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	<title>Sempre Algo a Dizer &#187; Educação</title>
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		<title>Diário de São Pedro (IV)</title>
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		<pubDate>Sat, 11 Jul 2009 15:20:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[São Pedro da Aldeia]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2009/07/spalixo.jpg" alt="spalixo.jpg" /></p>
<p align="justify">Acordei às 4h30 da manhã com ganas de andar até a Praia do Sol para ver o dito nascer. Preparei um <em>cappuccino</em> como mui modestamente só eu sei fazer e&#8230; liguei o computador. A vontade foi passando, a cabeça começou a entrar em ritmo de trabalho, mas lá pelas 6 horas olhei pela janela e não resisti. <a target="_blank" href="http://twitpic.com/9ziee">O céu lindo</a> me chamava pelo menos para uma caminhada rápida, só ali pelo calçadinho da Pitória.</p>
<p align="justify">É assim que chamo o trecho de aproximadamente 200 metros com calçamento e um pequeno passeio na <strong>Praia da Pitória, em São Pedro da Aldeia </strong>(RJ). Nesse pedaço, a faixa de areia também é estreita. Tem entre 2,5 e 4 metros. Enquanto esperava o sol nascer, andei por ali e comecei a me incomodar mais profundamente com algo que me incomoda sempre: lixo.</p>
<p><img border="0" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2009/07/spalixo4.jpg" align="right" /><a target="_blank" href="http://twitpic.com/9ziex%3EFiz%20uma%20foto%20rápida%3C/a%3E,%20corri%20para%20casa,%20coloquei-a%20no%20ar,%20peguei%20umas%20luvas%20e%20saí%20de%20novo%20em%20direção%20ao%20mercadinho%20da%20esquina.%20Comprei%20sacos%20de%20lixos,%20toquei%20de%20novo%20para%20o%20começo%20do%20calçadinho%20e%20vim%20catando%20tudo%20que%20via%20pela%20areia.%20Linhas%20e%20varetas%20de%20pipa%20(papagaio,%20pandorga...),%20tampinhas%20plásticas%20e%20de%20metal,%20copos,%20embalagens%20de%20biscoito,%20pedaços%20de%20rede,%20todo%20tipo%20de%20plástico%20e%20muitas,%20muitas%20guimbas%20de%20cigarro%20que%20seriam%20suficientes%20para%20encher%20fácil%20um%20galão%20desses%20de%2020%20litros%20de%20água%20mineral.%3C/p%3E%3Cp%20align="></a></p>
<p align="justify"><a target="_blank" href="http://twitpic.com/9ziex">Fiz uma foto rápida</a>, corri para casa, coloquei-a no ar, peguei umas luvas e saí de novo em direção ao mercadinho da esquina. Comprei sacos de lixos, toquei de novo para o começo do calçadinho e vim catando tudo que via pela areia. Linhas e varetas de pipa (papagaio, pandorga&#8230;), tampinhas plásticas e de metal, copos, embalagens de biscoito, pedaços de rede, todo tipo de plástico e muitas, muitas guimbas de cigarro que seriam suficientes para encher fácil um galão desses de 20 litros de água mineral.</p>
<p align="justify">A limpeza foi só na areia. Na rua e na calçada do outro lado, a sujeira era ainda maior. Nesses duzentos metros com obstáculos – muitos! –, enchi quase dois sacos de 100 litros. Levei duas horas fazendo isso. Acho que me agachei e levantei mais dos que nos últimos quinze anos. E olha que tenho três filhos com diferença média de 6 anos, o que garantiu muito abaixa, segura, suspende, carrega, abaixa de novo, faz tudo outra vez, durante essa década e meia.</p>
<p align="justify">As pessoas passavam e olhavam, achando algo estranho. <a target="_blank" href="http://twitpic.com/9jy99">Para quem não me conhece</a>, tenho o que chamo de “<em>physique du rôle</em> de lutador aposentado”: largo, pernas e braços fortes e uma barriga de quem há muito tempo só pratica halterocopismo e tecladismo com mouse. A cara não combina muito: bruta, dentes separados de adolescente que ainda não usou aparelho e óculos que denunciam alguma atividade intelectual. Os aldeões deviam estar perguntando o porquê de este pequeno ogro míope estar catando lixo na praia àquela hora da manhã.</p>
<p align="justify">Vi um homem passando com o filho e disfarçando quando o flagrei olhando. Deve ter falado ao garoto: “<em>Estuda, meu filho, para não ter que fazer isso quando crescer</em>”. Mesmo enviesado, o raciocínio estava quase certo. Bastava ter completado: “(&#8230;) para não ter que fazer isso quando crescer: SUJAR”.</p>
<p align="justify">Mais adiante, já vencidos os cem primeiros metros, uma senhora me abordou com a seguinte frase: “<em>Ah, se todo mundo fizesse isso!</em>”. Eu, com minha língua grande, retruquei: “<em><strong>Ah, se não sujassem! Ninguém precisaria fazer isso</strong></em>”. Limpar dá trabalho. Muito trabalho. Minhas costas, pernas e braços que o digam. Sujar também dá algum trabalho porque para isso você precisa desenvolver alguma ação. Não sujar não dá trabalho algum! Basta fazer nada. Ficar quieto. Paradinho. Estátua! Não fazer nem o movimento de abrir as garras para soltar um papel no chão.</p>
<p align="justify">É uma questão de educação – escutem o papai e estudem, meus filhos, para não serem porcos! – que a maioria dos brasileiros não tem. As pessoas querem apenas se livrar do lixo. Colocam na porta e pronto. É como se a fada da companhia de lixo fosse passar imediatamente e deixar tudo brilhando. Também não basta só acondicionar tudo em sacos de lixo. É preciso embalar adequadamente e separar. “Ah, mas no caminhão de lixo mistura tudo”. Só que <strong>o problema do lixo</strong> não é do caminhão. É de todo mundo, de <strong>todos NÓS</strong>. Separe, guarde o que pode ser reciclado, leve até um posto de coleta seletiva ou entregue para pessoas que passam pedindo esse tipo de material. Lixo orgânico, principalmente, não deve ser colocado na calçada. Animais reviram e espalham tudo, atraindo outros animais. Cães rasgam os sacos, sujam tudo, comem coisas estragadas, adoecem, defecam e vomitam gerando maior probabilidade de VOCÊ pegar alguma doença. Também atrais ratos, baratas, moscas, mosquitos. Isso bem na porta da sua casa. Porque VOCÊ colocou o lixo de forma inadequada. Lixo na rua, só no dia em que o caminhão passa recolhendo. “<em>E eu vou ficar com ele dentro de casa?</em>” Sim, de forma que também não polua seu <em>habitat</em>. Respeitando seu espaço, mantendo-o limpo, você acabará aprendendo a fazer o mesmo pelo dos outros. <strong>A isto se chama civilidade.</strong></p>
<p align="justify">A limpeza que fiz numa pequena faixa de areia não vai salvar o planeta nem mesmo fazer os habitantes de São Pedro da Aldeia terem uma vida melhor e mais saudável. A esta hora, quando você estiver lendo isto, o mesmo lugar já deve estar tão sujo quanto o encontrei. Eu limpei por pura agonia, porque não sei andar e viver em um lugar sujo. <strong>Sinto-me um selvagem</strong> quando me vejo obrigado a isso. E eu não ME obrigo a isso.</p>
<p align="justify">Consciência não é algo que possa ser comprado. Tampouco diploma algum dá isso. É prática diária, é internalização de ideais que tragam mais equilíbrio e harmonia para a sua vida e a de todos. Se você é desses que acha que limpeza é problema de outros, “<em>o governo que se vire</em>”, “<em>o governo que é responsável</em>”, tente pelo menos não sujar. Ou <strong>suje apenas seu próprio chiqueiro</strong> em vez de transformar a vizinhança em um. Mas se você já teve um lampejo de consciência em relação a isso, mais do que não sujar e limpar a sujeira dos outros, procure esclarecer as pessoas ao seu redor da importância disso. <strong>Se você limpar e não ensinar a seus filhos que eles não devem sujar, nada vai mudar.</strong></p>
<p align="justify">E pensar que vim a São Pedro da Aldeia para escrever um livro. Isso lá é vida de escritor?! É sim. Afinal, para ser escritor é preciso ser humano. E <strong>ser humano é diferenciar-se dos outros animais pela capacidade de raciocinar e fazer escolhas</strong>, de preferência, as mais corretas. <strong>Você é capaz disso?</strong></p>
<p><center><img useMap="#Map3" border="0" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback3.jpg" height="25" /></center></p>
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		<title>O ano em que meus pais saíram de férias</title>
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		<pubDate>Fri, 31 Oct 2008 06:21:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Livre pensar]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/sfbola.jpg" align="right" border="0" />Em 1970, quando os anos de chumbo andavam bem pesados, uma jovem alagoana, que viria a ser minha mãe, não queria nem saber da ditadura de seu namorado carioca, que a enrolava desde a Copa anterior. De um lado aquele papo de menina de família que só dá depois do casamento, do outro aquele papo aranha de malandro, que acabou caindo na besteira de proclamar: “Só caso quando o Brasil for Tri”. Criado nos arredores do campo do Vasco e torcedor do Fluminense, o rapaz não poderia mesmo entender de futebol. Os tempos  eram outros. Pelé e companhia não facilitaram e o resto é história.</p>
<p align="justify">Perdeu, mané. Logo tudo estava sacramentado. No civil e no religioso. Meus pais saíram de férias, ou melhor, em lua-de-mel, alheios ao futebol e à politica. Um ano depois, o pimpolho aqui era concebido. Se o gol tivesse sido marcado mais próximo ao Tri, provavelmente eu me chamaria Edson Fortunato, Clodoaldo Fortunato ou Carlos Alberto Fortunato. Mas foi um jogador da Itália, que perdeu por 4 a 1 para o Brasil, que inspirou meu primeiro nome, evitando uma combinação estranha e me concedendo ares de perdedor.  Até que Rivelino Fortunato não seria um nome assim tão esquisito.</p>
<p align="justify">Nasci entre Copas, quando a de 70 já estava esquecida e ainda nem se pensava na de 74. Eu demoraria muito para ver o Brasil vencer uma. Minha avó, filha de italianos, católica fervorosa e apaixonada por futebol, não perdia a fé em ver o caneco novamente levantado por um brasileiro. Assistiu mais uma Copa e morreu na seguinte. Não viu o maravilhoso selecionado de 82, primeiro e único do qual me lembro, que só fez aumentar a vontade e quase enterrou de vez a esperança verde-amarela.</p>
<p align="justify">Primeiro filho, primeiro neto com avós morando na mesma casa e, não bastasse, a madrinha também, era rodeado de cuidados.  Tinha bola, que é brinquedo de menino, mas “cuidado para não machucar o pezinho quando for chutar”, “botou a sandália ou a bota ortopédica?”.  E assim, a falta de visão dos meus alienados pais fez a festa dos vendedores de coleções de livros infantis. Encheram-me de Monteiro Lobato, Daniel Azulay e clássicos da literatura infantil. Se possuía algum talento futebolísto, ele foi enterrado ali na casa 1 daquela vila na Major Mascarenhas, rua onde morreu pobre outro coitado que insistia nessa bobagem de escrever: um tal Lima Barreto.</p>
<p align="justify">Soterrado por livros, precoce e triste fim foi dado ao pequeno jogador. Recordações de gols, gritos, glória, fama, dinheiro e mulheres fáceis, jamais teria. Histórias e sonhos foram abortados longe da suburbana ladeira de paralelepípedos. Nada de ficar milionário aos vinte, aposentar-se aos trinta e caminhar para uma cômoda e muito bem-vinda decadência aos quarenta. Vida de escritor é bem diferente: todos parecem geniais aos vinte, são frustrados aos trinta, aos quarenta estão lamentando não terem um emprego público, os que insistem conseguem algum reconhecimento aos cinquenta e quando o sucesso finalmente chega já estão tão cansados que só pensam em se aposentar. Aí percebem que não há como, pois não pagaram um plano de previdência privada e o governo não aposenta ninguém como escritor, porque isso não é trabalho reconhecido.</p>
<p align="justify">Enfim, tudo isso é culpa de uma trepada dada no ano errado, de um nome mal escolhido e da falta de visão dos pais. Casais ainda sem filhos, não cometam tais erros. Mantenham seus rebentos longe dos livros, só permitam que escutem pagode, deixem os moleques na rua o dia todo e nada de aparelho para alinhar os dentes. O sucesso os espera e nosso orgulho estará garantido.  Viva a cultura brasileira!</p>

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		<title>Pais &amp; Filhos</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Jul 2008 13:57:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>

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		<description><![CDATA[Há frases que repetimos constantemente para expressar nossas idéias, nossas certezas, mas muitas vezes não dos damos conta do que realmente querem dizer e de quão verdadeiras e presentes são em nossas vidas. Há duas que repito sempre. Uma é &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/07/17/pais-filhos/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/pfigreja.jpg" align="right" border="0" height="350" width="258" />Há frases que repetimos constantemente para expressar nossas idéias, nossas certezas, mas muitas vezes não dos damos conta do que realmente querem dizer e de quão verdadeiras e presentes são em nossas vidas.</p>
<p align="justify">Há duas que repito sempre. Uma é a de que <strong>não me importa o que meus filhos sejam desde que saibam ler e pensar</strong>. Acho absurdo alguém dar este ou aquele tipo de brinquedo, livro ou roupa para uma criança tentando de alguma forma influenciá-la na “escolha de uma profissão”. Criança tem que brincar e ser educada dentro dos costumes de sua família, preferencialmente atualizando e melhorando estes. Não tem que se preocupar com nada.  Mas ao falar que desejo apenas que meus filhos saibam ler e pensar, talvez eu esteja fazendo a mesma coisa, afinal é só isso o que eu mais ou menos sei fazer.</p>
<p align="justify">Enquanto a maioria dos pais gostaria que os filhos seguissem suas carreiras ou escolhessem uma que garantisse bons ganhos materiais e destaque social, confesso que ficaria muito satisfeito se os meus simplesmente <strong>optassem por algo que lhes trouxesse felicidade</strong>. Não me importa se um deseje ser padre, monge budista ou artista plástico, se outra quiser ser atriz, outra escritora, carreiras ingratas que presenteiam pouquíssimos com reconhecimento e dinheiro.</p>
<p align="justify">Se optassem por uma profissão por ela trazer prestígio, mais rentabilidade e estabilidade financeira, não iria censurá-los, mas em meu íntimo perguntaria: “<em>Onde foi que eu errei?</em>”. Se algum chegasse dizendo que queria ser jogador de futebol, dançarina de axé, pagodeiro ou coisa parecida, diferente do que pensava até um tempo atrás – “<em>mato, me suicido ou os dois?”</em> –, apenas pediria um exame de DNA para que não restassem dúvidas sobre eu não ser o pai. E se por acaso fosse, pediria que lhe abrissem a cabeça para saber o que aconteceu ao cérebro.</p>
<p align="justify">Portanto, o desejo é esse: <strong>Saibam ler, pensar e sejam felizes.</strong></p>
<p align="justify">Outra das coisas que repito é que <strong>os filhos ensinam muito mais aos pais que estes a eles</strong>. Pais estão aí para orientar e proteger. Se forem suficientemente inteligentes, aproveitarão a oportunidade para aprender algo e esperarão a vez de seus filhos aprenderem quando eles também forem pais. <strong>Criança aprende tudo sozinha. E só aprende o que quer. </strong>Quem é pai sabe. Quantas vezes você já disse “<em>Não bota isso na boca</em>”, “<em>Não pula daí que você vai se machucar</em>”, “<em>Caiu no chão, joga fora</em>”, “<em>Antes de comer, precisa lavar as mãos</em>”. Centenas? Milhares? Desistiu? Mas basta um único dia na escola e as crianças vêm cheias de novidades. Aprendem um monte de coisas: palavras erradas, hábitos abomináveis, gritaria, vozes e risadas de desenhos animados&#8230; Aprendem rápido, sozinhas e só o que querem. E assim, ensinam aos pais a ter paciência, perseverança, a buscarem caminhos para driblar a selvageria do mundo, a melhorarem seus hábitos para que os filhos possam repeti-los.</p>
<p align="justify">Há poucos dias, levei <strong>Pietro</strong>, meu mais novo, a uma igreja. Logo na entrada, uma imagem de <strong>Jesus</strong> de braços abertos. Perguntou quem era, eu respondi. Imediatamente ele observou:</p>
<p align="justify"><strong><em>– Ele está machucado.</em></strong></p>
<p align="justify">Para tentar diminuir a seqüência de “<em>É? Por que?</em>”, tentei usar um acontecimento do dia para diminuir a história.</p>
<p align="justify"><em>– Hoje, no colégio, um colega seu não o machucou sem querer? Às vezes as pessoas machucam as outras sem querer e sem saber porquê estão fazendo isso.</em></p>
<p align="justify">Ele me olhou com aquela cara de “que história mal contada” e disparou:</p>
<p align="justify"><em><strong>– Ele veio assim da fábrica?</strong></em></p>
<p align="justify">Passei toda a vida dizendo que não sigo qualquer religião e que sou iconoclasta, mas precisei de uma criança de três anos para me mostrar que estávamos diante de uma imagem. O que ou quem ela representa, que histórias evoca, os valores que lhe são atribuídos, tudo isso forma um conjunto de informações que vamos recebendo e criando durante a vida e que, muitas vezes, fazem com que percamos a capacidade de olhar para algo e enxergar o óbvio. Mesmo que nunca tivesse visto algo daquele tipo, Pietro sabia que estávamos diante de um “boneco” e que certamente ele não havia se machucado na escola enquanto brincava com seus coleguinhas. Simples assim. <strong>Pensamento puro, direto, sem complicações. </strong></p>
<p align="justify">Nesse dia, finalmente entendi e aceitei: <strong>na relação pais e filhos, os educadores são os filhos.</strong></p>
<p align="justify">Recolho-me a pensar nas muitas lições contidas numa pergunta simples e a procurar outros caminhos para me orientar e, se possível, orientar meus filhos.</p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback.jpg" usemap="#Map" border="0" height="25" /></center></p>
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