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	<title>Sempre Algo a Dizer &#187; Ficção</title>
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		<title>Eu, Jackie</title>
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		<pubDate>Tue, 23 Nov 2010 13:45:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ficção]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu: Hoje, 47 anos da morte de Kennedy&#8230; Minha mãe: Nossa! É mesmo. Lembro bem&#8230; Se você fosse menina, seu nome seria Jacqueline, em homenagem à mulher dele. A partir desta revelação, comecei a imaginar minha vida em universos paralelos. &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/11/23/eu-jackie/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Eu</em><strong>:</strong> Hoje, 47 anos da morte de Kennedy&#8230;<br />
<em>Minha mãe</em>: Nossa! É mesmo. Lembro bem&#8230; Se você fosse menina, seu nome seria Jacqueline, em homenagem à mulher dele.</p>
<p style="text-align: justify;">A partir desta revelação, comecei a imaginar minha vida em universos paralelos.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>* * * * *</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Universo 2 </strong>– <strong>JACKIE BABY</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Médico</em>: Parabéns! É uma menina.<br />
<em>Mãe</em>: O nome vai ser Jacqueline.<br />
<em>Pai</em>: Tudo bem.<br />
<em>Mãe</em>: Que tal Jacqueline Rayssa?<br />
<em>Pai (no cartório)</em>: O nome é Jacqueline Fortunato Alves. Registra logo, antes que eu mude para Sandra.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>* * * * *</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Universo 3 – JACKIE GIRL<br />
</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Médico</em>: Parabéns! É um menino.<br />
<em>Mãe</em>: O nome vai ser Jacqueline.<br />
<em>Pai</em>: O quê?! Tá doida? É um menino!<br />
<em>Mãe</em>: Ah&#8230; O nome vai ser Sandro, em homenagem ao jogador italiano.<br />
<em>Pai</em>: Isso. E esse garoto vai adorar futebol.</p>
<p style="text-align: justify;">(Três anos depois, o pai é transferido pelo trabalho, alguns meses se passam até que ele finalmente retorna à casa para buscar a família)</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Pai (surpreso)</em>: Quem é essa menina?!<br />
<em>Mãe</em>: Nossa filha, ué! Esqueceu?<br />
<em> Pai</em>: Que filha?! Nós não temos filha. Temos filho. Homem. Macho.<br />
<em>Mãe</em>: Não. É uma menina. A gente se enganou. Depois eu vi direito. É menina mesmo.<br />
<em>Sandro (agora Jacqueline, com um vestidinho florido)</em>: Pai, você trouxe uma boneca de presente pra mim?</p>
<p style="text-align: center;"><strong>* * * * *</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Universo 4 – JACKIE DOLL<br />
</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Sandro, 35 anos, três filhos, cansado de guerra, já desistiu de entender as mulheres.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Sandro</em>:<em> </em>E se eu fosse uma delas? Talvez conseguisse entender&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Ele lembra os tempos em que usava cabelos quase na cintura, de como suas amigas o invejavam por isso, confere as pernas grossas, a bunda redonda e saliente&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Sandro</em>: É isso! Vou virar uma quase mulher.</p>
<p style="text-align: justify;">Corte. Sandro, agora uma linda morena de boca carnuda, fazendo michê em frente ao Copacabana Palace.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Cliente</em>: E aí, gata, vamos fazer um programa?<br />
<em>Ex-Sandro</em>: Bora&#8230;<br />
<em>Cliente (já no motel)</em>: Qual é mesmo seu nome?<br />
<em>Ex-Sandro</em>: Jacqueline Alessandra (<em>travesti adora nome composto</em>), mas pode me chamar de Jackie Tequila.<br />
<em>Cliente</em>: Ah, tá&#8230;<br />
<em>Jackie</em>: Lindinho, não sei se você reparou, mas eu&#8230;<br />
<em>Cliente</em>: Tudo bem. É melhor não conversarmos muito. Você sabe&#8230; homem casado quando procura outra é porque está querendo algo diferente, alguma coisa que a esposa não dá&#8230;<br />
<em>Jackie</em>: Claro. Já estou acostumada com isso. Mas eu preciso lhe dizer que eu sou&#8230;<br />
<em>Cliente</em>: Fica fria. A gente vai se divertir muito.</p>
<p style="text-align: justify;">Jackie tira a roupa. O cliente faz cara de espanto.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Cliente</em>: Mas&#8230; Mas&#8230; Eu pensei&#8230;<br />
<em>Jackie</em>: Olha, gato, eu estava tentando avisar que sou travesti.<br />
<em>Cliente</em>: Tá. Isso eu já sabia, mas é que eu sempre pensei que todo travesti tivesse um pau enorme e isso aí&#8230;</p>
<p style="text-align: center;">(fim de minhas viagens por universos paralelos)</p>

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		<title>Rascunho</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Sep 2010 20:01:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Do baú]]></category>
		<category><![CDATA[Ficção]]></category>

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		<description><![CDATA[De um caderno até então perdido. Escrito em 11.08.2008 Para Orwell e M. Toda arte foi proibida hoje. Estamos no último dia em que é possível ir ao teatro, ao cinema, admirar um quadro, ler um livro, escutar música. Muitas &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/09/02/rascunho/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">De um caderno até então perdido.<br />
Escrito em 11.08.2008</p>
<p style="text-align: right;"><em><strong>Para Orwell e M.</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Toda arte foi proibida hoje. Estamos no último dia em que é possível ir ao teatro, ao cinema, admirar um quadro, ler um livro, escutar música. Muitas outras tentativas de proibir as emoções foram feitas. Esta prometeu bani-las. Receberemos, todos, máscaras de pedra. Não portaremos mais almas. Nada haverá em nós que não a força necessária para trabalhar e produzir para o Estado.</p>
<p style="text-align: justify;">Todo tipo, todo objeto de arte, o menor e mais desprezível, foi recolhido. Museus e galerias estão sendo fechados; todas as casas, vasculhadas. Nada sobrou. Assim espera o Estado.</p>
<p style="text-align: justify;">No mesmo decreto que proíbe as artes, está a proibição dos sentimentos. Sabe-se que muitos irão chorar e se revoltar, que risos existirão, escondidos em reuniões clandestinas. Lembranças existirão.  Por quanto tempo? É um plano a ser cruelmente cumprido a longo prazo. Os que nascerem a partir de amanhã não encontrarão emoção neste mundo. Seus filhos talvez não precisem ser proibidos de chorar ao nascerem. Já não haverá motivo para que o façam. Em 120 anos – assim quer o Estado –, não haverá criatura sobre a terra que se lembre de um sorriso, de uma lágrima, de um descompasso cardíaco que não tenha sido provocado por uma doença.  Em 120 anos, os nascidos não lembrarão um ser humano.</p>
<p style="text-align: justify;">Como o Estado pretende manter o controle dessas decisões até lá? Quem garante que tudo não mudará? Nós, que devemos obedecer às leis, fazemos estas perguntas porque temos esperança. Eles, que fazem as leis, não se importam com tais perguntas porque enterram todos os dias, cada vez mais fundo, nossas esperanças.</p>
<p style="text-align: justify;">Sou escritor, atividade proibida a partir de agora. A não ser que trabalhe para o Estado e conte a História Oficial. Não existe mais ficção, conto, poesia. Só a voz oficial. Em uma reunião de artistas, há poucos dias, discutíamos a possibilidade da tradição oral. No dia seguinte, nova lei dizia que os artistas estavam proibidos de ter filhos e que qualquer tentativa de ensinar nossos dons ou conhecimentos custaria as vidas dos envolvidos.</p>
<p style="text-align: justify;">Hoje, toda arte foi morta.</p>

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		<title>Canto de quarto</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Sep 2009 17:55:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Ficção]]></category>
		<category><![CDATA[Livre pensar]]></category>

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		<description><![CDATA[Quieto em si, apreciava o eterno passar de pés. Acumulava poeira e cabelos. Sabia que os loiros eram da menina que ali dormia. Uma vez por semana, sem aviso e com certa rudeza, recebia a visita de uma vassoura. Ficou &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/09/18/canto-de-quarto/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify">Quieto em si, apreciava o eterno passar de pés. Acumulava poeira e cabelos. Sabia que os loiros eram da menina que ali dormia. Uma vez por semana, sem aviso e com certa rudeza, recebia a visita de uma vassoura. Ficou assustado, paralisado de medo, no dia em que uma barata correu para ele e ali, em seus braços – se os tivesse –, foi esmagada pelo bico fino de um scarpin preto. Aquela arma espremendo o pobre inseto contra ele nunca sairia de sua cabeça – se tivesse uma. Sem jamais poder se aproximar, via seus irmãos: um, mais próximo, logo abaixo da janela, via sempre; outro, somente quando a porta estava fechada. Desconfiava da existência de um terceiro, que devia morar atrás do criado mudo. De longe, avistava um parente, morador da sala em frente. Durante um mês, sumiram os pés. Acumulou a poeira, pesou o ar. Quando voltaram, foi um arrastar de móveis ao centro do quarto. Vassourada, água, pano, cheirinho bom. Novo arrastar, nova ordem. Viu quando a cama cresceu e um pé com roda quase o alcança. Tudo escureceu. Não via mais nada. Canto algum. No escuro, escutava as vozes e os barulhos de costume. Julgou-se morto. Devia estar entre vidas. Houvesse mesmo recimentação, queria vir como canto de teto. Estaria sempre por cima. Vassouradas menos constantes e nada de baratas assassinadas. Quando muito, uma teia de aranha, mas isso seria arte. No alto, imaginava, a vida devia ser muito mais cômoda. Como por encanto.</p>
<p><img usemap="#Map3" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback3.jpg" border="0" alt="" height="25" /></p>
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		<title>Em qual luto começará a luta?</title>
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		<pubDate>Fri, 28 Mar 2008 03:00:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ficção]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[Morreu hoje, dia 28 de março, no Rio de Janeiro, o estudante Edson Luís de Lima Souto, de 18 anos. Nascido em Belém, no Pará, Edson mudou-se para o Rio em busca de melhores oportunidades, mas encontrou apenas o fim &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/03/28/em-qual-luto-comecara-a-luta/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/edson.jpg" border="0" height="266" width="600" /></p>
<p align="justify">Morreu hoje, dia <strong>28 de março</strong>, no Rio de Janeiro, o estudante <strong>Edson Luís de Lima Souto</strong>, de 18 anos.</p>
<p align="justify">Nascido em Belém, no Pará, Edson mudou-se para o Rio em busca de melhores oportunidades, mas encontrou apenas o fim de uma breve história. Sua agonia começou no restaurante <strong>Calabouço</strong>, desses populares, que servem uma refeição a preço simbólico.</p>
<p align="justify">O jovem começou a sentir forte dor no peito enquanto almoçava. Saiu em busca de ajuda e conseguiu chegar, trôpego, a poucos metros do prédio da Legião Brasileira de Assistência. Parou. Inspirou profundamente o ar pesado. Sentiu o gosto de chumbo e caiu ali mesmo.</p>
<p align="justify">Colegas o levaram ao hospital mais próximo. Dezenas de pessoas pelos corredores, gente abandonada em macas por todos os cantos, cenário de guerra. Correram para um segundo. Igual. Procuraram outro. Um que estudava com ele grita: “O tio de um vizinho meu é médico aqui”. Nem conseguiram entrar, mas acharam o doutor em meio ao inferno de gente gemendo, implorando por atenção e remédio. O homem de branco foi até a rua e segurou o pulso de Edson somente para avisar: <em>Está morto</em>.</p>
<p align="justify">Revolta! Por que? Tão novo! <strong>Poderia ter sido qualquer um</strong>. Qualquer daqueles jovens. O filho de qualquer mãe, de qualquer pai. Por que?</p>
<p align="justify">Na calçada fria, em folha de caderno, o legista atesta o óbvio antes de encaminhar o corpo à morgue: <em>dengue hemorrágica</em>.</p>
<p align="justify">Mais revolta. Quantos outros cadáveres precisaremos para começar a luta? Edson morreu pela incompetência do governo. Total descaso pela vida humana. Morreu de forma miserável.</p>
<p align="justify">Já são 68 mortos e ainda não terminou. Quantos mais? Cem mil? Conseguiremos cem mil em uma passeata na próxima semana? Povo unido e organizado, intimidando seus governantes, mostrando a eles seu lugar, suas obrigações.</p>
<p align="justify"><strong>Edson Luís morreu de graça</strong>. Melhor que tivesse morrido lutando por seus direitos, pela liberdade, por qualquer coisa em que acreditasse. Como se fazia há 40 anos. Não como hoje, quando assistimos as mortes pela tevê e no final ganhamos um “<em>Boa Noite</em>”.</p>
<p align="justify"><strong>É hora de acordar.</strong></p>

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		</item>
		<item>
		<title>Orgulho e preconceito</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/03/14/orgulho-e-preconceito/</link>
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		<pubDate>Fri, 14 Mar 2008 03:51:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ficção]]></category>

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		<description><![CDATA[– Ficcionista de merda que você é! Típico escritor frustrado que resolve ser jornalista para compensar a falta de talento literário. Olhe ao redor. Músico frustrado, poeta frustrado&#8230; Jornalista de verdade, três ou quatro. Que saibam escrever, uns dois. Silvino &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/03/14/orgulho-e-preconceito/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">– Ficcionista de merda que você é! Típico escritor frustrado que resolve ser jornalista para compensar a falta de talento literário. Olhe ao redor. Músico frustrado, poeta frustrado&#8230; Jornalista de verdade, três ou quatro. Que saibam escrever, uns dois.</p>
<p align="justify">Silvino escutou calado. Assim como toda a redação. Klaus era um descendente de alemão que mais parecia um armário que um jornalista. Incluía-se nos “uns dois” que havia dito saber escrever. Quando algum desavisado perguntava onde havia se formado, respondia: “Na vida”. E o diploma? “Papel muito grosso. Serve nem pra limpar a bunda”.</p>
<p align="justify">Era bom no que fazia e não aliviava para ninguém. Quando Silvino veio perguntar a ele se não poderia ter sido menos ácido na crítica que fizera ao seu livro de estréia – “livro de um colega de redação” –, Klaus foi logo mandando que enfiasse o corporativismo no rabo e “colega de cu é rola, que eu não sou colega de analfabeto, muito menos de viado”. As bichinhas da redação sumiram atrás dos computadores.</p>
<p align="justify">Diplomacia passava longe. Silvino deveria ter pensado nisso antes de deixar um exemplar de <em>Te encontro em Paris</em> na mesa do não-colega. <em>Brisa fresca na literatura</em> era a chamada sobre as cinco linhas cuspidas pelo alemão.</p>
<blockquote>
<p align="justify"><em>Dentre tanto lixo despejado pelas editoras nas livrarias, surge </em>Te encontro em Paris<em>, de Silvino Neto. Escritor fresco – é seu primeiro título –, o autor sai das páginas do jornalismo para aventurar-se no desconhecido terreno da ficção. Contribui para o grande aterro com deslumbres caboclos e português desprovido de preconceitos. Há todo tipo de escritor e todo tipo de leitor. Hão de encontrar-se. De preferência, em Paris.</em></p>
</blockquote>
<p align="justify">Duplamente humilhado, Silvino vai para casa e chora. Senta ao computador. “Aquele filho da puta vai ver quem é o ficcionista de merda”. O esbregue serviu como inspiração.</p>
<p align="justify">Também em casa, Klaus finaliza o oitavo de seus romances. Todos inéditos. Ao sentir a mão em seu ombro, pergunta:<br />
– O que achou, amor?<br />
– Tudo que você escreve é perfeito – respondeu Carlão, antes de puxá-lo para a cama.</p>
<p align="center"><strong>* * * * * </strong></p>
<p align="justify"><em>O contículo acima deverá estar, em breve, junto a outros dentro daquele negócio antigo chamado livro. Aguardem!</em></p>
<p align="center"><strong> * * * * *</strong></p>
<p align="justify">Aproveitando a temática, não posso deixar de indicar o blog <em><a href="http://debundapralua.zip.net" target="_blank"><strong>De bunda pra lua</strong></a></em>, um sarro em cima do <em>Big Brother</em> e do blog <em>De cara pra lua</em>, que quase faz com que eu me arrependa por não ter acompanhado o programa. As gozações (ops!) em cima do médico-psicopata são ótimas! Destaque para o ensaio de “Marceleza” para o site “Paparrabo”.</p>

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		<title>Tragédia em noite de ópera</title>
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		<pubDate>Mon, 24 Oct 2005 15:00:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ficção]]></category>
		<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>

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		<description><![CDATA[Wagner perdeu sobre o palco e fora dele também. Nos camarotes, alguns de seus admiradores mostraram um comportamento irresponsável, para dizer o mínimo. Logo no início de A Cavalgada das Valquírias, uma bomba foi jogada por um torcedor Wagneriano na &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2005/10/24/tragedia-em-noite-de-opera/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/anjoext.jpg" alt="" width="512" height="200" /></p>
<p style="text-align: justify;">Wagner perdeu sobre o palco e fora dele também. Nos camarotes, alguns de seus admiradores mostraram um comportamento irresponsável, para dizer o mínimo. Logo no início de <em>A Cavalgada das Valquírias</em>, uma bomba foi jogada por um torcedor Wagneriano na direção dos admiradores de Mozart. Depois foram mais seis. Mozartianos, apesar do domínio em palco, mandaram duas bombas na torcida rival. Nas duas torcidas, crianças, mulheres e idosos e os demais espectadores que saíram de casa para se divertir assistiam, chocados, à violência.</p>
<p style="text-align: justify;">Das sete bombas jogadas por torcedores Wagnerianos, duas foram lançadas no intervalo entre as duas primeiras árias. A essa altura, o gás de pimenta jogado pela polícia chegava a quem nada tinha a ver com a confusão.</p>
<p style="text-align: justify;">As duas torcidas estavam a 30 metros de distância uma da outra, protegidas por um cordão de isolamento policial. No meio delas, ainda havia uma grade. O que também impressionou foi que alguns Wagnerianos gritavam frases provocativas e de mau gosto, como “<em>eus, eus, eus, dominamos o Amadeus</em>” ou “<em>ã, ã, ã, Jovem-Wagner é talibã</em>”. Além das bombas, houve confronto entre as facções que jogavam objetos como sapatos italianos, cartolas e o que encontravam à mão.</p>
<p style="text-align: justify;">A Polícia Militar não conseguiu impedir a entrada das pequenas bombas no teatro. Admiradores de Mozart pegaram bengalas, para usar como arma. A polícia interveio, e um de seus cachorros acabou mordendo um dos soldados. Como o teatro não estava lotado, as duas facções poderiam estar mais afastadas uma da outra do que os 30 metros determinados pela Polícia Militar.</p>
<p style="text-align: justify;">O Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil atenderam 15 feridos durante a ópera. Dois casos foram considerados graves e encaminhados ao hospital Souza Aguiar: um torcedor apresentou queimaduras e lesão de tímpano e o outro sofreu ferimentos nos braços.</p>
<p style="text-align: justify;">Antes do início da ópera, houve registros de tumultos envolvendo os admiradores de Wagner e Mozart na cidade. Na Avenida Brasil, sentido Centro, a polícia recebeu informações de Limusines e Mercedes depredadas, arrastão e brigas entre as facções.</p>
<p style="text-align: justify;">Também antes da ópera, cerca de 700 admiradores de Wagner partiram da estátua de Carlos Gomes, na parte externa do Theatro Municipal, até o Cine Odeon.</p>
<p style="text-align: justify;">Na esquina da Avenida Rio Branco com a Rua Evaristo da Veiga, houve princípio de confusão porque o grupo Wagneriano teria encontrado admiradores de Mozart, mas a situação foi controlada pelos policiais militares. Apesar do clima tenso antes da ópera, não houve confronto durante o percurso.</p>
<p style="text-align: justify;">Um pouco mais distante, na saída do jogo entre Vasco e Flamengo, no Maracanã, torcedores dos times ficaram sabendo dos conflitos no Theatro Municipal. Todos os entrevistados foram unânimes em dizer que a violência nas óperas precisa acabar. “<em>Esses selvagens deveriam ser impedidos de ir ao teatro</em>”, disse um torcedor do Flamengo. Um amigo seu, vascaíno, completou: “<em>Pessoas assim não deveriam viver em sociedade</em>”.</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: right;"><strong>Texto sobre matéria de Paula Santos Dias e Pedro Motta Gueiros<br />
no jornal <em>O Globo</em> de 23 de outubro de 2005.<br />
Foto: <em>O Anjo Exterminador</em>, de Luis Buñuel.</strong></p>

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