Cartier-Bresson. Logo, logo&#8230;</p>

<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/01/07/dalva-e-herivelto/&amp;text=Dalva e Herivelto&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
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		<title>Alô, Alô, Terezinha!</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/10/28/aloalo-terezinha/</link>
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		<pubDate>Wed, 28 Oct 2009 16:14:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Diversão]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Televisão]]></category>

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		<description><![CDATA[Terezinhaaaaaaaa! U-uuuuuuuuuu! Tá fraco. Terezinhaaaaaaaa! U-UUUUUUUUUU! As luzes se apagam e se ouve a voz do Velho Guerreiro. A resposta, como de costume, vinha das chacretes. Mas o coro vinha mesmo de duas fileiras da sala 1 do Cine Reserva &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/10/28/aloalo-terezinha/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><em><img class="alignright size-full wp-image-37" style="border:0 none;" title="aloalo" src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/aloalo.jpg" alt="aloalo" width="282" height="382" /> Terezinhaaaaaaaa!<br />
U-uuuuuuuuuu!<br />
Tá fraco. Terezinhaaaaaaaa!<br />
U-UUUUUUUUUU!</em></p>
<p style="text-align:justify;">As luzes se apagam e se ouve a voz do Velho Guerreiro. A resposta, como de costume, vinha das chacretes. Mas o coro vinha mesmo de duas fileiras da sala 1 do Cine Reserva Cultural, em São Paulo, na pré-estréia de Alô, Alô, Terezinha, filme de Nelson Hoineff, na noite desta terça, 27 de outubro.</p>
<p style="text-align:justify;">Com 45 minutos de atraso – caiu o último bastião da pontualidade brasileira! –, graças ao furdunço feito pelo pessoal do programa <em>Pânico </em>no <em>hall </em>do cinema, o filme começa assim: Chacrinha chama, as chacretes respondem, entra a música de forma estrondosa – <em>Abelardo Barbosa/ está com tudo e não está prosa </em>(&#8230;). Quem, assim como eu, viveu a época da Discoteca e do Cassino do Chacrinha, já estava completamente arrepiado e no clima.</p>
<p style="text-align:justify;">O circo estava montado: chacretes, calouros, cantores e nós, a plateia. <em>Alô, Alô, Terezinha!</em> segue a cartilha do homenageado: é frenético, insano, cômico e grotesco. Há tempos não ria tanto com um filme. O grotesco fica por conta da história dos personagens longe das câmeras. Calouros que sentiram humilhados com a buzinada, que tiveram seus instantes de fama e “estão até hoje batalhando”, acreditando no sonho de se tornarem cantores. Chacretes, que foram mulheres extremamente desejadas, esquecidas e sobrevivendo a duras penas. O glamour ficou na lembrança. A realidade é um tremendo abacaxi. E não é doce.</p>
<p style="text-align:justify;">Não se trata de uma cinebiografia de Chacrinha. O filme é uma soma de retalhos das memórias de quem participou ativamente da história. E o roteiro é tão non sense quanto a própria história que pretende mostrar. Pelos depoimentos das chacretes, se pode acreditar que sejam putas, quase santas ou somente dançarinas. Melhor acreditar que são pessoas como quaisquer outras, com desejos, medos, momentos bons e maus, motivos de orgulho, coisas a esconder. Vivem a vida sem um roteiro pré-estabelecido. Assim como o programa que faziam.  Convidadas a mostrar as reboladas e os passos famosos, algumas chegaram a vestir as roupas que usavam à época. “<em>Coragem!</em>”, gritou alguém na plateia. Coragem mesmo. Não pelo risco de parecerem ridículas, mas por mostrar a vida nada gloriosa que tiveram depois da fama, por contar segredos, desenterrar histórias que podem gerar intrigas.</p>
<p style="text-align:justify;">Quem comeu quem? Quem dava para quem? O travesti Rogéria disse que nunca comeu ninguém, mas que foi muito comido. As chacretes dão nomes aos bois, se orgulham de suas listas ou se arrependem por não terem aceitado propostas mais ousadas.</p>
<p style="text-align:center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-38" style="border:0 none;" title="aloalo2" src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/aloalo2.jpg" alt="aloalo2" width="600" height="165" /></p>
<p style="text-align:justify;">E por falar em ousadia, nada nem ninguém superou a de Índia Potira. Como não gosto de revelar surpresas de filmes, você vai ficar na curiosidade. Digo apenas que, durante a festa no Bar Biroska, logo após a exibição do filme, não resisti a dar um beijo em Índia e elogiar sua atitude. Além de ser uma mulher linda, cheia de personalidade. “<em>Como é bom ouvir isso</em>”, disse ela, com um sorriso enorme. A propósito, o trio de impostores – eu, Zeck e Dany – desembestou a fazer fotos com artistas, chacretes e calouros. Eu “produzia e dirigia”, Dany (cara-de-pau até não mais poder) abordava as vítimas e Zeck clicava. Ao abordarmos Rita Cadillac, Dany me apresentou como “seu fã há 25 anos, mas tímido”. Rita bateu de pronto: “<em>Muito tímido! Eu vi ele dançando ali</em>”. É que pouco antes havia tocado Menudo e eu atendi à ordem de não me reprimir. Estava de olho, hein, Rita?!</p>
<p style="text-align:center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-39" style="border:0 none;" title="aloalo3" src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/aloalo3.jpg" alt="aloalo3" width="600" height="165" /></p>
<p style="text-align:justify;">Quem também estava por lá era o cantor Biafra. Para quem não sabe, a famosa cena do parapente que o atropela foi registrada enquanto gravava para <em>Alô, Alô, Terezinha!</em> E você vai rir ainda mais ao vê-la na telona e com a sequência, que mostra a reação do cantor. Simpático e solícito, brincou quando lhe revelei que passei a vida toda achando que ele era baixinho para finalmente descobrir que eu também sou. “<em>Nós não ficamos devendo nada a ninguém</em>”. Durante rápida apresentação, não teve como fugir do apelo do público: “<em>Voar, voar/ subir, subir&#8230;</em>” Delírio total! No palco do Biroska, a noite foi mesmo dos calouros. Arigatô Flamengo e Abacaxi fizeram a festa. Se deixassem, cantariam a noite toda (assim que subirmos os vídeos, acrescento ao post).</p>
<p style="text-align:justify;">Não canso de dizer: não houve uma década tão divertida como a de 80. E ainda não acabou. Roda e avisa que o filme estreia nesta sexta. <em>Quem vai querer bacalhau? Terezinhaaaaaaaa!</em></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Posts relacionados:</strong><br />
<a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/04/21/chacretes/" target="_self">Chacretes</a><br />
<a href="http://www.sandrofortunato.com.br/sajul06.htm#rita" target="_self">Rita Cadillac, uma mulher que sabe se virar</a></p>
<h3 style="text-align:justify;"><strong>Trailer de <em>Alô, Alô, Terezinha!</em></strong></h3>
<p><center><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/2JiZ8x-zpUk&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/2JiZ8x-zpUk&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></center><br />
<br />
<h3><strong>Abacaxi cantando no Biroska</strong></h3>
<p><center><object width="560" height="340"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/DrTGnX9uCkc&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/DrTGnX9uCkc&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="560" height="340"></embed></object></center></p>

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		<title>Dona Militana</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Apr 2009 16:14:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[A visita foi no dia do meu aniversário, mas quem estava de parabéns era Dona Militana. Acabara de driblar, mais uma vez, a morte. Deu um susto na família. Passou dias internada, baixou UTI, mas já voltou para casa. Mandou &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/04/14/dona-militana/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/militana.jpg" width="600" border="0" height="400" /></p>
<p style="text-align: justify">A visita foi no dia do meu aniversário, mas quem estava de parabéns era <span style="font-weight: bold">Dona Militana</span>. Acabara de driblar, mais uma vez, a morte. Deu um susto na família. Passou dias internada, baixou UTI, mas já voltou para casa. Mandou a desdita passear e disse que “<span style="font-style: italic">se Deus quiser alcanço a idade do meu pai: 89 anos</span>”. Está com 84 e eu aposto que ainda vai muito mais longe. Principalmente se deixar de lado o fumo. “<span style="font-style: italic">Deram fim no meu cachimbo. Mas eu compro outro. Disseram que eu quebrei, joguei no mato, mas não fiz nada disso</span>”. Besta é quem tenta enganar Dona Militana.</p>
<p style="text-align: justify">Se depender de sua memória, não há mesmo quem a engane. Lembra de tudo. Fala, espicha o olho, dá conta do que se passa ao redor, dá bronca em um neto, encara <a href="http://canindesoares.blog.digi.com.br/blog/" target="_blank">Canindé</a> e diz que saia para lá, negócio é esse de ficar apontando máquina para ela&#8230; É tudo charme. Faz parte do seu show. Ou talvez seja cansaço. Uma descrença ensinada por quem vai atrás da romanceira para apresentá-la como sua descoberta e exibi-la em palcos Brasil afora, mas esquece de fazer uma visita quando ela está doente.</p>
<p style="text-align: justify">Começa a lembrar das viagens. Fala da que fez ao Rio de Janeiro e da visita ao Cristo Redentor, que ela chama de “<span style="font-style: italic">o Divino espírito Santo com os braços abertos assim</span>”. E conta de “<span style="font-style: italic">uma dona medonha mangando de mim</span>” durante a visita. Ela responde, a dona revida, Militana diz que é “<span style="font-style: italic">nêga, mas não é sujeita à cozinha de ninguém</span>”, chega a polícia, leva a dona medonha, deixa a outra, Militana, braba que só o diabo, rindo da batalha vencida aos pés do Redentor.</p>
<p style="text-align: justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/milifami.jpg" width="308" align="right" border="0" height="200" />Nunca levou desaforo pra casa. Não teve jeito do pai lhe acalmar o juízo. Quando era mandada à venda, recebia a ordem: “<span style="font-style: italic"><span style="font-weight: bold">Cuspa no chão</span>. Se quando chegar em casa o cuspe estiver seco, é uma pisa que leva</span>”. A promessa da surra era para ver se a menina voltava logo e sem arranjar encrenca na rua. Não dava muito certo. O temperamento difícil não deixava. Ela conta de uma menina que “<span style="font-style: italic">veio me chamar de nêga do cabelo de currupinho. <span style="font-weight: bold">Currupinho tem embaixo da saia da mãe dela!</span></span>”. E dá-lhe briga. Chegando em casa, cuspe seco, subia em um cajueiro para fugir da surra do pai. Vez ou outra um padrinho aparecia em sua defesa e ela escapava. Hoje, mãe, avó e bisavó, reflete: “<span style="font-style: italic">A pessoa quando é moça não pensa</span>”.</p>
<p style="text-align: justify">E a quantas anda a descendência de Dona Militana? A matemática é difícil. Cada um que pergunta pode ouvir uma resposta. A única conta que bate é a dos 7 filhos que vingaram. A partir da geração seguinte a coisa complica. Disseram que são 65 netos e 50 bisnetos. A pequena <span style="font-weight: bold">Ellen</span>, de apenas 4 dias, há apenas um morando em casa, nos foi apresentada como a bisneta de número 50. Subindo ou descendo o outeiro em São Gonçalo do Amarante, pode perguntar a quem encontrar se é parente da romanceira que a resposta vai ser sempre a mesma: “<span style="font-style: italic">Sou</span>”. Só uma pessoa respondeu que não. Era casada com um filho dela. Então também é, ora!</p>
<p style="text-align: justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/militana2.jpg" width="250" align="left" border="0" height="167" />Sim, Sandro, mas você encerou, encerou e nem apresentou devidamente a personagem. Afinal, quem é Dona Militana? É figurinha carimbada, especialíssima, importantíssima e outros íssimas. Dê uma googlada e descubra por si mesmo. Ou siga alguma das ligações ao final deste texto. Para mim, Dona Militana é uma enciclopédia viva, dona de uma memória assustadora e que, quando abre a boca, não deve ser interrompida. “<span style="font-style: italic">Quando tem homem falando, menino fica calado</span>”, diria ela. Eu, menino, só perguntei uma coisa: Como a senhora está se sentindo? “De vez em quando dá uma pontada aqui dentro”, respondeu, colocando a mão sobre o peito. Isso passa, isso passa. Mas é melhor deixar o cachimbo de lado. “Que culpa eu tenho se eu acendo e ele pega fogo?”, diz ela, em tom de pilhéria, tentando esconder aquele sorriso de quem sabe tudo. Ainda vai contar e fazer muita história, essa menina danada.</p>
<p><span style="font-weight: bold">Ligações externas sugeridas:</span><br style="font-weight: bold" /><a href="http://www.dicionariompb.com.br/detalhe.asp?nome=Dona+Militana&amp;tabela=T_FORM_A&amp;qdetalhe=art" target="_blank">Dona Militana no Dicionário Cravo Albin</a><br />
<a href="http://tribunadonorte.com.br/noticias/100401.html" target="_blank">O canto triste da romanceira</a>, por Michelle Ferret</p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback3.jpg" usemap="#Map3" border="0" height="25" /></center></p>
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		<title>Maysa</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Jan 2009 04:38:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[Maysa faz parte de minha infância. Lembro de um LP de capa preta com uma foto sua, colorida, loira, olhos pintados, encarando quem pegasse o disco. Lembro principalmente de três músicas: Ouça, Meu mundo caiu e Se todos fossem iguais &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/01/13/maysa/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/maysa1.jpg" width="600" border="0" height="226" /></p>
<p><o:p> </o:p></p>
<p align="justify">Maysa faz parte de minha infância. Lembro de um LP de capa preta com uma foto sua, colorida, loira, olhos pintados, encarando quem pegasse o disco. Lembro principalmente de três músicas: <strong><em>Ouça</em></strong>, <strong><em>Meu mundo caiu</em></strong> e <strong><em>Se todos fossem iguais a você</em></strong>. A voz grave me impressionava, parecia triste, cantando coisas do “mundo dos adultos”. Acharia soturno se soubesse o significado disso naquele tempo.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><o:p></o:p>Era bem diferente do restante que costumávamos ouvir em casa: Roberto Carlos, Benito Di Paula, Sidney Magal, Frenéticas,&#8230; E era sempre eu quem colocava o disco. Achava linda aquela mulher que parecia olhar para mim tentando me ensinar algo: <em>Meu mundo caiu/ E me fez ficar assim/ Você conseguiu/ E agora diz que tem pena de mim</em>. Os versos finais eram a verdadeira lição que eu lembraria muitas vezes: <strong><em>Se meu mundo caiu/ Eu que aprenda a levantar</em></strong>.</p>
<p class="MsoNormal">Maysa foi minha primeira professora.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">São lembranças do final dos anos 70, quando ela já havia morrido. Isso dava um tom ainda mais sinistro aos momentos em que eu insistia em ouvir o disco. Minha mãe torcia a cara. Era como se eu estivesse invocando um espírito.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/maysa2.jpg" width="185" align="right" border="0" height="230" />Em 1969, Maysa foi entrevistada por <em>O Pasquim </em>(número 2). Abaixo, alguns trechos nos quais demonstra a personalidade forte e difícil e fala de episódios abordados na microssérie atualmente exibida pela Globo.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><o:p></o:p><em>Eu, geralmente, jogo o microfone na cabeça de quem atrapalha </em>(enquanto ela estivesse cantando)<em>. Uma vez, no Copacabana Palace, havia um senhor que estava fumando charuto na minha frente, eu pedia a ele para parar de fumar, porque a fumaça estava me atrapalhando, ele não parou. Pedi duas, três vezes, para parar de fumar o charuto, ele não parou, eu joguei o cigarro que estava fumando, direto na cara dele. O público inteiro me aplaudiu de pé. Na Argentina, já joguei sapato, microfone etc. Agora, não, agora estou mais calma, só paro de cantar.</em></p>
<p class="MsoNormal"><o:p></o:p>Quando perguntada se existia no Brasil uma cantora melhor que ela:</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><em>De vez em quando eu gosto da Elis cantando. Quando ela não faz malabarismo como faz atualmente, quando ela canta ela mesma, eu acho que ela canta muito bem.</em></p>
<p class="MsoNormal">Na seqüência, respondendo o que achava de Elis Regina como pessoa:<o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><em>É um mau caráter. Mas um mau caráter no mau sentido. Mais do que isso, nem isso ela é, ela é uma coitada.</em></p>
<p class="MsoNormal">Sobre seu casamento :<o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" align="justify">(&#8230;) <em>quando era casada com o Matarazzo, eu nunca comunguei da cartilha dele, não, entende? Na minha casa, sempre recebi quem eu quis, sempre fiz o que quis, quando comecei a cantar recebia em casa todo o mundo que me dava vontade, quer dizer que nunca participei da vida de sociedade.</em></p>
<p class="MsoNormal">Sobre ter parado de beber:<o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" align="justify">(&#8230;) <em>Eu só parei de beber pelo seguinte: eu não sei beber um uísque só. E bebendo 80, que é o mínimo que gosto, me faz um mal desgraçado, está entendendo? Então é um negócio de sobrevivência. Por isso é que parei de beber.</em></p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback3.jpg" usemap="#Map3" border="0" height="25" /></center></p>
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		<item>
		<title>Era iluminada</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/09/16/era-iluminada/</link>
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		<pubDate>Tue, 16 Sep 2008 03:10:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Anos 80]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/09/16/era-iluminada/</guid>
		<description><![CDATA[Da noite do último sábado ao final da tarde de domingo, a SescTV levou ao ar, por três vezes, o especial Rock Anos 80, no programa Era Iluminada. Vi todas as vezes. Na última, até minha mãe, beirando os 70, &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/09/16/era-iluminada/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"> <img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/lps.jpg" border="0" height="286" width="599" /></p>
<p align="justify">Da noite do último sábado ao final da tarde de domingo, a SescTV levou ao ar, por três vezes, o especial <strong>Rock Anos 80</strong>, no programa <strong><em>Era Iluminada</em></strong>. Vi todas as vezes. Na última, <strong>até minha mãe</strong>, beirando os 70, comentou: <em>Ouvindo as músicas dos seus quinze anos?</em> Imagine o quanto ela também ouviu tudo aquilo! E vamos ouvir de novo nesta terça, às 21h.</p>
<p align="justify">Na boa: não é saudosimo; é mesmo a última coisa que prestou. Ao menos como movimento. Há coisas boas até hoje, isoladas, e todas são filhas daquela época. <strong>Autoramas</strong> e <strong>Vanessa Krongold</strong>, do <strong>Ludov</strong>, estavam lá dando “um gás novo” nas releituras. Bela base do Autoramas, com <strong>Gabriel</strong> na guitarra e <strong>Flávia</strong> no baixo, mas quem segurou a história toda foi um ex -Autoramas. <strong>Nervoso</strong> dispensa apresentações como baterista, mas PUTAQUEPARIU, o cara estava com o diabo no corpo naquela apresentação! Não erra uma, senta a mão como uma propriedade que merecia palmas de <strong>Lobão</strong>. Mais: timbres atualizados, a pegada é a mesma dos oitenta. Isto é, ele pega o que era ótimo e deixa perfeito.</p>
<p align="justify">Vanessa, que era criança nos oitenta, apesar das declarações meio desconfiadas foi a melhor escolha entre os que assumiram o microfone. Mandou muito bem com <em>Tudo pode mudar </em>(<strong>Metrô</strong>) e <em>Pintura Íntima</em> (<strong>Kid Abelha</strong>). <strong>Virginie</strong> e <strong>Paulinha Toller </strong>foram muito bem representadas. Por outro lado, <strong>Fernanda Porto</strong>, que vem de outras praias, mandou mal com o microfone. Acertou mesmo quando pegou o sax. Outro que me causou alguma estranheza foi <strong>Beto Bruno</strong>. Adoro o <strong>Cachorro Grande</strong>, mas agora não tenho qualquer dúvida de que eles têm seu estilo e devem se manter nele.</p>
<p align="justify">Dos originais, só <strong>Roger</strong>, que deu um peso muito maior e fez diferença cada vez que pegava a guitarra, e <strong>Thedy</strong> (<strong>Nenhum de nós</strong>). Vinte e três músicas pinçadas de centenas de pérolas que poderiam fazer uma dúzia de programas sem repetir uma canção e sem correr o risco de que um fosse melhor ou mais representativo que o outro. Nem <strong>Gang 90</strong> e <strong>Mercenárias </strong>escaparam. Mas faltou <strong>Camisa de Vênus</strong>. Impossível não deixar muita coisa boa de fora, mas vale a pena assistir.</p>
<p align="justify">Assim como Thedy, “<strong><em>lamento que muita gente não tenha vivido aquela época e tenha uma idéia equivocada do que aconteceu</em></strong>”. Quem perder hoje ainda poderá ver no próximo domingo, 21, às 20h30, e no dia 26, às 18h30.</p>
<p align="justify">Também nesta terça, 16, tem exibição de <strong><em>Areias escaldantes</em></strong>, de <strong>Francisco de Paula</strong>, às 21h, no CineBrasil TV. Já nem sei quantas vezes assisti, principalmente depois de conseguir uma cópia das mãos do próprio diretor. É o filme do mês no Cine Brasil (ainda passará outras duas vezes em setembro).  Em breve, falarei mais a respeito desse nonsense que traz <strong>Titãs</strong> e <strong>Lobão</strong>, em priscas eras, cantando e atuando, além de <strong>Regina Casé</strong>, <strong>Diogo Vilela</strong>, <strong>Luiz Fernando Guimarães</strong>, <strong>Cristina Aché</strong> e <strong>Macalé</strong> (não o Jards). Repeteco nos dias 27 (16h30) e 30 (21h). Cole na tevê, divirta-se e comente.</p>
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		<title>Insuportável mundo novo</title>
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		<pubDate>Sun, 14 Sep 2008 22:10:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Um viva aos emos! Incrédulo, precisei de alguns anos para perceber que a turminha chorosa de cabelos lambidos e musiquinhas melosas pode vir a ser a boa e orgulhosa lembrança dessa geração. Sim. Porque a turba ignara, que sai do chão com os refrões de vogais do axé, que se encanta com os ganidos breganejos e acha que o forrobodó eletrônico é roots, não vai ter nada para contar aos seus filhos e netos. Só terão o que esquecer e do que se envergonhar. Um planeta desconhecido, distante, de órbita demorada, parece ter marcado e amaldiçoado milhões. Um podre coletivo que terá consequências muito piores que as atuais.</p>
<p align="justify">Tenho alguma esperança naqueles que ainda não chegaram à adolescência. E alguma confiança que os da minha geração que demoraram a ser pais ajudem a fazer dos anos 10 deste século uma década na qual os jovens voltem a fazer sinapses. E pensar que nos anos 80 nos assustávamos quando nascia uma criança sem cérebro em Cubatão! Como deixamos isso se tornar uma epidemia sem controle? A imbecilidade fez mais vítimas que a AIDS, o câncer, o aquecimento global, o fumo, as drogas, o trânsito e as guerras juntos.</p>
<p align="justify">Esta será lembrada como uma era de descerebração. Uma época inútil, vazia, verdadeiramente perdida. A cultura da idiotização faz dos adolescentes seres incapazes de ouvir, de aprender, de buscar, de comparar e até de apenas pensar.  Não existe qualquer busca por valores.  Existe apenas a necessidade de ser reconhecido e aceito como mais um idiota.</p>
<p align="justify">Estou falando apenas de cultura musical. Dispenso maiores considerações sobre formas menos populares de conhecimento e manifestação artística. Em geral, estão muito além da compreensão do adolescente mediano, que não lê, não sabe buscar informação (em um mundo onde ela se tornou mais acessível que o oxigênio), acredita que teatro é uma brincadeira para se fazer rir,&#8230;</p>
<p align="justify">Viva o NX Zero! Viva o CPM 22, o Fresno, o Tokio Hotel e qualquer outra bandinha fake, arremedo de rebeldia. Já que vivi – e sobrevivi! – para ver Xoelma destruindo as músicas do Paralamas e Herbert Vianna convidar a todos para dançar o Apocalipso,  qualquer coisa está valendo.</p>
<p align="justify">Definitivamenre, rock’n’roll é coisa de tiozão. Tio Sandro afere, confere, reitera e ratifica. E reza, pois acredita serem os apelos mundanos quase sempre mais fortes que o sangue e a educação que se deseja aos seus.</p>
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		<title>Os donos das histórias</title>
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		<pubDate>Thu, 15 May 2008 17:33:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Memória Viva]]></category>

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		<description><![CDATA[Gravações inéditas de Renato Russo, reedição da obra de Jorge Amado, fotobiografia de Clarice Lispector, reedição de Vivaldo Coaracy, edição fac-similar da primeira edição de Memórias Póstumas de Brás Cubas. A todo instante vemos alguma ação para a preservação da &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/05/15/os-donos-das-historias/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"> <img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/apague.jpg" border="0" height="195" width="600" /></p>
<p align="justify">Gravações inéditas de <strong>Renato Russo</strong>, reedição da obra de <strong>Jorge Amado</strong>, fotobiografia de <strong>Clarice Lispector</strong>, reedição de <strong>Vivaldo Coaracy</strong>, edição fac-similar da primeira edição de <strong><em>Memórias Póstumas de Brás Cubas</em></strong>. A todo instante vemos alguma ação para a preservação da obra e da memória de alguém. O que pouca gente sabe é que isso é só a pontinha de um <em>iceberg</em>. Sob o mar gelado do esquecimento, há centenas e centenas de projetos desse tipo que jamais chegarão à superfície.</p>
<p align="justify">Muitos porque não conseguirão qualquer apoio para serem realizados. A falta de dinheiro é um dos maiores e mais comuns entraves para que venham a existir. Mas há um obstáculo muito mais poderoso que é capaz de deter até os projetos que têm dinheiro para serem colocados no mundo. Trata-se de um fenômeno que mistura <strong>orgulho</strong>, <strong>vaidade</strong> e <strong>mesquinhez</strong>. Costumo chamá-lo de “<strong><em>o dono da história</em></strong>”.</p>
<p align="justify">Acontece assim: alguém passa a vida toda a criar obras maravilhosas – literatura, poesia, música, desenho, filme,&#8230; – e, quando morre, começa uma briga entre seus herdeiros para saber quem é o “<em>dono da história</em>” do falecido. O resultado disso é quase sempre o mesmo: a história é enterrada com quem a viveu. Quem perde são seus admiradores e todo mundo que poderia um dia vir a ser um.</p>
<p align="justify">É irônico que geralmente tal ato venha acompanhando da desculpa “<em>estou fazendo isso para preservar a memória&#8230;</em>”. E nada é realmente feito.</p>
<p align="justify">O orgulho e a vaidade fazem com que a pessoa acredite que só ela tem o direito de contar aquela história, só ela está apta, só ela sabe “a verdade”. A mesquinhez faz com que pense: “<em>isso vale algo e só eu posso lucrar com isso</em>”. Há ainda um outro ponto: quando isso acontece, pode ter certeza, está presente também a tentativa de esconder algo.</p>
<p align="justify">Esbarrei com isso, várias vezes, em pesquisas para o <strong><a href="http://www.memoriaviva.com.br" target="_blank">Memória Viva</a></strong>. Nada que me atingisse diretamente. Rápido aprendi a sentir, de longe, o cheiro de pessoas assim e manter distância. Para quem trabalha nessa área – de preservação de memória – por paixão, mesmo sem estar envolvido, dói assistir a esse tipo de comportamento. E, infelizmente, é algo muito comum.</p>
<p align="justify">Não canso de cantar minha sorte em relação às pessoas com quem mantive contato para as biografias de <a href="http://www.memoriaviva.com.br/appe" target="_blank"><strong>Appe</strong></a> e <strong><a href="http://www.memoriaviva.com.br/carlosestevao" target="_blank">Carlos Estevão</a></strong>. Esposas, ex, filhos, netos, sobrinhos, amigos, colegas de trabalho&#8230; Pessoas maravilhosas que, cada um a seu modo, têm me ajudado muito durante todo o processo de pesquisa.</p>
<p align="justify">Foi numa dessas conversas, com uma amiga de Appe, no ano passado, que <strong>fiquei sabendo</strong> de um trabalho maravilhoso de preservação da obra e da memória de um grande compositor e instrumentista brasileiro. Um trabalho feito com amor, por gente competente e gabaritada, com tudo para ser um grande sucesso e atingir seus objetivos. Mas esbarrou em um “dono da história”.</p>
<p align="justify">A conversa foi com Terezinha Mendes, cantora lírica. O trabalho vem sendo feito por sua filha, a socióloga <strong>Flávia de Oliveira Barreto</strong>. Consiste em escrever uma biografia e montar shows e exposições com o objetivo de organizar a obra e manter viva a memória de seu pai, um tal <strong>Severino Dias de Oliveira</strong>, nascido em Itabaiana, cidadezinha do interior da Paraíba. Compositor, sanfoneiro, coisa muito comum no estado. Você – e meio mundo – já deve ter ouvido falar dele, que era mais conhecido pelo apelido de <strong>Sivuca</strong>.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/sivuca.jpg" align="right" border="0" height="472" width="275" /><a href="http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080512/not_imp171034,0.php" target="_blank">Matéria de capa</a> do <em>Caderno 2</em> do <em>Estadão</em>, na última segunda, fala sobre o caso. Começa de maneira sóbria e direta: <strong><em>A quem pertence a obra de um artista depois de sua morte? Ao público que o consagrou ou aos herdeiros que deixou?</em></strong></p>
<p align="justify">A <strong>filha única de Sivuca</strong> pode ver todo o seu projeto barrado por força de decisão judicial que lhe tira o direito de fazer qualquer coisa com o nome do pai. Absurdo? Sim. Mas só um dentre muitos parecidos que estão acontecendo agora.</p>
<p align="justify">“<em>Meu pai não teve a preocupação de ficar juntando nada. Só queria tocar. Tem disco que não se encontra em lugar algum do mundo. Se você não reedita, o que acontece? <strong>O artista morre de novo</strong></em>”, diz Flávia na matéria.</p>
<p align="justify">A última frase é a regra do que acontece no Brasil. Qualquer disposição contrária é a exceção.</p>
<p align="justify">Sivuca é conhecido e respeitado internacionalmente, mas quem o conhece aqui no Brasil? “S<em>e você fala sobre Sivuca com uma pessoa que entende de música, ela sabe quem é. Mas se perguntar na rua é capaz de ele ser confundido com o Hermeto Pascoal</em>”, sentencia a filha, consciente de que vivemos em um país sem memória.</p>
<p align="justify">Quem se lembra de <a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u71089.shtml" target="_blank"><strong>Marinês</strong></a>, falecida há apenas um ano? Ou de <strong><a href="http://www.estadao.com.br/arteelazer/not_art162940,0.htm" target="_blank">Canhoto da Paraíba</a></strong>, morto há menos de um mês? <strong>Quem lembrará deles daqui a vinte, trinta anos? Quem se importa com isso?</strong></p>
<p align="justify">Certamente há alguém que se importa. E ao tentar preservar a memória dessas pessoas, estará fazendo um favor aos que estão aqui e podem continuar usufruindo de sua arte, de tudo que elas criaram. Seriam bem-vindas muitas histórias. Não só uma oficial, com dono, quase sempre guardada de forma tão “cuidadosa” e sem sentido que acaba nunca sendo compartilhada.</p>
<p align="justify">Espero que na maioria desses casos prevaleça o bom senso. Que os donos das histórias sejam menos egoístas e possam realmente mostrar que amavam e respeitavam seus personagens.</p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback.jpg" usemap="#Map" border="0" height="25" /></center></p>
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