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	<title>Sempre Algo a Dizer &#187; Livros</title>
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		<title>De como Sandrinho virou Lobão</title>
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		<pubDate>Sun, 24 Apr 2011 16:58:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Anos 80]]></category>
		<category><![CDATA[Biografia]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[Desde o fim do ano passado, estava evitando ler biografias. No processo de escrever a de Appe, entrei numas de não me deixar influenciar por estilos de narrativa. Além disso, não queria arriscar me apaixonar pela vida de outro alguém &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2011/04/24/de-como-sandrinho-virou-lobao/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2011/04/24/de-como-sandrinho-virou-lobao/&amp;text=De como Sandrinho virou Lobão&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/04/lobao_01_livro.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-954" style="border: 0pt none; margin: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/04/lobao_01_livro.jpg" alt="" width="228" height="321" /></a>Desde o fim do ano passado, estava evitando ler biografias. No processo de escrever a de <a href="http://www.memoriaviva.com.br/appe" target="_blank">Appe</a>, entrei numas de não me deixar influenciar por estilos de narrativa. Além disso, não queria arriscar me apaixonar pela vida de outro alguém neste momento.  Evitava até comprar biografias e, quando o fiz, consegui não ler. Mas aí chega Dona Luciana Ubarana com <em>Lobão – 50 Anos a Mil</em> e imediatamente pensei: “<em>Fudeu!</em>”</p>
<p style="text-align: justify;">Ah! Para quem não me conhece de longas datas, prazer, eu sou Lobão. Explico. O ano é 1987 e estou no pré-vestibular do Salesiano, em Natal. Carlos “Cristão”, professor de Química, tinha a mania de soltar um “<em>Voooooooooo&#8230;</em>” olhando para um lado da turma e apontando para outra para finalizar “<em>&#8230;CÊ!</em>”. Virava, descobria para quem estava apontando e dizia o nome da vítima. Numa dessas vezes, eu fui a vítima. Usava um corte de cabelo batido na base e um franjão que cobria os olhos. Fazia de tudo para que ninguém me notasse (usando um corte desses na Natal de 87? Tá!). Havia chegado à cidade no ano anterior e como todo estranho, sofria <em>bullying </em>(só disse isso porque está super na moda ter sofrido <em>bullying</em>). Pois bem. Carlos mandou um “vooooooCÊ”, virou para mim, olhou para meu cabelo e completou: “<em>Você, Lobão.</em>” Pronto. O apelido pegou de imediato. Virei Lobão.</p>
<p style="text-align: justify;">Voltemos ao outro Lobão. Chegou a Semana Santa, peguei o livro e não desgrudei antes de ler duzentas páginas. Estava lendo os bastidores de uma história que vi e que, em alguns momentos, cruzou com a minha. O corte de cabelo e o apelido Lobão, em 87, não vieram do nada. No verão 86-87, aos 14 anos de idade, eu havia feito minha primeira entrevista. Adivinhe com quem. Pois é. Eu, Fabinho, Marcelo Jucá e Gustavo Lamartine – “<em>uma turminha da pesada que adorava aprontar mil aventuras</em>” – resolvemos aproveitar a passagem de Lobão por Natal e ir até o hotel onde ele estava, na Via Costeira, tentar falar com ele. Eu, tendo um <em>insight</em> do que faria muitas e muitas vezes no futuro, desmontei as caixas do meu <em>stereo</em> portátil, descolei um microfone, uma fita TDK e fui pronto para registrar aquela parada. Levei também a Olympus Trip do meu pai.</p>
<p style="text-align: justify;">Chegamos na cara dura e nos apresentamos. O recepcionista pediu que esperássemos. Voltou dizendo que Lobão estava na piscina e que podíamos ir até lá. Meio sem graça, chegamos até a área externa e ficamos procurando. De repente, de uma espreguiçadeira, Lobão se vira e acena. Fomos até lá e começamos a conversar. Eu, já todo jornalista, gravando tudo. O que ele estava achando de Natal, como era o novo show, se o rock errou mesmo e aquelas coisas de moleque se achando gente. Gustavo, o tempo de boca aberta, queixo apoiado na mão, sem falar nada. Quando resolvemos despertá-lo do transe, disse apenas o seguinte: “<em>E o Herbert?</em>” Pronto. Lobão danou a baixar o pau no Herbert Vianna e o resto do papo foi só aquilo. Uma hora de blá-blá-blá, acabou a fita, sessão de autógrafos e eu, sempre preparado e com tudo pensado, saquei a <em>Playboy </em>de setembro de 1986, edição em que Daniele Daumerie (que foi esposa de Lobão) aparecia. Levemente constrangido, ele autografou na página dupla que abria o ensaio. Muito simpático, foi nos deixar na entrada do hotel (talvez para ter certeza de que aquela molecada iria mesmo embora e deixá-lo em paz). Lembrei da Olympus. Fiz uma foto dos meninos com ele e pedi que fizessem uma dele comigo. Eu, na época um <em>boy</em> com um metro e sessenta e pouco, ao lado daquele gigante de quase dois metros. Saí com uma cara de “<em>peraí!</em>”, segurando o trambolho do gravador e a revista.</p>
<p style="text-align: justify;">Daquele show do Lobão, lembro bem dele abraçado a uma garrafa de uísque que foi esvaziada durante a apresentação. Era a turnê de <em>O Rock Errou</em>. Estava em meu primeiro verão em Natal. Os verões dos anos 80 na cidade eram repletos de shows de BRock: Titãs, Ultraje, Paralamas, Kid Abelha, Biquiní Cavadão&#8230; Eu tinha ido ao primeiro show da minha vida alguns meses antes, no Palácio dos Esportes: Cazuza.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/04/lobao_02_ronaldo.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-955" style="border: 0pt none; margin: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/04/lobao_02_ronaldo.jpg" alt="" width="288" height="280" /></a>Acho que foi antes desse encontro que comprei <em>Ronaldo foi pra Guerra</em>, segundo LP de Lobão, assinado por Lobão e os Ronaldos. Comprei em uma loja no Hiper Bom Preço. Acho difícil explicar a quem chegou ao mundo na era pós-LP o significado da compra de um disco e o ritual que era ouvi-lo. Escolher o bolachão, apreciar a capa, olhar o encarte se o disco não fosse lacrado (os discos importados geralmente eram), comprar, desfilar com ele até em casa, se trancar no quarto, tirar do plástico pela primeira vez, limpar com a almofadinha, colocá-lo no 3 em 1, levar a agulha ao vinil, deitar e acompanhar as letras pelo encarte (quando tinha).  Você ouvia e apreciava uma obra completa, um determinado momento do artista. Era uma viagem. E eu viajei muito ouvindo <em>Corações Psicodélicos</em>, <em>Não tô entendendo</em>, <em>Tô à toa Tókio</em>, <em>Abalado </em>(a primeira balada lobônica que ouvi), <em>Os tipos que eu não fui</em>, <em>Bambina</em>&#8230; E aí acontecia uma mágica dos tempos do LP: virar o disco. A primeira música do lado B era <em>Me chama</em>. Para quem viveu aquela época, não é preciso dizer mais nada. <em>Me chama </em>é a música que mostrava que os brutos roqueiros também amam.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>O Rock Errou</em>, comprei depois. Ouvi muito durante o ano de 1987, o mesmo em que virei Lobão. Também foi naquele ano que deixei não só o franjão, mas todo o resto do cabelo crescer. Os padres do Salesiano não me viam com bons olhos. Na verdade, os alunos também não. O pessoal estava acostumado com forró e vaquejada e não aturava muito a atitude <em>rock’n’roll</em> do carioca alienígena. Tô falando: eu sofria <em>bullying</em>. Mas cagava e andava para isso. Pressionado, resolvi cortar o cabelo. Costumava ir ao salão do seu Guedes, o mais tradicional da cidade e até hoje o preferido pelos políticos, alpinistas da área e wannabes reaças em geral. Cheguei com minha vasta cabeleira – também mal vista pelos clientes – e pedi ao Beto, filho do seu Guedes , para cortar: “<em>Raspa dos lados</em>”. Olha&#8230; Para mim, moicano era um troço velho, de punk dos anos 70, mas, para Natal de 1987, era um negócio pesado e impensável. Enquanto o ministro Aluízio Alves aparava suas carapas brancas na cadeira ao lado, Beto ajudava a nascer o primeiro pós-punk de Natal. Não era um moicaninho de boutique desses de hoje, raspadinho do lado e “deixado em cima”; nem essas frescuras pintadas. Era uma senhora e mui respeitável crista que, armada, tinha lá seu palmo de altura (mantive o comprimento grande do resto do cabelo).  Papai ,mamãe, eu não pedi para vocês me tirarem do Rio em plena explosão do rock nacional. Sinto muito. A cidade ia ter que me engolir. Do Guedes, peguei o ônibus direto para o Salesiano. A coisa mais bonita que ouvi no caminho foi “<em>se fosse meu filho, eu dava uma surra pra se ajeitar</em>”. Uma senhora&#8230; uma velha chata pra caralho foi fazendo um discurso no ônibus sobre como a juventude estava perdida, que o mundo ia acabar e que gente assim (como eu) deveria apanhar até se emendar.  Quando o ônibus parou na Ribeira, virei para a velha, dei o maior berro que podia e desci do ônibus. Bob Cuspe iria se orgulhar. O Salesiano parou quando entrei. Os padres quiseram me expulsar. Deviam achar que eu estava com o diabo no corpo. E se estava, não saiu até hoje. O Lobão, o Sandro Lobão, se assumiu ali.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/04/lobao_04_panfleto.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-956" style="border: 0pt none; margin: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/04/lobao_04_panfleto.jpg" alt="" width="208" height="280" /></a>1988, faculdade de jornalismo. Foi nesse ano que Lobão voltou a Natal com a turnê do LP <em>Vida Bandida</em>. Ele já havia sido preso, estava estouradaço e era o capitão dos malucos de verdade. Na noite de 31 de julho, eu estava bem na frente do palco montado no gramado no Estádio Juvenal Lamartine. Como lembro a data? É porque guardo até o hoje o panfleto (este reproduzido aí ao lado). Estava lá, todo aplicadinho de cerveja.  O show tinha o apoio da rádio 96 FM. A propósito, durante anos, infernizei Ênio Sinedino e Germano (respectivamente, diretor geral e de programação da 96) para liberarem aquele <em>Cena de Cinema</em>, primeiro LP do Lobão, que eles tinham por lá e não servia para nada, afinal as músicas eram gravadas em cartucho e, depois, passaram a usar CD. Nunca me deram. O <em>Cena</em>, como Lobão conta no livro, vendeu pouco e foi logo tirado de circulação por conta de uma encrenca sua com a gravadora. Diz que foram vendidos cerca de 6 mil discos. Eu só teria um já nos anos 2000. Comprei na Baratos da Ribeiro, em Copacabana. Novinho. Detalhe: também deve ter sido de alguma rádio, pois tem um carinho de “<em>Invendável – Amostra grátis</em>”. Para mim, não foi. Na mesma leva, ainda vieram para minha coleção <em>O Império dos Sentidos</em> (segundo de Fausto Fawcett, com Silvia Pfeifer na capa) e as trilhas de <em>Amarcord</em>, de Fellini, e <em>Areias Escaldantes</em>, de Francisco de Paula.</p>
<p style="text-align: justify;">Para quem não sabe, <em>Areias</em> é um filme louquíssimo, non sense, feito em 1985. Francisco de Paula (que conheci em 2006 no Festival Internacional de Cinema de Brasília e vez ou outra dá o ar da graça aqui no <em>blog</em>) juntou Regina Casé, Luis Fernando Guimarães, Diogo Vilela e parte da nata do rock brasileiro – Titãs e Lobão, que participam do filme, mais Lulu Santos, Ira, Ultraje a Rigor, Gang 90 &amp; Absurdettes na trilha sonora – para contar uma história louca (coisa de quem cheirava muito) com terroristas e uma polícia de elite na Província de Kali. Vivia passando no <em>CineBrasil</em>, mas eu tenho uma cópia em DVD que me foi dada por Francisco.</p>
<p><center><br />
<iframe title="YouTube video player" width="480" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/SG8dgO2ez5Y" frameborder="0" allowfullscreen></iframe><br />
</center></p>
<p style="text-align: justify;">Em 2001, fiz aquela que por um bom tempo chamei de minha última entrevista. Sim, com Lobão. Achei que seria <em>A</em> entrevista e queria encerrar meus dias de jornalista com ela. Falei com esposa de Lobão por telefone e ela disse que ele responderia as perguntas por e-mail. Não gostei da ideia, mas encarei. Foi um desastre. Lobão sempre viu jornalistas como Dom Quixote via moinhos. Era botar o olho e partir para o ataque. Por <em>e-mail</em>, à mercê de interpretações erradas que não poderiam ser devidamente esclarecidas, acabou não rendendo, mas <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/tafalado/arquivos/lobaovpi.htm" target="_blank">publiquei assim mesmo</a>. Dez anos depois, vejo Lobão muito mais manso, mais acessível e até admitindo que estava sempre armado e pronto a desancar qualquer um. Inclusive eu, que estava super-bundão, em um momento único, mais fã que jornalista, levantando a bola para ele cortar. Cortou e veio bem na minha cara. Tudo bem.</p>
<p style="text-align: justify;">Há poucos dias, Lobão esteve duas vezes em Natal. Na primeira, veio autografar o livro. Tive vontade de ir para que autografasse seus/meus LPs, mas abortei a ideia quando imaginei a garotada Restart cuzona que estaria por lá idolatrando um cara que sempre foi iconoclasta. Na mesma semana, voltou para fazer um show no “teatro do shopping da cidade”. Não consigo imaginar um show de Lobão com gente vestidinha, com cheirinho de perfume e sentada.  Eu ia querer quebrar aquela porra toda, então, resolvi ficar em casa. Era véspera do meu aniversário e eu não ia querer estragar as boas lembranças dos últimos 25 anos: a entrevista no hotel; os shows no Juvenal Lamartine; outro também em Natal, nos anos 90, com quase ninguém; um em Brasília, quando lançou seu disco independente. O velho Lobo, para mim, era o Lobão novo. Este novo Lobão, cinquentão e educadinho, estou curtindo muito nas páginas do livro que serei obrigado a terminar. Ali, ele continua <em>rock’n’roll</em> e me fazendo lembrar coisas da natureza dos lobos, como ir contra tudo e contra todos agarrado à ideia de que está fazendo a coisa certa (por mais que o mundo mostre o contrário), sendo fiel a si mesmo e feliz a todo custo. Só não digo que fazemos parte da mesma matilha porque tanto aquele quanto este lobo é do tipo solitário.</p>
<p style="text-align: justify;">E chega. Vou ali matar o livro e continuar girando o mundo, sempre com a certeza de que “<em>é melhor viver dez anos a mil do que mil anos a dez</em>”.</p>
<p style="text-align: center;">* * * * * * *</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Mais Lobão (o outro) no Tumblr:</strong> <a href="http://sandrofortunato.tumblr.com" target="_blank">http://sandrofortunato.tumblr.com</a></p>

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		<title>Livrai-vos!</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Aug 2010 18:57:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[Humor]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>

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		<description><![CDATA[Ainda há quem acredite em livros. De todas as maneiras: de papel, cheio de letras, cheio de fotos, que saem do papel e vão para a tela do computador, que saem do Twitter e vão para o papel&#8230; Escolha o &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/08/20/livrai-vos/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/08/4livros_kombi.jpg"><img class="size-full wp-image-604 aligncenter" style="border: 0pt none; margin-top: 0px; margin-bottom: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/08/4livros_kombi.jpg" alt="" width="600" height="214" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Ainda há quem acredite em livros. De todas as maneiras: de papel, cheio de letras, cheio de fotos, que saem do papel e vão para a tela do computador, que saem do Twitter e vão para o papel&#8230; Escolha o seu e seja feliz.</p>
<p style="text-align: justify;">Saindo do forno, o primeiro livro do <strong><a href="http://twitter.com/Na_Kombi" target="_blank">@Na_Kombi</a></strong>, perfil de humor coletivo no Twitter do qual participo, eventualmente, a convite de <a href="http://twitter.com/ulissesmattos" target="_blank">@UlissesMattos</a> e <a href="http://twitter.com/silviolach" target="_blank">@SilvioLach</a>. Lançado na Cultura da Paulista na quinta, 19, reúne mais de 500 frases divididas em 27 temas e escritas por 44 engraçadinhos, que vai de Hélio de la Peña a este demente que vos bloga. <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=22167516&amp;sid=91920516112819485092684839&amp;k5=36915E16&amp;uid=938486290984138" target="_blank">Já pode ser comprado por apenas R$ 12,90 no site da Livraria Cultura</a>. Também pode ser encontrado na Bienal de São Paulo e, no fim de agosto, deve rolar lançamento no Rio (não vai molhar, gaiato). <a href="http://www.mcorporation.com.br/na_kombi/" target="_blank">Aqui</a>, mais sobre o livro.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesta sexta, 20, o parceiro <a href="http://twitter.com/canindesoares" target="_blank">Canindé Soares</a> lançou <em><strong>Vem Viver Natal</strong></em>, com 92 fotos da cidade que acaba de lhe dar o título de cidadão. <a href="http://canindesoares.blog.digi.com.br/blog/2010/08/19/15512/" target="_blank">Mais em seu blog</a>.</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>A Botija</strong></em>, de <a href="http://twitter.com/clotildetavares" target="_blank">Clotilde Tavares</a>, foi selecionado pelo Programa Nacional Biblioteca da Escola do MEC e em 2011 terá distribuição para as escolas de todo o país. <a href="http://www.tribunadonorte.com.br/noticia/a-viagem-da-botija/157416" target="_blank">Matéria</a> na <em>Tribuna do Norte</em>, <a href="http://umaseoutras.com.br/a-botija" target="_blank">mais sobre o livro</a> no blog da autora e, <a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/1434962/botija,+a" target="_blank">aqui</a>, para comprá-lo.</p>
<p style="text-align: justify;">Também na Bienal do Livro de São Paulo, Ricardo Kelmer está lançando <em><strong>Vocês, Terráqueas</strong></em>. Enlouquecido, ele liberou todos os seus livros para leitura em <a href="http://blogdokelmer.wordpress.com" target="_blank">seu blog</a>. Leitor vip pode baixar em PDF. Põe na tela, mas compra também. Ou você está pensando que todo escritor ganha como o Paulo Coelho?! Ajudaê, pô!</p>

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		<title>Filmes, livros e cervejas</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Sep 2009 11:10:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>

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		<description><![CDATA[Na última terça, fiz o extremo esforço de arrastar-me ao inferno (comumente chamado de shopping) para fazer minha doação semestral ao Cinemark. A cada seis meses, dou um voto de confiança ao ser humano e me permito conferir como anda &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/09/10/filmes-livros-e-cervejas/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Na última terça, fiz o extremo esforço de arrastar-me ao inferno (comumente chamado de <em>shopping</em>) para fazer minha doação semestral ao Cinemark. A cada seis meses, dou um voto de confiança ao ser humano e me permito conferir como anda sua educação. E ele sempre se supera. Para pior.</p>
<p align="justify">Para eu ir a um cinema de <em>shopping</em>, preciso seguir alguns pontos prévios: NUNCA em fim de semana ou feriado, NUNCA em dia nem em semana de estreia, NUNCA para ver aquele filme que todo mundo quer ver, preferencialmente na primeira sessão do dia, preferencialmente na segunda-feira, etc. São regras para encontrar o mínimo possível de espécimes dos hominídeos que frequentam as salas de cinemas.</p>
<p align="justify">Lá vou eu conferir <strong><em>La belle personne</em></strong>, que aqui virou <em>A bela Junie</em>. Supero o fato de o cinema ser em um <em>shopping</em> e chego à bilheteria vazia a uma da tarde. A respiração começa a se alterar quando digo o nome do filme e a garota da bilheteria confirma com um <em>June</em> americanizado. Pode parecer bobagem, mas isso é um sinal, como muitos outros que podemos constatar durante o dia, de que o brasileiro não conhece seu idioma, mas se sente familiarizado com aquele falado no Império. Se não é para falar corretamente, em um terceiro idioma, por que não um <em>June </em>aportuguesado em vez de <em>Djuni</em>? Mais. Onde foram parar aquelas pessoas que trabalhavam em salas de cinema e aproveitavam qualquer 10 minutos para ver, da porta, um pedaço do filme? Aquelas pessoas que decoravam falas, que se encantavam com a possibilidade de verem várias vezes a mesma fita, que aprendiam montes de coisas a respeito de diferentes culturas e com isso compensavam a deficiência do estudo comum? Hoje são apenas tipos com um emprego e que nem conseguem reproduzir corretamente o nome daquilo que vendem. Lembro de uma historieta ocorrida no início dos anos 90, em Natal, quando virou piada ligar para um número que informava a programação de cinema para ouvir uma mulher dizendo: “No Rio Verde (o cinema),‘<em>Dé Dóris</em>’”. Jim Morrison devia se revirar no túmulo!</p>
<p align="justify">Enfim&#8230; a menos de dez minutos de começar a sessão, as lonas na entrada do cinema ainda estavam baixadas. Respiro fundo. Faltando cinco minutos, são finalmente abertas. Sou o primeiro a entrar. Vou para a última fila, bem ao centro. Na rádio, rolando Noel Rosa (pasmem!). Alegra-me a possibilidade de ser o único espectador, mas logo outras pessoas aparecem. Uma senhorinha de cabelos brancos. Claro! Um filme francês. Gente fina. Escolhe seu lugar e&#8230; coloca os pés apoiado na cadeira da frente! Ei, minha senhora, deixe isso para os adolescentes estúpidos! Tenha um pingo de educação. Ao menos finja que tem. Além de mim, 19 espectadores. Mais uns dois que acreditam estar em casa e usam as poltronas como espreguiçadeiras. Tudo bem. Foco no filme. Esqueçamos os bárbaros.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2009/09/labelle.jpg" alt="labelle.jpg" align="right" /><em>La belle personne</em>, de Christophe Honoré, é uma livre adaptação de <strong><em>La Princesse de Clèves</em></strong>, famosa obra seiscentista, escrita por Madame de La Fayette, e que é tida como precursora do romance. Fala de um triângulo amoroso, da dúvida de uma jovem entre o homem que faria tudo por ela e aquele por quem ela realmente se apaixona. Sim, você conhece centenas de livros, filmes e novelas que contam essa história. São variações do mesmo tema, incansavelmente repetido há mais de trezentos anos.</p>
<p align="justify">Gostei, mas não entrou para a lista dos <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/04/30/pour-la-france" target="_blank">meus filmes franceses preferidos</a>. Tem os traços comuns às histórias francesas – tragédia, melancolia, beleza, sensualidade classuda –, inclusive uma protagonista linda, no caso, <strong>Léa Seydoux,</strong> aos 22 anos e com cara de ninfeta, interpretando uma garota de dezesseis. Sua Junie chamou a atenção dos donos do cinema mundial. Ela aparece em <em>Bastardos Inglórios</em>, de Tarantino, e será a Princesa Isabella, em <em>Robin Hood</em>, de Ridley Scott, que deverá estrear no Brasil em maio de 2010.</p>
<p align="justify">Sem mais traumas, tive que sair da sala, mesmo tendo ingresso para a sessão seguinte, de outro filme, que começaria vinte minutos depois. Saudade de quando se comprava ingresso para o cinema e não para a sessão. Era tão bom entrar e assistir ao filme quantas vezes quisesse. Mas tudo bem. Vai longe esse tempo. Adequado, já estava com o ingresso para a sessão seguinte. Comprei-o com a convicção de que iria estragar minha tarde: <strong><em>Os Normais 2</em></strong>. Era só para fazer uma ponte até o fim da tarde, quando encontraria <strong>Cefas Carvalho</strong>, ali mesmo no <em>xópin</em>. Definitivamente, não é o tipo de filme que me leva ao cinema, mas era o único que se encaixava no horário. Fiz o sacrifício. Não sei o que foi mais constrangedor: Luís Fernando Guimarães em sua eterna caricatura de si mesmo, o besteirol grosseiro de Fernanda Young e companhia, os adolescentes fazendo fotos e espocando flashes antes da sessão ou o casal que resolveu se sentar ao meu lado e, não contente em tagarelar todo o tempo, resolveu se acasalar ali mesmo. Daquele jeito bem cinema poeira dos anos 80: sentar no colo, beijos e abraços. Para eles, trepar deve ser a maior das transgressões! Fala sério! Como esse mundo anda sem graça. Nessa hora e pouco, só Fernandinha Torres se salvou.</p>
<p align="justify">Terminada a tortura, encontrei Cefas. Conversamos sobre um projeto em conjunto e recebi exemplares de seus mais recentes rebentos: o livro <strong><em>Encontos e Desencontos</em></strong> e o ainda não lançado cordel <strong><em>O encontro de Michael Jackson com Lampião no Inferno</em></strong>.</p>
<blockquote>
<blockquote><p><em>“Meu nome é Virgulino<br />
Ferreira, o Lampião<br />
Fui bravo cangaceiro<br />
Nas veredas do Sertão<br />
Bem-vindo ao inferno<br />
A terra santa do Cão”</em></p></blockquote>
</blockquote>
<blockquote>
<blockquote>
<blockquote>
<blockquote><p><em>Michael bambo das pernas<br />
Disse que era um engano<br />
“Eu devia estar no Céu<br />
Este ao menos era o plano<br />
Nunca fiz mal a ninguém<br />
Não causei nenhum dano”</em></p></blockquote>
</blockquote>
</blockquote>
</blockquote>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2009/09/livros_cefas.jpg" alt="livros_cefas.jpg" align="right" />Cefas não perdoa. O restante da história vocês leem quando o cordel for lançado ou quando ele liberar em <a href="http://www.cefascarvalho.blogspot.com" target="_blank">seu blog</a>. Ganhei também um exemplar de <strong><em>Esquina do Mundo – A Hora do Cão Lobo</em></strong>, de sua esposa, <a href="http://www.memoriaviva.com.br/novoblog/2009/09/09/esquina-do-mundo-a-hora-do-cao-lobo/" target="_blank"><strong>Cláudia Magalhães</strong></a>, que será <a href="http://www.memoriaviva.com.br/novoblog/2009/09/09/esquina-do-mundo-a-hora-do-cao-lobo/" target="_blank">lançado nesta quinta, 10 de setembro, na Siciliano do Midway Mal, em Natal</a>. Adoro ler livros que ainda não foram lançados e tê-los autografados em data anterior a de lançamento. Cláudia teve que fazer a dedicatória ali mesmo, em meio a latas de cerveja, mas nem por isso deixarei de ir à noite de autógrafos.</p>
<p align="justify">Eu e Cefas fechamos o Midway. O povo foi educado (ou temeroso) e não chegamos a ser expulsos. Mas, à exceção de nossa mesa, todas as outras na imensa praça de alimentação já estavam com as cadeiras viradas. Infelizmente, a cena insólita não foi registrada.</p>
<p align="justify">Essa tentativa de interação presencial com humanos (Cefas não incluso) me fez pensar que estou saindo de uma longa ressaca. Aguardem novidades para breve.</p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback3.jpg" usemap="#Map3" border="0" height="25" /></center></p>
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		<title>A vida dos outros</title>
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		<pubDate>Sun, 10 May 2009 23:01:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Biografia]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Livre pensar]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[Dentre minhas leituras, há sempre um tijolão, uma biografia. Está em algum lugar em meu mapa natal: Gosta de ler romances, bem como histórias que falem sobre como as pessoas alcançaram a grandeza, mas lhe é difícil colocar seu conhecimento &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/05/10/a-vida-dos-outros/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Dentre minhas leituras, há sempre um tijolão, uma biografia. Está em algum lugar em meu mapa natal: <em>Gosta de ler romances, bem como histórias que falem sobre como as pessoas alcançaram a grandeza, mas lhe é difícil colocar seu conhecimento em prática</em>. Soube disso há alguns muitos anos, bem no meio da leitura de <strong><em>Chatô – O Rei do Brasil</em></strong>. Nada auspicioso, diriam os indianos da novela. Maldito Mercúrio retrógrado, digo eu.</p>
<p align="justify">Nem por isso abandonei a leitura das biografias e até passei a escrevê-las. O pior é quando, na leitura, <strong>chega um momento em que não quero prosseguir</strong>. Bate a sensação de que a vida do biografado cruzou com a minha e, chegando ao final do livro, nosso vínculo será cortado. Foram tantos encontros e desencontros, tantos amores e despedidas. Não acostumo nunca. Pior será colocar o ponto final em alguma que escrevo. E logo terei que passar por isso. Restam como consolo a revisão, a negociação com a editora, a produção do volume, a chegada às livrarias&#8230; Haverá uma sobrevida e, quando o romance finalmente parecer ter chegado ao fim, já estarei envolvido em outra história.</p>
<p align="justify">Em se tratando de biografias,<strong> sou aquele homem fraco que tem esposa e amante</strong> para, no caso de terminar com uma, ter sempre outra que o acolha.</p>
<p align="justify">Nos últimos dias, fiz uma passagem um tanto grotesca. Terminei <strong><em>O Mago</em></strong>, biografia de <strong>Paulo Coelho</strong> escrita por <strong>Fernando Morais</strong>, e pulei sem escalas para <em><strong>Nietzsche – Biografia de uma Tragédia</strong></em>, de <strong>Rüdiger Safranski</strong>. Cada uma com seu peso, sua importância, suas peculiaridades.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/biopc.jpg" align="right" border="0" width="156" height="214" />Fatalmente eu leria <em>O Mago</em>. É escrita pelo mestre e <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/08/29/dos-mestres-com-carinho/"><strong>costumo render-lhe graças</strong></a>. Mas dessa o faria sem pressa. Não fosse cair de paraquedas (à época com agudo e hífen) em um encontro literário no qual ele estava, talvez ainda nem tivesse comprado meu exemplar. Se o tivesse feito, ficaria ali na fila da leitura, brasileiramente sempre furada por um mais esperto. Abri-o em dezembro do ano passado, mas ainda não era o tempo. Os mais chegados aos livros já entenderam. <strong>O leitor não escolhe o livro</strong>. O livro é que escolhe o leitor e só se permite ser lido quando bem entende. Dormi (literalmente) com O Mago durante quatro meses. Ficou na cama todo esse tempo. Chegou abril e ele decidiu que eu poderia finalmente lê-lo.</p>
<p align="justify">Li os primeiros cinco livros de Paulo Coelho na época em que foram lançados. Isso significa dizer que comecei com <strong><em>O Diário de um Mago</em></strong> em 1987, quando tinha 15 anos de idade, e parei em <strong><em>As Valkírias</em></strong>, em 1992, aos 20 (na verdade, quatro dele e uma adaptação/tradução). Já naquela época, pensava o mesmo que hoje: é uma leitura fácil, até agradável e, no caso de um viciado em leitura como eu, boa para descansar a cabeça.</p>
<p align="justify">Paulo Coelho pode não satisfazer as exigências, os padrões, a arrogância e os delírios intelectualoides dos críticos de plantão, mas, ninguém se engane, <strong>ele não é um idiota</strong>. Enfrentando os eternos ataques dos donos da língua e da verdade, se tornou o escritor mais vendido, traduzido e lido do mundo. <strong>E escritor quer isso: ser lido</strong>. Intelectual quer ser reconhecido pelos coleguinhas e ganhar resenha que alimente sua vaidade. Paulo Coelho é escritor. Ponto. Se você é fã dele, pode ainda colocar um enfático “<em>Foda-se</em>” depois do “<em>Ponto</em>”.</p>
<p align="justify">E a não ser que por um fenômeno metafísico que escape totalmente à minha compreensão e uma outra alma tenha possuído seu corpo ali em meados dos anos 80, pelo menos para mim ele é o mesmo cara que fazia altas músicas com <strong>Raul Seixas</strong>. E viva a Sociedade Alternativa!</p>
<p align="justify">Já me estendo. E já resolvo isso. A biografia só reforçou o que eu pensava: doa a quem doer, o cara é de uma competência monstruosa. “<em>Só se for para ganhar dinheiro</em>”, dirão alguns a esta altura. “<em>Só se for para transformar merda em ouro</em>”, dirão os mais radicais. E eu digo: Que seja. Você consegue fazer melhor? Igual? Metade?! Como ia dizendo, o cara é de uma competência monstruosa. Fernando Morais, que é outro demônio (no bom sentido, viu, mestre?), mostra com sua costumeira perícia o porquê de o cara ser o que é.</p>
<p align="justify">Sim, me empolguei. Menos por Paulo, mais por Fernando, que tem grande parcela nesse meu amor por biografias. Vou culpá-lo por isso até o fim dos meus dias.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/bioniet.jpg" align="right" border="0" width="156" height="220" />Encerro o caso com o mago e pulo para o Anticristo. Este, sim, caso de amor perdido, irremediável, sem medidas, de enlouquecer. Nos últimos oito anos, li tudo de Nietzsche que tenha sido publicado em português. Mais umas duas dezenas de livros sobre sua vida e obra e, provavelmente, o triplo disso em artigos, ensaios, teses e afins. Porém, há pelo menos seis anos <em>Nietzsche – Biografia de uma tragédia</em> me olha da estante sem me conceder a devida permissão para leitura. Já mudou de cidade e estado por três vezes. Finalmente resolveu se abrir.</p>
<p align="justify">Não acredito em acaso e, consequentemente, não creio que uma pessoa atravesse a vida de outra sem motivo. Para o bem ou para o mal, há algo a ser dito, alguma lição a ser aprendida. Essa mesma força, esse poder, essa “missão” se estende às biografias.</p>
<p align="justify">Rüdiger Safranski não é um repórter brasileiro, como Fernando Morais, cheio de manhas para contar uma história, prender o leitor, fazer com que se apaixone pelo biografado. Também não é um psiquiatra romancista americano como <strong>Irvin D. Yalom</strong> (autor de <strong><em>Quando Nietzsche chorou</em></strong>). É um filósofo e historiador alemão. E falando em Nietzsche, a coisa só poderia mesmo sair <strong>a marteladas</strong>.</p>
<p align="justify">O biografado é dissecado – friamente – por sua obra e não por sua vida. <strong>É uma biografia do pensamento </strong>e não dos atos de Nietzsche como ser humano. O título original já deixa claro: <em>Nietzsche, Biographie Seinens Denkes</em> (numa tradução mais literal, algo como <em>Biografia de seus Pensamentos</em>). Em português, ficou <em>Biografia de uma Tragédia</em>, o que também faz total sentido, já que a vida do personagem é um eterno conflito com tudo aquilo que, em tese, deveria estar acima do indivíduo.</p>
<p align="justify">A escolha pela “tragédia” também faz alusão a seu primeiro livro, <strong><em>O Nascimento da Tragédia ou Helenismo e Pessimismo</em></strong> (<em>Die Geburt der Tragödie oder Griechentum und Pessimismus</em>), onde exalta a música de <strong>Wagner</strong> como força renovadora do espírito alemão. Ë também por aí que Safranski inicia sua dissecação e deixa claro, já nas primeiras páginas, o espírito do pensamento de Nietzsche:</p>
<blockquote>
<p align="justify">“O animal consciente homem, com horizonte de passado e futuro, raramente se satisfaz de todo com o seu presente, e por isso sente algo que certamente nenhum animal conhece, isto é, o tédio. Fugindo do tédio, essa singular criatura procura uma excitação que, se não for encontrada, tem de ser inventada. O homem se torna um animal que brinca. (&#8230;)</p>
</blockquote>
<blockquote>
<p align="justify"><em> “No tédio vivemos o instante como passagem vazia do tempo. O que acontece externamente não tem importância, e também sentimos a nós mesmo como desimportantes. As realizações da vida perdem sua tensão intencional, desmoronam em si mesmas </em>(&#8230;)<em> A arte ajuda a viver porque senão a vida não sabe o que fazer quando assaltada por sentimentos de ausência de sentido”.</em></p>
</blockquote>
<p align="justify">Assim, esse início de tragédia me faz entender o porquê de ter demorado tanto tempo na estante. A lição só poderia ser devidamente entendida agora. Antes, seria mera seqüência de palavras. E lá vou eu, de novo, <strong>envolvido pela vida de outro, procurar razão para a minha.</strong></p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback3.jpg" usemap="#Map3" border="0" height="25" /></center></p>
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		<title>Lembranças do País das Fábulas</title>
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		<pubDate>Sat, 18 Apr 2009 08:20:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Aniversário]]></category>
		<category><![CDATA[Desenho]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Memória Viva]]></category>

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		<description><![CDATA[Sou daquela geração de extrema sorte que foi criança nos anos 1970. E, sortudo entre os sortudos, fui daqueles que aprenderam a ler com a coleção do Sítio do Picapau Amarelo ilustrada por Manoel Victor Filho. Já alfabetizado, lembro também &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/04/18/lembrancas-do-pais-das-fabulas/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/lobato.jpg" width="278" align="right" border="0" height="339" />Sou daquela geração de extrema sorte que foi criança nos anos 1970. E, sortudo entre os sortudos, fui daqueles que aprenderam a ler com a coleção do <strong>Sítio do Picapau Amarelo</strong> ilustrada por Manoel Victor Filho. Já alfabetizado, lembro também dos primeiros anos da primorosa e incomparável versão televisiva para a série criada por <a href="http://www.memoriaviva.com.br/mlobato" target="_blank"><strong>Monteiro Lobato</strong></a>.</p>
<p align="justify">É bem provável que hoje, dia do seu aniversário e, por conta disso, <strong>Dia Nacional do Livro Infantil</strong> (desde 2002), os trintões que participarem da Blogagem Coletiva <a href="http://fio-de-ariadne.blogspot.com/2009/04/blogagem-coletiva-quem-foi-seu-monteiro.html" target="_blank"><em>Quem foi seu Monteiro Lobato?</em></a>, sugerida pela <strong>Jorge Zahar Editor</strong> ao <strong><em>Fio de Ariadne</em></strong>, respondam da mesma maneira: <strong>Meu Monteiro Lobato foi Monteiro Lobato</strong>.</p>
<p align="justify">Mas ele não apenas me ensinou a ler. Ensinou também que <strong>é fácil aprender</strong> e que <strong>estudar é uma deliciosa brincadeira</strong>. Li todos os livros da turma do Sítio pelo menos duas vezes quando ainda criança. Mas, dentre eles, há alguns que li muitas outras vezes como <em>História do Mundo para Crianças</em>, <em>Geografia de Dona Benta </em>e <em>Emília no País da Gramática</em>. Estes, que trazem conteúdo tradicionalmente apresentados nas escolas, me pareciam ainda mais interessantes que as fantasias vividas pelos personagens do Sítio. Na verdade, eles transportavam aqueles personagens fantásticos para o mundo real, o meu mundo. Isso fez com que eu aprendesse que voar para um lugar maravilhoso é tão fácil quanto somar dois e dois. Lobato me ensinou que tudo é possível. <strong>Basta imaginar e nosso mundo perfeito está pronto</strong>.</p>
<p align="justify">Já adulto, mas com o eterno espírito de criança de quem cresceu com o Sítio, ainda não obtive êxito em repassar aos meus filhos as lições do mestre. Talvez eu não seja um bom professor. Talvez as tentações dos novos tempos sejam uma concorrência desleal. Talvez eu ainda não tenha crescido o suficiente para ensinar alguma coisa. Mas ainda há tempo. A viagem pode começar a qualquer momento.</p>
<p align="justify">Em 2003, já passado um quarto de século de meu primeiro contato com Lobato, tive um encontro surpresa com ele. Tive o prazer de ler <strong>cartas que ele escreveu a </strong><a href="http://www.memoriaviva.com.br/cascudo" target="_blank"><strong>Câmara Cascudo</strong></a>. As originais. Li todas as escritas à máquina. As manuscritas são verdadeiros hieróglifos. Não é fácil entender tudo. Nelas, descobri um Monteiro Lobato diferente, pai, que sempre fazia menção aos seus filhos e aos do amigo. Em uma delas, de outubro de 1931, dizia:</p>
<p align="justify"><em>Sciente que casaste e entraste no rol dos proliferadores da especie com um gentil cascudinho. Eu de ha muito parei em quatro.</em></p>
<p align="justify">Em outra, de 1944:</p>
<p align="justify"><em>Bem, sei que tens uma Any, e quero que Any receba um dos ultimos livros meus, que vai.<br />
</em></p>
<p align="justify">Uma primeira edição de Lobato presenteada pelo próprio! Que inveja, hein? Mas eu também tive meu momento mágico. Contarei mais adiante.</p>
<p align="justify">Acredito que a vida nos apresenta alguns sinais. Em 2005, quando já começava a perder as esperanças de muitas coisas, dentre as quais a de que minhas filhas também passassem parte de sua infância no Sítio do Picapau Amarelo (Ah! eu estive MESMO no Sítio da tevê), acompanhadas de <strong>Emília</strong>, <strong>Visconde</strong>, <strong>Pedrinho</strong> e <strong>Narizinho</strong>, duas coisas me aconteceram: ganhei o<a href="http://www.memoriaviva.com.br/ibest05.htm" target="_blank"> iBest de Melhor Site de Arte &amp; Cultura</a> (com o <a href="http://www.memoriaviva.com.br" target="_blank"><strong>Memória Viva</strong></a>, que tem desde seu início uma homenagem a Lobato) e, menos de uma semana depois, vi meu único filho homem nascer (renovaram-se as esperanças!). Três anos depois, ele já dormia cantarolando as músicas do Sítio. <em>Boneca de pano é gente/ Sabugo de milho é gente/ O sol nascente é tão belo&#8230;</em></p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/azulay.jpg" width="278" align="right" border="0" height="339" />Além do grande mestre Monteiro Lobato, tive outros professores: os <strong>Irmãos Grimm</strong>, <strong>Hans Christian Andersen</strong> e um outro brasileiro. Alguém arrisca um palpite de quem seria? Acertaram os trintões que responderam <a href="http://www.danielazulay.com.br/" target="_blank"><strong>Daniel Azulay</strong></a>. Pita, Damiana, Piparote, Ritinha, Xicória, Professor Pirajá e toda a <strong>Turma do Lambe-Lambe</strong> também me fizeram companhia nos dias de menino. E sabe o que foi mais legal? É que em 2003, por conta da versão digital que criei para <strong><em>O Cruzeiro</em></strong>, recebi um e-mail de Daniel Azulay dizendo que a revista fez parte de sua infância e que, muitos anos depois, ele trabalharia nela. A história, contada por ele, está <a href="http://www.memoriaviva.com.br/ocruzeiro" target="_blank"><strong>no site</strong></a> (clique em <em>Mais edições</em> e veja a Edição Especial Comemorativa aos 75 anos). Mas ainda não foi este o momento mágico que falei. Ele vem agora. Um mês depois de publicar seu depoimento, eu estava em uma banca de revistas, em Ipanema, no Rio, e quem entra? Ele! Com a mesmíssima cara , o mesmo jeito e só faltando os suspensórios. Pude agradecê-lo, pessoalmente, por ter me dado <strong>uma infância mais divertida e cheia de fantasia</strong>.</p>
<p align="justify">A Daniel Azulay e a todos os Lobatos que nos ensinaram a ler e enriqueceram nossas vidas, meus agradecimentos e meus parabéns. Hoje e sempre.</p>
<p align="justify">E algodão doce para vocês, leitores.</p>
<p align="center">* * * * *</p>
<p align="justify"><strong>Leia também:</strong><br />
<a href="mailto:"><strong>M. Lobato<br />
</strong></a><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/03/05/no-sitio-e-sempre-assim/"><strong>No Sítio é sempre assim: vão-se os anéis…</strong></a></p>
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		<title>Uma aula com mestre Brito</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Jan 2009 07:23:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ditadura militar]]></category>
		<category><![CDATA[Fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
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		<category><![CDATA[Memória]]></category>
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		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Era para ser só um papo, desses bem informais, coisa de colegas. Isso sendo eu um poço de pretensão para chamar Orlando Brito de colega, afinal ele já era um nome bem conhecido e trabalhava na Veja quando eu ainda &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/01/20/uma-aula-com-mestre-brito/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/brito.jpg" border="0" /></p>
<p align="justify">Era para ser só um papo, desses bem informais, coisa de colegas. Isso sendo eu um poço de pretensão para chamar <strong>Orlando Brito</strong> de colega, afinal ele já era um nome bem conhecido e trabalhava na <em>Veja </em>quando eu ainda estava deslumbrado por ser um <em>universotário</em> de Jornalismo. Assim, o que era para ser um papo virou uma aula.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/vejaulis.jpg" width="288" align="right" border="0" height="181" />Quem não é da área, pode não estar ligando o nome à pessoa, ou melhor, o nome às imagens. Orlando Brito é o responsável por várias das fotos mais marcantes da História política brasileira desde a época da ditadura militar. Foram 14 anos de <em>O Globo</em>, 16 de <em>Veja</em> e, nos últimos tempos, em sua própria agência, a <a href="http://www.obritonews.com.br" target="_blank"><em>Obritonews</em></a>, para falarmos somente de uma parte dos seus <strong>mais de 40 anos de fotojornalismo</strong>.</p>
<p align="justify">A conversa começou no saguão de um hotel com ares de depoimento para o <a href="http://www.memoriaviva.com.br" target="_blank"><strong><em>Memória Viva</em></strong></a> e terminou numa pizzaria com lembranças e histórias comuns sobre Brasília. Brito tem um jeito manso de falar, bem calmo, como todo bom mineiro. Logo fui percebendo que mais do que registrar a História, ele ajudou a construir a memória do país. Dentre suas fotos mais famosas, está aquela que mostra o perfil de <strong>Ulisses Guimarães</strong>, desenhado por um contraluz, e que foi uma das 113 capas que fez para <em>Veja</em>. Um único fotograma feito na semana da morte do deputado. “<em>Uma foto premonitória</em>”, como disse ele. Não deve ter ficado entranhada apenas em minha memória pois, passados 16 anos, a própria <em>Veja </em>apresentou uma malfadada versão, em fevereiro do ano passado, para falar da “aposentadoria” de Fidel. Ao ver a capa sobre o ditador cubano, Brito teve a impressão de já conhecê-la.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/congresso.jpg" width="360" align="left" border="0" height="174" />Pode ter sido uma “homenagem ao mestre”. É realmente impressionante como certas imagens ficam em nosso baú de memórias e podem ser acessadas a qualquer momento. Falando sobre outras capas, ele conta a história de um ensaio com Dante de Oliveira, deputado federal responsável pela emenda constitucional que propunha o restabelecimento das eleições diretas e que acabou inspirando o movimento Diretas Já. Ele seria capa de uma edição de abril de 1984, mas a foto de uma placa de trânsito, na qual se lia “<strong><em>Devagar</em></strong>”, bem em frente ao Congresso, dizia muito mais que um retrato do deputado. A revista circulou uma semana antes de eu completar 12 anos de idade e, naquela época, política ainda não era um assunto que chamava minha atenção. Mais de duas décadas depois, em 2005, em pleno escândalo do mensalão, <strong>fiz uma foto de uma placa de trânsito com o congresso ao fundo</strong>. Ela sinalizava um declive acentuado e a imagem sugeria, obviamente, que os parlamentares estavam “descendo a ladeira” com a tal venda de votos. Jurava que já tinha visto aquela idéia em algum lugar. No papo com Brito, finalmente veio a lembrança.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/britomol.jpg" width="288" align="right" border="0" height="202" />Já na pizzaria, na companhia de <a href="http://canindesoares.blog.digi.com.br/blog/" target="_blank"><strong>Canindé Soares</strong></a> e Rodrigo, assistente de Brito, começamos a perceber que tínhamos conhecidos em comum, em Brasília. Mas a maior coincidência foi descobrir que fizemos um trabalho muito parecido, de digitalização de imagens de Juscelino Kubistchek a partir do acervo de revistas <a href="http://www.memoriaviva.com.br/ocruzeiro" target="_blank"><em><strong>O Cruzeiro</strong></em></a> no Memorial JK. Para encerrar essa (que, espero, tenha sido só a primeira) aula de História do fotojornalismo brasileiro, ganhei um exemplar de <strong><em>Corpo e Alma</em></strong>, seu quinto livro, publicado em 2006, e que você não vai encontrar por aí, pois não foi comercializado em livrarias. Para fomentar ainda mais a inveja, aí está uma imagem das mais de duzentas publicadas nele. O livro “funciona” assim: primeiro você quer engolir todas as imagens de uma só vez; depois quer ver cada uma demoradamente; e depois quer ver cada uma outra vez, perceber os detalhes, imaginar as histórias por trás dela, comungar com o momento do registro. Imagens para outros belos álbuns de Orlando Brito não faltam. Fora tudo que já fez em mais de quatro décadas e que guarda cuidadosamente, ele está trabalhando na produção de pelo menos mais quatro livros: dois em parceria com outros fotógrafos e tendo o futebol como tema, um sobre índios e outro sobre o universo que conhece muito bem, o do Poder. Mais detalhes e muitas outras histórias iremos conferir no material que será colocado no <a href="http://www.memoriaviva.com.br" target="_blank"><em><strong>Memória Viva</strong></em></a>, em fevereiro. Fiquem espertos e não percam.</p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback3.jpg" usemap="#Map3" border="0" height="25" /></center></p>
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		<title>Bento e Capitolina de todos os tempos</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Dec 2008 07:48:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; Tudo que pensava sobre adaptações me foi testado com Capitu. Não quis dizer nada até o final e, quando lá chegamos, havia tanto a ser dito que poderia escrever um livro. Como de costume, sem ares de crítico, falo &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/12/15/bento-e-capitolina-de-todos-os-tempos/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" align="justify">&nbsp;</p>
<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/capitu01.jpg" border="0" height="309" width="600" /></p>
<p align="justify">Tudo que pensava sobre adaptações me foi testado com <em><strong>Capitu</strong></em>. Não quis dizer nada até o final e, quando lá chegamos, havia tanto a ser dito que poderia escrever um livro. Como de costume, sem ares de crítico, falo apenas sobre algumas impressões que me causou.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><o:p></o:p>O que esperar de uma história escrita por um gênio há mais de cem anos adaptada por alguém que em seu primeiro longa fez aquele que, para mim, é o melhor filme brasileiro de todos os tempos? E também era a adaptação de um grande livro. Houve ainda <em>Hoje é Dia de Maria</em> no meio do caminho, além de uma <em>Pedra </em>que não cheguei a ver. Estava, portanto, de muito boa vontade com <strong>Luiz Fernando Carvalho</strong>. E ele não só não me decepcionou como ganhou ainda outro título: diretor da melhor mini-série já feita no Brasil.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Sim, gostei e muito de <em>Capitu</em>. Mesmo com as ressalvas e reservas a seguir.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">A primeira cena disse tudo. A história ganharia ares pop e atuais. Rock, o trem cortando a cidade como é hoje, os personagens de época misturados aos trabalhadores no vagão. Meu primeiro estranhamento foi para a reestruturação dos primeiros capítulos do livro. Algo que passou rápido, pois o motivo era justo. O discurso se tornou mais direto, sem o vai-e-vem da apresentação dos personagens que encontramos no original. A primeira prova de fogo veio mesmo ao ouvir <em>Cheek to cheek</em>. Foi algo como a ação inesperada de uma amante muito desejada. Um movimento brusco. Preconceito abalado, logo posto de lado, percebi que aquilo não era exatamente ruim. O que me incomodou, na verdade, foi o som de outro idioma. E logo o inglês! Para mim, bastariam as notas iniciais e a lembrança imediata do que elas sugeriam: <em>Heaven&#8230; I’m heaven</em>. A mesma impressão se confirmaria mais adiante e ainda nos capítulos seguintes como na longa introdução de <em>Money</em>, de Pink Floyd, que poderia ter sido cortada antes da primeira e inútil palavra, e na exagerada, longa e ruidosa execução de <em>Mercedes Benz</em>, com minha sempre amada mas aí deslocada Janis Joplin.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">E a <a href="http://www.youtube.com/watch?v=EDoMuwGaAao" target="_blank">música tema</a> de Bentinho e Capitu? Virou a paixão da semana. A garotada adora essa linguagem videoclíptica e um inglês moendo no pé do ouvido. A música é uma delícia, obrigo-me a concordar. Mas poderia também ter sido usado só o instrumental. Mesmo que nova (em comparação às outras) e ainda não habitando o inconsciente coletivo, daria o mesmo gosto sem precisar dizer <em>If I was young, I’d flee this town/ I’d bury my dreams underground</em>. Fiquei me perguntando se a turma iletrada, nascida e crescida de mal com Machado já anda a saber mais inglês que português! Não que me assombre com isso. Vivemos na ex-colônia portuguesa, atual colônia americana, quiçá logo estaremos a falar mandarim! Mas mesmo para a parcela <em>teen</em> que entendeu a letra, haveria mesmo a necessidade desses versos para “explicar” o que Machado demonstra com mestria a cada palavra dita por Dom Casmurro? A música, como o Amor, é uma linguagem universal. Dispensa palavras. Qualquer vocalização faria o mesmo efeito, diria a mesma coisa, não modificaria o que diz aquela percussão, sopros e acordeão que nos são tão familiares. Esqueça a letra, ouça a música e diga que gosto ela tem. Quais sentimentos ela provoca?</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">A redenção disso veio ao final do quarto capítulo com <a href="http://www.youtube.com/watch?v=I2fifH5ptJE" target="_blank"><em>Desabafo</em></a>, com <strong>Marcelo D2</strong>. Suburbano, carioca, utilizando e fazendo uma leitura modernizada do que já foi dito. Foi a reiteração da reiteração. Como o próprio autor faz em todo o livro. <em>Deixa, deixa eu dizer o que penso</em> do final mesmo, aquele que foi ainda melhor, com <strong>Nelson Cavaquinho</strong> pontuando Machado. <a href="http://www.youtube.com/watch?v=rgcTGJQNNe8" target="_blank"><em>É o Juízo final, a história do bem e do mal/ Quero ter olhos pra ver, a maldade desaparecer</em></a>. Bela escolha!</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/capitu02.jpg" align="right" border="0" height="177" width="346" />E por falar em redenção e bela escolha, vamos a Capitu, a duplamente Capitu, já que <strong>Maria Fernanda Cândido</strong> havia encarnado antes uma triste e malfadada versão da personagem em um filmeco do qual é melhor nem falar. Quem precisa saber atuar, tendo nascida linda daquele jeito? Ela precisa é de um bom diretor. Tirou a prova dos nove e redimiu-se da experiência anterior. Mas escolha perfeita foi mesmo a de <strong>Michel Melamed</strong>. Não há o que dizer além disso. Ponto.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Em compensação, a versão jovem de Bentinho estava muitos tons acima da maior parte do elenco, principalmente no que diz respeito à voz. Aquele moleque já tem dezoito anos (pode acreditar!), foi o Pedrinho por algum tempo na versão mais recente do <em>Sítio do Picapau Amarelo</em> e passou pela fábrica de desconstrução de atores chamada <em>Malhação</em>, onde se aprende a dar a mesma entonação à descoberta da morte da mãe e ao pedido de uma água de coco. E que Escobar biba era aquele? Eu jurava que iria rolar o tão esperado beijo gay na Globo durante as primeiras cenas no seminário. E aquela referência (uma das piores a meu ver) a <a href="http://www.youtube.com/watch?v=-1LRD3DtFAo" target="_blank"><strong><em>Hair</em></strong></a>, com Escobar sobre a mesa&#8230; melhor não comentar.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Também não me chocou <strong>Dom Casmurro ao celular ou com Ipod</strong>, aliás, uma metáfora bem interessante para a tendência de cada um a ter um mundo só seu, com sua própria trilha sonora e sem interatividade com as pessoas e coisas ao redor. Estranhei mesmo quando ele bateu à máquina. Por que não digitar <st1:personname productid="em Times New Roman" w:st="on"><st1:personname productid="em Times New" w:st="on">em Times New</st1:personname> Roman</st1:personname> e com o dedilhar insosso dos teclados em vez dos tec-tecs das antigas máquinas de escrever? Também cheguei a pensar que rolaria uma troca de <em>e-mails</em> entre os personagens no último capítulo. Não sei se estava já totalmente despido de preconceitos ou se havia perdido de todo a esperança.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">O diálogo de Machado com o leitor pregou peças à versão televisiva. Talvez percebidas por quem fez o trabalho, dificilmente percebida por quem não tenha alguma familiaridade com seu texto; ao menos este. Logo no início, quando o personagem principal explica o porquê de seu apelido e de como este vem dar nome à história, ele diz (com mínima variação – <em>fim</em> por <em>final</em> – do original): <strong><em>Também não achei melhor título para a minha narração; se não tiver outro daqui até o final do livro, vai este mesmo</em></strong>. E o que tivemos – e não se falou em outra coisa – é mesmo outro título. <em>Capitu</em> e toda a fanática discussão sobre suas ações pareceu menos casmurro. Pouco adiante, ainda apresentando a obra, diz: <a href="http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&amp;co_obra=1888" target="_blank"><strong><em>É o que vais entender, lendo</em></strong></a>. E o que se faz é mostrar, claro! A propósito, isto é muito bem feito quando, modificando-se a narrativa original, mostra-se o tema de amor dos personagens principais e, em seguida, faz-se a apresentação dos outros personagens na discussão sobre Bentinho ser mandado ou não ao seminário.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">É neste momento em que a jovem Capitu contracena com o Casmurro velho e narrador que mora um dos pontos mais sensíveis do livro. Pelo menos um dos pontos que mais gosto. É o da busca do personagem em reviver o que passou de bom quando jovem. Isso é mostrado claramente em pelo menos dois instantes da narrativa, preservados na versão televisiva:</p>
<p class="MsoNormal"><strong><em>O meu fim evidente era atar as duas pontas da vida, e restaurar na velhice a adolescência.<o:p></o:p></em><o:p> </o:p></strong></p>
<p class="MsoNormal">e, em outro capítulo, uma das minhas sentenças preferidas (no livro, na obra de Machado, na vida)&#8230;</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><strong><em>Donde concluo que um dos ofícios do homem é fechar e apertar muito os olhos, e ver se continua pela noite velha o sonho truncado na noite moça.</em></strong></p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Fiquei a pensar em uma versão mais enxuta, que tirasse as modernidades e as músicas – pelo menos as letras – <st1:personname productid="em ingl￪s. N￣o" w:st="on">em inglês. Não</st1:personname> precisaria muito. Outras adaptações poderiam ser mantidas. Não posso dizer que não gostei de <em>Otelo</em> ter se transformado em filme (<a href="http://www.youtube.com/watch?v=rMXHrpiXbeo" target="_blank">o de Orson Welles</a>). Quando <strong><em>Dom Casmurro</em></strong> foi escrito, o cinema era uma novidade. Filmes já haviam sido rodados mesmo no Brasil, mas a precariedade do fornecimento de energia nem permitia que se pudesse pensar em um “circuito de exibição”, algo que só aconteceria no final da primeira década do século XX. A referência a <em>Otelo</em> não poderia faltar, pois o romance de Machado tem bases nele.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">E para não fazer disso o tal livro citado lá no alto, uma lembrança de início e fim de <em>Dom Casmurro</em> que, espero, seja também uma promessa de Luiz Fernando Carvalho. Se não por outro livro de Machado, que agora está definitivamente provado não ter nada de chato (só quem nunca o leu poderia usar tal falácia), algum de <strong>Lima Barreto</strong>: “<em>Vamos à </em>História dos Subúrbios”.</p>

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		<title>Verdade para quê?</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/11/23/verdade-para-que/</link>
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		<pubDate>Sun, 23 Nov 2008 04:38:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
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		<category><![CDATA[Mundo cão]]></category>
		<category><![CDATA[Periódicos]]></category>

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		<description><![CDATA[Depois da óbvia capa com Obama, a Veja (sempre ela… Leu na Veja? Azar o seu.), retoma sua série de capas apelativas, demonstrando que a fofoca e o mundo cão são negócios mais rentáveis que o jornalismo. Como todo o &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/11/23/verdade-para-que/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/veja380.jpg" align="right" height="193" width="156" />Depois da óbvia capa com Obama, a <em>Veja</em> (sempre ela… Leu na <em>Veja</em>? Azar o seu.), retoma sua série de capas apelativas, demonstrando que <strong>a fofoca e o mundo cão são negócios mais rentáveis que o jornalismo</strong>.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Como todo o planeta parece estar em paz, não há catástrofes, problemas ambientais ou sociais acontecendo e falta imaginação para uma boa reportagem, a pedida é requentar algo que provoque a sede de sangue do leitor. Na falta de algo melhor (ou pior), os duzentos dias de férias do casal Nardoni são motivo de capa.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">O julgamento público continua e a idéia é mostrar a boa vida dos dois. Não há qualquer novidade sobre o caso ou sobre o andamento do processo. A “reportagem especial” parece querer somente alimentar o ódio e a vontade de linchamento.<o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" align="justify">O atual jornalismo brasileiro segue a vocação quinto-mundista de escrever com sangue e fazer ferver o do <em>ledor</em> bruto, que se finge leitor com desejo de informação. A capa desta semana de <em>Veja</em> me pareceu ainda mais sem sentido pois, no mesmo dia em que chegou às bancas, finalmente saquei do envelope o livro <strong><em>Maddie – A verdade da mentira</em></strong>, sobre <a href="http://sic.aeiou.pt/online/noticias/pais/multimedia/maddie+1+ano.htm" target="_blank">o caso da garotinha inglesa desaparecida em Portugal</a> em maio de 2007.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">O livro foi escrito por Gonçalo Amaral, Coordenador Operacional das investigações do caso, desde o início, em 3 de maio de 2007, até 2 de outubro do mesmo ano, quando foi afastado. Aposentou-se em junho deste ano e, no mesmo mês, lançou o livro com o qual pretende apontar a verdade sobre os acontecimentos com a menina.<o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/maddie.jpg" align="right" height="227" width="156" /><strong>Um mês depois de lançado</strong>, a meu pedido, <a href="http://amazingideas-lifestyle.blogspot.com/" target="_blank"><strong>Marcelo e Renata</strong></a> me mandaram um exemplar. <strong>Já era a quinta edição</strong>. Há algumas semelhanças entre os casos de Maddie e Isabella. Há inúmeras e gigantescas diferenças na cobertura dos casos, mas em relação ao ocorrido em Portugal, vou falar somente sobre o livro.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><em>Maddie – A verdade da mentira </em>foi escrito por um policial com 26 anos de uma respeitada carreira e lançado pouco mais de um ano depois do desaparecimento, com o caso ainda sem solução. <strong>No primeiro mês, vendeu mais de 125 mil exemplares </strong>em um país com uma população quase igual a da cidade de São Paulo. Se cada exemplar foi lido por pelo menos três pessoas, quase 5% da população do país fez isso no primeiro mês de existência do livro. Se a mesma proporção fosse aplicada ao Brasil, seria como se quase toda a cidade de São Paulo – ou Portugal quase inteiro, isto é, algo perto de 10 milhões de pessoas – lesse um livro em um mês. Nem Paulo Coelho consegue uma mágica dessas.<o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Verdade seja dita, uma edição de <em>Veja </em>é lida por algo como meia cidade do Rio de Janeiro, cerca de 3 milhões de pessoas. Verdade continue sendo dita, isto é <strong>quase nada em um país com 190 milhões de habitantes</strong>. Em compensação, a cobertura dos telejornais só não atinge alguns indígenas, alguns moradores de ruas e alguns bichos-grilos que fazem questão de não ver tevê. Em resumo: <strong>somos um país de analfabetos teleguiados</strong>.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><strong>Oito em cada dez livros mais vendidos no Brasil </strong>na última década são de auto-ajuda, sobretudo os que prometem milagres nas áreas de carreira e finanças. Mesmo com toda a procura e todo o marketing, são necessários uns quatro meses para vender 125 mil exemplares. Proporcionalmente&#8230; proporcionalmente não se chega lá.<o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Esse tipo de comparação só reforça o estigma de que não lemos e de que não temos preocupação em nos aprofundarmos nas histórias, em descobrirmos a verdade. Seja como jornalistas ou como leitores, <strong>não temos tal compromisso</strong>. Tudo é uma novela e o que vem mastigado nas revistas – ou, ainda mais fácil, pelos gritos do apresentador de telejornal estilo mundo cão – basta para alimentar nossos desejos mórbidos. Não vamos além.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Um simples exemplo como este ainda denuncia outras situações suficientes para desenvolver várias teses, mas levanto uma última que é o <strong>pouco ou nenhum apreço pela verdade</strong>, o que certamente nos leva a cometer grandes injustiças e marcar a ferro e fogo juízos que ficarão para a História como reais, mesmo que pairem sobre eles todas as dúvidas. Mas isso já é <strong>assunto para o próximo texto</strong>.</p>

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		<title>Dos mestres com carinho</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Aug 2008 14:09:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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		<description><![CDATA[Caí sem avisos no primeiro dia do II Festival Literário de Natal. Aquela segunda, 4 de agosto, escondia surpresas e momentos desses que devem ser guardados em relicários. Antes da abertura do Festival, aproveitando a solicitação apressada de alguns a &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/08/29/dos-mestres-com-carinho/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/neyfmora.jpg" border="0" height="222" width="600" /></p>
<p align="justify">Caí sem avisos no primeiro dia do <em>II Festival Literário de Natal</em>. Aquela segunda, 4 de agosto, escondia surpresas e momentos desses que devem ser guardados em relicários.</p>
<p align="justify">Antes da abertura do Festival, aproveitando a solicitação apressada de alguns a <strong>Nei Leandro de Castro </strong>para que autografasse seus exemplares da nova edição de <strong><em>O Dia das Moscas</em></strong>, apresentei meus dois exemplares: o novo e um da primeira edição, lançada 25 anos antes pela Codecri.</p>
<p>A situação única e provavelmente inesperada, valeu uma dedicatória carinhosa do autor:</p>
<p><strong><em>Para Sandro, que está lendo este livro aos 5 anos de idade , o abraço de Nei Leandro – Natal, 4.08.1983<br />
</em></strong><br />
Além da gentileza de me deixar com 30 anos quando já enxergo uma década a mais se aproximando, as palavras de Nei me deixaram como o primeiro a ter um exemplar de <em>O Dia das Moscas </em>autografado. O lançamento aconteceu no Rio de Janeiro no final de agosto de 1983.</p>
<p align="justify">Em seguida, Nei abriu a Feira falando principalmente sobre <strong><em>As Pelejas de Ojuara</em></strong> e sua adaptação para o cinema (<em>O homem que desafiou o diabo</em>). O escritor sempre foi reconhecido por seus iguais, mas “o povo” – principalmente o de Natal, que exige muitos leões mortos em savanas distantes para lançar um rápido olhar de admiração – estava lá para ver quem escreveu aquela historieta mostrada por maus atores. Historieta que <strong>NÃO</strong> foi escrita por ele, pois, tirando seus minutos iniciais, a adaptação está longe de fazer jus à tremenda história contada nas páginas de <em>As Pelejas de Ojuara</em>.</p>
<p align="justify">Enquanto isso, bem ao lado, a praça de alimentação do Natal Shopping se converteu em praça de agradáveis encontros e reencontros. Começou com <a href="http://colunas.digi.com.br/author/meire" target="_blank"><strong>Meire Feia-mas-te-amo Gomes</strong></a> e sua amiga <strong>Carol</strong> que formaram, junto a mim, uma mesa inusitada na qual se revelou algo, para mim, até então impensável: três pessoas que concordaram, expontaneamente, que o melhor filme brasileiro de todos os tempos é <em>Lavoura Arcaica</em>.</p>
<p align="justify">Na seqüência, <strong>Cláudio Damasceno</strong>, <a href="http://acacioas.digi.com.br" target="_blank"><strong>Santo Acácio</strong></a>, <strong><a href="http://www.cefascarvalho.blogspot.com" target="_blank">Cefas Carvalho</a></strong> e <a href="http://www.teatroclaudiamagalhaes.blogspot.com" target="_blank"><strong>Cláudia Magalhães</strong></a>, <a href="http://colunas.digi.com.br/author/patricio" target="_blank"><strong>Patrício Junior</strong></a>, o grande <strong><a href="http://canindesoares.blog.digi.com.br" target="_blank">Canindé Soares</a></strong> e a pequena (no tamanho) <a href="http://colunas.digi.com.br/author/tatiana" target="_blank"><strong>Tatiana Lima</strong></a>. Espero não ter esquecido ninguém.</p>
<p align="justify">Então chegou a vez do Mago. Não o Coelho, sobre quem escreveu, mas o <em>Mago das biografias</em>. Com um olho no chopp e outro na fila, esperei que essa diminuísse e, mais uma vez, fui para o final.  Abri meu coração sujo com <strong>Fernando Morais</strong>. Se soubesse que ele estaria lá, teria viajado com todos os seus livros para que fossem devidamente autografados. Apresentei-lhe o <a href="http://www.memoriaviva.com.br" target="_blank"><em><strong>Memória Viva</strong></em></a>, falei sobre minhas pesquisas para as biografias de <strong><a href="http://www.memoriaviva.com.br/appe" target="_blank">Appe</a></strong> e <a href="http://www.memoriaviva.com.br/carlosestevao" target="_blank"><strong>Carlos Estevão</strong></a> e joguei a culpa de tudo isso sobre ele. Com um sorriso de quem conhece as responsabilidades  – as próprias e as alheias – de se contar a vida de alguém, tascou na dedicatória:</p>
<p align="justify"><strong><em>Para Sandro Fortunato, que entende disto como ninguém, com o abraço e o carinho de Fernando Morais.</em></strong></p>
<p>Precisava de algo mais para ganhar o dia e tomar fôlego para os livros que estão por vir?</p>
<p>Aos mestres, meu agradecimento, minha admiração e o reconhecimento da dívida a ser paga com histórias muito bem contadas.</p>

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		<title>Mais uma do Cascudo</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Jul 2008 15:05:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Exposição]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/cascudo.jpg" border="0" height="250" width="600" /></p>
<p align="justify">Ou melhor, da família de <strong><a href="http://www.memoriaviva.com.br/cascudo">Cascudo</a></strong>. Não canso de dizer que esta é um exemplo de preocupação com a preservação e a divulgação da obra criada por um familiar já encantado. Hoje, quando lembramos os 22 anos de encantamento do mestre, está sendo lançada a exposição <strong><em>Câmara Cascudo, cada dia mais vivo</em></strong>. “<em>Coincidentemente</em>” o título de um artigo que escrevi há dois anos. <strong>Daliana Cascudo</strong> adora fazer essas coisas porque sabe que não posso processá-la por conta de outra “<em>coincidência</em>”: minha advogada é irmã dela. Numa hora dessas, as irmãs se desentendem e aí eu quero ver!</p>
<p align="justify">Brincadeiras à parte – e que todos na família Cascudo sejam sempre e ainda mais unidos –, vamos ao serviço. A exposição está sendo apresentada no <strong>Memorial Câmara Cascudo</strong>, em Natal (RN). Mais detalhes no <a href="http://www.memoriaviva.com.br/novoblog/2008/07/30/camara-cascudo-cada-dia-mais-vivo" target="_blank">Blog Memória Viva</a>.</p>
<p align="justify">E por falar em <em>blog</em>, <a href="http://www.memoriaviva.com.br/cascudo/blog" target="_blank">o do Cascudo retoma hoje suas atualizações</a>. Trata-se da coluna <em>Acta Diurna</em>, que o escritor manteve entre 1939 e 1960 nos jornais de Natal. A atualização acontece sempre às quartas. As fotos que ilustram o texto são do amigo e parceiro <strong><a href="http://canindesoares.blog.digi.com.br/blog" target="_blank">Canindé Soares</a></strong>. Eventualmente aparece uma feita por mim.</p>
<p align="justify">Mais. Tem livro inédito de Cascudo pintando em breve: <strong><em>A casa de Cunhaú</em></strong>. E se você quer saber dos outros <strong>quase 200 de sua autoria</strong> e de outras dezenas de títulos a seu respeito, <a href="http://www.memoriaviva.com.br/novoblog/2008/07/21/todos-os-livros-de-cascudo" target="_blank">dê uma olhada aqui</a>.</p>
<p align="justify">E agora vá baixar em outro terreiro.</p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback.jpg" usemap="#Map" border="0" height="25" /></center></p>
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		<title>Flavinho, o sonhador</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/07/15/flavinho-o-sonhador/</link>
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		<pubDate>Tue, 15 Jul 2008 11:46:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Amigos]]></category>
		<category><![CDATA[Aniversário]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>

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		<description><![CDATA[Devo ter visto Flávio Rezende pela primeira vez ali no corredor do Bloco C, do Setor V da UFRN, em 1988. Jovem, mas com aquele ar de irmão mais velho da garotada que dava seus primeiros passos no ingrato mundo &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/07/15/flavinho-o-sonhador/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/flavinho.jpg" align="right" border="0" height="288" width="228" />Devo ter visto <strong>Flávio Rezende</strong> pela primeira vez ali no corredor do Bloco C, do Setor V da UFRN, em 1988. Jovem, mas com aquele ar de irmão mais velho da garotada que dava seus primeiros passos no ingrato mundo jornalístico.</p>
<p align="justify">Vinte anos depois, ele tem a mesma cara, a mesma juventude, a mesma energia, a mesma aura. Tudo isso muito típico das almas puras. A mais, história, experiência, sabedoria. E livros.</p>
<p align="justify">Hoje, no <strong>dia de seu aniversário</strong> de 47 anos – sim, esse menino na foto, feita há poucos dias, logo logo terá meio século de existência! –, está lançando seu 19º livro: <em><strong>O sonhador</strong></em>.</p>
<p align="justify">Li e tenho pelo menos meia dúzia deles, os lançados na época em que estávamos mais próximos, até meados dos anos 90. Flavinho sempre divulgou meus trabalhos. Talvez por gostar, por bondade, para completar suas colunas. Também sempre divulguei os dele, mas que fique claro que não por agradecimento ou política. Sempre fiz isso porque <strong>Flavinho é o cara “mais do Bem” que conheço</strong>. Então, nem me preciso ver o que ele fez. Se foi feito por ele, só pode ser uma coisa boa, algo para o Bem.</p>
<p align="justify">Nessas duas décadas, sou testemunha de suas batalhas e realizações. Nada fácil, nada sem muito esforço. Tudo tão impregnado de bondade, de bons fluídos, que invariavelmente dá certo, não importando o tempo que seja necessário para se tornar real. E o início de cada uma dessas realizações é sempre um sonho ao qual outras boas almas vão se juntando até que se concretize.</p>
<p align="justify"><em>O sonhador</em> livro está sendo lançado hoje. O sonhador-realizador Flavinho está só começando a encher nosso mundo de Luz.</p>
<p align="justify">Um grande beijo, meu querido. Sonho junto com você.</p>
<h5 align="right"> O convite para o lançamento está <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/07/11/o-sonhador">dois posts abaixo</a>.</h5>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback.jpg" usemap="#Map" border="0" height="25" /></center></p>
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		<title>O Sonhador</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Jul 2008 13:00:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>

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		<description><![CDATA[Meus amigos andam parindo livros aos borbotões neste 2008. E que seja assim sempre! Na próxima terça-feira, dia 15, Flávio Rezende dá à luz seu 19º livro, O Sonhador. O lançamento será na Siciliano do Midway Mall, em Natal. Parte &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/07/11/o-sonhador/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/frezconv.jpg" border="0" /></p>
<p align="justify">Meus amigos andam parindo livros aos borbotões neste 2008. E que seja assim sempre! Na próxima terça-feira, dia 15, <strong>Flávio Rezende</strong> dá à luz seu 19º livro, <em>O Sonhador</em>. O lançamento será na <strong>Siciliano do Midway Mall, em Natal</strong>. Parte da renda será destinada às ações humanitárias da <a href="http://www.casadobem.org.br" target="_blank">Casa do Bem</a>. Acima, o convite. Logo, mais sobre Flavinho, o sonhador que realiza.</p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback.jpg" usemap="#Map" border="0" height="25" /></center></p>
<map name="Map">
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]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>M. Lobato</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/07/04/m-lobato/</link>
		<comments>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/07/04/m-lobato/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 04 Jul 2008 15:09:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Memória Viva]]></category>

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		<description><![CDATA[Pergunte-se: Quantas pessoas deixaram uma obra que influenciou sua (dela) própria geração, a de seus pais, a sua (sua mesmo), as seguintes e continua se perpetuando? Meus pais, hoje na casa dos 60, eram criancinhas quando Monteiro Lobato morreu. Meu &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/07/04/m-lobato/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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<p align="justify">Pergunte-se: Quantas pessoas deixaram uma obra que influenciou sua (dela) própria geração, a de seus pais, a sua (sua mesmo), as seguintes e continua se perpetuando?</p>
<p align="justify">Meus pais, hoje na casa dos 60, eram criancinhas quando <strong>Monteiro Lobato</strong> morreu. Meu avô, que completará 88 anos em agosto, nasceu no mesmo ano de <strong>Narizinho</strong>: 1920.</p>
<p align="justify">Monteiro Lobato foi – e continua sendo – <strong>meu principal professor</strong>. Ensinou-me História, Geografia, Matemática, Gramática,&#8230; ensinou-me, principalmente, <strong>a sonhar</strong>. E se não me ensinou a escrever a culpa é toda de minha incompetência. Mas na matéria <em>Amor à leitura</em> sempre tirei nota dez. Graças a ele.</p>
<p align="justify">Vira e mexe, escrevo sobre ele ou sobre o mundo que criou. A mais recente foi há duas semanas, quando o <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/06/20/mil-vivas-para-o-visconde"><strong>Visconde André Valli</strong></a> se encantou. Há quase dez anos, mantenho <a href="http://www.memoriaviva.com.br/mlobato" target="_blank">um singelo sítio dedicado a ele</a> no <a href="http://www.memoriaviva.com.br" target="_blank"><strong>Memória Viva</strong></a>. Quando fiz o sítio, sabe-se lá o porquê, dei o final <em><strong>/mlobato</strong></em> ao endereço. O normal seria o nome inteiro, mas achei que ficaria muito grande. Bobagem. É o nome pelo qual é conhecido. Deixei o <em>/mlobato</em>. Isso foi em 1999. Quatro anos depois, tive o privilégio de ter em mãos algumas cartas suas. Algumas datilografadas, outras escritas a mão. Todas enviadas a <a href="http://www.memoriaviva.com.br/cascudo" target="_blank"><strong>Câmara Cascudo</strong></a>. Qual não foi minha surpresa ao ver que, na maioria delas, assinava <em><strong>M. Lobato</strong></em>.</p>
<p align="justify">Hoje, quando se completa 60 anos em que resolveu deixar este mundo e ir viver com seus personagens, aproveito para reverenciar sua memória e agradecê-lo, mais uma vez, por toda a riqueza de minha infância.</p>
<p><strong>Obrigado, M</strong>estre<strong> Lobato.</strong></p>
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		<title>Mastigue bem antes de engolir</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Jun 2008 13:49:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Memória Viva]]></category>

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		<description><![CDATA[Diga rápido o nome completo de Tiradentes. Isso mesmo: José Joaquim da Silva Xavier. Não? Não mesmo. Você quis dizer Joaquim José da Silva Xavier. Aproveite e responda o seguinte: o que é alferes? O alferes Joaquim José&#8230; Pomposo, não? &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/06/06/mastigue-bem-antes-de-engolir/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Diga rápido o nome completo de <strong>Tiradentes</strong>. Isso mesmo: José Joaquim da Silva Xavier. Não? Não mesmo. Você quis dizer Joaquim José da Silva Xavier. Aproveite e responda o seguinte: o que é <strong>alferes</strong>? O alferes Joaquim José&#8230; Pomposo, não? Não. Alferes era um antigo nível da hierarquia militar no Brasil colonial e imperial que ficava abaixo de tenente e estava logo acima de cadete. E se Tiradentes era militar, que diabos de <strong>cabeleira hippie</strong> era aquela?</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/febeapa.jpg" align="right" border="0" height="305" width="190" />Este é um exemplo clássico das bobagens que engolimos desde pequenos e saímos repetindo vida afora. Ainda sobre Tiradentes, <strong>Stanislaw Ponte Pret</strong>a, em seu <strong><em>Febeapá 1 – Primeiro Festival de Besteiras que Assola o País</em></strong>, conta que uma discussão sobre a juba do alferes levou à publicação, em <em>Diário Oficial</em>, de resolução presidencial pró-cabeleira na qual  dizia ser essa “<em>a efígie que melhor se ajusta à imagem de Joaquim José da Silva Xavier gravada pela tradição na memória do povo brasileiro</em>”. Pronto. Por decreto, Tiradentes era cabeludo. No dia seguinte, o <em>Diário Oficial</em> trazia uma retificação: “<em>Onde se lê Joaquim José, leia-se José Joaquim</em>”. Oito dias depois: “<em>Fica sem efeito a retificação publicada no Diário Oficial de 19-4-66..</em>.”. Stanislaw termina a história de forma jocosa dizendo que “<em>felizmente a coisa parou aí, do contrário iam acabar escrevendo Xavier com ‘</em>CH<em>’</em>”.</p>
<p align="justify"><strong>Sérgio Porto</strong>, o Stanislaw, assim como eu, divertia-se e escrevia sobre as bobagens divulgadas, criadas e replicadas pela imprensa. Mas, depois de um tempo, você deixa de se divertir, percebe que a coisa é séria e gera erros que, às vezes, passam à História. Vez por outra falo sobre esses deslizes (isso foi um eufemismo), como no caso das <strong>fotos do</strong> <strong>Herzog</strong> (<a href="http://leseirageral.blog.uol.com.br/arch2004-10-16_2004-10-31.html" target="_blank">aqui</a>, em posts de 20, 21, 22 e 29 de outubro de 2004) ou, de maneira mais leve, juntando as <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/04/23/noticias-noticiosas">barbaridades que lemos por aí em um único dia</a>.</p>
<p align="justify">Este narigão de cera é para falar sobre as<strong> armadilhas de erros</strong> que sempre encontramos na Internet, nos jornais ou nos livros. Se você é da geração Ctrl+C/Ctrl+V, que tem fé na <em>Wikipedia</em> e vê o <em>Google</em> como oráculo, pode parar a leitura por aqui (se é que chegou a tanto), desligar o computador e procurar um gibi qualquer. Se faz parte dos que pensam, prossiga.</p>
<p align="justify">Desde os primórdios da <em>web</em>, me perguntam: <em><strong>Como se pode ter certeza que uma informação na Internet está correta?</strong></em> Da mesma forma que você tem certeza de que uma informação está correta em um livro: <strong>usando de conhecimento prévio, discernimento, eterna desconfiança e pesquisa exaustiva</strong>. Esta é minha resposta desde sempre. Vale para qualquer informação, vinda de Internet, jornal, livro&#8230; Livro? Sim, livro. Mesmo os mais sérios e escritos por pessoas respeitáveis.</p>
<p align="justify">Esta semana, recebi um e-mail do historiador e jornalista – “<em>totalmente perdido e atormentado</em>”, segundo suas próprias palavras –, <strong>Henrique Polidoro</strong>. Recebo quase diariamente pedidos de materiais relacionados a revistas e jornais antigos. Durante anos, tive a atenção e delicadeza de responder a cada um. Com o tempo, criei uma resposta padrão na qual explicava que uma informação do tipo “<em>o que procuro saiu numa edição do final da década de 50 ou início da de 60</em>” demandaria dias de pesquisa em centenas de revistas, milhares de páginas, que isso custaria tempo e dinheiro, etc. Depois, passei a responder somente às mensagens de pesquisadores sérios, obviamente bem orientados e com uma noção mínima do que estava fazendo e pedindo.</p>
<p align="justify">A mensagem de Henrique tinha esses pré-requisitos, mas me chamou atenção pela simplicidade da dúvida, pelo motivo que a causou e pela facilidade em eliminá-la. Enfronhado em um Mestrado pela PUC-SP, queria acabar com uma <strong>“<em>polêmica</em>” sobre a data de lançamento da revista <em>O Cruzeiro</em></strong>. <a href="http://www.memoriaviva.com.br/ocruzeiro" target="_blank">No <em>site</em></a> em homenagem à revista, diz que havia sido lançada em novembro de 1928, mas autores como <strong>Fernando Morais</strong> (<em>Chatô – O Rei do Brasil</em>, <em>Olga</em>, <em>O Mago</em>&#8230;) e <strong>Antônio Accioly</strong>, diretor da revista durante quase toda sua história, diziam ter sido em dezembro do mesmo ano.</p>
<p align="justify">Resolvi aproveitar o questionamento para publicar este texto e <strong>eliminar de uma vez por todas essa dúvida</strong>, que não é só dele.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/cruzeiro.jpg" align="left" border="0" height="263" width="190" /><strong>Não há qualquer “</strong><strong>POLÊMICA”</strong> em torno da data de lançamento de <em>Cruzeiro</em> (sem o artigo). <strong>A data da primeira revista é 10 de novembro de 1928</strong>, como está informado no <em>site</em>. Lá, além da reprodução de algumas matérias da primeira edição, é possível ver também as capas das 10 primeiras edições e suas respectivas datas.</p>
<p align="justify"><strong>O que existe é ERRO</strong> nas datas informadas no livro <em>Chatô</em>, de Fernando Morais, e nas memórias de Accioly Netto. E não só esses. E não só nesses dois livros que falam da revista. Creio ter lido a maior parte dos livros publicados sobre <em>O Cruzeir</em>o e temas afins. Li e recentemente reli, pois estou escrevendo as biografias de <a href="http://www.memoriaviva.com.br/appe" target="_blank"><strong>Appe</strong></a> e <strong><a href="http://www.memoriaviva.com.br/carlosestevao" target="_blank">Carlos Estêvão</a></strong>, dois desenhistas da revista. Sobre erros em relação a Carlos Estêvão, adianto alguns na seção “<em>Mais</em>” do site em sua homenagem.</p>
<p align="justify">Mas se <strong>não se pode confiar em informações de um livro</strong> de alguém reconhecido como um dos maiores biógrafos do país e nem no de alguém que trabalhou toda a vida na revista em questão, o que pensar de “<em>um site na Internet</em>”?! <em><strong>NEM PENSAR!</strong></em>, eu diria. Esse é o preço que se paga por vivermos em mundo cheio de informações erradas. Longe de me ofender por esse tipo de desconfiança, sugiro a todos que se mantenham assim. <strong>Desconfiem sempre.</strong></p>
<p align="justify">A questão se refere a algo muito maior e sobre o qual vivo falando: <strong>a precisão da informação no jornalismo e na pesquisa biográfica</strong>. Os motivos para erros desse tipo são inúmeros. Vão desde a confiança excessiva do autor na informação que sua equipe trouxe (para quem não sabe, muitas biografias são escritas assim, em um esquema de redação: há pesquisadores, que funcionam como repórteres, e o autor, que funciona como redator, finalizando e assinando o texto) até a fé que temos em nossa própria memória, passando pela falta ou erro de revisão. Há também o muito comum caso de pura incompetência, no qual obviamente não se enquadram os exemplos dos autores citados. O grande problema é que esses erros, <strong>independente dos motivos pelos quais foram cometidos</strong>, não são percebidos e quando são <strong>não podem ser devidamente corrigidos</strong> (no máximo em uma futura reimpressão, mas como ficam todos que leram a edição errada?). E assim são repetidos, reforçados, apontados como referência e quase acabam virando verdade.</p>
<p align="justify">No caso da dúvida sobre a primeira revista <em>Cruzeiro</em>, basta uma reprodução de uma de suas páginas que mostre a data em que circulou. Curiosamente, o cabeçalho da primeira página na primeira edição não informa a data, que só aparece no alto de algumas páginas. E aí está, para que não reste qualquer dúvida.</p>
<p align="justify">
<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/cruz1011.jpg" border="0" /></p>
<p align="justify">Pronto. <strong>A primeira edição de <em>Cruzeiro</em> é datada de 10 de novembro de 1928.</strong> Perceberam que, nessa página, o “<em>o</em>” final de “<em>novembro</em>” pulou para o final da data? Acho que eles não usavam <em>Word</em>&#8230;</p>
<p align="justify">A partir da segunda edição, a data aparece no cabeçalho. A edição de 1º de dezembro de 1928 já é a de número 4. No citado dia “10 de dezembro” nos livros, a revista já estava em sua quinta edição, que trazia <strong>Santos Dumont</strong> na capa (8 de dezembro de 1928).</p>
<p align="justify">O caso serve para lembrar que qualquer coisa feita por um ser humano é passível de erro. <strong>Não podemos nos acostumar a acreditar em tudo que lemos</strong> somente por estar em um jornal ou mesmo em um livro. Mais: não devemos ficar papagueando tudo que ouvimos. Mesmo quando o dado vem de fonte primária, deve ser checado e confrontado várias vezes. <strong>Questionar é necessário.</strong> Sempre. Só assim podemos nos aproximar de uma informação precisa.</p>
<p align="justify">E sempre que você encontrar um erro em algo que escrevi – seja em <em>blog</em>, <em>site</em>, jornal, revista, livro ou guardanapo em boteco –, por favor, avise-me. Eu e os futuros leitores agradecemos.</p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback.jpg" usemap="#Map" border="0" height="25" /></center></p>
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		<title>Para gostar de ler 3 &#8211; AMIGOS PARA SEMPRE</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Jun 2008 21:38:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Série - Para gostar de ler]]></category>

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		<description><![CDATA[O que você espera de um amigo ideal, perfeito? Que ele esteja sempre à disposição a qualquer hora do dia ou da noite? Que esteja por perto? Que saiba ouvi-lo? Que diga exatamente aquilo que você precisa ouvir? Que tenha &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/06/04/amigos-para-sempre/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/pgdeler3.jpg" align="left" border="0" height="125" width="108" />O que você espera de <strong>um amigo ideal</strong>, perfeito? Que ele esteja <strong>sempre à disposição</strong> a qualquer hora do dia ou da noite? Que esteja por perto? Que saiba ouvi-lo? Que <strong>diga exatamente aquilo que você precisa</strong> ouvir? Que <strong>tenha passado bons momentos com você</strong> e possa lembrar disso para fazê-lo sentir novamente boas emoções?</p>
<p align="justify">É difícil ter um amigo assim. Pelo menos um amigo humano. Mas um <strong>amigo livro</strong> é exatamente desse jeito. E você nem precisa ligar. Ele está bem ali na sua estante.</p>
<p align="justify">O que você está precisando ouvir pode estar em suas páginas. Ele – o livro – faz com que você se concentre, pense melhor e acabe encontrando as respostas que está buscando. É um tremendo amigo. Nunca é chato. Fica sempre quietinho, na dele. Só entra em ação quando solicitado.</p>
<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/liniers3.jpg" border="0" height="220" width="500" /></p>
<p align="justify">Bom mesmo é quando você descobre que amigos desse tipo, diferente dos humanos, <strong>se pode ter aos montes</strong>. E eles acompanham sua história, sabem tudo de você, guardam seus segredos.</p>
<p align="justify">Desses amigos, os mais antigos que tenho são de duas coleções: uma de doze volumes do <em>Sítio do Picapau Amarelo</em> e outra de três com clássicos infanto-juvenis. Nossa amizade já vai em mais de trinta anos e eles continuam aqui comigo. Ensinaram-me a ler, me viram crescer, viram meus filhos nascer e certamente conhecerão meus netos.</p>
<p align="justify">Outros foram chegando em <strong>momentos especiais</strong>. Caíram em minhas mãos como se fosse mágica. Responderam as dúvidas que eu tinha naquele instante e se tornaram <strong>amigos para toda a vida</strong>. Nós nos olhamos com cumplicidade, com a certeza de que só nós conhecemos <strong>certo segredo</strong>. Não adianta louvá-los aos seus amigos de carne e osso. Esses podem pegá-los e não ver nada de especial. É porque são seus amigos. São especiais para você.</p>
<p align="justify">Há livros que li várias vezes e os quais lerei muitas outras. Vou aprendendo mais e mais a cada nova conversa. É como se fosse a primeira vez, mas há todo um conhecimento prévio que facilita a descoberta de coisas nunca percebidas em outras leituras. É o amigo que você conhece tão bem a ponto de entendê-lo como nenhuma outra pessoa faria. A compreensão flui sem qualquer esforço.</p>
<p style="text-align: center"><a href="http://www.citronvache.com.br" target="_blank"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/cardon.jpg" border="0" /></a></p>
<p align="justify"><strong>Quantos desses amigos você tem?</strong> Se acha que nenhum, mas há livros em sua casa, procure direito. Se realmente não tiver, saiba que eles podem ser conquistados a qualquer momento. Exponha-se em uma livraria ou um sebo e logo um deles irá encontrá-lo. Sim, são <strong>eles que nos escolhem</strong>.</p>
<p align="justify">Permita-se viver esse sentimento e você entenderá o significado da expressão “<em><strong>amigos para sempre</strong></em>”.</p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback.jpg" usemap="#Map" border="0" height="25" /></center></p>
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