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	<title>Sempre Algo a Dizer &#187; História</title>
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		<title>Quase pretos ou quase brancos</title>
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		<pubDate>Tue, 05 Jul 2011 23:00:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
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		<description><![CDATA[Ontem, comecei a escrever uma série de textos que mostra o peso do fotojornalismo na construção e no fortalecimento da cultura americana e como os brasileiros, que adoram imitar os americanos, não conseguiram fazer algo parecido. O texto já ia &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2011/07/05/quase-pretos-ou-quase-brancos/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Ontem, comecei a escrever uma série de textos que mostra o peso do fotojornalismo na construção e no fortalecimento da cultura americana e como os brasileiros, que adoram imitar os americanos, não conseguiram fazer algo parecido. O texto já ia na oitava página e parei na análise de duas fotos da primeira edição da <em>Life</em>, de novembro de 1936, que mostravam a mistura de raças no Brasil.</p>
<p style="text-align: justify;">Vejam as fotos, as legendas (traduzidas) e parte do meu texto.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/07/brlife2.jpg"><img class="size-full wp-image-1029 aligncenter" style="border: 0pt none; margin-top: 0px; margin-bottom: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/07/brlife2.jpg" alt="" width="590" height="381" /></a></p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;"><em><strong>Civilização</strong> é o nome que os brasileiros dão a esta escultura de um homem e uma mulher negróides, para uma nova raça brasileira que está emergindo dos portugueses misturados com negros e índios. (&#8230;) A despeito da estátua, os cidadãos do Rio, auto-intitulados cariocas, são predominantemente brancos. Mas muitos aristocratas brancos do Rio têm parentes pretos e, no negróide Norte do Brasil, uma gota de sangue branco faz um homem &#8220;branco&#8221;.</em></p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;"><em><strong>O homem com o chapéu preto </strong>(centro) é considerado praticamente branco no Brasil. Sua companhia na dança do subúrbio da Penha, no Rio, é muito mais clara, definitivamente com características europeias. Ela é uma mulher branca, acolhida e alegremente desposada por um homem &#8220;praticamente branco&#8221;. O jovem com casaco cinza e calça branca tem uma boa mistura de sangue indígena e português. Todos estes são mais claros que o homem branco do Norte do Brasil. Todos os negros brasileiros votam e vivem em termos de igualdade legal com os homens brancos puros.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Hoje, pela manhã, me deparo com a seguinte notícia no site da <em>Veja</em>:</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Professor é acusado de mandar aluno africano clarear a cor</strong></p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;"><em>A Universidade Federal do Maranhão (UFMA) solicitou a abertura de um processo administrativo disciplinar para apurar as denúncias de racismo contra um professor da instituição. Alunos do curso de Engenharia Química apontaram atos de discriminação do professor José Cloves Verde Saraiva contra o aluno africano Nuhu Ayuba, inscrito na disciplina Cálculo Vetorial. Saraiva já pediu desculpas e disse que a situação foi um mal-entendido.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;"><em>Uma cópia da denúncia foi entregue ao Ministério Público Federal. &#8220;Informamos que o professor Cloves Saraiva vem sistematicamente agredindo nosso colega de turma Nuhu Ayuba, humilhando-o na frente de todos&#8221;, afirmaram os alunos na petição pública. Segundo os estudantes, o professor teria dito que Ayuba &#8220;deveria voltar à África e clarear a sua cor&#8221;.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Brasil, 1936, visto pelos americanos. Brasil, 2011, visto por nós mesmos.</p>
<p style="text-align: justify;">O último parágrafo que escrevi ontem dizia o seguinte:</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;">Independente da época e do contexto, preconceito racial (e por qualquer tipo de diferença) é uma estupidez indesculpável. No entanto, 75 anos depois, sendo brasileiro (portanto, vira-lata), vejo a legenda e a foto como o documento de uma época em que o Brasil buscava uma identidade racial, social, e não tinha o preconceito típico do americano. Esquecendo um pouco os comentários racistas, a foto é maravilhosa, não? Dispensa qualquer legenda ou interpretação. Retrata a verdadeira mistura que forma nosso povo e sua alegre convivência. Pelo menos nesse ponto, tínhamos tudo para sermos superiores, mais civilizados. <strong>Pena que, até nisso, o brasileiro tenha se americanizado.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Se a Ku Klux Klan aceitasse caboclos, esses brasileiros praticamente negros que se acham brancos poderiam ter seu clubinho.  Acho bem merecido quando esse tipo babaca de brasileiro é maltratado no exterior e se sente colocado no lugar <strong>onde todo racista deveria estar: abaixo de qualquer outro ser humano</strong>. Só lamento que, mesmo assim, não aprendam.  Seres desse tipo nunca aprendem. Nunca viram gente.</p>
<p style="text-align: center;">* * * * * * * *</p>
<p style="text-align: justify;">► <strong>DICA do mano BUCA DANTAS:</strong> <strong><a href="http://www2.uol.com.br/JC/sites/especial_joaquimnabuco/html/html2/index.html" target="_blank">Quase brancos, quase negros</a></strong></p>

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		<title>Ei, defunto, passa o bronze!</title>
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		<pubDate>Sat, 19 Feb 2011 08:00:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte tumular]]></category>
		<category><![CDATA[Cemitérios]]></category>
		<category><![CDATA[Estatuária]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[No dia 30 de março de 2009, no texto Turismo-histórico cultural e três velhos bigodudos, eu terminava dizendo o seguinte sobre uma das homenagens ao advogado e escritor Manoel Dantas: Já a efígie em seu túmulo, no Cemitério do Alecrim &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2011/02/19/ei-defunto-passa-o-bronze/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/02/manoel2.jpg"><img class="size-full wp-image-902 aligncenter" style="border: 0pt none; margin-top: 0px; margin-bottom: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/02/manoel2.jpg" alt="" width="600" height="263" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">No dia 30 de março de 2009, no texto <em>Turismo-histórico cultural e três velhos bigodudos</em>, eu terminava dizendo o seguinte sobre uma das homenagens ao advogado e escritor Manoel Dantas: <em>Já a efígie em seu túmulo, no Cemitério do Alecrim </em>(em Natal)<em>, resiste bravamente há 65 anos</em>. Atualizando: RESISTIA.</p>
<p style="text-align: justify;">O medalhão que ficava no túmulo de Manoel Dantas era obra de Hostílio Dantas, pintor e célebre escultor do Rio Grande do Norte, praticamente o único nome a entrar, até agora, para a história da arte estatuária no estado.  Foi Edgard Ramalho Dantas (é ele quem aparece na foto que abre o texto), neto de Manoel, quem deu o alerta por e-mail: “<em>Túmulos dos alemães da Condor e de Manoel Dantas depredados no Cemitério do Alecrim</em>”. Duas horas depois, eu e <a href="http://www.canindesoares.com" target="_blank">Canindé Soares</a>, acompanhados por Edgard, estávamos conferindo os estragos.</p>
<p style="text-align: justify;">Não foi apenas isso. Outras três efígies de bronze também foram roubadas: a de Elias Lamas e as duas do túmulo de Francisquinha e Ernesto Fonseca. Aliás, deste só sobraram três letras. Até a portinhola do jazigo foi levada. Estas eram as quatro únicas efígies em bronze de todo o Cemitério do Alecrim, um dos mais antigos cemitérios públicos do país. Se há registro fotográfico das peças é por conta de meu interesse por arte tumular e por um trabalho de catalogação da estatuária da Cidade do Natal que comecei a fazer com Canindé em 2009 (é daquele ano as fotos que mostram os medalhões). Na época, a Semsur – Secretaria Municipal de Serviços Urbanos, órgão responsável (?!) pela administração do Cemitério do Alecrim se disse interessada pelo trabalho, mas estava apenas tentando trazer “os inimigos” para perto, já que rodamos toda a cidade e denunciamos o abandono das praças, monumentos e cemitérios.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/02/lamas2.jpg"><img class="size-full wp-image-903 aligncenter" style="border: 0pt none; margin-top: 0px; margin-bottom: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/02/lamas2.jpg" alt="" width="600" height="300" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/02/francis2.jpg"><img class="size-full wp-image-904 aligncenter" style="border: 0pt none; margin-top: 0px; margin-bottom: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/02/francis2.jpg" alt="" width="600" height="404" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Natal é uma cidade conhecida pelo desprezo com que trata sua História e sua cultura. Se possível, João Pessoa e Recife se mudariam para bem longe para não ter uma vizinha igual a essa. É uma vergonha! Natal é comumente ridicularizada como “a cidade do já foi”, “a cidade do já teve”. Uma capital quatrocentona que não tem um museu. Ninguém venha dizer que tem! Tem “umas coisas” que chamam de museu e só chama assim quem nunca esteve em um. Quase tudo que se faz em Natal e é relacionado à sua História gira em torno do nome de Câmara Cascudo, que, diga-se, é extremamente respeitado no resto do Brasil e no mundo, mas também desprezado na cidade onde nasceu. A minha geração e as mais novas acham bonito falar mal dele e fazer ar de enfado quando ouvem seu nome. Aquele comportamento típico de quem quer disfarçar a própria ignorância diminuindo quem realmente fez alguma coisa. A propósito, falei que o túmulo de Cascudo, totalmente reformado pela família (como tudo relacionado a ele, pois estado e município não fazem qualquer coisa), em maio do ano passado, também foi depredado? Foi. Levaram a placa em inox com os nomes de todos que foram sepultados lá.</p>
<p style="text-align: justify;">Fotografo cemitérios por todo o Brasil. Já fiz <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/category/arte-tumular/" target="_self">vários <em>posts</em></a>, aqui, a respeito disso. Cemitérios gigantescos como o do Araçá, em São Paulo, com seus 222 mil m2, no qual caberiam dezenas de cemitérios do Alecrim. Cemitérios com centenas de monumentos gigantescos, em bronze ou mármore, como os da Consolação e São Paulo. Todos seguem o mesmo esquema das necrópoles públicas brasileiras: o terreno pertence à administração pública, que zela pela limpeza e segurança do local, mas os túmulos são de responsabilidade dos donos. Sabe o que acontece com túmulos de personalidades famosas e/ou que tenham grandes obras de arte nos cemitérios de São Paulo? A administração pública tomba e se torna responsável direta por sua limpeza e manutenção. Os donos só têm direito a enterrar seus mortos. Não podem mexer neles, modificá-los. Se um túmulo está abandonado, o dono é notificado. Em Natal, os donos não são avisados nem quando os túmulos são depredados e roubados.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/02/ruacemita.jpg"><img class="size-full wp-image-906 aligncenter" style="border: 0pt none; margin-top: 0px; margin-bottom: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/02/ruacemita.jpg" alt="" width="600" height="403" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Para entender a situação de total abandono do Cemitério do Alecrim, basta olhar para suas ruas. As principais, próximas às entradas, receberam uma maquiagem há alguns anos. As restantes são como a mostrada na foto acima. Antes de ser enterrado e roubado, o morto ainda experimenta a sensação de andar naqueles carros performáticos de rapper americano, sacudindo para todos os lados. Não me admiraria se um pedisse para descer do caixão e ir andando até sua sepultura. Seria muito mais digno. Parece que a administração da cidade sempre entendeu “lugar de descanso” como “lugar de descaso”. Assim, passam secretários e prefeitos enquanto o cemitério continua virando pó. Dá para levar a sério uma cidade que não respeita nem os seus mortos? Se eu morrer aqui, façam uma fogueira no quintal e cremem meu corpo,  façam qualquer coisa, mas, por favor, não me levem para o Cemitério do Alecrim. Já me basta ter sido assaltado em Natal, mais de uma vez, ainda vivo.</p>
<p style="text-align: center;">* * * * * *</p>
<p style="text-align: left;"><strong>Textos relacionados<br />
</strong><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/06/15/o-primeiro-marmore/" target="_blank">O primeiro mármore</a><br />
<a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/04/11/passeios-por-cemiterios-v-outras-curiosidades/" target="_self">Passeios por cemitérios V – Outras curiosidades</a><br />
<a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/05/24/em-verdade-vos-digo/" target="_self">Em verdade, vos digo…</a><br />
<a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/05/28/era-para-ser-assim/" target="_self">Era para ser assim</a><br />
<a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/03/30/turismo-historico-cultural-e-tres-velhos-bigodudos/" target="_blank">Turismo histórico-cultural e três velhos bigodudos</a></p>
<p><strong>E ainda</strong><br />
<a href="http://www.memoriaviva.com.br/manoeldantas" target="_blank">Manoel Dantas</a><br />
<a href="http://www.memoriaviva.com.br/cascudo" target="_blank">Câmara Cascudo</a></p>

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		<title>Que Appe é esse?</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Feb 2011 23:57:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Quando, em maio de 2006, em Campinas (SP), João Buhrer me perguntou “Por que você não escreve a biografia do Appe?”, eu não fazia a mínima ideia de onde me meteria ao responder “É mesmo!”. Estava cansado da superficialidade do &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2011/02/03/que-appe-e-esse/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/02/appe_01interrog.jpg"><img class="size-full wp-image-883 aligncenter" style="border: 0pt none; margin-top: 0px; margin-bottom: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/02/appe_01interrog.jpg" alt="" width="600" height="377" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Quando, em maio de 2006, em Campinas (SP), João Buhrer me perguntou “<em>Por que você não escreve a biografia do Appe?</em>”, eu não fazia a mínima ideia de onde me meteria ao responder “<em>É mesmo!</em>”. Estava cansado da superficialidade do jornalismo, fazia o <a href="http://www.memoriaviva.com.br" target="_blank"><em>Memória Viva</em></a> há nove anos, já estava mesmo na hora de publicar um livro&#8230; Por que não?</p>
<p style="text-align: justify;">Deve ter sido um demônio que falou pela boca de João: “<em>Vamos mostrar a esse cara que escrever uma biografia não é fácil como ele pensa.</em>” Mas pode ter sido um anjo: “<em>Appe merece ter seu trabalho mostrado às novas gerações. Corra para falar com ele!</em>” Corri, mas não cheguei a tempo. Appe morreria pouco mais de dois meses depois daquele <em>insight</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Se por um anjo ou por um demônio, não sei, mas graças a um texto contando esta história, a montanha veio a Maomé. A família de Appe me encontrou e se colocou à disposição para o que eu precisasse para desenvolver a pesquisa. Em abril de 2007, lá estava eu, pela primeira vez de já não sei quantas, em seu arquivo pessoal, sendo adotado por Neusa (sua viúva) e cevado por Doris (sua enteada).</p>
<p style="text-align: justify;">Depois das duas primeiras rodadas de entrevistas com familiares e colegas de trabalho, vi que não seria difícil escrever sobre sua vida. Ele viveu bastante – 86 anos –, mas teve uma vida pessoal tranquila, caseira. À exceção do período de glória em <a href="http://www.memoriaviva.com.br/ocruzeiro" target="_blank"><em>O Cruzeiro</em></a>, claro.  Jovem, bem empregado, frequentando altas rodas, manteve uma <em>bonbonnière</em> para deleite próprio e de seus amigos. Entendeu, não? <em>Bonbonnière</em>, aquele lugar cheio de docinhos gostosos para se comer&#8230;</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/02/appe_02carica.jpg"><img class="size-full wp-image-884 aligncenter" style="border: 0pt none; margin-top: 0px; margin-bottom: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/02/appe_02carica.jpg" alt="" width="600" height="339" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Appe deixou uma dica de como queria ver sua vida contada: através de seus desenhos. O Appe que a maioria conhece é o caricaturista e chargista político da revista <em>O Cruzeiro</em>, mas ele é bem mais que isso. Muito mais mesmo! Deixei de contar o número de obras, fotos e documentos que digitalizei quando passou de dois mil. E nem mexi ainda em minha coleção de <em>O Cruzeiro</em> e quase nada também na de João Buhrer, o que certamente irá gerar mais de mil desenhos.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando me deparei com o Appe menos conhecido, vi que o trabalho não seria fácil. Usei a lógica que usamos para montar quebra-cabeças: comecei pelas bordas. Deixei a era de <em>O Cruzeiro</em>, o centro, por último. Da época anterior, me deparei com trabalhos em <em>A Manhã</em> e <em>A Vanguarda</em>. Na maioria, recortes sem data. Biógrafos, historiadores e acadêmicos já sabem do que estou falando. Não basta ter o desenho. É preciso entender todo o contexto em que foi criado e publicado. É ainda mais complicado quando se trata de charge política. Quem são aquelas pessoas na charge? Fácil quando se trata de alguma figura muito conhecida. Mas e aquelas que o tempo apagou, que foram eclipsadas por outras maiores? Quem eram? Por qual motivo apareciam naquela piada? E qual era a piada?! O que foi escrito no jornal daquele dia sobre os personagens da charge? Agora, imagine se deparar com, digamos, cem recortes, sem datas, sem ordem, sem contextualização e quase sem pistas de por onde começar a ordená-los e entendê-los. Um exemplo simples. Jornal <em>A Manhã</em>, 1954. Onde há uma coleção dessas? Terei acesso a ela? Pode ser manuseada? Está microfilmada? Quantas edições terei que folhear? Duzentas? Duzentas e cinquenta? E a leitura, para entender a época e o contexto, quanto tempo levará? Estou falando de um recorte bem limitado no tempo e, se comparado a todo o resto, nem tão importante, mas necessário que seja feito.</p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/02/appe_04adhemar.jpg"><img class="size-full wp-image-885  aligncenter" style="border: 0pt none; margin-top: 0px; margin-bottom: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/02/appe_04adhemar.jpg" alt="" width="450" height="496" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><em>Esta é fácil! Adhemar de Barros, derrotado na disputa para o governo<br />
de São Paulo, em 1954. No ano seguinte, tentaria a presidência.</em></p>
<p style="text-align: justify;">No caso de um artista gráfico, há também outro ponto importante em todo esse acompanhamento. É preciso conhecer, entender, mostrar e explicar a evolução e mudança de traço, as influências de cada época, quando e como se chegou a um estilo próprio, qual temática era mais abordada em determinado período&#8230; É algo sem fim! Começa-se em um desenho e, de repente, está estudando a vida e a obra de outra pessoa que você nem sabia que existia! E não vai tirar nem dez linhas de tudo isso. Vai “só” compreender melhor o trabalho de quem você está biografando. Não é à toa que digo: biografar é fazer uma graduação sobre a pessoa. E há vidas que precisam de graduação, pós, mestrado, doutorado, pós-doutorado, só para você chegar ao final de 15 anos de pesquisa e descobrir que sabe mais que qualquer criatura sobre a Terra, mas que, ainda assim, não sabe muita coisa.</p>
<p style="text-align: justify;">Quem é esse Appe que pretendo mostrar? Quem SÃO esses Appes além do chargista e do caricaturista? Pretendo que as respostas cheguem a todos ainda este ano. Por ora, melhor deixar que ele mesmo mostre.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Appe quadrinista</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/02/appe_05quad.jpg"><img class="size-full wp-image-886 aligncenter" style="margin-top: 0px; margin-bottom: 0px; border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/02/appe_05quad.jpg" alt="" width="600" height="329" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #ffffff;">.</span><br />
<strong>Appe ilustrador</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/02/appe_06ilust.jpg"><img class="size-full wp-image-887 aligncenter" style="border: 0pt none; margin-top: 0px; margin-bottom: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/02/appe_06ilust.jpg" alt="" width="600" height="516" /></a><br />
</strong></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #ffffff;">.</span><br />
<strong>Appe cartunista</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/02/appe_07cartum.jpg"><img class="size-full wp-image-888 aligncenter" style="border: 0pt none; margin-top: 0px; margin-bottom: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/02/appe_07cartum.jpg" alt="" width="450" height="462" /></a><br />
</strong></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #ffffff;">.</span><br />
<strong>Appe do Blow-Appe</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/02/appe_08blow.jpg"><img class="size-full wp-image-889 aligncenter" style="border: 0pt none; margin-top: 0px; margin-bottom: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/02/appe_08blow.jpg" alt="" width="600" height="383" /></a><br />
</strong></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #ffffff;">.</span><br />
<strong>Appe erótico</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/02/appe_09erot.jpg"><img class="size-full wp-image-891 aligncenter" style="border: 0pt none; margin-top: 0px; margin-bottom: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/02/appe_09erot.jpg" alt="" width="600" height="462" /></a><br />
</strong></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #ffffff;">.</span><br />
<strong>Appe pintor</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/02/appe_10pint.jpg"><img class="size-full wp-image-892 aligncenter" style="border: 0pt none; margin-top: 0px; margin-bottom: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/02/appe_10pint.jpg" alt="" width="600" height="366" /></a><br />
</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>* * * * * * * *</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Mais: <a href="http://www.me/appe" target="_blank">Memória Viva de Appe</a></strong></p>

<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2011/02/03/que-appe-e-esse/&amp;text=Que Appe é esse?&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
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		</item>
		<item>
		<title>Consolação</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Nov 2010 01:40:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte tumular]]></category>
		<category><![CDATA[Artes plásticas]]></category>
		<category><![CDATA[Cemitérios]]></category>
		<category><![CDATA[Estatuária]]></category>
		<category><![CDATA[Fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[Algumas pessoas que tiveram a oportunidade de ver parte do material bruto das mais de 7 mil fotos que fiz em cemitérios pelo país me cobram transformar isso em livro e exposição. Como é possível ter bastante informação a respeito &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/11/01/consolacao/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/11/01/consolacao/&amp;text=Consolação&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Algumas pessoas que tiveram a oportunidade de ver parte do material bruto das mais de 7 mil fotos que fiz em cemitérios pelo país me cobram transformar isso em livro e exposição.</p>
<p style="text-align: justify;">Como é possível ter bastante informação a respeito do Cemitério da Consolação (São Paulo &#8211; SP) pela Internet e eu mesmo <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/04/05/passeios-por-cemiterios-iii-consolacao/" target="_self">já falei dele aqui</a>, decidi fazer, hoje, um post totalmente visual para dividir com vocês algumas de minhas fotos preferidas feitas lá.</p>
<p style="text-align: justify;">A minha parte é mostrar que onde muitos veem dor e morte, eu vejo arte. A de vocês, hoje, será sugerir títulos para as fotos. Só a primeira já tem: “<strong>Nós que aqui estamos por vós esperamos</strong>”.</p>
<p style="text-align: justify;">Espero que gostem. Aguardo sugestões.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/conso01_nos_que_aqui-Custom.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-713" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/conso01_nos_que_aqui-Custom.jpg" alt="" width="600" height="450" /></a><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/conso02_torso_nu-Custom.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-714" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/conso02_torso_nu-Custom.jpg" alt="" width="600" height="450" /></a><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/conso03_anjo_dedo-Custom.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-715" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/conso03_anjo_dedo-Custom.jpg" alt="" width="600" height="450" /></a><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/conso04_pernas_rosto-Custom.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-716" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/conso04_pernas_rosto-Custom.jpg" alt="" width="600" height="450" /></a><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/conso05_anjo_prece-Custom.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-717" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/conso05_anjo_prece-Custom.jpg" alt="" width="600" height="450" /></a><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/conso06_cristo_ceu-Custom.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-718" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/conso06_cristo_ceu-Custom.jpg" alt="" width="600" height="450" /></a><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/conso07_dedo_flores-Custom.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-719" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/conso07_dedo_flores-Custom.jpg" alt="" width="600" height="450" /></a><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/conso08_perfil_mulher-Custom.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-720" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/conso08_perfil_mulher-Custom.jpg" alt="" width="600" height="450" /></a><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/conso09_saudade_flores-Custom.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-721" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/conso09_saudade_flores-Custom.jpg" alt="" width="600" height="450" /></a><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Estas fotos podem ser vistas em tamanho maior no <a href="http://www.flickr.com/photos/artetumular/" target="_blank">Flick Arte Tumular</a>.</strong></p>

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		<title>As sereias na casa de Deus (II)</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Oct 2010 01:30:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte tumular]]></category>
		<category><![CDATA[Artes plásticas]]></category>
		<category><![CDATA[Erotismo]]></category>
		<category><![CDATA[Estatuária]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
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		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>

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		<description><![CDATA[“Venha! Venha! Chegue! Chegue! Olhe. Bonito, né? Fotografe. Venha, venha&#8230;” Era assim, tocado como um boi desgarrado da manada, que minha guia me fez percorrer, em 20 minutos, praticamente todas as partes da Igreja de São Francisco em João Pessoa &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/10/25/as-sereias-na-casa-de-deus-ii/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/10/25/as-sereias-na-casa-de-deus-ii/&amp;text=As sereias na casa de Deus (II)&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/sereias01.jpg"><img class="size-full wp-image-666 aligncenter" style="border: 0pt none; margin-top: 0px; margin-bottom: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/sereias01.jpg" alt="" width="600" height="250" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">“<em>Venha! Venha! Chegue! Chegue! Olhe. Bonito, né? Fotografe. Venha, venha&#8230;</em>” Era assim, tocado como um boi desgarrado da manada, que minha guia me fez percorrer, em 20 minutos, praticamente todas as partes da Igreja de São Francisco em João Pessoa (PB). Vinte minutos que para ela teriam sido cinco se eu não me fizesse de doido e mouco à sua toada sem freio. Ela foi cansando e logo já era um aboio, triste, ao longe, “<em>tchau, moço</em>” e me abandonou ali na porta da, segundo ela, “<em>capela de São Francisco, porque a Igreja mesmo é de Santo Antônio</em>”. Prestes a me ver livre, nem quis discutir. Fica para a próxima saber qual santo é dono de qual parte, quem fica com a nave principal, quem fica com a capela que tem uma vista linda e na qual se pode passar horas somente olhando para o teto.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa minha segunda ida à Igreja de São Francisco foi em busca de suas sereias. Nem sabia que havia tanta coisa linda, além delas, para se ver ali. E há! Na próxima, passarei horas. Esteja avisada, dona venha-venha-chegue-chegue!</p>
<p><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/download/sereias.pdf" target="_blank"><img class="size-full wp-image-667 alignright" style="border: 0pt none;" title="Clique e baixe o artigo completo" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/sereias_pagina.jpg" alt="" width="207" height="279" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Soube das sereias há alguns anos, folheando a edição de 5 de abril de 1952 de <a href="http://www.memoriaviva.com.br/ocruzeiro" target="_blank"><em>O Cruzeiro</em></a>. Um artigo de <a href="http://www.memoriaviva.com.br/cascudo" target="_blank">Câmara Cascudo</a> dava conta da excentricidade. Passei pela igreja no final de 2008, mas só conheci a parte externa. Dessa vez, entrei e fui buscar as mulheres com rabos de peixe no altar do Santíssimo.</p>
<p style="text-align: justify;">Segundo Cascudo, elas estão lá desde 1779 e não são de ordem erótica, mas símbolos funerários. Ele vai a três séculos antes da igreja de Cristo para explicar a ligação da sereia com a morte, em um tempo e lugar onde elas eram seres alados. Sereia com rabo de peixe, parece, é coisa nossa. Ainda assim, faz sentido que essas também estejam relacionadas à morte. Afinal, o que faz uma sereia quando encanta um homem? Também parece estar relacionado aos desejos, a sedução, aos prazeres, à “perdição” que este caminho leva. Arriscaria dizer que pode haver um sincretismo entre arte, regionalismo e religião. Sabe Deus o que as diabinhas do mar estão fazendo lá!</p>
<p style="text-align: justify;">Cascudo também diz que não conhece outro exemplo desse tipo no Brasil. Não dou certeza, mas se não me falha a memória (ela é muito boa, mas falha), também há sereias na entrada da Igreja de São Pedro, em Recife, Pernambuco. Nem preciso dizer que voltarei a ambas para tirar tudo a limpo, não? Por enquanto, fiquem com <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/download/sereias.pdf" target="_blank">o artigo</a> de <em>O Cruzeiro</em>, com as imagens da época e com as que fiz agora (as sereias tiveram pelo menos uma restauração desde então, pelo que sei, no final da década de 1970).</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/sereias02.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-670" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/sereias02.jpg" alt="" width="500" height="435" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/sereias03.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-671" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/sereias03.jpg" alt="" width="500" height="413" /></a></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/igsfran01.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-673" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/igsfran01.jpg" alt="" width="500" height="443" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/igsfran02.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-674" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/igsfran02.jpg" alt="" width="500" height="443" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Mais fotos no <a href="http://twitpic.com/photos/sandrofortunato" target="_blank">Twitpic</a> ou em <a href="http://www.facebook.com/sandrofortunato" target="_blank">meu perfil no Facebook</a>.</strong></p>

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		<title>Nós somos o mundo</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/02/11/nos-somos-o-mundo/</link>
		<comments>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/02/11/nos-somos-o-mundo/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 11 Feb 2010 07:54:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Anos 80]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Envie a eles seu coração Assim saberão que alguém se importa com eles E suas vidas serão mais fortes e livres (Dionne Warwick em We are the World) Tenho três filhos. Aimée, a primeira, está completando 17 anos hoje. É &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/02/11/nos-somos-o-mundo/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/02/11/nos-somos-o-mundo/&amp;text=Nós somos o mundo&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em>Envie a eles seu coração<br />
Assim saberão que alguém se importa com eles<br />
E suas vidas serão mais fortes e livres</em><br />
(Dionne Warwick em <em>We are the World</em>)</p>
<p style="text-align: justify;">Tenho três filhos. Aimée, a primeira, está completando 17 anos hoje. É difícil explicar a ela – e acredito que será muito mais para os dois mais novos, atualmente com 10 e (quase) 5 anos – que já existiu um mundo sem Internet, que precisávamos esperar para ter determinada informação, no qual artistas eram ativistas políticos e humanitários e faziam músicas que varriam o planeta, fazendo com que as pessoas parassem e pensassem que havia algo muito maior e mais importante que suas próprias vidas, que deveriam agir para transformar esse mundo em um lugar mais justo e melhor para se viver.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 1982, eu tinha 10 anos – idade atual de Ananda, minha filha do meio –, e escutei uma música, em inglês, que me tocou de alguma forma. Eu não entendia nada do que ela dizia além da palavra que lhe dava título e era repetida algumas vezes: <em>Africa</em>. Qualquer manifestação artística honesta e bem realizada desconhece barreiras de linguagem. Essa canção foi feita por excelentes músicos populares que sabiam como transpor essas barreiras. A impressão que ela me deixou, até hoje, é que começava de uma forma melancólica mas esperançosa e, em determinado momento, pouco antes do refrão, fazia uma convocação para, na sequência, ganhar outras vozes reafirmando uma necessidade urgente.</p>
<p><center><br />
<object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/9NuA7AripfU&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/9NuA7AripfU&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object><br />
</center></p>
<p style="text-align: justify;">Certamente demorou algum tempo, alguns anos talvez, para que eu soubesse que era realmente isso.  A voz se elevava ao dizer “<em>Hurry, boy, it&#8217;s waiting there for you</em>” (em uma tradução livre: <em>Rápido, garoto, tudo está lhe esperando por lá</em>). No refrão, dizia em coro: <em>There&#8217;s nothing that a hundred men or more could ever do (&#8230;) /Gonna take some time to do the things we never had </em>(<em>Não há nada que uma centena de homens ou mais não possa fazer (&#8230;) /Vai levar algum tempo para fazer as coisas que nunca fizemos</em>).</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/watw_big.jpg" target="_blank"><img class="alignright size-full wp-image-502" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/02/wearetheworld.jpg" alt="" width="288" height="347" /></a>Devo ter recebido essa informação por volta de 1985, quando já bombardeados com as muitas imagens da fome na África – a maioria pela TV, durantes os telejornais –, vimos um grupo de artistas (naquele tempo havia artistas de verdade, não meras “celebridades”) se unir, criar e cantar uma música que virou um verdadeiro mantra, que por si só parecia ter a força de executar mudanças gigantescas: <em>We are the World</em>. Para mim, um adolescente de 13 anos, ela parecia ganhar mais força quando entrava alguma das vozes dos astros do pop rock que eu costumava ouvir. Aquelas vozes mais conhecidas falavam diretamente a mim: Tina Turner dizendo que somos todos parte da fantástica família de Deus; Michael Jackson, de uma forma muito doce, dizendo que somos o mundo, somos as crianças; mais adiante, caso alguém não tivesse entendido, a voz rouca e poderosa de Bruce Springsteen repetindo isso de outra forma; e o esclarecimento era dado pela voz de Cindy Lauper, dizendo que deveríamos perceber que a mudança só poderia vir quando nós nos juntássemos e resistíssemos como se fossemos um só.</p>
<p style="text-align: justify;">Acredito que a experiência de <em>We are the World</em> só possa ser plenamente entendida por quem viveu aquela época. Não podíamos baixar o clipe para um computador ou vê-lo no <em>YouTube</em> a qualquer instante. Não havia nem videocassetes. Tínhamos que esperar a música ser executada em uma rádio ou o vídeo ser exibido na TV. Quando isso acontecia, todos corriam, aumentavam o som e, mesmo sem saber direito o que estavam falando, cantavam junto, fazendo parte daquele coro: <em>We are the world, we are the children / We are the ones who make a brighter day.</em> Era um momento de oração. Depois, comprando o LP e com isso contribuindo para combater a fome na África, podíamos “rezar” mais vezes.</p>
<p><center><br />
<object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/jzw6GiqZyD0&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/jzw6GiqZyD0&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object><br />
</center></p>
<p style="text-align: justify;">Hoje, 25 anos depois, Quincy Jones e Lionel Richie, dois dos idealizadores daquele momento, reúnem um novo time para fazer <em>We are the World &#8211; 25 for Haiti</em>, que será lançado nesta sexta, 12 de fevereiro, durante a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno de Vancouver. Um quarto de século depois, o mundo está muito diferente, totalmente conectado. A informação chega imediatamente a qualquer lugar do planeta e pode ser acessada e repassada a qualquer momento, quantas vezes for preciso. Muita coisa mudou, mas não a nossa incapacidade de resolver os problemas dos nossos irmãos mais necessitados.</p>
<p><center><br />
<object width="560" height="340"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/Glny4jSciVI&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/Glny4jSciVI&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="560" height="340"></embed></object><br />
</center></p>
<p style="text-align: justify;">Duvido que alguém discorde da afirmação de que hoje as pessoas são muito mais insensíveis do que 25 anos atrás. O problema da fome na África continua e a ele se aliou o da AIDS que, até agora, já matou o equivalente a uma vez e meia a população da cidade de São Paulo. E há outro tanto desses vivendo com o vírus. Não fomos capazes de deter isso e ainda fazemos previsões para um futuro pior. Em 15 anos, mais de 200 milhões – mais do que toda a população atual do Brasil – estarão infectados com o HIV na África.</p>
<p style="text-align: justify;">A situação do Haiti não é diferente. <em>Noventa por cento dos 5 milhões de haitianos são subalimentados. Há seis médicos para cada 100 mil habitantes. A expectativa de vida não chega a 50 anos. Noventa por cento da população é analfabeta e 73% das crianças com menos de 14 anos nunca foram à escola. O desemprego e o subemprego são da ordem dos 70%.</em> E o que você acabou de ler não é uma informação divulgada recentemente, por conta do terremoto que matou mais de 230 mil pessoas. Você leu um parágrafo de uma matéria de agosto de 1973 da revista <em>Realidade</em>. Quase quatro décadas depois, a realidade é bem pior.</p>
<p style="text-align: justify;">Há duas coisas que não consigo entender: como não conseguimos aprender com nossos erros e como bilhões de pessoas não conseguem impedir que alguns poucas deixem milhões de outras nessa situação por décadas e até séculos. Grande parte dos 5 milhões dos quais falava a matéria de <em>Realidade</em> em 1973 já morreu. Surgiram pelo menos duas outras gerações, hoje cerca de 8 milhões de pessoas, que já nasceram condenadas a esse mesmo tipo de existência.</p>
<p style="text-align: justify;">Naqueles dias de 1985 em que o mundo estava cantando <em>We are the World</em>, Baby Doc, então presidente dito vitalício do Haiti, comemorava 14 anos de sua chegada ao cargo, transmitido por seu Papai Doutor (Papa Doc), que passou seus 28 últimos anos de boa vida vampirizando o país.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-503" style="border: 0pt none;" title="babydoc" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/02/babydoc.jpg" alt="babydoc" width="500" height="555" /></p>
<p style="text-align: justify;">No ano seguinte, 1986, Baby Doc e família fugiram para a França. Somente quatro anos depois, o Haiti teria o que é considerado como sua primeira eleição livre. O eleito foi o padre Jean-Bertrand Aristide, que também sofreu golpes e ficou em um vai-e-vem no cargo até 2004, quando foi retirado do país por tropas americanas. Aristide acabou se refugiando na África do Sul, outro país com um povo extremamente sofrido – a parte negra, para não fugir à regra.</p>
<p style="text-align: justify;">Não pretendo me estender nem falar agora sobre esse completo absurdo chamado Apartheid, que durou mais de meio século. Quero apenas terminar lembrando o maior símbolo de resistência contra esse regime de separação, Nelson Mandela, que passou quase três décadas preso pelo “crime” de defender a igualdade de direitos para todos os homens, independente de cor. Hoje, 11 de fevereiro de 2010, faz 20 anos que Mandela foi libertado.</p>
<p style="text-align: justify;">Naqueles conturbados anos 80, quando parecíamos mais dispostos a lutar por um mundo melhor, ele ainda estava preso. Além de <em>Africa </em>(1982) e <em>We are the World</em> (1985), quem viveu aqueles tempos também deve lembrar outra canção que marcou a década: <em>Mandela Day</em> (1988), do Simple Minds. Era o mundo pedindo a libertação de um homem, de um símbolo de resistência e de humanidade. Nós realmente acreditávamos que éramos <em>O</em> mundo e não só a parte mais egoísta dele. Desejo que as gerações que viram sua história continuem inspiradas por seus ideais. E que, como é dito em um dos versos da música feita para ele, as crianças continuem conhecendo a história desse homem. Talvez ainda haja tempo de revermos esse roteiro que parece levar sempre ao mesmo fim. Talvez ainda sejamos fortes e suficientemente humanos para mudarmos nossa História.</p>
<p><center><br />
<object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/FFnJmz5pWc4&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/FFnJmz5pWc4&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object><br />
</center></p>

<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/02/11/nos-somos-o-mundo/&amp;text=Nós somos o mundo&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
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		<title>Antigas igrejas de Natal</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Feb 2010 08:33:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>

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		<description><![CDATA[No início dos anos 90, já morando no Rio Grande do Norte, tive a oportunidade de conhecer várias cidades do interior do estado e comecei a colecionar igrejas. Sempre me chamou atenção a construção em um ponto alto da cidade, &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/02/05/antigas-igrejas-de-natal/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">No início dos anos 90, já morando no Rio Grande do Norte, tive a oportunidade de conhecer várias cidades do interior do estado e comecei a colecionar igrejas. Sempre me chamou atenção a construção em um ponto alto da cidade, o cuidado com o templo, a devoção das pessoas passando de geração em geração. Só então me dei conta de que não via muitas igrejas católicas em Natal. “Não via” é a expressão mais correta. Elas existem, mas as antigas, que meu olhar estava acostumado a ver, são mesmo poucas. Apenas quatro são anteriores ao século XX. Um detalhe que sempre estranhei: as três mais antigas são vizinhas e estão em um raio de aproximadamente 500 metros.</p>
<p style="text-align: justify;">A seguir, apresento esses quatro templos. As explicações históricas, em itálico, são do capítulo <em>Igrejas e Vigários</em>, do livro <em>História da Cidade do Natal</em>, de <a href="http://www.memoriaviva.com.br/cascudo" target="_blank">Luís da Câmara Cascudo</a>.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Igreja Matriz de Nossa Senhora da Apresentação</strong></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-485" style="border: 0pt none;" title="ignsapre" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/02/ignsapre.jpg" alt="ignsapre" width="600" height="415" /></p>
<p style="text-align: justify;">A primeirona. Mais ou menos. Ali, na praça hoje chamada André de Albuquerque, foi fundada a <em>Cidade do Natal do Ryo Grande</em>, com uma missa em 25 de dezembro de 1599. O que existia era <em>uma capelinha, de barro socado e coberta de palha, ramos secos entrançados (nesse tempo não havia coqueiros), teria apenas uma entrada, sem sino nem aparato. Em 1614 não possuía ainda portas. Em 1619 estava pronta.</em> (&#8230;) <em>Em 1672 pensaram em substituir a capelinha por uma igreja mais sólida e compatível com as necessidades maiores da colônia cristã. </em>(&#8230;)<em> Em 1694 a igrejinha estava terminada.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Até aí, estamos no século XVII. Mas a que vemos na foto não tem nada dessa época. Cascudo explica: <em>Quase cem anos voam. Em 1786 há uma remodelação geral. Três anos antes a capela-mor ruíra. Fizeram então as capelas laterais </em>(&#8230;). <em>A igreja não tinha corredor nem arcadas interiores. Havia apenas um sino que dormia numa janela na frontaria, ao lado direito da matriz.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Não havia cemitério em Natal. Todos os fiéis eram sepultados dentro da Igreja, nos arredores também junto ao Cruzeiro.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Durante o século XIX a matriz tomou outro aspecto. Em abril de 1856, o presidente Passos <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/04/01/passeios-por-cemiterios-i" target="_self">criou o cemitério</a> e adquiriu, por subscrição, um relógio para a planejada torre inexistente. Em 1862 começaram a levantar a torre (&#8230;) A torre é de 1862. Está a data ao cimo da respectiva porta.</em></p>
<p style="text-align: justify;">(&#8230;) <em>Essa série de remodelações retiraram da matriz todas as características. É uma igreja comum e banal, sem detalhes típicos e fisionomia </em>(&#8230;). <em>Resta a tradição, que é nobre e linda. Está no mesmo local de mais de</em> quatro séculos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos</strong></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-488" style="border: 0pt none;" title="igrosario" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/02/igrosario.jpg" alt="igrosario" width="600" height="465" /></p>
<p style="text-align: justify;">Fica, aproximadamente, a 300 metros à direita da Matriz de Nossa Senhora da Apresentação. Não a conheço por dentro. Nunca a vi aberta. Tenho profunda simpatia por ela. Talvez por ser, verdadeiramente, a mais antiga da cidade. Em 2010, completará 296 anos. Os registros históricos e a placa ao lado de sua entrada dizem que foi inaugurada em 2 de julho de 1714.</p>
<p style="text-align: justify;">Diz Cascudo: <em>A igrejinha de Nossa Senhora do Rosário é o mais humilde dos templos dentro da cidade do Natal. Pequenina, pobre, com sua torrezinha quadrada, sua imposta no frontão, ao gosto melancólico dos velhos oratórios, passa sem registros nas crônicas de outrora.</em> (&#8230;) <em>É a igreja mais bem situada. Erguida num cômoro </em>(outeiro)<em>, recebe o primeiro olhar do rio (&#8230;). É o tipo da igreja primitiva, o simples caixão, com a nave, sem transepto, e a torre, mais convencional que útil. </em>(&#8230;)</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Era, antes de tudo, a igreja dos pretos, dos pobres, dos escravos. </em>(&#8230;) <em>Também era o local sagrado dos casamentos, dos batizados, das festas dos que nada possuíam.</em> (&#8230;) <em>Ali, Nossa Senhora era exclusivamente dos deserdados, dos miseráveis, dos esquecidos.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Igreja de Santo Antônio dos Militares </strong>(Igreja do Galo)</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-489" style="border: 0pt none;" title="igdogalo" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/02/igdogalo.jpg" alt="igdogalo" width="600" height="465" /></p>
<p style="text-align: justify;">Em minha opinião, a mais charmosa igreja de Natal. E, pelo que percebo, a preferida para os casamentos. Se a do Rosário foi construída para os pobres, a de Santo Antônio foi feita para os ricos. É datada de 15 de julho de 1763.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Sobre a porta principal do templo há uma data: agosto de 1766. Deve significar o fim da construção. A torre nasceu depois. Uma inscrição no cimo da porta da torre informa que em janeiro de 1799 esta se concluía.</em> (&#8230;)</p>
<p style="text-align: justify;"><em>É a mais linda da cidade. Sua torre, encimada de azulejos reluzentes, com o galo heráldico, como um timbre numa cimeira feudal, a majestade do frontão com os motivos em arabesco, num barroco sugestivo e que se convencionou chamar jesuítico, as tochas estilizadas na cimalha, os desenhos em relevo, correndo e volteando a frontaria, dão um aspecto de majestade simples, imponente, mas acolhedora e simpática.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Sua proximidade com a Matriz de Nossa Senhora da Apresentação sempre me impressionou. De sua frente, é possível ver a lateral da Matriz a uns cem metros apenas. Não me lembro de duas igrejas tão próximas em qualquer outra cidade que conheço.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus das Dores</strong></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-490" style="border: 0pt none;" title="igbjesus" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/02/igbjesus.jpg" alt="igbjesus" width="600" height="410" /></p>
<p style="text-align: justify;"><em>A matriz do Senhor Bom Jesus das Dores da Ribeira é a última das igrejas vindas do século XVIII.</em> (&#8230;) <em>Na segunda metade do século XVIII era capela.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Cascudo diz que o mais antigo documento que havia encontrado sobre a essa igreja era “<em>um registro de óbito de Manuel Gomes da Silveira, falecido a 8 de agosto de 1774, por onde se constata ter tido o defunto sepultura na Capela do Senhor Bom Jesus das Dores</em>”. Ele diz também que “<em>apesar da Ribeira ser um bairro residencial e com o maior comércio a Capela foi sempre modesta, sem esplendores e seduções materiais</em>”.</p>
<p style="text-align: justify;">De 1915 a 1918, com a construção das torres pelo frade franciscano Frei André, a igreja tomava o aspecto que conserva até hoje. Tem, portanto, um aspecto comum a outros templos construídos nessa mesma época, como as igrejas de São Pedro, no bairro do Alecrim, e a da Sagrada Família, nas Rocas.</p>
<p style="text-align: justify;">Sobre a Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus das Dores, <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/01/23/igreja-do-senhor-bom-jesus-das-dores/" target="_self">leia também este texto meu</a>, escrito na década de 90 e publicado aqui no <em>blog</em>. A respeito das igrejas do início do século XX, pretendo falar em outra oportunidade.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.flickr.com/photos/sandrofortunato03/sets/72157618775075660/" target="_self">Veja aqui</a> mais fotos das antigas igrejas de Natal.<br />
E também no álbum <a href="http://www.flickr.com/photos/memoriaviva/sets/72157594171973894/" target="_self">Natal Antiga</a> do Flickr Memória Viva.</p>

<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/02/05/antigas-igrejas-de-natal/&amp;text=Antigas igrejas de Natal&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
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		<title>O primeiro mármore</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Jun 2009 04:28:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte tumular]]></category>
		<category><![CDATA[Cemitérios]]></category>
		<category><![CDATA[Estatuária]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[Independente de sua idade, leitor, os “cemitérios clássicos” – com túmulos, lápides, etc – já não eram novidade quando você nasceu. No entanto, em termos históricos, eles são bem novos, principalmente aqui no Brasil. Eles começaram a surgir na metade &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/06/15/o-primeiro-marmore/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/marmore1.jpg" border="0" width="600" height="225" /></p>
<p align="justify">Independente de sua idade, leitor, os “cemitérios clássicos” – com túmulos, lápides, etc – já não eram novidade quando você nasceu. No entanto, em termos históricos, eles são bem novos, principalmente aqui no Brasil. Eles começaram a surgir na metade do século XIX, portanto, há pouco mais de 150 anos. Na década de 1970, esse modelo começou a ser deixado de lado (estou falando sempre do Brasil). Surgiram fornos crematórios e cemitérios-parques. Portanto, os grandes “cemitérios clássicos” nasceram por volta de 1850 e se desenvolveram por aproximadamente 120 anos. Como sempre costumo lembrar, são museus a céu aberto.</p>
<p align="justify">Temos cemitérios mais antigos, criados no início do século XIX. São cemitérios ingleses. Por que ingleses? Por que vieram antes? Com predominância católica, antes de termos cemitérios públicos, o costume era enterrar os corpos nas igrejas – dentro ou ao redor delas. Os ingleses, anglicanos ou de outra corrente protestante, construíram seus próprios cemitérios. Na década de 1830, havia também cemitérios de escravos. Somente no início da segunda metade do século XIX começamos a ter cemitérios públicos. Em 1856, o ano da cólera, foi definitivo para a criação de vários para que o monte de cadáveres tivesse lugar de descanso. O Cemitério do Alecrim, em Natal (RN), é deste ano.</p>
<p align="justify">Em <a href="http://www.memoriaviva.com.br/cascudo/actadiurna" target="_blank">Acta Diurna</a> de 17 de outubro de 1942, <a href="http://www.memoriaviva.com.br/cascudo" target="_blank">Câmara Cascudo</a> fala da primeira lápide e do primeiro mármore do Cemitério do Alecrim. A respeito do último, diz o seguinte:</p>
<blockquote><p><em>O mais antigo, o primeiro túmulo de mármore que se erigiu no Cemitério do Alecrim, é o terceiro, à esquerda de quem entra.</em><br />
<em>Representa uma mulher grega, em atitude de meditação e de cisma, olhando uma urna, a urna bem clássica que devia conter as cinzas.</em><br />
<em>É o túmulo de Manuel Gabriel de Carvalho, falecido em Natal no ano de 1872.</em><br />
<em>Veio de Portugal já pronto. A construção do sepulcro foi feita pelo arquiteto Frederico Skinner (&#8230;)</em><br />
<em>Seu túmulo é um dos mais bonitos pela simplicidade, nitidez e perfeição.</em><br />
<em>No meio de tanta vaidade em pedra e mármore, em cimento e tijolo, ressalta a linha pura d’aquela figura grega, pensativa e concentrada.</em><br />
<em>Se não estivesse pensando, desde 1872, na morte de Manuel Gabriel de Carvalho, diria eu que ela, sendo grega e sábia, lamentaria, silenciosamente, a existência de tanta inutilidade com que o orgulho dos Vivos enfeita a modéstia dos Mortos&#8230;</em></p></blockquote>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/marmore2.jpg" align="right" border="0" width="328" height="240" />Sessenta e sete anos depois da crônica de Cascudo, 137 após a construção do túmulo, onde está a mulher grega? Creio que tenha sido roubada. Pela descrição de Cascudo, a figura devia ficar na parte superior da construção. Essa parte de cima, pesadíssima, foi arrancada e, até poucos dias, quando estive lá, estava no chão por detrás do túmulo. Bem no meio, percebe-se que uma parte foi quebrada. O mármore resiste ao sol, ao vento, às chuvas, mas não ao homem.</p>
<p align="justify">No mesmo dia em que vi isso, andei um pouco pelo cemitério e vi vários outros túmulos, mais simples, se desmanchando devido às recentes chuvas. Esse é o destino de muitos cemitérios públicos: o abandono, o desmoronamento, o roubo. Totalmente desprovidos de administração, estão fadados a desaparecer. Com túmulos perpétuos, pertencentes a famílias que os compraram há décadas, sem qualquer espaço há muitos anos, não dão qualquer lucro. Só uma administração compromissada com a História e com alguma consideração às pessoas que ali foram enterradas e a seus familiares se mexeria para fazer alguma coisa. Administrações inteligentes, em outros lugares – alguns aqui no Brasil –, já despertaram para o potencial turístico que esses centros históricos e culturais possuem.</p>
<p align="justify">Se isso não acontecer, o destino do Cemitério do Alecrim e de outros museus desse tipo é a pior das mortes: a da nossa própria memória.</p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback3.jpg" usemap="#Map3" border="0" height="25" /></center></p>
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		<title>Era para ser assim</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/05/28/era-para-ser-assim/</link>
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		<pubDate>Thu, 28 May 2009 20:57:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Estatuária]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[Lembra do busto de Manoel Dantas mostrado no texto Em verdade, vos digo&#8230;? Era para ser assim, como o da foto à direita. A imagem mostra o original, em bronze, feito por Hostílio Dantas, em 1930, e que se encontra &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/05/28/era-para-ser-assim/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/manoeld.jpg" border="0" width="600" height="268" /></p>
<p align="justify">Lembra do busto de <a href="http://www.memoriaviva.com.br/manoeldantas" target="_blank"><strong>Manoel Dantas</strong></a> mostrado no texto <em><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/05/24/em-verdade-vos-digo/">Em verdade, vos digo&#8230;</a>?</em> Era para ser assim, como o da foto à direita. A imagem mostra o original, em bronze, feito por Hostílio Dantas, em 1930, e que se encontra na casa de <strong>D. Sílvia Ramalho Dantas</strong>, viúva de <strong>Osório Bezerra Dantas</strong>, filho mais novo do homenageado.</p>
<p align="justify">Sabe a velha história de escrever no mármore aquilo que se quer lembrar e na areia o que se quer esquecer? Cabe bem em se tratando de monumentos. O bronze é para sempre. O busto original completará 80 anos no próximo ano e, tendo estado a salvo do sol e da chuva, está como novo. A réplica, em gesso, colocada em uma área externa da Escola Estadual Manoel Dantas, provavelmente nos anos 1970, é o contraponto da mesma lição.</p>
<p align="justify">O “<em>provavelmente</em>” sobre a época de sua instalação deixo por conta, por enquanto, do não aprofundamento de minhas pesquisas. Nos próximos dias, devo contar com a memória da mais antiga funcionária do colégio e, em seguida, com a sorte de haver algum registro na Secretaria de Estado da Educação e da Cultura. Digo “<em>sorte</em>” porque nem sempre é possível encontrar documentos que comprovem datas em órgãos oficiais. Mofo, extravio, perda em mudanças, incêndios, falta de cuidado&#8230; Tudo contribui para a falta de memória.</p>
<p align="justify">Tivesse eu raízes em Natal, daquelas impossíveis de remover como as de <a href="http://www.memoriaviva.com.br/cascudo" target="_blank"><strong>Cascudo</strong></a>, ficaria por mais tempo e tocaria outros projetos relacionados à memória da cidade. Um deles seria sobre as antigas escolas. Pesquisa de fôlego, pois algumas merecem livros exclusivos.</p>
<p align="justify">Na capital potiguar, está o estabelecimento de ensino público mais antigo do país: o <strong>Atheneu Norte-Riograndense</strong>. Fundado em fevereiro de 1834 (quase quatro anos antes do afamado D. Pedro II, no Rio de Janeiro), continua em atividade. Nem sempre esteve onde está. Teve outras duas sedes antes da construção do complexo em X inaugurado em 1954.</p>
<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/atheneu1.jpg" border="0" width="450" height="267" /></p>
<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/atheneu2.jpg" border="0" width="450" height="300" /></p>
<p align="justify">A foto mais antiga deve ser de <strong>Jaeci Emerenciano</strong>, responsável pelo registro fotográfico de muitas décadas da História da cidade. A mais recente, feita em maio de 2005, é de <a href="http://canindesoares.blog.digi.com.br/blog/?s=busto" target="_blank"><strong>Canindé Soares</strong></a>. Hoje a construção tem outra cor e está cercada por mais prédios.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/geaseve.jpg" align="right" border="0" width="326" height="240" />Ainda mais importante, a meu ver, é o prédio do <strong>Grupo Escolar Augusto Severo</strong>. A instituição pode não ter tido vida longeva, mas seu prédio existe há 101 anos. A seu respeito, há um ótimo trabalho de pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo (UFRN), de autoria de <strong>Ana Zélia Maria Moreira</strong>, concluído em 2005, que merece chegar às mãos do público em geral. O exemplo deveria ser seguido em relação a outras edificações e escolas. Atualmente, o prédio centenário, pelo qual já passaram também a antiga Faculdade Direito e a Secretaria de Segurança Pública, está fechado, morto, com suas belas estátuas testemunhando o lento processo de revitalização do bairro da Ribeira e sonhando com o dia que chegará sua vez.</p>
<p align="justify">Quem se habilitar a manter vivas tais histórias, por favor, dê um passo a frente.</p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback3.jpg" usemap="#Map3" border="0" height="25" /></center></p>
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		<title>O busto de Juvino Barreto</title>
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		<pubDate>Sun, 19 Apr 2009 17:47:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Estatuária]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[  Domingo de sol, convidados, autoridades, parentes, discurso, aplausos. Se não com a pompa de outrora, pelo menos as circunstâncias estavam presentes na inauguração do busto de Juvino Barreto, na manhã deste domingo. A escultura foi colocada no pátio e &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/04/19/o-busto-de-juvino-barreto/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"> <img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/juvino1.jpg" width="600" border="0" height="250" /></p>
<p align="justify">Domingo de sol, convidados, autoridades, parentes, discurso, aplausos. Se não com a pompa de outrora, pelo menos as circunstâncias estavam presentes na inauguração do <strong>busto de Juvino Barreto</strong>, na manhã deste domingo.</p>
<p align="justify">A escultura foi colocada no pátio e próximo à entrada do prédio do <strong>Instituto Juvino Barreto</strong>, abrigo para idosos, localizado na Avenida Almirante Alexandrino de Alencar, próximo à junção dos bairros de Lagoa Seca, Barro Vermelho e Alecrim. O freguês escolhe.</p>
<p align="justify">No pedestal, há uma placa na qual se lê:</p>
<blockquote>
<p align="justify"><em>Juvino Cézar Paes Barreto (1847-1901) é não apenas o pioneiro da industrialização do Rio Grande do Norte, mas da responsabilidade social e da bondade multiplicadora. Diógenes da Cunha Lima.<br />
</em></p></blockquote>
<p align="justify">O epíteto, de autoria do presidente de Academia Norte-Riograndense de Letras cumpre sua função de qualificar o homenageado, mas a placa não traz qualquer outra informação de quem tenha sido ele. Para os “não iniciados”, fica como mais um “velho bigodudo”.</p>
<p align="justify">Parece absurdo – e é! – mas a maioria das homenagens desse tipo não apresenta devidamente o homenageado No caso de Juvino, o mal é menor. O busto está dentro de uma instituição que leva seu nome e, supõe-se, deve ser fácil conseguir mais alguma informação a seu respeito. Mas em praças públicas, falo sobretudo de Natal, as placas que acompanham bustos e estátuas costumam trazer os nomes do prefeito, do secretário disso e daquilo, dos seus ajudantes, dos borra-botas, puxa-sacos e baba-ovos e nenhuma explicação sobre o homenageado, o que ele fez, qual sua importância política, cultural ou social, o motivo de a escultura estar no local e quem foi seu autor.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/juvino2.jpg" width="208" align="right" border="0" height="419" />Em tempos idos há muito, os jornais costumavam tapar esses furos. Cobriam o evento, davam as informações que faltavam. Hoje, não estivéssemos eu e <a href="http://canindesoares.blog.digi.com.br/blog/" target="_blank"><strong>Canindé</strong></a> por lá, por conta das <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/02/19/as-vezes-famosos-quase-sempre-esquecidos/" target="_blank">pesquisas para nosso livro</a>, não haveria qualquer registro além de fotos amadoras feitas por um e outro.</p>
<p align="justify">Então, vamos às informações – corretas, mas assumidamente não suficientes – sobre o evento.</p>
<p align="justify">A cerimônia de inauguração do busto em homenagem a Juvino Cézar Paes Barreto (ou César, para seguir o formulário ortográfico de 1943 e da qual não tenho notícias que se tenha havido mudança, no atual acordo, quanto à grafia de nomes próprios) começou por volta das 10h30 deste domingo, 19 de abril de 2009. O busto encontra-se no pátio da Instituição de mesmo nome, administrada pela Companhia das Filhas de Caridade de São Vicnte de Paulo, congregação religiosa feminina mais conhecida como Irmãs de Caridade. O evento começou minutos após o encerramento da missa dominical realizada pelo padre Gilmar Ferreira de Castro, capelão do Instituto Juvino Barreto. Representando as autoridades políticas, estava a deputada estadual <strong>Márcia Maia</strong>. Representando a família, os bisnetos <strong>Frank Cavalcanti Bahia</strong> e <strong>João Bosco Barreto Pinheiro </strong>acompanhados de suas esposas. Após breve discurso de <strong>Ticiano Duarte</strong>, jornalista, acadêmico e maçom, o busto foi revelado pela deputada e pelos bisnetos do homenageado. Em seguida, recebeu a benção de padre Gilmar. Presente também ao evento, o artista plástico <strong>Eri Medeiros</strong>, responsável pela criação e execução do busto. O ocorrido marca o aniversário de 65 anos do Instituto Juvino Barreto, fundado oficialmente no dia 19 de abril de 1944.</p>
<p align="justify"><strong>Sobre o homenageado:</strong> Juvino Cezar Paes Barreto nasceu em Aliança, Pernambuco, em 2 de fevereiro de 1847. Foi pioneiro do processo de industrialização no Rio Grande do Norte, inaugurando, em 1888, na capital, uma moderna fábrica de fiação. Filantropo, doou terras e recursos para a construção de vários colégios católicos em Natal, além de um hospital onde era sua residência de veraneio e que, inicialmente, levou seu nome. Faleceu em Natal, em abril de 1901.</p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback3.jpg" usemap="#Map3" border="0" height="25" /></center></p>
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		<title>Dona Militana</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Apr 2009 16:14:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[A visita foi no dia do meu aniversário, mas quem estava de parabéns era Dona Militana. Acabara de driblar, mais uma vez, a morte. Deu um susto na família. Passou dias internada, baixou UTI, mas já voltou para casa. Mandou &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/04/14/dona-militana/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/militana.jpg" width="600" border="0" height="400" /></p>
<p style="text-align: justify">A visita foi no dia do meu aniversário, mas quem estava de parabéns era <span style="font-weight: bold">Dona Militana</span>. Acabara de driblar, mais uma vez, a morte. Deu um susto na família. Passou dias internada, baixou UTI, mas já voltou para casa. Mandou a desdita passear e disse que “<span style="font-style: italic">se Deus quiser alcanço a idade do meu pai: 89 anos</span>”. Está com 84 e eu aposto que ainda vai muito mais longe. Principalmente se deixar de lado o fumo. “<span style="font-style: italic">Deram fim no meu cachimbo. Mas eu compro outro. Disseram que eu quebrei, joguei no mato, mas não fiz nada disso</span>”. Besta é quem tenta enganar Dona Militana.</p>
<p style="text-align: justify">Se depender de sua memória, não há mesmo quem a engane. Lembra de tudo. Fala, espicha o olho, dá conta do que se passa ao redor, dá bronca em um neto, encara <a href="http://canindesoares.blog.digi.com.br/blog/" target="_blank">Canindé</a> e diz que saia para lá, negócio é esse de ficar apontando máquina para ela&#8230; É tudo charme. Faz parte do seu show. Ou talvez seja cansaço. Uma descrença ensinada por quem vai atrás da romanceira para apresentá-la como sua descoberta e exibi-la em palcos Brasil afora, mas esquece de fazer uma visita quando ela está doente.</p>
<p style="text-align: justify">Começa a lembrar das viagens. Fala da que fez ao Rio de Janeiro e da visita ao Cristo Redentor, que ela chama de “<span style="font-style: italic">o Divino espírito Santo com os braços abertos assim</span>”. E conta de “<span style="font-style: italic">uma dona medonha mangando de mim</span>” durante a visita. Ela responde, a dona revida, Militana diz que é “<span style="font-style: italic">nêga, mas não é sujeita à cozinha de ninguém</span>”, chega a polícia, leva a dona medonha, deixa a outra, Militana, braba que só o diabo, rindo da batalha vencida aos pés do Redentor.</p>
<p style="text-align: justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/milifami.jpg" width="308" align="right" border="0" height="200" />Nunca levou desaforo pra casa. Não teve jeito do pai lhe acalmar o juízo. Quando era mandada à venda, recebia a ordem: “<span style="font-style: italic"><span style="font-weight: bold">Cuspa no chão</span>. Se quando chegar em casa o cuspe estiver seco, é uma pisa que leva</span>”. A promessa da surra era para ver se a menina voltava logo e sem arranjar encrenca na rua. Não dava muito certo. O temperamento difícil não deixava. Ela conta de uma menina que “<span style="font-style: italic">veio me chamar de nêga do cabelo de currupinho. <span style="font-weight: bold">Currupinho tem embaixo da saia da mãe dela!</span></span>”. E dá-lhe briga. Chegando em casa, cuspe seco, subia em um cajueiro para fugir da surra do pai. Vez ou outra um padrinho aparecia em sua defesa e ela escapava. Hoje, mãe, avó e bisavó, reflete: “<span style="font-style: italic">A pessoa quando é moça não pensa</span>”.</p>
<p style="text-align: justify">E a quantas anda a descendência de Dona Militana? A matemática é difícil. Cada um que pergunta pode ouvir uma resposta. A única conta que bate é a dos 7 filhos que vingaram. A partir da geração seguinte a coisa complica. Disseram que são 65 netos e 50 bisnetos. A pequena <span style="font-weight: bold">Ellen</span>, de apenas 4 dias, há apenas um morando em casa, nos foi apresentada como a bisneta de número 50. Subindo ou descendo o outeiro em São Gonçalo do Amarante, pode perguntar a quem encontrar se é parente da romanceira que a resposta vai ser sempre a mesma: “<span style="font-style: italic">Sou</span>”. Só uma pessoa respondeu que não. Era casada com um filho dela. Então também é, ora!</p>
<p style="text-align: justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/militana2.jpg" width="250" align="left" border="0" height="167" />Sim, Sandro, mas você encerou, encerou e nem apresentou devidamente a personagem. Afinal, quem é Dona Militana? É figurinha carimbada, especialíssima, importantíssima e outros íssimas. Dê uma googlada e descubra por si mesmo. Ou siga alguma das ligações ao final deste texto. Para mim, Dona Militana é uma enciclopédia viva, dona de uma memória assustadora e que, quando abre a boca, não deve ser interrompida. “<span style="font-style: italic">Quando tem homem falando, menino fica calado</span>”, diria ela. Eu, menino, só perguntei uma coisa: Como a senhora está se sentindo? “De vez em quando dá uma pontada aqui dentro”, respondeu, colocando a mão sobre o peito. Isso passa, isso passa. Mas é melhor deixar o cachimbo de lado. “Que culpa eu tenho se eu acendo e ele pega fogo?”, diz ela, em tom de pilhéria, tentando esconder aquele sorriso de quem sabe tudo. Ainda vai contar e fazer muita história, essa menina danada.</p>
<p><span style="font-weight: bold">Ligações externas sugeridas:</span><br style="font-weight: bold" /><a href="http://www.dicionariompb.com.br/detalhe.asp?nome=Dona+Militana&amp;tabela=T_FORM_A&amp;qdetalhe=art" target="_blank">Dona Militana no Dicionário Cravo Albin</a><br />
<a href="http://tribunadonorte.com.br/noticias/100401.html" target="_blank">O canto triste da romanceira</a>, por Michelle Ferret</p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback3.jpg" usemap="#Map3" border="0" height="25" /></center></p>
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		<title>Passeios por cemitérios V &#8211; Outras curiosidades</title>
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		<pubDate>Sat, 11 Apr 2009 04:44:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte tumular]]></category>
		<category><![CDATA[Cemitérios]]></category>
		<category><![CDATA[Estatuária]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[O dia nem era para isso, mas eu e Canindé Soares acabamos visitando alguns cemitérios de Natal nesta Sexta Santa. Sabíamos que não encontraríamos bustos ou efígies para dar continuidade a nosso trabalho, mas fomos assim mesmo. O passeio rendeu &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/04/11/passeios-por-cemiterios-v-outras-curiosidades/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/cemitale.jpg" border="0" width="600" height="250" /></p>
<p align="justify">O dia nem era para isso, mas eu e <strong><a href="http://canindesoares.blog.digi.com.br/blog/" target="_blank">Canindé Soares</a></strong> acabamos visitando alguns cemitérios de Natal nesta Sexta Santa. Sabíamos que não encontraríamos bustos ou efígies para dar continuidade <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/02/19/as-vezes-famosos-quase-sempre-esquecidos/">a nosso trabalho</a>, mas fomos assim mesmo. O passeio rendeu algumas observações.</p>
<p align="justify">Vou a cemitérios, com se percebe pela presente série, por curiosidade artística e histórica. Essa curiosidade não seria alimentada pelos que passamos hoje. Eram cemitérios populares, todos muito simples. Não pude deixar de fazer, de imediato, uma triste constatação: <strong>os mortos andam cada vez mais esquecidos</strong>. No primeiro em que paramos, um pequeno cemitério em São Gonçalo do Amarante, município que faz parte da Grande Natal, nem pudemos entrar. Estava fechado. No segundo, o Cemitério do Bom Pastor I, havia apenas um administrador e zeladores particulares. No terceiro, o de Nova Descoberta, um casal visitando um túmulo. No último, o do Alecrim, chegamos a tempo de flagrar algumas pessoas saindo, já no fim da tarde.</p>
<p align="justify">Em outros tempos, era comum ver muita gente visitando cemitérios nos feriados religiosos. Parece que o culto aos mortos, pelo menos entre católicos, anda bem esquecido. Teve um feriado? Praia. Mesmo em um dia chuvoso como o de hoje.</p>
<p align="justify">Fiquei impressionado com o <strong>Cemitério do Bom Pastor I</strong>. Para quem não é morador da cidade, explico: quando o Cemitério Bom Pastor lotou, foi construído outro ao lado, com a mesma denominação e o algarismo “II” para diferenciar. Daí o Bom Pastor II, a missão, e o I, acompanhando essa mania estranha que temos de fazer virar I quando surge um segundo seja o que for (vide D. Pedro I e II). Os dois cemitérios não são contíguos. Há uma rua entre eles. O II estava fechado. Horário de almoço (sim, na cidade onde já foi piada se dizer que até os restaurantes fechavam para almoço, alguns mantém esse hábito sagrado). No II, as peculiaridades já começam a ser observadas logo na entrada. Algumas ruas foram tomadas por covas. Isso é um problema que acontece em muitos lugares. Em Natal, o último cemitério público foi construído há quase 40 anos e todos estão lotados há décadas.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/baracho.jpg" align="right" border="0" width="228" height="312" />Outro ponto que me chamou atenção: vários túmulos cercados por grades. É uma tentativa, inocente e praticamente sem efeito, de evitar a depredação dos jazigos. Como lembrou um funcionário que estava por lá, “<strong><em>no Bom Pastor os mortos têm que ficar presos</em></strong>”. E como eu já disse nessa série, os cemitérios repetem os padrões da sociedade onde são construídos. O bairro do Bom Pastor é um dos mais violentos de Natal. Quando perguntei sobre a segurança e se havia algum busto ou medalhão nos túmulos, o funcionário riu. “<strong><em>É botar e roubar</em></strong>”. Não há crucifixos, argolas, nada de valor. O cemitério é sombrio e frequentado por marginais. Geralmente viciados que fumam maconha e roubam visitantes ou ladrões que praticam assalto nas proximidades e correm para lá. Segurança? Durante o dia, nenhuma; à noite, só se você for amigo dos marginais.</p>
<p align="justify">Os túmulos mais visitados são os do cantor <strong>Carlos Alexandre</strong> (“<em>Feiticeeeeeeira/ Feiticeira é essa mulher/ que por ela gamei</em>” e “<em>Você é a ciganinha/ Dona do meu coração</em>”) e o do bandido <strong>Baracho</strong> (foto). Este, morto pela polícia em 1962, segundo contam, morreu pedindo água. Morte bruta seguida, como muitas outras, de pena e devoção. Seus devotos costumam agradecer as graças alcançadas levando galões de água para matar sua sede.</p>
<p align="justify">Um último detalhe, que já havia percebido no simplíssimo cemitério em São Gonçalo do Amarante, é da ornamentação com flores coloridas. Coroas de flores de plástico. Flores de verdade são caras e duram pouco. As de plástico, todos sabem, não morrem.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/ceminova.jpg" align="left" border="0" width="288" height="210" />O <strong>Cemitério de Nova Descoberta</strong> também me impressionou. Nunca havia visto nada parecido. Inaugurado em 2 de novembro de 1970 e tendo seu primeiro sepultamento dois dias depois, foi o último cemitério público construído em Natal. Sua pecularidade é o padrão dos túmulos. Todos medem 1,10m por 2,30m e são baixos. A maior parte deles é feito de mármore, tem um crucifixo do mesmo material, um Cristo crucificado (em metal) e quatro argolas. Há poucas variações em torno disso. Ainda anteriores aos cemitérios-parques no Brasil, talvez tenha sido uma tentativa de igualar a todos com a morte. Mas sempre há uma placa, uma foto a mais, um detalhe de orgulho maçônico, mais vasos, mais flores, mais alguma coisa para fazer continuar no pós-morte a diferença exaltada em vida. Pelo menos para os bestas que ficam.</p>
<p align="justify">Já quase no fim da tarde, voltamos a campo e estivemos no <strong>Cemitério do Alecrim</strong>. Mesmo não tendo a grandiosidade dos cemitérios das grandes cidades, sempre que vou a ele, percebo que ainda não vi nada. Obras são reveladas, surgem túmulos centenários, detalhes que haviam escapado. Nele encontramos visitantes e até recentes homenagens como uma carta a um pai falecido há três anos. Um sinal de que os sentimentos ainda existem e de que nem todos os mortos foram esquecidos.</p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback3.jpg" usemap="#Map3" border="0" height="25" /></center><br />
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		<title>Passeios por cemitérios IV &#8211; Curiosidades</title>
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		<pubDate>Thu, 09 Apr 2009 01:35:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte tumular]]></category>
		<category><![CDATA[Cemitérios]]></category>
		<category><![CDATA[Estatuária]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[Chegamos finalmente às histórias de cemitérios. Nada macabro, prometo. Falarei apenas de minhas observações. Todo cemitério tem suas histórias, seus anjos, seus santos. No Cemitério São Pedro, em Londrina (PR), fui em busca do túmulo da Bela Adormecida (a história &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/04/08/passeios-por-cemiterios-iv-curiosidades/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/cemit00.jpg" border="0" width="600" height="300" /></p>
<p align="justify">Chegamos finalmente às histórias de cemitérios. Nada macabro, prometo. Falarei apenas de minhas observações.</p>
<p align="justify">Todo cemitério tem suas histórias, seus anjos, seus santos. No <strong>Cemitério São Pedro, em Londrina (PR)</strong>, fui em busca do túmulo da <strong>Bela Adormecida</strong> (<a href="http://www.memoriaviva.com.br/bela.htm" target="_blank">a história está contada aqui</a>) e descobri muitas outras. Conheci o túmulo de um homem sem nome, responsável pela inauguração do cemitério. Seu corpo foi encontrado por uma freira. Uma placa, já quase apagada pelo tempo, lembra o caso. <em>Morto estendido no chão com os braços abertos em forma de cruz. Jaz neste humilde túmulo o Nº 1 deste cemitério</em>. E pede: <strong><em>Os que passarem por aqui rezem por sua alma</em></strong>. Além do túmulo de Lecy Suzana Garcia, a Bela, falecida aos 22 anos, encontrei outros que viraram pequenos santuários. Todos de jovens que, em geral, sofreram alguma morte brutal. Há o de <strong>Neila Ribeiro</strong>, morta aos 11 anos (completaria 50 anos no próximo domingo); o de <strong>José Oswaldo Schietti</strong>, morto em 1950, aos 8 anos, sempre repleto de belas flores e placas de agradecimento; e o de <strong>Lícia</strong>, uma jovem descendente de japoneses, seviciada “<em>por um bando de lobos e chacais</em>”. Logo abaixo, detalhe dos túmulos de Lecy e de Lícia. <strong>Se tiver coragem, repare bem neste último.</strong></p>
<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/cemit01.jpg" border="0" width="508" height="334" /></p>
<p align="justify"><strong>Viu um rosto entre as flores?</strong> Tudo bem, é apenas o reflexo, no vidro, de um senhor que trabalha no cemitério e me contou as histórias das crianças.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/cemit03.jpg" align="left" border="0" width="308" height="400" />Assustadora é a foto ao lado. Ela mostra um mausoléu no <strong>Cemitério da Consolação (SP)</strong>. A figura no frontispício tem cerca de dois metros de altura e está bem acima da entrada, olhando para quem se aproxima (colocarei maior e com detalhes no <a href="http://www.flickr.com/photos/artetumular" target="_blank"><strong>Flickr Arte Tumular</strong></a>). Uma obra indiscutivelmente bem executada, mas também tenebrosa.</p>
<p align="justify">O Cemitério da Consolação é campeão absoluto em figuras representando a dor da perda. Saudade, Melancolia, Tristeza, Nostalgia. Elas ganham variados nomes. Isso está muito relacionado com a ideia de morte, carregada de sofrimento, que nos foi legada pelo Cristianismo. Em se tratando da necrópole paulistana, pode ser que a influência da colônia italiana seja responsável por deixar isso ainda mais evidente. Digo isso por experiência própria. Minha avó materna, filha de italianos, tratava o cemitério como casa para a qual os parentes falecidos haviam se mudado. Nos velórios, choros altos, lamentações, abraços no caixão, promessas ao defunto, manifestações do desejo de ser enterrada também. Durante anos, levou empadas e outros salgados ao túmulo da irmã. Os coveiros do <strong>Cemitério do Caju</strong>, no Rio, agradeciam.</p>
<p align="justify">Voltando ao da Consolação, lembro de algo que aconteceu quase ao final do passeio, que já durava quase quatro horas. Cansado, já sem espaço para fazer mais fotos e tendo visto os principais túmulos em uma visita guiada por <a href="http://www.flickr.com/photos/wilsonnatal" target="_blank"><strong>Wilson Natal</strong></a>, me senti subitamente com vontade de mudar de caminho. Deixei que “me levassem” e logo me deparei com o túmulo de <strong>Achille Fortunato</strong>. Não é ninguém conhecido. Mas eu já havia encontrado com ele algum tempo antes, pesquisando sobre a chegada de meus bisavós ao Brasil. Achille Fortunato, o da Consolação, chegou ao país mais ou menos na mesma época em que meu bisavô, <strong>Fortunato Achille</strong>. Um pelo Porto de Santos (SP), outro pelo Rio de Janeiro. Senti como se Achille estivesse me dizendo que eu ainda encontraria informações sobre a chegada de meus parentes. Sobre seu túmulo, uma figura feminina triste, chorosa, como querendo ser enterrada junto ao ser amado. Mais italiano impossível.</p>
<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/cemit02.jpg" border="0" width="600" height="250" /></p>
<p align="justify">Ainda em São Paulo, sempre acompanhado de meu fiel guia-escudeiro para empreitadas culturais e funerárias, fui até o <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/saabr07.htm"><strong>Cemitério do Horto Florestal</strong></a>, um cemitério-parque que fica no alto da Cantareira. Nada de arte tumular, nada de monumentos artísticos, nada de nada além de uma visita a um túmulo: o da escritora <strong>Adelaide Carraro</strong>. Mas já que estávamos por lá (e esse <em>lá </em>é bem longe de tudo que você imaginar), exercitamos um pouco nossa curiosidade mórbida e procuramos outros túmulos, dentre eles, o da jornalista <strong>Sandra Gomide</strong>, assassinada pelo ex-namorado e também jornalista Pimenta Neves, em 2000; e o do <strong>Coronel Ubiratan</strong>, que comandou o massacre do Carandiru em 1992 e foi assassinado em casa em 2006. Este, nem placa tinha.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/cemit04.jpg" align="right" border="0" width="208" height="267" />Nos do Rio Grande Norte, além do que já falei no <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/04/01/passeios-por-cemiterios-i/">primeiro texto desta série</a>, vale lembrar dos <a href="http://www.flickr.com/photos/artetumular/3418408892/" target="_blank">túmulos dos três pilotos ingleses</a>, abatidos, durante a Segunda Guerra, próximo à costa do estado, no <strong>Cemitério do Alecrim, em Natal</strong>; e o túmulo, extremamente simples e sempre muito visitado, do <a href="http://www.flickr.com/photos/artetumular/3418408132/" target="_blank">cangaceiro Jararaca</a>, ferido e capturado em <strong>Mossoró</strong> durante ataque do bando de Lampião. Preso por quatro dias, conta-se, acabou enterrado vivo pelos policiais. Indignada com a covardia, a população da cidade o transformou em santo.</p>
<p align="justify">Termino aqui os textos <em>programados</em> para esta série. Mas haverá um extra, sobre arte tumular em vários cemitérios do mundo. <a href="http://www.psiulandia.blogspot.com/" target="_blank"><strong>Ana Oliveira</strong></a> já enviou fotos de suas visitas aos cemitérios da <strong>Recoleta</strong> (Argentina), <strong>Montparnasse</strong> e <strong>Père-Lachaise</strong> (França). <strong>Ariane</strong> ficou de enviar algo da Alemanha. <a href="http://www.flickr.com/photos/marceloandrade/" target="_blank"><strong>Marcelo</strong></a> e Renata, que tal algo aí de Portugal? E você, <a href="http://opensadorselvagem.org/blog/diegoviana" target="_blank"><strong>Diego</strong></a>? Aproveito para comentar algo que vem sendo discutido há um bom tempo e há poucos dias voltou a ser noticiado: o túmulo de <strong>Nietzsche</strong>, em Rocken, está ameaçado por conta de um projeto de mineração. Terrivelmente triste isso. Nem morto, o filósofo encontra paz.</p>
<p align="center">* * * * * * * *</p>
<p><strong>Visite o <a href="http://">Flickr Arte Tumular</a></strong></p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback3.jpg" usemap="#Map3" border="0" height="25" /></center><br />
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		</item>
		<item>
		<title>Passeios por cemitérios III – Consolação</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Apr 2009 01:29:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte tumular]]></category>
		<category><![CDATA[Cemitérios]]></category>
		<category><![CDATA[Estatuária]]></category>
		<category><![CDATA[Fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[Se foi difícil fazer uma seleção entre as quase duas centenas de fotos do São João Batista (RJ), imagine do Cemitério da Consolação (SP), do qual tenho quase trezentas imagens. A tarefa se tornou mais fácil quando resolvi criar um &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/04/05/passeios-por-cemiterios-iii-consolacao/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/cons01.jpg" border="0" alt="" width="600" height="300" /></p>
<p>Se foi difícil fazer uma seleção entre as quase duas centenas de fotos do São João Batista (RJ), imagine do <strong>Cemitério da Consolação</strong> (SP), do qual tenho quase trezentas imagens. A tarefa se tornou mais fácil quando resolvi criar um <strong><a href="http://www.flickr.com/photos/artetumular" target="_blank">Flickr sobre arte tumular</a></strong> e disponibilizar mais fotos não só desses dois, mas também de outros cemitérios.</p>
<p><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/consplac.jpg" border="0" alt="" width="150" height="176" align="right" />Antes de falar sobre e mostrar o da Consolação, comento as colaborações de dois assíduos leitores do <em><strong>Sempre Algo a Dizer</strong></em>. <a href="http://www.psiulandia.blogspot.com/" target="_blank"><strong>Ana Oliveira</strong></a> perguntou sobre um túmulo específico do São João Batista e, na área de comentários, listei vários outros que ficaram de fora. O Flickr foi a solução mais imediata para minimizar essas faltas e oferecer mais informação visual. Ana também começou a me enviar fotos de vários cemitérios que já visitou, no Brasil e no exterior. Incentivo todos a fazerem o mesmo. Não só de cemitérios, mas também de igrejas, prédios históricos, estátuas e outros monumentos. Há anos, venho fazendo uma catalogação, somente com fotos feitas por mim, e pretendo finalmente disponibilizar esse material no <a href="http://www.memoriaviva.com.br" target="_blank"><em><strong>Memória Viva</strong></em></a>. Creio que a primeira fase estará no ar até setembro.</p>
<p>No <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/04/01/passeios-por-cemiterios-i/">primeiro texto desta série</a>, em determinado instante falo sobre os túmulos “importados de São Paulo” no Cemitério do Alecrim, em Natal (RN). <a href="http://www.flickr.com/photos/wilsonnatal" target="_blank"><strong>Wilson Natal</strong></a> comentou que em “<em>meados dos anos 70 existia na Rua da Consolação muitos ateliês de arte funerária, ou arte tumular. Eram artistas italianos, espanhóis na sua maioria. Eles exportavam suas obras para todos os estados e para a o Uruguai e Argentina</em>”. Na imagem, duas placas dessas empresas: uma do túmulo da família Cicco, outra do jazigo de Francisquinha e Ernesto Fonseca (ambos no Cemitério do Alecrim).</p>
<p><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/cons02.jpg" border="0" alt="" width="370" height="335" align="right" />Durante a escolha e identificação das fotos contei com a ajuda, via MSN, de Wilson. E foi também com ele que fiz um passeio, de aproximadamente quatro horas, pelo Cemitério da Consolação, em maio de 2006. À época, <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/sajun06.htm" target="_blank">falei a respeito em um texto aqui no blog</a> (<em>Uma semana e dois pastel</em>). A partir da capela, começando o passeio tomando à direita (estando de frente para a capela), chama a atenção uma escultura, em tamanho natural, de uma mulher desolada. Ela não está em nenhum túmulo. Um pouco mais adiante está o túmulo de <strong>Domitila de Castro Canto e Mello, a Marquesa de Santos</strong>, doadora das terras do cemitério. A marquesa faleceu em novembro de 1867, nove anos após a inauguração da primeira necrópole de São Paulo. Em seu túmulo, impecavelmente limpo e bem cuidado, um aviso: <em>Proibido acender velas e depositar objetos</em>. Logo acima, duas plaquinhas com agradecimentos por graças alcançadas.</p>
<p>A limpeza e a conservação do Cemitério da Consolação são dois pontos impressionantes. A organização também. Há visitas monitoradas durantes as quais são mostrados os túmulos de personalidades famosas e as muitas obras de arte espalhadas pelo local. Dentre os escultores mais conhecidos, há obras de <strong>Bruno Giorgi</strong>, <strong>Enrico Bianchi</strong>, <strong>Celso Antônio de Menezes</strong>, <strong>Luigi Brizzolara</strong> e <strong>Nicolina Vaz de Assis</strong>. Veremos algumas aqui, começando pelo mais famoso de todos, <strong>Victor Brecheret</strong>, responsável por um dos cartões-postais mais conhecidos de São Paulo: o Monumento às Bandeiras. No túmulo da <strong>família Botti</strong>, há <em><strong>O Grande Anjo</strong></em>, escultura em bronze sobre base de granito. No túmulo de <strong>Olívia Guedes Penteado</strong>, amiga de vários modernistas, está a escultura <em><strong>O sepultamento</strong></em>. Além de Maria e Jesus, há ainda quatro mulheres. Três representam figuras bíblicas; a quarta, dizem, seria uma referência a Olívia, que foi esposa de <strong>Inácio Leite Penteado</strong>, tio de <strong>Yolanda Penteado</strong>, outra grande incentivadora das artes. Yolanda foi casada com <strong>Francisco Matarazzo Sobrinho, o Ciccillo</strong>. Os dois foram responsáveis pela primeira Bienal de São Paulo, em 1951. Quem assistiu a minissérie <em>Um só Coração</em> (2004), na Globo, deve lembrar do casal, que foi interpretado por <strong>Ana Paula Arósio</strong> e <strong>Edson Celulari</strong>.</p>
<p style="text-align: center;"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/consbrec.jpg" border="0" alt="" width="600" height="270" /></p>
<p>Na sequência abaixo: 1) Escultura de <strong>Antelo del Debbio</strong> no túmulo da <strong>família João Saad</strong>. Essa figura me chamou atenção por vários motivos. Foi a primeira com a qual me deparei que carrega algum erotismo. A mulher seminua se lamenta e traz na mão esquerda, na altura do sexo, uma coroa. É um ponto muito interessante. A coroa representa vitória e está na altura do ventre, onde se gera a vida. Lembra muito o arcano <em>A Força</em> do Tarot. Minha leitura foi de que a morte seria vencida por um novo nascimento. 2) Ao centro, no túmulo da <strong>família Miguel Chedid Jafet</strong>, escultura de uma figura feminina com um manto sugerindo asas. 3) No túmulo da <strong>família Lucio</strong>, figura feminina diante de uma pira.</p>
<p style="text-align: center;"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/cons03.jpg" border="0" alt="" width="600" height="386" /></p>
<p>Se uma escultura bem feita representando um personagem já impressiona, imagine um conjunto com várias como o que está no túmulo do empresário <strong>Demetrio Calfat</strong>. De um lado, a família; do outro, o trabalho; ao centro, a figura de um operário; por trás e acima de todos, um anjo. A obra é de <strong>Antelo del Debbio</strong>. Mais abaixo (não aparece nessa foto), há também uma efígie de Calfat. Na foto seguinte (a do meio), uma gigantesca e extremamente expressiva escultura do italiano <strong>Nicolla Rollo</strong>, no túmulo de seu compatriota, o <strong>maestro Luigi Chiafarelli</strong>. Perceba que a figura está em uma posição que faz lembrar uma interrogação. Trata-se de uma figura feminina, nua. Ao lado das mãos, pendiam tranças, que foram quebradas e roubadas. No túmulo, bem em frente à escultura, uma lira (<span style="color: #cf070f;"><strong><span style="color: #000000;">confira o álbum do cemitério da Consolação, no</span> <a href="http://www.flickr.com/photos/artetumular" target="_blank">Flickr Arte Tumular</a></strong></span>). Encerrando essa seqüência, <em><strong>Caminhando sobre o túmulo</strong></em>, também conhecida como <em><strong>Nostalgia</strong></em>, escultura de 1927, do maranhense <strong>Celso Antônio de Menezes</strong>. Aproveito para alertar sobre informações perdidas, não só na Internet mas também em outras fontes aparentemente confiáveis, que podem conter erros. Em uma matéria na <em>Veja SP</em>, foi dito que essa escultura estava no túmulo da Marquesa de Santos, o que não é verdade.</p>
<p style="text-align: center;"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/cons04.jpg" border="0" alt="" width="600" height="338" /></p>
<p>Como já deu para perceber, algumas esculturas encontradas no Cemitério da Consolação apresentam teor erótico. Em minha opinião, duas delas, ambas do escultor <strong>Francisco Leopoldo e Silva</strong>, são os principais e mais impressionantes exemplos dessa vertente de arte tumular. <em><strong>Solitudo</strong></em> (abaixo, à esquerda) é de 1922. Trata-se de uma figura feminina em aparente êxtase sensual. Esculpida em granito, tem detalhes que só podem ser devidamente apreciados <em>in loco</em>. O que na foto parecem ranhuras são detalhes de um véu translúcido. É algo de extrema delicadeza. Creio que também já se percebeu que estou me limitando a apresentar algumas esculturas, informando os nomes dos autores e os túmulos onde se encontram. Porém, não é difícil imaginar as muitas histórias por trás de cada uma dessas obras, dos artistas responsáveis por elas, dos homenageados, etc. E isso porque, à exceção da Marquesa de Santos, nem mostrei o túmulo de ninguém conhecido. Mas a próxima obra reúne tudo isso: riqueza artística, histórias fascinantes e personagens famosos. <em><strong>A interrogação</strong></em>, como é conhecida, está no túmulo de <strong>Moacyr Piza</strong>. Para quem não sabe, Moacyr Piza foi um jovem advogado e escritor que viveu um intenso e trágico romance com <strong>Nenê Romano</strong>, uma linda cortesã de luxo. Isso aconteceu no início da década de 1920. A história, que até já virou filme (<em>Desatino</em>, curta de Dimas Oliveira Junior, lançado em 2008), termina com Piza matando Nenê com quatro tiros e se suicidando em seguida. A interrogação, encomendada sabe-se lá por quem, está ali, há muitas décadas, se perguntando como o amor a uma mulher pode transformar um homem em assassino.</p>
<p style="text-align: center;"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/cons05.jpg" border="0" alt="" width="600" height="256" /></p>
<p>Na próxima sequência, túmulos de algumas personalidades famosas: <strong>Afonso Arinos</strong>, <strong>Líbero Badaró</strong>, <strong>Mário de Andrade</strong>, <strong>Monteiro Lobato</strong> e o presidente<strong> Campos Sales</strong>, este último com esculturas de <strong>Rodolfo Bernadelli</strong>.</p>
<p style="text-align: center;"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/cons06.jpg" border="0" alt="" width="600" height="267" /></p>
<p style="text-align: center;"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/cons07.jpg" border="0" alt="" width="600" height="225" /></p>
<p>Para finalizar, dois mausoléus que são verdadeiros palacetes: o da <strong>família Sinisclachi</strong>, réplica miniaturizada de uma catedral gótica, em mármore de Carrara, datado de 1913, com 12,5 metros de altura, construído pela <strong>Marmoraria J. Savoia</strong>; e o da <strong>família Matarazzo</strong>, que dispensa qualquer comentário.</p>
<p style="text-align: center;"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/cons08.jpg" border="0" alt="" width="600" height="400" /></p>
<p>No <a href="http://www.flickr.com/photos/artetumular" target="_blank"><strong>Flickr Arte Tumular</strong></a>, tudo isso e muito mais, em tamanho maior e com detalhes.</p>
<p><img usemap="#Map3" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback3.jpg" border="0" alt="" height="25" /></p>
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		<title>Passeios por cemitérios II – São João Batista</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Apr 2009 22:35:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte tumular]]></category>
		<category><![CDATA[Cemitérios]]></category>
		<category><![CDATA[Estatuária]]></category>
		<category><![CDATA[Fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[Ao selecionar as fotos que usaria para ilustrar este texto, fiquei em dúvida sobre qual utilizar para abri-lo. Por vários motivos, acabei escolhendo esta que mostra, em primeiro plano, o túmulo de Ary Barroso. Mais que meramente ilustrativa, ela nos &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/04/02/passeios-por-cemiterios-ii-sao-joao-batista/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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<p align="justify">Ao selecionar as fotos que usaria para ilustrar este texto, fiquei em dúvida sobre qual utilizar para abri-lo. Por vários motivos, acabei escolhendo esta que mostra, em primeiro plano, o <strong>túmulo de Ary Barroso</strong>. Mais que meramente ilustrativa, ela nos leva a muitas considerações que podem não ser percebidas de imediato.</p>
<p align="justify">Vemos nela uma pequena área do <strong>Cemitério São João Batista</strong>, que fica no bairro de Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro. Vê as construções no meio da mata do Morro São João ao fundo? Elas foram faladas em uma matéria veiculada na semana passada pelo <em>RJ TV </em>e também pelo <em>Jornal Nacional</em>. A reportagem falava do crescimento e unificação de favelas, dentre elas a da Ladeira dos Tabajaras, em Copacabana, e a do Morro São João, em Botafogo.</p>
<p align="justify">Para quem não conhece o Rio, uma rápida explicação. A Zona Sul é onde ficam os bairros ricos da cidade: Copacabana, Leblon, Ipanema, Botafogo, etc. No entanto, a geografia extremamente acidentada, que faz a cidade ser tão linda quando vista de cima, não separa ricos e pobres. Criadas nos morros, as favelas cercam os bairros da Zona Sul.  O pequeno e mundialmente conhecido bairro de Copacabana, por exemplo, é ladeado por quatro grandes favelas. São apenas cinco quarteirões do Copacabana Palace a uma delas. O bairro faz fronteira com Botafogo. Favelas de um e de outro estão se encontrando e se transformando em uma só.</p>
<p align="justify">Pois bem, a matéria na TV Globo dizia que “<em>para a prefeitura, <strong>a favela </strong>na parte de cima do cemitério nem existe oficialmente” e que “<strong>só teria sido descoberta há um ano</strong></em>”. A foto que abre este texto foi feita em <strong>dezembro de 2003</strong>. Mas já existiam casas ali desde meados dos anos 1980. Hoje, a mata que se vê na foto quase não existe.</p>
<p align="justify">Outro ponto interessante. O paredão que separa o morro do cemitério é onde estão as gavetas, locais que comportam apenas um caixão. “Descendo” o paredão, chegando ao “asfalto” do cemitério, os túmulos são normais, maiores e mais espaçosos, tanto mais quanto as posses de seus donos. Do centro para a porta do cemitério, fica a maior parte dos mais ricos. A necrópole repete o padrão da cidade onde está encravada. Na periferia e subindo o morro, os mais pobres; do centro para a praia, os mais abastados. Pode parecer exagero, mas assim como as da foto, boa parte das estátuas do São João Batista, independente da posição do túmulo, está voltada para a entrada do cemitério e de costas para o morro. Assim como o Cristo Redentor está de frente para a Zona Sul e de costas para a Zona Norte.</p>
<p align="justify">Finalmente chegando ao foco principal deste texto, aproveito a imagem desse monumento a Ary Barroso para explicar alguns pontos básicos referentes à estatuária e à arte tumular. Quando se fala em “<strong><em>estátua</em></strong>”, está se falando de uma representação de corpo inteiro. “<strong><em>Busto</em></strong>” se refere à cabeça e parte do tronco. “<strong><em>Efígie</em></strong>” é uma figura em alto relevo, aparece com freqüência, mas não necessariamente, em medalhões. No túmulo de Ary Barroso, vemos um busto seu acompanhado da estátua de uma mulher entristecida com um pandeiro mudo próximo a sua mão. No canto, aos pés da estátua, folhas em bronze com nomes de músicas do compositor. Uma bela homenagem e um lindo exemplo de arte tumular, que se completa com a construção em mármore do próprio túmulo.</p>
<p align="justify">E agora, eu os convido a passear comigo e apreciar um pouco desse grande museu que é o Cemitério São João Batista.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/tumlima.jpg" align="right" border="0" width="308" height="225" />Quando estive por lá, em 2003, estava procurando o túmulo de <strong>Lima Barreto</strong>. Ninguém sabia dizer onde ficava. No São João Batista há passeios organizados com historiadores e, como em todo cemitério desse tipo, os funcionários e biscateiros que vivem dos serviços de limpeza prestados a particulares também costumam saber onde ficam as sepulturas dos famosos. Pois o pobre Lima Barreto ninguém sabia onde estava. Nem sabiam quem era ele. Precisei recorrer aos livros da administração para descobrir a localização de sua última morada e – surpresa! – lá estava ela próximo a uma saída, nos fundos do cemitério, próximo a uma das pontas do paredão dos simples. Até existe uma efígie e seu nome está sobre a tampa, mas o escritor, que sempre foi pobre, descansa em uma tumba simples, como foi tudo em sua vida.</p>
<p align="justify">Durante as duas horas que perambulei entre os jazigos, além de pegar o chamado “<strong>bronze de cemitério</strong>” (só no rosto e nos braços), aproveitei para registrar os túmulos de personalidades famosas como <strong>Cazuza</strong>, <strong>Vicente Celestino</strong>, <strong>Nelson Rodrigues</strong> e <strong>Carmen Miranda</strong>, além dos já citados Ary Barroso, Augusto Severo e Alberto Maranhão (este dois últimos em <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/03/30/turismo-historico-cultural-e-tres-velhos-bigodudos/">texto anterior</a>).</p>
<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/tucazuza.jpg" border="0" width="450" height="338" /></p>
<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/celenrod.jpg" border="0" width="510" height="333" /></p>
<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/tucarmen.jpg" border="0" width="450" height="374" /></p>
<p align="justify">O surgimento e desenvolvimento do Cemitério São João Batista coincide com a época áurea do Rio de Janeiro como centro cultural e político do país. <strong>Criado em 1851</strong>, portanto quase quatro décadas antes da proclamação da República, o local abriga túmulos de figuras ricas e importantes da sociedade carioca, mesmo que não tão populares como os já mostrados. Os nomes podem não ser tão conhecidos, mas o luxo na construção dos mausoléus e das homenagens não deixa dúvidas sobre a condição financeira ou da importância dos falecidos. Vejamos alguns exemplos, como os mausoléus das famílias <strong>Pinto</strong>, <strong>Zanotta</strong>, <strong>Miguel Hernandez Martin</strong>, <strong>Álvaro da Costa Martins</strong> e de <strong>Clarisse Lage Índio do Brazil</strong>.</p>
<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/tumsjb1.jpg" border="0" width="510" height="333" /></p>
<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/tumsjb2.jpg" border="0" width="450" height="383" /></p>
<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/tumsjb3.jpg" border="0" width="510" height="333" /></p>
<p align="justify">Outras homenagens que chamam atenção no São João Batista são aquelas feitas a aviadores. Desde os pioneiros <strong>Augusto Severo </strong>(morto em Paris quando seu balão dirigível, o <em>Pax</em>, incendiou, em 1902) e <strong>Santos Dumont</strong> (um pedra com uma representação de Ícaro sobre ela) até os pilotos militares mortos durante a Segunda Guerra (com obras da escultora Celita Vaccani).</p>
<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/tudumont.jpg" border="0" width="560" height="541" /></p>
<p align="justify">Mostro também dois mausoléus muito interessantes: <strong>um palacete dedicado “<em>A minha Lili</em>” </strong>e outro em homenagem aos <strong>estudantes Guimarães e Junqueira</strong>, mortos em um desentendimento entre universitários e a força policial. O episódio, que completará 100 em setembro próximo, ficou conhecido como <strong>Primavera de Sangue</strong>.</p>
<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/tumsjb4.jpg" border="0" width="600" height="400" /></p>
<p align="justify">Finalizando esse rápido passeio, deixo ainda outras imagens de belas esculturas, algumas fundidas em bronze, outras esculpidas em mármore (tenho certeza, todos saberão diferenciar).</p>
<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/tumsjb5.jpg" border="0" width="600" height="400" /></p>
<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/tumsjb6.jpg" border="0" width="600" height="400" /></p>
<p align="justify"><strong>Veja 38 fotos do Cemitério São João Batista no <a href="http://www.flickr.com/photos/artetumular" target="_blank">Flickr Arte Tumular</a>.</strong></p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback3.jpg" usemap="#Map3" border="0" height="25" /></center></p>
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