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	<title>Sempre Algo a Dizer &#187; Literatura</title>
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		<title>Livrai-vos!</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Aug 2010 18:57:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[Humor]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>

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		<description><![CDATA[Ainda há quem acredite em livros. De todas as maneiras: de papel, cheio de letras, cheio de fotos, que saem do papel e vão para a tela do computador, que saem do Twitter e vão para o papel&#8230; Escolha o &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/08/20/livrai-vos/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/08/4livros_kombi.jpg"><img class="size-full wp-image-604 aligncenter" style="border: 0pt none; margin-top: 0px; margin-bottom: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/08/4livros_kombi.jpg" alt="" width="600" height="214" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Ainda há quem acredite em livros. De todas as maneiras: de papel, cheio de letras, cheio de fotos, que saem do papel e vão para a tela do computador, que saem do Twitter e vão para o papel&#8230; Escolha o seu e seja feliz.</p>
<p style="text-align: justify;">Saindo do forno, o primeiro livro do <strong><a href="http://twitter.com/Na_Kombi" target="_blank">@Na_Kombi</a></strong>, perfil de humor coletivo no Twitter do qual participo, eventualmente, a convite de <a href="http://twitter.com/ulissesmattos" target="_blank">@UlissesMattos</a> e <a href="http://twitter.com/silviolach" target="_blank">@SilvioLach</a>. Lançado na Cultura da Paulista na quinta, 19, reúne mais de 500 frases divididas em 27 temas e escritas por 44 engraçadinhos, que vai de Hélio de la Peña a este demente que vos bloga. <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=22167516&amp;sid=91920516112819485092684839&amp;k5=36915E16&amp;uid=938486290984138" target="_blank">Já pode ser comprado por apenas R$ 12,90 no site da Livraria Cultura</a>. Também pode ser encontrado na Bienal de São Paulo e, no fim de agosto, deve rolar lançamento no Rio (não vai molhar, gaiato). <a href="http://www.mcorporation.com.br/na_kombi/" target="_blank">Aqui</a>, mais sobre o livro.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesta sexta, 20, o parceiro <a href="http://twitter.com/canindesoares" target="_blank">Canindé Soares</a> lançou <em><strong>Vem Viver Natal</strong></em>, com 92 fotos da cidade que acaba de lhe dar o título de cidadão. <a href="http://canindesoares.blog.digi.com.br/blog/2010/08/19/15512/" target="_blank">Mais em seu blog</a>.</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>A Botija</strong></em>, de <a href="http://twitter.com/clotildetavares" target="_blank">Clotilde Tavares</a>, foi selecionado pelo Programa Nacional Biblioteca da Escola do MEC e em 2011 terá distribuição para as escolas de todo o país. <a href="http://www.tribunadonorte.com.br/noticia/a-viagem-da-botija/157416" target="_blank">Matéria</a> na <em>Tribuna do Norte</em>, <a href="http://umaseoutras.com.br/a-botija" target="_blank">mais sobre o livro</a> no blog da autora e, <a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/1434962/botija,+a" target="_blank">aqui</a>, para comprá-lo.</p>
<p style="text-align: justify;">Também na Bienal do Livro de São Paulo, Ricardo Kelmer está lançando <em><strong>Vocês, Terráqueas</strong></em>. Enlouquecido, ele liberou todos os seus livros para leitura em <a href="http://blogdokelmer.wordpress.com" target="_blank">seu blog</a>. Leitor vip pode baixar em PDF. Põe na tela, mas compra também. Ou você está pensando que todo escritor ganha como o Paulo Coelho?! Ajudaê, pô!</p>

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		<title>Filmes, livros e cervejas</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Sep 2009 11:10:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>

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		<description><![CDATA[Na última terça, fiz o extremo esforço de arrastar-me ao inferno (comumente chamado de shopping) para fazer minha doação semestral ao Cinemark. A cada seis meses, dou um voto de confiança ao ser humano e me permito conferir como anda &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/09/10/filmes-livros-e-cervejas/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Na última terça, fiz o extremo esforço de arrastar-me ao inferno (comumente chamado de <em>shopping</em>) para fazer minha doação semestral ao Cinemark. A cada seis meses, dou um voto de confiança ao ser humano e me permito conferir como anda sua educação. E ele sempre se supera. Para pior.</p>
<p align="justify">Para eu ir a um cinema de <em>shopping</em>, preciso seguir alguns pontos prévios: NUNCA em fim de semana ou feriado, NUNCA em dia nem em semana de estreia, NUNCA para ver aquele filme que todo mundo quer ver, preferencialmente na primeira sessão do dia, preferencialmente na segunda-feira, etc. São regras para encontrar o mínimo possível de espécimes dos hominídeos que frequentam as salas de cinemas.</p>
<p align="justify">Lá vou eu conferir <strong><em>La belle personne</em></strong>, que aqui virou <em>A bela Junie</em>. Supero o fato de o cinema ser em um <em>shopping</em> e chego à bilheteria vazia a uma da tarde. A respiração começa a se alterar quando digo o nome do filme e a garota da bilheteria confirma com um <em>June</em> americanizado. Pode parecer bobagem, mas isso é um sinal, como muitos outros que podemos constatar durante o dia, de que o brasileiro não conhece seu idioma, mas se sente familiarizado com aquele falado no Império. Se não é para falar corretamente, em um terceiro idioma, por que não um <em>June </em>aportuguesado em vez de <em>Djuni</em>? Mais. Onde foram parar aquelas pessoas que trabalhavam em salas de cinema e aproveitavam qualquer 10 minutos para ver, da porta, um pedaço do filme? Aquelas pessoas que decoravam falas, que se encantavam com a possibilidade de verem várias vezes a mesma fita, que aprendiam montes de coisas a respeito de diferentes culturas e com isso compensavam a deficiência do estudo comum? Hoje são apenas tipos com um emprego e que nem conseguem reproduzir corretamente o nome daquilo que vendem. Lembro de uma historieta ocorrida no início dos anos 90, em Natal, quando virou piada ligar para um número que informava a programação de cinema para ouvir uma mulher dizendo: “No Rio Verde (o cinema),‘<em>Dé Dóris</em>’”. Jim Morrison devia se revirar no túmulo!</p>
<p align="justify">Enfim&#8230; a menos de dez minutos de começar a sessão, as lonas na entrada do cinema ainda estavam baixadas. Respiro fundo. Faltando cinco minutos, são finalmente abertas. Sou o primeiro a entrar. Vou para a última fila, bem ao centro. Na rádio, rolando Noel Rosa (pasmem!). Alegra-me a possibilidade de ser o único espectador, mas logo outras pessoas aparecem. Uma senhorinha de cabelos brancos. Claro! Um filme francês. Gente fina. Escolhe seu lugar e&#8230; coloca os pés apoiado na cadeira da frente! Ei, minha senhora, deixe isso para os adolescentes estúpidos! Tenha um pingo de educação. Ao menos finja que tem. Além de mim, 19 espectadores. Mais uns dois que acreditam estar em casa e usam as poltronas como espreguiçadeiras. Tudo bem. Foco no filme. Esqueçamos os bárbaros.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2009/09/labelle.jpg" alt="labelle.jpg" align="right" /><em>La belle personne</em>, de Christophe Honoré, é uma livre adaptação de <strong><em>La Princesse de Clèves</em></strong>, famosa obra seiscentista, escrita por Madame de La Fayette, e que é tida como precursora do romance. Fala de um triângulo amoroso, da dúvida de uma jovem entre o homem que faria tudo por ela e aquele por quem ela realmente se apaixona. Sim, você conhece centenas de livros, filmes e novelas que contam essa história. São variações do mesmo tema, incansavelmente repetido há mais de trezentos anos.</p>
<p align="justify">Gostei, mas não entrou para a lista dos <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/04/30/pour-la-france" target="_blank">meus filmes franceses preferidos</a>. Tem os traços comuns às histórias francesas – tragédia, melancolia, beleza, sensualidade classuda –, inclusive uma protagonista linda, no caso, <strong>Léa Seydoux,</strong> aos 22 anos e com cara de ninfeta, interpretando uma garota de dezesseis. Sua Junie chamou a atenção dos donos do cinema mundial. Ela aparece em <em>Bastardos Inglórios</em>, de Tarantino, e será a Princesa Isabella, em <em>Robin Hood</em>, de Ridley Scott, que deverá estrear no Brasil em maio de 2010.</p>
<p align="justify">Sem mais traumas, tive que sair da sala, mesmo tendo ingresso para a sessão seguinte, de outro filme, que começaria vinte minutos depois. Saudade de quando se comprava ingresso para o cinema e não para a sessão. Era tão bom entrar e assistir ao filme quantas vezes quisesse. Mas tudo bem. Vai longe esse tempo. Adequado, já estava com o ingresso para a sessão seguinte. Comprei-o com a convicção de que iria estragar minha tarde: <strong><em>Os Normais 2</em></strong>. Era só para fazer uma ponte até o fim da tarde, quando encontraria <strong>Cefas Carvalho</strong>, ali mesmo no <em>xópin</em>. Definitivamente, não é o tipo de filme que me leva ao cinema, mas era o único que se encaixava no horário. Fiz o sacrifício. Não sei o que foi mais constrangedor: Luís Fernando Guimarães em sua eterna caricatura de si mesmo, o besteirol grosseiro de Fernanda Young e companhia, os adolescentes fazendo fotos e espocando flashes antes da sessão ou o casal que resolveu se sentar ao meu lado e, não contente em tagarelar todo o tempo, resolveu se acasalar ali mesmo. Daquele jeito bem cinema poeira dos anos 80: sentar no colo, beijos e abraços. Para eles, trepar deve ser a maior das transgressões! Fala sério! Como esse mundo anda sem graça. Nessa hora e pouco, só Fernandinha Torres se salvou.</p>
<p align="justify">Terminada a tortura, encontrei Cefas. Conversamos sobre um projeto em conjunto e recebi exemplares de seus mais recentes rebentos: o livro <strong><em>Encontos e Desencontos</em></strong> e o ainda não lançado cordel <strong><em>O encontro de Michael Jackson com Lampião no Inferno</em></strong>.</p>
<blockquote>
<blockquote><p><em>“Meu nome é Virgulino<br />
Ferreira, o Lampião<br />
Fui bravo cangaceiro<br />
Nas veredas do Sertão<br />
Bem-vindo ao inferno<br />
A terra santa do Cão”</em></p></blockquote>
</blockquote>
<blockquote>
<blockquote>
<blockquote>
<blockquote><p><em>Michael bambo das pernas<br />
Disse que era um engano<br />
“Eu devia estar no Céu<br />
Este ao menos era o plano<br />
Nunca fiz mal a ninguém<br />
Não causei nenhum dano”</em></p></blockquote>
</blockquote>
</blockquote>
</blockquote>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2009/09/livros_cefas.jpg" alt="livros_cefas.jpg" align="right" />Cefas não perdoa. O restante da história vocês leem quando o cordel for lançado ou quando ele liberar em <a href="http://www.cefascarvalho.blogspot.com" target="_blank">seu blog</a>. Ganhei também um exemplar de <strong><em>Esquina do Mundo – A Hora do Cão Lobo</em></strong>, de sua esposa, <a href="http://www.memoriaviva.com.br/novoblog/2009/09/09/esquina-do-mundo-a-hora-do-cao-lobo/" target="_blank"><strong>Cláudia Magalhães</strong></a>, que será <a href="http://www.memoriaviva.com.br/novoblog/2009/09/09/esquina-do-mundo-a-hora-do-cao-lobo/" target="_blank">lançado nesta quinta, 10 de setembro, na Siciliano do Midway Mal, em Natal</a>. Adoro ler livros que ainda não foram lançados e tê-los autografados em data anterior a de lançamento. Cláudia teve que fazer a dedicatória ali mesmo, em meio a latas de cerveja, mas nem por isso deixarei de ir à noite de autógrafos.</p>
<p align="justify">Eu e Cefas fechamos o Midway. O povo foi educado (ou temeroso) e não chegamos a ser expulsos. Mas, à exceção de nossa mesa, todas as outras na imensa praça de alimentação já estavam com as cadeiras viradas. Infelizmente, a cena insólita não foi registrada.</p>
<p align="justify">Essa tentativa de interação presencial com humanos (Cefas não incluso) me fez pensar que estou saindo de uma longa ressaca. Aguardem novidades para breve.</p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback3.jpg" usemap="#Map3" border="0" height="25" /></center></p>
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		<title>A vida dos outros</title>
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		<pubDate>Sun, 10 May 2009 23:01:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Biografia]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Livre pensar]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[Dentre minhas leituras, há sempre um tijolão, uma biografia. Está em algum lugar em meu mapa natal: Gosta de ler romances, bem como histórias que falem sobre como as pessoas alcançaram a grandeza, mas lhe é difícil colocar seu conhecimento &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/05/10/a-vida-dos-outros/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Dentre minhas leituras, há sempre um tijolão, uma biografia. Está em algum lugar em meu mapa natal: <em>Gosta de ler romances, bem como histórias que falem sobre como as pessoas alcançaram a grandeza, mas lhe é difícil colocar seu conhecimento em prática</em>. Soube disso há alguns muitos anos, bem no meio da leitura de <strong><em>Chatô – O Rei do Brasil</em></strong>. Nada auspicioso, diriam os indianos da novela. Maldito Mercúrio retrógrado, digo eu.</p>
<p align="justify">Nem por isso abandonei a leitura das biografias e até passei a escrevê-las. O pior é quando, na leitura, <strong>chega um momento em que não quero prosseguir</strong>. Bate a sensação de que a vida do biografado cruzou com a minha e, chegando ao final do livro, nosso vínculo será cortado. Foram tantos encontros e desencontros, tantos amores e despedidas. Não acostumo nunca. Pior será colocar o ponto final em alguma que escrevo. E logo terei que passar por isso. Restam como consolo a revisão, a negociação com a editora, a produção do volume, a chegada às livrarias&#8230; Haverá uma sobrevida e, quando o romance finalmente parecer ter chegado ao fim, já estarei envolvido em outra história.</p>
<p align="justify">Em se tratando de biografias,<strong> sou aquele homem fraco que tem esposa e amante</strong> para, no caso de terminar com uma, ter sempre outra que o acolha.</p>
<p align="justify">Nos últimos dias, fiz uma passagem um tanto grotesca. Terminei <strong><em>O Mago</em></strong>, biografia de <strong>Paulo Coelho</strong> escrita por <strong>Fernando Morais</strong>, e pulei sem escalas para <em><strong>Nietzsche – Biografia de uma Tragédia</strong></em>, de <strong>Rüdiger Safranski</strong>. Cada uma com seu peso, sua importância, suas peculiaridades.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/biopc.jpg" align="right" border="0" width="156" height="214" />Fatalmente eu leria <em>O Mago</em>. É escrita pelo mestre e <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/08/29/dos-mestres-com-carinho/"><strong>costumo render-lhe graças</strong></a>. Mas dessa o faria sem pressa. Não fosse cair de paraquedas (à época com agudo e hífen) em um encontro literário no qual ele estava, talvez ainda nem tivesse comprado meu exemplar. Se o tivesse feito, ficaria ali na fila da leitura, brasileiramente sempre furada por um mais esperto. Abri-o em dezembro do ano passado, mas ainda não era o tempo. Os mais chegados aos livros já entenderam. <strong>O leitor não escolhe o livro</strong>. O livro é que escolhe o leitor e só se permite ser lido quando bem entende. Dormi (literalmente) com O Mago durante quatro meses. Ficou na cama todo esse tempo. Chegou abril e ele decidiu que eu poderia finalmente lê-lo.</p>
<p align="justify">Li os primeiros cinco livros de Paulo Coelho na época em que foram lançados. Isso significa dizer que comecei com <strong><em>O Diário de um Mago</em></strong> em 1987, quando tinha 15 anos de idade, e parei em <strong><em>As Valkírias</em></strong>, em 1992, aos 20 (na verdade, quatro dele e uma adaptação/tradução). Já naquela época, pensava o mesmo que hoje: é uma leitura fácil, até agradável e, no caso de um viciado em leitura como eu, boa para descansar a cabeça.</p>
<p align="justify">Paulo Coelho pode não satisfazer as exigências, os padrões, a arrogância e os delírios intelectualoides dos críticos de plantão, mas, ninguém se engane, <strong>ele não é um idiota</strong>. Enfrentando os eternos ataques dos donos da língua e da verdade, se tornou o escritor mais vendido, traduzido e lido do mundo. <strong>E escritor quer isso: ser lido</strong>. Intelectual quer ser reconhecido pelos coleguinhas e ganhar resenha que alimente sua vaidade. Paulo Coelho é escritor. Ponto. Se você é fã dele, pode ainda colocar um enfático “<em>Foda-se</em>” depois do “<em>Ponto</em>”.</p>
<p align="justify">E a não ser que por um fenômeno metafísico que escape totalmente à minha compreensão e uma outra alma tenha possuído seu corpo ali em meados dos anos 80, pelo menos para mim ele é o mesmo cara que fazia altas músicas com <strong>Raul Seixas</strong>. E viva a Sociedade Alternativa!</p>
<p align="justify">Já me estendo. E já resolvo isso. A biografia só reforçou o que eu pensava: doa a quem doer, o cara é de uma competência monstruosa. “<em>Só se for para ganhar dinheiro</em>”, dirão alguns a esta altura. “<em>Só se for para transformar merda em ouro</em>”, dirão os mais radicais. E eu digo: Que seja. Você consegue fazer melhor? Igual? Metade?! Como ia dizendo, o cara é de uma competência monstruosa. Fernando Morais, que é outro demônio (no bom sentido, viu, mestre?), mostra com sua costumeira perícia o porquê de o cara ser o que é.</p>
<p align="justify">Sim, me empolguei. Menos por Paulo, mais por Fernando, que tem grande parcela nesse meu amor por biografias. Vou culpá-lo por isso até o fim dos meus dias.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/bioniet.jpg" align="right" border="0" width="156" height="220" />Encerro o caso com o mago e pulo para o Anticristo. Este, sim, caso de amor perdido, irremediável, sem medidas, de enlouquecer. Nos últimos oito anos, li tudo de Nietzsche que tenha sido publicado em português. Mais umas duas dezenas de livros sobre sua vida e obra e, provavelmente, o triplo disso em artigos, ensaios, teses e afins. Porém, há pelo menos seis anos <em>Nietzsche – Biografia de uma tragédia</em> me olha da estante sem me conceder a devida permissão para leitura. Já mudou de cidade e estado por três vezes. Finalmente resolveu se abrir.</p>
<p align="justify">Não acredito em acaso e, consequentemente, não creio que uma pessoa atravesse a vida de outra sem motivo. Para o bem ou para o mal, há algo a ser dito, alguma lição a ser aprendida. Essa mesma força, esse poder, essa “missão” se estende às biografias.</p>
<p align="justify">Rüdiger Safranski não é um repórter brasileiro, como Fernando Morais, cheio de manhas para contar uma história, prender o leitor, fazer com que se apaixone pelo biografado. Também não é um psiquiatra romancista americano como <strong>Irvin D. Yalom</strong> (autor de <strong><em>Quando Nietzsche chorou</em></strong>). É um filósofo e historiador alemão. E falando em Nietzsche, a coisa só poderia mesmo sair <strong>a marteladas</strong>.</p>
<p align="justify">O biografado é dissecado – friamente – por sua obra e não por sua vida. <strong>É uma biografia do pensamento </strong>e não dos atos de Nietzsche como ser humano. O título original já deixa claro: <em>Nietzsche, Biographie Seinens Denkes</em> (numa tradução mais literal, algo como <em>Biografia de seus Pensamentos</em>). Em português, ficou <em>Biografia de uma Tragédia</em>, o que também faz total sentido, já que a vida do personagem é um eterno conflito com tudo aquilo que, em tese, deveria estar acima do indivíduo.</p>
<p align="justify">A escolha pela “tragédia” também faz alusão a seu primeiro livro, <strong><em>O Nascimento da Tragédia ou Helenismo e Pessimismo</em></strong> (<em>Die Geburt der Tragödie oder Griechentum und Pessimismus</em>), onde exalta a música de <strong>Wagner</strong> como força renovadora do espírito alemão. Ë também por aí que Safranski inicia sua dissecação e deixa claro, já nas primeiras páginas, o espírito do pensamento de Nietzsche:</p>
<blockquote>
<p align="justify">“O animal consciente homem, com horizonte de passado e futuro, raramente se satisfaz de todo com o seu presente, e por isso sente algo que certamente nenhum animal conhece, isto é, o tédio. Fugindo do tédio, essa singular criatura procura uma excitação que, se não for encontrada, tem de ser inventada. O homem se torna um animal que brinca. (&#8230;)</p>
</blockquote>
<blockquote>
<p align="justify"><em> “No tédio vivemos o instante como passagem vazia do tempo. O que acontece externamente não tem importância, e também sentimos a nós mesmo como desimportantes. As realizações da vida perdem sua tensão intencional, desmoronam em si mesmas </em>(&#8230;)<em> A arte ajuda a viver porque senão a vida não sabe o que fazer quando assaltada por sentimentos de ausência de sentido”.</em></p>
</blockquote>
<p align="justify">Assim, esse início de tragédia me faz entender o porquê de ter demorado tanto tempo na estante. A lição só poderia ser devidamente entendida agora. Antes, seria mera seqüência de palavras. E lá vou eu, de novo, <strong>envolvido pela vida de outro, procurar razão para a minha.</strong></p>
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		<title>Lembranças do País das Fábulas</title>
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		<pubDate>Sat, 18 Apr 2009 08:20:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Aniversário]]></category>
		<category><![CDATA[Desenho]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Memória Viva]]></category>

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		<description><![CDATA[Sou daquela geração de extrema sorte que foi criança nos anos 1970. E, sortudo entre os sortudos, fui daqueles que aprenderam a ler com a coleção do Sítio do Picapau Amarelo ilustrada por Manoel Victor Filho. Já alfabetizado, lembro também &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/04/18/lembrancas-do-pais-das-fabulas/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/lobato.jpg" width="278" align="right" border="0" height="339" />Sou daquela geração de extrema sorte que foi criança nos anos 1970. E, sortudo entre os sortudos, fui daqueles que aprenderam a ler com a coleção do <strong>Sítio do Picapau Amarelo</strong> ilustrada por Manoel Victor Filho. Já alfabetizado, lembro também dos primeiros anos da primorosa e incomparável versão televisiva para a série criada por <a href="http://www.memoriaviva.com.br/mlobato" target="_blank"><strong>Monteiro Lobato</strong></a>.</p>
<p align="justify">É bem provável que hoje, dia do seu aniversário e, por conta disso, <strong>Dia Nacional do Livro Infantil</strong> (desde 2002), os trintões que participarem da Blogagem Coletiva <a href="http://fio-de-ariadne.blogspot.com/2009/04/blogagem-coletiva-quem-foi-seu-monteiro.html" target="_blank"><em>Quem foi seu Monteiro Lobato?</em></a>, sugerida pela <strong>Jorge Zahar Editor</strong> ao <strong><em>Fio de Ariadne</em></strong>, respondam da mesma maneira: <strong>Meu Monteiro Lobato foi Monteiro Lobato</strong>.</p>
<p align="justify">Mas ele não apenas me ensinou a ler. Ensinou também que <strong>é fácil aprender</strong> e que <strong>estudar é uma deliciosa brincadeira</strong>. Li todos os livros da turma do Sítio pelo menos duas vezes quando ainda criança. Mas, dentre eles, há alguns que li muitas outras vezes como <em>História do Mundo para Crianças</em>, <em>Geografia de Dona Benta </em>e <em>Emília no País da Gramática</em>. Estes, que trazem conteúdo tradicionalmente apresentados nas escolas, me pareciam ainda mais interessantes que as fantasias vividas pelos personagens do Sítio. Na verdade, eles transportavam aqueles personagens fantásticos para o mundo real, o meu mundo. Isso fez com que eu aprendesse que voar para um lugar maravilhoso é tão fácil quanto somar dois e dois. Lobato me ensinou que tudo é possível. <strong>Basta imaginar e nosso mundo perfeito está pronto</strong>.</p>
<p align="justify">Já adulto, mas com o eterno espírito de criança de quem cresceu com o Sítio, ainda não obtive êxito em repassar aos meus filhos as lições do mestre. Talvez eu não seja um bom professor. Talvez as tentações dos novos tempos sejam uma concorrência desleal. Talvez eu ainda não tenha crescido o suficiente para ensinar alguma coisa. Mas ainda há tempo. A viagem pode começar a qualquer momento.</p>
<p align="justify">Em 2003, já passado um quarto de século de meu primeiro contato com Lobato, tive um encontro surpresa com ele. Tive o prazer de ler <strong>cartas que ele escreveu a </strong><a href="http://www.memoriaviva.com.br/cascudo" target="_blank"><strong>Câmara Cascudo</strong></a>. As originais. Li todas as escritas à máquina. As manuscritas são verdadeiros hieróglifos. Não é fácil entender tudo. Nelas, descobri um Monteiro Lobato diferente, pai, que sempre fazia menção aos seus filhos e aos do amigo. Em uma delas, de outubro de 1931, dizia:</p>
<p align="justify"><em>Sciente que casaste e entraste no rol dos proliferadores da especie com um gentil cascudinho. Eu de ha muito parei em quatro.</em></p>
<p align="justify">Em outra, de 1944:</p>
<p align="justify"><em>Bem, sei que tens uma Any, e quero que Any receba um dos ultimos livros meus, que vai.<br />
</em></p>
<p align="justify">Uma primeira edição de Lobato presenteada pelo próprio! Que inveja, hein? Mas eu também tive meu momento mágico. Contarei mais adiante.</p>
<p align="justify">Acredito que a vida nos apresenta alguns sinais. Em 2005, quando já começava a perder as esperanças de muitas coisas, dentre as quais a de que minhas filhas também passassem parte de sua infância no Sítio do Picapau Amarelo (Ah! eu estive MESMO no Sítio da tevê), acompanhadas de <strong>Emília</strong>, <strong>Visconde</strong>, <strong>Pedrinho</strong> e <strong>Narizinho</strong>, duas coisas me aconteceram: ganhei o<a href="http://www.memoriaviva.com.br/ibest05.htm" target="_blank"> iBest de Melhor Site de Arte &amp; Cultura</a> (com o <a href="http://www.memoriaviva.com.br" target="_blank"><strong>Memória Viva</strong></a>, que tem desde seu início uma homenagem a Lobato) e, menos de uma semana depois, vi meu único filho homem nascer (renovaram-se as esperanças!). Três anos depois, ele já dormia cantarolando as músicas do Sítio. <em>Boneca de pano é gente/ Sabugo de milho é gente/ O sol nascente é tão belo&#8230;</em></p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/azulay.jpg" width="278" align="right" border="0" height="339" />Além do grande mestre Monteiro Lobato, tive outros professores: os <strong>Irmãos Grimm</strong>, <strong>Hans Christian Andersen</strong> e um outro brasileiro. Alguém arrisca um palpite de quem seria? Acertaram os trintões que responderam <a href="http://www.danielazulay.com.br/" target="_blank"><strong>Daniel Azulay</strong></a>. Pita, Damiana, Piparote, Ritinha, Xicória, Professor Pirajá e toda a <strong>Turma do Lambe-Lambe</strong> também me fizeram companhia nos dias de menino. E sabe o que foi mais legal? É que em 2003, por conta da versão digital que criei para <strong><em>O Cruzeiro</em></strong>, recebi um e-mail de Daniel Azulay dizendo que a revista fez parte de sua infância e que, muitos anos depois, ele trabalharia nela. A história, contada por ele, está <a href="http://www.memoriaviva.com.br/ocruzeiro" target="_blank"><strong>no site</strong></a> (clique em <em>Mais edições</em> e veja a Edição Especial Comemorativa aos 75 anos). Mas ainda não foi este o momento mágico que falei. Ele vem agora. Um mês depois de publicar seu depoimento, eu estava em uma banca de revistas, em Ipanema, no Rio, e quem entra? Ele! Com a mesmíssima cara , o mesmo jeito e só faltando os suspensórios. Pude agradecê-lo, pessoalmente, por ter me dado <strong>uma infância mais divertida e cheia de fantasia</strong>.</p>
<p align="justify">A Daniel Azulay e a todos os Lobatos que nos ensinaram a ler e enriqueceram nossas vidas, meus agradecimentos e meus parabéns. Hoje e sempre.</p>
<p align="justify">E algodão doce para vocês, leitores.</p>
<p align="center">* * * * *</p>
<p align="justify"><strong>Leia também:</strong><br />
<a href="mailto:"><strong>M. Lobato<br />
</strong></a><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/03/05/no-sitio-e-sempre-assim/"><strong>No Sítio é sempre assim: vão-se os anéis…</strong></a></p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback3.jpg" usemap="#Map3" border="0" height="25" /></center><br />
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		<title>Bento e Capitolina de todos os tempos</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Dec 2008 07:48:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; Tudo que pensava sobre adaptações me foi testado com Capitu. Não quis dizer nada até o final e, quando lá chegamos, havia tanto a ser dito que poderia escrever um livro. Como de costume, sem ares de crítico, falo &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/12/15/bento-e-capitolina-de-todos-os-tempos/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" align="justify">&nbsp;</p>
<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/capitu01.jpg" border="0" height="309" width="600" /></p>
<p align="justify">Tudo que pensava sobre adaptações me foi testado com <em><strong>Capitu</strong></em>. Não quis dizer nada até o final e, quando lá chegamos, havia tanto a ser dito que poderia escrever um livro. Como de costume, sem ares de crítico, falo apenas sobre algumas impressões que me causou.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><o:p></o:p>O que esperar de uma história escrita por um gênio há mais de cem anos adaptada por alguém que em seu primeiro longa fez aquele que, para mim, é o melhor filme brasileiro de todos os tempos? E também era a adaptação de um grande livro. Houve ainda <em>Hoje é Dia de Maria</em> no meio do caminho, além de uma <em>Pedra </em>que não cheguei a ver. Estava, portanto, de muito boa vontade com <strong>Luiz Fernando Carvalho</strong>. E ele não só não me decepcionou como ganhou ainda outro título: diretor da melhor mini-série já feita no Brasil.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Sim, gostei e muito de <em>Capitu</em>. Mesmo com as ressalvas e reservas a seguir.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">A primeira cena disse tudo. A história ganharia ares pop e atuais. Rock, o trem cortando a cidade como é hoje, os personagens de época misturados aos trabalhadores no vagão. Meu primeiro estranhamento foi para a reestruturação dos primeiros capítulos do livro. Algo que passou rápido, pois o motivo era justo. O discurso se tornou mais direto, sem o vai-e-vem da apresentação dos personagens que encontramos no original. A primeira prova de fogo veio mesmo ao ouvir <em>Cheek to cheek</em>. Foi algo como a ação inesperada de uma amante muito desejada. Um movimento brusco. Preconceito abalado, logo posto de lado, percebi que aquilo não era exatamente ruim. O que me incomodou, na verdade, foi o som de outro idioma. E logo o inglês! Para mim, bastariam as notas iniciais e a lembrança imediata do que elas sugeriam: <em>Heaven&#8230; I’m heaven</em>. A mesma impressão se confirmaria mais adiante e ainda nos capítulos seguintes como na longa introdução de <em>Money</em>, de Pink Floyd, que poderia ter sido cortada antes da primeira e inútil palavra, e na exagerada, longa e ruidosa execução de <em>Mercedes Benz</em>, com minha sempre amada mas aí deslocada Janis Joplin.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">E a <a href="http://www.youtube.com/watch?v=EDoMuwGaAao" target="_blank">música tema</a> de Bentinho e Capitu? Virou a paixão da semana. A garotada adora essa linguagem videoclíptica e um inglês moendo no pé do ouvido. A música é uma delícia, obrigo-me a concordar. Mas poderia também ter sido usado só o instrumental. Mesmo que nova (em comparação às outras) e ainda não habitando o inconsciente coletivo, daria o mesmo gosto sem precisar dizer <em>If I was young, I’d flee this town/ I’d bury my dreams underground</em>. Fiquei me perguntando se a turma iletrada, nascida e crescida de mal com Machado já anda a saber mais inglês que português! Não que me assombre com isso. Vivemos na ex-colônia portuguesa, atual colônia americana, quiçá logo estaremos a falar mandarim! Mas mesmo para a parcela <em>teen</em> que entendeu a letra, haveria mesmo a necessidade desses versos para “explicar” o que Machado demonstra com mestria a cada palavra dita por Dom Casmurro? A música, como o Amor, é uma linguagem universal. Dispensa palavras. Qualquer vocalização faria o mesmo efeito, diria a mesma coisa, não modificaria o que diz aquela percussão, sopros e acordeão que nos são tão familiares. Esqueça a letra, ouça a música e diga que gosto ela tem. Quais sentimentos ela provoca?</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">A redenção disso veio ao final do quarto capítulo com <a href="http://www.youtube.com/watch?v=I2fifH5ptJE" target="_blank"><em>Desabafo</em></a>, com <strong>Marcelo D2</strong>. Suburbano, carioca, utilizando e fazendo uma leitura modernizada do que já foi dito. Foi a reiteração da reiteração. Como o próprio autor faz em todo o livro. <em>Deixa, deixa eu dizer o que penso</em> do final mesmo, aquele que foi ainda melhor, com <strong>Nelson Cavaquinho</strong> pontuando Machado. <a href="http://www.youtube.com/watch?v=rgcTGJQNNe8" target="_blank"><em>É o Juízo final, a história do bem e do mal/ Quero ter olhos pra ver, a maldade desaparecer</em></a>. Bela escolha!</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/capitu02.jpg" align="right" border="0" height="177" width="346" />E por falar em redenção e bela escolha, vamos a Capitu, a duplamente Capitu, já que <strong>Maria Fernanda Cândido</strong> havia encarnado antes uma triste e malfadada versão da personagem em um filmeco do qual é melhor nem falar. Quem precisa saber atuar, tendo nascida linda daquele jeito? Ela precisa é de um bom diretor. Tirou a prova dos nove e redimiu-se da experiência anterior. Mas escolha perfeita foi mesmo a de <strong>Michel Melamed</strong>. Não há o que dizer além disso. Ponto.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Em compensação, a versão jovem de Bentinho estava muitos tons acima da maior parte do elenco, principalmente no que diz respeito à voz. Aquele moleque já tem dezoito anos (pode acreditar!), foi o Pedrinho por algum tempo na versão mais recente do <em>Sítio do Picapau Amarelo</em> e passou pela fábrica de desconstrução de atores chamada <em>Malhação</em>, onde se aprende a dar a mesma entonação à descoberta da morte da mãe e ao pedido de uma água de coco. E que Escobar biba era aquele? Eu jurava que iria rolar o tão esperado beijo gay na Globo durante as primeiras cenas no seminário. E aquela referência (uma das piores a meu ver) a <a href="http://www.youtube.com/watch?v=-1LRD3DtFAo" target="_blank"><strong><em>Hair</em></strong></a>, com Escobar sobre a mesa&#8230; melhor não comentar.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Também não me chocou <strong>Dom Casmurro ao celular ou com Ipod</strong>, aliás, uma metáfora bem interessante para a tendência de cada um a ter um mundo só seu, com sua própria trilha sonora e sem interatividade com as pessoas e coisas ao redor. Estranhei mesmo quando ele bateu à máquina. Por que não digitar <st1:personname productid="em Times New Roman" w:st="on"><st1:personname productid="em Times New" w:st="on">em Times New</st1:personname> Roman</st1:personname> e com o dedilhar insosso dos teclados em vez dos tec-tecs das antigas máquinas de escrever? Também cheguei a pensar que rolaria uma troca de <em>e-mails</em> entre os personagens no último capítulo. Não sei se estava já totalmente despido de preconceitos ou se havia perdido de todo a esperança.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">O diálogo de Machado com o leitor pregou peças à versão televisiva. Talvez percebidas por quem fez o trabalho, dificilmente percebida por quem não tenha alguma familiaridade com seu texto; ao menos este. Logo no início, quando o personagem principal explica o porquê de seu apelido e de como este vem dar nome à história, ele diz (com mínima variação – <em>fim</em> por <em>final</em> – do original): <strong><em>Também não achei melhor título para a minha narração; se não tiver outro daqui até o final do livro, vai este mesmo</em></strong>. E o que tivemos – e não se falou em outra coisa – é mesmo outro título. <em>Capitu</em> e toda a fanática discussão sobre suas ações pareceu menos casmurro. Pouco adiante, ainda apresentando a obra, diz: <a href="http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&amp;co_obra=1888" target="_blank"><strong><em>É o que vais entender, lendo</em></strong></a>. E o que se faz é mostrar, claro! A propósito, isto é muito bem feito quando, modificando-se a narrativa original, mostra-se o tema de amor dos personagens principais e, em seguida, faz-se a apresentação dos outros personagens na discussão sobre Bentinho ser mandado ou não ao seminário.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">É neste momento em que a jovem Capitu contracena com o Casmurro velho e narrador que mora um dos pontos mais sensíveis do livro. Pelo menos um dos pontos que mais gosto. É o da busca do personagem em reviver o que passou de bom quando jovem. Isso é mostrado claramente em pelo menos dois instantes da narrativa, preservados na versão televisiva:</p>
<p class="MsoNormal"><strong><em>O meu fim evidente era atar as duas pontas da vida, e restaurar na velhice a adolescência.<o:p></o:p></em><o:p> </o:p></strong></p>
<p class="MsoNormal">e, em outro capítulo, uma das minhas sentenças preferidas (no livro, na obra de Machado, na vida)&#8230;</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><strong><em>Donde concluo que um dos ofícios do homem é fechar e apertar muito os olhos, e ver se continua pela noite velha o sonho truncado na noite moça.</em></strong></p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Fiquei a pensar em uma versão mais enxuta, que tirasse as modernidades e as músicas – pelo menos as letras – <st1:personname productid="em ingl￪s. N￣o" w:st="on">em inglês. Não</st1:personname> precisaria muito. Outras adaptações poderiam ser mantidas. Não posso dizer que não gostei de <em>Otelo</em> ter se transformado em filme (<a href="http://www.youtube.com/watch?v=rMXHrpiXbeo" target="_blank">o de Orson Welles</a>). Quando <strong><em>Dom Casmurro</em></strong> foi escrito, o cinema era uma novidade. Filmes já haviam sido rodados mesmo no Brasil, mas a precariedade do fornecimento de energia nem permitia que se pudesse pensar em um “circuito de exibição”, algo que só aconteceria no final da primeira década do século XX. A referência a <em>Otelo</em> não poderia faltar, pois o romance de Machado tem bases nele.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">E para não fazer disso o tal livro citado lá no alto, uma lembrança de início e fim de <em>Dom Casmurro</em> que, espero, seja também uma promessa de Luiz Fernando Carvalho. Se não por outro livro de Machado, que agora está definitivamente provado não ter nada de chato (só quem nunca o leu poderia usar tal falácia), algum de <strong>Lima Barreto</strong>: “<em>Vamos à </em>História dos Subúrbios”.</p>

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		<title>80 anos de &#8220;O Cruzeiro&#8221;</title>
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		<pubDate>Mon, 10 Nov 2008 03:00:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Memória Viva]]></category>
		<category><![CDATA[Periódicos]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; Não sei como vocês se sentem depois das eleições. Eu, o que posso dizer é que me sinto moderadamente otimista. O que aliás não é pouco, para quem se afundava naquele desengano tão desamargurado. O parágrafo acima não é &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/11/10/80-anos-de-o-cruzeiro/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" align="justify">&nbsp;</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/cruz80.jpg" height="260" width="600" /></p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><em>Não sei como vocês se sentem depois das eleições. Eu, o que posso dizer é que me sinto moderadamente otimista. O que aliás não é pouco, para quem se afundava naquele desengano tão desamargurado.</em></p>
<p class="MsoNormal" align="justify">O parágrafo acima não é meu. É de <strong>Rachel de Queiroz</strong> em sua <em>Última Página</em>, coluna que manteve por muitos anos na revista <a href="http://www.memoriaviva.com.br/ocruzeiro" target="_blank"><em><strong>O Cruzeiro</strong></em></a>. <em>Na crista da onda</em> era o texto e foi publicado na edição de 22 de novembro de 1958, que comemorava os 30 anos da revista.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Bem poderia ser a abertura para um artigo sobre a eleição de Barack Obama na edição dos 80 anos que <em>O Cruzeiro</em> estaria completando nesta segunda. E provavelmente o mulato Obama estaria na capa da edição da semana. Um texto de <strong>David Nasser</strong> marcaria a ferro os remanescentes da América profunda, os brancos racistas que já não parecem tão fortes. Mesmo enfatizando as boas novas, escrevendo o que os leitores gostariam de ler e fortalecendo sua tendência situacionista, antes de finalizar faria uma comparação entre a histórica vitória contra o racismo nos Estados Unidos e a nossa própria seis anos antes, quando a “esperança venceu”. E aproveitaria para cobrar do novo presidente americano a revolução que não vimos por aqui.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><strong>Chateaubriand</strong> veria como chá fraco e frio a embaixada em Londres e faria mira <st1:personname productid="em Washington. A" w:st="on">em  Washington. A</st1:personname> esta altura, <em>The Cruise</em>, a versão em inglês de sua revista já teria 20 ou 25 anos e seria referência de exportação de nossas belezas. As mulheres americanas estariam acostumadas a esperar cada edição para tentar imitar nossa moda e sonhar em ter corpos perfeitos como as brasileiras. <a href="http://www.memoriaviva.com.br/carlosestevao" target="_blank"><strong>Carlos Estevão</strong></a> estaria satirizando nossos péssimos costumes – alguns tão ou mais antigos que a revista – e <a href="http://www.memoriaviva.com.br/appe" target="_blank"><strong>Appe</strong></a>, com seu traço fino, seria o elegante carrasco da desclassificada horda política.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">E se esta semana não há cento e tantas páginas de <em>O Cruzeiro </em>para celebrarmos e comprovarmos como seria essa história, temos ao menos uma página de seu único remanescente: <strong>Millôr Fernandes</strong>.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Foi em um exercício de imaginação assim que “<em>a revista contemporânea dos arranha-céus</em>” tornou-se também <a href="http://www.memoriaviva.com.br/ocruzeiro" target="_blank"><strong>contemporânea da Internet</strong></a>. E lá se vão seis anos. Debruçando-me sobre centenas de edições desde então, fiz várias viagens e aprendi História, principalmente do Brasil, como jamais havia pensado <st1:personname productid="em aprender. Mais" w:st="on">em aprender.  Mais</st1:personname> que isso, fui descobrindo e reconstituindo muitas histórias interessantes perdidas nas memórias de alguns poucos e que, aos poucos, vão sendo contadas. Isso me faz crer que essa história iniciada em 1928 ainda não terminou.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Pedindo novamente licença a Rachel, encerro essa louvação com a ajuda de suas palavras publicadas no Jubileu de Prata da revista:</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><em>Hoje, aniversário de </em>O Cruzeiro<em>, esta casa, é claro, está <st1:personname productid="em festa. Jornais" w:st="on">em festa. Jornais</st1:personname> são como chineses e não como moças bonitas: não se envergonham da idade, antes se sentem orgulhosos dos cabelos brancos e das rugas, e, quanto mais velhos, mais vaidade tiram disso. E pois, o coquetismo não está em negar a idade, mas em confessá-la abertamente: </em><strong>oitenta anos!</strong></p>
<p class="MsoNormal">Muito ainda ouviremos falar a respeito dela.<br />
<o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal"><strong>Texto relacionado:</strong><br />
<a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/06/06/mastigue-bem-antes-de-engolir/">Mastigue bem antes de engolir</a></p>

<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/11/10/80-anos-de-o-cruzeiro/&amp;text=80 anos de &#8220;O Cruzeiro&#8221;&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
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		<title>Dos mestres com carinho</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Aug 2008 14:09:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Amigos]]></category>
		<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>

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		<description><![CDATA[Caí sem avisos no primeiro dia do II Festival Literário de Natal. Aquela segunda, 4 de agosto, escondia surpresas e momentos desses que devem ser guardados em relicários. Antes da abertura do Festival, aproveitando a solicitação apressada de alguns a &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/08/29/dos-mestres-com-carinho/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/neyfmora.jpg" border="0" height="222" width="600" /></p>
<p align="justify">Caí sem avisos no primeiro dia do <em>II Festival Literário de Natal</em>. Aquela segunda, 4 de agosto, escondia surpresas e momentos desses que devem ser guardados em relicários.</p>
<p align="justify">Antes da abertura do Festival, aproveitando a solicitação apressada de alguns a <strong>Nei Leandro de Castro </strong>para que autografasse seus exemplares da nova edição de <strong><em>O Dia das Moscas</em></strong>, apresentei meus dois exemplares: o novo e um da primeira edição, lançada 25 anos antes pela Codecri.</p>
<p>A situação única e provavelmente inesperada, valeu uma dedicatória carinhosa do autor:</p>
<p><strong><em>Para Sandro, que está lendo este livro aos 5 anos de idade , o abraço de Nei Leandro – Natal, 4.08.1983<br />
</em></strong><br />
Além da gentileza de me deixar com 30 anos quando já enxergo uma década a mais se aproximando, as palavras de Nei me deixaram como o primeiro a ter um exemplar de <em>O Dia das Moscas </em>autografado. O lançamento aconteceu no Rio de Janeiro no final de agosto de 1983.</p>
<p align="justify">Em seguida, Nei abriu a Feira falando principalmente sobre <strong><em>As Pelejas de Ojuara</em></strong> e sua adaptação para o cinema (<em>O homem que desafiou o diabo</em>). O escritor sempre foi reconhecido por seus iguais, mas “o povo” – principalmente o de Natal, que exige muitos leões mortos em savanas distantes para lançar um rápido olhar de admiração – estava lá para ver quem escreveu aquela historieta mostrada por maus atores. Historieta que <strong>NÃO</strong> foi escrita por ele, pois, tirando seus minutos iniciais, a adaptação está longe de fazer jus à tremenda história contada nas páginas de <em>As Pelejas de Ojuara</em>.</p>
<p align="justify">Enquanto isso, bem ao lado, a praça de alimentação do Natal Shopping se converteu em praça de agradáveis encontros e reencontros. Começou com <a href="http://colunas.digi.com.br/author/meire" target="_blank"><strong>Meire Feia-mas-te-amo Gomes</strong></a> e sua amiga <strong>Carol</strong> que formaram, junto a mim, uma mesa inusitada na qual se revelou algo, para mim, até então impensável: três pessoas que concordaram, expontaneamente, que o melhor filme brasileiro de todos os tempos é <em>Lavoura Arcaica</em>.</p>
<p align="justify">Na seqüência, <strong>Cláudio Damasceno</strong>, <a href="http://acacioas.digi.com.br" target="_blank"><strong>Santo Acácio</strong></a>, <strong><a href="http://www.cefascarvalho.blogspot.com" target="_blank">Cefas Carvalho</a></strong> e <a href="http://www.teatroclaudiamagalhaes.blogspot.com" target="_blank"><strong>Cláudia Magalhães</strong></a>, <a href="http://colunas.digi.com.br/author/patricio" target="_blank"><strong>Patrício Junior</strong></a>, o grande <strong><a href="http://canindesoares.blog.digi.com.br" target="_blank">Canindé Soares</a></strong> e a pequena (no tamanho) <a href="http://colunas.digi.com.br/author/tatiana" target="_blank"><strong>Tatiana Lima</strong></a>. Espero não ter esquecido ninguém.</p>
<p align="justify">Então chegou a vez do Mago. Não o Coelho, sobre quem escreveu, mas o <em>Mago das biografias</em>. Com um olho no chopp e outro na fila, esperei que essa diminuísse e, mais uma vez, fui para o final.  Abri meu coração sujo com <strong>Fernando Morais</strong>. Se soubesse que ele estaria lá, teria viajado com todos os seus livros para que fossem devidamente autografados. Apresentei-lhe o <a href="http://www.memoriaviva.com.br" target="_blank"><em><strong>Memória Viva</strong></em></a>, falei sobre minhas pesquisas para as biografias de <strong><a href="http://www.memoriaviva.com.br/appe" target="_blank">Appe</a></strong> e <a href="http://www.memoriaviva.com.br/carlosestevao" target="_blank"><strong>Carlos Estevão</strong></a> e joguei a culpa de tudo isso sobre ele. Com um sorriso de quem conhece as responsabilidades  – as próprias e as alheias – de se contar a vida de alguém, tascou na dedicatória:</p>
<p align="justify"><strong><em>Para Sandro Fortunato, que entende disto como ninguém, com o abraço e o carinho de Fernando Morais.</em></strong></p>
<p>Precisava de algo mais para ganhar o dia e tomar fôlego para os livros que estão por vir?</p>
<p>Aos mestres, meu agradecimento, minha admiração e o reconhecimento da dívida a ser paga com histórias muito bem contadas.</p>

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		<title>Flavinho, o sonhador</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Jul 2008 11:46:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Amigos]]></category>
		<category><![CDATA[Aniversário]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>

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		<description><![CDATA[Devo ter visto Flávio Rezende pela primeira vez ali no corredor do Bloco C, do Setor V da UFRN, em 1988. Jovem, mas com aquele ar de irmão mais velho da garotada que dava seus primeiros passos no ingrato mundo &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/07/15/flavinho-o-sonhador/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/flavinho.jpg" align="right" border="0" height="288" width="228" />Devo ter visto <strong>Flávio Rezende</strong> pela primeira vez ali no corredor do Bloco C, do Setor V da UFRN, em 1988. Jovem, mas com aquele ar de irmão mais velho da garotada que dava seus primeiros passos no ingrato mundo jornalístico.</p>
<p align="justify">Vinte anos depois, ele tem a mesma cara, a mesma juventude, a mesma energia, a mesma aura. Tudo isso muito típico das almas puras. A mais, história, experiência, sabedoria. E livros.</p>
<p align="justify">Hoje, no <strong>dia de seu aniversário</strong> de 47 anos – sim, esse menino na foto, feita há poucos dias, logo logo terá meio século de existência! –, está lançando seu 19º livro: <em><strong>O sonhador</strong></em>.</p>
<p align="justify">Li e tenho pelo menos meia dúzia deles, os lançados na época em que estávamos mais próximos, até meados dos anos 90. Flavinho sempre divulgou meus trabalhos. Talvez por gostar, por bondade, para completar suas colunas. Também sempre divulguei os dele, mas que fique claro que não por agradecimento ou política. Sempre fiz isso porque <strong>Flavinho é o cara “mais do Bem” que conheço</strong>. Então, nem me preciso ver o que ele fez. Se foi feito por ele, só pode ser uma coisa boa, algo para o Bem.</p>
<p align="justify">Nessas duas décadas, sou testemunha de suas batalhas e realizações. Nada fácil, nada sem muito esforço. Tudo tão impregnado de bondade, de bons fluídos, que invariavelmente dá certo, não importando o tempo que seja necessário para se tornar real. E o início de cada uma dessas realizações é sempre um sonho ao qual outras boas almas vão se juntando até que se concretize.</p>
<p align="justify"><em>O sonhador</em> livro está sendo lançado hoje. O sonhador-realizador Flavinho está só começando a encher nosso mundo de Luz.</p>
<p align="justify">Um grande beijo, meu querido. Sonho junto com você.</p>
<h5 align="right"> O convite para o lançamento está <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/07/11/o-sonhador">dois posts abaixo</a>.</h5>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback.jpg" usemap="#Map" border="0" height="25" /></center></p>
<map name="Map">
<area href="mailto:sandrofortunato@gmail.com" shape="rect" coords="410,0,600,23" alt="Escreva-me" />
<area shape="rect" coords="257,0,370,24" alt="Logo abaixo em  COMMENTS" />
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		<title>O Sonhador</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Jul 2008 13:00:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>

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		<description><![CDATA[Meus amigos andam parindo livros aos borbotões neste 2008. E que seja assim sempre! Na próxima terça-feira, dia 15, Flávio Rezende dá à luz seu 19º livro, O Sonhador. O lançamento será na Siciliano do Midway Mall, em Natal. Parte &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/07/11/o-sonhador/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/frezconv.jpg" border="0" /></p>
<p align="justify">Meus amigos andam parindo livros aos borbotões neste 2008. E que seja assim sempre! Na próxima terça-feira, dia 15, <strong>Flávio Rezende</strong> dá à luz seu 19º livro, <em>O Sonhador</em>. O lançamento será na <strong>Siciliano do Midway Mall, em Natal</strong>. Parte da renda será destinada às ações humanitárias da <a href="http://www.casadobem.org.br" target="_blank">Casa do Bem</a>. Acima, o convite. Logo, mais sobre Flavinho, o sonhador que realiza.</p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback.jpg" usemap="#Map" border="0" height="25" /></center></p>
<map name="Map">
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		<title>M. Lobato</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/07/04/m-lobato/</link>
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		<pubDate>Fri, 04 Jul 2008 15:09:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Memória Viva]]></category>

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		<description><![CDATA[Pergunte-se: Quantas pessoas deixaram uma obra que influenciou sua (dela) própria geração, a de seus pais, a sua (sua mesmo), as seguintes e continua se perpetuando? Meus pais, hoje na casa dos 60, eram criancinhas quando Monteiro Lobato morreu. Meu &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/07/04/m-lobato/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/mlobato.jpg" border="0" /></p>
<p align="justify">Pergunte-se: Quantas pessoas deixaram uma obra que influenciou sua (dela) própria geração, a de seus pais, a sua (sua mesmo), as seguintes e continua se perpetuando?</p>
<p align="justify">Meus pais, hoje na casa dos 60, eram criancinhas quando <strong>Monteiro Lobato</strong> morreu. Meu avô, que completará 88 anos em agosto, nasceu no mesmo ano de <strong>Narizinho</strong>: 1920.</p>
<p align="justify">Monteiro Lobato foi – e continua sendo – <strong>meu principal professor</strong>. Ensinou-me História, Geografia, Matemática, Gramática,&#8230; ensinou-me, principalmente, <strong>a sonhar</strong>. E se não me ensinou a escrever a culpa é toda de minha incompetência. Mas na matéria <em>Amor à leitura</em> sempre tirei nota dez. Graças a ele.</p>
<p align="justify">Vira e mexe, escrevo sobre ele ou sobre o mundo que criou. A mais recente foi há duas semanas, quando o <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/06/20/mil-vivas-para-o-visconde"><strong>Visconde André Valli</strong></a> se encantou. Há quase dez anos, mantenho <a href="http://www.memoriaviva.com.br/mlobato" target="_blank">um singelo sítio dedicado a ele</a> no <a href="http://www.memoriaviva.com.br" target="_blank"><strong>Memória Viva</strong></a>. Quando fiz o sítio, sabe-se lá o porquê, dei o final <em><strong>/mlobato</strong></em> ao endereço. O normal seria o nome inteiro, mas achei que ficaria muito grande. Bobagem. É o nome pelo qual é conhecido. Deixei o <em>/mlobato</em>. Isso foi em 1999. Quatro anos depois, tive o privilégio de ter em mãos algumas cartas suas. Algumas datilografadas, outras escritas a mão. Todas enviadas a <a href="http://www.memoriaviva.com.br/cascudo" target="_blank"><strong>Câmara Cascudo</strong></a>. Qual não foi minha surpresa ao ver que, na maioria delas, assinava <em><strong>M. Lobato</strong></em>.</p>
<p align="justify">Hoje, quando se completa 60 anos em que resolveu deixar este mundo e ir viver com seus personagens, aproveito para reverenciar sua memória e agradecê-lo, mais uma vez, por toda a riqueza de minha infância.</p>
<p><strong>Obrigado, M</strong>estre<strong> Lobato.</strong></p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback.jpg" usemap="#Map" border="0" height="25" /></center><br />
<map name="Map">
<area href="mailto:sandrofortunato@gmail.com" shape="rect" coords="410,0,600,23" alt="Escreva-me" />
<area shape="rect" coords="257,0,370,24" alt="Logo abaixo em  COMMENTS" />
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<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/07/04/m-lobato/&amp;text=M. Lobato&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Para gostar de ler 3 &#8211; AMIGOS PARA SEMPRE</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/06/04/amigos-para-sempre/</link>
		<comments>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/06/04/amigos-para-sempre/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 04 Jun 2008 21:38:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Série - Para gostar de ler]]></category>

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		<description><![CDATA[O que você espera de um amigo ideal, perfeito? Que ele esteja sempre à disposição a qualquer hora do dia ou da noite? Que esteja por perto? Que saiba ouvi-lo? Que diga exatamente aquilo que você precisa ouvir? Que tenha &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/06/04/amigos-para-sempre/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/pgdeler3.jpg" align="left" border="0" height="125" width="108" />O que você espera de <strong>um amigo ideal</strong>, perfeito? Que ele esteja <strong>sempre à disposição</strong> a qualquer hora do dia ou da noite? Que esteja por perto? Que saiba ouvi-lo? Que <strong>diga exatamente aquilo que você precisa</strong> ouvir? Que <strong>tenha passado bons momentos com você</strong> e possa lembrar disso para fazê-lo sentir novamente boas emoções?</p>
<p align="justify">É difícil ter um amigo assim. Pelo menos um amigo humano. Mas um <strong>amigo livro</strong> é exatamente desse jeito. E você nem precisa ligar. Ele está bem ali na sua estante.</p>
<p align="justify">O que você está precisando ouvir pode estar em suas páginas. Ele – o livro – faz com que você se concentre, pense melhor e acabe encontrando as respostas que está buscando. É um tremendo amigo. Nunca é chato. Fica sempre quietinho, na dele. Só entra em ação quando solicitado.</p>
<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/liniers3.jpg" border="0" height="220" width="500" /></p>
<p align="justify">Bom mesmo é quando você descobre que amigos desse tipo, diferente dos humanos, <strong>se pode ter aos montes</strong>. E eles acompanham sua história, sabem tudo de você, guardam seus segredos.</p>
<p align="justify">Desses amigos, os mais antigos que tenho são de duas coleções: uma de doze volumes do <em>Sítio do Picapau Amarelo</em> e outra de três com clássicos infanto-juvenis. Nossa amizade já vai em mais de trinta anos e eles continuam aqui comigo. Ensinaram-me a ler, me viram crescer, viram meus filhos nascer e certamente conhecerão meus netos.</p>
<p align="justify">Outros foram chegando em <strong>momentos especiais</strong>. Caíram em minhas mãos como se fosse mágica. Responderam as dúvidas que eu tinha naquele instante e se tornaram <strong>amigos para toda a vida</strong>. Nós nos olhamos com cumplicidade, com a certeza de que só nós conhecemos <strong>certo segredo</strong>. Não adianta louvá-los aos seus amigos de carne e osso. Esses podem pegá-los e não ver nada de especial. É porque são seus amigos. São especiais para você.</p>
<p align="justify">Há livros que li várias vezes e os quais lerei muitas outras. Vou aprendendo mais e mais a cada nova conversa. É como se fosse a primeira vez, mas há todo um conhecimento prévio que facilita a descoberta de coisas nunca percebidas em outras leituras. É o amigo que você conhece tão bem a ponto de entendê-lo como nenhuma outra pessoa faria. A compreensão flui sem qualquer esforço.</p>
<p style="text-align: center"><a href="http://www.citronvache.com.br" target="_blank"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/cardon.jpg" border="0" /></a></p>
<p align="justify"><strong>Quantos desses amigos você tem?</strong> Se acha que nenhum, mas há livros em sua casa, procure direito. Se realmente não tiver, saiba que eles podem ser conquistados a qualquer momento. Exponha-se em uma livraria ou um sebo e logo um deles irá encontrá-lo. Sim, são <strong>eles que nos escolhem</strong>.</p>
<p align="justify">Permita-se viver esse sentimento e você entenderá o significado da expressão “<em><strong>amigos para sempre</strong></em>”.</p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback.jpg" usemap="#Map" border="0" height="25" /></center></p>
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		<title>Para gostar de ler 2 &#8211; MAS EU NÃO TENHO TEMPO!</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Jun 2008 03:00:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Série - Para gostar de ler]]></category>

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		<description><![CDATA[“Tempo, tempo, mano velho, falta um tanto ainda, eu sei, pra você correr macio”. Os versos da canção do Pato Fu denunciam algo do qual sempre desconfiei: os mineiros sabem viver no ritmo certo. Sem pressa. Em cadência quase oriental, &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/06/03/mas-eu-nao-tenho-tempo/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/pgdeler2.jpg" align="left" border="0" height="125" width="108" />“<em>Tempo, tempo, mano velho, falta um tanto ainda, eu sei, pra você correr macio</em>”. Os versos da canção do <strong>Pato Fu</strong> denunciam algo do qual sempre desconfiei: os mineiros sabem <strong>viver no ritmo certo</strong>. Sem pressa. Em cadência quase oriental, espiritual, como quem acredita que se algo não puder ser resolvido agora poderá se ajeitar em uma outra vida. <strong>Gente assim vive mais e melhor.</strong></p>
<p align="justify">“<strong><em>Não tenho tempo para ler</em></strong>”, “<em><strong>Se tivesse mais tempo, eu até leria</strong></em>”, “<em><strong>Quando eu tiver tempo&#8230;</strong></em>”. Todo mundo já disse ou já ouviu algumas dessas frases ou outras variações quando o assunto é <strong><em>leitura</em></strong>.</p>
<p align="justify">A <a href="http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2008/05/28/materia.2008-05-28.4425783869" target="_blank">pesquisa feita pelo Instituto Pró-Livro e Ibope Inteligência</a> diz que “<strong><em>entre os motivos para não ler, a falta de tempo aparece como o mais apontado, com 29%</em></strong>”. Novidade alguma, mas agora há uma pesquisa legitimando isso.</p>
<p align="justify">Para entender esse “<em>problema</em>” é preciso, primeiro, pensar a respeito do <em>tempo</em>.</p>
<p align="justify"><strong>O tempo</strong>, como o utilizamos – dividido em anos, meses, semanas, dias, horas, minutos e segundos –, <strong>é uma invenção nossa</strong> e, como tal, <strong>deveria ser usado a nosso favor</strong>, para nosso benefício e não para nos prejudicar. <strong>Ninguém tem mais ou menos tempo que outro.</strong> A divisão é a mesma para todos. Quando alguém diz que não tem tempo para alguma coisa, podemos fazer, de imediato, três interpretações básicas:</p>
<blockquote>
<p align="justify">1) a pessoa está usando a “falta de tempo” como <strong>desculpa para não fazer algo</strong> que não considera prioridade ou necessário em sua vida;</p>
<p align="justify">2) a pessoa <strong>administra mal “o seu tempo”</strong>, vive ocupada, e realmente acredita que não tem condições de encaixar outra atividade em sua rotina;</p>
<p align="justify">3) a pessoa <strong>realmente vive tão assoberbada</strong> de coisas para fazer que, infelizmente, nem vive e logo vai ter essa grande dádiva – a vida – confiscada, já que não sabe mesmo como utilizá-la adequadamente.</p>
</blockquote>
<p align="justify">Se você costuma dizer que “<em>não tem tempo</em>”, <strong>seja honesto e diga em qual das três situações você se encaixa</strong>.</p>
<h3><font color="#000080">COMO SOLUCINAR TAIS “PROBLEMAS”</font></h3>
<p align="justify">Quem se encaixa na primeira situação, na qual a falta de tempo é só uma desculpa, provavelmente tem <strong>outro problema</strong>. Ele também é mostrado na pesquisa do Pró-Livro:</p>
<blockquote>
<p align="justify"><em>Outros 28% não lêem porque não são alfabetizados e 27% porque <strong>não gostam ou não têm interesse</strong>. Entre as limitações, 16% afirmaram que <strong>possuem um ritmo lento de leitura</strong> e outros 7% disseram <strong>não compreender a maior parte do que lêem</strong>.</em></p>
</blockquote>
<p align="justify">Isso tudo está relacionado com a <strong>péssima educação</strong> que temos no país, com a <strong>falta de incentivo à leitura</strong> desde cedo. A “<em>falta de tempo</em>” é mesmo mera desculpa. Você vai precisar tomar uma atitude séria e <strong>TER A CORAGEM DE APRENDER A LER</strong>. Sim, você já leva vantagem por ser alfabetizado, agora é só praticar. <strong>Pare de mentir para si mesmo e LEIA.</strong></p>
<p>Aos que se encaixam na segunda situação – a de administrar mal o tempo e acreditar que não consegue encaixar a leitura no seu dia –, falarei sobre minha própria experiência. Quando alguém me diz que “<em>leria (mais) se tivesse mais tempo</em>”, costumo retrucar da seguinte forma: “<em><strong>Faça como eu: não durma</strong></em>”. Invariavelmente a pessoa ri e acha que estou brincando. Não estou. Normalmente, durmo cinco ou seis horas por dia. Se você acha isso pouco, explico os motivos: <strong>eu não tenho tempo para dormir e vou ter todo o tempo para fazer isso quando morrer</strong>. É uma escolha. Eu acho mais importante ler do que dormir. Mas todo mundo precisa dormir! Sim e eu durmo. Só <strong>o tempo necessário</strong> para restabelecer minhas forças. <strong>Não desperdiço o tempo</strong> que pode ser empregado em outras atividades dormindo além do necessário. Mas vamos com calma. Se você precisa de oito, dez ou doze horas de sono diárias para se recuperar plenamente, durma todo o tempo que precisar. Garanto que <strong>isso não o impedirá de criar um hábito de leitura</strong>.</p>
<p align="justify">Por que? Porque <strong>você perde tempo enquanto está acordado</strong>.</p>
<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/calvintv.jpg" border="0" /></p>
<p>Diga-me: <strong>quanto tempo você passa na frente da televisão</strong> durante um dia? <strong>Quanto tempo fica sentado em algum lugar esperando alguma coisa</strong> (ser atendido pelo médico, pegar o filho na escola, a mulher no trabalho, ficar na fila de um banco ou dos Correios,&#8230;)? Se você pega ônibus ou outro transporte coletivo, <strong>o que faz enquanto espera e durante o tempo que está nele</strong>? <strong>Quanto tempo você passa na cama</strong> antes de pegar no sono? O que você faz quando não consegue dormir?</p>
<p align="justify">Imagine que você tirasse <strong>apenas dez minutos do tempo que você vê televisão</strong>, cinco minutos em que está esperando por algo ou alguém e mais uns dez minutos, já na cama, antes de dormir. Já seriam <strong>25 minutos por dia</strong>. Digamos que, durante esse tempo, você conseguisse ler quinze páginas de um livro. Seriam 105 páginas em uma semana. <strong>Mais de quatrocentas em um mês</strong>. Um livro médio de quatrocentas páginas ou dois de duzentas. Mas digamos que você só se dispõe a pegar menos da metade desse tempo para ler: quatro minutos a menos de tevê, quatro minutos na fila, quatro minutos na cama. Doze minutos diários, umas sete páginas por dia, 210 em um mês. <strong>Seria um livro por mês. </strong>Doze em um ano.<strong> Muito acima da média – ridícula e a qual, creio, seja muito pior na realidade – de 4,7 livros/ano atribuída aos brasileiros.</strong></p>
<p align="justify">Entendeu? Não. Vou mostrar com desenhos.</p>
<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/falta01.jpg" border="0" /></p>
<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/falta02.jpg" border="0" height="400" width="600" /></p>
<p align="justify">Os desenhos acima são de uma campanha das <strong><em>Edições O Cruzeiro</em></strong> e da <strong>Câmara Brasileira do Livro</strong>. Eles foram publicados no <strong>final da década de 1960</strong> nas páginas de <a href="http://www.memoriaviva.com.br/ocruzeiro" target="_blank"><em><strong>O Cruzeiro</strong></em></a>. Naquela época, a população do Brasil era metade da atual e as tiragens dos livros eram, no geral, bem maiores que as de hoje, assim como estes ganhavam várias edições. Mas já estavam em queda. Percebeu que <strong>você tem tempo de sobra? O que está faltando é um livro.</strong></p>
<p align="justify">A cada mês, seleciono quinze livros. Esforço-me para ler doze e coloco oito como meta mínima. É claro que há muitas mudanças, variações e obstáculos durante esse percurso de trinta dias. Leio muitas biografias (que costumam ter mais de 600 páginas), viajo, sinto-me indisposto, tenho dor de cabeça, me canso e acabo dormindo mais que o de costume, as obrigações como pai e marido tomam mais tempo do que o planejado&#8230; mas, <strong>em média, leio dois livros por semana</strong>. E acho pouco. Claro, leio ainda revistas, jornais, <em>blogs</em>, <em>sites</em>, etc. Ficaria feliz se conseguisse ler três por semana. E meu “plano de aposentadoria”, como muitos sabem, inclui <strong>ler um livro por dia</strong>.</p>
<h3><font color="#000080">OS RITMOS</font></h3>
<p align="justify">Calma lá! Assim como devemos respeitar nossa necessidade de sono, também <strong>devemos respeitar nosso ritmo de leitura</strong>. Eu leio assim porque consigo ler rápido e entender o que estou lendo. Não há genialidade ou super-poder algum nisso. É <strong>simples prática</strong>. <strong>Michael Phelps</strong> também nada muito mais rápido que eu. E ele nem é um peixe! <strong>É só um cara que treinou uma capacidade – que eu e você também temos – com mais afinco para fazer determinada coisa. </strong></p>
<p align="justify">Além do <em>ritmo do leitor</em>, há o <strong><em>ritmo do livro</em></strong> e o <strong><em>ritmo do envolvimento</em></strong>. Dois exemplos sobre o ritmo do livro. <em><strong>A montanha mágica</strong></em>, de <strong>Thomas Mann</strong>, é um livro cheio de descrições minuciosas, demoradas (chatas, mesmo!), em uma história longa e repleta de curvas. Precisa ser lido com cuidado. Degustado demoradamente, mastigado da forma adequada para poder ser digerido. Já um livro como <em><strong>O Código Da Vinci</strong></em>, de<strong> Dan Brown</strong>, tem outro ritmo. É rápido.  Você acaba de ler um de seus pequenos capítulos e já quer saber como aquela trama se resolve e qual será a próxima. É uma leitura nervosa, agoniada. Não tem graça deixar para depois.</p>
<p align="justify">O ritmo do envolvimento está relacionado ao <strong>seu interesse pelo tema</strong>. Ainda que eu consiga ler, de forma relativamente fácil, seiscentas ou setecentas páginas em um final de semana, costumo passar um mês inteiro com uma biografia. Gosto de entrar na vida do biografado, de pensar sobre cada momento, de me deter em certas histórias, de pesquisar a respeito, de fazer leituras paralelas para ajudar na contextualização de época e me sentir ainda mais familiarizado com os personagens. Por outro lado, livros considerados fáceis – como os de <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/safev07.htm#adelaide"><strong>Adelaide Carraro</strong></a>, de quem li uns trinta títulos –, costumo ler de um só fôlego. São leituras “para relaxar”, já que não exigem muito do leitor. E nisso não há qualquer demérito para o autor. Muito pelo contrário. Não é à toa que, cada um a seu tempo e devidamente inserido no contexto de sua época, autores como Adelaide Carraro e <strong>Paulo Coelho</strong> sejam tão lidos. E se, por muitos, são considerados vulgares ou autores de subliteratura, há neles <strong>o mérito inegável de fazer uma quantidade gigantesca de gente que jamais leu vir a pegar em um livro e se tornar um leitor</strong>. Milhares. Milhões. Eu adoro <strong>Kafka</strong>, <strong>Machado de Assis</strong>, <strong>Lima Barreto</strong>, mas jamais sugeriria a um não-leitor que tentasse começar a ler por algum deles. Provavelmente serviria como desestímulo.</p>
<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/liniers2.jpg" border="0" /></p>
<p align="justify"><strong>Exercite-se.</strong> E, como em todo exercício, comece pegando leve: leitura fácil, durante um tempinho, <strong>TODO DIA</strong>. Depois vá aumentando. Logo, logo você vai estar encarando os pesos pesados da Literatura.</p>
<p align="justify">Conseguiu chegar até aqui? Acha que “<strong>perdeu tempo com isso</strong>”? Então vou compensá-lo. Comente e concorra a um exemplar do <em><strong>Entrelinhas</strong></em> ou de <em><strong>Câmara Cascudo &#8211; 20 Anos de encantamento</strong></em>, duas antologias com textos meus. Comentou, já está concorrendo.</p>
<p align="justify">Amanhã, no próximo texto desta série, falarei sobre <strong>os prazeres que a leitura proporciona e como o livro</strong> – e não o cachorro – <strong>é o melhor amigo do homem</strong>.</p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback.jpg" usemap="#Map" border="0" height="25" /></center></p>
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		<title>Para gostar de ler 1 &#8211; É DE PEQUENO&#8230;</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Jun 2008 03:00:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Série - Para gostar de ler]]></category>

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		<description><![CDATA[Costumo dizer que sou da “geração de transição”. Da última que leu. Logo depois, os livros cederam sua função de educadores à televisão. O resto, todos já sabemos. Ou não. Não nasci em uma casa com livros. Mas nos anos &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/06/02/e-de-pequeno/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/pgdeler1.jpg" align="left" border="0" height="125" width="108" />Costumo dizer que sou da “geração de transição”. Da última que leu. Logo depois, os livros cederam sua função de educadores à televisão. O resto, todos já sabemos. Ou não.</p>
<p align="justify">Não nasci em uma casa com livros. Mas nos anos 70 ainda existiam os vendedores de enciclopédias e coleções que iam de porta em porta. A intenção era prover o próprio sustento, mas sem querer colaboraram para que muita gente adquirisse <strong>o hábito de ler</strong>.</p>
<p align="justify"><strong>Um leitor se faz de pequeno.</strong> O que não quer dizer, em absoluto, que não se possa começar a qualquer instante. Mas quem começa mais cedo leva muita vantagem.</p>
<p align="justify">Uma criança não tem – ou pelo menos não deveria ter – com o que se preocupar. Sua cabeça é como um pote que veio ao mundo totalmente vazio. Um pote forte, vigoroso, capaz de guardar qualquer coisa. <strong>O que vamos colocar dentro dele e quando começaremos a fazer isso são dois pontos importantíssimos.</strong> Isso fará toda a diferença e determinará se a criança se tornará ou não um leitor.</p>
<p align="justify"><a href="http://www.porliniers.com" target="_blank"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/liniers1.jpg" align="right" border="0" height="260" width="220" /></a>Dia desses, vi <strong>Marina Colasanti</strong> dizer que <strong>“<em>o transmissor (&#8230;) tem que ser um apaixonado por leitura senão a coisa não anda</em>”</strong>. Então, um conselho aos pais: não esperem que seus filhos aprendam isso na escola. Eles podem ter a sorte de encontrar um professor que goste de ler e incentive tal prática, mas isso, infelizmente, é raro. Portanto, <strong>faça isso você mesmo. Assuma essa responsabilidade. </strong>E se você não gosta de ler, aproveite a oportunidade e aprenda. Se não por você, por seus filhos.</p>
<p align="justify">Quando me perguntam <strong>o que desejo que meus filhos sejam</strong>, sempre respondo: “<strong><em>O que eles quiserem desde que saibam ler</em></strong>”. Digo isso porque, por conta do <a href="http://www.memoriaviva.com.br" target="_blank"><strong>Memória Viva</strong></a>, recebo muitos e-mails de pessoas que estão fazendo trabalho de conclusão de curso, mestrado ou mesmo doutorado pedindo algum tipo de auxílio para suas pesquisas. Em geral, elas demonstram muita dificuldade em conseguir o material que precisam para seus estudos. Isso se deve, principalmente, ao fato de que não aprenderam a ler. Isso mesmo: <strong>NÃO APRENDERAM A LER.</strong> Têm títulos de graduação, de mestrado, de doutorado e não sabem ler. <strong>São alfabetizadas, claro, mas não sabem ler.</strong> Por isso encontram dificuldades ao pesquisar. Elas não têm um mundo de informações que deveriam ter adquirido pelo hábito de leitura, não sabem como buscar informações e, quando as encontram, têm dificuldade em entendê-las. Tudo isso porque não aprenderam a ler corretamente. Não se exercitaram para isso. Não praticaram com a devida determinação algo que é <strong>pré-requisito para todas as outras etapas de aprendizagem</strong>.</p>
<p align="justify">Você saber correr, não sabe? Sabe nadar? Isso o qualifica para as provas de atletismo ou de natação nas Olimpíadas? Claro que não. Os atletas que disputam Olimpíadas se preparam para isso desde pequenos. Vivem para isso. <strong>Todo atleta exercita seu corpo</strong>, seus músculos, toda sua estrutura física <strong>para conseguir o melhor proveito</strong> na hora de correr, nadar ou participar de qualquer outra competição. <strong>Com a leitura é a mesma coisa. </strong>É preciso se exercitar desde pequeno e manter um padrão de qualidade desse exercício para que você esteja sempre preparado para tirar o melhor proveito. Ler não é algo só para escritores, jornalistas, filósofos ou outro gênero de maluco. <strong>É para todos.</strong> Um médico, um engenheiro, um físico, um advogado vai entender melhor qualquer novo conhecimento que chegar a suas mãos, relacionado à sua própria profissão, se souber ler corretamente. E para isso só existe uma maneira: exercitar sempre.</p>
<p align="justify">Este <em>blog</em> recebe mais de cem visitas diariamente. Fico me perguntando: quantas lêem um texto até o final? Independente de eu escrever bem ou mal, se a pessoa chegou até aqui é porque se interessou por algo. Aqui ou em outro <em>blog</em>, um artigo no jornal, em uma revista. Refaço – e atualizo – a pergunta: <strong>quantas conseguem se concentrar por cinco ou dez minutos para a leitura de um texto?</strong> “<strong><em>Ah, mas eu já li por alto e não tenho tempo</em></strong>”, dirão alguns. Isto é o equivalente a “<em>na próxima segunda-feira, eu começo o regime</em>” ou “<em>no próximo mês, começo a ir à academia</em>” ou ainda “<em>no ano que vem, vou voltar a estudar</em>”. <strong>É só uma desculpa para deixar de lado algo necessário e que faria bem. </strong></p>
<p align="justify">Amanhã, no próximo texto, abordo <strong>a principal desculpa de que não lê: a falta de tempo</strong>.</p>
<p align="justify">E se você leu até aqui, esforce-se mais um pouquinho e comente. Mesmo que seja apenas para dizer triunfante: <strong>EU LI</strong>.</p>
<p align="justify"><strong>SUGESTÕES</strong><br />
:: <a href="http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2008/05/30/materia.2008-05-30.4403166515" target="_blank">Mãe é quem mais incentiva a leitura, mostra pesquisa</a><br />
:: <a href="http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM822960-7823-O+SAUDAVEL+HABITO+DE+LER,00.html" target="_blank">O saudável hábito de ler</a> (Vídeo &#8211; Globo Comunidade)<br />
:: <a href="http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM822963-7823-UM+INCENTIVADOR+DA+LEITURA,00.html" target="_blank">Um incentivador da leitura</a> (Vídeo &#8211; Globo Comunidade)<br />
:: <a href="http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM831619-7823-SALAO+DO+LIVRO+INFANTIL+COMPLETA+ANOS,00.html" target="_blank">Salão do Livro Infantil completa 10 anos</a> (Vídeo &#8211; Jornal Nacional)</p>
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		<title>Vocês Terráqueas</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Jun 2008 03:00:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>

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		<description><![CDATA[Doze anos. Foi em 1996, quando Ricardo Kelmer passou por Natal divulgando seu primeiro livro, que nos conhecemos. De lá para cá, o homem danou a escrever. Já tem quase vinte títulos. Deu um pé nas editoras, tornou-se independente, arregimentou &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/06/01/voces-terraqueas/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/rkvoces.jpg" align="right" border="0" />Doze anos. Foi em 1996, quando <a href="http://www.ricardokelmer.net" target="_blank"><strong>Ricardo Kelmer</strong></a> passou por Natal divulgando seu primeiro livro, que nos conhecemos. De lá para cá, o homem danou a escrever. <strong>Já tem quase vinte títulos.</strong> Deu um pé nas editoras, tornou-se independente, arregimentou leitores e fãs pela Internet. É dos poucos que conheço que, ao ser perguntado sobre sua profissão, podem responder simplesmente: “<strong><em>Sou escritor</em></strong>”.</p>
<p align="justify">No último carnaval, durante o Encontro para a Nova Consciência, que acontece há 17 anos, em Campina Grande, estivemos juntos. Conversamos muito sobre mercado editorial, edições independentes e sobre essa maldição que é nascer escritor. Papo determinante para que eu tomasse algumas decisões.</p>
<p align="justify">Chegamos a junho e eis que vem nascendo o mais novo filho-livro de Ricardo Kelmer: <em><strong>Vocês Terráqueas</strong></em>. O rebento é, digamos, uma concepção do escritor, que, já grávido, deu-se ao desfrute com inúmeras leitoras do Brasil e do exterior. Nessa orgia virtual que teve como cama o blog <strong><a href="http://kelmerparamulheres.blogspot.com" target="_blank">Kelmer para Mulheres</a></strong>, nasceu o novo livro.</p>
<p align="justify">Sempre inovando, Kelmer lança <em>Vocês Terráqueas</em> <strong>em três versões</strong>: uma tradicional, em papel, que sai em agosto; uma em blog de acesso privativo e outra em PDF. Mais: quem adquirir o livro durante junho poderá fazer comentários que estarão nas três versões. Como? Veja os detalhes em <a href="http://www.ricardokelmer.net/rklivrovocesterraqueas.htm" target="_blank">www.ricardokelmer.net/rklivrovocesterraqueas.htm</a>.</p>
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		<title>Escrever e publicar</title>
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		<pubDate>Sun, 11 May 2008 15:52:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>

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		<description><![CDATA[Vejo meus escritos publicados desde os 16 anos de idade. Lá se vão vintes anos. Sempre em jornais e revistas. Em livro, já fui citado, ganhei dedicatória, escrevi prefácio, tive citação em orelha, trabalhos utilizados como fonte de pesquisa. Somente &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/05/11/escrever-e-publicar/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/entredet.jpg" border="0" height="150" width="600" /></p>
<p align="justify">Vejo meus escritos publicados desde os 16 anos de idade. Lá se vão vintes anos. Sempre em jornais e revistas. <strong>Em livro</strong>, já fui citado, ganhei dedicatória, escrevi prefácio, tive citação em orelha, trabalhos utilizados como fonte de pesquisa. Somente no ano passado tive um texto – um pequeno artigo originalmente publicado em um jornal – nas páginas de um livro. E só soube quando já estava pronto.</p>
<p align="justify">Daqui a alguns dias, finalmente debutarei como <strong>escritor</strong>. Não mais repórter, cronista, colunista, articulista. É um conto. <strong>Um microconto</strong> para ser mais exato.</p>
<p align="justify">O pecado será cometido na antologia <em><strong>Entrelinhas</strong></em>, a ser lançada pela Andross Editora, no final deste mês. São 43 microcontos e 48 contos em quase trezentas páginas. <strong>Gente de todo o Brasil</strong>, de todas as idades, começando nas letras, íntimos ou velhos amigos delas. <strong>Histórias</strong> rápidas – rapidíssimas às vezes – <strong>para todos os gostos</strong>.</p>
<p align="justify">Vinte anos escrevendo, incontáveis reportagens e entrevistas, crônicas, quatro anos de <em>blog</em> que geraram cerca de quatrocentos textos, algumas dezenas de pequenos contos lidos por meia dúzia de amigos, se tanto. Material suficiente para uns dez livros. <strong>Por que nunca publiquei ao menos um?</strong></p>
<p align="justify">Porque não aproveitei os arroubos (eufemismo para <em>inocência</em> ou <em>ignorância</em>) da juventude, quando <strong>achamos genial tudo que fazemos</strong>, e porque hoje um feroz crítico, que mora em mim, não me permite <strong>macular páginas de livros por pura vaidade</strong>. Mas os motivos não são só estes nem assim tão simples.</p>
<p align="justify">Atravessei várias fases e formulei diferentes teorias. No início, acreditava que o ideal seria uma grande editora descobrir “as maravilhosas obras escondidas em minhas gavetas”. <em>Que escritor o mundo estava perdendo! </em>Todo aspirante a escritor pensou isso um dia. O tempo foi passando e fui publicando em jornais e revistas. Se há um tipo escrevedor mais arrogante que escritor, este é o jornalista. A cada diploma assinado, temos alguém pronto a fazer pouco do <strong>Bechara</strong>. Tive péssimas – poucas, ainda bem – experiências com a genialidade alheia que, armados da pena inquisitorial, do concedido título de editor, conseguiram transformar informações, das mais simples e diretas, em erros monumentais. Aprendi que <strong>passar por idiota, só por mérito próprio</strong>. Dispenso o auxílio de terceiros. Assim, comecei a evitar a idéia desse desgaste com uma editora.</p>
<p align="justify">Os tempos mudaram e as edições independentes começaram a se tornar algo cada vez mais comum. Aí eu já não era tão jovem nem tão vaidoso. E o já citado crítico havia se apoderado de mim e de meus escritos. Desconfio de elogios e quando demonstram apreço por um texto em particular, acho apenas que ele (o texto) cumpriu parte de seu dever.</p>
<p align="justify">Durante muito tempo não entendi o motivo que levava um escritor a dizer que jamais relia um livro seu ou um cineasta que não revia um filme já finalizado. Só entendi quando comecei a perceber que, <strong>a cada releitura</strong> de um texto meu, <strong>encontrava erros ou uma forma melhor de dizer algo</strong>. Aí vinha o trilema: publicar e me envergonhar eternamente, ficar corrigindo sempre como um paranóico ou evitar as duas primeiras opções não publicando.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/entrecapa.jpg" align="left" border="0" height="254" width="188" />Nos últimos anos, com tanto material e tanta cobrança – minha e de terceiros – passei à tese de que seria melhor <strong>colocar o lixo para fora</strong> para finalmente escrever algo que prestasse. Então aconteceu o inesperado. As lições que a vida traz e você é obrigado a aprender. Com o início dos trabalhos para as biografias de <a href="http://www.memoriaviva.com.br/appe" target="_blank"><strong>Appe</strong></a> e <strong><a href="http://www.memoriaviva.com.br/carlosestevao" target="_blank">Carlos Estevão</a></strong>, fui obrigado a me organizar, pensar com muito cuidado cada passo dado na pesquisa e aonde cada um me levaria. Só então senti na pele algo que repetia, acreditava, mas não havia experimentado: escrever é 99% de transpiração e somente 1% de inspiração.</p>
<p align="justify">Passei a encarar os <strong>textos como filhos</strong>. Crio, coloco no mundo, dou o melhor de mim a eles, mas <strong>não me pertencem</strong>. Espero que encontrem bons homens e boas mulheres que gostem deles, que tenham bons momentos juntos.</p>
<p align="justify">Portanto, preparem-se. Vem aí um monte de livros, livretos, plaquetes e folhetos. Sobre isso, falarei em breve.<br />
<font color="#ffffff">.</font></p>
<p align="center">* * *</p>
<p align="justify"><strong>Já pediu seu exemplar do <em>Entrelinhas</em>? A promoção de pré-venda é só até dia 20. <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/entrelinhas">Clique aqui e saiba como fazer</a>. </strong></p>
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