<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Sempre Algo a Dizer &#187; Mundo cão</title>
	<atom:link href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/category/mundo-cao/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo</link>
	<description></description>
	<lastBuildDate>Wed, 01 Feb 2012 11:00:20 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.3</generator>
		<item>
		<title>Tiros em Barreiros</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/06/05/tiros-em-barreiros/</link>
		<comments>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/06/05/tiros-em-barreiros/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 05 Jun 2009 07:36:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo cão]]></category>
		<category><![CDATA[Televisão]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/06/05/tiros-em-barreiros/</guid>
		<description><![CDATA[Parece haver um roteiro prévio para certo tipo de chacina. Fazem pouco do sujeito até que um dia ele enlouquece e sai matando gente conhecida, que ele culpa pelo desprezo ou pelos insultos que recebe. O final também não varia: &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/06/05/tiros-em-barreiros/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/06/05/tiros-em-barreiros/&amp;text=Tiros em Barreiros&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/sapotengi1.jpg" border="0" width="600" height="315" /></p>
<p align="justify"> Parece haver um roteiro prévio para certo tipo de chacina. Fazem pouco do sujeito até que um dia ele enlouquece e sai matando gente conhecida, que ele culpa pelo desprezo ou pelos insultos que recebe. O final também não varia: ele se mata ou é morto pela polícia.</p>
<p align="justify">Foi assim em Columbine, em 1999. Dois jovens estudantes entraram na escola que frequentavam, mataram colegas e professores, 15 ao todo, e depois se mataram. Foi assim também com <a href="http://www.terra.com.br/istoe/politica/144329.htm" target="_blank">Genildo Ferreira de França, em 1997, no distrito de Santo Antônio do Potengi</a> (antes Santo Antônio dos Barreiros), em São Gonçalo do Amarante, município vizinho a Natal (RN). Em doze horas, matou 14 pessoas, aterrorizou a pequena localidade, mobilizou cerca de 120 soldados e terminou morto. Sem direito a velório, enterro normal, nem plaquinha identificando o túmulo.</p>
<p align="justify">Doze anos depois, a história ganha um documentário de 52 minutos. <a href="http://www.youtube.com/watch?v=AANekYKw8FU" target="_blank"><em>Sangue do Barro</em></a> estreou terça passada em uma sala do Cinemark, em Natal. Imprensa, convidados, sessão fechada e eu sem o mínimo interesse em ir. Não pelo filme, mas pela sessão. Para mim, a estreia verdadeira aconteceria na noite de quinta, no Teatro Municipal de São Gonçalo do Amarante, sendo assistido por pessoas que vivenciaram o massacre, que perderam parentes, amigos e vizinhos, gente que nunca viu um filme em tela grande, nunca entrou em um cinema.</p>
<p align="justify">A fila descia pela rua do teatro. Policiais com roupa de camuflagem – como a que Genildo usava durante o massacre – circulavam pelas imediações. Cada um que passava pelas portas do teatro assinava pacientemente um livro, registrando sua presença naquele momento tão importante, até que o acesso para o auditório foi liberado e alguém, ainda na rua, gritou: “Ei, por que eles já estão entrando e a gente ainda tá aqui? A gente vai ficar do lado de fora?!”. O livro foi esquecido e todo mundo correu. A porta já ia fechando quando eu e Canindé Soares conseguimos chegar a ela com nossa melhor cara de “<em>sou jornalista e posso tudo</em>”. Entramos. Muita gente ficou de fora, mas haveria uma segunda sessão.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/sapotengi2.jpg" align="right" border="0" width="368" height="240" />O pequeno auditório com menos de 300 lugares estava lotado. Gente em pé, escorada nas paredes, sentada pelos corredores, no palco. Outro tanto lá fora aguardando a exibição seguinte. Começa o filme. O estranhamento da primeira sessão de cinema é um fenômeno que merece ser assistido. Eu não sabia se assistia ao filme ou prestava atenção ao público. Risos nervosos, “O<em>lha Fulano! Olha Zé de Beltrana!</em>”, os conhecidos virando estrela, aparecendo gigantescos no pano branco ao fundo. A excitação logo deu lugar ao silêncio, aqui e ali quebrado pelo choro, por soluços. Aquelas pessoas estavam experimentando o cinema em sua forma mais plena, se emocionando, vendo suas próprias vidas – algumas literalmente – na tela grande.</p>
<p align="justify">Genildo, o Neguinho de Zé Ferreira, decidiu dar um fim aos boatos de que era homossexual matando todos que o julgavam assim, a começar pela esposa que teria inventado a história para forçar uma separação. No filme, depoimentos de parentes, colegas de infância, conhecidos, vítimas que escaparam e gritadores de noticiosos policiais. Aliás, a meu ver, o documentário exibe demasiadamente cenas do maldito <em>Aqui, Agora</em> com a caçada ao atirador.</p>
<p align="justify">Homossexual. Traficante. Psicopata. O filme parece querer mostrar que não era nada disso e tenta explicar os motivos que levaram o rapaz de 27 anos a cometer a chacina. A construção do personagem vai sendo feita através dos relatos dos entrevistados que também vão revelando onde se encaixam na história. A história é iniciada em ritmo de série policial moderna, se acalma durante a apresentação do Genildo anterior ao dia do massacre, chega à histeria com as cenas dos telejornais e parece se perder quando tenta recolocar os pés no chão e mostrar os efeitos do ocorrido na vida dos filhos do atirador e dos parentes das vítimas. Dois ou três instantes “artísticos”, pendentes para o docudrama, parecem ter sido esquecidos ali na hora da edição. Não fariam qualquer falta. A imagem do protagonista é pouco utilizada e acaba sendo construída no imaginário do espectador.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/sapotengi3.jpg" align="right" border="0" width="368" height="199" />No geral, o filme funciona bem. Não ousa. Tem início, meio e fim. Cumpre o papel de registrar. Não será exibido em Cannes, não ganhará a Palma de Ouro. Mas ganhou as palmas do público de São Gonçalo que, lembrando seu dia mais triste, viveu uma noite mágica. No lugar de qualquer um da equipe, eu teria ficado orgulhoso com isso. Cheguei como jornalista e fui me transformando em ser humano durante a exibição, contagiado por toda aquela gente de verdade que estava ali, por suas histórias, pelo sangue dado, todos os dias, na luta pela sobrevivência.</p>
<p align="justify">Fui ver um filme e voltei com uma lição sobre falta de respeito, intolerância e suas consequências. O povo de Santo Antônio deve ter aprendido isso há doze anos. Se não, <em>Sangue do Barro</em> deve ter servido para reforçar a lição.</p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback3.jpg" usemap="#Map3" border="0" height="25" /></center></p>
<map name="Map3">
<area href="http://feeds.feedburner.com/semprealgo" shape="rect" coords="410,0,510,23" />
<area shape="rect" coords="257,0,370,24" alt="Logo abaixo em  COMMENTS" />
<area href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/atualizacoes-por-email" shape="rect" coords="0,1,228,26" /> </map>

<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/06/05/tiros-em-barreiros/&amp;text=Tiros em Barreiros&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/06/05/tiros-em-barreiros/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Verdade para quê?</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/11/23/verdade-para-que/</link>
		<comments>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/11/23/verdade-para-que/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 23 Nov 2008 04:38:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo cão]]></category>
		<category><![CDATA[Periódicos]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/11/23/verdade-para-que/</guid>
		<description><![CDATA[Depois da óbvia capa com Obama, a Veja (sempre ela… Leu na Veja? Azar o seu.), retoma sua série de capas apelativas, demonstrando que a fofoca e o mundo cão são negócios mais rentáveis que o jornalismo. Como todo o &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/11/23/verdade-para-que/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/11/23/verdade-para-que/&amp;text=Verdade para quê?&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/veja380.jpg" align="right" height="193" width="156" />Depois da óbvia capa com Obama, a <em>Veja</em> (sempre ela… Leu na <em>Veja</em>? Azar o seu.), retoma sua série de capas apelativas, demonstrando que <strong>a fofoca e o mundo cão são negócios mais rentáveis que o jornalismo</strong>.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Como todo o planeta parece estar em paz, não há catástrofes, problemas ambientais ou sociais acontecendo e falta imaginação para uma boa reportagem, a pedida é requentar algo que provoque a sede de sangue do leitor. Na falta de algo melhor (ou pior), os duzentos dias de férias do casal Nardoni são motivo de capa.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">O julgamento público continua e a idéia é mostrar a boa vida dos dois. Não há qualquer novidade sobre o caso ou sobre o andamento do processo. A “reportagem especial” parece querer somente alimentar o ódio e a vontade de linchamento.<o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" align="justify">O atual jornalismo brasileiro segue a vocação quinto-mundista de escrever com sangue e fazer ferver o do <em>ledor</em> bruto, que se finge leitor com desejo de informação. A capa desta semana de <em>Veja</em> me pareceu ainda mais sem sentido pois, no mesmo dia em que chegou às bancas, finalmente saquei do envelope o livro <strong><em>Maddie – A verdade da mentira</em></strong>, sobre <a href="http://sic.aeiou.pt/online/noticias/pais/multimedia/maddie+1+ano.htm" target="_blank">o caso da garotinha inglesa desaparecida em Portugal</a> em maio de 2007.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">O livro foi escrito por Gonçalo Amaral, Coordenador Operacional das investigações do caso, desde o início, em 3 de maio de 2007, até 2 de outubro do mesmo ano, quando foi afastado. Aposentou-se em junho deste ano e, no mesmo mês, lançou o livro com o qual pretende apontar a verdade sobre os acontecimentos com a menina.<o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/maddie.jpg" align="right" height="227" width="156" /><strong>Um mês depois de lançado</strong>, a meu pedido, <a href="http://amazingideas-lifestyle.blogspot.com/" target="_blank"><strong>Marcelo e Renata</strong></a> me mandaram um exemplar. <strong>Já era a quinta edição</strong>. Há algumas semelhanças entre os casos de Maddie e Isabella. Há inúmeras e gigantescas diferenças na cobertura dos casos, mas em relação ao ocorrido em Portugal, vou falar somente sobre o livro.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><em>Maddie – A verdade da mentira </em>foi escrito por um policial com 26 anos de uma respeitada carreira e lançado pouco mais de um ano depois do desaparecimento, com o caso ainda sem solução. <strong>No primeiro mês, vendeu mais de 125 mil exemplares </strong>em um país com uma população quase igual a da cidade de São Paulo. Se cada exemplar foi lido por pelo menos três pessoas, quase 5% da população do país fez isso no primeiro mês de existência do livro. Se a mesma proporção fosse aplicada ao Brasil, seria como se quase toda a cidade de São Paulo – ou Portugal quase inteiro, isto é, algo perto de 10 milhões de pessoas – lesse um livro em um mês. Nem Paulo Coelho consegue uma mágica dessas.<o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Verdade seja dita, uma edição de <em>Veja </em>é lida por algo como meia cidade do Rio de Janeiro, cerca de 3 milhões de pessoas. Verdade continue sendo dita, isto é <strong>quase nada em um país com 190 milhões de habitantes</strong>. Em compensação, a cobertura dos telejornais só não atinge alguns indígenas, alguns moradores de ruas e alguns bichos-grilos que fazem questão de não ver tevê. Em resumo: <strong>somos um país de analfabetos teleguiados</strong>.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><strong>Oito em cada dez livros mais vendidos no Brasil </strong>na última década são de auto-ajuda, sobretudo os que prometem milagres nas áreas de carreira e finanças. Mesmo com toda a procura e todo o marketing, são necessários uns quatro meses para vender 125 mil exemplares. Proporcionalmente&#8230; proporcionalmente não se chega lá.<o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Esse tipo de comparação só reforça o estigma de que não lemos e de que não temos preocupação em nos aprofundarmos nas histórias, em descobrirmos a verdade. Seja como jornalistas ou como leitores, <strong>não temos tal compromisso</strong>. Tudo é uma novela e o que vem mastigado nas revistas – ou, ainda mais fácil, pelos gritos do apresentador de telejornal estilo mundo cão – basta para alimentar nossos desejos mórbidos. Não vamos além.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Um simples exemplo como este ainda denuncia outras situações suficientes para desenvolver várias teses, mas levanto uma última que é o <strong>pouco ou nenhum apreço pela verdade</strong>, o que certamente nos leva a cometer grandes injustiças e marcar a ferro e fogo juízos que ficarão para a História como reais, mesmo que pairem sobre eles todas as dúvidas. Mas isso já é <strong>assunto para o próximo texto</strong>.</p>

<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/11/23/verdade-para-que/&amp;text=Verdade para quê?&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/11/23/verdade-para-que/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>9</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A guerra é assim</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/05/19/a-guerra-e-assim/</link>
		<comments>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/05/19/a-guerra-e-assim/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 19 May 2008 18:28:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo cão]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/05/19/a-guerra-e-assim/</guid>
		<description><![CDATA[Mais dia, menos dia, a notícia chegaria: vítima de seqüestro mata seqüestrador. Chegou. E não impressiona. A guerra é assim. Sem inocentes. Logo as vítimas começam a se transformar em soldados. As crianças, os jovens, as mulheres. Brutalizados, encurralados, só &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/05/19/a-guerra-e-assim/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/05/19/a-guerra-e-assim/&amp;text=A guerra é assim&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/vietnam.jpg" border="0" height="360" width="600" /></p>
<p align="justify">Mais dia, menos dia, a notícia chegaria: <strong><a href="http://www.estadao.com.br/cidades/not_cid174902,0.htm" target="_blank">vítima de seqüestro mata seqüestrador</a></strong>. Chegou. E não impressiona. <strong>A guerra é assim.</strong> Sem inocentes. Logo as vítimas começam a se transformar em soldados. As crianças, os jovens, as mulheres. Brutalizados, encurralados, <strong>só resta uma coisa a fazer: reagir</strong>.</p>
<p align="justify">A foto que ilustra o texto foi feita por <strong>Hamilton Ribeiro</strong>, quando ele cobria a guerra do Vietnam para a revista <strong><em>Realidade</em></strong>, em 1968. Nem precisaria de legenda, mas tinha uma que dizia: <em>Estas crianças nasceram vendo a guerra. E de brincadeira elas imitam os adultos que se matam.</em></p>
<p align="justify">Na guerra é assim. Pensamos estar criando médicos, engenheiros, jornalistas, artistas, doutores em qualquer coisa, mas, sem perceber, <strong>estamos criando soldados</strong>. Quando <strong>Maurício de Souza</strong> disse que seu filho de nove anos, quando em cativeiro, “<a href="http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM829408-7823-MAURICIO+DE+SOUSA+DESABAFA,00.html" target="_blank"><strong><em>buscava caminhos da fuga</em></strong></a>”, isto é, prestava atenção nos movimentos dos bandidos para tentar uma oportunidade de fugir, deu prova irrefutável disso. Sem saber, sem querer, estamos criando um exército.</p>
<p align="justify">Se um menino rico, filho de um homem que escreve histórias para crianças, aos nove anos de idade já pensa em táticas para escapar do inimigo, é natural que um jovem de 21 anos seja um soldado pronto para matar. Pena que ele tenha sido obrigado a isso. Sorte de ele ter conseguido fazer isso.</p>
<p align="justify"><strong>Um homem é um lobo é um lobo.</strong> Dê alimento e ele crescerá forte e selvagem.</p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback.jpg" usemap="#Map" border="0" height="25" /></center></p>
<map name="Map">
<area href="mailto:sandrofortunato@gmail.com" shape="rect" coords="410,0,600,23" alt="Escreva-me" />
<area shape="rect" coords="257,0,370,24" alt="Logo abaixo em  COMMENTS" />
<area href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/atualizacoes-por-email" shape="rect" coords="0,1,228,26" alt="Clique e cadastre seu e-mail" /> </map>

<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/05/19/a-guerra-e-assim/&amp;text=A guerra é assim&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/05/19/a-guerra-e-assim/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Próxima capa de Veja</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/04/29/proxima-capa-de-veja/</link>
		<comments>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/04/29/proxima-capa-de-veja/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 29 Apr 2008 03:15:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo cão]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/04/29/proxima-capa-de-veja/</guid>
		<description><![CDATA[Ronaldo e os travestis &#8211; Para quem não viu
<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/04/29/proxima-capa-de-veja/&amp;text=Próxima capa de Veja&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/veja_ronaldo.jpg" border="0" height="490" width="380" /></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://globoesporte.globo.com/ESP/Noticia/Futebol/Campeonatos/0,,MUL429370-4840,00.html" target="_blank">Ronaldo e os travestis &#8211; Para quem não viu</a></p>

<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/04/29/proxima-capa-de-veja/&amp;text=Próxima capa de Veja&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/04/29/proxima-capa-de-veja/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Considerações e curiosidades</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/04/28/consideracoes-e-curiosidades/</link>
		<comments>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/04/28/consideracoes-e-curiosidades/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 28 Apr 2008 12:43:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Desenho]]></category>
		<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo cão]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/04/28/consideracoes-e-curiosidades/</guid>
		<description><![CDATA[1. Lição relâmpago de ética. No Fantóxico, matéria sobre o austríaco que, em 1984, prendeu a filha de 18 anos e, desde então, estuprou-a constantemente, fazendo com que ela tivesse 7 filhos. Um deles morreu e o louco queimou o &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/04/28/consideracoes-e-curiosidades/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/04/28/consideracoes-e-curiosidades/&amp;text=Considerações e curiosidades&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/patpoeta.jpg" border="0" height="298" width="400" /></p>
<p align="justify"><strong>1. Lição relâmpago de ética.</strong> No <em>Fantóxico</em>, <a href="http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM820855-7823-PAI+MANTEM+FILHA+E+NETOS+EM+CATIVEIRO+POR+ANOS+NA+AUSTRIA,00.html" target="_blank">matéria sobre o austríaco</a> que, em 1984, prendeu a filha de 18 anos e, desde então, estuprou-a constantemente, fazendo com que ela tivesse 7 filhos. Um deles morreu e o louco queimou o cadáver. Ao final, em dois segundos, uma constrangida <strong>Patrícia Poeta</strong> arremata com uma frase que deveria servir de lição à imprensa e às autoridades brasileiras: <strong><em>A polícia não divulgou imagens do acusado.</em></strong></p>
<p>Acusado não, <strong>CRIMINOSO</strong>. E nem é “suposto”.</p>
<p align="justify"><strong>2. </strong>No mesmo <em>Fantóxico</em>, <a href="http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM820826-7823-RECONSTITUICAO+ATRAI+PEQUENA+MULTIDAO,00.html" target="_blank">matéria sobre as manifestações oportunistas em frente ao prédio</a> onde aconteceu o crime da menina. Um cara que se “crucifica” e desmaia, outro que se veste de anjo tentando chamar a atenção para “o caso da família dele que passa necessidade” (e depois vai embora num carro novinho)&#8230; só faltou finalizar com: “<em><strong>E nós fazemos parte deste circo mostrando a desgraça e a insanidade alheias. É o show da vida!</strong></em>”</p>
<p align="justify"><strong>3. </strong>Sempre me perguntei: E se os descendentes de Che Guevara ganhassem um dólar cada vez que usassem uma foto dele em algum lugar? Não teria para ninguém. Estariam no topo da lista de zilionários da Forbes. Pergunto: E se a mãe de Isabella recebesse um real cada vez que exibissem a imagem da menina ou falassem o nome dela? (Acabou de ganhar mais um)</p>
<p align="justify"><strong>4. </strong>Hoje pela manhã na<em> home</em> do UOL, o portal mais acessado da América Latina: <strong><em>Após reconstituição, polícia irá pedir prisão de pais de Isabella</em></strong>. Dos pais? A mãe vai junto?! Ou ela tem dois pais?! E a madrasta fica solta?! Eu li por volta de 7h30, mas já estava antes. Lá pelas 8h30 absolveram a mãe.</p>
<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/uol2804.jpg" border="0" height="360" width="570" /></p>
<p align="justify"><strong>5.</strong> A morbidez fez com que a imagem mais repetida nas tevês, durante o domingo, fosse a da <strong>boneca-dublê sendo jogada pela janela</strong>. Passou mais que gol decisivo do Brasil em final de Copa. A boneca, que <strong>custou US$ 2,5 mil</strong> não foi jogada. Pelo jeito, vale muito mais que a vida de uma criança. <em>Folha</em> e <em>Estadão</em> combinaram até a localização e tamanho da foto que mostrava o momento-sensação. Juntando tudo, foi uma espécie de “<em>colocaram no YouTube o pay-per-view da garota sendo jogada pela janela</em>”. <strong>Big Brother com força.</strong></p>
<p align="justify"><strong>6. E o padre?</strong> Não sei se ele escolheu uma péssima hora para se encontrar com seu chefe e não teve a devida atenção ou se escolheu uma hora ótima e desviou um pouco a atenção do caso da menina. Só sei que, organizando o material para a biografia de <strong><a href="http://www.memoriaviva.com.br/carlosestevao" target="_blank">Carlos Estevão</a></strong>, encontrei ontem essa página do <strong>Amigo da Onça</strong> (<a href="http://www.memoriaviva.com.br/ocruzeiro" target="_blank"><em>O Cruzeiro</em></a>, 10 de fevereiro de 1970). Será que foi ele?</p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/oncagaroto.jpg" border="0" /></p>
<p>E para não perder a piada-mórbida&#8230;</p>
<p align="center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/oncapadre.jpg" border="0" /></p>
<p><strong>7. Que tal mais um terremoto em São Paulo?</strong></p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback.jpg" usemap="#Map" border="0" height="25" /></center><br />
<map name="Map">
<area href="mailto:sandrofortunato@gmail.com" shape="rect" coords="410,0,600,23" alt="Escreva-me" />
<area shape="rect" coords="257,0,370,24" alt="Logo abaixo em  COMMENTS" />
<area href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/atualizacoes-por-email" shape="rect" coords="0,1,228,26" alt="Clique e cadastre seu e-mail" /> </map>

<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/04/28/consideracoes-e-curiosidades/&amp;text=Considerações e curiosidades&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/04/28/consideracoes-e-curiosidades/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Isabella</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/04/07/isabella/</link>
		<comments>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/04/07/isabella/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 07 Apr 2008 13:48:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo cão]]></category>
		<category><![CDATA[Periódicos]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/04/07/isabella/</guid>
		<description><![CDATA[Gostaria de começar a semana com um tema mais ameno, mas isso parece quase impossível. Então vamos à pauta que, por hora, abrandou a temperatura do óleo em que estão fritando Dilma Roussef. Há poucos dias, cansados e desesperados pela &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/04/07/isabella/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/04/07/isabella/&amp;text=Isabella&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/isabella.jpg" border="0" height="264" width="600" /></p>
<p align="justify">Gostaria de começar a semana com um tema mais ameno, mas isso parece quase impossível. Então vamos à pauta que, por hora, abrandou a temperatura do óleo em que estão fritando Dilma Roussef.</p>
<p align="justify">Há poucos dias, cansados e desesperados pela terrível fase de birra que Pietro vem apresentando, resolvemos desaposentar a empoeirada tevê que jazia há meses empoeirada em um canto da casa. Ligar a tevê, para mim, é realmente um ato de desespero. Principalmente quando as opções são apenas os canais abertos. Isso feito, acontece <strong>a morte da garota Isabella</strong>. E o que serviria de babá a Pietro, passa a ser governanta de seu pai.</p>
<p align="justify">Peguei-me esperando o jornal seguinte. E o próximo e ainda o outro. Além do sentimento comum de desejo por justiça, minha atenção se voltou, desde o primeiro instante, para <strong>o roteiro da novela</strong>, isto é, para o tratamento dado à notícia.</p>
<p align="justify">Estamos acostumados a esse tipo de caso. Sob holofotes, <strong>as autoridades se sentem no <em>Big Brother</em></strong>. De agentes do submundo passam a celebridades e, como em qualquer <em>reality show</em>, querem mostrar aos espectadores uma imagem de distinção, competência, bom caráter, de donos da situação e de todos os poderes. A cada início de telejornal fico na expectativa do surgimento de Pedro Bial a dizer “<strong><em>Vamos ver como andam os nossos heróis</em></strong>” para, em seguida, chamar delegado, promotor, policiais e suspeitos.</p>
<p align="justify"><strong>Segredo de Justiça</strong> é algo tão bem guardado que há quem acredite que isso não existe. <strong>É pura ficção</strong>. O que está em segredo diante de tudo que tem sido exposto? O caso Isabella rende teses – que não cabem aqui – sobre o discurso da comunicação de massa. A tevê, parece-me, está ligeiramente mais cuidadosa. Assim como “os heróis” que se apresentam diante das câmeras. “<em>Não estou acusando&#8230;</em>”,  “<em>Não estou dizendo&#8230;</em>”, “<em>É bom ter cuidado&#8230;</em>”. É bom ter <strong>muito cuidado</strong>.</p>
<p align="justify">As principais revistas semanais foram mais enfáticas. Parecem aliviadas com <strong>a quebra do longo jejum de sangue inocente</strong>. Desde fevereiro do ano passado, quando <strong>o garoto João Hélio</strong> foi arrastado por quilômetros por um carro roubado, não víamos nada parecido. Pelo menos não tão perto e tão espetacular, no sentido mais bizarro e <em>business</em>, do termo. Há <a href="http://www.findmadeleine.com" target="_blank">o caso da inglesinha Madeleine</a>, desaparecida há quase um ano em Portugal, mas não só parece distante como não foi apresentado um corpo ao circo de horrores que se cria nesses casos. Madeleine é só especulação. Pode ter tido um fim (se é que) muito parecido com o de Isabella, mas esta é uma história de mistérios onde conhecemos o fim mas desconhecemos o que levou a ele. É como nos filmes em que <strong>a primeira cena é a da morte</strong> do personagem principal e que nos obriga a ficar sentados e hipnotizados à espera de que se mostre o porquê.</p>
<p align="justify">A história toda é muito confusa. Segue um roteiro no qual aumentam as dúvidas à medida que aumentam as informações. É porque, como nos filmes, <strong>só faltam as informações realmente necessárias</strong>: <em>Quem? Como? Por que?</em></p>
<p align="justify"><strong>Crimes envolvendo família</strong> – sejam por dinheiro, ciúmes ou qualquer outro motivo injustificável – <strong>costumam ser desvendados logo</strong>. As confissões aparecem rápido. Deixo aos psicólogos, psiquiatras e religiosos as explicações pelo desejo de expiação por parte de quem os comete. Da <a href="http://www.memoriaviva.com.br/ocruzeiro/30071960/300760_1.htm" target="_blank">Fera da Penha</a> ao casal Richtofen, passando por Daniela Perez, os “<em>quens</em>”, “<em>comos</em>” e porquês sempre aparecem.</p>
<p align="justify">Além de “<strong>Por que?</strong>”, há outras perguntas que sempre me vêm nesses casos.</p>
<p align="justify"><strong>1) Como é que alguém faz algo assim e dorme?</strong><br />
<strong>2)</strong> Como é que alguém pode defender quem fez isso? (Todos têm direito à defesa. Isso é incontestável. O que me assombra é como um advogado pode mentir para tentar livrar a cara do criminoso como se ele não tivesse cometido o crime. E, neste caso específico, nem estou dizendo que isso exista até o momento. Eu só consigo conceber a seguinte atitude: “<em>Você fez? OK. Vamos tentar entender o que aconteceu, evitar o linchamento e buscar uma pena justa segundo o que dizem nossos códigos</em>”.)<br />
<strong>3)</strong> Que tipo de desequilíbrio pode levar a cometer um ato como esse?<br />
<strong>4) </strong>Quando as autoridades aprenderão que alimentar um circo em torno de casos assim atrapalha muito mais do que ajuda?<br />
<strong>5) </strong>Quando a imprensa aprenderá que não tem poderes de polícia nem muito menos de juiz e que suas condenações, invariavelmente precipitadas, são mais severas e, no caso de um julgamento errado, não há como reverter o estrago causado?<br />
<strong>6)</strong> Quando teremos uma<strong> reforma penal</strong> decente que responderá à altura a crueldade de nossos tempos?</p>
<p align="justify">Se alguém puder respondê-las, agradeço.</p>

<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/04/07/isabella/&amp;text=Isabella&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/04/07/isabella/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>12</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O doentio e adorável Michael Moore</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/03/27/o-doentio-e-adoravel-michael-moore/</link>
		<comments>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/03/27/o-doentio-e-adoravel-michael-moore/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 27 Mar 2008 18:09:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo cão]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/03/27/o-doentio-e-adoravel-michael-moore/</guid>
		<description><![CDATA[Na última terça, o humorístico Jornal Nacional exibiu algumas reportagens sobre a epidemia de dengue no Rio. Para agradar a seus espectadores-homers, mostrou como a vida é maravilhosa nos Estados Unidos, mesmo que os céus estejam contra eles. A matéria &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/03/27/o-doentio-e-adoravel-michael-moore/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/03/27/o-doentio-e-adoravel-michael-moore/&amp;text=O doentio e adorável Michael Moore&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/sicko.jpg" border="0" height="343" width="600" /></p>
<p align="justify">Na última terça, o humorístico <em>Jornal Nacional</em> exibiu algumas reportagens sobre a epidemia de dengue no Rio. Para agradar a seus espectadores-homers, mostrou como a vida é maravilhosa nos Estados Unidos, mesmo que os céus estejam contra eles. A matéria dizia que os EUA enfrentaram recentemente um problema parecido e deram cabo da mosquitada de forma muito eficiente. É patética, inútil e deveria servir pelo menos para duas coisas: mostrar como é simples evitar e combater algo desse tipo e como o poder público brasileiro não consegue fazer nem isso.</p>
<p align="justify">Já chegando ao fim, a repórter diz: “<strong><em>mas o sistema americano também recebe críticas</em></strong>”. Acendeu uma luzinha de aviso e pensei: “vai falar de como <strong>praticamente não existe serviço público de saúde nos Estados Unidos</strong>”. Ingenuidade minha. Só fez lembrar do inferno passado pelos moradores de New Orleans, em 2005, após a passagem do Katrina, quando cerca de 1.600 pessoas morreram. A última frase da matéria, que quis apenas enfatizar a idéia de que o americano tem a cultura de precaver-se, foi (aparente e provavelmente sem querer) a única inteligente. Dizia que o resultado só não foi pior porque “<em><strong>20 milhões de pessoas procuraram informações médicas para não adoecer</strong></em>”.</p>
<p align="justify">Elas fizeram isso por um motivo muito simples: porque sabiam que <strong>se adoecessem, morreriam</strong>.</p>
<p align="justify">É isso que <a href="http://www.michaelmoore.com/sicko/dvd" target="_blank"><em><strong>Sicko</strong></em></a>, o mais recente filme de <a href="http://www.michaelmoore.com" target="_blank"><strong>Michael Moore</strong></a> mostra: a falta de uma política de saúde pública nos Estados Unidos e, pior que isso, o engodo dos planos de saúde americanos.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/sicko2.jpg" align="right" border="0" height="326" width="228" />Moore está cada vez melhor. Em minha opinião, ele é o grande revolucionário de nossos tempos. Sem conflito armado, usa sua inteligência e todo seu adorável cinismo para desmistificar as maravilhas do império americano. Roteiriza, dirige, documenta, atua e monta seus filmes. É uma estrela de primeira grandeza. Com <em>Sicko</em>, quase começo a pensar que tanto brilho pode ofuscar a real função de seus filmes. Eu, por exemplo, ri quase o tempo todo, principalmente quando ele passa por vários países da Europa e mostra como funcionam seus sistemas de saúde. São hilárias as reações das pessoas, acostumadas a ter um atendimento exemplar sem ter que pagar nada (além de seus próprios impostos) por isso, diante da “surpresa” e insistência de Moore em tentar descobrir como algo assim pode ser possível. E quando ele leva pessoas que desenvolveram doenças por terem atuado nos trabalhos de resgate do World Trade Center, pessoas que tiveram atendimento de saúde negado&#8230; bem, veja o filme. Não vou estragar.</p>
<p align="justify">Eu, fã do cinismo de Moore, <strong>ri todo o tempo</strong>. Minha esposa <strong>chorou durante o filme inteiro</strong> e ainda chora cada vez que se fala nele. A situação mostrada é realmente terrível. Você que está aí sentadinho na frente do seu computador, você que é um “inserido digital”, você que provavelmente tem um plano de saúde, mesmo que nunca tenha entrado em um hospital público, certamente já viu suas mazelas pela tevê. Acredite, <strong>nosso sistema público de saúde é muito melhor que o americano</strong>.</p>
<p align="justify">Eu poderia fazer um discurso de oito horas e muitos megabites sobre a relação governo X saúde pública, dar bons e maus exemplos, nos Brasis e no exterior, mas vou preferir dar a dica do filme e deixar que você tire suas próprias conclusões.</p>
<p align="justify">Termino apontando alguns detalhes sarcásticos para os quais pouca gente irá atentar. Em um dos cartazes do filme, Michael Moore aparece <strong>sentado entre esqueletos</strong> em uma sala de espera. Um deles segura um jornal no qual a manchete noticia a chegada do homem à Lua (julho de 1969). Logo abaixo se lê: <em><strong>Astronautas dizem “Águia pousou”</strong></em>. Lugar de águia (símbolo americano) não é no chão. Outro esqueleto tem sobre a perna um exemplar de <em><strong>Trópico de Câncer</strong></em>, de <strong>Henry Miller</strong>. A escolha do título obviamente não foi acaso. O primeiro romance de Miller (autobiográfico, diga-se) fala de <strong>um americano que abandona seu trabalho e casamento</strong> (representando aí instituições falidas) <strong>para viver maravilhosamente bem e feliz em Paris</strong>. A conexão é direta e imediata. Mas há ainda outro detalhe. O livro foi publicado em 1934, mas proibido em quase todos os países de língua inglesa. Nos Estados Unidos, só seria publicado nos anos 60. É outra alfinetada quanto ao <strong>atraso cultural americano e à eterna tentativa de maquiar isso</strong>.</p>

<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/03/27/o-doentio-e-adoravel-michael-moore/&amp;text=O doentio e adorável Michael Moore&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/03/27/o-doentio-e-adoravel-michael-moore/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>5</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Duas ou três coisas sobre armas de fogo</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/02/16/duas-ou-tres-coisas-sobre-armas-de-fogo/</link>
		<comments>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/02/16/duas-ou-tres-coisas-sobre-armas-de-fogo/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 16 Feb 2008 14:56:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo cão]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/02/16/duas-ou-tres-coisas-sobre-armas-de-fogo/</guid>
		<description><![CDATA[Meu avô, hoje com 87 anos, era um garotinho quando o anúncio acima circulava na revista Careta, no início da década de 20. Era um tempo em que homens de bem carregavam suas próprias armas e não pensavam duas vezes &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/02/16/duas-ou-tres-coisas-sobre-armas-de-fogo/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/02/16/duas-ou-tres-coisas-sobre-armas-de-fogo/&amp;text=Duas ou três coisas sobre armas de fogo&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/colt.jpg" border="0" /></p>
<p align="justify">Meu avô, hoje com 87 anos, era um garotinho quando o anúncio acima circulava na revista <em><a href="http://www.memoriaviva.com.br/careta" target="_blank">Careta</a></em>, no início da década de 20. Era um tempo em que homens de bem carregavam suas próprias armas e não pensavam duas vezes em despachar um gatuno para o quinto dos infernos. Isso era não só um costume, mas também algo incentivado e liberado, com direito à campanha publicitária promovendo a compra de armas.</p>
<p align="justify">Imagine isso em nossos dias. Principalmente você que está aí no Rio, em São Paulo, Recife, Curitiba ou outra capital na qual o número de mortes por arma de fogo é cada vez maior. Imagine, se a venda de armas ainda fosse liberada, como seria o apelo hoje.</p>
<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/aliviar.jpg" border="0" /></p>
<p align="justify">Você está na rua e vê alguém com uma arma. O que ele é? Policial ou bandido. Em tese e de imediato, só temos essas opções. Então esse alguém aponta e dispara contra um policial. O que ele acaba de fazer? Acaba de pedir para acertar as contas com o diabo. O policial só faz as vezes de agente de turismo e providencia a passagem. E assim são <a href="http://noticias.uol.com.br/ultnot/album/080216_album.jhtm?abrefoto=1" target="_blank">dois a menos</a> para o cidadão paulistano se preocupar.</p>
<p align="justify">E por último&#8230; lembra do plebiscito, da campanha e do estatuto sobre o desarmamento? E como tudo continua igual? Você pensa que essas armas vêm de onde? Dos Estados Unidos? Das Farc? Então digite “<a href="http://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&amp;client=firefox-a&amp;rls=org.mozilla%3Aen-US%3Aofficial&amp;q=maiores+fabricantes+de+armas+do+mundo&amp;btnG=Pesquisar&amp;meta=" target="_blank">maiores fabricantes de armas do mundo</a>” no Google e veja o resultado.</p>

<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/02/16/duas-ou-tres-coisas-sobre-armas-de-fogo/&amp;text=Duas ou três coisas sobre armas de fogo&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/02/16/duas-ou-tres-coisas-sobre-armas-de-fogo/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>BIG BROTHER IS WATCHING YOU</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/01/08/big-brother-is-watching-you/</link>
		<comments>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/01/08/big-brother-is-watching-you/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 08 Jan 2008 14:23:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo cão]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/01/08/big-brother-is-watching-you/</guid>
		<description><![CDATA[Todos juntos vamos! Para trás, Brasil! Salve a alienação! Começa hoje mais um desfile de bundas, peitos, músculos, de vale-tudo para ter seus 15 minutos de fama e descolar um troco mostrando as partes. Nada contra quem assiste o Big &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/01/08/big-brother-is-watching-you/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/01/08/big-brother-is-watching-you/&amp;text=BIG BROTHER IS WATCHING YOU&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/watching.jpg" /></p>
<p align="justify">Todos juntos vamos! Para trás, Brasil! Salve a alienação! Começa hoje mais um desfile de bundas, peitos, músculos, de vale-tudo para ter seus 15 minutos de fama e descolar um troco mostrando as partes. Nada contra quem assiste o <strong>Big Brother</strong>. Realmente nada! Eu mesmo tenho lá meus confessos interesses. Adoro ver o momento em que as máscaras caem; em que os personagens não se sustentam; em que o lobo fala mais alto que o homem e a baixaria rola solta. Também é interessante a fúria com que milhões torcem para um determinado tipo: a pobre coitada, feia e sem qualquer estudo no meio de modelos aspirantes à celebridade; o gay <em>mezzo</em> intelectualizado que luta contra o preconceito da maioria de machões arrogantes; o boa pinta cafajeste que quer vingança contra o complô que armaram para seu harém&#8230; Isso é um espelho do que a sociedade da época pensa, quais seus conflitos, quais suas necessidades. Sem falar que é engraçado um bando de dementes querer “mostrar algum conteúdo”. Tenho o maior respeito pelo <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/01/03/a-hora-e-a-vez-de-jeremias-nascimento" target="_blank"><strong>Jeremias</strong></a>, um ser humano real, dizendo que o foi “<em>u cão quem butô pa nóis bebê</em>” e que se pudesse “<em>matarra mil</em>”; mas me acabo de rir, com todo escárnio possível, da gostosinha montada, cheia de caras e bocas, se esforçando para mostrar que é mais que um pedaço de carne recheando um dedo de biquíni. Duro é agüentar todo o resto para ter somente isso.</p>
<p align="justify">O que realmente me incomoda, como já disse em outras ocasiões, é a mobilização em torno disso. Vendo ou não, gostando ou não, todo mundo fala sobre. Veja só, EU estou falando! De novo!! Entre um Machado de Assis e um Dalton Trevisan, <strong>também faço parte da massa ignara</strong>.</p>
<p align="justify">Essa mobilização se deve ao poder do próprio Big Brother, isto é, daquele que nos vigia e nos diz o que temos que pensar. Se você leu <a href="http://www.lisandrosellis.kit.net/obras/ORWELL%20-%201984.pdf" target="_blank"><em><strong>1984</strong></em></a>, de <strong>George Orwell</strong>, entende perfeitamente o que estou dizendo. São as mesmas manipulações de sempre e, cada vez mais, mais gente se deixa manipular. Não consigo imaginar algo pior do que o caderno <em>Ilustrada</em>, da <strong><em>Folha de São Paulo</em></strong>, as “páginas guardiãs da cultura e do melhor da vanguarda artística”, dar-se ao trabalho de lançar, com séculos de atraso, <a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/podcasts/ult10065u360354.shtml" target="_blank">um <em>podcast</em></a> para debater a (lá vem o indicativo de fofoca) <em>suposta</em> homossexualidade de uma das participantes. Pergunto: <strong>E o kiko?</strong> Kiko tenho a ver com isso? Qual a importância disso para os rumos do pensamento e da intelectualidade brasileira? Isso irá contribuir para a formação intelectual de nossas crianças?</p>
<p align="justify">Mais que tudo isso. A cada vez que as atenções do país são monopolizadas por essa estupidez, lembro dos três lemas do partido totalitarista do livro de Orwell e me assombro com suas aplicações para o tempo presente:</p>
<p align="center">GUERRA É PAZ<br />
LIBERDADE É ESCRAVIDÃO<br />
IGNORÂNCIA É FORÇA</p>
<p align="justify">Na impossibilidade de desligá-la, fique de costas para a tela. É mais seguro, ainda que suas costas também possam falar. <strong>Você não está de olho em nada. </strong>Eles é que estão de olho em você. <strong>Você está sendo vigiado.</strong> Tanto quanto possível, fuja da Polícia do Pensamento.</p>
<p align="center"><font color="#eb132d"><strong>Agora comente logo abaixo. Ou vai me deixar pensar por você?</strong></font></p>

<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/01/08/big-brother-is-watching-you/&amp;text=BIG BROTHER IS WATCHING YOU&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/01/08/big-brother-is-watching-you/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>11</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O galante e sanguinário João Acácio</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/01/05/o-galante-e-sanguinario-joao-acacio/</link>
		<comments>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/01/05/o-galante-e-sanguinario-joao-acacio/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 05 Jan 2008 03:05:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo cão]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/01/05/o-galante-e-sanguinario-joao-acacio/</guid>
		<description><![CDATA[Ferida, aquele menino de Joinvile, rejeitado por uma garota pela qual se apaixonara, resolveu namorar a morte. Esta já o rondava há tempos. Levara o pai e a mãe quando ele ainda era pequeno. Na década de 60, já adulto, &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/01/05/o-galante-e-sanguinario-joao-acacio/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/01/05/o-galante-e-sanguinario-joao-acacio/&amp;text=O galante e sanguinário João Acácio&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/luzverm1.jpg" /></p>
<p align="justify">Ferida, aquele menino de Joinvile, rejeitado por uma garota pela qual se apaixonara, resolveu namorar a morte. Esta já o rondava há tempos. Levara o pai e a mãe quando ele ainda era pequeno.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/luzverm2.jpg" align="right" height="312" width="208" />Na década de 60, já adulto, virou João ou Gaúcho. Começou a roubar, arrombando as portas das residências com um macaco de automóvel, modalidade então nova para a polícia de São Paulo (recentemente reeditada numa rápida visita noturna que fizeram ao Masp). Sem que soubessem de sua identidade, ganhou novo apelido: <strong>Homem do Macaco</strong>.</p>
<p align="justify">Andava com dois revólveres, “um 38, para os ricos; um 32, para a polícia”. Voltou a cortejar a morte em junho de 1967. Deu a ela quatro pessoas de presente. E quase outras sete. A essa altura, já era conhecido como o <strong>Bandido da Luz Vermelha</strong>.</p>
<p align="justify">Em agosto, estava preso. Agora tinha nome e sobrenome: <strong>João Acácio Pereira da Costa</strong>. Com medo de ser envenenado, só comia o alimento antes provado por alguém na sua frente. Não queria encontrar sua amada desse jeito. Confessou os assassinatos, 77 assaltos, nada negava, tudo falava. Só não queria ser espancado.</p>
<blockquote>
<p align="justify"><em>Seu desejo é morrer. Se não puder fugir, dará um jeito na vida. Não é homem para ficar preso o resto da existência, depois tem aquela doença. Segundo seu tio e pai de criação, João Pereira, os pulmões de Acácio estão minados pela tuberculose. Não poderá resistir muitos anos na prisão, nem a maus tratos físicos.</em><br />
(<em>O Cruzeiro</em>, 26 de agosto de 1967)</p></blockquote>
<p align="justify">As previsões falharam. Como a garotinha, a morte também enjeitou Acácio. Foi condenado a 351 anos, nove meses e três dias de prisão. Hoje, 40 anos depois, ainda não nasceu o avô de ninguém que vá conhecer o ano de 2319, quando ele deveria ser solto.</p>
<p align="justify">Por força de uma lei de 1985, ninguém poderia passar mais de 30 anos seguidos preso. João Acácio, o Luz Vermelha, bandido mais conhecido da década de 60, cravava mais um marco na história policial e judicial brasileira: foi o primeiro a ser beneficiado pela lei dos 30 anos. Ainda tentaram driblar a ordem, transferi-lo para um manicômio. Mas no dia 23 de agosto de 1997, Acácio estava solto e revivia seus dias de fama.</p>
<p align="justify">Um ano antes, dizia que “de briga não vou morrer (&#8230;) se me matarem vai ser de bala de ouro”. Continuava apaixonado pela morte. Pouco mais de quatro meses depois, finalmente a encontrou. De bala, mas de uma bem vagabunda, saída da espingarda de um pescador que o acolhera e já não agüentava Acácio assediando as mulheres da casa. Um tiro no peito levou Luz para junto de sua amada há exatos 10 anos.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/luzfilme.jpg" align="left" height="225" width="158" />No ano seguinte à sua prisão, era lançado um filme que viraria marco na história do cinema brasileiro: <em><strong>O Bandido da Luz Vermelha</strong></em>, de <strong>Rogério Sganzerla</strong>. Mal entrado na casa dos 20 anos, o diretor, mas do que uma tentativa de se proteger, foi feliz ao avisar logo no início do filme que “qualquer semelhança com fatos reais ou irreais, pessoas vivas, mortas ou imaginárias é mera coincidência”. João Acácio foi o factóide, o símbolo de ruptura vindo do mesmo lugar de Sganzerla (Santa Catarina), que o utilizou como personagem – em boa parte do tempo nem tão principal assim – para contar seu “faroeste sobre o terceiro mundo”.</p>
<p align="justify">O bandido da ficção pega emprestado o nome, a estampa, os gostos e algumas vítimas. As “coincidências” param por aí. Quem nunca o viu, não o faça pensando que vai assistir à vida de João Acácio na tela. Veja pela firmeza da direção e como marco inicial de distanciamento em relação ao Cinema Novo (aliás, um papo interessante, que vale um texto e muita discussão – farei isso daqui a alguns dias). O personagem-título dá voz ao jovem cineasta: “<em>Sozinho é ridículo, a gente não pode fazer nada. Meu negócio era o poder. Quando a gente não pode fazer nada, a gente avacalha. Avacalha e se esculhamba</em>”; “<em>Admito tudo, menos essa laia de parasitas intelectuais</em>”; e por aí vai.</p>
<p align="justify"><em>O Bandido da Luz Vermelha</em> acaba de ganhar versão totalmente restaurada, em DVD com vários extras. Rogério Sganzerla pensava em filmá-lo novamente em cores. Falava-se muito sobre à época em que o verdadeiro Luz foi solto. Felizmente ou infelizmente, isso nunca foi concretizado.</p>
<p align="justify">Para encerrar, uma curiosidade: Sganzerla morreu há quatro anos, no dia 9 de janeiro, quase na mesma data de João Acácio.</p>

<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/01/05/o-galante-e-sanguinario-joao-acacio/&amp;text=O galante e sanguinário João Acácio&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/01/05/o-galante-e-sanguinario-joao-acacio/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A hora e a vez de Jeremias Nascimento</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/01/03/a-hora-e-a-vez-de-jeremias-nascimento/</link>
		<comments>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/01/03/a-hora-e-a-vez-de-jeremias-nascimento/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 03 Jan 2008 13:40:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo cão]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/?p=11</guid>
		<description><![CDATA[Ele é notícia novamente. E sóbrio. Jeremias José do Nascimento, mais conhecido como Jeremias Muito Louco e pelo Funk do Jeremias, está de volta. E não está feliz. Ainda. Três anos após ter conhecido a inglória fama via Internet, o &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/01/03/a-hora-e-a-vez-de-jeremias-nascimento/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/01/03/a-hora-e-a-vez-de-jeremias-nascimento/&amp;text=A hora e a vez de Jeremias Nascimento&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/jeremias.jpg" /></p>
<p align="justify">Ele é notícia novamente. E sóbrio. <strong>Jeremias José do Nascimento</strong>, mais conhecido como <a href="http://www.youtube.com/watch?v=87xcp4FeQSI" target="_blank">Jeremias Muito Louco</a> e pelo <a href="http://www.youtube.com/watch?v=Myt9GTT7Gk0" target="_blank">Funk do Jeremias</a>, está de volta. E não está feliz. Ainda.</p>
<p align="justify">Três anos após ter conhecido a inglória fama via Internet, <a href="http://tecnologia.uol.com.br/ultnot/2008/01/02/ult4213u270.jhtm" target="_blank">o caba entrou na Justiça</a> contra dez empresas —UOL, iG, Terra, Globo.com, Google, SBT, dentre outras. Motivo: a veiculação do vídeo que causou danos à sua imagem e rendeu lucro às empresas. Fosse ele, eu processava mil!</p>
<p align="justify">O caso de Jeremias aconteceu via TV, mas consagrou-se via web, como o de <a href="http://www.youtube.com/watch?v=H1iLgrX39X4" target="_blank">Ruth Lemos Sanduíche-íche</a>. Esta,  em vez de processos, preferiu lançar-se em carreira política. Viagem pura! Como a do Titanic. Já o “supostamente bêbado” (para usar a infeliz mania-não-me-comprometa- jornalística do momento), três anos depois, percebeu o mal que lhe foi causado. Talvez só agora tenha ficado sóbrio. Ou só está sendo <u><em><strong>SUPOSTAMENTE</strong></em></u> usado por advogados como foi <u><em><strong>SUPOSTAMENTE</strong></em></u> usado pelo jornalista (??!) que derramou seu discurso etílico nas telas de TV de Pernambuco e da terra de <strong>Gilberto Freyre</strong> para as telas de computador do planeta (mais de 4 milhões de acesso somente em uma postagem no YouTube).</p>
<p align="justify">O cão foi quem botou pra Jeremias processar Deus e o mundo. Sendo ele, faria as contas do mal recebido e cobraria de quem o iniciou. Um bêbado é um incapaz. Coisa covarde bater em bêbado. Imagine bater, filmar e mostrar a surra pro mundo inteiro!</p>
<p align="justify">Fala-se tanto de ética na TV e ainda se permite a exibição dessas insanidades disfarçadas de programa jornalístico, que expõem ao ridículo pessoas que já pagam o alto preço de ser ninguém. Transformadas em algo, vêem a possibilidade de ser alguém, de ter o que nunca tiveram.</p>
<p align="justify">Oxalá, Jeremias ganhe sua causa, encha a burra e tome tudo de cana. Só não vá dirigir bêbado outra vez, Jerê. Há males que vêm para bem, mas isso não acontece o tempo todo.</p>

<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/01/03/a-hora-e-a-vez-de-jeremias-nascimento/&amp;text=A hora e a vez de Jeremias Nascimento&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/01/03/a-hora-e-a-vez-de-jeremias-nascimento/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>

