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	<title>Sempre Algo a Dizer &#187; Jornalismo</title>
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		<title>Retrato do Grão-Mestre Varonil</title>
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		<pubDate>Sun, 29 Jan 2012 15:14:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
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		<description><![CDATA[Tá lá a foto do Tim estendida no Facebook! De cuecas e camisa rasgada, pouco se lixando para a câmera de Luciana Whitaker. Aliás, ele estava achando sua mãozinha clicadora – e provavelmente ela inteira – gostosa e fez questão &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2012/01/29/retrato-do-grao-mestre-varonil/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2012/01/timcens.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1169" title="" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2012/01/timcens.jpg" alt="" width="600" height="405" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Tá lá a foto do Tim estendida no Facebook! De cuecas e camisa rasgada, pouco se lixando para a câmera de <strong><a href="http://www.lucianawhitaker.com" target="_blank">Luciana Whitaker</a></strong>. Aliás, ele estava achando sua mãozinha clicadora – e provavelmente ela inteira – gostosa e fez questão de deixar isso claro. Esse era o Tim.</p>
<p style="text-align: justify;">Luciana postou a foto em <a href="http://www.facebook.com/lucianawhitaker" target="_blank">seu perfil no Facebook</a> na sexta, 27 de janeiro, acompanhada do seguinte texto:</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;"><em>Editando fotos hoje, encontrei essa foto nunca publicada. Tim Maia tinha hora marcada para receber a Folha de S. paulo. Cheguei lá, no apart hotel da Barra, ele estava de camiseta rasgada e&#8230; cueca! Com o rádio muito alto, não conseguia escutar as perguntas do repórter (acho que era o Marcelo Migliaccio) e pediu para eu desligar o som. Olhou minha mão em seu aparelho de som e disse: &#8220;Hum, que mãozinha gostosa&#8230;!&#8221; Fiquei braba e acabei fazendo a foto dele de cueca mesmo.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Na noite de sábado, quase mil pessoas já haviam compartilhado a postagem, inclusive eu, pelo <a href="http://www.facebook.com/memoriaviva" target="_blank">perfil do Memória Viva</a>. No domingo pela manhã, encontrei comentários que achavam a imagem “degradante” e diziam que “faltou ética” ao publicá-la. Segue reprodução do meu comentário, junto à postagem, após de ter lido isso:</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;">A leitura que se faz das coisas – de um texto, de uma foto, de um quadro, um filme, uma música&#8230; – varia imensamente de pessoa para pessoa. A cultura de cada um (aquilo que a pessoa aprendeu, juntou e reuniu como seus valores) vai fazer com que ela enxergue algo de uma forma completamente diferente de outros. Sou fascinado pela obra de Goya, mas tem quem a ache grotesca, bizarra, assustadora. E tem quem não se sinta fascinado ou incomodado. Sou jornalista e fotógrafo há mais de 20 anos, tendo trabalhado a maior parte do tempo na área cultural. Sou fã do TIM MAIA. Na minha opinião (no meu gosto pessoal), jamais houve melhor cantor na história da música brasileira. Nessa foto, só consigo ver o retrato fiel do porra-louca que ele sempre foi e do qual que se orgulhava muito de ser. Grande cantor, grande artista, grande beberrão, mulherengo e safado. Em resumo: UM SER HUMANO. Cheio de potencialidades, de boas e más qualidades, de defeitos e contradições. Assustar-se ou achar degradante essa foto é não entender que ELE ERA ASSIM. Não se importava com aparências, com o que pensavam dele, com convenções sociais. <em>UM</em> Tim Maia que, ao receber jornalistas, estivesse de banho tomado, perfume, roupinha passada, falasse e se comportasse como um acadêmico querendo posar de membro da elite não seria <em>O</em> Tim Maia. Seria uma farsa! Essa foto me fez lembrar um comentário de Marcelo Nova, último grande companheiro de palco e de farra de Raul Seixas. Quando Raul morreu e começaram a derramar um mar de elogios, Marcelo se indignou e falou que logo estariam dizendo que ele era santo. Isto seria um insulto! Olho para essa foto e vejo um Tim Maia lindo, verdadeiro, sincero e escroto do jeito que ele era. Ele, que não era nenhum incapaz ou um retardado mental que não soubesse o que estava fazendo, riria muito de vê-la estampada na <em>Folha de S. Paulo</em>. Mas quem teria a coragem dele para fazer isso?</p>
<p style="text-align: justify;">Em bom e claro português: a foto é do caralho! Nem dá para imaginar o impacto que teria se estampada na <em>Folha de S. Paulo</em> dos anos 90 (ela não diz quando foi feita, mas creio que tenha sido naquela época). Mas o impacto veio quase década e meia depois da morte de Tim e pelo Facebook. A meu ver, um impacto positivo. É a cara do Tim, sem talquinho ou água de colônia. Mais que histórica, a foto é honesta!</p>
<p style="text-align: justify;">Lembrei algumas situações pelas quais passei e as exponho aqui para acrescentar dados à discussão e desenvolver o tema sobre “momentos e escolhas no fotojornalismo” e não sobre “ética” porque não vejo motivo para isso.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando fotografo para ilustrar matérias, quase invariavelmente o faço para as minhas. Isto é, estou lá para entrevistar/apurar E TAMBÉM para fotografar. No caso, a fotografia é produzida como complemento do meu trabalho principal, que é escrever. Acontece que, sendo assim, as fotos têm pouco de jornalismo, pois serão feitas separadamente, em outro momento, e provavelmente serão posadas, dispensando muito da naturalidade que poderia ser registrada quando o entrevistado estivesse mais preocupado em falar e demonstrando suas emoções. No entanto, em mais de vinte anos, tive algumas oportunidades de estar só fotografando ou de poder dar mais atenção a isso.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma das vezes foi em um carnaval, no início dos anos 90, que passei na praia de Pirangi, no Rio Grande do Norte. No mesmo hotel, estavam vários conhecidos atores de televisão e um casal, da mesma idade que eu, que começava a aparecer e chamava já chamava bastante atenção: <strong>Selton Mello</strong> e <strong>Danielle Winits</strong>. Era um tempo em que fotógrafo era fotógrafo e não qualquer pessoa com uma câmera, como hoje. E eu era o único que também estava hospedado no hotel e tinha acesso direto aos convidados globais durante todo o dia, incluindo passeios turísticos e outros momentos de lazer. Selton e Danielle eram namorados. Tínhamos todos 19 ou 20 anos. Danielle, linda, era uma jovem normal. Simpática, curiosa, conversava com todo mundo. Selton era mais reservado (ou antipático, se preferir), sempre de óculos escuros, nunca olhava diretamente para as pessoas e só falava baixo e enrolado com aquela voz que todo mundo sabe imitar. Já era cheio de pose. Mas não dá para ser muito posudo quando se se é gordinho, branquelo e está só de sunga. Menos ainda se você vive da sua imagem e namora uma garota de corpo perfeito. Imagine o contraste! Pensando agora, acho que ele estava bem incomodado com minha câmera. Mas qual era meu interesse em fotografar aquele cara quando a Danielle Winits, 19 aninhos, estava de biquíni bem na minha frente? Nenhum. Se fosse hoje, sairia no Ego: <em>Selton deixa gordurinhas à mostra durante o carnaval</em>. Mas eu não sou tão mau assim (talvez seja) e a foto que lembro bem e gostei de ter feito foi dos dois, abraçados, no meio das dunas de Genipabu. Uma foto linda, aberta, em um cenário paradisíaco, de um jovem casal que começava a carreira na tevê. “<em>Uma foto para Caras</em>”, pensei na hora. Não enviei, nem jamais publiquei. Mas um detalhe, que provavelmente passaria despercebido à maioria, ficou na minha cabeça. Danielle estava de costas para mim, entregue, curtindo o namorado, como qualquer adolescente. Selton, apesar do rosto colado ao dela, olhava em minha direção. Ele sabia que eu estava fotografando e estava, por assim dizer, participando daquela encenação. Qualquer um que trabalhe com a própria imagem sabe bem o que faz quando tem um fotógrafo por perto. Não há inocentes ou malfeitores numa situação dessas. Há um acordo silencioso e óbvio. Um está ali para aparecer; outro, para fazer aparecer.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2012/01/anselmo.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-1163" title="" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2012/01/anselmo.jpg" alt="" width="230" height="307" /></a>Outra situação aconteceu em 2004. Fui a Salto (SP), com um pequeno grupo, para entrevistar <strong><a href="http://www.memoriaviva.net.br/siteantigo/anselmo.htm" target="_blank">Anselmo Duarte</a></strong> em seu apartamento. Ele abriu a porta muito à vontade para receber aqueles estranhos e, quando viu a câmera, pediu para fazer a barba. Era uma barba de um ou dois dias. Nada assustador. Eu já havia feito pelo menos uma foto, mas ele demonstrou a vontade de se apresentar de outra forma e só as fotos pós-barba foram publicadas. Como eu poderia dizer não ao maior galã da história do cinema brasileiro? Como eu poderia dizer não ao único brasileiro ganhador da Palma de Ouro? Como eu poderia dizer não àquele senhor de 84 anos e ainda vaidoso? Meu instinto agiu com a velocidade de sempre e registrou o senhor que estava em sua casa, despreocupado com a estampa, roupa amassada, barba por fazer, como qualquer pessoa normal. Mas Anselmo Duarte era o bonitão, bem cuidado e cheio de expressões. Essa era a imagem que ele sempre mostrou. Existe outra, outro lado, comum (diria até desinteressante), que registrei, mas&#8230; o que ela diz? Nada de especial. “<em>Você não vai me pedir para fazer uma foto segurando a Palma de Ouro, vai? Jornalista não tem imaginação. Já fiz dezenas de fotos iguais a essa.</em>” Fazer, eu fiz. Até porque a Palma estava quebrada (um apresentador de tevê deu um tombo nela!) e eu nunca vi uma foto dele com o troféu naquelas condições! Depois do puxão de orelha, não publiquei a foto aparentemente tão comum e repetida, mas eu sabia que aquele detalhe fazia a diferença. O registro foi feito. Quando e como usar é uma escolha somente minha.</p>
<p style="text-align: justify;">Reportagens feitas nas casas dos entrevistados costumam gerar momentos extremamente peculiares, como da vez em que eu aguardava uma famosa atleta sair do banho para fazer uma matéria. Ela não foi avisada da minha chegada e, de repente, aparece totalmente nua e dá de cara comigo. Ela grita e corre para o quarto. Eu, entre constrangido e agradecido aos céus, tento fingir que nada aconteceu. Não, dessa vez, não fotografei.</p>
<p style="text-align: justify;">Imagem é algo poderoso. Duvido alguém citar algo que Itamar Franco tenha feito quando presidente, mas da foto dele, no carnaval de 1994, ao lado de Lilian Ramos sem calcinha, todo mundo lembra. Para mim, a foto de Tim Maia feita por Luciana Whitaker é daquelas icônicas, fiéis, que escancaram a personalidade e a alma da figura fotografada. Não tem nada de “assustador”, “degradante” ou “antiético” como vi em alguns comentários. Eu diria que existe, sim, hipocrisia, falta de senso crítico e de sensibilidade para entender o que ela realmente representa. Além de tudo isso, essa indignação parece algo de uma sociedade muito preocupada com a aparência e que desaprendeu a perceber a essência dos seres. Há uma identificação provocada pelo medo de se ver daquele jeito, como se a roupa fosse a pessoa ou representasse sua dignidade. “Eu não gostaria de ser mostrado assim!” Ninguém precisa ter esse medo. Ninguém é o Tim Maia, não tem seu talento, sua fama, nem sua incrível personalidade, que dispensava roupas novas e alinhadas. E Tim Maia não era um santo ou um deus para ser esculpido, idealizado e idolatrado como tal. Era humano – como tal, cheio de talentos e defeitos –, desses de dar orgulho à espécie. E sua humanidade nunca havia sido tão bem retratada.</p>

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		<title>Dr. Macarra, o padroeiro das redes sociais</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Dec 2011 22:34:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Sebastião Morato de Alcântara era o nome do sujeito. Nasceu no dia 11 de setembro de 1921, no município pernambucano de Barreiros, a 102 quilômetros e cinco dias de distância do nascimento de Carlos Estevão. Para as mulheres solteiras e &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2011/12/21/dr-macarra-o-padroeiro-das-redes-sociais/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/12/macarra01.jpg"><img class="size-full wp-image-1125 aligncenter" style="border-style: initial; border-color: initial; border-image: initial; margin-top: 0px; margin-bottom: 0px; border-width: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/12/macarra01.jpg" alt="" width="600" height="276" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Sebastião Morato de Alcântara era o nome do sujeito. Nasceu no dia 11 de setembro de 1921, no município pernambucano de Barreiros, a 102 quilômetros e cinco dias de distância do nascimento de <a href="http://www.memoriaviva.com.br/carlosestevao" target="_blank">Carlos Estevão</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Para as mulheres solteiras e carentes com mais de 30, ele se apresentava como Doutor Zilá Camboim, às vezes engenheiro, outras militar, sempre elegantemente trajado, muito educado e solícito. Na verdade, tinha apenas o primário, era casado (mas vivia separado da esposa) e era velho conhecido da polícia, que o chamava de Doutor Macarrão. Passou quase 20 anos ludibriando mulheres para lhes roubar dinheiro e joias. Vivia disso. Este era o seu ofício.</p>
<p style="text-align: justify;">No papel, o Dr. Macarra não era alguém de quem se pudesse ter raiva ou querer prender. Era um pobre coitado já tão castigado pela vida que, para os leitores (ou “vedores”, como dizia Carlos Estevão), só restava rir da sua desgraça e das tentativas de se passar por um homem de respeito.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/12/macarra01_capa.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-1126" title="" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/12/macarra01_capa.jpg" alt="" width="230" height="332" /></a>A revista com seu nome durou apenas nove edições, de abril a dezembro de 1962, mas ele só aparece na capa da primeira. Além das histórias do personagem-título, há também as Novas Aventuras de Sharleck Halmes (apresentadas por Sir Charles Stevens), além de séries e charges com os temas de costume. Tudo roteirizado, desenhado e finalizado por Estevão.</p>
<p style="text-align: justify;">Dr. Macarra foi um herói da Força Expedicionária Brasileira, <a href="http://www.facebook.com/media/set/?set=a.136735409722092.26590.100001569022672&amp;l=9a86acecd5" target="_blank">esteve em Cuba</a> e na selva africana, foi astro do cinema, membro da Academia Brasileira de Letras, artista de múltiplos talentos, um grande político e circulou por Paris. Tudo em sua imaginação e nas histórias que contava para alguma figura feminina. A realidade, sempre mostrada no quadro seguinte, era bem diferente.</p>
<p style="text-align: justify;">Era um personagem mais humano e muito mais rico que o Amigo da Onça. E talvez este tenha sido também o causador de sua morte precoce. Você não conhece um Dr. Macarra? Você não já deu uma de Dr. Macarra? Abra agora o Twitter ou o Facebook e veja quanta gente inteligente, bem-sucedida, rica, frequentadora das melhores festas, amigas de celebridades, que tem tudo que o dinheiro pode comprar e que viaja pelo mundo todo. Você acredita mesmo que todas as pessoas que conhece vivem do jeito que demonstram? Você pode até conhecer um ou dois amigos da onça, mas Dr. Macarra, garanto, você conhece um monte.</p>
<p style="text-align: justify;"><small>* Texto originalmente publicado na edição 371, de outubro de 2011, do <em>Jornal da ABI</em>, como box da matéria <em><a href="http://www.readoz.com/publication/read?i=1043787#page30" target="_blank">Carlos Estevão 90 anos &#8211; Ele só queria ser criança</a></em>)</small></p>

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		<title>Quase pretos ou quase brancos</title>
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		<pubDate>Tue, 05 Jul 2011 23:00:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
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		<description><![CDATA[Ontem, comecei a escrever uma série de textos que mostra o peso do fotojornalismo na construção e no fortalecimento da cultura americana e como os brasileiros, que adoram imitar os americanos, não conseguiram fazer algo parecido. O texto já ia &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2011/07/05/quase-pretos-ou-quase-brancos/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Ontem, comecei a escrever uma série de textos que mostra o peso do fotojornalismo na construção e no fortalecimento da cultura americana e como os brasileiros, que adoram imitar os americanos, não conseguiram fazer algo parecido. O texto já ia na oitava página e parei na análise de duas fotos da primeira edição da <em>Life</em>, de novembro de 1936, que mostravam a mistura de raças no Brasil.</p>
<p style="text-align: justify;">Vejam as fotos, as legendas (traduzidas) e parte do meu texto.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/07/brlife2.jpg"><img class="size-full wp-image-1029 aligncenter" style="border: 0pt none; margin-top: 0px; margin-bottom: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/07/brlife2.jpg" alt="" width="590" height="381" /></a></p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;"><em><strong>Civilização</strong> é o nome que os brasileiros dão a esta escultura de um homem e uma mulher negróides, para uma nova raça brasileira que está emergindo dos portugueses misturados com negros e índios. (&#8230;) A despeito da estátua, os cidadãos do Rio, auto-intitulados cariocas, são predominantemente brancos. Mas muitos aristocratas brancos do Rio têm parentes pretos e, no negróide Norte do Brasil, uma gota de sangue branco faz um homem &#8220;branco&#8221;.</em></p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;"><em><strong>O homem com o chapéu preto </strong>(centro) é considerado praticamente branco no Brasil. Sua companhia na dança do subúrbio da Penha, no Rio, é muito mais clara, definitivamente com características europeias. Ela é uma mulher branca, acolhida e alegremente desposada por um homem &#8220;praticamente branco&#8221;. O jovem com casaco cinza e calça branca tem uma boa mistura de sangue indígena e português. Todos estes são mais claros que o homem branco do Norte do Brasil. Todos os negros brasileiros votam e vivem em termos de igualdade legal com os homens brancos puros.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Hoje, pela manhã, me deparo com a seguinte notícia no site da <em>Veja</em>:</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Professor é acusado de mandar aluno africano clarear a cor</strong></p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;"><em>A Universidade Federal do Maranhão (UFMA) solicitou a abertura de um processo administrativo disciplinar para apurar as denúncias de racismo contra um professor da instituição. Alunos do curso de Engenharia Química apontaram atos de discriminação do professor José Cloves Verde Saraiva contra o aluno africano Nuhu Ayuba, inscrito na disciplina Cálculo Vetorial. Saraiva já pediu desculpas e disse que a situação foi um mal-entendido.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;"><em>Uma cópia da denúncia foi entregue ao Ministério Público Federal. &#8220;Informamos que o professor Cloves Saraiva vem sistematicamente agredindo nosso colega de turma Nuhu Ayuba, humilhando-o na frente de todos&#8221;, afirmaram os alunos na petição pública. Segundo os estudantes, o professor teria dito que Ayuba &#8220;deveria voltar à África e clarear a sua cor&#8221;.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Brasil, 1936, visto pelos americanos. Brasil, 2011, visto por nós mesmos.</p>
<p style="text-align: justify;">O último parágrafo que escrevi ontem dizia o seguinte:</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;">Independente da época e do contexto, preconceito racial (e por qualquer tipo de diferença) é uma estupidez indesculpável. No entanto, 75 anos depois, sendo brasileiro (portanto, vira-lata), vejo a legenda e a foto como o documento de uma época em que o Brasil buscava uma identidade racial, social, e não tinha o preconceito típico do americano. Esquecendo um pouco os comentários racistas, a foto é maravilhosa, não? Dispensa qualquer legenda ou interpretação. Retrata a verdadeira mistura que forma nosso povo e sua alegre convivência. Pelo menos nesse ponto, tínhamos tudo para sermos superiores, mais civilizados. <strong>Pena que, até nisso, o brasileiro tenha se americanizado.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Se a Ku Klux Klan aceitasse caboclos, esses brasileiros praticamente negros que se acham brancos poderiam ter seu clubinho.  Acho bem merecido quando esse tipo babaca de brasileiro é maltratado no exterior e se sente colocado no lugar <strong>onde todo racista deveria estar: abaixo de qualquer outro ser humano</strong>. Só lamento que, mesmo assim, não aprendam.  Seres desse tipo nunca aprendem. Nunca viram gente.</p>
<p style="text-align: center;">* * * * * * * *</p>
<p style="text-align: justify;">► <strong>DICA do mano BUCA DANTAS:</strong> <strong><a href="http://www2.uol.com.br/JC/sites/especial_joaquimnabuco/html/html2/index.html" target="_blank">Quase brancos, quase negros</a></strong></p>

<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2011/07/05/quase-pretos-ou-quase-brancos/&amp;text=Quase pretos ou quase brancos&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
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		<item>
		<title>As sereias na casa de Deus (II)</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Oct 2010 01:30:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte tumular]]></category>
		<category><![CDATA[Artes plásticas]]></category>
		<category><![CDATA[Erotismo]]></category>
		<category><![CDATA[Estatuária]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
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		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>

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		<description><![CDATA[“Venha! Venha! Chegue! Chegue! Olhe. Bonito, né? Fotografe. Venha, venha&#8230;” Era assim, tocado como um boi desgarrado da manada, que minha guia me fez percorrer, em 20 minutos, praticamente todas as partes da Igreja de São Francisco em João Pessoa &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/10/25/as-sereias-na-casa-de-deus-ii/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/10/25/as-sereias-na-casa-de-deus-ii/&amp;text=As sereias na casa de Deus (II)&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/sereias01.jpg"><img class="size-full wp-image-666 aligncenter" style="border: 0pt none; margin-top: 0px; margin-bottom: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/sereias01.jpg" alt="" width="600" height="250" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">“<em>Venha! Venha! Chegue! Chegue! Olhe. Bonito, né? Fotografe. Venha, venha&#8230;</em>” Era assim, tocado como um boi desgarrado da manada, que minha guia me fez percorrer, em 20 minutos, praticamente todas as partes da Igreja de São Francisco em João Pessoa (PB). Vinte minutos que para ela teriam sido cinco se eu não me fizesse de doido e mouco à sua toada sem freio. Ela foi cansando e logo já era um aboio, triste, ao longe, “<em>tchau, moço</em>” e me abandonou ali na porta da, segundo ela, “<em>capela de São Francisco, porque a Igreja mesmo é de Santo Antônio</em>”. Prestes a me ver livre, nem quis discutir. Fica para a próxima saber qual santo é dono de qual parte, quem fica com a nave principal, quem fica com a capela que tem uma vista linda e na qual se pode passar horas somente olhando para o teto.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa minha segunda ida à Igreja de São Francisco foi em busca de suas sereias. Nem sabia que havia tanta coisa linda, além delas, para se ver ali. E há! Na próxima, passarei horas. Esteja avisada, dona venha-venha-chegue-chegue!</p>
<p><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/download/sereias.pdf" target="_blank"><img class="size-full wp-image-667 alignright" style="border: 0pt none;" title="Clique e baixe o artigo completo" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/sereias_pagina.jpg" alt="" width="207" height="279" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Soube das sereias há alguns anos, folheando a edição de 5 de abril de 1952 de <a href="http://www.memoriaviva.com.br/ocruzeiro" target="_blank"><em>O Cruzeiro</em></a>. Um artigo de <a href="http://www.memoriaviva.com.br/cascudo" target="_blank">Câmara Cascudo</a> dava conta da excentricidade. Passei pela igreja no final de 2008, mas só conheci a parte externa. Dessa vez, entrei e fui buscar as mulheres com rabos de peixe no altar do Santíssimo.</p>
<p style="text-align: justify;">Segundo Cascudo, elas estão lá desde 1779 e não são de ordem erótica, mas símbolos funerários. Ele vai a três séculos antes da igreja de Cristo para explicar a ligação da sereia com a morte, em um tempo e lugar onde elas eram seres alados. Sereia com rabo de peixe, parece, é coisa nossa. Ainda assim, faz sentido que essas também estejam relacionadas à morte. Afinal, o que faz uma sereia quando encanta um homem? Também parece estar relacionado aos desejos, a sedução, aos prazeres, à “perdição” que este caminho leva. Arriscaria dizer que pode haver um sincretismo entre arte, regionalismo e religião. Sabe Deus o que as diabinhas do mar estão fazendo lá!</p>
<p style="text-align: justify;">Cascudo também diz que não conhece outro exemplo desse tipo no Brasil. Não dou certeza, mas se não me falha a memória (ela é muito boa, mas falha), também há sereias na entrada da Igreja de São Pedro, em Recife, Pernambuco. Nem preciso dizer que voltarei a ambas para tirar tudo a limpo, não? Por enquanto, fiquem com <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/download/sereias.pdf" target="_blank">o artigo</a> de <em>O Cruzeiro</em>, com as imagens da época e com as que fiz agora (as sereias tiveram pelo menos uma restauração desde então, pelo que sei, no final da década de 1970).</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/sereias02.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-670" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/sereias02.jpg" alt="" width="500" height="435" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/sereias03.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-671" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/sereias03.jpg" alt="" width="500" height="413" /></a></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/igsfran01.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-673" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/igsfran01.jpg" alt="" width="500" height="443" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/igsfran02.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-674" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/igsfran02.jpg" alt="" width="500" height="443" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Mais fotos no <a href="http://twitpic.com/photos/sandrofortunato" target="_blank">Twitpic</a> ou em <a href="http://www.facebook.com/sandrofortunato" target="_blank">meu perfil no Facebook</a>.</strong></p>

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		<title>Nós somos o mundo</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/02/11/nos-somos-o-mundo/</link>
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		<pubDate>Thu, 11 Feb 2010 07:54:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Anos 80]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Envie a eles seu coração Assim saberão que alguém se importa com eles E suas vidas serão mais fortes e livres (Dionne Warwick em We are the World) Tenho três filhos. Aimée, a primeira, está completando 17 anos hoje. É &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/02/11/nos-somos-o-mundo/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em>Envie a eles seu coração<br />
Assim saberão que alguém se importa com eles<br />
E suas vidas serão mais fortes e livres</em><br />
(Dionne Warwick em <em>We are the World</em>)</p>
<p style="text-align: justify;">Tenho três filhos. Aimée, a primeira, está completando 17 anos hoje. É difícil explicar a ela – e acredito que será muito mais para os dois mais novos, atualmente com 10 e (quase) 5 anos – que já existiu um mundo sem Internet, que precisávamos esperar para ter determinada informação, no qual artistas eram ativistas políticos e humanitários e faziam músicas que varriam o planeta, fazendo com que as pessoas parassem e pensassem que havia algo muito maior e mais importante que suas próprias vidas, que deveriam agir para transformar esse mundo em um lugar mais justo e melhor para se viver.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 1982, eu tinha 10 anos – idade atual de Ananda, minha filha do meio –, e escutei uma música, em inglês, que me tocou de alguma forma. Eu não entendia nada do que ela dizia além da palavra que lhe dava título e era repetida algumas vezes: <em>Africa</em>. Qualquer manifestação artística honesta e bem realizada desconhece barreiras de linguagem. Essa canção foi feita por excelentes músicos populares que sabiam como transpor essas barreiras. A impressão que ela me deixou, até hoje, é que começava de uma forma melancólica mas esperançosa e, em determinado momento, pouco antes do refrão, fazia uma convocação para, na sequência, ganhar outras vozes reafirmando uma necessidade urgente.</p>
<p><center><br />
<object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/9NuA7AripfU&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/9NuA7AripfU&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object><br />
</center></p>
<p style="text-align: justify;">Certamente demorou algum tempo, alguns anos talvez, para que eu soubesse que era realmente isso.  A voz se elevava ao dizer “<em>Hurry, boy, it&#8217;s waiting there for you</em>” (em uma tradução livre: <em>Rápido, garoto, tudo está lhe esperando por lá</em>). No refrão, dizia em coro: <em>There&#8217;s nothing that a hundred men or more could ever do (&#8230;) /Gonna take some time to do the things we never had </em>(<em>Não há nada que uma centena de homens ou mais não possa fazer (&#8230;) /Vai levar algum tempo para fazer as coisas que nunca fizemos</em>).</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/watw_big.jpg" target="_blank"><img class="alignright size-full wp-image-502" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/02/wearetheworld.jpg" alt="" width="288" height="347" /></a>Devo ter recebido essa informação por volta de 1985, quando já bombardeados com as muitas imagens da fome na África – a maioria pela TV, durantes os telejornais –, vimos um grupo de artistas (naquele tempo havia artistas de verdade, não meras “celebridades”) se unir, criar e cantar uma música que virou um verdadeiro mantra, que por si só parecia ter a força de executar mudanças gigantescas: <em>We are the World</em>. Para mim, um adolescente de 13 anos, ela parecia ganhar mais força quando entrava alguma das vozes dos astros do pop rock que eu costumava ouvir. Aquelas vozes mais conhecidas falavam diretamente a mim: Tina Turner dizendo que somos todos parte da fantástica família de Deus; Michael Jackson, de uma forma muito doce, dizendo que somos o mundo, somos as crianças; mais adiante, caso alguém não tivesse entendido, a voz rouca e poderosa de Bruce Springsteen repetindo isso de outra forma; e o esclarecimento era dado pela voz de Cindy Lauper, dizendo que deveríamos perceber que a mudança só poderia vir quando nós nos juntássemos e resistíssemos como se fossemos um só.</p>
<p style="text-align: justify;">Acredito que a experiência de <em>We are the World</em> só possa ser plenamente entendida por quem viveu aquela época. Não podíamos baixar o clipe para um computador ou vê-lo no <em>YouTube</em> a qualquer instante. Não havia nem videocassetes. Tínhamos que esperar a música ser executada em uma rádio ou o vídeo ser exibido na TV. Quando isso acontecia, todos corriam, aumentavam o som e, mesmo sem saber direito o que estavam falando, cantavam junto, fazendo parte daquele coro: <em>We are the world, we are the children / We are the ones who make a brighter day.</em> Era um momento de oração. Depois, comprando o LP e com isso contribuindo para combater a fome na África, podíamos “rezar” mais vezes.</p>
<p><center><br />
<object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/jzw6GiqZyD0&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/jzw6GiqZyD0&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object><br />
</center></p>
<p style="text-align: justify;">Hoje, 25 anos depois, Quincy Jones e Lionel Richie, dois dos idealizadores daquele momento, reúnem um novo time para fazer <em>We are the World &#8211; 25 for Haiti</em>, que será lançado nesta sexta, 12 de fevereiro, durante a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno de Vancouver. Um quarto de século depois, o mundo está muito diferente, totalmente conectado. A informação chega imediatamente a qualquer lugar do planeta e pode ser acessada e repassada a qualquer momento, quantas vezes for preciso. Muita coisa mudou, mas não a nossa incapacidade de resolver os problemas dos nossos irmãos mais necessitados.</p>
<p><center><br />
<object width="560" height="340"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/Glny4jSciVI&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/Glny4jSciVI&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="560" height="340"></embed></object><br />
</center></p>
<p style="text-align: justify;">Duvido que alguém discorde da afirmação de que hoje as pessoas são muito mais insensíveis do que 25 anos atrás. O problema da fome na África continua e a ele se aliou o da AIDS que, até agora, já matou o equivalente a uma vez e meia a população da cidade de São Paulo. E há outro tanto desses vivendo com o vírus. Não fomos capazes de deter isso e ainda fazemos previsões para um futuro pior. Em 15 anos, mais de 200 milhões – mais do que toda a população atual do Brasil – estarão infectados com o HIV na África.</p>
<p style="text-align: justify;">A situação do Haiti não é diferente. <em>Noventa por cento dos 5 milhões de haitianos são subalimentados. Há seis médicos para cada 100 mil habitantes. A expectativa de vida não chega a 50 anos. Noventa por cento da população é analfabeta e 73% das crianças com menos de 14 anos nunca foram à escola. O desemprego e o subemprego são da ordem dos 70%.</em> E o que você acabou de ler não é uma informação divulgada recentemente, por conta do terremoto que matou mais de 230 mil pessoas. Você leu um parágrafo de uma matéria de agosto de 1973 da revista <em>Realidade</em>. Quase quatro décadas depois, a realidade é bem pior.</p>
<p style="text-align: justify;">Há duas coisas que não consigo entender: como não conseguimos aprender com nossos erros e como bilhões de pessoas não conseguem impedir que alguns poucas deixem milhões de outras nessa situação por décadas e até séculos. Grande parte dos 5 milhões dos quais falava a matéria de <em>Realidade</em> em 1973 já morreu. Surgiram pelo menos duas outras gerações, hoje cerca de 8 milhões de pessoas, que já nasceram condenadas a esse mesmo tipo de existência.</p>
<p style="text-align: justify;">Naqueles dias de 1985 em que o mundo estava cantando <em>We are the World</em>, Baby Doc, então presidente dito vitalício do Haiti, comemorava 14 anos de sua chegada ao cargo, transmitido por seu Papai Doutor (Papa Doc), que passou seus 28 últimos anos de boa vida vampirizando o país.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-503" style="border: 0pt none;" title="babydoc" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/02/babydoc.jpg" alt="babydoc" width="500" height="555" /></p>
<p style="text-align: justify;">No ano seguinte, 1986, Baby Doc e família fugiram para a França. Somente quatro anos depois, o Haiti teria o que é considerado como sua primeira eleição livre. O eleito foi o padre Jean-Bertrand Aristide, que também sofreu golpes e ficou em um vai-e-vem no cargo até 2004, quando foi retirado do país por tropas americanas. Aristide acabou se refugiando na África do Sul, outro país com um povo extremamente sofrido – a parte negra, para não fugir à regra.</p>
<p style="text-align: justify;">Não pretendo me estender nem falar agora sobre esse completo absurdo chamado Apartheid, que durou mais de meio século. Quero apenas terminar lembrando o maior símbolo de resistência contra esse regime de separação, Nelson Mandela, que passou quase três décadas preso pelo “crime” de defender a igualdade de direitos para todos os homens, independente de cor. Hoje, 11 de fevereiro de 2010, faz 20 anos que Mandela foi libertado.</p>
<p style="text-align: justify;">Naqueles conturbados anos 80, quando parecíamos mais dispostos a lutar por um mundo melhor, ele ainda estava preso. Além de <em>Africa </em>(1982) e <em>We are the World</em> (1985), quem viveu aqueles tempos também deve lembrar outra canção que marcou a década: <em>Mandela Day</em> (1988), do Simple Minds. Era o mundo pedindo a libertação de um homem, de um símbolo de resistência e de humanidade. Nós realmente acreditávamos que éramos <em>O</em> mundo e não só a parte mais egoísta dele. Desejo que as gerações que viram sua história continuem inspiradas por seus ideais. E que, como é dito em um dos versos da música feita para ele, as crianças continuem conhecendo a história desse homem. Talvez ainda haja tempo de revermos esse roteiro que parece levar sempre ao mesmo fim. Talvez ainda sejamos fortes e suficientemente humanos para mudarmos nossa História.</p>
<p><center><br />
<object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/FFnJmz5pWc4&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/FFnJmz5pWc4&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object><br />
</center></p>

<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/02/11/nos-somos-o-mundo/&amp;text=Nós somos o mundo&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
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		<item>
		<title>O histórico Enecom de João Pessoa</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/01/24/o-historico-enecom-de-joao-pessoa/</link>
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		<pubDate>Sun, 24 Jan 2010 19:29:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Anos 80]]></category>
		<category><![CDATA[Anos 90]]></category>
		<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Há 20 anos...]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/?p=444</guid>
		<description><![CDATA[Os últimos dias de janeiro de 1990 foram calmos. A agenda daquele ano comparada a de outros, revela que sempre leio pouco em janeiro. Minha média é de um ou dois livros por semana, mas no primeiro mês de cada &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/01/24/o-historico-enecom-de-joao-pessoa/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/01/24/o-historico-enecom-de-joao-pessoa/&amp;text=O histórico Enecom de João Pessoa&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-445" style="border: 0pt none;" title="enecom1" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/01/enecom1.jpg" alt="enecom1" width="600" height="291" /></p>
<p style="text-align: justify;">Os últimos dias de janeiro de 1990 foram calmos. A agenda daquele ano comparada a de outros, revela que sempre leio pouco em janeiro. Minha média é de um ou dois livros por semana, mas no primeiro mês de cada ano isso cai terrivelmente. Quando percebo a falta, começo a ler desesperadamente. Naquela última semana, li <em>Perestroika</em>, de Mikhail Gorbachev, leitura obrigatória para quem quisesse entender as transformações políticas da época; <em>He</em>, sucesso de Robert A. Johnson, uma das partes da trilogia que contava ainda com <em>She</em> e <em>We</em>; e <em>Minha Razão de Viver</em>, autobiografia de Samuel Wainer.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 1989, o ritmo era outro. Na sequência de shows de verão, o do Capital Inicial estava programado para o dia 25 de janeiro, uma quarta-feira. Havia comprado o ingresso alguns dias antes e marcado na agenda, mas na noite anterior decidi ir ao Encontro Nacional dos Estudantes de Comunicação – Enecom, que aconteceria de 25 a 28, em João Pessoa, na Paraíba. Eu fazia parte da chapa que havia acabado de ganhar as eleições para o Centro Acadêmico (C.A.) e não poderia deixar de fazer parte das plenárias, militar, gritar palavras de ordem e todas essas coisas que acreditamos sérias quando somos jovens estudantes ou quando somos embriões de políticos.</p>
<p style="text-align: justify;">Havíamos conseguido um micro-ônibus da UFRN e partiríamos na quarta pela manhã. Dei meu ingresso a Carlos Magno (hoje diretor de redação de um jornal em Natal), que também fazia parte do C.A., e embarquei naquela aventura. Um detalhe: eu tinha 16 anos e, em tese, alguém teria que se responsabilizar por mim. Isso ficou só na tese mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignright size-full wp-image-446" style="border: 0pt none;" title="enecom2" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/01/enecom2.jpg" alt="enecom2" width="188" height="303" />Por volta das 8h30 da manhã, já estávamos na base da cerveja, da vodka e do que de mais barato tivesse e aparecesse. Se o motorista desse mole, tomaríamos a gasolina do micro-ônibus. Inexperientes e sedentos, em menos de uma hora acabamos com tudo. Paramos em uma bodega no meio do caminho. O dono não queria nos vender nada. Disse que só vendia por doses e quase tudo estava aberto. O que tinha fechado? Conhaque de alcatrão. Manda! Só em dose. Conta as doses. Manda. Embarcamos de novo. Peraê! E copo? Só tem de vidro. Então pega canudinho. E assim desembarcamos no final da manhã em João Pessoa, já completamente bêbados.</p>
<p style="text-align: justify;">As salas de aula da UFPB faziam as vezes de dormitórios. Quem tivesse levado colchão, ótimo; quem não tivesse levado, poderia ter sorte de conseguir um com os organizadores do encontro ou dividir um com outra pessoa, o que era recomendável e muito desejado. Ficamos em uma sala ao lado da turma de Campina Grande (PB) e do Maranhão. Estes, para manter uma das mais sólidas tradições maranhenses, nos receberam com algo que parecia o charuto do Hulk, mas que eles juravam que era “só um baseado mesmo”. Muito educadamente recusei e comecei a perceber que aquele papo de plenárias, discussões sobre os rumos do jornalismo, protestos e política estudantil eram desculpas para nosso pequeno Woodstock ou, como jamais deixaria de ser chamado, nosso Eneconha.</p>
<p style="text-align: justify;">Lisos, lesos e loucos, tomávamos qualquer coisa que desse barato. Foi assim durante o primeiro dia inteiro. À noite, quando os bares do Campus da UFPB fecharam, fomos obrigados a sair em busca de mais álcool. No meio do breu, encontramos um boteco. Colegas de outros estados já estavam por lá. Todos em um clima muito familiar: música, barulho, garrafas sendo enxugadas, ameaças de strip-tease em cima das mesas. Até aí, eu me lembro.  Corte. Sandro deitado em um chão de terra encharcado de mijo, ao lado de uma borracharia. Corte. Tudo escuro. Sandro tentando não se afogar com o próprio vômito (“Hendrix morreu assim!”, eu pensava desesperado). Corte. Sandro sendo carregado – arrastado, sem conseguir me sustentar nem dar um passo – até o dormitório. Em rápidos lampejos, ouvia coisas como: “<em>E se ele morrer?!</em>”; “<em>Gente, ele menor! Quem está responsável por ele?</em>”; “<em>Não é melhor levar para um hospital</em>”&#8230; <em>Spoiler</em>: eu sobrevivi. Estou aqui, 21 anos depois, contando isso a vocês.</p>
<p style="text-align: justify;">Foram horas debaixo do chuveiro até que eu e outros colegas nos convencêssemos de que eu poderia fechar os olhos sem que fosse pela última vez. Tentava fazer polichinelos, flexões de braço, esmurrava os tapumes que serviam de parede, prometia a todos os santos que se escapasse daquela nunca mais beberia. Lá pelas tantas, totalmente molhado, me joguei em um colchão e fosse o que Deus quisesse. Ele devia estar de bom humor. Não deixou ninguém abusar sexualmente de mim. Pelo menos, eu acredito nisso até hoje.</p>
<p style="text-align: justify;">No dia seguinte, na primeira ida ao refeitório, vi que não conseguiria comer nada. Foi assim durante todo o evento. Então, eu bebia. Juro que não queria, mas tinha que botar alguma coisa para dentro. Que fosse álcool. Promessas? Que promessas? Não lembro. Sei que um anel, de minha amiga Andréa, que quase não entrava em meu anular direito antes de sairmos de Natal estaria dançando no meu polegar quatro dias depois.</p>
<p style="text-align: justify;">No último dia do encontro, no refeitório, durante o almoço, rolou uma performance – estudantes de jornalismo adoram essas coisas! São todos artistas, músicos, poetas e escritores frustrados –&#8230; bem, rolou a tal performance em que alguns apareciam nus, corriam no meio de todos e subiam nas mesas. À noite, as caravanas se preparavam para voltar. Algumas se preocupavam com a estrada ou quem os pegaria ao chegar. A do Maranhão estava preocupada em acabar de qualquer jeito com as quatro quentinhas de maconha que havia levado. Não queriam correr o risco de um novo encontro com a Polícia Rodoviária Federal. Então, dá-lhe fazer charutos de Itu e tocar fogo neles. Enquanto rolava a plenária final, ânimos acirrados, discussões ruidosas, eu e outros, digo, eu e uns maconheiros do Maranhão, Natal e Campina Grande resolvemos invadir o local, travestidos – eu, maquiado e com chuquinhas no cabelo – e cantando <em>Turma da Xuxa, aaaaaaaahh/Turma da Xuxa</em>&#8230; e <em>Ilariê</em>. Os que levavam a política estudantil a sério não gostaram muito, mas os pelegos e os malucos, que eram maioria esmagadora, curtiram o show.</p>
<p style="text-align: justify;">Já de volta, corri para a agenda e fiz um resumão nessas páginas que aparecem no alto do texto. Os nomes dos colegas de outras cidades (com os quais eu me corresponderia por algum tempo), os de Natal que haviam participado da bagunça, os principais momentos e, encerrando, uma expressão que definiria tudo: SÓ PUTARIA!</p>

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		<title>Queda e queda do Guaporé</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Mar 2009 06:08:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bastidores]]></category>
		<category><![CDATA[Fotografia]]></category>
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		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
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		<category><![CDATA[Periódicos]]></category>

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		<description><![CDATA[Domingão, de chuva depois sol, último antes de 2009 começar de verdade. Cometo a agora incomum ação de comprar um jornal. Culpa de Carlos, o Magno, que publicou nota comentando a respeito do livro que eu e Canindé Soares estamos &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/03/02/queda-e-queda-do-guapore/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/guapore1.jpg" border="0" width="600" height="450" /></p>
<p align="justify">Domingão, de chuva depois sol, último antes de 2009 começar de verdade. Cometo a agora incomum ação de comprar um jornal. Culpa de <strong>Carlos, o Magno</strong>, que <a href="http://diariodenatal.dnonline.com.br/site/colunistas/index.php?idcolunista=10" target="_blank">publicou nota</a> comentando a respeito do livro que eu e <a href="http://canindesoares.blog.digi.com.br/blog/" target="_blank"><strong>Canindé Soares</strong></a> estamos fazendo. Para facilitar a vida de nossos biógrafos, vou clipar o texto e me deparo com uma foto imensa do <strong>Museu Nilo Pereira</strong> – também conhecido como <strong>Guaporé</strong>, que fica no município potiguar de Ceará-Mirim – tomando a primeira página d’<em>O Poti</em>. <em>Guaporé em abandono, quase ruínas</em> era a chamada. A matéria falava sobre o estado lastimável do prédio construído em meados do século XIX.</p>
<p align="justify">Também estive no Guaporé. Veja algumas fotos que fiz por lá e depois continuamos a conversa.</p>
<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/guapore2.jpg" border="0" width="450" height="338" /></p>
<p align="center">Vista interna do sótão.</p>
<p align="center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/guapore3.jpg" border="0" width="450" height="338" /></p>
<p align="center">Cômodo do andar superior com janelões bem danificados servindo de varal.<br />
No piso, marcas circulares feitas com querosene numa tentativa de espantar morcegos.</p>
<p align="center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/guapore4.jpg" border="0" width="450" height="338" /></p>
<p align="center">Cama antiga, em exposição, servindo de varal para panos de chão.</p>
<p align="center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/guapore5.jpg" border="0" width="450" height="297" /></p>
<p align="center">Porta do andar térreo e sua peculiar tranca.<br />
Carta, como outros documentos, danificada por traças.</p>
<p align="center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/guapore6.jpg" border="0" width="450" height="338" /></p>
<p align="center">Fotos, quadros e outros documentos.</p>
<p align="center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/guapore7.jpg" border="0" width="450" height="338" /></p>
<p align="center">Cacos de objetos artesanais guardados em um baú.</p>
<p align="justify">Estas são algumas das mais de 150 fotos – e <strong>nem são as mais chocantes</strong> – que fiz quando estive lá pela primeira vez. Isso foi em dezembro. Dezembro de 2003. Sim, dois mil e três. Naquele dezembro, visitei pelo menos oito museus em Natal e o Guaporé, em Ceará-Mirim. A escala de avaliação começava em “<strong><em>patético</em></strong>”, passava por “<strong><em>abandonado</em></strong>” e terminava em “<strong><em>isso é o que mesmo?!</em></strong>”.</p>
<p align="justify">A história começou com uma visita ao <strong>Museu Casa Café Filho</strong> e a constatação de que o acervo do único potiguar a assumir a presidência da República estava jogado às traças. Levei isso ao conhecimento de um jornal local que não se interessou pelo caso. Acabei <a href="http://www.memoriaviva.com.br/cafe.htm" target="_blank"><strong>publicando a matéria</strong></a> em página inteira, no mês seguinte, no <em>Jornal do Brasil</em>. O caso foi discutido pela Comissão de Memória dos Presidentes da República e o Iphan resolveu constatar, <em>in loco,</em> a gravidade do assunto. Depois disso, outro jornal de Natal demonstrou interesse pela seqüência de matérias relacionadas aos outros museus mas, como eu já esperava, o negócio esfriou e nada saiu. Cidade pequena, todo mundo se conhece, todo mundo é amigo, ninguém quer ferir suscetibilidades nem ser indelicado, sabe como é. Como eu tinha mais o que fazer, fui cuidar das minhas coisas e tocar minha vida em Brasília, onde morava desde 2001.</p>
<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/guapore8.jpg" border="0" width="450" height="338" /></p>
<p align="justify">Passado pouco mais de cinco anos, eis o Guaporé em primeira página numa edição de domingo. Sinceramente, não vai aqui nenhuma crítica ao tempo que o assunto levou para ganhar a atenção de um periódico local. Como jornalista, poderia achar a matéria fria, mas como memorialista, <strong>me assusta a enorme possibilidade de vê-la reeditada daqui a cinco ou dez anos sem necessitar de grandes mudanças</strong>. Os anos de abandono terão aumentado, portas e paredes terão caído e talvez as traças tenham morrido de fome. De resto, <strong>é provável que tudo continue igual</strong>. Infelizmente. Espero estar errado, mas não apostaria nisso.</p>
<p align="justify">Que o jornalismo se apresse em fazer seu trabalho de registrar e denunciar. Que a História, com sua infinita paciência, possa utilizar as lições do passado para construir um futuro melhor. Pena que poucos saibam que só existe um momento certo para fazer isso: o presente. Até a lição ser aprendida, veremos muita coisa vindo abaixo.</p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback3.jpg" usemap="#Map3" border="0" height="25" /></center><br />
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		<title>Uma aula com mestre Brito</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Jan 2009 07:23:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ditadura militar]]></category>
		<category><![CDATA[Fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Memória Viva]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Era para ser só um papo, desses bem informais, coisa de colegas. Isso sendo eu um poço de pretensão para chamar Orlando Brito de colega, afinal ele já era um nome bem conhecido e trabalhava na Veja quando eu ainda &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/01/20/uma-aula-com-mestre-brito/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/brito.jpg" border="0" /></p>
<p align="justify">Era para ser só um papo, desses bem informais, coisa de colegas. Isso sendo eu um poço de pretensão para chamar <strong>Orlando Brito</strong> de colega, afinal ele já era um nome bem conhecido e trabalhava na <em>Veja </em>quando eu ainda estava deslumbrado por ser um <em>universotário</em> de Jornalismo. Assim, o que era para ser um papo virou uma aula.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/vejaulis.jpg" width="288" align="right" border="0" height="181" />Quem não é da área, pode não estar ligando o nome à pessoa, ou melhor, o nome às imagens. Orlando Brito é o responsável por várias das fotos mais marcantes da História política brasileira desde a época da ditadura militar. Foram 14 anos de <em>O Globo</em>, 16 de <em>Veja</em> e, nos últimos tempos, em sua própria agência, a <a href="http://www.obritonews.com.br" target="_blank"><em>Obritonews</em></a>, para falarmos somente de uma parte dos seus <strong>mais de 40 anos de fotojornalismo</strong>.</p>
<p align="justify">A conversa começou no saguão de um hotel com ares de depoimento para o <a href="http://www.memoriaviva.com.br" target="_blank"><strong><em>Memória Viva</em></strong></a> e terminou numa pizzaria com lembranças e histórias comuns sobre Brasília. Brito tem um jeito manso de falar, bem calmo, como todo bom mineiro. Logo fui percebendo que mais do que registrar a História, ele ajudou a construir a memória do país. Dentre suas fotos mais famosas, está aquela que mostra o perfil de <strong>Ulisses Guimarães</strong>, desenhado por um contraluz, e que foi uma das 113 capas que fez para <em>Veja</em>. Um único fotograma feito na semana da morte do deputado. “<em>Uma foto premonitória</em>”, como disse ele. Não deve ter ficado entranhada apenas em minha memória pois, passados 16 anos, a própria <em>Veja </em>apresentou uma malfadada versão, em fevereiro do ano passado, para falar da “aposentadoria” de Fidel. Ao ver a capa sobre o ditador cubano, Brito teve a impressão de já conhecê-la.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/congresso.jpg" width="360" align="left" border="0" height="174" />Pode ter sido uma “homenagem ao mestre”. É realmente impressionante como certas imagens ficam em nosso baú de memórias e podem ser acessadas a qualquer momento. Falando sobre outras capas, ele conta a história de um ensaio com Dante de Oliveira, deputado federal responsável pela emenda constitucional que propunha o restabelecimento das eleições diretas e que acabou inspirando o movimento Diretas Já. Ele seria capa de uma edição de abril de 1984, mas a foto de uma placa de trânsito, na qual se lia “<strong><em>Devagar</em></strong>”, bem em frente ao Congresso, dizia muito mais que um retrato do deputado. A revista circulou uma semana antes de eu completar 12 anos de idade e, naquela época, política ainda não era um assunto que chamava minha atenção. Mais de duas décadas depois, em 2005, em pleno escândalo do mensalão, <strong>fiz uma foto de uma placa de trânsito com o congresso ao fundo</strong>. Ela sinalizava um declive acentuado e a imagem sugeria, obviamente, que os parlamentares estavam “descendo a ladeira” com a tal venda de votos. Jurava que já tinha visto aquela idéia em algum lugar. No papo com Brito, finalmente veio a lembrança.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/britomol.jpg" width="288" align="right" border="0" height="202" />Já na pizzaria, na companhia de <a href="http://canindesoares.blog.digi.com.br/blog/" target="_blank"><strong>Canindé Soares</strong></a> e Rodrigo, assistente de Brito, começamos a perceber que tínhamos conhecidos em comum, em Brasília. Mas a maior coincidência foi descobrir que fizemos um trabalho muito parecido, de digitalização de imagens de Juscelino Kubistchek a partir do acervo de revistas <a href="http://www.memoriaviva.com.br/ocruzeiro" target="_blank"><em><strong>O Cruzeiro</strong></em></a> no Memorial JK. Para encerrar essa (que, espero, tenha sido só a primeira) aula de História do fotojornalismo brasileiro, ganhei um exemplar de <strong><em>Corpo e Alma</em></strong>, seu quinto livro, publicado em 2006, e que você não vai encontrar por aí, pois não foi comercializado em livrarias. Para fomentar ainda mais a inveja, aí está uma imagem das mais de duzentas publicadas nele. O livro “funciona” assim: primeiro você quer engolir todas as imagens de uma só vez; depois quer ver cada uma demoradamente; e depois quer ver cada uma outra vez, perceber os detalhes, imaginar as histórias por trás dela, comungar com o momento do registro. Imagens para outros belos álbuns de Orlando Brito não faltam. Fora tudo que já fez em mais de quatro décadas e que guarda cuidadosamente, ele está trabalhando na produção de pelo menos mais quatro livros: dois em parceria com outros fotógrafos e tendo o futebol como tema, um sobre índios e outro sobre o universo que conhece muito bem, o do Poder. Mais detalhes e muitas outras histórias iremos conferir no material que será colocado no <a href="http://www.memoriaviva.com.br" target="_blank"><em><strong>Memória Viva</strong></em></a>, em fevereiro. Fiquem espertos e não percam.</p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback3.jpg" usemap="#Map3" border="0" height="25" /></center></p>
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		<title>Gente do Maruim</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Jan 2009 03:05:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Maruim]]></category>

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		<description><![CDATA[Maruim é um mosquitinho comum em área de mangue e de pesca por conta da matéria orgânica em decomposição. O danado pode deixar alguém de cama por quase duas semanas. No Canto do Mangue, em Natal, há uma favela&#8230; favela, &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/01/09/gente-do-maruim/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img border="0" src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/maruim01.jpg" height="300" width="600" /></p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><strong>Maruim</strong> é um mosquitinho comum em área de mangue e de pesca por conta da matéria orgânica <st1:personname productid="em decomposição. O" w:st="on">em decomposição. O</st1:personname> danado pode deixar alguém de cama por quase duas semanas. No <strong>Canto do Mangue, em Natal</strong>, há uma favela&#8230; <strong>favela, não</strong>, que isso é invenção de político safado, com perdão da redundância, que não leva infraestrutura e condições básicas de saneamento a certas comunidades&#8230; como dizia, em Natal, há uma comunidade que leva o nome do tal mosquito.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><img border="0" src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/maruim02.jpg" align="right" height="333" width="255" />São aproximadamente <strong>260 pessoas</strong>. A maioria vivendo em pequenos vãos que eles insistem em chamar de casa. <strong>Um único cômodo, sem banheiro</strong>, “<em>onde dormem dez meninos e três mulheres com o marido</em>”, segundo me explicam. A formação pouca ortodoxa das famílias é denunciada pelos sobrenomes das crianças. Há sempre um sobrenome igual e muitos diferentes. Os pescadores vivem felizes com seus pequenos haréns, com suas creches e assim a vida vai sendo levada.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">A criançada vai à escola, mas não tem condição de estudar em casa nem quem as oriente para isso. Nas férias, se não estão correndo pelas pequenas vielas tomadas por esgoto – que às vezes passa dentro da própria casa – e animais doentes, acompanham as mães que catam mariscos para vender. Saem cedo para o mangue e voltam ao final da tarde. Lavam, raspam, cozinham e quando juntam um quilo tentam vendê-lo a cinco reais. Tentam. Porque geralmente fica por quatro, três, quanto derem.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Foi na <strong>Comunidade do Maruim</strong> que passei parte da tarde desta quinta. Fui acompanhando <a target="_blank" href="http://www.canindesoares.blog.digi.com.br"><strong>Canindé Soares</strong></a> e pelo menos outros oito fotógrafos: amadores, profissionais, repórteres fotográficos, curiosos. Já há alguns anos que Canindé empreende ações junto à comunidade. Além das fotos, que mexe com a autoestima dos moradores, já promoveu uma sessão de quase cinema, exibindo o resultado <st1:personname productid="em telão. Platéia" w:st="on">em telão. Platéia</st1:personname> cheirosa, banho tomado, a melhor roupa e a garotada gritando, caçoando de cada amiguinho que aparecia. <em>Mangando</em> mesmo, que caçoar é coisa lá de baixo. Pode mangar à vontade!</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><img border="0" src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/maruim04.jpg" align="left" height="400" width="255" />Macaco velho, eu disparava na frente do grupo para pegar os moradores desprevenidos e, portanto, com naturalidade, ou ficava por último, para quando eles cansavam de posar e, distraídos, voltavam a ser eles mesmos. Gosto de retratos, mas prefiro o fotojornalismo e, nesta última modalidade, não tenho direito de interferir na realidade. Com o pequeno batalhão de fotógrafos apontando suas máquinas, a rotina da comunidade muda e a realidade passa a ser outra: a de um bando de curiosos interferindo na vida alheia.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Se não há como impedir isso, que tal fazer a criançada participar de uma forma diferente e passar para outro lado das câmeras? Saquei um celular e fiz o convite a <strong>Júlia</strong>, 9 anos: “<em>Você olha por aqui e aperta&#8230;</em>”, “<em>Pode deixar que eu sei</em>”, me cortou, já gritando para as coleguinhas se juntarem. Pronto! Fiquei popular na comunidade. De “<strong><em>tira uma foto minha</em></strong>”, o mantra mudou para “<strong><em>deixa eu tirar uma foto?</em></strong>”. Deixo, claro. E assim novos fotógrafos se revelaram no Maruim. Sensação maior só quando passei a anotar os nomes de cada um para posterior identificação. A essa altura, as crianças já tinham a certeza de terem virado celebridades. Novo mantra: “<strong><em>Anota aí o meu nome também</em></strong>”. Anoto, anoto. Cíntia, Maiara, Alice, Gláucia, Mariana, Martinha, Geovana, Alane, Alana, Rafael, Alan, “<em>é com dos ls</em>”, desculpa, Allan, Jackson, Vanessa,&#8230; Todos com nome e sobrenome. Tudo gente de verdade! Nenhum deles perguntou como eu me chamava. Ah, tudo bem, eu não sou ninguém mesmo.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Fim do palavrório. <strong><a href="http://www.flickr.com/photos/sandrofortunato03/sets/72157612339499626/">Clique aqui e confira o álbum Maruim</a></strong> no Flickr. Aqueles que participaram da caminhada, deixem nos comentários os endereços de seus blogs e flogs. E até a próxima.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><strong>Links externos:</strong><br />
<a target="_blank" href="http://canindesoares.blog.digi.com.br/blog/2009/01/08/as-criancas-do-maruin/">Fotos de Canindé Soares no Maruim<br />
</a><a target="_blank" href="http://www.flickr.com/photos/leocarioca/">Flickr de Leo Carioca</a></p>
<p><center><img useMap="#Map3" border="0" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback3.jpg" height="25" /></center><br />
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		<title>A reportagem como ela é</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Jan 2009 16:58:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Viagem]]></category>

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		<description><![CDATA[Veterinário. Era o que eu dizia querer ser quando crescesse. Preferia lidar com animais a lidar com gente. A vida, sábia e sempre disposta a contrariar, resolveu me fazer jornalista. E assim pude realizar minha preferência em lidar mais com &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/01/07/a-reportagem-como-ela-e/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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<p class="MsoNormal" align="justify">Veterinário. Era o que eu dizia querer ser quando crescesse. Preferia lidar com animais a lidar com gente. A vida, sábia e sempre disposta a contrariar, resolveu me fazer jornalista. E assim pude realizar minha preferência em lidar mais com animais do que com gente.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">A gente que eu conhecia e a que está por aí são mesmo sem graça. Todos com pressa, sem tempo, vivendo uma não-vida, vestindo mil máscaras para tentar mostrar como realmente são. Mas existe gente de verdade, como na escola do poeta Russo, gente interessante, gente que faz descobrir o verdadeiro sentido do termo <em>humanidade</em>.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/sibauma2.jpg" width="268" align="right" border="0" height="511" />Essa gente me atrai. Não tenho uma veia jornalística. Tenho uma artéria de grosso calibre sedenta por histórias que me nutram, que me mantenham vivo. Não busco personagens. <strong>Busco pessoas.</strong> Não desejo cumprir pauta e encher buracos em troca de uns caraminguás. Desejo contar histórias de vida que enriqueçam as de outras pessoas sem que estas precisem passar pelas mesmas experiências, aprendendo em minutos – e sem dores – o que talvez não tivessem oportunidade de aprender em cem anos.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">A reportagem me atrai. Não a saída para cumprir pauta, para “fazer matéria”. Falo de <strong>reportagem como ela deve ser</strong>. A captura da essência, em textos e fotos, que mostre tanto quanto possível a <strong>realidade</strong>. Eu disse “<em>realidade</em>”? Não é à toa que a melhor revista de reportagens da história do jornalismo brasileiro tivesse esse nome.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Há muito tempo que fazer uma matéria é sentar ao telefone ou trocar mensagens eletrônicas. Tudo rápido e acético, sem abandonar o conforto da cadeira e do ar condicionado. Reportagem é outra coisa. É sair cru e preparado para o que der e vier, pronto para encarar a história real e não apenas com o objetivo de conseguir algumas informações que complementem um texto pré-concebido antes mesmo de se ter contato com a realidade. Olha ela outra vez.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Foi com esse espírito que eu e <strong><a href="http://canindesoares.blog.digi.com.br/blog/" target="_blank">Canindé Soares</a></strong> partimos, logo cedo, no feriado de Reis, para <strong>Sibaúma</strong>, uma pequena praia ao lado da internacionalmente conhecida e festejada Pipa. Sabíamos que não iríamos encontrar uma pequena comunidade só de <strong>negros descendentes de escravos</strong>. E isso era justamente o que não interessava: o que já sabíamos. Pegamos uma estrada desconhecida, que nos levaria a pessoas e suas velhas histórias totalmente novas para nós.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><o:p></o:p>Ali todos conhecem todo mundo, sabem onde moram, se estão em casa ou em outro lugar, e, se são de lá mesmo, quase sempre têm algum grau de parentesco. São simpáticos, educados, falam bem, um ou outro demonstra timidez mais que desconfiança. As casas são simples e pequenas, as famílias são grandes e a cada quinze ou dezesseis anos já surge uma nova geração. Nem todas as casas têm telefone, quase não se vê alguém com celular, mas há acesso à Internet na única escola pública e na praça, onde há uma praga do mundo moderno: uma lan house. Não há livraria, nem banca de jornais. Nem mesmo há um carteiro. Alguém vai aos Correios em Tibau do Sul, município ao qual o distrito de Sibaúma está atrelado, pega as correspondências e faz a distribuição entre os moradores da praia. As notícias chegam mesmo pela tevê. Por mais simples, pobre e pequena que seja, praticamente toda casa tem uma parabólica.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Nem bem chegamos, nos deparamos com uma casa de taipa e, junto a ela, três gerações de uma família enorme como são todas entre os descendentes de negros de Sibaúma. <strong>Seu Sebastião</strong> veio da Paraíba, mas sua esposa <strong>Avani </strong>é dali mesmo, assim como todos os filhos e netos do casal. <strong>José</strong>, o neto de dois anos, é um garoto simpático e que adora posar para fotos. Nos olhos puxados, a certeza de que Sibaúma não é só de negros. Mesmo os mais antigos têm traços indígenas. São <em>cafuzos</em>, mas o termo que vingou foi o de <em>caboclo</em>. Às vezes nos deparamos com alguém que aponte outro como “<em>caboclo</em>”, quase de uma forma depreciativa, como a dizer que não é negro puro.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/sibauma3.jpg" width="256" align="left" border="0" height="360" />Mas essas denominações ficam para os livros didáticos. Em Sibaúma, convivem todas as cores em variados tons. Em outra casinha de taipa, minúscula, quente e sem qualquer conforto, encontramos <strong>seu João Honorato</strong>, um dos mais velhos da comunidade. Sua idade? Segundo ele, 83, mas qualquer pessoa com mais de quarenta tem dificuldade em precisar a idade por ali. Alfabetizados e registrados na própria localidade, só os nascidos da década de 80 para cá. Seu Honorato nos convida para entrar, acomoda-se como pode em sua rede e começa a contar a história da terra como se tivesse acontecido um dia desses. Ele não trabalha, anda com dificuldade apoiado em um pau, tem os olhos amarelados e ainda fuma, mas a memória está lá e a voz é segura e forte para alguém que parece tão frágil. Não tem contato com os filhos, que deixaram Sibaúma, e nem sabe se tem netos. Certamente tem. Procriar é o esporte oficial da comunidade. Na nova geração, a cara do Brasil fica mais presente. Há branquinhas que desafiam os fatores dominantes da hereditariedade e o sol forte como <strong>Safira</strong>, que freqüenta a única igreja evangélica do local e sonha em ser cantora. E ela é afinada. Mais adiante, na casa de <strong>Dona Juvina</strong> – 80 e alguns anos, nove filhos, um dos quais, Neusa, não vê ou tem notícias há mais de três décadas –, encontramos <strong>Ismael</strong>, de apenas 21 dias, também mestiço.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">A cada parada, muitas surpresas, muitas histórias e uma vontade de ficar ouvindo tudo, totalmente esquecidos do tempo. Quase ao final, encontramos seu Modesto Caetano. Lembranças, delírios, invenções. Tudo sem perder o foco. Tudo fazendo sentido. São tantas histórias que não caberiam em uma só reportagem. Nem em uma edição inteira de uma revista de reportagens, se isso ainda existisse. Cabem em uma série. Cabem em <strong>um livro</strong>.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Os desdobramentos dessa e de outras aventuras junto a Canindé serão avisados aqui no blog. Este foi só um aperitivo. Em breve, mais novidades.</p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback3.jpg" usemap="#Map3" border="0" height="25" /></center></p>
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		<title>Afinal, onde mora a Verdade?</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/11/24/afinal-onde-mora-a-verdade/</link>
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		<pubDate>Tue, 25 Nov 2008 02:30:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Memória Viva]]></category>

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		<description><![CDATA[“Toda verdade é simples (unívoca)”. Isto não é duplamente uma mentira? Nietzsche em Crepúsculo dos Ídolos Se há algo que se aprende ao investigar a vida de alguém com o objetivo de escrever a seu respeito é que há muitas &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/11/24/afinal-onde-mora-a-verdade/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/sacopa.jpg" border="0" /></p>
<p align="right"><strong><em>“Toda verdade é simples (unívoca)”. Isto não é duplamente uma mentira?</em></strong><br />
Nietzsche em <em>Crepúsculo dos Ídolos</em></p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Se há algo que se aprende ao investigar a vida de alguém com o objetivo de escrever a seu respeito é que há muitas verdades. Não falo de versões, opiniões, pontos de vista; falo da verdade interior de cada pessoa.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><o:p></o:p>Em determinado momento de minha última temporada de entrevistas sobre <a href="http://www.memoriaviva.com.br/carlosestevao" target="_blank"><strong>Carlos Estevão</strong></a>, no Rio, <strong>Dóris</strong>, sua filha, me perguntou, já afirmando: <em>Você já sabe mais do meu pai do que qualquer outra pessoa, não?</em> Sim. Porque diferente dos envolvidos nas histórias, além do distanciamento, pude ouvir vários lados, várias versões, várias motivações para a realização de determinados atos e, mais que tudo, as verdades contidas em cada uma dessas motivações.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Foi também nessa mesma conversa em que eu disse a ela que meu único compromisso era com a história de Carlos Estevão e não com as versões ou pontos de vista que eram mostrados a mim. É bem aí que reside um dos maiores dramas do biógrafo, principalmente quando o biografado não pode mais mostrar a sua verdade. <strong>O que realmente aconteceu?</strong> Como reconstituir uma cena e os muitos sentimentos envolvidos nela?</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Mas se há o peso de pensar e decidir sobre isso, há a recompensa de receber tal ensinamento e aplicá-lo em sua própria vida. Confesso que tenho me tornado mais tolerante, mais capaz de ouvir e de entender as motivações alheias, mais leve e humano por não me colocar em posição de juiz. Assim, os atos mais brutais, estúpidos, violentos e insanos passam a ter, se não justificativas, pelo menos motivos que expliquem suas existências.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Há uma história em particular, ocorrida duas décadas antes de meu nascimento, que durante cinco anos não saiu de minha cabeça e, ainda hoje, está entalada em minha garganta e com pouca possibilidade de que um dia esse engasgo passe por completo.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Conhecido como “<strong>Crime do Sacopã</strong>”, o caso girou em torno da morte de um bancário encontrado em seu carro na ladeira do Sacopã, no Rio de Janeiro. O motivo do assassinato teria sido passional. O Tenente da Aeronáutica <strong>Alberto Franco Jorge Bandeira</strong>, acusado como autor, teria cometido o crime por ciúmes de um namorada. Passou sete anos preso e teve uma campanha pública de libertação movida pelo então <strong>Deputado Tenório Cavalcanti</strong>, “o homem da capa preta”, e amplamente divulgada pela revista <a href="http://www.memoriaviva.com.br/ocruzeiro" target="_blank"><strong><em>O Cruzeiro</em></strong></a>.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Se <em>O Cruzeiro </em>defendia, outros órgãos de imprensa atacavam. A novela começou em 1952 com o crime; foi reavivada em 1959 com a campanha pela soltura do tenente e continuou, em várias épocas, pelo menos até 1972, quando Bandeira ainda tentava provar sua inocência.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Em outubro de <st1:metricconverter productid="2004, a" w:st="on">2004, a</st1:metricconverter> Rede Globo foi impedida de exibir um programa do <em>Linha Direta </em>a respeito do caso. Ninguém da família da vítima deu depoimento, assim como Bandeira, já com 75 anos. Conseguida a liberação, apresentou o programa algum tempo depois.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Coincidentemente, pouco antes disso, eu havia falado com o tenente Bandeira por telefone. Além de esta ter sido, em minha opinião, a mais rocambolesca história de crime usada e abusada pela imprensa brasileira, um ponto em particular chamava minha atenção: Depois de algo tão escandaloso, de perder a melhor parte de sua juventude na cadeia, de ter pago pelo crime do qual foi acusado, por que alguém passaria mais 15 anos remexendo nessa história para tentar provar sua inocência se não fosse realmente inocente? Em geral, quem passa por uma situação dessas e retoma sua liberdade quer tudo, menos que as pessoas lembrem do que aconteceu. Por outro lado, haveria a remota possibilidade de uma personalidade doentia com fortes motivações psicopatológicas que a fizessem se manter no centro das atenções. Trazido para nossos tempos, seria como Suzane von Richtofen ou os Nardoni, anos depois de cumprirem suas penas, fazerem campanha e ocupar diariamente os telejornais brigando para provar inocência.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">O que sei é que a história foi muito mal contada. Em todas as suas versões. Eu tinha esperanças de que o tempo, a distância, a sabedoria que vem com a idade e a proximidade da morte alimentassem em Bandeira o desejo de dizer o que realmente aconteceu. Particularmente, não esperava nada além disso. Para mim, não haveria muita diferença entre ele repetir toda a história que contou ou assumir a autoria do crime. <strong>As motivações</strong> – para ter servido como bode expiatório ou para ter cometido o crime – <strong>me interessavam</strong>.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Bandeira morava em Copacabana, a três quarteirões de onde fico sempre que vou ao Rio. Morava. Ele faleceu no ano passado. Nesses dois anos em que tivemos contato (por telefone e uma vez por Internet), ele sempre se mostrou educado, cortês e até algo solícito. Durante esse tempo, fui pelo menos três vezes ao Rio e não o procurei. Sempre deixava para depois. Sempre pensava como abordar um assunto tão delicado com um senhor quase octogenário que teve toda sua vida mudada por algo acontecido quanto ele tinha pouco mais de 20 anos.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Diferente do caso da garota Madeleine, que teve pelo menos um livro a respeito lançado pouco mais de um ano depois do ocorrido, o caso do Sacopã só ganhou livro mais de meio século depois, editado fora do país, praticamente desconhecido e impossível de achar por aqui e com Bandeira já morto.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Resumo da ópera: muito se falou e nada foi dito. Houve uma conclusão legal, mas nunca uma conclusão real, que deixasse a sensação de que a verdade foi estabelecida e a justiça feita.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Sou partidário de uma imprensa compromissada com a verdade. Direta, fria, que se limite a responder as perguntas básicas e não criar ficção em cima dos fatos. Isso me parece uma condição sem a qual é impossível haver respeito. Quando na função de jornalista existe a possibilidade de agir como juiz, carrasco ou novelista, a ética, a probidade e a confiança ficam comprometidas. Em vez de zelar pela transparência, acaba-se obscurecendo ainda mais os fatos. E assim chegamos à triste conclusão de que a <strong>História não é nada além da versão que foi mais divulgada e sobreviveu</strong>.</p>
<p class="MsoNormal"><strong>Textos relacionados:<br />
</strong><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/11/23/verdade-para-que/">Verdade para quê?</a> – 23 de novembro de 2008<br />
<a href="http://leseirageral.zip.net/arch2004-10-01_2004-10-31.html#2004_10-02_19_28_50-100017047-0">Crimes, jornalismo e História</a> – 2 de outubro de 2004</p>
<p class="MsoNormal"><strong>Sugestão de leitura:<br />
</strong>Matérias sobre o caso do Sacopã na revista <a href="http://www.memoriaviva.com.br/ocruzeiro" target="_blank"><em>O Cruzeiro</em></a></p>

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		<title>Verdade para quê?</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/11/23/verdade-para-que/</link>
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		<pubDate>Sun, 23 Nov 2008 04:38:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo cão]]></category>
		<category><![CDATA[Periódicos]]></category>

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		<description><![CDATA[Depois da óbvia capa com Obama, a Veja (sempre ela… Leu na Veja? Azar o seu.), retoma sua série de capas apelativas, demonstrando que a fofoca e o mundo cão são negócios mais rentáveis que o jornalismo. Como todo o &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/11/23/verdade-para-que/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/veja380.jpg" align="right" height="193" width="156" />Depois da óbvia capa com Obama, a <em>Veja</em> (sempre ela… Leu na <em>Veja</em>? Azar o seu.), retoma sua série de capas apelativas, demonstrando que <strong>a fofoca e o mundo cão são negócios mais rentáveis que o jornalismo</strong>.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Como todo o planeta parece estar em paz, não há catástrofes, problemas ambientais ou sociais acontecendo e falta imaginação para uma boa reportagem, a pedida é requentar algo que provoque a sede de sangue do leitor. Na falta de algo melhor (ou pior), os duzentos dias de férias do casal Nardoni são motivo de capa.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">O julgamento público continua e a idéia é mostrar a boa vida dos dois. Não há qualquer novidade sobre o caso ou sobre o andamento do processo. A “reportagem especial” parece querer somente alimentar o ódio e a vontade de linchamento.<o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" align="justify">O atual jornalismo brasileiro segue a vocação quinto-mundista de escrever com sangue e fazer ferver o do <em>ledor</em> bruto, que se finge leitor com desejo de informação. A capa desta semana de <em>Veja</em> me pareceu ainda mais sem sentido pois, no mesmo dia em que chegou às bancas, finalmente saquei do envelope o livro <strong><em>Maddie – A verdade da mentira</em></strong>, sobre <a href="http://sic.aeiou.pt/online/noticias/pais/multimedia/maddie+1+ano.htm" target="_blank">o caso da garotinha inglesa desaparecida em Portugal</a> em maio de 2007.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">O livro foi escrito por Gonçalo Amaral, Coordenador Operacional das investigações do caso, desde o início, em 3 de maio de 2007, até 2 de outubro do mesmo ano, quando foi afastado. Aposentou-se em junho deste ano e, no mesmo mês, lançou o livro com o qual pretende apontar a verdade sobre os acontecimentos com a menina.<o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/maddie.jpg" align="right" height="227" width="156" /><strong>Um mês depois de lançado</strong>, a meu pedido, <a href="http://amazingideas-lifestyle.blogspot.com/" target="_blank"><strong>Marcelo e Renata</strong></a> me mandaram um exemplar. <strong>Já era a quinta edição</strong>. Há algumas semelhanças entre os casos de Maddie e Isabella. Há inúmeras e gigantescas diferenças na cobertura dos casos, mas em relação ao ocorrido em Portugal, vou falar somente sobre o livro.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><em>Maddie – A verdade da mentira </em>foi escrito por um policial com 26 anos de uma respeitada carreira e lançado pouco mais de um ano depois do desaparecimento, com o caso ainda sem solução. <strong>No primeiro mês, vendeu mais de 125 mil exemplares </strong>em um país com uma população quase igual a da cidade de São Paulo. Se cada exemplar foi lido por pelo menos três pessoas, quase 5% da população do país fez isso no primeiro mês de existência do livro. Se a mesma proporção fosse aplicada ao Brasil, seria como se quase toda a cidade de São Paulo – ou Portugal quase inteiro, isto é, algo perto de 10 milhões de pessoas – lesse um livro em um mês. Nem Paulo Coelho consegue uma mágica dessas.<o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Verdade seja dita, uma edição de <em>Veja </em>é lida por algo como meia cidade do Rio de Janeiro, cerca de 3 milhões de pessoas. Verdade continue sendo dita, isto é <strong>quase nada em um país com 190 milhões de habitantes</strong>. Em compensação, a cobertura dos telejornais só não atinge alguns indígenas, alguns moradores de ruas e alguns bichos-grilos que fazem questão de não ver tevê. Em resumo: <strong>somos um país de analfabetos teleguiados</strong>.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><strong>Oito em cada dez livros mais vendidos no Brasil </strong>na última década são de auto-ajuda, sobretudo os que prometem milagres nas áreas de carreira e finanças. Mesmo com toda a procura e todo o marketing, são necessários uns quatro meses para vender 125 mil exemplares. Proporcionalmente&#8230; proporcionalmente não se chega lá.<o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Esse tipo de comparação só reforça o estigma de que não lemos e de que não temos preocupação em nos aprofundarmos nas histórias, em descobrirmos a verdade. Seja como jornalistas ou como leitores, <strong>não temos tal compromisso</strong>. Tudo é uma novela e o que vem mastigado nas revistas – ou, ainda mais fácil, pelos gritos do apresentador de telejornal estilo mundo cão – basta para alimentar nossos desejos mórbidos. Não vamos além.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Um simples exemplo como este ainda denuncia outras situações suficientes para desenvolver várias teses, mas levanto uma última que é o <strong>pouco ou nenhum apreço pela verdade</strong>, o que certamente nos leva a cometer grandes injustiças e marcar a ferro e fogo juízos que ficarão para a História como reais, mesmo que pairem sobre eles todas as dúvidas. Mas isso já é <strong>assunto para o próximo texto</strong>.</p>

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		<title>80 anos de &#8220;O Cruzeiro&#8221;</title>
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		<pubDate>Mon, 10 Nov 2008 03:00:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Aniversário]]></category>
		<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Memória Viva]]></category>
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		<description><![CDATA[&#160; Não sei como vocês se sentem depois das eleições. Eu, o que posso dizer é que me sinto moderadamente otimista. O que aliás não é pouco, para quem se afundava naquele desengano tão desamargurado. O parágrafo acima não é &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/11/10/80-anos-de-o-cruzeiro/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" align="justify">&nbsp;</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/cruz80.jpg" height="260" width="600" /></p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><em>Não sei como vocês se sentem depois das eleições. Eu, o que posso dizer é que me sinto moderadamente otimista. O que aliás não é pouco, para quem se afundava naquele desengano tão desamargurado.</em></p>
<p class="MsoNormal" align="justify">O parágrafo acima não é meu. É de <strong>Rachel de Queiroz</strong> em sua <em>Última Página</em>, coluna que manteve por muitos anos na revista <a href="http://www.memoriaviva.com.br/ocruzeiro" target="_blank"><em><strong>O Cruzeiro</strong></em></a>. <em>Na crista da onda</em> era o texto e foi publicado na edição de 22 de novembro de 1958, que comemorava os 30 anos da revista.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Bem poderia ser a abertura para um artigo sobre a eleição de Barack Obama na edição dos 80 anos que <em>O Cruzeiro</em> estaria completando nesta segunda. E provavelmente o mulato Obama estaria na capa da edição da semana. Um texto de <strong>David Nasser</strong> marcaria a ferro os remanescentes da América profunda, os brancos racistas que já não parecem tão fortes. Mesmo enfatizando as boas novas, escrevendo o que os leitores gostariam de ler e fortalecendo sua tendência situacionista, antes de finalizar faria uma comparação entre a histórica vitória contra o racismo nos Estados Unidos e a nossa própria seis anos antes, quando a “esperança venceu”. E aproveitaria para cobrar do novo presidente americano a revolução que não vimos por aqui.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><strong>Chateaubriand</strong> veria como chá fraco e frio a embaixada em Londres e faria mira <st1:personname productid="em Washington. A" w:st="on">em  Washington. A</st1:personname> esta altura, <em>The Cruise</em>, a versão em inglês de sua revista já teria 20 ou 25 anos e seria referência de exportação de nossas belezas. As mulheres americanas estariam acostumadas a esperar cada edição para tentar imitar nossa moda e sonhar em ter corpos perfeitos como as brasileiras. <a href="http://www.memoriaviva.com.br/carlosestevao" target="_blank"><strong>Carlos Estevão</strong></a> estaria satirizando nossos péssimos costumes – alguns tão ou mais antigos que a revista – e <a href="http://www.memoriaviva.com.br/appe" target="_blank"><strong>Appe</strong></a>, com seu traço fino, seria o elegante carrasco da desclassificada horda política.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">E se esta semana não há cento e tantas páginas de <em>O Cruzeiro </em>para celebrarmos e comprovarmos como seria essa história, temos ao menos uma página de seu único remanescente: <strong>Millôr Fernandes</strong>.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Foi em um exercício de imaginação assim que “<em>a revista contemporânea dos arranha-céus</em>” tornou-se também <a href="http://www.memoriaviva.com.br/ocruzeiro" target="_blank"><strong>contemporânea da Internet</strong></a>. E lá se vão seis anos. Debruçando-me sobre centenas de edições desde então, fiz várias viagens e aprendi História, principalmente do Brasil, como jamais havia pensado <st1:personname productid="em aprender. Mais" w:st="on">em aprender.  Mais</st1:personname> que isso, fui descobrindo e reconstituindo muitas histórias interessantes perdidas nas memórias de alguns poucos e que, aos poucos, vão sendo contadas. Isso me faz crer que essa história iniciada em 1928 ainda não terminou.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Pedindo novamente licença a Rachel, encerro essa louvação com a ajuda de suas palavras publicadas no Jubileu de Prata da revista:</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><em>Hoje, aniversário de </em>O Cruzeiro<em>, esta casa, é claro, está <st1:personname productid="em festa. Jornais" w:st="on">em festa. Jornais</st1:personname> são como chineses e não como moças bonitas: não se envergonham da idade, antes se sentem orgulhosos dos cabelos brancos e das rugas, e, quanto mais velhos, mais vaidade tiram disso. E pois, o coquetismo não está em negar a idade, mas em confessá-la abertamente: </em><strong>oitenta anos!</strong></p>
<p class="MsoNormal">Muito ainda ouviremos falar a respeito dela.<br />
<o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal"><strong>Texto relacionado:</strong><br />
<a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/06/06/mastigue-bem-antes-de-engolir/">Mastigue bem antes de engolir</a></p>

<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/11/10/80-anos-de-o-cruzeiro/&amp;text=80 anos de &#8220;O Cruzeiro&#8221;&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
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		<title>Todos na Merda</title>
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		<pubDate>Tue, 04 Nov 2008 19:41:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Periódicos]]></category>

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		<description><![CDATA[Quero vê-los sorrir, quero vê-los dançar. Chega hoje às bancas do Rio – e até o final da semana em São Paulo – a edição de número 3 da revista M. Na capa e sentado no trono, ele, o deus &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/11/04/todos-na-merda/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/sidneym.jpg" align="right" />Quero vê-los sorrir, quero vê-los dançar. Chega hoje às bancas do Rio – e até o final da semana <st1:personname productid="em S￣o Paulo" w:st="on">em São Paulo</st1:personname> – a edição de número 3 da <strong>revista <em>M</em></strong>. Na capa e sentado no trono, ele, o deus da sensualidade cigana brasileira, o dono da pélvis mais requebrante desde Elvis, o imortal e inigualável <strong>Sidney Magal</strong>.<o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" align="justify">O cantor aparece em entrevista à seção <em>Experiência pós-M</em> e conta sobre os períodos em que passou longe dos holofotes no mercado musical. Para quem ainda não conhece a revista, esta é a seção na qual alguém conta sua experiência após ter saído da merda. Não é todo mundo que assume já ter estado lá (quem nunca esteve?), muito menos no mundo das celebridades. A propósito, é este o tema da terceira edição: <em>Celebridades</em>.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><o:p></o:p>Há muito mais gente na <em>Merda</em>: Marcelo Rubens Paiva, Léo Jaime, Rosana Hermann, Marcelo Madureira, Fernando Caruso, Nani, André Dahmer, Tico Santa Cruz&#8230; <strong>Até eu estou na <em>Merda</em></strong>. Em quatro páginas, está a obra (no sentido popular nordestino do termo) <strong><em>A maior enganação do mundo</em></strong>, na qual percebe-se que “<em>a vida até parece uma festa, em certas horas isso é que nos resta</em>” e que administrar uma cidade pode ser apenas dar ao povo um rala-bucho. Mais que toda a filosofia e poesia contida nesse libelo, chamo a atenção para a assinatura, que em minha biografia estará no capítulo sobre meus dons proféticos.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><o:p></o:p><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/m3.jpg" align="left" />No ensaio sensual, a <strong>Mulher Acerola</strong>, vivida por Douglas Silva, que ganhou funk com direito a <strong><a href="http://br.youtube.com/watch?v=h8LwKIx4y1s" target="_blank">vídeo bombando no YouTube</a></strong>. Outro destaque é o <strong>Teste do Vibracall</strong>, onde uma moça de família empresta suas partes íntimas para descobrir quais aparelhos celulares têm os melhores modos de vibração para satisfazer sexualmente as mulheres. O vídeo teve vida breve no YouTube, mas está <a href="http://www.dailymotion.com/video/x78z8u_teste-do-vibra-call-na-vagina_fun" target="_blank"><strong>disponível no DailyMotion</strong></a>. Aliás, pelo que pude ver, o teste não é bem onde disseram, mas pelo menos faz vibrar no lugar certo.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify" align="justify"><o:p></o:p>Como seus editores já assumiram, <em>M&#8230;</em> “é a única revista bimestral que sai uma vez ao ano, devido a uma impressionante prisão de ventre editorial”. Prometeram curá-la a partir deste número. Sugiro procurarem <strong>patrocínio do Actvia e do Lactopurga </strong>para ver se essa merda sai com mais regularidade.<u><o:p></o:p></u></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify">Aos que não conseguirem nas bancas ou estiverem fora de Rio e São Paulo (vamos espalhar essa <em>Merda</em> pelo país todo, minha gente! Como pode não ter Merda em Brasília, na Bahia ou no Acre?), saibam que parte dessa suave fragrância pode ser alcançada pela web. No site <a href="http://www.mcorporation.com.br" target="_blank"><em><strong>M Online</strong></em></a>, além do blog sempre atualizado, a partir de amanhã (5 de outubro) tem um cheirinho da terceira edição.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><o:p></o:p>E que a <em>Merda</em> saindo hoje não seja um presságio sobre as eleições nos Estados Unidos. Espero que os americanos escolham bem aquele que vai governar o Brasil nos próximos anos e lembrem que <strong>M é de merda</strong>.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><strong>Textos relacionados:</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify">:: <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/safev07.htm">Com as mãos na Merda</a> (19.02.2007)<br />
:: <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/saout07.htm">Regininha na Merda</a> (22.10.2007)</p>

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		<title>Mastigue bem antes de engolir</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/06/06/mastigue-bem-antes-de-engolir/</link>
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		<pubDate>Fri, 06 Jun 2008 13:49:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
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		<description><![CDATA[Diga rápido o nome completo de Tiradentes. Isso mesmo: José Joaquim da Silva Xavier. Não? Não mesmo. Você quis dizer Joaquim José da Silva Xavier. Aproveite e responda o seguinte: o que é alferes? O alferes Joaquim José&#8230; Pomposo, não? &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/06/06/mastigue-bem-antes-de-engolir/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/06/06/mastigue-bem-antes-de-engolir/&amp;text=Mastigue bem antes de engolir&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Diga rápido o nome completo de <strong>Tiradentes</strong>. Isso mesmo: José Joaquim da Silva Xavier. Não? Não mesmo. Você quis dizer Joaquim José da Silva Xavier. Aproveite e responda o seguinte: o que é <strong>alferes</strong>? O alferes Joaquim José&#8230; Pomposo, não? Não. Alferes era um antigo nível da hierarquia militar no Brasil colonial e imperial que ficava abaixo de tenente e estava logo acima de cadete. E se Tiradentes era militar, que diabos de <strong>cabeleira hippie</strong> era aquela?</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/febeapa.jpg" align="right" border="0" height="305" width="190" />Este é um exemplo clássico das bobagens que engolimos desde pequenos e saímos repetindo vida afora. Ainda sobre Tiradentes, <strong>Stanislaw Ponte Pret</strong>a, em seu <strong><em>Febeapá 1 – Primeiro Festival de Besteiras que Assola o País</em></strong>, conta que uma discussão sobre a juba do alferes levou à publicação, em <em>Diário Oficial</em>, de resolução presidencial pró-cabeleira na qual  dizia ser essa “<em>a efígie que melhor se ajusta à imagem de Joaquim José da Silva Xavier gravada pela tradição na memória do povo brasileiro</em>”. Pronto. Por decreto, Tiradentes era cabeludo. No dia seguinte, o <em>Diário Oficial</em> trazia uma retificação: “<em>Onde se lê Joaquim José, leia-se José Joaquim</em>”. Oito dias depois: “<em>Fica sem efeito a retificação publicada no Diário Oficial de 19-4-66..</em>.”. Stanislaw termina a história de forma jocosa dizendo que “<em>felizmente a coisa parou aí, do contrário iam acabar escrevendo Xavier com ‘</em>CH<em>’</em>”.</p>
<p align="justify"><strong>Sérgio Porto</strong>, o Stanislaw, assim como eu, divertia-se e escrevia sobre as bobagens divulgadas, criadas e replicadas pela imprensa. Mas, depois de um tempo, você deixa de se divertir, percebe que a coisa é séria e gera erros que, às vezes, passam à História. Vez por outra falo sobre esses deslizes (isso foi um eufemismo), como no caso das <strong>fotos do</strong> <strong>Herzog</strong> (<a href="http://leseirageral.blog.uol.com.br/arch2004-10-16_2004-10-31.html" target="_blank">aqui</a>, em posts de 20, 21, 22 e 29 de outubro de 2004) ou, de maneira mais leve, juntando as <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/04/23/noticias-noticiosas">barbaridades que lemos por aí em um único dia</a>.</p>
<p align="justify">Este narigão de cera é para falar sobre as<strong> armadilhas de erros</strong> que sempre encontramos na Internet, nos jornais ou nos livros. Se você é da geração Ctrl+C/Ctrl+V, que tem fé na <em>Wikipedia</em> e vê o <em>Google</em> como oráculo, pode parar a leitura por aqui (se é que chegou a tanto), desligar o computador e procurar um gibi qualquer. Se faz parte dos que pensam, prossiga.</p>
<p align="justify">Desde os primórdios da <em>web</em>, me perguntam: <em><strong>Como se pode ter certeza que uma informação na Internet está correta?</strong></em> Da mesma forma que você tem certeza de que uma informação está correta em um livro: <strong>usando de conhecimento prévio, discernimento, eterna desconfiança e pesquisa exaustiva</strong>. Esta é minha resposta desde sempre. Vale para qualquer informação, vinda de Internet, jornal, livro&#8230; Livro? Sim, livro. Mesmo os mais sérios e escritos por pessoas respeitáveis.</p>
<p align="justify">Esta semana, recebi um e-mail do historiador e jornalista – “<em>totalmente perdido e atormentado</em>”, segundo suas próprias palavras –, <strong>Henrique Polidoro</strong>. Recebo quase diariamente pedidos de materiais relacionados a revistas e jornais antigos. Durante anos, tive a atenção e delicadeza de responder a cada um. Com o tempo, criei uma resposta padrão na qual explicava que uma informação do tipo “<em>o que procuro saiu numa edição do final da década de 50 ou início da de 60</em>” demandaria dias de pesquisa em centenas de revistas, milhares de páginas, que isso custaria tempo e dinheiro, etc. Depois, passei a responder somente às mensagens de pesquisadores sérios, obviamente bem orientados e com uma noção mínima do que estava fazendo e pedindo.</p>
<p align="justify">A mensagem de Henrique tinha esses pré-requisitos, mas me chamou atenção pela simplicidade da dúvida, pelo motivo que a causou e pela facilidade em eliminá-la. Enfronhado em um Mestrado pela PUC-SP, queria acabar com uma <strong>“<em>polêmica</em>” sobre a data de lançamento da revista <em>O Cruzeiro</em></strong>. <a href="http://www.memoriaviva.com.br/ocruzeiro" target="_blank">No <em>site</em></a> em homenagem à revista, diz que havia sido lançada em novembro de 1928, mas autores como <strong>Fernando Morais</strong> (<em>Chatô – O Rei do Brasil</em>, <em>Olga</em>, <em>O Mago</em>&#8230;) e <strong>Antônio Accioly</strong>, diretor da revista durante quase toda sua história, diziam ter sido em dezembro do mesmo ano.</p>
<p align="justify">Resolvi aproveitar o questionamento para publicar este texto e <strong>eliminar de uma vez por todas essa dúvida</strong>, que não é só dele.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/cruzeiro.jpg" align="left" border="0" height="263" width="190" /><strong>Não há qualquer “</strong><strong>POLÊMICA”</strong> em torno da data de lançamento de <em>Cruzeiro</em> (sem o artigo). <strong>A data da primeira revista é 10 de novembro de 1928</strong>, como está informado no <em>site</em>. Lá, além da reprodução de algumas matérias da primeira edição, é possível ver também as capas das 10 primeiras edições e suas respectivas datas.</p>
<p align="justify"><strong>O que existe é ERRO</strong> nas datas informadas no livro <em>Chatô</em>, de Fernando Morais, e nas memórias de Accioly Netto. E não só esses. E não só nesses dois livros que falam da revista. Creio ter lido a maior parte dos livros publicados sobre <em>O Cruzeir</em>o e temas afins. Li e recentemente reli, pois estou escrevendo as biografias de <a href="http://www.memoriaviva.com.br/appe" target="_blank"><strong>Appe</strong></a> e <strong><a href="http://www.memoriaviva.com.br/carlosestevao" target="_blank">Carlos Estêvão</a></strong>, dois desenhistas da revista. Sobre erros em relação a Carlos Estêvão, adianto alguns na seção “<em>Mais</em>” do site em sua homenagem.</p>
<p align="justify">Mas se <strong>não se pode confiar em informações de um livro</strong> de alguém reconhecido como um dos maiores biógrafos do país e nem no de alguém que trabalhou toda a vida na revista em questão, o que pensar de “<em>um site na Internet</em>”?! <em><strong>NEM PENSAR!</strong></em>, eu diria. Esse é o preço que se paga por vivermos em mundo cheio de informações erradas. Longe de me ofender por esse tipo de desconfiança, sugiro a todos que se mantenham assim. <strong>Desconfiem sempre.</strong></p>
<p align="justify">A questão se refere a algo muito maior e sobre o qual vivo falando: <strong>a precisão da informação no jornalismo e na pesquisa biográfica</strong>. Os motivos para erros desse tipo são inúmeros. Vão desde a confiança excessiva do autor na informação que sua equipe trouxe (para quem não sabe, muitas biografias são escritas assim, em um esquema de redação: há pesquisadores, que funcionam como repórteres, e o autor, que funciona como redator, finalizando e assinando o texto) até a fé que temos em nossa própria memória, passando pela falta ou erro de revisão. Há também o muito comum caso de pura incompetência, no qual obviamente não se enquadram os exemplos dos autores citados. O grande problema é que esses erros, <strong>independente dos motivos pelos quais foram cometidos</strong>, não são percebidos e quando são <strong>não podem ser devidamente corrigidos</strong> (no máximo em uma futura reimpressão, mas como ficam todos que leram a edição errada?). E assim são repetidos, reforçados, apontados como referência e quase acabam virando verdade.</p>
<p align="justify">No caso da dúvida sobre a primeira revista <em>Cruzeiro</em>, basta uma reprodução de uma de suas páginas que mostre a data em que circulou. Curiosamente, o cabeçalho da primeira página na primeira edição não informa a data, que só aparece no alto de algumas páginas. E aí está, para que não reste qualquer dúvida.</p>
<p align="justify">
<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/cruz1011.jpg" border="0" /></p>
<p align="justify">Pronto. <strong>A primeira edição de <em>Cruzeiro</em> é datada de 10 de novembro de 1928.</strong> Perceberam que, nessa página, o “<em>o</em>” final de “<em>novembro</em>” pulou para o final da data? Acho que eles não usavam <em>Word</em>&#8230;</p>
<p align="justify">A partir da segunda edição, a data aparece no cabeçalho. A edição de 1º de dezembro de 1928 já é a de número 4. No citado dia “10 de dezembro” nos livros, a revista já estava em sua quinta edição, que trazia <strong>Santos Dumont</strong> na capa (8 de dezembro de 1928).</p>
<p align="justify">O caso serve para lembrar que qualquer coisa feita por um ser humano é passível de erro. <strong>Não podemos nos acostumar a acreditar em tudo que lemos</strong> somente por estar em um jornal ou mesmo em um livro. Mais: não devemos ficar papagueando tudo que ouvimos. Mesmo quando o dado vem de fonte primária, deve ser checado e confrontado várias vezes. <strong>Questionar é necessário.</strong> Sempre. Só assim podemos nos aproximar de uma informação precisa.</p>
<p align="justify">E sempre que você encontrar um erro em algo que escrevi – seja em <em>blog</em>, <em>site</em>, jornal, revista, livro ou guardanapo em boteco –, por favor, avise-me. Eu e os futuros leitores agradecemos.</p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback.jpg" usemap="#Map" border="0" height="25" /></center></p>
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