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	<title>Sempre Algo a Dizer &#187; Livre pensar</title>
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		<title>O segundo nascimento</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Jan 2012 22:31:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livre pensar]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class="alignright size-full wp-image-1140" title="" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2012/01/sfbebe.jpg" alt="" width="220" height="325" />Daqui a cem dias, começa minha vida. Meu Natal e ano novo particulares. A prova – ou não – do velho ditado. Apagou-se o fogo-fátuo daquela noite de dez anos atrás. Vai longe aquele aniversário com conhecidos refugiados em seus pequenos guetos em um café-livraria. Hoje, parece um retrato dos caminhos que se ofereciam. Qual tomei? Parece que nenhum deles.</p>
<p style="text-align: justify;">Sinto que um fogo sagrado foi aceso e vem sendo alimentado nos últimos tempos, queimando tudo que não era Sandro, que não importava. Restou amar, pensar, escrever e uns temperos para dar gosto à vida. Nasço sem avós, sem pai e com três filhos. Os cabelos, que no primeiro nascimento eram pretinhos, tornaram-se tolerantes e aceitaram alguns brancos entre eles. Não haverá quem pergunte o que o menino vai ser quando crescer. Ele já sabe. Acha até que sabia da primeira vez, mas preferiu não revelar.</p>
<p style="text-align: justify;">Talvez esses últimos meses de gestação sejam como os da primeira. Pode ser que fique meio apertado, que eu fique mais quieto, esperando a hora de ver a luz. O parto deverá ser como na ocasião anterior: natural, tendo que lutar desde sempre para poder ter um lugar no mundo. Mas não vai ter choro. Só a mesma cara bolachuda, séria, observando tudo para tentar aprender e fazer algo útil.</p>

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		<title>Lenny</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Nov 2011 18:24:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Livre pensar]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/11/lenny.jpg"><img class="size-full wp-image-1103 aligncenter" style="border-style: initial; border-color: initial; margin-top: 0px; margin-bottom: 0px; border-width: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/11/lenny.jpg" alt="" width="600" height="333" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Dentre minhas manias (ou incapacidades), está a de me deixar levar sem freios pela busca de conhecimento e me aprofundar em um tema mesmo que ele não esteja ou não pareça estar entre meus principais interesses. Funciona mais ou menos como quando começamos a navegar na Internet buscando algo que queríamos e, de repente, percebemos que passamos por dezenas de páginas e nem sabemos como chegamos àquele lugar. Isso acontece comigo de uma forma mais demorada, desde sempre, com livros e filmes. Leio um livro de determinado autor, gosto, quero ler todos dele. “Azar” o meu se ele escreveu dezenas. Vejo um filme e ele me leva a outro, e outros, e à vontade de ver tudo de um diretor ou de um ator. E nada disso garante que, ao final, eu vá me tornar um admirador daquele tema, pessoa ou forma de expressão. É algo meio doentio, eu sei.</p>
<p style="text-align: justify;">Recentemente aconteceu isso com relação a Bob Fosse. Tive que guardar minha má vontade e meu conceito prévio de que o cinema americano destrói tudo de bom de qualquer outro cinema quando resolve fazer sua versão (e é isso mesmo!) para assistir <em>Sweet Charity</em> (1969), baseado em <em>As Noites de Cabíria</em> (1957), de Fellini. Passada a náusea, civilizadamente admiti que, em se tratando de coreografar e levar musicais para o cinema, Bob Fosse era realmente muito bom. Daí bateu a vontade de rever <em>Cabaret</em> (1972) e <em>All That Jazz</em> (1979) – ambos consagrados com dezenas de prêmios, incluindo 12 Oscars – e tudo mais que ele tivesse dirigido. Descobri que foram apenas cinco filmes e que, na verdade, eu só não havia assistido <em>Sweet Charity</em>. Os outros dois – <em>Lenny</em> (1974) e <em>Star 80</em> (1983) -, também havia visto nos anos 80, mas quase não guardei lembranças. De <em>Lenny</em>, tudo que lembrava era de que tinha sido feito por Dustin Hoffman e que eu havia assistido por isso. Revi e tive um, digamos, <em>déjà vu</em> às avessas.</p>
<p style="text-align: justify;">Tenho percebido que, nos últimos anos, os brasileiros têm se encantado por grandes novidades que nada têm de novas, originais, revolucionárias ou geniais. Daí o endeusamento às “invenções” de Steve Jobs (grande aprimorador e comercializador, nunca um Thomas Edison) e o abestalhamento pelo <em>stand up comedy</em>. Que fique claro: não estou questionando o valor das coisas, mas nossa ignorância e disposição em comprar como novo algo que existe há décadas. Quando a onda do <em>stand up</em> surgiu por aqui, pensei: “<em>Mas José Vasconcelos não fazia isso nos anos 1950?! Por que essa garotada está dando um nome em inglês e dizendo que isso é onda da matriz americana?</em>” José Vasconcelos já fazia isso quando o “grande ídolo” Seinfeld estava nascendo. Ah! É que essa garotada cresceu vendo televisão e sendo educada por séries americanas. Aprendeu que se é bom é porque veio dos Estados Unidos. Talvez por isso, quando Zé Vasconcelos morreu, os jovens jornalistas tenham repetido tanto a bobagem de que “<em>ele ficou famoso na Escolinha do Professor Raimundo</em>”. Em resumo: as coisas parecem novas porque a garotada desconhece completamente a história, mesmo que recente, do próprio país onde vive, só tem memória para o que viu na tevê e só acha bonito se tiver vindo da gringa. Mais culturalmente rendidos, impossível.</p>
<p style="text-align: justify;">Revi <em>Lenny</em>. Trata-se da história de Lenny Bruce, que começou carreira fazendo apresentações do tipo <em>stand up</em> no final dos anos 1940, quando provavelmente nem os pais dessa garotada que se acha genial, engraçada e revolucionária haviam nascido.</p>
<p style="text-align: justify;">Se você não viu e/ou pretende assistir <em>Lenny</em>, saiba que vou fazer um ou outro comentário que pode revelar algo da trama (o tal do <em>spoiler</em>, para você, que foi criado em portuglês). É um drama, filmado em preto e branco (muito sensível e corajoso da parte de Fosse, que abandona seu mundo de música, dança, movimentos, cores e tudo mais que possa distrair, para focar no essencial), com uma narrativa intercalada em três tempos que se completam e apresentam diferentes olhares sobre a história (nem endeusando nem criticando o personagem, mas mostrando toda a sua humanidade) e com Dustin Hoffman, ainda na casa dos 30, já muito maduro e talentoso (o baixinho da propaganda do Fiat Cinquecento, crianças).</p>
<p style="text-align: justify;">Mas é sobre o tal <em>déjà vu</em> ao contrário que quero falar. Judeu, com barba, fazendo <em>stand up</em>, acusado de ser grosseiro (e sendo mesmo!), tornando-se vítima de suas próprias grosserias&#8230; Já viram isso antes, digo, depois (recentemente e aqui perto) de Lenny Bruce?</p>
<p style="text-align: justify;">Antes de continuar, devo dizer que achei uma bobagem enorme toda aquela discussão em torno da “piada de mau gosto” do Rafael Bastos. Mesmo porque não vi qualquer piada. Só um cara grosseiro com uma evidente necessidade de autoafirmação finalmente chegar ao ponto de estampar publicamente sua imbecilidade, limitação, falta de talento e de bom senso para muita gente que ainda não tinha percebido isso. Acho a celeuma idiota porque não sou obrigado a assistir, rir junto, concordar com o “humor” adolescente. Ninguém me tira o poder de escolha. Não gosto, não vejo, não me aborreço. Simples assim.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas entendo que, de alguma forma, a discussão possa gerar algo salutar. Rever <em>Lenny</em> agora e ver tantas semelhanças (há diferenças gigantescas também: era outra época, outra sociedade, outros motivos) me fez pensar que a discussão seja mesmo necessária. O que me deixou triste foi perceber que se ela ainda é necessária é porque somos extremamente imaturos para lidar com certos temas, certas atitudes. Discussão sobre liberdade de expressão, censura, sobre o que seja ou não politicamente correto&#8230; Se chegamos a um ponto em que agressão gratuita e qualquer bobagem vomitada possam ser confundidos com humor e liberdade de expressão, acho melhor voltarmos para as cavernas porque é lá o nosso lugar. Vamos meter a clava na cabeça dos outros e nas de todos que não rirem disso. Apareceu na tevê é “<em>gênio</em>”, “<em>fantástico</em>”, “<em>sensacional</em>”. Se já disseram o que temos que acreditar e achar, por que fazer o esforço de pensar?</p>
<p style="text-align: justify;">Tenho esperança de que as semelhanças continuem a se repetir e, mesmo com um retardo de mais de meio século, em algum instante percebamos que quase ninguém mais aplaude qualquer idiotice só porque é moda. E que, assim como Lenny, em um lampejo de lucidez, o bobo da vez (qualquer um) admita: “<em>Não sou comediante</em>” e se retire. Mais digno para quem o fizer. Mais fácil para nós, que não teremos que fazer a triste escolha entre o que é <em>menos pior</em>: viver em uma sociedade hipócrita ou em uma sem valores e sem qualquer senso crítico.</p>
<p style="text-align: justify;">A nossa sociedade – a brasileira média –, como vemos hoje, me parece mais com uma de babuínos: um chefe grita, todos os outros gritam também e se mostram prontos a estraçalhar qualquer um que não faça parte do bando. Particularmente, prefiro viver em uma em que, com todas as suas diferenças e gostos variados, as pessoas se respeitem, ajam de forma civilizada e pensem por si mesmas.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Lenny</em> me fez pensar que aquela sociedade hipócrita e moralista dos anos 1950 nos Estados Unidos era bem mais evoluída que a nossa nos dias atuais. Se é para importar algo deles, por que em vez do lixo, não importamos o que eles aprenderam antes de nós? Aprender com a observação dos erros alheios, no mínimo, evita que venhamos a repeti-los.</p>

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		<title>A última noite de Cabíria</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Sep 2011 03:05:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Livre pensar]]></category>

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		<description><![CDATA[Já não estranho quando me vejo em personagens femininos. Mas ainda me surpreendo quando um que conheço há tanto tempo aparece de forma diferente, sugerindo outras leituras, me apontando um espelho. Foi assim com Cabíria há algumas noites. O que &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2011/09/01/a-ultima-noite-de-cabiria/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/08/cabiria.jpg"><img class="size-full wp-image-1073 aligncenter" style="border-style: initial; border-color: initial; margin-top: 0px; margin-bottom: 0px; border-width: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/08/cabiria.jpg" alt="" width="600" height="450" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Já não estranho quando me vejo em personagens femininos. Mas ainda me surpreendo quando um que conheço há tanto tempo aparece de forma diferente, sugerindo outras leituras, me apontando um espelho.</p>
<p style="text-align: justify;">Foi assim com Cabíria há algumas noites. O que aquela criatura tão pequena, perdida, sonhadora, acostumada a disfarçar sua delicadeza e sua fragilidade com um jeito grosseiro, disparando impropérios a quem tente se aproximar poderia ter a ver comigo? Tudo.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma prostituta acostumada às rudezas da vida, encastelada em um pequeno cômodo, mostrando-se autossuficiente, mas sonhando com outra vida, juntando recursos que nunca são aplicados. Com tantas características em comum, como nunca havia me dado conta de tal semelhança?</p>
<p style="text-align: justify;">Talvez porque precisasse deixar os detalhes de lado e perceber o todo, a trajetória. A cada abertura, para cada momento de disposição em acreditar, uma decepção. A razão ensinando que o caminho não era esse; o coração – burro, cheio de medos – insistindo em tentar mais uma vez. Cabíria sou eu e cada um de nós, ao tentarmos equilibrar razão e emoção, realidade e sonho.</p>
<p style="text-align: justify;">Também foi preciso fechar um ciclo para enxergar Cabíria em mim. Chegar ao ponto em que ela chegou. Sem absolutamente nada, despojada do pouco que havia juntado (e que era seu mundo, sua âncora), ela finalmente se sente livre para tomar outro caminho. As noites de Cabíria – na rua e as da alma – terminam quando ela se vê como no momento do nascimento: sem nada. No rosto, não correm lágrimas. Há apenas uma, fixa, como uma tatuagem para representar e lembrar eternamente todas as dores. Há também um sorriso. Não aqueles fugazes das ilusões, mas um que vai se desenhando aos poucos, nascendo da rispidez do rosto sempre contraído. É um parto. Uma nova vida que aparece depois de muito tempo, de muitas dores, de fortes contrações.</p>
<p style="text-align: justify;">Após o medo inicial, ela implora ao responsável pela última ilusão: “<em>Mate-me! Mate-me! Não quero mais viver!</em>” Não quer mais viver daquele jeito. É necessário morrer para nascer de novo. “<em>Ammazzami! Ammazzami! Non voglio più vivere!</em>”</p>
<p style="text-align: justify;">A noite e o frio da alma morrem. Quase arrisco dizer que Cabíria morreu na última (e boa noite) de inverno, e renasceu Maria no primeiro dia da primavera. É assim comigo. Renasço a cada setembro.</p>

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		<title>Necrológio de agosto</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Aug 2011 18:12:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Livre pensar]]></category>

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		<description><![CDATA[Meus amores morrem em agosto. Mês de fortes ventos de contrariedade. Sopram, destroem, levam embora. E se algo restou de um agosto passado, o atual se encarrega de enterrar de novo, novamente e quantas vezes for preciso. Já existe caso &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2011/08/08/necrologio-de-agosto/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/08/coraped2.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1065" style="border: 0pt none; margin: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/08/coraped2.jpg" alt="" width="266" height="387" /></a>Meus amores morrem em agosto. Mês de fortes ventos de contrariedade. Sopram, destroem, levam embora. E se algo restou de um agosto passado, o atual se encarrega de enterrar de novo, novamente e quantas vezes for preciso.</p>
<p style="text-align: justify;">Já existe caso para pensar em comemorar aniversário de morte. Conferir a sepultura, jogar mais cal e terra, reforçar o cimento, rezar pela finada para que fique onde estiver, desde que bem longe. Alma penada, vade retro!</p>
<p style="text-align: justify;">Misturam-se canções de outros agostos, poemas de desgostos&#8230;   <em>Um grande amor não acaba assim. Acaba, sim!&#8230; O nosso amor a gente inventa&#8230; e quando acaba a gente pensa que ele nunca existiu&#8230; Não vou mais ficar aqui sem compreender&#8230; sei que tudo há de vir no seu devido tempo&#8230; Aceito as coisas como devem ser&#8230; matando o amor em mim&#8230; Os desiludidos seguem iludidos, sem coração, sem tripas, sem amor&#8230;. Porque todo coração é burro e o meu é mais.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Na máscara mortuária, de pedra como são todas, não há emoção. Nem mesmo um sorriso para comemorar a efeméride do desamor. Só distância e uma tranquilidade assustadora, dessas de cemitério pós Dia de Finados, quando todos já amenizaram suas culpas com flores. Desamar se aprende desamando. Em face dos últimos, penúltimos e antepenúltimos acontecimentos desses agostos, só resta perguntar e implorar: <em>Quem inventou o amor?</em> Desinventa, por favor!</p>
<p><BR></p>
<p style="text-align: left;"><strong>Textos relacionados</strong>:<br />
<a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/08/29/antes-que-a-gosto-se-va/">Antes que, a gosto, se vá</a><br />
<a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/08/31/antes-que-agosto-se-va/">Antes que agosto se vá</a><br />
<a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/12/21/minhas-exequias/">Minhas exéquias</a><br />
<a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/10/22/eu-que-nao-sei-desamar/">Eu, que não sei desamar</a><br />
<a href="Por fim">Por fim</a></p>

<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2011/08/08/necrologio-de-agosto/&amp;text=Necrológio de agosto&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
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		<item>
		<title>Mais forte que ela</title>
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		<pubDate>Sun, 24 Jul 2011 18:23:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Conversa com o leitor]]></category>
		<category><![CDATA[Livre pensar]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[Naquele julho de 1990, chorei durante horas. Deitado na cama, som nas alturas, cantava e chorava. Eu tinha 18 anos e a morte de Cazuza representava a morte da geração dos meus ídolos e de parte dos meus sonhos. Representava &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2011/07/24/mais-forte-que-ela/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/07/amyorlan.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-1055" style="border: 0pt none; margin: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/07/amyorlan.jpg" alt="Amy por Orlandeli" width="270" height="495" /></a>Naquele julho de 1990, chorei durante horas. Deitado na cama, som nas alturas, cantava e chorava. Eu tinha 18 anos e a morte de Cazuza representava a morte da geração dos meus ídolos e de parte dos meus sonhos. Representava também o medo de uma doença avassaladora, sobre a qual pouco se sabia. Seis anos depois, aos 24, a cena foi um pouco diferente. Eu já era pai, havia me separado e criava uma criança. Sem falar que, antes disso, havia perdido minha primeira esposa, grávida, aos 19 anos. Portanto, já não achava a mínima graça na morte. Meu foco já havia saído da minha vida – e de qualquer vazio que pudesse existir nela – para começar a se concentrar em sua continuidade, aquilo que ainda estaria aqui quando eu morresse: meus filhos, as ideias e o mundo que eu deixaria a eles. Em outubro de 1996, não chorei por Renato Russo. Eu me perguntei o que ele estava querendo dizer ao enterrar a geração dos meus ídolos. Por que eu idolatrava gente que se destruía?</p>
<p style="text-align: justify;">Dia 23 de julho de 2011. Amy morreu. Não chorei. Minha parcela de dor reservada à morte ainda estava sendo usada pelos 92 inocentes assassinados, horas entes, por um maluco na Noruega e não achei justo redirecioná-la a alguém que vinha tentando se matar há mais de cinco anos. Amy podia esperar. Ou ter escolhido um dia melhor para morrer.</p>
<p style="text-align: justify;">“<em>Insensível!</em>” Se você pensou isso após ler as últimas frases, este texto é principalmente para você, tão sensível à morte de uma celebridade autodestrutiva e, provavelmente, tão indiferente a todas as mortes e mazelas que acontecem a todo instante.</p>
<p style="text-align: justify;">Amy escolheu morrer. Demorou a conseguir isso, mas conseguiu. Parabéns. Antes de continuarmos, fique bem claro: sou fã de primeiríssima hora dela. Da voz dela. Desde quando ela era uma garotinha linda e cheia de curvas, antes mesmo de aparecer já esquisitona na capa de seu segundo disco. Sim, Amy “trouxe de volta a alma à música” e blá-blá-blá. Fez isso seis anos atrás e morreu logo em seguida. O que se viu nos últimos cinco anos foi um cadáver insepulto tentando lembrar as letras de suas próprias músicas e se manter em pé em um palco. Se você curtia essa aberração, se gostava do show de horrores que era a vida dela, entendo perfeitamente o motivo de ter chorado sua morte. Eu chorei quando a linda, talentosa e promissora menina Amy morreu cinco anos atrás, aos 22 anos.</p>
<p style="text-align: justify;">Amy deixou uma obra maravilhosa? Não. Ela começou a desenhar uma e desceu colina abaixo. Ela deixou um disco muito legal. Ela explodiu e pronto. Acabou. Uma obra maravilhosa, vai ser deixada por Nana Caymmi. E duvido que o mundo vá se descabelar quando ela morrer. Amy era uma grande artista? Não. Ela poderia ter sido. Um grande artista se cuida, cuida de sua saúde, de seu corpo (que é ferramenta de trabalho), quer sempre estar bem para seu público, para melhorar sua arte, para produzir sempre mais e melhor.  E qual o motivo de tanta comoção pela morte de Amy? É porque as pessoas gostariam de ser iguais a ela. Desejam ter talento, sucesso, dinheiro, reconhecimento e até a impossível juventude eterna. No entanto, não vejo uma só pessoa pagando o preço disso tudo. Vejo pessoas com vidas comuns e atitudes comuns, contentes com suas pequenas conquistas – um emprego (preferencialmente que dê pouco trabalho e pague bem), alguns cartões de crédito, roupas, um carro, uma aposentadoria –, sentadas na frente da TV ou do computador, vigiando e vivendo a vida de outras pessoas. Elegem um ídolo e esperam seu martírio, seu sacrifício. Ele morre e todos continuam suas vidas comuns. Elegem outro e repete-se o processo. Por ora, seus pecados estão perdoados. Amy morreu por vocês. E há quem se sinta no céu graças ao sacrifício dela.</p>
<p style="text-align: justify;">O ídolo Amy tinha pés e alma de barro. Frágeis, não demoraram a quebrar. Morta, milhares de pessoas em todo o mundo declararam amor por ela. Enquanto viva, não houve um só que realmente a amasse a ponto de ficar ao seu lado, tratá-la como ser humano, dar carinho, atenção e tirá-la do buraco em que se meteu.</p>
<p style="text-align: justify;">Conheci várias pessoas que morreram por overdose ou outra consequência do uso exagerado de drogas. Nenhuma que tenha feito ou deixado algo genial. Cada uma delas era, como qualquer viciado, alguém frágil demais para enfrentar o mundo &#8220;de cara&#8221;, de peito aberto. Preferia se mudar para um universo paralelo no qual podia acreditar ser um gênio, um super-homem, alguém especial. O único legado que deixaram foi o da hipocrisia. Quem fica – e age do mesmo jeito – diz que o outro &#8220;morreu do coração&#8221;, &#8220;de uma doença misteriosa&#8221;, &#8220;não se sabe de quê&#8221;. Onde fica a &#8220;atitude rock&#8217;n'roll nessa hora? Ponha na lápide: <em>Orgulhosamente morto por overdose. Consegui! Yeaaaah!</em> Mas se a vida foi uma mentira, por que não perpetuá-la na morte?</p>
<p style="text-align: justify;">O discurso de rebeldia, de contracultura, de viver a mil, parece muito bonito, muito sedutor. Principalmente quando não é você quem precisa morrer para dar autenticidade a ele. Assim, é mole ser doidão!</p>
<p style="text-align: justify;">Amy era igual a Janis? A Hendrix? A Morrison? Em quê? Na estupidez da juventude? No vazio existencial? No desequilíbrio emocional? E nós? Ainda somos tão iguais aos de 30, 40 anos atrás e não aprendemos nada? Muito doidão dos anos 60 percebeu a idiotice de se matar e, a cada uma dessas mortes, já avisava a todos que pegassem leve. Vivam, façam o que quiserem, sejam livres, mas não se matem. E estão aí, aos 70, 80 anos. Pergunte a qualquer um deles se preferiria ter morrido aos vinte.</p>
<p style="text-align: justify;">Dez anos a mil? Mil anos a dez? Parece mais sábio viver cem anos a cem. Sem acelerar muito, sem criar limo, dando tempo e trato às nossas potencialidades. Quem ama a vida é correspondido. É amado por ela. Um ano, uma década ou meio século a mais é sempre bem-vindo.</p>
<p style="text-align: justify;">Meus heróis não morreram de overdose. Meus heróis vivem tanto quanto possível e da melhor maneira, sem confundir intensidade com autodestruição.</p>
<p style="text-align: justify;">Por mim, Amy, você não precisaria ter ido. Poderia ter ficado muito mais tempo cantando, encantando ou simplesmente vivendo e sendo feliz.</p>
<p style="text-align: center;">* * * * * * *</p>
<p style="text-align: right;">Ilustração mui gentilmente cedida por <a href="http://blogdoorlandeli.zip.net/" target="_blank"><strong>Orlandeli</strong></a></p>

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		<title>Carta ao meu pequeno Hemingway</title>
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		<pubDate>Fri, 22 Jul 2011 12:45:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cartas]]></category>
		<category><![CDATA[Livre pensar]]></category>

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		<description><![CDATA[Meu pequeno Hemingway, É com as bênçãos do menino de Itabira que inicio esta carta de presente e principalmente de futuro, pois você viverá uma riqueza de anos e, talvez, ela guarde alguns bons conselhos a serem usados no tempo &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2011/07/22/carta-ao-meu-pequeno-hemingway/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/07/piescrev.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-1050" style="border: 0pt none; margin: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/07/piescrev.jpg" alt="" width="286" height="354" /></a>Meu pequeno Hemingway,</p>
<p style="text-align: justify;">É com as bênçãos do menino de Itabira que inicio esta carta de presente e principalmente de futuro, pois você viverá uma riqueza de anos e, talvez, ela guarde alguns bons conselhos a serem usados no tempo certo.</p>
<p style="text-align: justify;">Você foi o terceiro, mas também foi o primeiro. Ganhou um pai mais velho e mais experiente. Lembre de agradecer às suas irmãs por terem sido boas cobaias. Você pegou um <em>paí</em> – como chama a todo instante – mais paciente, compreensivo e sem exigências além de boa educação e bom caráter. Já não tenho aqueles pensamentos bobos de “<em>meu filho vai ser assim</em>”, “<em>meu filho vai ser isso</em>”. Poderia ser uma carga enorme para você, único homem e última esperança. Mas não será. Prometo e firmo compromisso público. Tendo bom coração e sendo honesto, tudo que você fizer será bem feito. E terá meu apoio.</p>
<p style="text-align: justify;">Com seu nome, você pode ser o que quiser: rei, papa, escritor e até poeta (basta usar o Castro Alves do final). Se escolher este último, por favor, exerça-o com rigor e não como os que vemos hoje por aí, a rimar, feijão com macarrão, sem métrica ou dor, fingindo talento. Inspire-se nos grandes, ouça seu coração e siga em frente.</p>
<p style="text-align: justify;">Esta semana, você, sempre cheio de energia e disposto a pular sobre todas as coisas, dispensou um raro dia de sol deste julho ao ser convidado a ir ao parque.  “<em>Vamos, mas vou levar um livro, uma revista e um caderno de anotações</em>”, respondeu, sem tirar os olhos da mesa repleta de papéis. Com o pai e a mãe que o destino lhe arranjou, isso não chega a ser uma surpresa. Sua sorte é que você vai poder ler e escrever à vontade sem que ninguém ao seu redor ache estranho. Acredite: eu era visto como “uma criança estranha” por conta disso. Você não imagina o que é ouvir algo como: “<em>Quer ser escritor? Que bonitinho! E profissionalmente?</em>” Este é um mundo estranho, cheio de pessoas estranhas. E este no qual você desembarcou é ainda mais que aquele que conheci em meus primeiros anos. Se a coisa continuar involuindo desse jeito, você vai viver entre símios que eventualmente usam roupas. Não se preocupe. Construiremos uma fortaleza com nossos livros. Lutaremos até o fim pelo direito de ser um humano que pensa.</p>
<p style="text-align: justify;">Vá anotando tudo em seus caderninhos. Todas as ideias. Elas fogem fácil. São ainda mais volúveis que as pessoas que escrevem. Se não cuidamos delas, logo se entregam a outro. O segredo para lidar com elas é o mesmo para lidar com pessoas: seja dedicado, atencioso, demonstre seu carinho, vez por outra faça vista grossa às imperfeições delas, não espere nada em troca e não desista se lhe trouxerem algumas decepções. Se você acredita nelas, fique firme. Em algum momento, o relacionamento renderá belos frutos.</p>
<p style="text-align: justify;">Sabe o que você estava anotando neste momento da foto? Que eu estava chato porque não queria largar sua mão enquanto andávamos na rua. O sentido desse registro mudará com o tempo. A chatice de hoje será vista como cuidado, proteção, e você fará o mesmo com seu filho. E vai achar graça, às escondidas, quando ele disser que você está chato.</p>
<p style="text-align: justify;">Anote também as respostas às perguntas que me faz. Hoje, funciona assim: você pergunta, eu respondo, você se admira. “<em>Como é que você sabe?!</em>”. Eu: “<em>Pai serve para isso.</em>” Você: “<em>Para saber tudo?</em>” Sorrio, dou uma piscada de olho e o deixo acreditar que sim. Desta forma, você vai ficando certo de que sou um porto seguro e de que existe algum lugar onde é possível encontrar todas as respostas. Um dia, vai descobrir que eu sabia muito pouco e que o tal lugar é dentro de você mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;">E sobre acreditar, saiba que tudo existe. “<em>Mas isso existe?</em>”, você pergunta. Tudo que quisermos que exista, existe. As pessoas vão tentar fazer com que você acredite no contrário. Não caia nessa. Os sem imaginação só conseguem acreditar que não se deve acreditar.  E por isso o mundo anda do jeito que está. Mas, acredite, tudo pode ser melhor. Muito melhor. Quem escreve cria mundos. Como você quer que seja o seu?</p>
<p style="text-align: justify;">Preciso terminar. Seu eu presente está passando um carrinho em minhas costas e me chamando para brincar. Você ainda é uma criança e sabe exercer muito bem os benefícios da infância.  Quanto ao futuro – sobre o qual você pergunta a toda hora –, não se preocupe. Deixe isso comigo. Viva sempre o presente. Ocupe-se dele e qualquer futuro que você imaginar, realmente existirá.</p>
<p style="text-align: justify;">Beijo. Eu te amo. Boa noite. Bons sonhos.</p>

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		<title>Minhas namoradas</title>
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		<pubDate>Sun, 12 Jun 2011 17:45:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Conversa com o leitor]]></category>
		<category><![CDATA[Livre pensar]]></category>

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		<description><![CDATA[“Ele é namorador”, “Você namorou uma amiga minha” e “Conheci uma ex-namorada sua”. As frases me pareceram estranhas. Fiz as contas. Cinco, no máximo, poderiam dizer que foram minhas namoradas.  Uma deixou a vida e entrou para a História. Duas &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2011/06/12/minhas-namoradas/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">“<em>Ele é namorador</em>”, “<em>Você namorou uma amiga minha</em>” e “<em>Conheci uma ex-namorada sua</em>”. As frases me pareceram estranhas. Fiz as contas. Cinco, no máximo, poderiam dizer que foram minhas namoradas.  Uma deixou a vida e entrou para a História. Duas foram esposas, não tenho como negar. Uma passou a maior parte do tempo entre quatro paredes. Uma poderia ter sido a prova de que sei amar, mas não passou do estágio probatório, aliás, não chegou a configurar vínculo namoratício.</p>
<p style="text-align: justify;">Amei apaixonadamente cada uma. Tivemos muito mais dias dos namorados do que tive, até agora, anos de vida. Todo dia é dia de amar e namorar. Desse dia inventado, que parece ser apenas para trocar presentes e fomentar a ilusão dos carentes, lembro de poucos. Também existiram, mas dois foram especiais. Dois dos meus amores nasceram no Dia dos Namorados.</p>
<p style="text-align: justify;">Um nasceu, literalmente, no dia 12 de junho e estaria completando 40 anos hoje. Foi meu primeiro Amor. Outro nasceu em um 12 de junho, quando tivemos nosso primeiro beijo. Deste, surgiu a Bem-aventurada, que, para meu desespero, logo começará a ter seus próprios Dias dos Namorados.</p>
<p style="text-align: justify;">Em número, foram poucas namoradas. E ninguém venha dizer que é mentira. Estou falando de namoro: beijos, abraços, vontade louca de rever, dias inteiros sem roupas, tudo mais sem importância. As duzentoutras não foram namoradas.</p>
<p style="text-align: justify;">Quantos dias dos namorados ainda tenho pela frente? Incontáveis! Afinal, “<a href="http://twitpic.com/5amvn0" target="_blank"><em>a ficar sem bem-querer, a ter murcho o coração, preferível será ficar sem a vida</em></a>”.</p>
<p style="text-align: justify;">Feliz todo dia repleto de amor aos eternamente enamorados.</p>
<p style="text-align: center;">* * * * *</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Texto relacionado:</strong> <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/10/22/eu-que-nao-sei-desamar/" target="_self">Eu, que não sei desamar</a></p>

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		<title>Por fim</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Apr 2011 09:25:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livre pensar]]></category>

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		<description><![CDATA[Então, é isso: na autópsia, descobre-se um grande coração cheio de nada e um estômago corroído pela cafeína.  Percebeu tarde quão desumano e bárbaro seria amar uma única pessoa. E ainda mais tarde que era tudo ilusão. Amava o amor. &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2011/04/14/por-fim/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/04/anjoaponta.jpg"><img class="size-full wp-image-948 aligncenter" style="border: 0pt none; margin-top: 0px; margin-bottom: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/04/anjoaponta.jpg" alt="" width="600" height="300" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Então, é isso: na autópsia, descobre-se um grande coração cheio de nada e um estômago corroído pela cafeína.  Percebeu tarde quão desumano e bárbaro seria amar uma única pessoa. E ainda mais tarde que era tudo ilusão. Amava o amor. Amava o desejo. Amava a história criada em torno disso. Planejou morte à toa. Viver sem amar já não é viver.</p>
<p style="text-align: justify;">Bobagem! O coração batia bem melhor sem a esperança de ser ou ter tudo que desejava. Dos vultos de mulheres que passaram por seus sonhos, dispensou até o adeus. Nem recordava se eram felizes ou bem torneados. Nada queria guardar. Nem lembranças. Passaram os amores, ficou o coração.</p>
<p style="text-align: justify;">Que restava senão buscar outro afeto? Enamorou-se por pontos finais. Pensou que seria o fim perfeito. Aceitou-os tal como eram e foi muito além. Partiu daquelas para uma muito melhor.</p>

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		<title>Das falsas virtudes ou “eu quero sexo”</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2011/03/06/das-falsas-virtudes-ou-eu-quero-sexo/</link>
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		<pubDate>Sun, 06 Mar 2011 18:25:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Conversa com o leitor]]></category>
		<category><![CDATA[Livre pensar]]></category>

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		<description><![CDATA[O mineirinho cantou a bola. Esse negócio de falar de intimidades é só para depois de morto. Deixou para publicar depois da vida o que de mais gostoso existe nela. Sua língua lambilonga, lambilenta, a percorrer licorina gruta cabeluda, atingindo &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2011/03/06/das-falsas-virtudes-ou-eu-quero-sexo/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2011/03/06/das-falsas-virtudes-ou-eu-quero-sexo/&amp;text=Das falsas virtudes ou “eu quero sexo”&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/03/majavestida.jpg"><img class="size-full wp-image-922 aligncenter" style="border: 0pt none; margin-top: 0px; margin-bottom: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/03/majavestida.jpg" alt="" width="600" height="302" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">O mineirinho cantou a bola. Esse negócio de falar de intimidades é só para depois de morto. Deixou para publicar depois da vida o que de mais gostoso existe nela. Sua língua lambilonga, lambilenta, a percorrer licorina gruta cabeluda, atingindo o céu do céu entre gemidos; a doce surpresa da graça não pedida, quando a amante fica de joelhos, em posição devota, para que o pênis recolha a piedade osculante de sua boca; ou ainda a explícita decisão de não querer ser o último a comê-la; tudo isso, ele deixou para ser dito depois que estivesse a salvo do conservadorismo hipócrita, protegido por sete palmos de terra e paredes de mármore.</p>
<p style="text-align: justify;">Adoramos corpos expostos, queremos possuí-los – no sentido de ter um e de ter os de outros ao dispor –, sonhamos com o(a) amante perfeito(a), nos enganamos acreditando que ninguém no mundo trepa melhor que nós, adoramos dar bandeira (real ou não) de que temos uma vida sexual maravilhosa, mas falar sobre sexo&#8230; NÃO! Falar, não pode.</p>
<p style="text-align: justify;">Fato: se você se incomoda com a exposição de determinado tema comportamental é provável que isto não seja algo muito bem resolvido na sua vida. Ou seja, se ouvir falar sobre sexo incomoda é porque você não come direito nem está sendo bem comido(a).  Não perca tempo se emputecendo com isso. Só estou avisando. Não é culpa minha se você é assim. Vá trepar (mesmo mal), que a raivinha passa.</p>
<p style="text-align: justify;">Erotismo não ganha resenha, não pode ser falado, tem que ser escondido e criticado. É coisa para gente bem resolvida, não para selvagens travestidos de civilizados. Às pessoas assim, adoro lembrar que estão aqui porque seus pais treparam. Sim, papai comeu mamãe, mamãe se abriu toda, suaram, gemeram, grunhiram e nove meses depois, também nu, nasceria um bebê fofinho que um dia se transformaria em um falso moralista, um hipócrita, uma pessoa com problemas sexuais e em aceitar a coisa mais antiga e gostosa do mundo. Se papai imaginasse que você seria assim, era bem capaz de ele ter gozado em outro lugar.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 1902, em Minas, um papai e uma mamãe fizeram tudo bem direitinho. Nasceu um menino que danaria a por em versos as perturbações de seu espírito, suas angústias e inadaptações ao mundo. Tudo escrito de uma forma genial, mas nada que entrasse para a história. Não que não merecesse, mas porque nasceu em um país de gente, em sua maioria, de educação falha, que não valoriza a própria cultura, que não lê, que mesmo antes dos editores eletrônicos já vivia a época do Ctrl+C/Ctrl+V, pensando com a cabeça do outros. E isso não é uma opinião minha. É um fato observado por ele mesmo: “Nenhum poema meu entrou para a História do Brasil. O que aconteceu foi o seguinte: ficaram como modismos e como frases feitas.” Foi Drummond quem falou. E também foi ele com sua língua <em>lambilonga, lambilenta</em> que, muito sabiamente, fugiu de expor suas doces sacanagens enquanto vivo. Nei Leandro de Castro, que a maioria deve ter ouvido falar por aquele filminho (<em>O homem que desafiou o diabo</em>) que destruiu seu ótimo livro (<em>As pelejas de Ojuara</em>), é uma dos grandes nomes da literatura erótica brasileira.  Ou, em outras palavras, não é ninguém, mas só por conta deste “brasileira” ao final da referência. Escreve que é um demônio de bom, mas onde estão seus livros eróticos? Quem já ouviu falar deles? Quem já leu algum? Quem já leu uma resenha sobre algum deles? <em>O Amor Natural</em>, livro póstumo de Drummond, foi muito falado. “<em>Porque era Drummond e porque já estava morto</em>”, me disse, há anos, Nei Leandro que ouviu do poeta mineiro que seus versos eróticos só seriam publicados quando ele já não estivesse vivo.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/03/majadesnuda.jpg"><img class="size-full wp-image-923 aligncenter" style="border: 0pt none; margin-top: 0px; margin-bottom: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/03/majadesnuda.jpg" alt="" width="600" height="305" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Percebo, nos cinemas, os risos nervosos e os ajeitamentos nas poltronas durante uma cena de sexo. Vejo os olhares que fogem dos quadros de nus nos museus. No país da bunda de fora, dos implantes monstruosos para seios e bundas, onde é comum a própria xavasca querer ficar pelada e sem sua vestimenta natural, é proibido mostrar sexo na pintura, na literatura, na poesia, no cinema. As “vergonhas” precisam ser cobertas.</p>
<p style="text-align: justify;">Em uma sociedade tão permissiva, vigilância por comportamento socialmente aceitável é, quase sempre, manifestação de fingidas virtudes. Já vergonha de hipocrisia, parece que ninguém tem.</p>
<p style="text-align: justify;">Este texto nasceu da publicação do anterior, escrito há quase dez anos. Em pleno carnaval – época de muita sacanagem explícita –, resolvi postá-lo. Não tem absolutamente nada de chocante ou anormal. Pelo menos não para quem já fez bom sexo alguma vez na vida. E se você nunca teve uma paixão daquelas de deixar a pessoa, literalmente, de cama, de não pensar em outra coisa, de não se importar se os vizinhos vão ouvir os gritos, de deixar seus brinquedos em carne viva, só posso lamentar. Lamento profundamente por você não ter seguido as ordens da natureza, de não ter vivido sem constrangimentos o amor natural, aquele mesmo do qual Drummond fala em sua poesia.</p>
<p style="text-align: justify;">E o que importa se era ficção ou não? Fala de algo extremamente comum – e delicioso! – que qualquer um deveria ter vivido. Não deveria ser ficção na vida de ninguém! Mas chegou a provocar revoltas ocultas e aconselhamentos a terceiros, a quem resolveu recomendá-lo ou comentá-lo. Se eu fosse do tipo egocêntrico, teria gostado da importância que me deram. Teria me sentido um Goya sendo obrigado a vestir sua <em>maja</em>. Mas, numa situação dessas, o Goya aqui chamaria sua <em>maja</em> para trepar em praça pública.  Afinal, como diria a música falando de sexo e censores, quem essas bestas pensam que são para decidir?</p>
<p style="text-align: center;">* * * * * * *</p>
<p style="text-align: justify;">Emocionalmente equilibrados e sexualmente felizes, sintam-se à vontade para comentar.</p>

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		<title>2010 pedaços</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/12/28/2010-pedacos/</link>
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		<pubDate>Tue, 28 Dec 2010 23:02:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livre pensar]]></category>

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		<description><![CDATA[Foi em outra vida. Faz tanto tempo que não pode ter sido nesta. Foi em uma tarde de domingo e tudo começou ali onde a cidade também começou. Um banco de praça, pouca gente na rua, a porta da igreja &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/12/28/2010-pedacos/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/12/anjo_asas.jpg"><img class="size-full wp-image-833 aligncenter" style="border: 0pt none; margin-top: 0px; margin-bottom: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/12/anjo_asas.jpg" alt="" width="600" height="274" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Foi em outra vida. Faz tanto tempo que não pode ter sido nesta. Foi em uma tarde de domingo e tudo começou ali onde a cidade também começou. Um banco de praça, pouca gente na rua, a porta da igreja aberta, o sino convidando.  Um jeito meio sem jeito de saber como se aproximar.</p>
<p style="text-align: justify;">Foi em outra vida. Foi tão lindo que não pode ter sido nesta. O sol indo embora por trás da santa, se apagando no rio. Silêncios, pensamentos, frases rápidas, medos aos montes. “A gente se vê amanhã?”</p>
<p style="text-align: justify;">Foi em outra vida. Foi tão puro que não pode ter sido nesta. O primeiro cheiro, o primeiro beijo, o primeiro toque. Tudo exatamente como eu lembrava. Lembrava sem nunca ter sentido, sem nunca ter visto, sem jamais ter tocado. Era o mesmo perfume, o mesmo gosto, a mesma pele macia, branca, toda pintadinha.</p>
<p style="text-align: justify;">Foi em outro mundo. Anjos só existem em outro mundo. Abriu suas asas, pela primeira vez, deitada em uma rede. Eu poderia morar entre elas, protegido e feliz, por toda a eternidade e até um pouco mais. Deveria ser pecado, entre anjos, “provocar desejo e depois renunciar”.</p>
<p style="text-align: justify;">Foi&#8230; Não sei como foi. Não sei aonde foi. Nem quando, nem o porquê. Só sei quem foi.</p>
<p style="text-align: justify;">Anjos deixam marcas profundas nas almas dos homens. Não podemos com eles. Nem podemos ser felizes para sempre.</p>

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		<title>Ainda sobre os fanfarrões do submundo das letras</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Nov 2010 12:30:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livre pensar]]></category>

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		<description><![CDATA[Deixei que outros se manifestassem para continuar. Entendam: minha bronca não é com o miserável faminto que ajambra palavras no intuito de aliviar suas necessidades nas carnes de alguém com pouco espírito crítico. Desprezo o primeiro e lamento pelo segundo &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/11/16/ainda-sobre-os-fanfarroes-do-submundo-das-letras/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/macarra1q.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-759" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/macarra1q.jpg" alt="" width="600" height="297" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Deixei que outros se manifestassem para continuar. Entendam: minha bronca não é com o miserável faminto que ajambra palavras no intuito de aliviar suas necessidades nas carnes de alguém com pouco espírito crítico. Desprezo o primeiro e lamento pelo segundo tipo. O que me incomoda é o aspecto de fraude que envolve todo o processo.</p>
<p style="text-align: justify;">Entre a publicação do <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/11/10/escrever-bem-para-comer-alguem-e-elogiar-para-comer-tambem/" target="_self">texto anterior</a> e este, além dos comentários deixados aqui, recebi outras impressões por correio eletrônico, conversas e outros meios. Infelizmente – e como era esperado –, nenhum conhecido meu, da minha geração, se manifestou para dizer algo como “<em>é verdade, sempre fiz isso</em>”. Ninguém se entregaria assim facilmente. Também não houve qualquer contestação. Eles preferem me odiar em silêncio. E eu me divirto com isso. Parece que estou revelando algum grande segredo, mas só estou expondo uma canalhice travestida de atividade intelectual. Sim, sou aquele escroto que não se rende às panelas e ainda adora jogar pedras nelas para ter certeza de que são ocas. Sempre são.</p>
<p style="text-align: justify;">Peguei o tempo pré-Internet quando publicávamos algo e nem sabíamos se realmente havia alguém lendo aquilo. Alguém de verdade. Os “iguais” se manifestavam. Elogiavam para serem elogiados na rodada seguinte. Era uma época de muito menos espaço para se mostrar. Veio então a web, que logo passou a conceder diploma de pensador a qualquer tatibitate com um teclado por perto.</p>
<p style="text-align: justify;">Todos passaram a ter opinião. E, claro, todos têm direito a isso, mas não precisamos poluir ainda mais o mundo expressando tanta opinião. Ainda mais quando isso é feito sobre qualquer coisa, sem qualquer conhecimento ou fundamentação, só para posar de inteligente entre colegas e, quiçá, para umas ovelhas que possam ser atraídas pelos berros do candidato a pastor.</p>
<p style="text-align: justify;">Aos mais novos, aconselho que aprendam a pensar antes de tentarem se expressar. E se a maneira escolhida for a escrita, faça isso para saciar as vontades de seu espírito, nunca de seu corpo. Escrever é como amar: escreve-se sem esperar nada em troca.</p>
<p style="text-align: justify;">Nunca fui chegado a elogios. Ter sido filho único por bastante tempo e “criança-prodígio” acabou por me fazer encher, logo cedo, dos discursos de louvor. Vi que a desgraça era ainda maior ao me descobrir iconoclasta no meio de uma sociedade de ególatras e bajuladores.  Creio que uma pessoa verdadeiramente talentosa seja indiferente a elogios. Quando muito, os aceitará por educação. Aos que se alegram com elogios ou se incomodam com críticas, é sempre bom lembrar que o carinho ou o insulto virá de acordo com a necessidade de quem o faz. Aquilo que for mais oportuno para destacar e fazer brilhar o julgamento da pessoa é o que será feito.</p>
<p style="text-align: justify;">Escrever é um destino. Encaro como ofício, não como arma para caçar benefício. Minha segurança em relação a essa escolha (da escrita por mim e não o contrário) quase sempre foi vista como arrogância, como prepotência. Acreditem: apenas aceitei essa maldição. Se soubesse fazer qualquer outra coisa, mesmo que tão mal quanto escrevo, estaria fazendo.  Mas o que faço é por sina. E faço com respeito.</p>
<p style="text-align: justify;">Quem aceita o escrever como destino não espera compreensão, reconhece que críticas e elogios fazem parte da natureza humana e não se abala com qualquer um dos dois. Quanto ao tipo que faz da escrita um caminho para alimentar seu ego ou obter alguma vantagem, faço como Jorge Amado em relação ao Dr. Macarra: também “respeito muito o que ele escreve”.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/macarra2q.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-760" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/macarra2q.jpg" alt="" width="600" height="615" /></a></p>

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		<title>Escrever bem para comer alguém (e elogiar para comer também)</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/11/10/escrever-bem-para-comer-alguem-e-elogiar-para-comer-tambem/</link>
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		<pubDate>Wed, 10 Nov 2010 23:40:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Conversa com o leitor]]></category>
		<category><![CDATA[Livre pensar]]></category>

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		<description><![CDATA[É típico dos tímidos: fazer poesia ou usar um instrumento musical para demonstrar seus sentimentos. É típico dos jornalistas: não ter qualquer dom artístico e resolver escrever para demonstrar sua capacidade intelectual “superior”. É típico dos jornalistas tímidos: renegar a &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/11/10/escrever-bem-para-comer-alguem-e-elogiar-para-comer-tambem/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">É típico dos tímidos: fazer poesia ou usar um instrumento musical para demonstrar seus sentimentos. É típico dos jornalistas: não ter qualquer dom artístico e resolver escrever para demonstrar sua capacidade intelectual “superior”. É típico dos jornalistas tímidos: renegar a reportagem e aventurar-se pela crônica ou pelo “jornalismo literário”. Jamais tímido e há muito ex-jornalista, sinto-me à vontade para denunciar a fraude.  Muitas vezes, a pretensão de escrever bem é motivada somente pelo desejo de comer alguém.</p>
<p style="text-align: justify;">Não estou em um momento Soninha Francine. Não vi os podres da curriola só depois de me afastar dela.  Sempre vi, nunca fiz, mas até hoje me choco com a prática. Apenas resolvi escrever a respeito. Talvez até escrever bem (vai que funciona!).</p>
<p style="text-align: justify;">Entendo e mesmo acredito que o processo não comece com essa intenção. Mas quando o primeiro peixe aparece, o pretenso escritor entende que precisa cuidar de sua rede. Linha forte, trançado cuidadoso, melhor jeito de jogá-la ao mar e paciência para esperar e puxar no momento certo. Nessa puxada, geralmente vem o convite para “um café”. Talvez ele leve um Moleskine junto e uma canetinha mais descolada (Bic, jamais!). Vai fazer doce, olhar tímido fugindo para a mesa, depois outro buscando mais um elogio. “<em>Mas como você escreve bem!</em>” Pronto! Pegou. É para agora ou quer que embrulhe?</p>
<p style="text-align: justify;">Escritor escreve porque não sabe fazer outra coisa. Bem ou mal. Dádiva ou maldição. Tem necessidade de expor as vísceras, de exorcizar demônios.  Quem se vende pelo que escreve deve ser visto e tratado da forma adequada, como mercadoria. Quem escreve para colher elogios e pescar gente desavisada deve ser visto como um produto em uma vitrine: bonitinho, bem arrumado, boas características exaltadas, más escondidas. Compre, se quiser. Não reclame depois. Pode ser, inclusive, produto perecível e com data de validade perto de vencer. Não é livro raro para ficar em lugar de destaque na sua estante. É jornal. Você pode até querer guardar, mas vai acabar achando que faz muito volume, junta traça e que o melhor a fazer com ele é forrar aquela parte da área de serviço que seu cachorro costuma usar quando você não o leva para passear.</p>
<p style="text-align: justify;">O que era válvula de escape para a timidez se transforma em subliteratura <em>fast food</em>, artifício para conseguir um lanche rápido e barato.  McDonald’s tem em toda esquina; Fasano é outro nível. Onde você prefere comer? E se você responder “<em>McDonald’s</em>”, pergunto: até quando? Verdade seja dita: cada um tem o tipo de cliente que merece.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu, que já começo a falar em décadas (ainda que só duas) de experiência numa e noutra área, me aventuro a falar sobre os caminhos cruzados de ambas. Tive muita sorte, mas garanto: dificilmente a inteligente e a gostosa habitam o mesmo corpo. Inteligente, gostosa e que ainda trepe bem&#8230;  Olha, já tirei mais de uma vez nessa loteria, mas é coisa rara! Muito rara! Você, homem, escrevedor ou não, sabe disso. Você, mulher, vítima mais comum daquele tipo “<em>que escreve tão bem</em>”, deixe-me tentar explicar assim: com quantos “Gianecchini machos” você já esbarrou por aí? E você ainda quer um Gianecchini, macho, bom de cama e que escreva como Dostoiévski?!  Onde você pensa que vai achar isso? No jornal da sua cidade? Nos classificados? Em um blog que sua amiga retuitou porque gostou do título sacana que o despudorado deu ao texto? Ah, vá!</p>
<p style="text-align: justify;">Escrever como ponte para a cama é típico de quem não se garante nem em uma área nem em outra. De minha parte, caras leitoras, alimentem seus cérebros com as linhas bem ou mal escritas por mim. Se a fome é outra, leiam meus olhos e minha boca que, dizem, impedida de falar, costuma ser muito agradável. <em>Sexo verbal não faz meu estilo.</em> Aliás, nessa matéria, dispenso até o escrito. Prefiro oral mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;">E se há quem pretenda escrever bem para comer alguém, há quem elogie para comer também. O vaidoso só existe por haver quem alimente sua vaidade. No fim das contas, um se fantasia de deus, encontra quem se ajoelhe e todos são infelizes para sempre. Amém.</p>
<p style="text-align: justify;">Em geral, a pessoa busca aprovação através da opinião dos outros ou, pelo menos, reforçar a opinião que tem de si. Logo vai passar a confiar mais na opinião alheia e, cada vez mais, induzir o outro a avaliá-lo sempre da mesma forma ou ainda melhor, como algo superior.  É pura ficção. Escreve-se há séculos, trepa-se desde que o mundo é mundo e ainda não aprendemos a separar uma coisa da outra! Não sabemos separar fantasia de realidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Se você quer saber se alguém é bom de cama, não adianta ler e acreditar na bula que a pessoa apresentou. Você vai ter que tomar o remédio. Por sua conta e risco. Deixe a fé de lado e parta para tomar ciência da coisa. Os animais são felizes, amam-se livre e despudoradamente e são todos analfabetos. Literatura (boa ou má) é uma coisa; mundo real é outra.</p>
<p style="text-align: justify;">A propósito, acabou o texto. Vá praticar um pouco. Desligue o cérebro e divirta-se.</p>

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		<title>Da urgência dos que conhecem a morte</title>
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		<pubDate>Thu, 28 Oct 2010 03:15:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte tumular]]></category>
		<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Livre pensar]]></category>

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		<description><![CDATA[Não há regras para lições. Para cada aprendiz, um método, uma forma, um momento. Já vi a morte, em seu papel de mestra, tentando ensinar muita gente. Doenças pesadas, acidentes sérios, meses ou anos numa cama, partes do corpo retiradas. &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/10/28/da-urgencia-dos-que-conhecem-a-morte/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/ultimoadeus.jpg"><img class="size-full wp-image-683 aligncenter" style="border: 0pt none; margin-top: 0px; margin-bottom: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/ultimoadeus.jpg" alt="" width="600" height="300" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Não há regras para lições. Para cada aprendiz, um método, uma forma, um momento. Já vi a morte, em seu papel de mestra, tentando ensinar muita gente. Doenças pesadas, acidentes sérios, meses ou anos numa cama, partes do corpo retiradas. Mas não era a hora de ir. Apenas uma oportunidade de aprender.</p>
<p style="text-align: justify;">Em muitas das vezes que a observei visitando outros, o efeito foi o seguinte: escapando, a pessoa via que poderia morrer a qualquer momento, passava a viver com uma pressa que não tinha antes e sem se importar com nada. Ataque cardíaco? Fumava ainda mais. Cirrose? Dá-lhe álcool. Overdose? Mais pó. Câncer? Mais comida, mais bebida, sexo desesperado com qualquer um&#8230; Afinal, a vida é curta, a morte já bateu à porta, sabe-se lá quando virá de novo.</p>
<p style="text-align: justify;">Agem assim como se isso representasse amor à vida. Não entenderam que suas ações anteriores os aproximaram da morte e que as novas só demonstram paixão ainda maior por ela. Como todo mestre, a morte tem paciência com seus alunos com menos capacidade de cognição. Faz outra visita, senta-se mais tempo ao lado da cama, olha fixamente perguntando: “<em>Entendeu agora?</em>” Alguns entendem; outros nunca aprenderão.</p>
<p style="text-align: justify;">Para mim, a visita e a lição vieram de outra forma. A morte me tirou quem eu amava. E fez isso quando este Amor estava gerando outra vida. A morte não teve a mínima piedade, não deu chance, mostrou todo seu poder de uma só vez. E nem perguntou se eu havia entendido.</p>
<p style="text-align: justify;">Isso foi há quase vinte anos. Comecei a repetir que deveria viver todos os dias como se fosse o último. E caí no mesmo erro que apontei antes, buscando os prazeres que só se pode conhecer nesta vida. Agindo assim, logo chegaria mesmo àquele que seria meu último dia. Ou talvez a mestra fizesse outra visita, repetisse a lição. Da mesma maneira. Foi quando reconheci a vida como aliada. Mas só poderia tê-la a meu lado se produzisse e desse a ela o que a morte me tirou: Amor.</p>
<p style="text-align: justify;">Amar foi minha arma contra a morte. Foi meu troco. A cada Amor, me sinto mais vivo. Não há mentira, não há superficialidade, não há mistificação. Sempre me jogo de cabeça nesse abismo e a vida sempre está lá embaixo para me segurar no colo. Foi dela que virei amante. A vida não me trai nunca.</p>
<p style="text-align: justify;">Há Amor nas palavras, nos atos, nos sonhos. Há Amor de sobra, sem medida, sem fim, para viver muitas vidas em uma. Morre só a ilusão. Eu, nunca. E nunca os amores em mim.</p>
<p style="text-align: justify;">O Amor vence a morte a todo instante. “<em>Por mais que o matem (e matam)</em>”, ele ressurge mais forte, sempre lembrando que é preciso amar como se não houvesse amanhã. Todos sabemos que não há. Não se pode perder tempo. É sempre para agora e com toda força. Era esta a lição da morte: Amar intensamente nesta Vida.</p>

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		<title>Eu, que não sei desamar</title>
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		<pubDate>Fri, 22 Oct 2010 19:40:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Pois nací nunca vi Amor, e ouço del sempre falar. Pero sei que me quer matar, mais rogarei a mia senhor &#160;&#160;&#160;&#160;&#160;que me mostr&#8217;aquel matador, &#160;&#160;&#160;&#160;&#160;ou que m&#8217;ampare del melhor. (Nuno Fernández Torneol) É. Não veio na minha configuração original &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/10/22/eu-que-nao-sei-desamar/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify; padding-left: 380px;"><em>Pois nací nunca vi Amor,<br />
e ouço del sempre falar.<br />
Pero sei que me quer matar,<br />
mais rogarei a mia senhor<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;que me mostr&#8217;aquel matador,<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;ou que m&#8217;ampare del melhor.</em><br />
(Nuno Fernández Torneol)</p>
<p style="text-align: justify;">É. Não veio na minha configuração original nem em qualquer das atualizações. Definitivamente, não sei desamar. Uma vez instalado o Amor, não há o que o faça sair.</p>
<p style="text-align: justify;">Também me falta – e agradeço por isso – aquela capacidade de inventar uma desculpa ou me apegar a pequenas coisas para conseguir isso. Se amei, é porque vi as coisas lindas de alguém. Vi também os defeitos, que não me interessam. E não vou alimentar a crença nestes últimos. Prefiro sempre alimentar o Amor.</p>
<p style="text-align: justify;">E amar sem ser amado não causa dor? Acredito que não exista maior presunção que esta: querer ser amado. Quem pensa assim, talvez não tenha entendido, ou melhor, sentido o Amor verdadeiro. Diz Rochefoucauld: <em>Si on croit aimer sa maîtresse pour l’amour d’elle, on est bien trompe</em> (Se cremos amar nossa amante por amor a ela, estamos bem iludidos). Talvez esteja aí o “amor comum”, aquele em que se ama para se sentir amado. Mas Amor de verdade só serve para amar. Não espera nada em troca.</p>
<p style="text-align: justify;">A dor da não correspondência só existe quando se segue a máxima de Rochefoucauld. O Amor verdadeiro, ao não ser correspondido, toma outro rumo, se transforma. É como na Química: o corpo em estado físico passo direto para o gasoso, um estado etéreo, um nível com o qual não estamos acostumados a lidar, que não é visto e, na maior parte das vezes, não é compreendido. Sublimação. Ainda é Amor. É igual, mas é diferente.</p>
<p style="text-align: justify;">“<em>Amor, meu grande Amor, só dure o tempo que mereça</em>”. Mas se é e verdadeiro, acredito que mereça viver para sempre.  Não consigo ser econômico no Amor. Amar verdadeiramente, só sem medida, sem prazo de validade. “<em>Estamos medindo forças desiguais/ qualquer um pode ver:/ só terminou pra você.</em>”</p>
<p style="text-align: justify;">Percebi que meu coração é um forrobodó, uma festa de dança rasgada, que, hoje, começa a ter cuidado ao deixar alguém entrar. “<em>Mas quem tá dentro, não sai</em>”.</p>
<p style="text-align: justify;">Com a licença de meus queridos poetas, finalizo dizendo que meu coração suporta todos os meus amores e eles não pesam mais que um beijo apaixonado. E ao Amor que pretenda chegar, não precisa vir se não for para ficar para sempre.</p>

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		<title>Sou alcoólatra, anarquista e estuprador</title>
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		<pubDate>Fri, 22 Oct 2010 02:42:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livre pensar]]></category>

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		<description><![CDATA[Pode acreditar: tenho os piores atributos que alguém puder imaginar. Não que qualquer um deles corresponda à realidade, mas se querem pensar assim, o que posso fazer? Foi ali pelos meus 18 anos, numa noite em Brasília, quando uma inteligente &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/10/21/sou-alcoolatra-anarquista-e-estuprador/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Pode acreditar: tenho os piores atributos que alguém puder imaginar. Não que qualquer um deles corresponda à realidade, mas se querem pensar assim, o que posso fazer? Foi ali pelos meus 18 anos, numa noite em Brasília, quando uma inteligente mulher em seus 40 e poucos anos me alertou para nossa natureza míope: “<em>Sou apenas uma, mas há quem me ame e há quem não me suporte.</em>”</p>
<p style="text-align: justify;">Muitos fatores contribuem para essa diferença entre a visão de uma e outra pessoa. De início, aprendi o mais comum: as pessoas veem o mundo como um espelho.  O ladrão acha que todos roubam e não se deve confiar em ninguém; o mentiroso é incapaz de acreditar em quem quer que seja; o honesto acha que o mundo todo é assim; os que amam acham que todos são românticos.  Para reconhecerem a si mesmas, as pessoas precisam se ver nas outras.  Para o bem ou para o mal, não reconhecer determinada qualidade em alguém é um grande sinal de que você, talvez, não a possua.</p>
<p style="text-align: justify;">Apegar-se a esta ou àquela característica, deixando de ver outras e o todo, e ainda considerá-la imutável é um grande erro que contribui para a tal miopia. A pessoa pode ser maravilhosa, mas alguma coisa “não bateu” e você “cismou”. Pronto. Mesmo que tenha sido uma falsa impressão, se você acreditar nela é possível que a considere como uma verdade absoluta, predominante e que jamais será modificada. Vira uma convicção. Nunca mais se estará aberto para enxergar algo diferente.</p>
<p style="text-align: justify;">Por acreditar em minha evolução (assumidamente lenta), também acredito na dos outros. Quando reencontro alguém, principalmente quem não conheço bem e depois de um longo período, encaro a pessoa quase como uma completa estranha. Sei o nome, tenho algumas lembranças a seu respeito, mas acredito que ela possa ter mudado em quase tudo. De preferência, para melhor. Até por também ser humano, cometo o mesmo erro e acredito que ela também vá pensar assim. E só percebo que fiz essa bobagem quando me deparo com o terceiro – e mais desprezível – fator comum a essas situações de não enxergar o outro como ele é: a presunção.</p>
<p style="text-align: justify;">Os dois primeiros, perdoo fácil, mas com a presunção é mais complicado. Ela já denota certa estreiteza, uma mentalidade apoucada com a qual é difícil lidar. Você percebe os limites da visão do outro e sabe que logo ele vai tentar lhe atropelar.  Por maior que seja a boa vontade, vê-se que, dificilmente, se conseguirá ir a algum lugar.</p>
<p style="text-align: justify;">Confesso minha dificuldade em ter com esses tipos. Dificuldade que diminuiu consideravelmente quando passei a entender como a presunção se alimenta. Os presunçosos só andam com seus iguais, que nada valem, nada são, mas adoram parecer que são muita coisa. Quando encontram alguém diferente, têm a necessidade de pavonear-se: incham o peito, abrem as asas, arregalam os olhos e fazem barulho. Tudo para que não percebam seus pés horrorosos e sua completa inutilidade. A solução é ensinada pela Física: sem contato, sem atrito.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas o isolamento total quase nunca é possível. E nem desejável, pois não teríamos como aprender a sustentar o combate e valorizar nossa própria moral. Para os presunçosos, o remédio da sabedoria popular para todo e qualquer mal: cante e espante. <em>Deixe que digam, que pensem, que falem, deixa isso prá lá, vem pra cá&#8230;</em></p>
<p style="text-align: justify;">Tenha compaixão por eles. Entenda suas limitações e não se importe com as fantasias que criam. É desnecessário fazer parte delas. Eleve-se moral e intelectualmente. Ande com pessoas de méritos. Desaprenda a presunção e, ao se deparar com ela, não se incomode.</p>
<p style="text-align: center;">* * * * * * * *</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Textos relacionados</strong><br />
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