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	<title>Sempre Algo a Dizer &#187; Estatuária</title>
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		<title>Ei, defunto, passa o bronze!</title>
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		<pubDate>Sat, 19 Feb 2011 08:00:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte tumular]]></category>
		<category><![CDATA[Cemitérios]]></category>
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		<category><![CDATA[História]]></category>
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		<description><![CDATA[No dia 30 de março de 2009, no texto Turismo-histórico cultural e três velhos bigodudos, eu terminava dizendo o seguinte sobre uma das homenagens ao advogado e escritor Manoel Dantas: Já a efígie em seu túmulo, no Cemitério do Alecrim &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2011/02/19/ei-defunto-passa-o-bronze/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/02/manoel2.jpg"><img class="size-full wp-image-902 aligncenter" style="border: 0pt none; margin-top: 0px; margin-bottom: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/02/manoel2.jpg" alt="" width="600" height="263" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">No dia 30 de março de 2009, no texto <em>Turismo-histórico cultural e três velhos bigodudos</em>, eu terminava dizendo o seguinte sobre uma das homenagens ao advogado e escritor Manoel Dantas: <em>Já a efígie em seu túmulo, no Cemitério do Alecrim </em>(em Natal)<em>, resiste bravamente há 65 anos</em>. Atualizando: RESISTIA.</p>
<p style="text-align: justify;">O medalhão que ficava no túmulo de Manoel Dantas era obra de Hostílio Dantas, pintor e célebre escultor do Rio Grande do Norte, praticamente o único nome a entrar, até agora, para a história da arte estatuária no estado.  Foi Edgard Ramalho Dantas (é ele quem aparece na foto que abre o texto), neto de Manoel, quem deu o alerta por e-mail: “<em>Túmulos dos alemães da Condor e de Manoel Dantas depredados no Cemitério do Alecrim</em>”. Duas horas depois, eu e <a href="http://www.canindesoares.com" target="_blank">Canindé Soares</a>, acompanhados por Edgard, estávamos conferindo os estragos.</p>
<p style="text-align: justify;">Não foi apenas isso. Outras três efígies de bronze também foram roubadas: a de Elias Lamas e as duas do túmulo de Francisquinha e Ernesto Fonseca. Aliás, deste só sobraram três letras. Até a portinhola do jazigo foi levada. Estas eram as quatro únicas efígies em bronze de todo o Cemitério do Alecrim, um dos mais antigos cemitérios públicos do país. Se há registro fotográfico das peças é por conta de meu interesse por arte tumular e por um trabalho de catalogação da estatuária da Cidade do Natal que comecei a fazer com Canindé em 2009 (é daquele ano as fotos que mostram os medalhões). Na época, a Semsur – Secretaria Municipal de Serviços Urbanos, órgão responsável (?!) pela administração do Cemitério do Alecrim se disse interessada pelo trabalho, mas estava apenas tentando trazer “os inimigos” para perto, já que rodamos toda a cidade e denunciamos o abandono das praças, monumentos e cemitérios.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/02/lamas2.jpg"><img class="size-full wp-image-903 aligncenter" style="border: 0pt none; margin-top: 0px; margin-bottom: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/02/lamas2.jpg" alt="" width="600" height="300" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/02/francis2.jpg"><img class="size-full wp-image-904 aligncenter" style="border: 0pt none; margin-top: 0px; margin-bottom: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/02/francis2.jpg" alt="" width="600" height="404" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Natal é uma cidade conhecida pelo desprezo com que trata sua História e sua cultura. Se possível, João Pessoa e Recife se mudariam para bem longe para não ter uma vizinha igual a essa. É uma vergonha! Natal é comumente ridicularizada como “a cidade do já foi”, “a cidade do já teve”. Uma capital quatrocentona que não tem um museu. Ninguém venha dizer que tem! Tem “umas coisas” que chamam de museu e só chama assim quem nunca esteve em um. Quase tudo que se faz em Natal e é relacionado à sua História gira em torno do nome de Câmara Cascudo, que, diga-se, é extremamente respeitado no resto do Brasil e no mundo, mas também desprezado na cidade onde nasceu. A minha geração e as mais novas acham bonito falar mal dele e fazer ar de enfado quando ouvem seu nome. Aquele comportamento típico de quem quer disfarçar a própria ignorância diminuindo quem realmente fez alguma coisa. A propósito, falei que o túmulo de Cascudo, totalmente reformado pela família (como tudo relacionado a ele, pois estado e município não fazem qualquer coisa), em maio do ano passado, também foi depredado? Foi. Levaram a placa em inox com os nomes de todos que foram sepultados lá.</p>
<p style="text-align: justify;">Fotografo cemitérios por todo o Brasil. Já fiz <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/category/arte-tumular/" target="_self">vários <em>posts</em></a>, aqui, a respeito disso. Cemitérios gigantescos como o do Araçá, em São Paulo, com seus 222 mil m2, no qual caberiam dezenas de cemitérios do Alecrim. Cemitérios com centenas de monumentos gigantescos, em bronze ou mármore, como os da Consolação e São Paulo. Todos seguem o mesmo esquema das necrópoles públicas brasileiras: o terreno pertence à administração pública, que zela pela limpeza e segurança do local, mas os túmulos são de responsabilidade dos donos. Sabe o que acontece com túmulos de personalidades famosas e/ou que tenham grandes obras de arte nos cemitérios de São Paulo? A administração pública tomba e se torna responsável direta por sua limpeza e manutenção. Os donos só têm direito a enterrar seus mortos. Não podem mexer neles, modificá-los. Se um túmulo está abandonado, o dono é notificado. Em Natal, os donos não são avisados nem quando os túmulos são depredados e roubados.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/02/ruacemita.jpg"><img class="size-full wp-image-906 aligncenter" style="border: 0pt none; margin-top: 0px; margin-bottom: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/02/ruacemita.jpg" alt="" width="600" height="403" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Para entender a situação de total abandono do Cemitério do Alecrim, basta olhar para suas ruas. As principais, próximas às entradas, receberam uma maquiagem há alguns anos. As restantes são como a mostrada na foto acima. Antes de ser enterrado e roubado, o morto ainda experimenta a sensação de andar naqueles carros performáticos de rapper americano, sacudindo para todos os lados. Não me admiraria se um pedisse para descer do caixão e ir andando até sua sepultura. Seria muito mais digno. Parece que a administração da cidade sempre entendeu “lugar de descanso” como “lugar de descaso”. Assim, passam secretários e prefeitos enquanto o cemitério continua virando pó. Dá para levar a sério uma cidade que não respeita nem os seus mortos? Se eu morrer aqui, façam uma fogueira no quintal e cremem meu corpo,  façam qualquer coisa, mas, por favor, não me levem para o Cemitério do Alecrim. Já me basta ter sido assaltado em Natal, mais de uma vez, ainda vivo.</p>
<p style="text-align: center;">* * * * * *</p>
<p style="text-align: left;"><strong>Textos relacionados<br />
</strong><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/06/15/o-primeiro-marmore/" target="_blank">O primeiro mármore</a><br />
<a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/04/11/passeios-por-cemiterios-v-outras-curiosidades/" target="_self">Passeios por cemitérios V – Outras curiosidades</a><br />
<a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/05/24/em-verdade-vos-digo/" target="_self">Em verdade, vos digo…</a><br />
<a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/05/28/era-para-ser-assim/" target="_self">Era para ser assim</a><br />
<a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/03/30/turismo-historico-cultural-e-tres-velhos-bigodudos/" target="_blank">Turismo histórico-cultural e três velhos bigodudos</a></p>
<p><strong>E ainda</strong><br />
<a href="http://www.memoriaviva.com.br/manoeldantas" target="_blank">Manoel Dantas</a><br />
<a href="http://www.memoriaviva.com.br/cascudo" target="_blank">Câmara Cascudo</a></p>

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		<title>Consolação</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Nov 2010 01:40:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Algumas pessoas que tiveram a oportunidade de ver parte do material bruto das mais de 7 mil fotos que fiz em cemitérios pelo país me cobram transformar isso em livro e exposição. Como é possível ter bastante informação a respeito &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/11/01/consolacao/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Algumas pessoas que tiveram a oportunidade de ver parte do material bruto das mais de 7 mil fotos que fiz em cemitérios pelo país me cobram transformar isso em livro e exposição.</p>
<p style="text-align: justify;">Como é possível ter bastante informação a respeito do Cemitério da Consolação (São Paulo &#8211; SP) pela Internet e eu mesmo <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/04/05/passeios-por-cemiterios-iii-consolacao/" target="_self">já falei dele aqui</a>, decidi fazer, hoje, um post totalmente visual para dividir com vocês algumas de minhas fotos preferidas feitas lá.</p>
<p style="text-align: justify;">A minha parte é mostrar que onde muitos veem dor e morte, eu vejo arte. A de vocês, hoje, será sugerir títulos para as fotos. Só a primeira já tem: “<strong>Nós que aqui estamos por vós esperamos</strong>”.</p>
<p style="text-align: justify;">Espero que gostem. Aguardo sugestões.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/conso01_nos_que_aqui-Custom.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-713" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/conso01_nos_que_aqui-Custom.jpg" alt="" width="600" height="450" /></a><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/conso02_torso_nu-Custom.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-714" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/conso02_torso_nu-Custom.jpg" alt="" width="600" height="450" /></a><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/conso03_anjo_dedo-Custom.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-715" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/conso03_anjo_dedo-Custom.jpg" alt="" width="600" height="450" /></a><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/conso04_pernas_rosto-Custom.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-716" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/conso04_pernas_rosto-Custom.jpg" alt="" width="600" height="450" /></a><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/conso05_anjo_prece-Custom.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-717" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/conso05_anjo_prece-Custom.jpg" alt="" width="600" height="450" /></a><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/conso06_cristo_ceu-Custom.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-718" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/conso06_cristo_ceu-Custom.jpg" alt="" width="600" height="450" /></a><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/conso07_dedo_flores-Custom.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-719" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/conso07_dedo_flores-Custom.jpg" alt="" width="600" height="450" /></a><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/conso08_perfil_mulher-Custom.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-720" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/conso08_perfil_mulher-Custom.jpg" alt="" width="600" height="450" /></a><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/conso09_saudade_flores-Custom.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-721" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/conso09_saudade_flores-Custom.jpg" alt="" width="600" height="450" /></a><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Estas fotos podem ser vistas em tamanho maior no <a href="http://www.flickr.com/photos/artetumular/" target="_blank">Flick Arte Tumular</a>.</strong></p>

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		<title>Necrópole São Paulo</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Nov 2010 02:00:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Confesso: sempre que me proponho a falar sobre cemitérios, penso em algo bem definido, mas começo a viajar nas fotos, percebo novos detalhes, descubro novas histórias e, de repente, há quase um livro em minha cabeça. Quando pensei em escrever &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/10/31/necropole-sao-paulo/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/10/31/necropole-sao-paulo/&amp;text=Necrópole São Paulo&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/atsorriso.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-702" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/atsorriso.jpg" alt="" width="600" height="252" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Confesso: sempre que me proponho a falar sobre cemitérios, penso em algo bem definido, mas começo a viajar nas fotos, percebo novos detalhes, descubro novas histórias e, de repente, há quase um livro em minha cabeça. Quando pensei em escrever sobre a Necrópole São Paulo, imaginei partir das obras de Alfredo Oliani, autor de <em>O último adeus</em>, sobre o qual falei no texto anterior (<a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/10/30/sexo-amor-e-morte/" target="_self"><em>Sexo, amor e morte</em></a>). Quando comecei a escolher as fotos dentre as mais de 500 que fiz em dois corridos dias de visita àquele cemitério, lembrei de tantas esculturas lindas e tantas histórias que passei um dia inteiro recordando tudo que vi por lá.</p>
<p style="text-align: justify;">O Cemitério São Paulo (ou Necrópole São Paulo, como ostenta em sua fachada) me pegou de surpresa. Eu vinha de dois dias inteiros fotografando o da Consolação. Havia andado quilômetros e quilômetros sob sol forte, estava cansado, desidratado, com braços e mãos tremendos depois de quase 3 mil cliques e com um belo bronzeado de cemitério (só rosto e braços queimados). Imaginei que não veria tantas nem tão interessantes obras quanto nos cemitérios da Consolação e do Araçá,  mas estava completamente enganado.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/atsp02_esconde.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-703" style="border: 0pt none; margin: 0px;" title="atsp02_esconde" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/atsp02_esconde.jpg" alt="" width="300" height="400" /></a>O São Paulo começou a funcionar em 1926 por conta da superlotação dos cemitérios da Consolação (inaugurado em 1858) e do Araçá (1887). A essa altura, outros cemitérios públicos já haviam sido criados e as divisões de classes sociais também estavam estabelecidas na morte. Os ricos precisavam de mais espaço e assim surgiu o São Paulo. Valendo-se de quase 70 anos de experiência, a nova necrópole nasceu e cresceu mais organizada. As ruas por onde transitam os carros são mais largas, os espaços entre as quadras são desenhados em arcos, há muita luminosidade, é tudo muito aberto e a área está em um declive – quando você sobe em direção à colina central, vai vendo a cidade do lado de fora. É muito agradável.</p>
<p style="text-align: justify;">Chegando lá, pela primeira vez, a apenas uma hora antes do encerramento do expediente e sem conhecer nada, tive que confiar plenamente nos conhecimentos de um dos funcionários, que me fez o favor de mostrar, tão rápido quanto possível, o que havia de melhor e mais representativo. Foi no túmulo de uma família italiana (Parello) que vi um conjunto escultórico diferente de tudo que conhecia. A obra mostra duas jovens, separadas por um muro ou uma parede, que parecem brincar de esconde-esconde. Elas estão se divertindo (o detalhe do sorriso na foto que abre este texto é daquela que parece estar se escondendo) e é impossível não notar, de imediato, que a cena mostra a morte de uma maneira muito diferente e mais leve do que se costuma vê-la. Em algum instante, o jogo de esconde vai terminar e as pessoas voltarão a se encontrar, a ficar juntas. No muro que as separa há ainda uma placa com um poema, em italiano, que reforça a ideia da transformação, da passagem do tempo e do pedido de paciência e percepção que se deve ter a respeito da morte. É a conversa de uma filha com a mãe, dizendo que retornará, levantando-se da terra como uma flor e, quando isso acontecer, elas se reconhecerão. A composição é um acróstico que forma a seguinte mensagem: <em>Mariana Parello delicato fiore</em> (delicada flor).</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/atsp03_oliani.jpg"><img class="size-full wp-image-705 aligncenter" style="border: 0pt none; margin-top: 0px; margin-bottom: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/atsp03_oliani.jpg" alt="" width="600" height="260" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Outro conjunto que chama atenção, logo na entrada, próximo a <em>O último adeus</em>, é também um obra de Alfredo Oliani, de 1949. Ele mostra quatro personagens: dois homens carregando um terceiro, morto, enquanto uma mulher demonstra seu pesar. Se pudessem ficar em pé, cada criatura teria mais de dois metros de altura. É feito em bronze e, como em outros trabalhos de Oliani, <a href="http://www.flickr.com/photos/artetumular/5134139478/" target="_blank">os detalhes impressionam</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Logo de início, achei que o São Paulo concentrava um grande número de túmulos de famílias italianas, assim como trabalhos de escultores italianos ou descendentes. Além de Alfredo Oliani, há obras de Victor Brecheret, Luigi Brizzolara, Nicola Rollo e Antelo Del Debbio, para citar somente os mais conhecidos.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/atsp04_anjos.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-706" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/atsp04_anjos.jpg" alt="" width="600" height="450" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Os Anjos</em>, de Brecheret, no túmulo da Família Scuracchio, está entre as obras mais representativas dos escultores ítalo-brasileiros no Cemitério São Paulo.  Também é interessante saber que Brecheret, autor do <em>Monumento às Bandeiras</em>, da <em>Graça</em> (Galeria Prestes Maia), do <em>Fauno </em>(Parque Trianon) e de várias obras para túmulos de cemitérios paulistanos foi sepultado lá. Seu túmulo é extremamente simples. Só percebido e lembrado graças a <a href="http://www.flickr.com/photos/artetumular/5133538285/" target="_blank">uma pequena placa</a> com sua efígie e datas de nascimento e morte. Muito diferente dos grandes monumentos mortuários que fez para a aristocracia paulistana.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/atsp06_comendador.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-707" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/atsp06_comendador.jpg" alt="" width="600" height="268" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Exemplos de ostentação e orgulho eterno não faltam. Alguns, mesmo católicos, pareciam não ligar para a soberba como um dos pecados capitais. O <a href="http://www.flickr.com/photos/artetumular/5132369979/" target="_blank">mausoléu do Comendador Joaquim Gil Pinheiro</a> é desses que se veem de longe. Tem pelo menos 8 metros de altura, é cheio de placas e títulos, tem a entrada ladeada por duas esculturas de santos em tamanho natural, um busto do comendador do lado de fora, outro do lado de dentro, além de uma representação mortuária de corpo inteiro (comum entre nobres e clérigos na Europa, mas raro por aqui). Do lado de fora, o Comendador avisa: “<em>Aqui jazem os meus ossos neste campo de egualdade pois que esperam pelos vosso quando Deus tiver vontade. – J. Gil Pinheiro</em>”. No interior, acima do corpo de mármore, outra placa na qual se lê: “<em>Aqui jazem os restos mortaes do Commendador Joaquim Gil Pinheiro nascido em Portugal no anno de 1855, que muito amou o Brasil, com especialidade São Paulo, onde viveu 48 annos até o dia de seu fallecimento a 28 de novembro de 1926. Orae por elle.</em>”</p>
<p style="text-align: justify;">Muitas personalidades conhecidas foram sepultadas no São Paulo e também possuem belas obras em seus túmulos como o empresário <a href="http://www.flickr.com/photos/artetumular/5132370425/" target="_blank">José Ermírio de Moraes</a> e o desenhista <a href="http://www.flickr.com/photos/artetumular/5132228903/" target="_blank">Belmonte</a>. Estas e outras, você confere no <a href="http://www.flickr.com/photos/artetumular" target="_blank">Flickr Arte Tumular</a>.</p>

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		<title>Sexo, amor e morte</title>
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		<pubDate>Sat, 30 Oct 2010 19:40:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte tumular]]></category>
		<category><![CDATA[Artes plásticas]]></category>
		<category><![CDATA[Cemitérios]]></category>
		<category><![CDATA[Erotismo]]></category>
		<category><![CDATA[Estatuária]]></category>
		<category><![CDATA[Fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[Quem me conhece ou acompanha o blog há mais tempo não se assombra com meus textos e fotos sobre cemitérios. Sempre gosto de lembrar: cemitérios são museus. Em relação ao Brasil, falo dos modelos surgidos em meados do século XIX &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/10/30/sexo-amor-e-morte/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/at_ultimoadeus.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-692" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/at_ultimoadeus.jpg" alt="" width="600" height="223" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Quem me conhece ou acompanha o <em>blog</em> há mais tempo não se assombra com meus textos e fotos sobre cemitérios. Sempre gosto de lembrar: cemitérios são museus. Em relação ao Brasil, falo dos modelos surgidos em meados do século XIX e que foram registrando a História, com mais intensidade, até os anos 1960.</p>
<p style="text-align: justify;">Conheço muita gente que estranha minha familiaridade com as necrópoles e diz que só vai pisar em um cemitério quando estiver morta. Devo avisar: morto, ninguém pisa em lugar algum. Tampouco poderá apreciar toda a riqueza artística e histórica que há em alguns como os da Consolação, Araçá e São Paulo (os três na capital paulistana e sobre os quais falarei nos próximos textos) ou São João Batista e do Caju, no Rio. Portanto, um conselho: <strong>aproveite para ir a cemitérios enquanto está vivo</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Resolvi começar esta nova série mostrando um bom motivo para ninguém ter medo dessas visitas, falando de coisas que todos querem em vida: amor e sexo. Sim, eles estão lá, representados de várias formas. Sexo?! Sim. Ou, caso prefira, o amor sensual, o erotismo. Os três mais belos exemplos que conheço estão em São Paulo. Dois deles, desde os anos 1920.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/at_solitudo.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-693" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/at_solitudo.jpg" alt="" width="600" height="340" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Solitudo</strong></em>, o primeiro nu feminino do Cemitério da Consolação, é de 1922 e foi esculpida por Francisco Leopoldo e Silva. Trata-se da figura de uma mulher em aparente êxtase sensual. Esculpida em granito, tem detalhes que só podem ser devidamente apreciados <em>in loco</em>. O que na foto parecem ranhuras são detalhes de um véu translúcido.  Segundo informações de José de Souza Martins, que constam no <em>folder</em> <em>História e Arte no Cemitério da Consolação</em>,</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;">“(&#8230;) foi esculpido para a sepultura do advogado Teodureto de Carvalho e sua esposa, família antiga de São Paulo e Minas. O pai de Teodureto, Teodoro, foi chefe de polícia, secretário da Agricultura e senador estadual. Francisco Leopoldo e Silva era de Taubaté, como seu irmão mais velho, Duarte, futuro arcebispo de São Paulo. (&#8230;) Foi professor primário e estudou arte, tendo recebido bolsa para estudar escultura em Paris, retornou ao Brasil durante a Primeira Guerra, e com família já constituída, foi para Roma, após o conflito, para se aperfeiçoar. Já estudara aqui com Amadeu Zani, autor de várias obras expostas em lugares públicos de São Paulo e também no Cemitério da Consolação. Sofreu influência de Rodin. Teve estúdio no Palácio Episcopal, no início dos anos vinte, quando era arcebispo seu irmão, dom Duarte, na rua São Luís, onde é hoje a Biblioteca Municipal Mário de Andrade. Aparentemente, ali esculpiu <em>Solitudo </em>(&#8230;)”.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/at_interrogacao.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-694" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/at_interrogacao.jpg" alt="" width="600" height="400" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>A Interrogação</em></strong> está no túmulo de Moacyr Piza, jovem advogado e escritor que viveu um intenso e trágico romance com Nenê Romano, uma linda cortesã de luxo. A escultura, em granito, também é de Francisco Leopoldo e Silva. Segundo contam, foi colocada no túmulo de Piza aproximadamente um ano após sua morte, ocorrida em 1923. O advogado de 32 anos matou-se com um tiro, dentro de um táxi, após matar a amante.</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;">“Nenê Romano era o nome pelo qual se conhecia Lina Machiaverni, imigrante italiana cuja família chegara ao Brasil quando tinha dois anos de idade. Fora costureira no Brás. Moça lindíssima, acabou se tornando conhecida cortesã, companhia de homens famosos e poderosos. Era odiada pelas mulheres da elite. Num corso de carnaval, na avenida Paulista, jovem mancebo de família rica jogou-lhe um bilhete, o que foi percebido pela namorada, de uma das mais ricas famílias de fazendeiros de café. A moça ajustou dois jagunços da fazenda da família, em Ribeirão Preto, para que dessem um corretivo à cortesã. Nenê Romano levou uma navalhada no rosto num atentado de 1918, que a desfiguraria. Apresentou queixa e iniciou processo contra a mandante do crime. Mas o processo foi ficando pelas gavetas, pois era ação de prostituta contra gente poderosa.</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;">“Nenê, então, contratou Moacir Piza, advogado já famoso, para que desemperrasse o processo. Moacir Piza se apaixonou por ela. Estiveram juntos por dois anos na boemia, namorando em hotéis e táxis. Mas Nenê começou a sair novamente com outros homens, desinteressou-se por ele, que se tornara homem relapso em relação ao trabalho como jornalista e advogado. O namoro acabou. Moacir Piza foi procurá-la na noite de 25 de outubro de 1923, na tentativa de reatar o relacionamento. Ela estava de saída. Ele insistiu para que ela entrasse no táxi, para conversar. Na esquina da avenida Angélica com a rua Sergipe matou-a com quatro tiros e matou-se em seguida, caindo sobre ela. A vingança da namorada do almofadinha que cortejara Nenê Romano já era indicação de que, entre as mulheres, culpada era a mulher, em casos assim. A escultura de Francisco Leopoldo e Silva, em forma de interrogação, também expressa a mentalidade da época em relação a mulheres como Nenê Romano: por quê? Que sentido tinha o suicídio de um moço de família antiga, parente de políticos, advogado estabelecido, boêmio conhecido, de vida alegre e de bem com a vida, que se apaixonara por uma pobre proletária do Brás, garota de programa de ricos e poderosos?”</p>
<p style="text-align: justify;">A história virou filme. <em>Desatino</em>, curta de Dimas Oliveira Junior, lançado em 2008.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/at_ultimoadeus2.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-695" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/at_ultimoadeus2.jpg" alt="" width="600" height="272" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>O último adeus</strong></em>, de Alfredo Oliani, está no túmulo da Família Cantarella, no Cemitério São Paulo.  A foto logo acima, a que abre este texto e também a que ilustra o texto anterior (<a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/10/28/da-urgencia-dos-que-conhecem-a-morte/" target="_self"><em>Da urgência dos que conhecem a morte</em></a>) mostram a obra. Diferente das visitas aos cemitérios da Consolação e do Araçá, nas quais tive, respectivamente, as companhias de Popó e Fininho (falarei de ambos nos próximos textos), no São Paulo, não pude contar com alguém que me tirasse determinadas dúvidas. E, você sabe, quanta maior a curiosidade, mais perguntas aparecem.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao nos depararmos com o enorme casal de bronze representado em <em>O último adeus</em>, a primeira ideia que vem à mente é de um homem que perdeu a mulher amada. É isso que vemos. Um homem jovem, vigoroso, nu (os detalhes perfeitos da musculatura impressionam) beijando uma mulher, também jovem, de olhos fechados, já morta. Mas, na realidade, aconteceu o contrário. A obra foi encomendada por Maria Cantarella, viúva de Antonino Cantarella, falecido em 1942. Os papéis são invertidos. Parece-me que ela quis representar não só a imortalidade do amor e da paixão do casal, mas apresentar, principalmente, a quem vê o monumento, o homem de sua vida em todo seu vigor, pleno, vivo. E ela, morta. Talvez seja uma representação mais perfeita da saudade. Quem fica é condenado a uma morte em vida. “<em>Ao Nino, meu esposo, meu guia e motivo eterno de minha saudade e de meu pranto</em>”, são os dizeres na lápide ao lado. Maria, dez anos mais jovem, só se juntaria ao amado quatro décadas depois.</p>
<p style="text-align: justify;">Além das interpretações que a história – contrária ao que se vê – pode gerar, surgem outras dúvidas. Infelizmente, a ação de vândalos contribui em muito para apagar os registros históricos mais visíveis. Muitas vezes, o visitante comum sequer saberá quando o homenageado nasceu ou faleceu, já que os números ou placas com datas são arrancados. No caso de <em>O último adeus</em>, isso me chamou bastante atenção. Na sepultura, a data de morte de Nino aparecia da seguinte maneira: 23-*2-1*4* (onde os asteriscos representam os números arrancados). Tudo que se poderia dizer é que havia morrido na antevéspera do Natal de algum ano na década de 1940. Mas há uma informação que confunde ainda mais. Na base do monumento, lê-se: A. OLIANI &#8211; S. PAULO 30-06-928. Como a estátua teria sido feita em 1928 (não há o “1” no entalhe) se foi encomendada após a morte de Nino, em 1942? Um pouco mais de conhecimento histórico-biográfico e a confusão aumenta. Em 1928, Alfredo Oliani tinha apenas 22 anos de idade e estava iniciando seus estudos. Obra criada em 1928, mas só executada em 1942 após a encomenda? Entalhe feito posteriormente com data errada?</p>
<p style="text-align: justify;">A atenção a esses detalhes levam a novas visitas, às buscas nos arquivos dos cemitérios, ao estudo da vida e da obra dos artistas, à familiarização com seu estilo, ao reconhecimento de outras obras sem que se precise conferir a assinatura&#8230; Histórias pessoais e História da Arte é o que encontramos em cemitérios. São cheios de vida e de vidas.</p>
<p style="text-align: justify;">No próximo texto, um passeio pelo Cemitério São Paulo, mais obras de Oliani e de outros escultores que deixaram sua marca não só nas necrópoles, mas também do lado de fora delas.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>* * * * * *</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Confira <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/category/arte-tumular" target="_self"><strong>todos os textos</strong></a> sobre passeios em cemitérios e arte tumular.<br />
Dezenas de fotos dos cemitérios que visitei no <a href="http://www.flickr.com/photos/artetumular/" target="_blank"><strong>Flickr Arte Tumular</strong></a>.</p>

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		<title>As sereias na casa de Deus (II)</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Oct 2010 01:30:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
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		<description><![CDATA[“Venha! Venha! Chegue! Chegue! Olhe. Bonito, né? Fotografe. Venha, venha&#8230;” Era assim, tocado como um boi desgarrado da manada, que minha guia me fez percorrer, em 20 minutos, praticamente todas as partes da Igreja de São Francisco em João Pessoa &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/10/25/as-sereias-na-casa-de-deus-ii/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/sereias01.jpg"><img class="size-full wp-image-666 aligncenter" style="border: 0pt none; margin-top: 0px; margin-bottom: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/sereias01.jpg" alt="" width="600" height="250" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">“<em>Venha! Venha! Chegue! Chegue! Olhe. Bonito, né? Fotografe. Venha, venha&#8230;</em>” Era assim, tocado como um boi desgarrado da manada, que minha guia me fez percorrer, em 20 minutos, praticamente todas as partes da Igreja de São Francisco em João Pessoa (PB). Vinte minutos que para ela teriam sido cinco se eu não me fizesse de doido e mouco à sua toada sem freio. Ela foi cansando e logo já era um aboio, triste, ao longe, “<em>tchau, moço</em>” e me abandonou ali na porta da, segundo ela, “<em>capela de São Francisco, porque a Igreja mesmo é de Santo Antônio</em>”. Prestes a me ver livre, nem quis discutir. Fica para a próxima saber qual santo é dono de qual parte, quem fica com a nave principal, quem fica com a capela que tem uma vista linda e na qual se pode passar horas somente olhando para o teto.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa minha segunda ida à Igreja de São Francisco foi em busca de suas sereias. Nem sabia que havia tanta coisa linda, além delas, para se ver ali. E há! Na próxima, passarei horas. Esteja avisada, dona venha-venha-chegue-chegue!</p>
<p><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/download/sereias.pdf" target="_blank"><img class="size-full wp-image-667 alignright" style="border: 0pt none;" title="Clique e baixe o artigo completo" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/sereias_pagina.jpg" alt="" width="207" height="279" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Soube das sereias há alguns anos, folheando a edição de 5 de abril de 1952 de <a href="http://www.memoriaviva.com.br/ocruzeiro" target="_blank"><em>O Cruzeiro</em></a>. Um artigo de <a href="http://www.memoriaviva.com.br/cascudo" target="_blank">Câmara Cascudo</a> dava conta da excentricidade. Passei pela igreja no final de 2008, mas só conheci a parte externa. Dessa vez, entrei e fui buscar as mulheres com rabos de peixe no altar do Santíssimo.</p>
<p style="text-align: justify;">Segundo Cascudo, elas estão lá desde 1779 e não são de ordem erótica, mas símbolos funerários. Ele vai a três séculos antes da igreja de Cristo para explicar a ligação da sereia com a morte, em um tempo e lugar onde elas eram seres alados. Sereia com rabo de peixe, parece, é coisa nossa. Ainda assim, faz sentido que essas também estejam relacionadas à morte. Afinal, o que faz uma sereia quando encanta um homem? Também parece estar relacionado aos desejos, a sedução, aos prazeres, à “perdição” que este caminho leva. Arriscaria dizer que pode haver um sincretismo entre arte, regionalismo e religião. Sabe Deus o que as diabinhas do mar estão fazendo lá!</p>
<p style="text-align: justify;">Cascudo também diz que não conhece outro exemplo desse tipo no Brasil. Não dou certeza, mas se não me falha a memória (ela é muito boa, mas falha), também há sereias na entrada da Igreja de São Pedro, em Recife, Pernambuco. Nem preciso dizer que voltarei a ambas para tirar tudo a limpo, não? Por enquanto, fiquem com <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/download/sereias.pdf" target="_blank">o artigo</a> de <em>O Cruzeiro</em>, com as imagens da época e com as que fiz agora (as sereias tiveram pelo menos uma restauração desde então, pelo que sei, no final da década de 1970).</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/sereias02.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-670" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/sereias02.jpg" alt="" width="500" height="435" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/sereias03.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-671" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/sereias03.jpg" alt="" width="500" height="413" /></a></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/igsfran01.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-673" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/igsfran01.jpg" alt="" width="500" height="443" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/igsfran02.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-674" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/igsfran02.jpg" alt="" width="500" height="443" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Mais fotos no <a href="http://twitpic.com/photos/sandrofortunato" target="_blank">Twitpic</a> ou em <a href="http://www.facebook.com/sandrofortunato" target="_blank">meu perfil no Facebook</a>.</strong></p>

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		<title>Dois Búzios</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Jan 2010 19:23:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Estatuária]]></category>
		<category><![CDATA[Fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[Viagem]]></category>

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		<description><![CDATA[Búzios, tem lá e cá. Fica por conta de onde você esteja. Podem também ser lá e lá. Enfim, há Búzios no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Norte. Armação dos Búzios, do Rio de Janeiro, é uma &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/01/07/dois-buzios/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-380" style="border: 0pt none;" title="buzios3h" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/01/buzios3h.jpg" alt="buzios3h" width="600" height="150" /></p>
<p style="text-align: justify;">Búzios, tem lá e cá. Fica por conta de onde você esteja. Podem também ser lá e lá. Enfim, há Búzios no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Norte. Armação dos Búzios, do Rio de Janeiro, é uma península, conhecida internacionalmente graças às visitas de Brigitte Bardot nos anos 60 e, nacionalmente, graças à novela <em>Viver a Vida</em>. Búzios, no Rio Grande do Norte, é uma praia de grande extensão, quase selvagem (pelo menos na faixa de areia), frequentada principalmente por veranistas, boa para surfe, perigosa para banho, perto de falésias e que fica no município de Nísia Floresta, vizinho a Natal.</p>
<p style="text-align: justify;">Há algum tempo, estando em Natal e tendo passado por Búzios do Rio de Janeiro poucos dias antes, comentei sobre a estátua de Brigitte <strong>(1)</strong>. Uma pessoa ficou chocada. Não sabia que havia uma estátua de Brigitte lá. Ela pensou que eu estava falando de Búzios do Rio Grande do Norte e que Brigitte seria um lendário travesti de Natal. A ideia me pareceu interessante.</p>
<p style="text-align: justify;">Na Búzios fluminense, há também Os Três pescadores <strong>(2)</strong>. Se não há estátuas na semi-selvagem Búzios potiguar, há um monumento deixado por sete pescadores nigerianos: <a href="http://www.flickr.com/photos/unsdiasemnatal/4254433392/" target="_self">um navio</a> <strong>(3) </strong>que, segundo consta, teve os motores danificados, ficou à deriva e encalhou por lá.  Isso aconteceu no dia 4 de outubro de 2009. Até agora, nenhuma providência do governo nigeriano ou do brasileiro. A única certeza é que lá pro meio do ano começarão a nascer os primeiros filhos dos nigerianos, que têm comido e sobrevivido graças à bondade das moradoras e moradores do local. Respectivamente.</p>
<p style="text-align: right;">(Fotos: <em></em><em>Três pescadores</em>, Laura Corrêa;<br />
<em>Brigitte Bardot</em> e <em>Navio encalhado</em>, Sandro Fortunato)</p>

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		<title>Em São Paulo</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Nov 2009 01:00:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Estatuária]]></category>
		<category><![CDATA[Fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[São Paulo]]></category>

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		<description><![CDATA[Por questão de sobrevivência, aprendi a não sentir saudades. Mato-a em mim, antes que se manifeste. De pessoas, meus filhos destroem parte dessa defesa. De lugares, tento sufocar o sentimento por Brasília e, admito, estava com saudades de São Paulo. &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/11/16/em-sao-paulo/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/selosp.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-51" style="border:0 none;" title="selosp" src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/selosp.jpg" alt="" width="86" height="80" /></a>Por questão de sobrevivência, aprendi a não sentir saudades. Mato-a em mim, antes que se manifeste. De pessoas, meus filhos destroem parte dessa defesa. De lugares, tento sufocar o sentimento por Brasília e, admito, estava com saudades de São Paulo. Entre 2002 e 2007, costumava passar duas temporadas de aproximadamente duas semanas por aqui. Era o tempo certo de reencontrar “a amante”. A cada seis meses, quando a saudade ameaçava chegar, partia para um novo encontro. Por dois anos, reveses da fortuna me afastaram daqui. No último ano, remarquei a passagem por oito vezes. Desembarquei, finalmente, na segunda, 26 de outubro.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://www.flickr.com/photos/unsdiasemsampa/4109744110" target="_blank"><img class="alignright size-full wp-image-61" style="border:0 none;" title="sp1026_01" src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/sp1026_01.jpg" alt="" width="258" height="188" /></a>Cheguei pouco antes das 7h da manhã. Estava acordado há 24 horas. Descansar? Nem pensar. José Luiz me encontrou no aeroporto e partimos para seu apartamento na Consolação, onde deixei as tralhas. Por volta de meio-dia, estava na rua, partindo em direção à Avenida Paulista. Peguei um ônibus, desci em frente ao Cine Belas Artes, atravessei a <a href="http://www.flickr.com/photos/unsdiasemsampa/4109744750/" target="_blank">Via Libris</a> – passagem sob a Rua da Consolação na qual se reúnem sebistas – e ganhei a Paulista. Até a primeira parada programada, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, fui fotografando a interação homem-concreto e dando atenção a meus temas preferidos como igrejas e estátuas. Fotografei a gigantesca estátua de Francisco de Miranda, que hoje me parece ainda mais perdida, escondida pelas obras do Metrô. Nunca entendi o porquê de um monumento a tal figura no Brasil, ainda mais na Paulista. Desta vez o encontrei com trapos ao redor do pescoço, o que demonstra toda importância e respeito que se tem ao ditador venezuelano.</p>
<p style="text-align:justify;">Mais adiante, fotografei a fachada da portentosa <a href="http://www.flickr.com/photos/unsdiasemsampa/4108980835/" target="_blank">Igreja de São Luís Gonzaga</a>, que fica em um das esquinas da Paulista com Bela Cintra. Em estilo greco-romano, foi erguida na década de 1930 e é um dos oásis no coração financeiro do Brasil. Nunca havia entrado nela e só o faria dois dias depois. Continuando a caminhada, captei algumas imagens do trânsito e de <a href="http://www.flickr.com/photos/unsdiasemsampa/4109746946/" target="_blank">um doidinho</a> que faz de palco um bloco de concreto na esquina da Paulista com a Augusta e passa o dia todo dançando e se exibindo para milhares e milhares de pessoas que passam apressadamente sem dar valor a seus dons autísticos.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://www.flickr.com/photos/unsdiasemsampa/4108982865/" target="_blank"><img class="alignright size-full wp-image-62" style="border:0 none;" title="sp1026_03" src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/sp1026_03.jpg" alt="" width="258" height="188" /></a><a href="http://www.flickr.com/photos/unsdiasemsampa/4108982865/" target="_blank">Livraria Cultura</a>. Anotem: um dia ela será minha. Não, não pretendo comprá-la. Será minha um dia, por algumas horas, durante o lançamento de um livro. A Cultura do Conjunto Nacional é imensa. Como toda megalivraria, há espaços para leitura e se vê mais gente lendo do que comprando. Admito que seja uma opção de ler bons e novos livros que não se poderia comprar, mas eu jamais conseguiria fazer isso. Minha relação com a leitura é muito íntima. Não me importaria em fazer sexo e ser assistido por centenas de pessoas, mas me sentiria extremamente constrangido em ler diante de uma plateia. Quando estamos eu e o livro, esse momento é só nosso. Do andar mais alto da livraria, banquei o voyeur. Vi uma figura folheando um livro, de pé, voltada para a parede (talvez um dos meus, que, ainda com alguma timidez, estivesse se rendendo, pela primeira vez, à cópula em público) e outras, deitadas, lendo despudoradamente.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://www.flickr.com/photos/unsdiasemsampa/4109748462/" target="_blank"><img class="alignright size-full wp-image-63" style="border:0 none;" title="sp1026_04" src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/sp1026_04.jpg" alt="" width="258" height="188" /></a>A ida à Cultura, além de me torturar por não poder sair de lá com alguns carrinhos de supermercado cheios de livros, foi para ver a exposição <a href="http://www.flickr.com/photos/unsdiasemsampa/4109749118/" target="_blank"><em>Como a indústria do fumo enganou você</em></a>. Era o último dia. A exposição foi originalmente aberta na Universidade de Stanford, em janeiro de 2007, e é fruto da pesquisa de dois professores daquela instituição: o médico Robert Jackler e o historiador Robert Proctor. São 63 reproduções de anúncios veiculados na imprensa americana, entre 1920 e 1950, mostrando bebês, médicos e até o Papai Noel incentivando o uso do cigarro. Não creio que tenha sido coincidência ter sido montada em São Paulo nesses primeiros tempos de lei antifumo (a propósito, como ficou desconfortável andar pelas ruas de São Paulo! Há sempre grupos com suas nuvens de fumaça nas calçadas). Acabei me dando conta de que sempre evitei mostrar os anúncios de cigarro no <em>site </em>da revista <a href="http://www.memoriaviva.com.br/ocruzeiro" target="_blank"><em>O Cruzeiro</em></a>. Atualmente, há mais de 120 peças na seção <em>Propaganda</em>. Nenhuma de cigarro. Aqui também havia esse tipo de apologia, principalmente com gente bonita e praticando esporte. Como nunca cheguei a digitalizar esse tipo de anúncio, vou procurar em meus arquivos físicos e fazer uma exposição virtual, em 2010, no <em>site</em> de <em>O Cruzeiro</em>. Por ora, compare as propagandas que estão lá com as da exposição<em> Como a indústria do fumo enganou você</em>, que podem ser vista em <a href="http://tobacco.stanford.edu" target="_blank">http://tobacco.stanford.edu</a>. Perceba como a publicidade da época tinha a mesma cara nos Estados Unidos e no Brasil.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/sp1026_05.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-64" style="border:0 none;" title="sp1026_05" src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/sp1026_05.jpg" alt="" width="258" height="188" /></a>De lá, ainda andei até a altura do Masp e entrei no Parque Trianon. Para quem não sabe, o Trianon já foi um grande ponto de michê. De péssima fama, foi muito falado nos anos 80, quando um garoto de programa matou vários clientes. Na última década, tornou-se um lugar controlado. Só metade dos doze portões fica aberta, há seguranças com rádio, zeladores, uma base da guarda municipal e o local fecha às 18h, antes de escurecer. O Trianon não perde o aspecto sombrio. Árvores altas, fechadas, não permitem ver a São Paulo de cimento. Boa parte de seus frequentadores parecem buscar algo que já não existe ali. Não foi uma ironia. É uma impressão forte mesmo. A solidão está nos olhos de muitos dos que sentam para descansar, ler, dormir, buscar um programa. Vou lamentar eternamente um momento, nesse dia, que não me permiti fotografar. Em um banco, um casal de colegiais se entregava firmemente ao propósito de engolir um ao outro. O rapaz, alto, magro, cabelos curtos. A garota, uma figura felliniana, branca, coxas grossas, seios grandes. Em um banco próximo, um judeu ortodoxo, estático, olhava a cena. Não havia reprovação em seu olhar. Havia, sim, um desejo reprimido, um quase não acreditar que aquilo pudesse existir.  Dois mundos separados por três metros de pedrinhas e séculos de culturas diferentes. Tão perto, tão longe. Quis registrar o instante, mas senti que não poderia roubar a volúpia dos amantes nem o anseio contido do jovem solitário.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/sp1026_06.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-65" style="border:0 none;" title="sp1026_06" src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/sp1026_06.jpg" alt="" width="258" height="270" /></a>Continuei a caminhada pelo parque com a intenção de fotografar (novamente, pois já fiz isso outras vezes) as estátuas que ficam nele. Dentro, <em><a href="http://www.flickr.com/photos/unsdiasemsampa/4108985537/" target="_blank"><em>O Fauno</em></a></em>, de Victor Brecheret, e <a href="http://www.flickr.com/photos/unsdiasemsampa/4109751382/" target="_blank"><em>Aretuza</em></a>, de Francisco Leopoldo da Silva. Não é de se admirar que com a representação de uma figura mítica libidinosa como o fauno, o Trianon se transformasse em um local de busca por prazer sexual. <em>O Fauno</em> de Brecheret está lá desde 1942, ano em que o parque completou meio século. <em>Aretuza</em>, de seu colega de ofício e estudos, Francisco Leopoldo, também ajuda na mística ligada ao sexo, desdenhando os homens, o casamento e os prazeres.  Logo na entrada principal do Parque, há também um busto sem qualquer identificação de quem representa. Assinado por R. de Mingo (Roque de Mingo), em 1952. Trata-se de uma homenagem a José Eugênio de Lima, engenheiro que idealizou a Avenida Paulista. Fora do Parque, do lado da Avenida Paulista, há o monumental <em>Anhanguera</em>, obra de 1935, do escultor italiano Luigi Brizzolara.</p>
<p style="text-align:justify;">A escultura e a fotografia estariam presentes e intimamente ligadas durante esses quinze dias em São Paulo, como veremos nos próximos textos. Neste primeiro dia, já bem cansado, ainda passei pelo Reserva Cultural e caminhei sob chuva fina e insistente por toda Paulista e Consolação. Cheguei, desmaiei e me preparei para o dia seguinte.</p>

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		<title>Golden Shower</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Oct 2009 11:40:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Estatuária]]></category>

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		<description><![CDATA[O boneco do posto recebeu uma chuva dourada. Abandono toda e qualquer sutileza para falar da sacanagem a José Augusto colocada em frente à Assembleia Legislativa, em Natal (RN). A foto à esquerda mostra a tronchura em execução, no início &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/10/12/golden-shower/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2009/10/jaugusto2.jpg" alt="jaugusto2.jpg" /></p>
<p align="justify">O boneco do posto recebeu uma chuva dourada. Abandono toda e qualquer sutileza para falar da sacanagem a José Augusto colocada em frente à Assembleia Legislativa, em Natal (RN).</p>
<p align="justify">A foto à esquerda mostra <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/08/05/ao-gosto-de-cada-um/">a tronchura em execução, no início de agosto</a>. Há duas semanas, passei por lá e a encontrei coberta por sacos pretos de lixo. Cheguei a pensar que, em um lampejo de lucidez, tivessem resolvido dar fim a ela. Escondido ao menos. Não. Era para esperar a inauguração e talvez não assustar mais ninguém até lá. Descoberta, a peça de cimento ganhou uma pintura metálica para parecer de bronze. Tão realista e convincente quanto a pretensão de representar um ser humano.</p>
<p align="justify">Impressiona-me que durante todo o processo não tenha surgido um parente, um jornalista, um artista, alguém de bom gosto ou que tivesse pelo menos um olho, mesmo que míope, que bradasse: “<em>Pare, por respeito a José Augusto!</em>”.  Já vi muita aberração travestida de estátua, mas essa bate todas.</p>
<p align="justify">Não culpo o artista e nem mesmo quem teve a ideia de convidá-lo. Coloco como único responsável – porque o é em última instância – o presidente da Casa, deputado Robinson Faria, que, espero, não permita que se faça mais nada parecido.</p>
<p align="justify">Se não serve como homenagem, nem como bom exemplo de estatuária, deve servir como monumento à diversão. A poucos metros do Beco da Lama, ponto de encontro da boêmia natalense, José Augusto sempre terá companhia. E você sabe: depois de umas cervejas, tudo fica mais bonito.</p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="center"><a href="http://twitpic.com/l31y9" title="Clique para ampliar." target="_blank"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2009/10/jaugusto3.jpg" alt="jaugusto3.jpg" border="0" /></a></p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback3.jpg" usemap="#Map3" border="0" height="25" /></center><br />
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		<title>Ao gosto de cada um</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Aug 2009 02:52:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Estatuária]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[Não gosto de cubismo. Gosto de Cézanne, gosto de Picasso, mas não gosto de seus momentos geométricos. Acho tudo meio troncho, meio anormal. Não que seja feio. Eu que não gosto. Não que não seja muito bem feito e não &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/08/05/ao-gosto-de-cada-um/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2009/08/estatuas_p7set.jpg" alt="estatuas_p7set.jpg" border="0" /></p>
<p align="justify">Não gosto de cubismo. Gosto de Cézanne, gosto de Picasso, mas não gosto de seus momentos geométricos. Acho tudo meio troncho, meio anormal. Não que seja feio. <strong>Eu que não gosto.</strong> Não que não seja muito bem feito e não tenha seu valor. Repito: <strong>eu que não gosto</strong>. Gosto é como aquilo que você está pensando. Cada um tem o seu. E nem isso é igual. Uns são mais bonitinhos, outros mais estranhos&#8230;</p>
<p align="justify">Também não gosto daqueles quadrões ditos modernos com pinturas que parecem uma variação tresloucada, assimétrica e muito colorida do Teste de Rorschach. Tem quem goste. Eu não.</p>
<p align="justify">Gosto do convencional, do clássico, do realismo. Gosto de olhar uma pintura e me perguntar se é mesmo uma pintura ou uma foto. E descobrir que uma foto não retrataria tão perfeitamente a realidade. Gosto das estátuas que parecem ter sido moldadas em corpos perfeitos. Tão perfeitas como poucos corpos conseguem ser. E o são por pouco tempo. Elas, as estátuas, são para sempre. Eternizam a beleza e a perfeição.</p>
<p align="justify">É o meu gosto e, se não for bom, deixem-me na ilusão. Adoro apreciar as dezenas de estátuas na Cinelândia e na Praça Paris, no Rio. Nativas francesas ou suas descendentes, feitas nas fundições cariocas. Em Natal<strong> </strong>(RN), onde estou no momento, também há várias dessas. Belos exemplos da estatuária francesa como as que estão na Ribeira, no Teatro Alberto Maranhão, na antiga Secretaria de Segurança e também na praça, com a bela homenagem a Augusto Severo. Há também exemplares dessa arte bem aprendida e desenvolvida por aqui, como a homenagem ao primeiro centenário da Independência (no alto, foto à esquerda), ali na Praça Sete de Setembro, na Cidade Alta. Feita em 1922, é digna representante do bom gosto da época.</p>
<p align="justify">Bom gosto que parece ter desaparecido em meados do século XX, quando a arte estatuária começou a perder posições e a ideia de “monumento” mudou consideravelmente. Se antes eram construídos para homenagear, passaram, em muitos casos, a sacanear alguém.</p>
<p align="justify">Mas ainda erguem-se estátuas. Não com tanta regularidade, não com tanto bom gosto, mas elas ainda surgem. Em Natal mesmo, a poucos metros da outra já mencionada (a do centenário da Independência), feita na Fundição Cavina, a mesma que costumava moldar obras do mundialmente conhecido e admirado Rodolfo Bernardelli, logo ali na esquina da Assembléia Legislativa, está sendo erguida uma (foto no alto, à direita) em memória de José Augusto, personalidade política e cultural das mais expressivas da História do Rio Grande do Norte.</p>
<p align="justify">Certamente haverá alguém que goste dela.</p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback3.jpg" usemap="#Map3" border="0" height="25" /></center></p>
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		<title>Diário de São Pedro (VI)</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Jul 2009 21:12:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte tumular]]></category>
		<category><![CDATA[Cemitérios]]></category>
		<category><![CDATA[Estatuária]]></category>
		<category><![CDATA[São Pedro da Aldeia]]></category>
		<category><![CDATA[Viagem]]></category>

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		<description><![CDATA[Dentre as coisas que gosto e sempre há em todo lugar, estão igrejas e cemitérios. Há algum tempo, folheando uma edição de 1930 de O Cruzeiro, encontrei a foto (acima, à esquerda) de uma igreja em São Pedro da Aldeia. &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/07/23/diario-de-sao-pedro-vi/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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<p>Dentre as coisas que gosto e sempre há em todo lugar, estão igrejas e cemitérios. Há algum tempo, folheando uma edição de 1930 de <em><a href="http://www.memoriaviva.com.br/ocruzeiro" target="_blank">O Cruzeiro</a></em>, encontrei a foto (acima, à esquerda) de uma igreja em São Pedro da Aldeia. Isso foi depois de minha última vinda para cá, no final de 2007. Trata-se da <a href="http://twitpic.com/9x8tb" target="_blank">Igreja Matriz de São Pedro da Aldeia</a>.</p>
<p><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2009/07/igrejaspa2.jpg" border="0" alt="" align="right" />A construção é de meados do século XVIII. Há quem diga que foi concluída em 1783. No site da paróquia, em um texto confuso, fala-se em 1748, mas também não dá certeza. Por lá, só me disseram que “<em>aaaaaaah! é muito antiga</em>”. Isso é um trabalho para o Sandro-Memorialista, mas quem passou por lá foi o Sandro-Turista. Fico devendo. Fica para a próxima.</p>
<p>A Aldeia de São Pedro foi fundada por jesuítas em 1617. A igreja, como de costume, fica no ponto mais alto e a cidade se desenvolveu ao seu redor. Na sua frente, desde 1887, há outra igreja. Pelas datas gravadas no frontispício, deve ter sido concluída em 1941. A mais antiga ameaçava cair. Está aí até hoje, talvez não tão firme nem tão forte, mas ainda de pé, após mais de duzentos anos.</p>
<p>Por fora, a igreja parece grande. A nave, porém, é pequena. Quatro pares de colunas, duas fileiras com aproximadamente vinte bancos e já se chega ao altar. Chegando lá, à esquerda há uma pequena capela; à direita, a sacristia, que dá passagem para um espaço mais amplo, cercado, a céu aberto, onde fica o cemitério.</p>
<p>Não parecesse tão impróprio, diria que é o cemitério mais aconchegante que já vi: pequeno, protegido, arborizado, com algumas estátuas. Parece mesmo um jardim santo. Como <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/06/15/o-primeiro-marmore/">já disse aqui</a>, até meados do século XIX era costume enterrar os mortos nas igrejas e arredores. O túmulo mais antigo que vi nesse pequeno cemitério aponta um sepultamento em 1847. “<em>Aqui jazem os restos mortaes de D. Joaquina Maria Thereza &#8211; Fallecida a 5 de outubro de 1847 &#8211; e do Comendador Manoel de Souza Teixeira, fallecido a 2 de novembro de 1856</em>”. A construção representa um pequeno templo sustentado por quatro colunas. Ao centro, uma urna com pés. Sobre ela, um crânio sem a mandíbula. Meio macabro, mas levemos em conta a concepção de morte para os católicos do século XIX. Aparentemente é todo em mármore e muito bem executado, como toda a estatuária do pequeno cemitério. Há vários outros monumentos lá: urnas, <a href="http://twitpic.com/9x989" target="_blank">representações de anjos</a>, santos, melancolia, etc.</p>
<p><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2009/07/igrejaspa4.jpg" border="0" alt="" align="left" />Não pude observar os hábitos dos católicos de São Pedro. Fiquei adiando uma ida à missa e só uma única vez estive perto da igreja, em um domingo, quando os sinos bateram seis da tarde. Mas a missa seria uma hora depois. Em outra noite, vi algumas pessoas chegando para um casamento. <a href="http://twitpic.com/a2c6a" target="_blank">O templo tem uma iluminação modernosa</a> que não é afetada pelas pequenas construções ao redor.</p>
<p>Por pura preguiça (pecado capital!), também não fui a pelo menos uma das missas rezadas aos sábados, aqui mesmo na Praia da Pitória, a poucos passos, na Igreja Filial de São Pedro. <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/07/10/diario-de-sao-pedro-iii/">Anteriormente expliquei esse termo</a> que nunca havia visto. Na Praia do Sol também tem outra Filial, sendo que é de Nossa Senhora das Graças. Cercada por grades pontiagudas, parece bem menos cordial que as outras.  No entanto, em minha única passagem por lá, no meio da tarde de uma quinta, eu a encontrei aberta. Pode ter sido coincidência. Na Filial de São Pedro, quinta também é o dia em que há uma prece, no início da noite. Fora isso, só abre para a missa de sábado.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>** Confira mais fotos em <a href="http://twitpic.com/photos/sandrofortunato" target="_blank">http://twitpic.com/photos/sandrofortunato</a> **</p>
<p><img usemap="#Map3" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback3.jpg" border="0" alt="" height="25" /></p>
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		<title>O primeiro mármore</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Jun 2009 04:28:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte tumular]]></category>
		<category><![CDATA[Cemitérios]]></category>
		<category><![CDATA[Estatuária]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[Independente de sua idade, leitor, os “cemitérios clássicos” – com túmulos, lápides, etc – já não eram novidade quando você nasceu. No entanto, em termos históricos, eles são bem novos, principalmente aqui no Brasil. Eles começaram a surgir na metade &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/06/15/o-primeiro-marmore/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/marmore1.jpg" border="0" width="600" height="225" /></p>
<p align="justify">Independente de sua idade, leitor, os “cemitérios clássicos” – com túmulos, lápides, etc – já não eram novidade quando você nasceu. No entanto, em termos históricos, eles são bem novos, principalmente aqui no Brasil. Eles começaram a surgir na metade do século XIX, portanto, há pouco mais de 150 anos. Na década de 1970, esse modelo começou a ser deixado de lado (estou falando sempre do Brasil). Surgiram fornos crematórios e cemitérios-parques. Portanto, os grandes “cemitérios clássicos” nasceram por volta de 1850 e se desenvolveram por aproximadamente 120 anos. Como sempre costumo lembrar, são museus a céu aberto.</p>
<p align="justify">Temos cemitérios mais antigos, criados no início do século XIX. São cemitérios ingleses. Por que ingleses? Por que vieram antes? Com predominância católica, antes de termos cemitérios públicos, o costume era enterrar os corpos nas igrejas – dentro ou ao redor delas. Os ingleses, anglicanos ou de outra corrente protestante, construíram seus próprios cemitérios. Na década de 1830, havia também cemitérios de escravos. Somente no início da segunda metade do século XIX começamos a ter cemitérios públicos. Em 1856, o ano da cólera, foi definitivo para a criação de vários para que o monte de cadáveres tivesse lugar de descanso. O Cemitério do Alecrim, em Natal (RN), é deste ano.</p>
<p align="justify">Em <a href="http://www.memoriaviva.com.br/cascudo/actadiurna" target="_blank">Acta Diurna</a> de 17 de outubro de 1942, <a href="http://www.memoriaviva.com.br/cascudo" target="_blank">Câmara Cascudo</a> fala da primeira lápide e do primeiro mármore do Cemitério do Alecrim. A respeito do último, diz o seguinte:</p>
<blockquote><p><em>O mais antigo, o primeiro túmulo de mármore que se erigiu no Cemitério do Alecrim, é o terceiro, à esquerda de quem entra.</em><br />
<em>Representa uma mulher grega, em atitude de meditação e de cisma, olhando uma urna, a urna bem clássica que devia conter as cinzas.</em><br />
<em>É o túmulo de Manuel Gabriel de Carvalho, falecido em Natal no ano de 1872.</em><br />
<em>Veio de Portugal já pronto. A construção do sepulcro foi feita pelo arquiteto Frederico Skinner (&#8230;)</em><br />
<em>Seu túmulo é um dos mais bonitos pela simplicidade, nitidez e perfeição.</em><br />
<em>No meio de tanta vaidade em pedra e mármore, em cimento e tijolo, ressalta a linha pura d’aquela figura grega, pensativa e concentrada.</em><br />
<em>Se não estivesse pensando, desde 1872, na morte de Manuel Gabriel de Carvalho, diria eu que ela, sendo grega e sábia, lamentaria, silenciosamente, a existência de tanta inutilidade com que o orgulho dos Vivos enfeita a modéstia dos Mortos&#8230;</em></p></blockquote>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/marmore2.jpg" align="right" border="0" width="328" height="240" />Sessenta e sete anos depois da crônica de Cascudo, 137 após a construção do túmulo, onde está a mulher grega? Creio que tenha sido roubada. Pela descrição de Cascudo, a figura devia ficar na parte superior da construção. Essa parte de cima, pesadíssima, foi arrancada e, até poucos dias, quando estive lá, estava no chão por detrás do túmulo. Bem no meio, percebe-se que uma parte foi quebrada. O mármore resiste ao sol, ao vento, às chuvas, mas não ao homem.</p>
<p align="justify">No mesmo dia em que vi isso, andei um pouco pelo cemitério e vi vários outros túmulos, mais simples, se desmanchando devido às recentes chuvas. Esse é o destino de muitos cemitérios públicos: o abandono, o desmoronamento, o roubo. Totalmente desprovidos de administração, estão fadados a desaparecer. Com túmulos perpétuos, pertencentes a famílias que os compraram há décadas, sem qualquer espaço há muitos anos, não dão qualquer lucro. Só uma administração compromissada com a História e com alguma consideração às pessoas que ali foram enterradas e a seus familiares se mexeria para fazer alguma coisa. Administrações inteligentes, em outros lugares – alguns aqui no Brasil –, já despertaram para o potencial turístico que esses centros históricos e culturais possuem.</p>
<p align="justify">Se isso não acontecer, o destino do Cemitério do Alecrim e de outros museus desse tipo é a pior das mortes: a da nossa própria memória.</p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback3.jpg" usemap="#Map3" border="0" height="25" /></center></p>
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		<title>Era para ser assim</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/05/28/era-para-ser-assim/</link>
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		<pubDate>Thu, 28 May 2009 20:57:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Estatuária]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[Lembra do busto de Manoel Dantas mostrado no texto Em verdade, vos digo&#8230;? Era para ser assim, como o da foto à direita. A imagem mostra o original, em bronze, feito por Hostílio Dantas, em 1930, e que se encontra &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/05/28/era-para-ser-assim/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/manoeld.jpg" border="0" width="600" height="268" /></p>
<p align="justify">Lembra do busto de <a href="http://www.memoriaviva.com.br/manoeldantas" target="_blank"><strong>Manoel Dantas</strong></a> mostrado no texto <em><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/05/24/em-verdade-vos-digo/">Em verdade, vos digo&#8230;</a>?</em> Era para ser assim, como o da foto à direita. A imagem mostra o original, em bronze, feito por Hostílio Dantas, em 1930, e que se encontra na casa de <strong>D. Sílvia Ramalho Dantas</strong>, viúva de <strong>Osório Bezerra Dantas</strong>, filho mais novo do homenageado.</p>
<p align="justify">Sabe a velha história de escrever no mármore aquilo que se quer lembrar e na areia o que se quer esquecer? Cabe bem em se tratando de monumentos. O bronze é para sempre. O busto original completará 80 anos no próximo ano e, tendo estado a salvo do sol e da chuva, está como novo. A réplica, em gesso, colocada em uma área externa da Escola Estadual Manoel Dantas, provavelmente nos anos 1970, é o contraponto da mesma lição.</p>
<p align="justify">O “<em>provavelmente</em>” sobre a época de sua instalação deixo por conta, por enquanto, do não aprofundamento de minhas pesquisas. Nos próximos dias, devo contar com a memória da mais antiga funcionária do colégio e, em seguida, com a sorte de haver algum registro na Secretaria de Estado da Educação e da Cultura. Digo “<em>sorte</em>” porque nem sempre é possível encontrar documentos que comprovem datas em órgãos oficiais. Mofo, extravio, perda em mudanças, incêndios, falta de cuidado&#8230; Tudo contribui para a falta de memória.</p>
<p align="justify">Tivesse eu raízes em Natal, daquelas impossíveis de remover como as de <a href="http://www.memoriaviva.com.br/cascudo" target="_blank"><strong>Cascudo</strong></a>, ficaria por mais tempo e tocaria outros projetos relacionados à memória da cidade. Um deles seria sobre as antigas escolas. Pesquisa de fôlego, pois algumas merecem livros exclusivos.</p>
<p align="justify">Na capital potiguar, está o estabelecimento de ensino público mais antigo do país: o <strong>Atheneu Norte-Riograndense</strong>. Fundado em fevereiro de 1834 (quase quatro anos antes do afamado D. Pedro II, no Rio de Janeiro), continua em atividade. Nem sempre esteve onde está. Teve outras duas sedes antes da construção do complexo em X inaugurado em 1954.</p>
<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/atheneu1.jpg" border="0" width="450" height="267" /></p>
<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/atheneu2.jpg" border="0" width="450" height="300" /></p>
<p align="justify">A foto mais antiga deve ser de <strong>Jaeci Emerenciano</strong>, responsável pelo registro fotográfico de muitas décadas da História da cidade. A mais recente, feita em maio de 2005, é de <a href="http://canindesoares.blog.digi.com.br/blog/?s=busto" target="_blank"><strong>Canindé Soares</strong></a>. Hoje a construção tem outra cor e está cercada por mais prédios.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/geaseve.jpg" align="right" border="0" width="326" height="240" />Ainda mais importante, a meu ver, é o prédio do <strong>Grupo Escolar Augusto Severo</strong>. A instituição pode não ter tido vida longeva, mas seu prédio existe há 101 anos. A seu respeito, há um ótimo trabalho de pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo (UFRN), de autoria de <strong>Ana Zélia Maria Moreira</strong>, concluído em 2005, que merece chegar às mãos do público em geral. O exemplo deveria ser seguido em relação a outras edificações e escolas. Atualmente, o prédio centenário, pelo qual já passaram também a antiga Faculdade Direito e a Secretaria de Segurança Pública, está fechado, morto, com suas belas estátuas testemunhando o lento processo de revitalização do bairro da Ribeira e sonhando com o dia que chegará sua vez.</p>
<p align="justify">Quem se habilitar a manter vivas tais histórias, por favor, dê um passo a frente.</p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback3.jpg" usemap="#Map3" border="0" height="25" /></center></p>
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		<title>Estátuas que andam</title>
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		<pubDate>Tue, 26 May 2009 22:46:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Estatuária]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[Parado como uma estátua não é uma expressão sempre aplicável. A lebre foi levantada pelo professor Edgard Ramalho Dantas, neto de Manoel Dantas, aquele do busto desfigurado sobre o qual falei no texto anterior. “Natal é um dos poucos lugares &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/05/26/estatuas-que-andam/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/eacasc.jpg" border="0" width="600" height="225" /></p>
<p align="justify"><strong><em>Parado como uma estátua </em></strong>não é uma expressão sempre aplicável. A lebre foi levantada pelo professor <strong>Edgard Ramalho Dantas</strong>, neto de <a href="http://www.memoriaviva.com.br/manoeldantas" target="_blank"><strong>Manoel Dantas</strong></a>, aquele do busto desfigurado sobre o qual falei no <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/05/24/em-verdade-vos-digo/">texto anterior</a>. “<em>Natal é um dos poucos lugares do mundo em que monumento passeia e estátua anda</em>”, sentenciou ele em mensagem enviada por correio eletrônico. E não é que é verdade?</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/eapedrov.jpg" align="right" border="0" width="206" height="267" />O exemplo mais conhecido é o da Coluna Capitolina, presente dado por Mussolini e que já passeou por vários pontos da cidade. Eu a conheci nos anos 80, sob o viaduto do Baldo, mas ela já havia estado em outros lugares. Pensaram até em devolvê-la à Itália. Pura pilhéria. Acho. Hoje está em uma praça em frente ao Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, na Cidade Alta, incrustada de um jeito a inibir futuras remoções, lícitas ou não.</p>
<p align="justify">A quase centenária escultura de <strong>Pedro Velho</strong>, primeiro governador do Rio Grande do Norte, mesmo desprovida de pernas (é um busto), já passeou pela cidade, acompanhada e provavelmente ajudada pela figura feminina (esta com pernas) que faz parte do monumento. Originalmente colocada na <em>Square </em>Pedro Velho (há cem anos, Natal já se rendia a tudo que é de fora), atual Praças das Mães. Era previsto que ficasse li só enquanto a Praça Pedro Velho (a Praça Cívica) era terminada. Mas foi ficando, ficando e só removida muitas décadas depois. Na já velha nova praça, também ficou em mais de um lugar. Agora está de frente para a Avenida Prudente de Morais e, durante os desfiles militares da Semana da Pátria, fica escondida por um enorme palanque.<br />
<font color="#ffffff">.</font></p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/eaestud.jpg" align="left" border="0" width="206" height="267" />Outros dois casos interessantes são de casais. Explico. No primeiro, as <strong>estátuas representando dois estudantes</strong> ficavam no Grupo Escolar Augusto Severo, no bairro da Ribeira. Tendo sido o prédio ocupado pela Secretaria de Segurança, ficou sem sentido a permanência dos pequenos estudiosos, que em nada se assemelham a delinquentes. Acabaram no Colégio Estadual Winston Churchil, na Cidade de Alta. Vale lembrar que os meninos e também Pedro Velho foram fundidos na França, portanto, as andanças começaram antes mesmo de terem um primeiro local para se aquietarem e desempenharem o papel de monumento.</p>
<p align="justify"><strong>O segundo casal é de namorados.</strong> Estão enroscadinhos em um abraço e colados por um beijo que já dura mais de três décadas. Estes nasceram em Natal mesmo, pelas mãos de Etewaldo. Mas assim como os casais de carne e osso que procuravam o bosque para momentos românticos, os namorados foram importunados e tiveram que mudar de lugar. Ficaram ali mesmo no Bosque dos Namorados, mas em lugar de menor destaque. <img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/eanamora.jpg" align="right" border="0" width="206" height="267" />No ano passado, outra mudança. Agora estão logo na entrada, ao lado de uma salinha para informações construída em 2006 e responsável por desalojar o casal. Lá, como era de se esperar, não sabem informar nada sobre a história do casal.<font color="#ffffff"><br />
</font></p>
<p align="justify">Um caso curioso é o da estátua de <a href="http://www.memoriaviva.com.br/cascudo" target="_blank"><strong>Câmara Cascudo</strong></a>, que fica em frente ao Memorial que leva seu nome, na Cidade Alta. Instalada em 1987 sobre uma acolhedora e gigantesca mão, ficou em paz até novembro de 2003, quando foi laçada e derrubada. Não conseguiram concretizar o sequestro. Livrou-se de ser derretida. Subiu as escadarias do Memorial e passou uns dias lá, esperando ser chumbada de volta. Fui o único a registrar esses poucos dias em que passou abrigada. Da janela do sobrado, a estátua olhava, saudosa de seu lugarzinho ao sol. Essa não foi muito longe. Já a de Dinarte Mariz, no início da Via Costeira, corre um risco danado, até porque parece estar pedindo carona.</p>
<p align="justify">Conheço ainda outro caso, fora de Natal, de uma estátua andante. É a de John Lennon que, da última vez que vi, estava em algum lugar da Universidade de Brasília (UnB). E aí na sua cidade? Você conhece alguma estátua que anda?</p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback3.jpg" usemap="#Map3" border="0" height="25" /></center></p>
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		<title>Em verdade, vos digo&#8230;</title>
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		<pubDate>Sun, 24 May 2009 03:19:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Bastidores]]></category>
		<category><![CDATA[Estatuária]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[A edição deste domingo, 24 de maio, da Tribuna do Norte traz duas páginas com matéria sobre o abandono sofrido pelos monumentos em Natal (RN). Texto e fotos fazem um rápido passeio por marcos nos bairros mais centrais e, ao &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/05/24/em-verdade-vos-digo/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/bustdepre.jpg" border="0" width="600" height="326" /></p>
<p align="justify">A edição deste domingo, 24 de maio, da <em>Tribuna do Norte</em> traz duas páginas com matéria sobre <strong>o abandono sofrido pelos monumentos em Natal</strong> (RN). Texto e fotos fazem um rápido passeio por marcos nos bairros mais centrais e, ao final, dá voz à Semsur – Secretaria de Serviços Urbanos, órgão da Prefeitura do Natal responsável pela conservação dos monumentos.</p>
<p align="justify">A matéria termina da seguinte forma:</p>
<blockquote>
<p align="justify"><em>Segundo ele </em>[o secretário adjunto da Semsur]<em>, um historiador e um fotógrafo já estão preparando o inventário sobre os problemas, as necessidades e a história de cada monumento. Ainda não há prazo para o início do trabalho.</em></p>
</blockquote>
<p align="justify"><strong>O historiador e o fotógrafo</strong> em questão são, respectivamente, eu, <strong>Sandro Fortunato</strong>, jornalista (ou ex, como prefiro), memorialista, historiador por amor e capricho pessoal, e <strong>Canindé Soares</strong>, não “<em>um</em>”, mas “<em>O</em>” fotógrafo, senhor de vasta obra da qual será impossível escapar ao se pesquisar sobre a História da cidade do Natal das últimas três décadas e das próximas. <em>That’s my man!</em> Ele é O Cara! Prazer, somos nós. <strong>Ainda nem viramos estátuas para sermos esquecidos.</strong></p>
<p align="justify">Para que fique bem claro que bronze não é gesso, o tal <strong>trabalho, que desenvolvemos desde fevereiro, é pessoal, autofinanciado e tem como finalidade mostrar, em livro, quem são as quase sempre esquecidas figuras homenageadas com estátuas, busto e efígies na cidade do Natal</strong>. Estamos <strong>em fase de conclusão de pesquisa</strong>, isto é, já chegando ao final do levantamento do que existe e, em breve, partindo para a edição dos textos (minha área) e escolha de fotos (feitas pel’O Cara).</p>
<p align="justify">Por meio de nota na coluna de <strong>Cassiano Arruda</strong>, na edição de <strong>1º de março</strong> do jornal <em>O Poti</em>, portanto <strong>há quase três meses</strong>, a Semsur soube de nosso trabalho e nos chamou para uma conversa. Na ocasião, o órgão demonstrou interesse em estender a pesquisa aos demais monumentos da cidade (nosso foco são apenas estátuas, bustos e efígies que representem alguma personalidade real). Para isso, seríamos patrocinados, contratados ou qualquer coisa legal que incentivasse a realização desse <strong><em>novo</em> projeto que, em parte, coincide com o trabalho que já vínhamos desenvolvendo</strong>. Até o presente momento, isso não foi fechado. Na última reunião, há poucos dias, na qual só Canindé participou, isso parece ter tomado rumos de ser viabilizado.</p>
<p align="justify"><strong>Resumindo e deixando bem claro: </strong>meu projeto em parceria com Canindé foi iniciado em fevereiro de 2009, está indo muito bem, obrigado, e já partindo para a fase de edição. O objetivo é publicar um livro mostrando quem são as personalidades representadas por estátuas, bustos e efígies em Natal. Ponto.</p>
<p align="justify">Quem visita nossos <em>blogs</em> sabe disso há meses e tem acompanhado a evolução do trabalho.</p>
<p align="justify">Mais um adendo. A pressa em “fechar matéria” geralmente impossibilita o aprofundamento da pesquisa. Na matéria da <em>Tribuna</em>, são mostrados <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/03/30/turismo-historico-cultural-e-tres-velhos-bigodudos/"><strong>o busto de Pedro Velho e a estátua de Augusto Severo</strong></a>, duas belíssimas obras francesas, quase centenárias, <strong>criadas para resistir a todas as intempéries, incluindo a mais cruel delas: o desprezo humano</strong>. Já passaram por dezenas de administradores, prefeitos, secretários; passarão por outros tantos e continuarão lá quando os bisnestos dos atuais já não andarem sobre a terra. <strong>O abandono tem outra cara.</strong> Muito mais feia. Ou se poderia dizer que nem tem cara, pois desfigura até as obras que foram feitas com o objetivo de perpetuar a memória de alguém. Que o digam o <strong>Padre João Maria</strong> e o jornalista e advogado <strong>Manoel Dantas</strong>, figuras sem rostos, esquecidas por quase todos. São deles os bustos deformados que abrem este texto.</p>
<p align="justify"><strong>Para ver todos os posts relacionados a nosso trabalho de pesquisa:</strong></p>
<p align="justify">No <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/category/estatuaria/">Sempre Algo a Dizer</a></p>
<p align="justify">No <a href="http://canindesoares.blog.digi.com.br/blog/?s=busto" target="_blank">Blog de Canindé Soares</a></p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback3.jpg" usemap="#Map3" border="0" height="25" /></center></p>
<map name="Map3">
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		<title>O busto de Juvino Barreto</title>
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		<pubDate>Sun, 19 Apr 2009 17:47:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Estatuária]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[  Domingo de sol, convidados, autoridades, parentes, discurso, aplausos. Se não com a pompa de outrora, pelo menos as circunstâncias estavam presentes na inauguração do busto de Juvino Barreto, na manhã deste domingo. A escultura foi colocada no pátio e &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/04/19/o-busto-de-juvino-barreto/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"> <img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/juvino1.jpg" width="600" border="0" height="250" /></p>
<p align="justify">Domingo de sol, convidados, autoridades, parentes, discurso, aplausos. Se não com a pompa de outrora, pelo menos as circunstâncias estavam presentes na inauguração do <strong>busto de Juvino Barreto</strong>, na manhã deste domingo.</p>
<p align="justify">A escultura foi colocada no pátio e próximo à entrada do prédio do <strong>Instituto Juvino Barreto</strong>, abrigo para idosos, localizado na Avenida Almirante Alexandrino de Alencar, próximo à junção dos bairros de Lagoa Seca, Barro Vermelho e Alecrim. O freguês escolhe.</p>
<p align="justify">No pedestal, há uma placa na qual se lê:</p>
<blockquote>
<p align="justify"><em>Juvino Cézar Paes Barreto (1847-1901) é não apenas o pioneiro da industrialização do Rio Grande do Norte, mas da responsabilidade social e da bondade multiplicadora. Diógenes da Cunha Lima.<br />
</em></p></blockquote>
<p align="justify">O epíteto, de autoria do presidente de Academia Norte-Riograndense de Letras cumpre sua função de qualificar o homenageado, mas a placa não traz qualquer outra informação de quem tenha sido ele. Para os “não iniciados”, fica como mais um “velho bigodudo”.</p>
<p align="justify">Parece absurdo – e é! – mas a maioria das homenagens desse tipo não apresenta devidamente o homenageado No caso de Juvino, o mal é menor. O busto está dentro de uma instituição que leva seu nome e, supõe-se, deve ser fácil conseguir mais alguma informação a seu respeito. Mas em praças públicas, falo sobretudo de Natal, as placas que acompanham bustos e estátuas costumam trazer os nomes do prefeito, do secretário disso e daquilo, dos seus ajudantes, dos borra-botas, puxa-sacos e baba-ovos e nenhuma explicação sobre o homenageado, o que ele fez, qual sua importância política, cultural ou social, o motivo de a escultura estar no local e quem foi seu autor.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/juvino2.jpg" width="208" align="right" border="0" height="419" />Em tempos idos há muito, os jornais costumavam tapar esses furos. Cobriam o evento, davam as informações que faltavam. Hoje, não estivéssemos eu e <a href="http://canindesoares.blog.digi.com.br/blog/" target="_blank"><strong>Canindé</strong></a> por lá, por conta das <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/02/19/as-vezes-famosos-quase-sempre-esquecidos/" target="_blank">pesquisas para nosso livro</a>, não haveria qualquer registro além de fotos amadoras feitas por um e outro.</p>
<p align="justify">Então, vamos às informações – corretas, mas assumidamente não suficientes – sobre o evento.</p>
<p align="justify">A cerimônia de inauguração do busto em homenagem a Juvino Cézar Paes Barreto (ou César, para seguir o formulário ortográfico de 1943 e da qual não tenho notícias que se tenha havido mudança, no atual acordo, quanto à grafia de nomes próprios) começou por volta das 10h30 deste domingo, 19 de abril de 2009. O busto encontra-se no pátio da Instituição de mesmo nome, administrada pela Companhia das Filhas de Caridade de São Vicnte de Paulo, congregação religiosa feminina mais conhecida como Irmãs de Caridade. O evento começou minutos após o encerramento da missa dominical realizada pelo padre Gilmar Ferreira de Castro, capelão do Instituto Juvino Barreto. Representando as autoridades políticas, estava a deputada estadual <strong>Márcia Maia</strong>. Representando a família, os bisnetos <strong>Frank Cavalcanti Bahia</strong> e <strong>João Bosco Barreto Pinheiro </strong>acompanhados de suas esposas. Após breve discurso de <strong>Ticiano Duarte</strong>, jornalista, acadêmico e maçom, o busto foi revelado pela deputada e pelos bisnetos do homenageado. Em seguida, recebeu a benção de padre Gilmar. Presente também ao evento, o artista plástico <strong>Eri Medeiros</strong>, responsável pela criação e execução do busto. O ocorrido marca o aniversário de 65 anos do Instituto Juvino Barreto, fundado oficialmente no dia 19 de abril de 1944.</p>
<p align="justify"><strong>Sobre o homenageado:</strong> Juvino Cezar Paes Barreto nasceu em Aliança, Pernambuco, em 2 de fevereiro de 1847. Foi pioneiro do processo de industrialização no Rio Grande do Norte, inaugurando, em 1888, na capital, uma moderna fábrica de fiação. Filantropo, doou terras e recursos para a construção de vários colégios católicos em Natal, além de um hospital onde era sua residência de veraneio e que, inicialmente, levou seu nome. Faleceu em Natal, em abril de 1901.</p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback3.jpg" usemap="#Map3" border="0" height="25" /></center></p>
<map name="Map3">
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