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	<title>Sempre Algo a Dizer &#187; Cinema</title>
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		<title>Os filmes que me marcaram em 2011</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Dec 2011 19:35:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Retrospectiva 2011]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-1133 aligncenter" style="border-style: initial; border-color: initial; border-image: initial; margin-top: 0px; margin-bottom: 0px; border-width: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/12/filmes2011.jpg" alt="" width="598" height="250" /></p>
<p style="text-align: justify;">Primeiro, pensei em uma série de listas. Aí deu aquele bode homérico no blog, que ficou fora do ar por duas semanas, e eu broxei para a ideia. Todos começaram a fazer listas. E todos começaram a achar um saco as listas dos outros, afinal, gosto é igual a você sabe o quê. No entanto, este ano tive ótimas conversas com três ou quatro pessoas e das quais nasceram excelentes dicas e debates sobre filmes, livros, música, etc. Por que não compartilhar isso como os leitores do blog? Portanto, aqui estou, me rendendo às listas de fim de ano.</p>
<p style="text-align: justify;">Não gosto de fazer lista de livros. Leio uns 50 por ano e acho pouco. Um livro por semana é pouco, garanto. Mas para uma lista ficaria enorme. Para mim, ler é algo sagrado e extremamente íntimo. Só indico ou dou livros a alguém se conheço muito bem a pessoa e seus interesses. Além disso, acho pedante isso de fazer lista do que leu. Geralmente, as pessoas escolhem os títulos que a farão parecer mais culta, antenada ou descolada. Ninguém lista as bobagens que leu e – garanto novamente – quem lê muito, por mais seletivo que seja, lê bobagens também, nem que seja para descansar o cérebro.</p>
<p style="text-align: justify;">Enfim, farei apenas duas listas: os filmes que mais me marcaram em 2011 e as músicas que mais ouvi este ano. Vamos à primeira.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Os filmes que mais me marcaram em 2011</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Entre longas e curtas de todos os gêneros, devo ter assistido a mais de 250 filmes este ano. Se somar os episódios da meia dúzia de séries que acompanho ou vi/revi inteiras, o número dobra facilmente. A lista não é dos “melhores filmes de 2011” e nem dos que acho que são os melhores. São dos que mais me marcaram, me impressionaram, trouxeram algo de bom para minha vida, para minha formação, me influenciando de alguma forma. Não gosto de falar sobre um filme com quem não o assistiu. Sempre digo que se deve ver um filme o mais virgem possível, sem grandes informações a seu respeito, para que você possa tirar suas próprias conclusões. Portanto, comentarei quase nada. Listei nove filmes: 4 deste ano, 2 de 2010, 2 de um diretor do qual me tornei admirador (mais dois, pois há outro entre os de 2010) e um de 2003 (que só conheci este ano).</p>
<p style="text-align: justify;">Pelo menos três dos quatro deste ano, você encontrará em várias listas por aí. Preste atenção a isso. São produzidos milhares e milhares de filmes por ano, mas são poucos os que realmente valem a pena e não são mero entretenimento.</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>A Pele que Habito</strong></em> (<em>La Piel que Habito</em>, 2011), de Pedro Almodóvar</p>
<p style="text-align: center;"><iframe width="560" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/zlZgGlwBgro?rel=0" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p style="text-align: justify;">Meu primeiro Almodóvar foi <em>Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos</em>, de 1988, visto no mesmo ano em uma “cópia não selada” na época em que e as locadoras de vídeo eram formadas quase só por elas. Vinte e três anos e doze filmes depois, todos vistos, já tive tempo e provas suficientes para dizer sem medo que ele é um dos melhores realizadores da atualidade, senão o melhor. Se vivo, Fellini daria tapinhas nas costas de Almodóvar e Woody Allen, e diria: “<em>Continuem assim, meninos! Vocês nunca serão como eu, mas vocês são os melhores que o mundo têm hoje.</em>” <em>A Pele que Habito</em>, como bem observou meu amigo <a href="http://vagabundosiluminados.wordpress.com" target="_blank">Buca Dantas</a>, “é o melhor Almodóvar desde <em>Tudo Sobre Minha Mãe</em> (1999)”.</p>
<p style="text-align: center;">* * * * * * * *</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Meia-Noite em Paris</strong></em> (<em>Midnight in Paris</em>, 2011), de Woody Allen</p>
<p style="text-align: center;"><iframe width="560" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/PLHPbV7b9nU?rel=0" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p style="text-align: justify;">Descontados todos os lugares-comuns sobre Woody Allen, duas coisas têm realmente chamado minha atenção em seus trabalhos na última década: a constância na realização (desde 1977, um filme por ano, exceto em 1981, mas fez dois em 1987) e a sensibilidade que vem demonstrando com seu olhar estrangeiro (desde que cansou de seu umbiguismo nova-iorquino e passou a pensar/filmar fora dos Estados Unidos). <em>Meia-Noite em Paris</em> tem o insosso e sempre com a mesma cara Owen Wilson como alter-ego de Woody Allen (e me parece que ele está mesmo <em>imitando</em> Woody Allen nos trejeitos e na voz), mas nem isso consegue estragar o filme. E tem Marion Cotillard, que compensa a canastrice e a sem-gracisse de quantos for preciso. Fui covardemente atingido pela temática e pelo enredo. Se você assistiu, sabe o motivo. Se não, assista e descubra.</p>
<p style="text-align: center;">* * * * * * * *</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Melancolia</strong></em> (<em>Melancholia</em>, 2011), de Lars von Trier</p>
<p style="text-align: center;"><iframe width="560" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/3_1X37SJcn4?rel=0" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p style="text-align: justify;">É um grande babaca, mas é um babaca necessário. É o gringo que usa a força do império para dizer: “<em>Deixem de ser idiotas e previsíveis. A vida não é bonitinha assim. Parem de vender esperança.</em>”</p>
<p style="text-align: center;">* * * * * * * *</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Um Conto Chinês</strong></em> (<em>Um Cuento Chino</em>, 2011), de Sebastián Borensztein</p>
<p style="text-align: center;"><iframe width="560" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/dPYC0Eo5R2c?rel=0" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p style="text-align: justify;">Não gosto das generalizações do tipo “cinema de tal país”, mas vamos combinar que se for cinema argentino já dá vontade de conferir. E se tiver Ricardo Darín no elenco, a possibilidade de o filme ser ótimo é grande.</p>
<p style="text-align: center;">* * * * * * * *</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Abutres</strong></em> (<em>Carancho</em>, 2010), de Pablo Trapero</p>
<p style="text-align: center;"><iframe width="560" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/uiwzmX-8rvE?rel=0" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p style="text-align: justify;">Argentino&#8230; Ricardo Darín&#8230; Realismo duro, sem esperança, sem perdão.</p>
<p style="text-align: center;">* * * * * * * *</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Balada do Amor e do Ódio</strong></em> (<em>Balada Triste de Trompeta</em>, 2010), de Álex de la Iglesia</p>
<p style="text-align: center;"><iframe width="560" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/Ura85FQoUl4?rel=0" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p style="text-align: justify;">Para mim, a grande descoberta do ano. O único filme que vi este ano e me deixou sem respirar durante toda a exibição. Por onde passava (pingou em uma ou outra sala em algumas capitais), eu ia incitando os conhecidos a verem. Foram e adoraram! Não interessa seu gosto, seu gênero preferido. É cinema de verdade! História bem contada, repleta de fantasia e exageros. Corri para ver os outros trabalhos de Iglesia. Ponha <em><strong>800 Balas</strong></em> (2002) e <strong><em>Crimen Ferpecto</em></strong> (2004) na lista dos meus preferidos vistos em 2011.</p>
<p style="text-align: center;">* * * * * * * *</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Leve Meus Olhos</strong></em> (<em>Te Doy Mis Ojos</em>, 2003), de Icíar Bollaín</p>
<p style="text-align: center;"><iframe width="560" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/AS6-roHk-WQ?rel=0" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p style="text-align: justify;">“Cinema espanhol” também é um rótulo bem confiável. Almodóvar, Álex de la Iglesia, Icíar Bollaín&#8230; Vi <em>Te Doy Mis Ojos</em> na tevê. Foi amor à primeira vista por Laia Marull, a atriz principal, que nos faz respirar aliviados ao mostrar que ainda existe cinema com atores de verdade e que sabem atuar. Também não gosto de pensar assim, mas tenho que admitir que filmes escritos e dirigidos por mulheres costumam ter abordagens mais sensíveis (sobretudo se tratam do universo feminino) e são capazes de fazer o espectador esquecer a razão para se entregar plenamente aos sentimentos. Homem e bruto, senti todas as dores e medos de Pilar, a personagem interpretada por Laia Marull. Fiquei encantado com sua atuação como um todo, mas, principalmente, com o momento em que a personagem se permite acreditar e desabrochar. O bicho amedrontado esconde uma mulher linda. Não é uma atriz qualquer – nem dirigida de qualquer maneira – que consegue uma transformação daquelas. E sem usar nada além do olhar, do sorriso e do corpo nu. Nos momentos em que está acuada, a caracterização ajuda, mas as expressões e o gestual é que nos mostram toda a tensão da situação que está vivendo. Ninguém tem três prêmios Goya por acaso.</p>
<p style="text-align: justify;">Termino o ano com três pendências na lista: <em><strong>A Árvore da Vida</strong></em> (<em>The Tree of Life</em>, 2011), <em><strong>Cópia Fiel</strong></em> (<em>Copie conforme</em>, 2010) e <strong><em>O Garoto da Bicicleta</em></strong> (<em>Le gamin au vélo</em>, 2011), lamentando principalmente pelos dois últimos. Sinto que estarão em minha lista no final de 2012.</p>

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		<title>O mundo em preto e branco</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Dec 2011 17:23:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Fotografia]]></category>

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		<description><![CDATA[Sou viciado em informação. Admito. Desde sempre. Livros, jornais, revistas, filmes, músicas. Há uns dez anos, senti necessidade de diminuir a carga e selecionar aquilo que me parecesse agradável e relevante, mas sem correr o risco de me tornar um &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2011/12/16/o-mundo-em-preto-e-branco/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://semprealgo.files.wordpress.com/2011/12/madoz_gaiola.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-16" style="border-color: initial; border-style: initial; border-width: 0;" src="http://semprealgo.files.wordpress.com/2011/12/madoz_gaiola.jpg" alt="" width="580" height="414" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Sou viciado em informação. Admito. Desde sempre. Livros, jornais, revistas, filmes, músicas. Há uns dez anos, senti necessidade de diminuir a carga e selecionar aquilo que me parecesse agradável e relevante, mas sem correr o risco de me tornar um radical que só gostasse disso ou daquilo. A informação deveria estar sempre acessível para que eu pudesse comparar tudo e escolher o que me fosse aprazível. O noticiário policial – e do mundo cão em geral – foi abolido; rádio e televisão diminuídos radicalmente; a conversa fiada ganhou status de evento raro; comédias e filmes de ação americanos viraram último recurso para desconectar o cérebro.</p>
<p style="text-align: justify;">Isso feito, sobrou muito mais tempo para as coisas boas, para o que realmente me interessava. Porém, enquanto me esforçava para manter distante o lixo excedente, todo ele começou a convergir para a web. Depois vieram as redes sociais e de conteúdo. No início, era possível escolher o que parecia interessante e relevante, mas, com o tempo, parece que tudo e todos se tornaram excessivos, verborrágicos, e o que era para ser algo selecionado se tornou o escoadouro do pior que as pessoas podem produzir, juntar e que, infelizmente, insistem em compartilhar.</p>
<p style="text-align: justify;">Com esse gosto quase generalizado pelo que há de pior, como reagem as artes visuais mais comerciais, como a tevê, o cinema e a produção de vídeos de uma forma geral? Produzem o lixo que as pessoas querem consumir, claro. Mas existe também uma tendência contrária, tão cansada do excesso e disposta a eliminá-lo, que chega a parecer saudosista.</p>
<p style="text-align: justify;">Acredito que esse movimento não seja exatamente pensado, mas, sobretudo, a expressão desse cansaço em relação ao excesso. É também uma autoanálise. Reparei que minhas fotos – minha segunda forma de expressão e tão somente isto – têm cada vez menos elementos. Os excessos ou personagens principais são jogados para a borda enquanto a maior parte do espaço é ocupada por um só elemento ou cor. Ou, se existe uma composição mais complexa, meu olhar, inconscientemente, elimina as cores (como nas fotos abaixo, que não são em preto e branco nem foram deixadas assim por manipulação digital; para vê-las em tamanho maior, <a href="http://www.flickr.com/photos/artetumular/" target="_blank">clique aqui</a>).</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://semprealgo.files.wordpress.com/2011/12/falsopb.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-17" style="border-color: initial; border-style: initial; border-width: 0;" src="http://semprealgo.files.wordpress.com/2011/12/falsopb.jpg" alt="" width="580" height="215" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Durante este ano, variadas obras chamaram minha atenção para essa fuga das cores. Comecei a perceber isso em abril, quando o Foo Fighters apresentou as músicas de seu novo álbum, <em>Wasting Light</em>, no programa de David Letterman. Não vi a apresentação quando exibida na tevê, mas quando o grupo subiu os vídeos das músicas para seu canal no YouTube, eles estavam em preto e branco. E a apresentação foi, no mínimo, muita sóbria: todos de terno, sem pulos, descabelamentos ou pirotecnias. Só a música. E, sendo para ver, música em preto e branco.</p>
<p><center><iframe width="560" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/gWalBZ5P42U" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></center></p>
<p style="text-align: justify;">Guardei a impressão e, de lá para cá, revendo alguns filmes, isso foi se intensificando. Há algum tempo, revi os filmes de Bob Fosse e escrevi sobre eles. Quando falei de <em>Lenny</em> (1974), enfatizei a coragem de Fosse (dançarino, coreógrafo e diretor de musicais) abandonar seu mundo de música, dança, movimentos, cores e tudo mais que possa distrair, para focar no essencial. Um filme em preto e branco, com muitos planos fechados e que exigia boa interpretação dos atores (Dustin Hoffman no papel-título). De forma não tão intensa, também senti o mesmo ao rever <em>Manhattan</em> (1979), de Woody Allen. Em <em>As Tentações do Doutor Antônio</em> (1962), Fellini está usando cores pela primeira vez entre duas de suas maiores obras em preto e branco: <em>La Dolce Vita</em> (1960) e <em>8 ½</em> (1963). Depois de dois trabalhos vencedores do Oscar de Filme Estrangeiro e um vencedor em Cannes, criticando a decadência da sociedade italiana e preocupado com o avanço da voraz cultura americana (principalmente pelo cinema), Fellini ironiza os filmes que têm grandes peitos como seu principal atrativo e, ao apresentar o personagem principal (Antonio Mazzuolo, interpretado por Peppino De Filippo), recorre a um filme em preto e branco feito por um cinegrafista amador, ironizando também a tendência de acharem que só amadores fizessem filmes sem cores.</p>
<p style="text-align: justify;">Fazendo um contraponto, assumo quase vergonhosamente ter dormido, digo, assistido <em>Lanterna Verde</em> e <em>Capitão América</em>. Fui marvelmaníaco quando moleque, minha primeira coleção de revistas foi de quadrinhos da Marvel e, já grande, chorei vendo <em>Homem-Aranha</em> em uma sala de cinema em Brasília (podem jogar as pedras). Furtivamente, sozinho e trancado no quarto, me permito ver esses filmes. Respondam-me: tirando toda a barulheira e os efeitos especiais, o que sobra? Eu mesmo respondo: um roteiro para história em quadrinhos. Por isso foi feito como tal. Fica lindo bem desenhado no papel, mas quando filmado tem muito de fogos de artifício e quase nada de cinema. Até quem gosta só disso parece já estar cansando.</p>
<p><center><iframe width="560" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/OK7pfLlsUQM" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></center></p>
<p style="text-align: justify;">Daí que as coisas se invertem e os críticos americanos resolvem prestar atenção a quem neste final de ano? A <em>The Artist</em>, um filme em preto e branco e mudo, que tem seis indicações ao Globo de Ouro. Se Foo Fighters (na minha humilde opinião, a melhor banda do mundo em atividade e responsável pelo melhor álbum do ano) está mais focada do que nunca no essencial, o dono do melhor álbum brasileiro do ano (também na minha meu humilde julgamento) segue o mesmo caminho e, para além da ótima música que vem fazendo, acaba de lançar um clipe no mesmo estilo (<em>Freguês da Meia-Noite</em>, logo abaixo).</p>
<p><center><iframe width="560" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/cAT8lM0gVQk" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></center></p>
<p style="text-align: justify;">Finalizando (já há texto em excesso!), deixo quatro dicas para quem quiser experimentar um pouco desse mundo em preto e branco: o site do fotógrafo espanhol <strong><a href="http://www.chemamadoz.com/" target="_blank">Chema Madoz</a></strong> (a foto que abre o texto é dele); o filme <em>The Kiss</em> (1929), com Greta Garbo, considerado o último filme mudo de Hollywood; o <a href="http://www.youtube.com/user/santibailorchannel" target="_blank">canal Santi Bailor</a> no YouTube, somente com clássicos italianos (incluindo alguns de Fellini, tudo na íntegra e em arquivos únicos); e o <a href="http://www.youtube.com/movies?fl=f&amp;l=en&amp;pt=g&amp;st=r" target="_blank">canal Movies</a> do YouTube, que tem, dentre outras preciosidades, <em>O Gabinete do Doutor Caligari</em> (1920), filme expressionista alemão; <em>O Encouraçado Potemkin</em> (1925), de Eisenstein; <em>A General</em> (1926) e vários outros com Buster Keaton.</p>
<p><center><iframe width="480" height="360" src="http://www.youtube.com/embed/SXSQDydjXYc" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></center></p>

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		<title>Cabaret</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Nov 2011 02:29:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>

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		<description><![CDATA[Rever os filmes dirigidos por Bob Fosse pode ser apenas a manifestação de uma mania, mas escrever a respeito deles já está me cheirando a um pedido de desculpas. É verdade: ainda não engoli Sweet Charity (1969) e a maldita &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2011/11/23/cabaret/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.memoriaviva.com.br/appe" target="_blank"><img class="alignright size-full wp-image-1110" style="border-style: initial; border-color: initial; border-width: 0px; margin: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/11/appeliza.jpg" alt="" width="220" height="433" /></a>Rever os filmes dirigidos por Bob Fosse pode ser apenas a manifestação de uma mania, mas escrever a respeito deles já está me cheirando a um pedido de desculpas. É verdade: ainda não engoli <em>Sweet Charity</em> (1969) e a maldita destruição que provocou na história de Cabíria, a prostituta sonhadora de Fellini. Mas vamos com calma. Era a primeira vez que o ator e dançarino estava dirigindo um filme. Mais: estava transpondo algo que conhecia muito bem – o palco e a dança – para uma linguagem que, para ele, era nova – a direção de cinema. E ele se sai muito bem quando fica só na dança. Eu te perdoo, Fosse. Apesar de todo a idiotização da história, que talvez tenha sido uma grande sacanagem de Fellini, já que ele participou do roteiro. Vocês caíram. As risadas ouvidas no Cemitério de Rimini são de Fellini, que ainda hoje gargalha dessa história.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Cabaret</em> (1972), segunda direção de Fosse, não é um filme qualquer. Devo tê-lo visto também em meados dos anos 80, naquela ansiedade juvenil de ver tudo que tivesse levado muitos Oscars. Não afirmo, mas talvez tenha sido o filme que ganhou mais Oscars sem levar o de melhor filme. E não deixou de ganhar para qualquer um. Foi para <em>O Poderoso Chefão</em>. Saiu vencedor em oito das dez categorias em que concorreu. Dentre elas, Melhor Atriz (Liza Minnelli), Melhor Ator Coadjuvante (Joel Grey), Melhor Direção de Arte, Melhor Música, Melhor Edição e Melhor Editor. Tudo muito merecido!</p>
<p style="text-align: justify;">Fosse entendeu que cinema não é teatro, nem teatro filmado. Também entendeu que um musical no cinema não pode ser um filme que é interrompido para dar lugar a números musicais e depois deixa o espectador sem saber onde estava. Em <em>Cabaret</em>, a história é perfeitamente integrada aos momentos musicais. Verdade que o fato de boa parte dela se passar em um lugar onde aconteçam tais apresentações facilita, mas isso não funcionou no filme anterior. No palco, tudo funciona perfeitamente e – vou me permitir um justo lugar-comum – é aí que “<em>a magia do cinema acontece</em>”. Os números são filmados de vários ângulos, com movimentos de câmeras em praticamente todos e com uma edição de se ficar pensando se aquilo não estava sendo editado ao vivo e em uma só tomada. Era início dos anos 70. Nada de recursos digitais nem quaisquer outras muletas exaustivamente usadas pelo cinema americano nas décadas seguintes. Quem roteirizou, coreografou, dirigiu, filmou e editou aquilo, sabia muito bem o que estava fazendo. E o principal responsável por tudo isso foi Bob Fosse.</p>
<p style="text-align: justify;">Liza Minnelli, um piteuzinho de 25 anos e pouco mais de 1,60m, deve ter pegado sua estatueta e dito: “<em>Papai, mamãe, mundo, quem faz uma Sally Bowles assim, não precisa provar mais nada a ninguém. Dá licença que eu vou ser louca na vida.</em>” E foi.</p>
<p style="text-align: center;">(clique na imagem abaixo e confira <em>Mein Herr</em>, segundo musical do filme<br />
e primeiro dos quatro protagonizados por Liza;<br />
o vídeo abrirá em outra janela, direto no YouTube)</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.youtube.com/watch?v=CX-24Zm0bjk" target="_blank"><img class="size-full wp-image-1108 aligncenter" style="border-style: initial; border-color: initial; margin-top: 0px; margin-bottom: 0px; border-width: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/11/liza.jpg" alt="" width="500" height="295" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Fico imaginando o poder da carga genética da pequena Liza, filha de Vincent Minnelli, diretor de musicais, e Judy Garland, que dispensa qualquer apresentação. E a escola que ela teve, crescendo nesse meio. Resultado: 25 anos e tome-lhe Oscar, Bafta e Golden Globe.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas nem só de pedido de desculpas a Bob Fosse e rasgação de seda para Liza Minnelli é este texto. Nem mera viagem no tempo a falar de um filme “antigo”. <em>Cabaret</em> está entre nós, brasileiros, hoje. Cláudia Raia, à beira dos 45 anos e com seu 1.80m de gostosura aviltante a qualquer fêmea humana, está cantando e dançando ao vivo no palco. E parece estar fazendo tudo muito bem. Até cantar. E cantar dançando, que é ainda mais difícil. Claro que não é uma Liza Minnelli. Mas e daí? A Liza toda não dá as coxas da Cláudia. Cada uma com seus dons divinos e Deus contra todos nós, pobres mortais babões.</p>
<p style="text-align: center;">(clique no vídeo abaixo e veja Cláudia Raia também apresentando <em>Mein Herr</em>)</p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="http://www.youtube.com/embed/xmVfsXn4xLQ" frameborder="0" width="420" height="315"></iframe></p>
<p style="text-align: justify;">Nem pretendo fazer comparações. Casaria com as duas e seria feliz para sempre (o que certamente não seria muito tempo). Também seria covardia comparar os aspectos técnicos, mas, mesmo assim, atentem para o fato de que o vídeo com Cláudia foi gravado por várias câmeras e editado ao vivo (isto é, as mudanças de câmera foram feitas durante uma única execução do número). Reveja a cena de Liza e repare os diferentes posicionamentos de câmera, seus vários movimentos e o resultado final. Agora imagine que a coreografia foi repetida várias vezes para diferentes posicionamentos de câmera e que, ao final, tudo – as tomadas, a música, os outros sons (os saltos, as cadeiras, as mãos, os estalos) – foi encaixado para dar a impressão de uma única tomada editada ao vivo. Bob Fosse era ou não <em>O CARA</em> para coreografar e mostrar no cinema um número musical com tanta perfeição?</p>
<p style="text-align: justify;">Não preciso perdoá-lo por <em>Sweet Charity</em>, Fosse. Sou eu que peço perdão. Tem que ser muito competente para se adaptar tão bem e evoluir tanto em tão pouco tempo.</p>

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		<title>Lenny</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Nov 2011 18:24:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Livre pensar]]></category>

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		<description><![CDATA[Dentre minhas manias (ou incapacidades), está a de me deixar levar sem freios pela busca de conhecimento e me aprofundar em um tema mesmo que ele não esteja ou não pareça estar entre meus principais interesses. Funciona mais ou menos &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2011/11/21/lenny/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/11/lenny.jpg"><img class="size-full wp-image-1103 aligncenter" style="border-style: initial; border-color: initial; margin-top: 0px; margin-bottom: 0px; border-width: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/11/lenny.jpg" alt="" width="600" height="333" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Dentre minhas manias (ou incapacidades), está a de me deixar levar sem freios pela busca de conhecimento e me aprofundar em um tema mesmo que ele não esteja ou não pareça estar entre meus principais interesses. Funciona mais ou menos como quando começamos a navegar na Internet buscando algo que queríamos e, de repente, percebemos que passamos por dezenas de páginas e nem sabemos como chegamos àquele lugar. Isso acontece comigo de uma forma mais demorada, desde sempre, com livros e filmes. Leio um livro de determinado autor, gosto, quero ler todos dele. “Azar” o meu se ele escreveu dezenas. Vejo um filme e ele me leva a outro, e outros, e à vontade de ver tudo de um diretor ou de um ator. E nada disso garante que, ao final, eu vá me tornar um admirador daquele tema, pessoa ou forma de expressão. É algo meio doentio, eu sei.</p>
<p style="text-align: justify;">Recentemente aconteceu isso com relação a Bob Fosse. Tive que guardar minha má vontade e meu conceito prévio de que o cinema americano destrói tudo de bom de qualquer outro cinema quando resolve fazer sua versão (e é isso mesmo!) para assistir <em>Sweet Charity</em> (1969), baseado em <em>As Noites de Cabíria</em> (1957), de Fellini. Passada a náusea, civilizadamente admiti que, em se tratando de coreografar e levar musicais para o cinema, Bob Fosse era realmente muito bom. Daí bateu a vontade de rever <em>Cabaret</em> (1972) e <em>All That Jazz</em> (1979) – ambos consagrados com dezenas de prêmios, incluindo 12 Oscars – e tudo mais que ele tivesse dirigido. Descobri que foram apenas cinco filmes e que, na verdade, eu só não havia assistido <em>Sweet Charity</em>. Os outros dois – <em>Lenny</em> (1974) e <em>Star 80</em> (1983) -, também havia visto nos anos 80, mas quase não guardei lembranças. De <em>Lenny</em>, tudo que lembrava era de que tinha sido feito por Dustin Hoffman e que eu havia assistido por isso. Revi e tive um, digamos, <em>déjà vu</em> às avessas.</p>
<p style="text-align: justify;">Tenho percebido que, nos últimos anos, os brasileiros têm se encantado por grandes novidades que nada têm de novas, originais, revolucionárias ou geniais. Daí o endeusamento às “invenções” de Steve Jobs (grande aprimorador e comercializador, nunca um Thomas Edison) e o abestalhamento pelo <em>stand up comedy</em>. Que fique claro: não estou questionando o valor das coisas, mas nossa ignorância e disposição em comprar como novo algo que existe há décadas. Quando a onda do <em>stand up</em> surgiu por aqui, pensei: “<em>Mas José Vasconcelos não fazia isso nos anos 1950?! Por que essa garotada está dando um nome em inglês e dizendo que isso é onda da matriz americana?</em>” José Vasconcelos já fazia isso quando o “grande ídolo” Seinfeld estava nascendo. Ah! É que essa garotada cresceu vendo televisão e sendo educada por séries americanas. Aprendeu que se é bom é porque veio dos Estados Unidos. Talvez por isso, quando Zé Vasconcelos morreu, os jovens jornalistas tenham repetido tanto a bobagem de que “<em>ele ficou famoso na Escolinha do Professor Raimundo</em>”. Em resumo: as coisas parecem novas porque a garotada desconhece completamente a história, mesmo que recente, do próprio país onde vive, só tem memória para o que viu na tevê e só acha bonito se tiver vindo da gringa. Mais culturalmente rendidos, impossível.</p>
<p style="text-align: justify;">Revi <em>Lenny</em>. Trata-se da história de Lenny Bruce, que começou carreira fazendo apresentações do tipo <em>stand up</em> no final dos anos 1940, quando provavelmente nem os pais dessa garotada que se acha genial, engraçada e revolucionária haviam nascido.</p>
<p style="text-align: justify;">Se você não viu e/ou pretende assistir <em>Lenny</em>, saiba que vou fazer um ou outro comentário que pode revelar algo da trama (o tal do <em>spoiler</em>, para você, que foi criado em portuglês). É um drama, filmado em preto e branco (muito sensível e corajoso da parte de Fosse, que abandona seu mundo de música, dança, movimentos, cores e tudo mais que possa distrair, para focar no essencial), com uma narrativa intercalada em três tempos que se completam e apresentam diferentes olhares sobre a história (nem endeusando nem criticando o personagem, mas mostrando toda a sua humanidade) e com Dustin Hoffman, ainda na casa dos 30, já muito maduro e talentoso (o baixinho da propaganda do Fiat Cinquecento, crianças).</p>
<p style="text-align: justify;">Mas é sobre o tal <em>déjà vu</em> ao contrário que quero falar. Judeu, com barba, fazendo <em>stand up</em>, acusado de ser grosseiro (e sendo mesmo!), tornando-se vítima de suas próprias grosserias&#8230; Já viram isso antes, digo, depois (recentemente e aqui perto) de Lenny Bruce?</p>
<p style="text-align: justify;">Antes de continuar, devo dizer que achei uma bobagem enorme toda aquela discussão em torno da “piada de mau gosto” do Rafael Bastos. Mesmo porque não vi qualquer piada. Só um cara grosseiro com uma evidente necessidade de autoafirmação finalmente chegar ao ponto de estampar publicamente sua imbecilidade, limitação, falta de talento e de bom senso para muita gente que ainda não tinha percebido isso. Acho a celeuma idiota porque não sou obrigado a assistir, rir junto, concordar com o “humor” adolescente. Ninguém me tira o poder de escolha. Não gosto, não vejo, não me aborreço. Simples assim.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas entendo que, de alguma forma, a discussão possa gerar algo salutar. Rever <em>Lenny</em> agora e ver tantas semelhanças (há diferenças gigantescas também: era outra época, outra sociedade, outros motivos) me fez pensar que a discussão seja mesmo necessária. O que me deixou triste foi perceber que se ela ainda é necessária é porque somos extremamente imaturos para lidar com certos temas, certas atitudes. Discussão sobre liberdade de expressão, censura, sobre o que seja ou não politicamente correto&#8230; Se chegamos a um ponto em que agressão gratuita e qualquer bobagem vomitada possam ser confundidos com humor e liberdade de expressão, acho melhor voltarmos para as cavernas porque é lá o nosso lugar. Vamos meter a clava na cabeça dos outros e nas de todos que não rirem disso. Apareceu na tevê é “<em>gênio</em>”, “<em>fantástico</em>”, “<em>sensacional</em>”. Se já disseram o que temos que acreditar e achar, por que fazer o esforço de pensar?</p>
<p style="text-align: justify;">Tenho esperança de que as semelhanças continuem a se repetir e, mesmo com um retardo de mais de meio século, em algum instante percebamos que quase ninguém mais aplaude qualquer idiotice só porque é moda. E que, assim como Lenny, em um lampejo de lucidez, o bobo da vez (qualquer um) admita: “<em>Não sou comediante</em>” e se retire. Mais digno para quem o fizer. Mais fácil para nós, que não teremos que fazer a triste escolha entre o que é <em>menos pior</em>: viver em uma sociedade hipócrita ou em uma sem valores e sem qualquer senso crítico.</p>
<p style="text-align: justify;">A nossa sociedade – a brasileira média –, como vemos hoje, me parece mais com uma de babuínos: um chefe grita, todos os outros gritam também e se mostram prontos a estraçalhar qualquer um que não faça parte do bando. Particularmente, prefiro viver em uma em que, com todas as suas diferenças e gostos variados, as pessoas se respeitem, ajam de forma civilizada e pensem por si mesmas.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Lenny</em> me fez pensar que aquela sociedade hipócrita e moralista dos anos 1950 nos Estados Unidos era bem mais evoluída que a nossa nos dias atuais. Se é para importar algo deles, por que em vez do lixo, não importamos o que eles aprenderam antes de nós? Aprender com a observação dos erros alheios, no mínimo, evita que venhamos a repeti-los.</p>

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		<title>Conversa rápida&#8230;</title>
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		<pubDate>Sun, 13 Nov 2011 00:54:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Conversa com o leitor]]></category>
		<category><![CDATA[Desenho]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Televisão]]></category>

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		<description><![CDATA[Estou traindo o blog com outros escritos. Pronto, confessei. Mas não estou traindo os cinco ou seis leitores que ainda vêm aqui. Ninguém está lendo o que ando escrevendo. É tudo coisa para 2012. Não sei para quando é o &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2011/11/12/conversa-rapida/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Estou traindo o blog com outros escritos. Pronto, confessei. Mas não estou traindo os cinco ou seis leitores que ainda vêm aqui. Ninguém está lendo o que ando escrevendo. É tudo coisa para 2012. Não sei para quando é o parto, mas a barriga está enorme e quase já sinto as contrações. Parece que serão trigêmeos. Talvez, quadrigêmeos. Enquanto isso, vamos jogar conversa fora&#8230;</p>
<h2 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Carlos Estevão no Jornal da ABI</strong></span></h2>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.readoz.com/publication/read?i=1043787#page30" target="_blank"><img class="size-full wp-image-1088 aligncenter" style="border-style: initial; border-color: initial; margin-top: 0px; margin-bottom: 0px; border-width: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/11/01carlos.jpg" alt="" width="470" height="315" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Para diminuir o peso em minha consciência, aí está algo que andei escrevendo. São seis páginas sobre <strong><a href="http://www.memoriaviva.com.br/carlosestevao" target="_blank">Carlos Estevão</a></strong> na edição de novembro do <strong><em>Jornal da ABI</em></strong> (Associação Brasileira de Imprensa). Considerem como um aperitivo para a biografia que, prometo (com riscos) terminar em 2012. É só <strong><a href="http://www.readoz.com/publication/read?i=1043787#page30" target="_blank">clicar aqui</a></strong> ou na imagem acima e ter acesso às páginas.</p>
<p style="text-align: justify;">Na <strong><em>Revista de História</em></strong> de novembro tem mais Carlos Estevão. Ainda não vi (maldita distribuição setorizada!), mas <strong><a href="www.revistadehistoria.com.br/secao/em-dia/humor-com-personalidade" target="_blank">o texto está no site da revista</a></strong>.</p>
<p style="text-align: center;">* * * * * * *</p>
<h2 style="text-align: justify;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/11/02balada.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-1089" style="border-style: initial; border-color: initial; margin-top: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 10px; margin-right: 6px; border-width: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/11/02balada.jpg" alt="" width="200" height="285" /></a><span style="color: #000000;"><strong> Balada Triste de Trompeta</strong></span></h2>
<p style="text-align: justify;">Estou em uma fase espanhola. Não, não é bem isso que você pensou. Verdade que gosto de uns <em>pechos</em> tamanho G ou GG, preferencialmente naturais de fábrica, mas estou falando de cinema. Nos últimos meses, além de ver/rever oito filmes de Almodóvar; de corrigir uma gravíssima falha de dez anos, vendo <em>Lúcia y el Sexo</em> (2001); de ficar paralisado/apaixonado com a atuação de Laia Marull em<em> Te doy mis ojos</em> (2003); neste sábado foi a vez de ficar bestificado com <em>Balada Triste de Trompeta</em> (aqui, <em>Balada do Amor e do Ódio</em>, 2010).</p>
<p style="text-align: justify;">É tão bom em tudo, que sugiro até aos que foram criados com o pensamento engessado do cinema americano. É tão bom, que eu nem vou dizer que é preciso prestar atenção na analogia com a história política da Espanha, que também serve como pano de fundo à história de amor e ódio dos palhaços Triste e Tonto. Pode ver só como entretenimento, mas lembre-se de respirar. É moderno, violento e, muitas vezes, grotesco. Ao final, dá vontade de comentar: “<em>Viu como se faz, Tarantino?</em>” Fiz questão de NÃO colocar um <em>trailer</em> aqui. Acho até que o pôster ao lado já fala muito. Não procure saber mais nada. Apenas assista. Tão virgem quanto possível.</p>
<p style="text-align: center;">* * * * * * *</p>
<h2 style="text-align: justify;"><strong><strong> </strong><span style="color: #000000;">Sweet Charity</span></strong></h2>
<p style="text-align: center;"><iframe width="420" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/UseIME8v2Ts" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p style="text-align: justify;">E por falar em palhaços, vou acabar vendo o filme do boçal do Selton Melloso. Este ano, já me rendi a <em>Nine</em> (após um ano e meio de relutância) e <em>Sweet Charity</em> (após 42 anos, portanto mais que minha vida toda, de resistência). Rápida explicação. <em>Nine</em> é uma (vá lá!) homenagem a <strong>Fellini</strong>. <em>Sweet Charity</em> é a versão americana de <em>Noites de Cabíria</em>. Ou a aversão, como prefiro. Daí vem um mané, que tem como maior talento imitar a si mesmo, faz um filme sobre palhaços e diz que é homenagem a quem? A quem? Ao deus Fellini. Pois é. Eu, devoto escaldado, me armo logo para uma guerra santa.</p>
<p style="text-align: justify;">Um dia, bem zen (zen raiva, zen bile pulando boc’afora), escreverei detalhadamente minhas impressões a respeito de <em>Nine</em> e <em>Sweet Charity</em>. Deste último, digo que quase tudo que vale a pena ver é essa parte no vídeo acima. Pode ver sem medo. É só dança e não compromete em nada a história. Tem ainda uma parte com Sammy Davis Jr. e outra, quase ao final, com Shirley Maclaine que também são legais. Admito: os americanos são muito bons com musicais e são ótimos em dançar. E Bob Fosse era o cara para pegar isso e levar para o cinema. Estão vendo como, às vezes, sei ser bonzinho com a debilidade mental americana?</p>
<p style="text-align: center;">* * * * * * *</p>
<h2 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Séries, séries, séries&#8230;</span></h2>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/11/03series.jpg"><img class="size-full wp-image-1096 aligncenter" style="border-style: initial; border-color: initial; margin-top: 0px; margin-bottom: 0px; border-width: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/11/03series.jpg" alt="" width="485" height="333" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Vou ser ainda mais bonzinho: os americanos são bons em fazer séries. Não contentes em aniquilar a cultura de metade do planeta pelo cinema, resolveram atacar dentro das casas de todo mundo, que é para não sobrar uma criatura que não repita suas gírias, suas siglas, seus gestos, suas manias. É, <em>brother</em>, você é americano e não sabe. Mas você acha isso <em>awesome</em>, né? <em>WTF</em>, Sandro! <em>Relax, man</em>. Ria um pouco. Ou muito&#8230; <em>LOL</em>.<em> Ok. Hi Five</em>. Nóis é <em>BFF</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Tá, eu me rendo às séries. Continuo vendo <em>Nikita</em> (porque curto japa, principalmente se for japa gostosa&#8230; e ela nem é japa!), <em>Supernatural</em> (podem sacanear) e <em>House</em> (que começo a não botar muita fé que vá mesmo passar da atual temporada). Também estou vendo <em>Person of Interest</em>, apesar de não conseguir acreditar que Ben Linus possa ser um cara legal, que Jesus virou matador e que os dois estão de treta para salvar a vida de um monte de gente que eles nem conhecem. Para desligar o cérebro totalmente, tenho visto<em> Suburgatory</em> e <em>2 Broke Girls</em>. A identificação com Tessa (Jane Levy) e Max (Kat Dennings, que acho linda) é enorme: uma total falta de comiseração com os retardamentos alheios e de fé que isso possa mudar. Minha cara, não?</p>

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		<title>Giulietta e Federico &#8211; 68 anos de um amor de cinema</title>
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		<pubDate>Sun, 30 Oct 2011 22:35:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[Amor perfeito é aquele que não se realiza. Um amor como o de Romeo e Giulietta, que fica no mundo das ideias, das ilusões, sem ser colocado à prova pela dura realidade, pelo tempo, pelos defeitos crescentes de um e &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2011/10/30/giulietta-e-federico-68-anos-de-um-amor-de-cinema/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/10/masinafellini.jpg"><img class="size-full wp-image-1081 aligncenter" style="border-style: initial; border-color: initial; margin-top: 0px; margin-bottom: 0px; border-width: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/10/masinafellini.jpg" alt="" width="500" height="723" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Amor perfeito é aquele que não se realiza. Um amor como o de Romeo e Giulietta, que fica no mundo das ideias, das ilusões, sem ser colocado à prova pela dura realidade, pelo tempo, pelos defeitos crescentes de um e de outro. Este é um pensamento que consola os desiludidos do amor.</p>
<p style="text-align: justify;">Giulietta – não a Capuleto, mas a Masina – pois isso à prova. Na flor da idade, aos 22 anos, em 30 de outubro de 1943, desposou seu Romeo: o jovem Federico, de Rimini. Seria um amor para a vida toda, um amor de cinema.</p>
<p style="text-align: justify;">O Romeo desta Giulietta engordou, dava ordens, queria ver as coisas do jeito que sonhava e era cercado por mulheres lindas, desejadas por homens do mundo todo: Sylvia, Fanny, Gradisca&#8230; Mulheres de carnes fartas, sensuais, muito diferentes da pequena Giulietta de pouco mais de metro e meio e cara de alcachofra.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 1950, no primeiro <em>mezzo</em> de Federico, ela aparecia como a preterida Melina, apaixonada por um homem que se deixava levar por mulheres e luzes. Melina tinha Amor no nome e a certeza de que ela era o porto seguro, de que ele sempre retornaria. Em 1954, Giuletta era Gelsomina, sempre encantada com qualquer possibilidade, com alguma atenção, algum carinho. A estrada era árdua, mas, àquela altura, o mundo inteiro conheceu e reconheceu que aquela parceria era de cama, mesa e tela. Se alguém ainda duvidava, três anos depois, Cabíria espantou qualquer desconfiança.</p>
<p style="text-align: justify;">Giulietta dos espíritos trouxe cor ao mundo dos sonhos de Federico. A partir dali, ele viveria histórias extraordinárias em um mundo de sátiros. Passaria pelas tentações de Roma, cidade das mulheres, faria de tudo e lembraria cada detalhe. A vida seguiria até que Giulietta deixasse de ser apenas (!) a inspiração escondida. Ressurgiria como Amelia, dançando e sendo conduzida por Pippo-Marcello, alter ego de seu Federico-Romeo.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 1993, o casal começou a planejar outra viagem. Giulietta tinha dificuldade para respirar. O coração de Federico não queria mais bater. Sua mente se ausentou, mas seu corpo permaneceu aqui até o casamento completar 50 anos. No dia seguinte, Federico partiu. Giulietta ficou por mais um tempo, mas já não havia muito que fazer aqui. Em menos de cinco meses, tomaria a barca – aquela bem na entrada do Cemitério de Rimini – e se juntaria mais uma vez a seu amor. Hoje, 30 de outubro de 2011, estão completando 68 anos de casados.</p>
<p style="text-align: justify;">Como diria Fellini (ah! era este o sobrenome de Federico): “<em>Não há fim. Não há começo. Existe apenas a infinita paixão da vida.</em>” <em>E la nave va&#8230;</em></p>
<p style="text-align: center;">* * * * * * *</p>
<p style="text-align: justify;">Mais fotos de Fellini e Giulietta Masina em <strong><a href="http://mulheresdefellini.tumblr.com" target="_blank">Mulheres de Fellini</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Textos relacionados</strong><br />
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<a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2006/01/26/as-loucas-de-fellini/"> As loucas de Fellini e os outros eus</a></p>

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		<title>A última noite de Cabíria</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Sep 2011 03:05:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Livre pensar]]></category>

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		<description><![CDATA[Já não estranho quando me vejo em personagens femininos. Mas ainda me surpreendo quando um que conheço há tanto tempo aparece de forma diferente, sugerindo outras leituras, me apontando um espelho. Foi assim com Cabíria há algumas noites. O que &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2011/09/01/a-ultima-noite-de-cabiria/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/08/cabiria.jpg"><img class="size-full wp-image-1073 aligncenter" style="border-style: initial; border-color: initial; margin-top: 0px; margin-bottom: 0px; border-width: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/08/cabiria.jpg" alt="" width="600" height="450" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Já não estranho quando me vejo em personagens femininos. Mas ainda me surpreendo quando um que conheço há tanto tempo aparece de forma diferente, sugerindo outras leituras, me apontando um espelho.</p>
<p style="text-align: justify;">Foi assim com Cabíria há algumas noites. O que aquela criatura tão pequena, perdida, sonhadora, acostumada a disfarçar sua delicadeza e sua fragilidade com um jeito grosseiro, disparando impropérios a quem tente se aproximar poderia ter a ver comigo? Tudo.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma prostituta acostumada às rudezas da vida, encastelada em um pequeno cômodo, mostrando-se autossuficiente, mas sonhando com outra vida, juntando recursos que nunca são aplicados. Com tantas características em comum, como nunca havia me dado conta de tal semelhança?</p>
<p style="text-align: justify;">Talvez porque precisasse deixar os detalhes de lado e perceber o todo, a trajetória. A cada abertura, para cada momento de disposição em acreditar, uma decepção. A razão ensinando que o caminho não era esse; o coração – burro, cheio de medos – insistindo em tentar mais uma vez. Cabíria sou eu e cada um de nós, ao tentarmos equilibrar razão e emoção, realidade e sonho.</p>
<p style="text-align: justify;">Também foi preciso fechar um ciclo para enxergar Cabíria em mim. Chegar ao ponto em que ela chegou. Sem absolutamente nada, despojada do pouco que havia juntado (e que era seu mundo, sua âncora), ela finalmente se sente livre para tomar outro caminho. As noites de Cabíria – na rua e as da alma – terminam quando ela se vê como no momento do nascimento: sem nada. No rosto, não correm lágrimas. Há apenas uma, fixa, como uma tatuagem para representar e lembrar eternamente todas as dores. Há também um sorriso. Não aqueles fugazes das ilusões, mas um que vai se desenhando aos poucos, nascendo da rispidez do rosto sempre contraído. É um parto. Uma nova vida que aparece depois de muito tempo, de muitas dores, de fortes contrações.</p>
<p style="text-align: justify;">Após o medo inicial, ela implora ao responsável pela última ilusão: “<em>Mate-me! Mate-me! Não quero mais viver!</em>” Não quer mais viver daquele jeito. É necessário morrer para nascer de novo. “<em>Ammazzami! Ammazzami! Non voglio più vivere!</em>”</p>
<p style="text-align: justify;">A noite e o frio da alma morrem. Quase arrisco dizer que Cabíria morreu na última (e boa noite) de inverno, e renasceu Maria no primeiro dia da primavera. É assim comigo. Renasço a cada setembro.</p>

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		<title>Aqueles marços</title>
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		<pubDate>Tue, 30 Mar 2010 22:00:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Anos 80]]></category>
		<category><![CDATA[Anos 90]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Há 20 anos...]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[Antes que este também se vá e eu desaprenda de todo a juntar meia dúzia de palavras de forma inteligível, voltemos àqueles de 1989 e 1990. Na quinta, 2 de março de 1989, aconteceu algo que, à época, podia ser &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/03/30/aqueles-marcos/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Antes que este também se vá e eu desaprenda de todo a juntar meia dúzia de palavras de forma inteligível, voltemos àqueles de 1989 e 1990.</p>
<p style="text-align: justify;">Na quinta, 2 de março de 1989, aconteceu algo que, à época, podia ser considerado um grande evento: o lançamento de um comercial da Pepsi estrelado por Madonna. No dia seguinte, no mundo real e do qual eu fazia parte, o curso de jornalismo da UFRN inaugurava seu laboratório de rádio e TV, nos fundos da Biblioteca Zila Mamede. Depois de acanhados comes ali, parte da turma foi para os bebes no Chernobyl (Chernô, para os íntimos) ,o bar dos malucos, que ficava na Ponta do Morcego, na Praia dos Artistas.</p>
<p align="center"><object width="480" height="385"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/h8qtsUaoVak&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/h8qtsUaoVak&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;">Naquele março, pensava em dar continuidade ao jornal <em>Graúna</em>, mas fiquei só na vontade. Também fiz uma descoberta que deixei registrada na agenda, no dia 8: “<em>Como guitarrista, sou um ótimo jornalista</em>”. Agradeça por eu não ter à mão uma foto que me mostra com <em>mullets</em>, sem camisa, com um bermudão vermelho, segurando a guitarra e encostado a uma parede com posters de Stallone e Schwarzenegger. Eu achava que era o Lulu Santos, mas queria mesmo ser um dos dois fortões.</p>
<p style="text-align: justify;">Para o fim de semana, fazia planos de ir à Flash, uma boate que era “<em>o point</em>”, em Natal, no fim dos anos 80. Não registrei se fui, mas assisti alguns filmes em casa: <em>Weekend Warriors</em>, uma comédia idiota; <em>Twice in a lifetime</em>, uma drama com Gene Hackman e Ann-Margret; e <em>Salsa – O filme quente</em>, grande clássico com o ex-Menudo Robby Rosa. Na terça seguinte, 14, tentei me redimir disso assistindo <em>The Corsican Brothers</em>, este, sim, um clássico, de 1941, com Douglas Fairbanks Jr. interpretando irmãos siameses que haviam sido separados e criados em lugares diferentes. Um, vira um cavalheiro; outro, um bandido.</p>
<p style="text-align: justify;">A semana seguinte começaria com uma notícia triste. Na manhã do dia 20 de março, uma segunda-feira, morria a atriz Dina Sfat. Na terça, eu assistia pela milésima vez uma comédia romântica que ainda hoje acho muito bonitinha: <em>Alguém muito especial</em> (<em>Some Kind of Wonderful</em>), do mestre dos filmes adolescentes John Hughes. Ainda que a cada mês dos últimos vinte anos tenham lançado um filme sobre o esquisito que se apaixona pela garota mais popular do colégio e não percebe sua amiga apaixonada sofrendo bem a seu lado, nenhum chegou perto da mestria de Hughes. A abertura (logo abaixo) é uma de minhas preferidas dentre os filmes do gênero. Em três minutos, sem uma única palavra, Hughes apresenta os personagens, a sinopse da história e dá o ritmo do filme.</p>
<p align="center"><object width="480" height="385"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/R1dHOg4-esw&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/R1dHOg4-esw&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;">Em parágrafo único, tomando quase toda a página do dia 23 de março, dava um ultimato a mim mesmo: “<em>Colocar a vida em ordem</em>”.  Nas duas páginas seguintes, fazia uma longa lista do que precisava fazer naqueles dias. A cada dois itens, um se repetia: “<em>Fazer a resenha</em>”. Trauma de nove entre dez universitários, para mim, isso não chegava a ser um problema, mas eu estava em atraso com uma para Sistemas de Comunicação no Brasil II, disciplina do saudoso Rogério Cadengue, um dos grandes e verdadeiros professores que tive, desses que ensinam muito em sala de aula e mais ainda em mesa de bar. O livro era <em>Carnavais, Malandros e Heróis</em>, que até hoje indico não só a alunos de Comunicação, mas a qualquer um interessado em compreender certos aspectos culturais brasileiros. Tinha que me apressar, pois no domingo havia uma estreia imperdível na TV: <em>Domingão do Faustão</em>. Mais da metade dos televisores do país estariam ligados no contra-ataque da Globo à supremacia dominical de Sílvio Santos. Nós, os ingênuos, acreditávamos que Fausto Silva iria nos salvar da leseira e da mesmice que imperava nas tardes de domingo. Claro! Aquele gordo sacana do <em>Perdidos na Noite</em> iria avacalhar com tudo. Não. Aquele gordo sacana iria se encher de dinheiro e fazer exatamente o que lhe mandassem: ser o idiota do outro canal. Deixa pra lá,&#8230;</p>
<p align="center"><object width="480" height="385"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/W03k6GgPhkM&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/W03k6GgPhkM&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;">&#8230; passemos a março de 1990, iniciado com mais um filme que eu deveria ter vergonha de contar que assisti: <em>Retroceder nunca&#8230; render-se jamais!</em>, que marcava o início da era Jean-Claude Van Damme. Na mesma linha, assistiria naquele primeiro fim de semana a <em>O Grande Dragão Branco </em>(filme seguinte de Van Damme), <em>O Voo do Dragão </em>e <em>A Fúria do Dragão</em>, estes com Bruce Lee (em <em>O Voo</em>&#8230;  tinha ainda seu discípulo, Chuck Norris). Não entendi o motivo de ver tantos filmes assim nessa época até ler uma carta na qual eu explicava que Fabíola, minha namorada, gostava do gênero. Em seguida vieram <em>Indiana Jones e a Última Cruzada</em> e <em>Willow – Na Terra da Magia</em>. Os clássicos também tinham vez. Eu e Fabíola iniciamos um grupo para debates com exibição de filmes no laboratório de TV. Na estreia, com <em>A General</em>, de Buster Keaton (<a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/02/20/dias-e-filmes-melhores-virao/">texto anterior</a>), quase todos dormiram. O segundo, último antes de desistirmos dessa insanidade, foi <em>A Felicidade não se compra</em>, de Frank Capra, outro desses que guardo no coração e assisto uma vez por ano – sempre no Natal, claro! – para testar se ainda sou humano.</p>
<p style="text-align: justify;">Meus apontamentos mostram que eu lia muitos livros sobre cinema. Também frequentava outros grupos (menos sonolentos) de estudo. Quem me conhece dessa época, até hoje me cobra que escreva para cinema. Não digo que isso não venha a acontecer, mas não chega a ser uma pretensão. Nas duas décadas seguintes, tornei-me principalmente um amante, um apreciador de filmes que muito raramente vê algo que não o (me) agrade. Os cinemas de <em>shopping </em>com seus animais barulhentos me afastaram quase completamente das salas de exibição, a pipoca americana passou a último lugar na minha lista de possibilidades a serem assistidas e Fellini se tornou minha divindade absoluta. Antes de assistir a um filme, pergunto a ele se posso. Se não mordo a língua nem fico com o corpo paralisado, é sinal de que ele deixou. Recentemente, quando perguntei sobre <em>Nine</em>, senti meu coração sendo esmagado. Até hoje, não tive coragem de ver a tal “homenagem”.</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda naquele março de 1990, no dia 15, vimos a posse de Collor. Para minha geração, o primeiro presidente eleito por voto direto. No dia seguinte, uma sexta, o país parava para assistir as explicações sobre confisco da poupança e outras medidas impostas pelo Plano Brasil Novo, que ficaria conhecido como Plano Collor. O Cruzeiro voltava e, com ele, o desespero de muita gente. O depois, todos conhecemos.</p>
<p align="center"><object width="480" height="385"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/4VItVQbiww4&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/4VItVQbiww4&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"></embed></object></p>

<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/03/30/aqueles-marcos/&amp;text=Aqueles marços&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
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		<title>Dias (e filmes) melhores virão</title>
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		<pubDate>Sat, 20 Feb 2010 17:35:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Anos 80]]></category>
		<category><![CDATA[Anos 90]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Há 20 anos...]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[“Morreu Lampeão. E foi épico”. Jamais saíram de minha cabeça as palavras iniciais de um texto do jornal A República, de 1938, contando o fim do cangaceiro. Em 12 de fevereiro de 1989, anotava na agenda: “Acabar de datilografar o &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/02/20/dias-e-filmes-melhores-virao/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-510" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/02/ageneral1.jpg" alt="ageneral" width="600" height="388" /></p>
<p style="text-align: justify;">“<em>Morreu Lampeão. E foi épico</em>”. Jamais saíram de minha cabeça as palavras iniciais de um texto do jornal <em>A República</em>, de 1938, contando o fim do cangaceiro. Em 12 de fevereiro de 1989, anotava na agenda: “<em>Acabar de datilografar o texto de Lampião</em>”. Dura vida de jovem pesquisador. Em priscas eras, já fazia amizade com ácaros. Focinho enfiado em jornais antigos, copiava os artigos à mão para depois datilografar em casa. Nem em meus sonhos mais Clarkeanos (do Arthur C., não do Kent), me imaginaria, quase década e meia a frente, clicando centenas de páginas, em uma tarde, com uma câmera digital do tamanho da palma de minha mão.</p>
<p style="text-align: justify;">Os apontamentos daquele fevereiro denunciam planos nunca terminados como a eterna retomada às aulas de inglês e a incapacidade, hoje parcialmente vencida, de cumprir o que prometia a mim mesmo: Segunda, 13 – <em>“Tentar” fazer o que deixei de fazer ontem</em>; Terça, 14 – <em>Tentar fazer o que não tentei fazer ontem que é justamente o que eu não fiz anteontem</em> e, mais adiante, no fim da página, <em>Saldo do dia: não fiz nada</em>. O humor e a mania de ironizar os próprios defeitos também já se faziam presentes.</p>
<p style="text-align: justify;">Em quase todos os dias, havia uma “reunião”. Sempre em um bar. Era a velha escola do jornalismo e da política estudantil. Marcávamos a reunião, bebíamos todas, decidíamos nada e marcávamos outra reunião para fazermos tudo isso outra vez.  As anotações sobre o vai-e-vem de cartas era outra constante. Chegavam também postais da Paraíba e do Maranhão, enviados pelos novos colegas que havia feito no Enecom. E eu sabia quem eram aquelas pessoas? Várias não foram identificadas. Ah, um Orkut! Ah, um Facebook! Um Google que fosse, para dar uma clareada nas ideias. Não havia nada disso. Só a educação em responder e esperar que alguém mandasse uma foto para ser lembrado. Falando em fotos, só vi as feitas com minha máquina – uma Olympus Trip 35 – duas semanas depois de chegar do encontro. Tinha que esperar acabar o filme – 24 ou 36 poses que rendiam! – e ter dinheiro para revelação e cópias. E nada de cópias para os outros. Eram caras!</p>
<p style="text-align: justify;">No dia 20 de fevereiro de 1989 começava mais um semestre e, para não ferir os costumes, os professores não apareceram para dar aulas. Sabe como é&#8230; “os alunos não vão, então não vou também&#8230;”, emenda com carnaval, feriados, enforca daqui, enforca dali, hoje não dá, até que, no final, as notas se ajeitavam e (quase) todos ficavam felizes seguindo aquela velha regra: os professores fingiam dar aulas e os alunos fingiam aprender. Sempre demos muita importância às tradições nacionais e tínhamos muito orgulho disso.</p>
<p style="text-align: justify;">Naqueles idos, eu ouvia bastante o bolachão <em>Black Celebration</em>, do Depeche Mode. Semestre letivo já iniciado, tentava conseguir uma Pentax K1000 junto ao laboratório do curso. Não lembro se cheguei a fotografar, mas estava presente ao debate com Mário Covas, no dia 27 de fevereiro, no auditório da Reitoria da UFRN. No final daquele ano, o país voltaria a votar em seus representantes políticos. Eu, como a maioria dos meus colegas de faculdade, nem era nascido quando isso havia acontecido pela última vez. Imagine a emoção de, sendo universitário, ter a oportunidade e a liberdade de debater com os candidatos! Um deles seria nosso presidente no ano seguinte.</p>
<p><center><br />
<object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/dQ5ZiMqy_ek&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/dQ5ZiMqy_ek&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object><br />
</center></p>
<p style="text-align: justify;">Mas a posse só aconteceria em março de 1990. É um pouco antes que aportamos, agora, naquele ano. Na terça, 13 de fevereiro de 1990, recebia, pelos Correios, alguns clássicos em VHS, mas só começaria a vê-los no dia seguinte. Naquele dia, a única preocupação era ir ao show dos Paralamas do Sucesso.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>A General </em>(1927), até hoje considerado um dos melhores filmes da História do Cinema, foi o primeiro VHS que tirei da caixa no dia seguinte. A obra-prima de Buster Keaton chegava aos videocassetes brasileiros 63 anos depois de exibida nos cinemas. O filme teve várias versões que ganharam ou perderam alguns minutos e pelo menos três sonorizações diferentes. A versão que recebi e guardo até hoje tem uma trilha sonora bem superior a <a href="http://www.youtube.com/watch?v=1b24wqhy0Zo" target="_blank">esta que você pode assistir no YouTube</a>. Talvez tenha sido com <em>A General </em>que percebi existir algo além da <em>Sessão da Tarde</em> e do cinema pipoca. Até então, eu consumia filmes. Era filme, mandava para dentro. Mas o milagre não se deu do dia para a noite. Naquela mesma semana assisti <em>Popeye </em>(sei que serei perdoado por este) e <em>Máquina Mortífera II </em>(e muito justamente condenado por este). Uma curiosidade: na sexta-feira, 16, a Globo exibiu <em>Dias melhores virão</em>, de Cacá Diegues, antes de estrear no cinema. Uma maluquice que nunca consegui entender.</p>
<p><center><br />
<object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/EzYApX75WL4&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/EzYApX75WL4&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object><br />
</center></p>
<p style="text-align: justify;">No carnaval, que naquele ano caiu no final de fevereiro (24 a 27), passei em Muriú, praia de veraneio do município de Ceará-Mirim (RN). E março&#8230; março fica para o próximo capítulo.</p>

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		<title>Foi bom enquanto durou</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Feb 2010 20:33:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Anos 80]]></category>
		<category><![CDATA[Anos 90]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Há 20 anos...]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[Fevereiro de 1989 começou entre cartas, postais, reuniões do Centro Acadêmico e filmes. Neste último quesito, minha múltipla personalidade continuava se manifestando.  Via desde o pop Robocop (1987) aos ótimos Alta ansiedade (1977), homenagem de Mel Brooks a Hitchcock, e &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/02/06/foi-bom-enquanto-durou/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-495  aligncenter" style="border: 0pt none;" title="5filmes80" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/02/5filmes80.jpg" alt="5filmes80" width="600" height="181" /></p>
<p style="text-align: justify;">Fevereiro de 1989 começou entre cartas, postais, reuniões do Centro Acadêmico e filmes. Neste último quesito, minha múltipla personalidade continuava se manifestando.  Via desde o pop <em>Robocop</em> (1987) aos ótimos <em>Alta ansiedade </em>(1977), homenagem de Mel Brooks a Hitchcock, e <em>O Sol da Meia-Noite</em> (1985), com matadores Mikhail Baryshnikov e Gregory Hines dançando e encantando. Dentre minhas frustrações, está a de não ter me tornado um dançarino. Hoje, babo na frente da TV com programas como <em>So you think you can dance</em>. Não se engane: não era uma frescura latente. Eu não queria ser o Baryshnikov; queria ser o John Travolta, ser um imã para mulheres como Jamie Lee Curtis e ficar mais bonito depois dos 40 (ainda tenho fé neste ponto).</p>
<p style="text-align: justify;">Se alguém lembrou de <em>Perfeição </em>(1985), com Travolta no papel de jornalista transitando em uma academia cheia de loiras de collants e caras com mullets e faixas na cabeça, acertou em cheio. Foi um dos filmes que assisti naquele fevereiro. No entanto, o mais marcante daqueles dias foi <em>Repo Man </em>(1984), um longa de ação-comédia-ficção científica estrelado por Emilio Estevez, que no Brasil ganhou o título de <em>Repo Man – A Onda Punk</em>. Assisti na noite de sábado, 11 de fevereiro. Sim, já existia SuperCine naquela época.</p>
<p style="text-align: justify;">Em fevereiro do ano seguinte, 1990, distribuidoras de filmes em VHS costumavam me mandar alguns de seus lançamentos. O nível começou a subir. Comecei a ficar mais seletivo. Já em relação aos livros, estava em uma fase bem “não pense muito, apenas leia”. Depois de <em>Cartas da Mãe</em>, de Henfil, eu devorava, em uma noite, <em>O Reverso da Medalha</em>, de Sidney Sheldon. um apontamento na agenda daquele ano me traz uma surpresa. Na sexta, 9, li <em>O Estudante</em>, de Adelaide Carraro. Não lembrava disso. Pensava que jamais havia lido qualquer livro seu antes de 2006 (li pelo menos trinta deles do final de 2006 a abril de 2007).</p>
<p style="text-align: justify;">Nas bancas, chegava a <em>Playboy</em> com uma capa muito esperada pelos adolescentes da época. Trazia uma baianinha, muito linda e com jeitinho de índia. Elimary Silva era seu nome, mas todos a chamavam de Mara Maravilha. Era um tempo em que as mulheres ainda eram de verdade. Mara fazia sucesso com a criançada, com os meninos adolescentes e com as meninas que se identificavam com a garotinha bonita, sensual, mas com ar puro que cantava <em>Não faz mal (eu tô carente, mas eu tô legal)</em>. Ah, Britney, desculpe-me dizer, mas eu era muito mais a Mara (até porque, em 1990, você era só uma garotinha desconhecida de 9 anos). Hoje, a convertida Mara prefere nem lembrar aquele período. <em>Foi bom enquanto durou/ E valeu/ O que passou já passou/ Não faz mal&#8230;</em></p>
<p><center><br />
<object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/bAS1riUeU6g&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/bAS1riUeU6g&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object><br />
</center></p>

<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/02/06/foi-bom-enquanto-durou/&amp;text=Foi bom enquanto durou&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
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		<title>Anselmo Duarte</title>
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		<pubDate>Sun, 15 Nov 2009 18:00:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Memória Viva]]></category>

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		<description><![CDATA[Acredito que uma lição tenha sido realmente aprendida quando você deixa de pensar ou falar a respeito dela e passa a executá-la inconscientemente. Falo muito sobre a possibilidade de qualquer encontro ser o último, de estarmos sempre em paz e &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/11/15/anselmo-duarte/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><img class="alignright size-full wp-image-55" style="border:0 none;" title="anselmo" src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/anselmo.jpg" alt="anselmo" width="228" height="293" />Acredito que uma lição tenha sido realmente aprendida quando você deixa de pensar ou falar a respeito dela e passa a executá-la inconscientemente. Falo muito sobre a possibilidade de qualquer encontro ser o último, de estarmos sempre em paz e harmonia com o próximo, de não perdermos oportunidades de dizer a uma pessoa que a queremos bem, mas parece que ainda não aprendi essa lição. Em julho, no Rio, deixei de visitar Helena, ex-esposa de <a href="http://www.memoriaviva.com.br/carlosestevao" target="_blank">Carlos Estevão</a>. Poucos dias depois, estando em Natal, fui avisado de seu falecimento. Em meados de outubro, prestes a ir a São Paulo, não parava de pensar em fazer uma visita a Anselmo Duarte, que tinha estado doente há alguns meses. Não o fiz e, no sábado, 7 de novembro, ainda na cidade, fui surpreendido com a notícia de sua morte.</p>
<p style="text-align:justify;">Por um instante, tive o impulso de ir ao velório, que aconteceu na Assembleia Legislativa, mas logo desisti. Preferi acompanhar de longe o adeus e lembrar de Anselmo como o conheci: vaidoso, sedutor, empolgante, contador de histórias. E olha que o conheci quando tinha 84 anos! Isso foi em 2004, em seu apartamento em Salto (SP), onde o entrevistei por aproximadamente três horas.</p>
<p style="text-align:justify;">O grupo que participou desse encontro – éramos quatro – foi recebido por um Anselmo ressabiado, desculpando-se pelos problemas de memória, cabelos desgrenhados e barba por fazer. Perguntou se faríamos fotos e, ao saber que sim, disse que iria fazer a barba. Já empolgado, começou a contar histórias. Eu, que de bobo só tenho a cara, comecei a filmar. Ao perceber isso, em tom de brincadeira, deu um “<em>oi, boa tarde!</em>” para a câmera e saiu em direção ao quarto. Voltou pouco depois, transformado no galã que encantou gerações.</p>
<p style="text-align:justify;">Os pequenos vídeos que gravei naquele dia ficaram guardados até hoje. Em um deles, ao notar a câmera insistentemente apontada em sua direção, perguntou se eu estava fotografando e filmando. Respondi que os dois e ouvi, em tom de desdém, que aquilo não era “<em>uma câââââmera</em>”, que não daria para fazer um filme com ela. É, não daria mesmo. Isso seria uma conversa sem qualquer valor se a pessoa que fez a observação não fosse o único brasileiro laureado com a Palma de Ouro. Tendo vindo de Anselmo Duarte, o comentário ganhou um peso diferente, como se um ser divino estivesse rindo da pretensão de um pobre mortal. Veja no vídeo a seguir como foi esse momento.</p>
<p><center><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/RdqvB9fC4CI&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/RdqvB9fC4CI&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></center></p>
<p style="text-align:justify;">Naquela época, 2004, eu já ia em mais de 15 anos de entrevistas. Centenas de pessoas, muitas das quais, mesmo famosas, nem lembro. Iconoclasta, costumo levar a ferro e fogo o distanciamento que o jornalista deve ter de seu entrevistado. Até então, nunca havia feito fotos com um. Ao final das três horas de gravação, deixei o lado fã vir à tona e me permiti tal momento. Sempre guardei a lembrança do encontro com Anselmo com muito carinho. Desfiaria fácil uma lista de dezenas de nomes que já entrevistei e que a maioria julgaria mais importante ou interessante, mas insisto: Anselmo Duarte continua no topo.</p>
<p style="text-align:justify;">Sempre que me referia ao encontro, precisava fazer a velha referência: “<em>o diretor de O Pagador de Promessas</em>”. E quase sempre ouvia em seguida: “<em>E é bom mesmo? Nunca assisti</em>”. As “novas gerações” não conhecem Anselmo Duarte. Quando ele morreu, estava em todas as primeiras páginas de sites e jornais do Brasil e do mundo. Anselmo é um Palma de Ouro. Você sabe o que significa isso? Fazem parte desse clube: Fellini, Buñuel, Visconti, Scorsese, Coppola, Kurosawa, Costa-Gravas&#8230; Não é qualquer coisa. É a consagração maior no festival de cinema tido como o mais importante no mundo.</p>
<p style="text-align:justify;">Pode ser que alguém diga: “<em>É, mas também foi só isso que ele fez</em>”.  Não. Como diretor, ele fez outros dez filmes e eu sugiro que, além de <em>O Pagador de Promessas</em> (1962), você assista <em>Absolutamente Certo </em>(1957), <em>Vereda de Salvação (</em>1964), <em>Quelé do Pajeú </em>(1969) e <em>O Crime de Zé Bigorna </em>(1977). Como ator, foram algumas dezenas. No final dos anos 40 e durante a década de 50, Anselmo reinou absoluto como “O” galã. Mal comparando, é para o cinema daquela época o que Tarcísio Meira é para a tevê nas décadas de 70 e 80, com a diferença de que para este, a mulherada saía engordurada da cozinha para suspirar na sala e, para Anselmo, arrumava-se toda para sair de casa e vê-lo no cinema. Outros tempos, outro nível.</p>
<p style="text-align:justify;">Certamente <em>O Pagador de Promessas </em>foi o momento de epifania de Anselmo Duarte. E ainda que tivesse sido seu único trabalho, conseguiu o que ninguém antes, no Brasil, havia conseguido. Nem depois. E isso foi há quase meio século.</p>
<p style="text-align:justify;">Outro momento importante de nosso encontro, relatei em <em>Uma lição da (falta de) memória</em>, em maio de 2005, no meu antigo blog, o <em>Leseira Geral</em>. Concluo esta pequena homenagem reproduzindo abaixo um trecho do texto:</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:60px;">Com 84 anos recém-completados (fez 85 em abril deste ano), Anselmo reclamava muito de sua memória. Entrevistado que fala pouco é um desastre para qualquer jornalista, mas entrevistado que não lembra as coisas é um verdadeiro pesadelo para um memorialista. Felizmente, não foi bem isso que vimos. Com sua voz vibrante, Anselmo falou por mais de três horas e o depoimento só não se estendeu porque precisávamos voltar a São Paulo.</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:60px;">(&#8230;)</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:60px;">Foi um encontro inesquecível e que pretendo repetir. Creio ter aprendido algumas lições naquele dia. Uma delas é a de não criar expectativas em relação a uma entrevista. Nem boas, nem más. Tenho que fazer a minha parte e estar preparado. O resto sempre será surpresa.</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:60px;">Outra foi ainda mais surpreendente. Ao fazer uma entrevista, meu principal objetivo é preservar a memória relacionada a uma época, um determinado acontecimento ou pessoa. Mas naquele dia, a falta de memória foi a responsável por uma das maiores lições que já recebi.</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:60px;">Anselmo Duarte atravessou duas décadas como “o galã”. Passou pelos três maiores estúdios que já existiram no país: Cinédia, Atlântida e Vera Cruz. As mulheres se derretiam por ele e os homens, como era de se esperar, o odiavam. Os intelectuais que faziam e cultuavam o Cinema Novo nunca o perdoaram por ter ganhado a Palma de Ouro (com <em>O pagador de promessas</em>, em 1962). Em um meio de egos eternamente inflados, Anselmo foi um homem invejado e criou muitos inimigos, mesmo que isso não fosse sua vontade.</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:60px;">Pois “um dia desses”, ele se encontrou com um antigo conhecido. Abraçou-o, falou que estava com saudades, tagarelou, contou histórias e nada o fazia entender a cara de estupefação do outro. Só depois, um amigo seu conseguiu explicar: “Mas Anselmo, o que foi aquilo?! Vocês não se falam há décadas! Vocês se odeiam!!” E Anselmo respondeu: “Mas eu não lembrava! Não lembrava que ele era meu inimigo. Só lembrava das coisas boas. Eu estava mesmo com saudades dele”.</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:60px;">O tempo cura tudo. E a falta de memória, que costumamos ver como um sinal de degradação, de senilidade, pode ser uma grande bênção.</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:60px;">Muitas vezes me pego querendo “sofrer desse mal” e desejando que alguns conhecidos meus também sofram dele para que possamos nos encontrar e brindar por aquilo que realmente vale a pena lembrar, para não mais perdermos tempo com a incapacidade de lidar com nossas idiossincrasias e de administrar nossos egos.</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:60px;">Quem souber como apagar esses arquivos indesejados, pode me dar a fórmula. Não quero esperar pelos meus 80 anos. Até lá, pode ser que eu esqueça as coisas boas também.</p>
<p style="text-align:center;"><strong>* * * * *</strong></p>
<p><strong>Textos relacionados:</strong><br />
<a href="http://www.memoriaviva.com.br/anselmo.htm" target="_blank">Entrevista de Anselmo Duarte ao site Memória Viva</a><br />
<a href="http://leseirageral.blog.uol.com.br/arch2005-06-16_2005-06-30.html#2005_06-27_01_24_51-8873736-0" target="_blank">Uma lição da (falta de) memória</a></p>

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		<title>Alô, Alô, Terezinha!</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Oct 2009 16:14:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Diversão]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
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		<category><![CDATA[São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Televisão]]></category>

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		<description><![CDATA[Terezinhaaaaaaaa! U-uuuuuuuuuu! Tá fraco. Terezinhaaaaaaaa! U-UUUUUUUUUU! As luzes se apagam e se ouve a voz do Velho Guerreiro. A resposta, como de costume, vinha das chacretes. Mas o coro vinha mesmo de duas fileiras da sala 1 do Cine Reserva &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/10/28/aloalo-terezinha/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><em><img class="alignright size-full wp-image-37" style="border:0 none;" title="aloalo" src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/aloalo.jpg" alt="aloalo" width="282" height="382" /> Terezinhaaaaaaaa!<br />
U-uuuuuuuuuu!<br />
Tá fraco. Terezinhaaaaaaaa!<br />
U-UUUUUUUUUU!</em></p>
<p style="text-align:justify;">As luzes se apagam e se ouve a voz do Velho Guerreiro. A resposta, como de costume, vinha das chacretes. Mas o coro vinha mesmo de duas fileiras da sala 1 do Cine Reserva Cultural, em São Paulo, na pré-estréia de Alô, Alô, Terezinha, filme de Nelson Hoineff, na noite desta terça, 27 de outubro.</p>
<p style="text-align:justify;">Com 45 minutos de atraso – caiu o último bastião da pontualidade brasileira! –, graças ao furdunço feito pelo pessoal do programa <em>Pânico </em>no <em>hall </em>do cinema, o filme começa assim: Chacrinha chama, as chacretes respondem, entra a música de forma estrondosa – <em>Abelardo Barbosa/ está com tudo e não está prosa </em>(&#8230;). Quem, assim como eu, viveu a época da Discoteca e do Cassino do Chacrinha, já estava completamente arrepiado e no clima.</p>
<p style="text-align:justify;">O circo estava montado: chacretes, calouros, cantores e nós, a plateia. <em>Alô, Alô, Terezinha!</em> segue a cartilha do homenageado: é frenético, insano, cômico e grotesco. Há tempos não ria tanto com um filme. O grotesco fica por conta da história dos personagens longe das câmeras. Calouros que sentiram humilhados com a buzinada, que tiveram seus instantes de fama e “estão até hoje batalhando”, acreditando no sonho de se tornarem cantores. Chacretes, que foram mulheres extremamente desejadas, esquecidas e sobrevivendo a duras penas. O glamour ficou na lembrança. A realidade é um tremendo abacaxi. E não é doce.</p>
<p style="text-align:justify;">Não se trata de uma cinebiografia de Chacrinha. O filme é uma soma de retalhos das memórias de quem participou ativamente da história. E o roteiro é tão non sense quanto a própria história que pretende mostrar. Pelos depoimentos das chacretes, se pode acreditar que sejam putas, quase santas ou somente dançarinas. Melhor acreditar que são pessoas como quaisquer outras, com desejos, medos, momentos bons e maus, motivos de orgulho, coisas a esconder. Vivem a vida sem um roteiro pré-estabelecido. Assim como o programa que faziam.  Convidadas a mostrar as reboladas e os passos famosos, algumas chegaram a vestir as roupas que usavam à época. “<em>Coragem!</em>”, gritou alguém na plateia. Coragem mesmo. Não pelo risco de parecerem ridículas, mas por mostrar a vida nada gloriosa que tiveram depois da fama, por contar segredos, desenterrar histórias que podem gerar intrigas.</p>
<p style="text-align:justify;">Quem comeu quem? Quem dava para quem? O travesti Rogéria disse que nunca comeu ninguém, mas que foi muito comido. As chacretes dão nomes aos bois, se orgulham de suas listas ou se arrependem por não terem aceitado propostas mais ousadas.</p>
<p style="text-align:center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-38" style="border:0 none;" title="aloalo2" src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/aloalo2.jpg" alt="aloalo2" width="600" height="165" /></p>
<p style="text-align:justify;">E por falar em ousadia, nada nem ninguém superou a de Índia Potira. Como não gosto de revelar surpresas de filmes, você vai ficar na curiosidade. Digo apenas que, durante a festa no Bar Biroska, logo após a exibição do filme, não resisti a dar um beijo em Índia e elogiar sua atitude. Além de ser uma mulher linda, cheia de personalidade. “<em>Como é bom ouvir isso</em>”, disse ela, com um sorriso enorme. A propósito, o trio de impostores – eu, Zeck e Dany – desembestou a fazer fotos com artistas, chacretes e calouros. Eu “produzia e dirigia”, Dany (cara-de-pau até não mais poder) abordava as vítimas e Zeck clicava. Ao abordarmos Rita Cadillac, Dany me apresentou como “seu fã há 25 anos, mas tímido”. Rita bateu de pronto: “<em>Muito tímido! Eu vi ele dançando ali</em>”. É que pouco antes havia tocado Menudo e eu atendi à ordem de não me reprimir. Estava de olho, hein, Rita?!</p>
<p style="text-align:center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-39" style="border:0 none;" title="aloalo3" src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/aloalo3.jpg" alt="aloalo3" width="600" height="165" /></p>
<p style="text-align:justify;">Quem também estava por lá era o cantor Biafra. Para quem não sabe, a famosa cena do parapente que o atropela foi registrada enquanto gravava para <em>Alô, Alô, Terezinha!</em> E você vai rir ainda mais ao vê-la na telona e com a sequência, que mostra a reação do cantor. Simpático e solícito, brincou quando lhe revelei que passei a vida toda achando que ele era baixinho para finalmente descobrir que eu também sou. “<em>Nós não ficamos devendo nada a ninguém</em>”. Durante rápida apresentação, não teve como fugir do apelo do público: “<em>Voar, voar/ subir, subir&#8230;</em>” Delírio total! No palco do Biroska, a noite foi mesmo dos calouros. Arigatô Flamengo e Abacaxi fizeram a festa. Se deixassem, cantariam a noite toda (assim que subirmos os vídeos, acrescento ao post).</p>
<p style="text-align:justify;">Não canso de dizer: não houve uma década tão divertida como a de 80. E ainda não acabou. Roda e avisa que o filme estreia nesta sexta. <em>Quem vai querer bacalhau? Terezinhaaaaaaaa!</em></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Posts relacionados:</strong><br />
<a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/04/21/chacretes/" target="_self">Chacretes</a><br />
<a href="http://www.sandrofortunato.com.br/sajul06.htm#rita" target="_self">Rita Cadillac, uma mulher que sabe se virar</a></p>
<h3 style="text-align:justify;"><strong>Trailer de <em>Alô, Alô, Terezinha!</em></strong></h3>
<p><center><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/2JiZ8x-zpUk&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/2JiZ8x-zpUk&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></center><br />
<br />
<h3><strong>Abacaxi cantando no Biroska</strong></h3>
<p><center><object width="560" height="340"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/DrTGnX9uCkc&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/DrTGnX9uCkc&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="560" height="340"></embed></object></center></p>

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		<title>Salve Geral</title>
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		<pubDate>Sat, 03 Oct 2009 05:37:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2009/10/salvegeral.jpg" alt="salvegeral.jpg" /></p>
<p align="justify">Dois de outubro. O Rio parou! O Brasil parou! O mundo estava de olho. Só se falava em Rio2016. Torci, chorei, tuitei, mas minha cabeça estava em outro evento: a estreia de <em>Salve Geral</em>, filme de Sergio Rezende, indicação brasileira a uma vaga entre os concorrentes ao Oscar 2010 de Filme Estrangeiro.</p>
<p align="justify">Desde <em>O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel</em>, em 2001, um filme não me levava a um cinema de <em>shopping </em>no dia de sua estreia. Estava curioso e queria vê-lo no dia 2 de outubro, triste aniversário de 17 anos do massacre do Carandiru. A data não foi escolhida à toa, mas o anúncio da sede dos Jogos Olímpicos de 2016 apagou toda possibilidade de isso ser lembrado e capitalizado. Fui à primeira sessão em uma sala do Cinemark, em Natal, com menos de dez pessoas.</p>
<p align="justify">O filme toma como base o fim de semana em que o PCC – Primeiro Comando da Capital parou São Paulo, em maio de 2006. Como todo brasileiro, vi aquilo pela tevê. No final de semana seguinte, estava lá, em uma Virada Cultural. Fiquei impressionado com a quantidade de policiais nas ruas, a total tranquilidade de uns e o medo ainda presente em outros. Durantes os <em>shows</em>, os artistas falavam em liberdade e sobre não se render. Bonito, emocionante, mas quase irreal quando se pensava que, uma semana antes, uma força paralela havia se mostrado mais poderosa que aquela instituída e reconhecida.</p>
<p align="justify">Queria ver como essa outra força seria mostrada no filme. Queria saber se o discurso dessa sociedade “invisível” pareceria romântico, sedutor, merecedor de atenção. Queria ver se a violência apareceria em todas as suas cores. O que vi foi um filme para passar na tevê, logo depois da novela, que talvez impressione a parte mais alienada da classe média e que fará rir os que conhecem de perto aquela vida. Aliás, o fio condutor da história passa pela classe média e suas preocupações mesquinhas. Nem isso é abordado de forma enfática. Tudo mostrado com cores fracas, como se houvesse um grande cuidado para não chocar. O roteiro é frouxo. Há personagens demais. A música não confere dramaticidade. Pior: é chata mesmo.</p>
<p align="justify">Pensou em <em>Tropa de Elite</em>? Impossível não pensar. As semelhanças acabam na temática e na “forma hollywoodiana” de conduzir a ação, mas até nesse último ponto há uma visível disparidade: <em>Tropa de Elite </em>faz isso bem; <em>Salve Geral </em>faz isso muito mal. A indicação para concorrer a uma vaga entre os indicados ao Oscar me pareceu uma tentativa estúpida, atrasada e errada de apostar no sucesso do filme sobre o Bope. Não tem nenhum personagem com a força de um Capitão Nascimento em <em>Salve Geral</em>. Qualquer quinze minutos de <em>Tropa de Elite</em> é melhor que <em>Salve Geral</em> inteiro.</p>
<p align="justify">Saí da sala com a sensação de que, também no cinema, estamos importando modelos com os quais não nos afinamos nem sabemos lidar. E já não conseguimos nem contar nossas próprias histórias. Estamos afogando em <em>catchup </em>de péssima qualidade pratos que ficariam ótimos como uma pimentinha e alho-poró.</p>
<p align="justify">O PCC do filme parece gangue de colégio. Se você assiste diariamente a telejornais, corre o risco de dormir durante <em>Salve Geral</em>. A realidade, mesmo vista só pela telinha, é bem mais dura.</p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback3.jpg" usemap="#Map3" border="0" height="25" /></center></p>
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		<title>Filmes, livros e cervejas</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Sep 2009 11:10:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>

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		<description><![CDATA[Na última terça, fiz o extremo esforço de arrastar-me ao inferno (comumente chamado de shopping) para fazer minha doação semestral ao Cinemark. A cada seis meses, dou um voto de confiança ao ser humano e me permito conferir como anda &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/09/10/filmes-livros-e-cervejas/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Na última terça, fiz o extremo esforço de arrastar-me ao inferno (comumente chamado de <em>shopping</em>) para fazer minha doação semestral ao Cinemark. A cada seis meses, dou um voto de confiança ao ser humano e me permito conferir como anda sua educação. E ele sempre se supera. Para pior.</p>
<p align="justify">Para eu ir a um cinema de <em>shopping</em>, preciso seguir alguns pontos prévios: NUNCA em fim de semana ou feriado, NUNCA em dia nem em semana de estreia, NUNCA para ver aquele filme que todo mundo quer ver, preferencialmente na primeira sessão do dia, preferencialmente na segunda-feira, etc. São regras para encontrar o mínimo possível de espécimes dos hominídeos que frequentam as salas de cinemas.</p>
<p align="justify">Lá vou eu conferir <strong><em>La belle personne</em></strong>, que aqui virou <em>A bela Junie</em>. Supero o fato de o cinema ser em um <em>shopping</em> e chego à bilheteria vazia a uma da tarde. A respiração começa a se alterar quando digo o nome do filme e a garota da bilheteria confirma com um <em>June</em> americanizado. Pode parecer bobagem, mas isso é um sinal, como muitos outros que podemos constatar durante o dia, de que o brasileiro não conhece seu idioma, mas se sente familiarizado com aquele falado no Império. Se não é para falar corretamente, em um terceiro idioma, por que não um <em>June </em>aportuguesado em vez de <em>Djuni</em>? Mais. Onde foram parar aquelas pessoas que trabalhavam em salas de cinema e aproveitavam qualquer 10 minutos para ver, da porta, um pedaço do filme? Aquelas pessoas que decoravam falas, que se encantavam com a possibilidade de verem várias vezes a mesma fita, que aprendiam montes de coisas a respeito de diferentes culturas e com isso compensavam a deficiência do estudo comum? Hoje são apenas tipos com um emprego e que nem conseguem reproduzir corretamente o nome daquilo que vendem. Lembro de uma historieta ocorrida no início dos anos 90, em Natal, quando virou piada ligar para um número que informava a programação de cinema para ouvir uma mulher dizendo: “No Rio Verde (o cinema),‘<em>Dé Dóris</em>’”. Jim Morrison devia se revirar no túmulo!</p>
<p align="justify">Enfim&#8230; a menos de dez minutos de começar a sessão, as lonas na entrada do cinema ainda estavam baixadas. Respiro fundo. Faltando cinco minutos, são finalmente abertas. Sou o primeiro a entrar. Vou para a última fila, bem ao centro. Na rádio, rolando Noel Rosa (pasmem!). Alegra-me a possibilidade de ser o único espectador, mas logo outras pessoas aparecem. Uma senhorinha de cabelos brancos. Claro! Um filme francês. Gente fina. Escolhe seu lugar e&#8230; coloca os pés apoiado na cadeira da frente! Ei, minha senhora, deixe isso para os adolescentes estúpidos! Tenha um pingo de educação. Ao menos finja que tem. Além de mim, 19 espectadores. Mais uns dois que acreditam estar em casa e usam as poltronas como espreguiçadeiras. Tudo bem. Foco no filme. Esqueçamos os bárbaros.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2009/09/labelle.jpg" alt="labelle.jpg" align="right" /><em>La belle personne</em>, de Christophe Honoré, é uma livre adaptação de <strong><em>La Princesse de Clèves</em></strong>, famosa obra seiscentista, escrita por Madame de La Fayette, e que é tida como precursora do romance. Fala de um triângulo amoroso, da dúvida de uma jovem entre o homem que faria tudo por ela e aquele por quem ela realmente se apaixona. Sim, você conhece centenas de livros, filmes e novelas que contam essa história. São variações do mesmo tema, incansavelmente repetido há mais de trezentos anos.</p>
<p align="justify">Gostei, mas não entrou para a lista dos <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/04/30/pour-la-france" target="_blank">meus filmes franceses preferidos</a>. Tem os traços comuns às histórias francesas – tragédia, melancolia, beleza, sensualidade classuda –, inclusive uma protagonista linda, no caso, <strong>Léa Seydoux,</strong> aos 22 anos e com cara de ninfeta, interpretando uma garota de dezesseis. Sua Junie chamou a atenção dos donos do cinema mundial. Ela aparece em <em>Bastardos Inglórios</em>, de Tarantino, e será a Princesa Isabella, em <em>Robin Hood</em>, de Ridley Scott, que deverá estrear no Brasil em maio de 2010.</p>
<p align="justify">Sem mais traumas, tive que sair da sala, mesmo tendo ingresso para a sessão seguinte, de outro filme, que começaria vinte minutos depois. Saudade de quando se comprava ingresso para o cinema e não para a sessão. Era tão bom entrar e assistir ao filme quantas vezes quisesse. Mas tudo bem. Vai longe esse tempo. Adequado, já estava com o ingresso para a sessão seguinte. Comprei-o com a convicção de que iria estragar minha tarde: <strong><em>Os Normais 2</em></strong>. Era só para fazer uma ponte até o fim da tarde, quando encontraria <strong>Cefas Carvalho</strong>, ali mesmo no <em>xópin</em>. Definitivamente, não é o tipo de filme que me leva ao cinema, mas era o único que se encaixava no horário. Fiz o sacrifício. Não sei o que foi mais constrangedor: Luís Fernando Guimarães em sua eterna caricatura de si mesmo, o besteirol grosseiro de Fernanda Young e companhia, os adolescentes fazendo fotos e espocando flashes antes da sessão ou o casal que resolveu se sentar ao meu lado e, não contente em tagarelar todo o tempo, resolveu se acasalar ali mesmo. Daquele jeito bem cinema poeira dos anos 80: sentar no colo, beijos e abraços. Para eles, trepar deve ser a maior das transgressões! Fala sério! Como esse mundo anda sem graça. Nessa hora e pouco, só Fernandinha Torres se salvou.</p>
<p align="justify">Terminada a tortura, encontrei Cefas. Conversamos sobre um projeto em conjunto e recebi exemplares de seus mais recentes rebentos: o livro <strong><em>Encontos e Desencontos</em></strong> e o ainda não lançado cordel <strong><em>O encontro de Michael Jackson com Lampião no Inferno</em></strong>.</p>
<blockquote>
<blockquote><p><em>“Meu nome é Virgulino<br />
Ferreira, o Lampião<br />
Fui bravo cangaceiro<br />
Nas veredas do Sertão<br />
Bem-vindo ao inferno<br />
A terra santa do Cão”</em></p></blockquote>
</blockquote>
<blockquote>
<blockquote>
<blockquote>
<blockquote><p><em>Michael bambo das pernas<br />
Disse que era um engano<br />
“Eu devia estar no Céu<br />
Este ao menos era o plano<br />
Nunca fiz mal a ninguém<br />
Não causei nenhum dano”</em></p></blockquote>
</blockquote>
</blockquote>
</blockquote>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2009/09/livros_cefas.jpg" alt="livros_cefas.jpg" align="right" />Cefas não perdoa. O restante da história vocês leem quando o cordel for lançado ou quando ele liberar em <a href="http://www.cefascarvalho.blogspot.com" target="_blank">seu blog</a>. Ganhei também um exemplar de <strong><em>Esquina do Mundo – A Hora do Cão Lobo</em></strong>, de sua esposa, <a href="http://www.memoriaviva.com.br/novoblog/2009/09/09/esquina-do-mundo-a-hora-do-cao-lobo/" target="_blank"><strong>Cláudia Magalhães</strong></a>, que será <a href="http://www.memoriaviva.com.br/novoblog/2009/09/09/esquina-do-mundo-a-hora-do-cao-lobo/" target="_blank">lançado nesta quinta, 10 de setembro, na Siciliano do Midway Mal, em Natal</a>. Adoro ler livros que ainda não foram lançados e tê-los autografados em data anterior a de lançamento. Cláudia teve que fazer a dedicatória ali mesmo, em meio a latas de cerveja, mas nem por isso deixarei de ir à noite de autógrafos.</p>
<p align="justify">Eu e Cefas fechamos o Midway. O povo foi educado (ou temeroso) e não chegamos a ser expulsos. Mas, à exceção de nossa mesa, todas as outras na imensa praça de alimentação já estavam com as cadeiras viradas. Infelizmente, a cena insólita não foi registrada.</p>
<p align="justify">Essa tentativa de interação presencial com humanos (Cefas não incluso) me fez pensar que estou saindo de uma longa ressaca. Aguardem novidades para breve.</p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback3.jpg" usemap="#Map3" border="0" height="25" /></center></p>
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		<title>Tiros em Barreiros</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Jun 2009 07:36:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo cão]]></category>
		<category><![CDATA[Televisão]]></category>

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		<description><![CDATA[Parece haver um roteiro prévio para certo tipo de chacina. Fazem pouco do sujeito até que um dia ele enlouquece e sai matando gente conhecida, que ele culpa pelo desprezo ou pelos insultos que recebe. O final também não varia: &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/06/05/tiros-em-barreiros/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/sapotengi1.jpg" border="0" width="600" height="315" /></p>
<p align="justify"> Parece haver um roteiro prévio para certo tipo de chacina. Fazem pouco do sujeito até que um dia ele enlouquece e sai matando gente conhecida, que ele culpa pelo desprezo ou pelos insultos que recebe. O final também não varia: ele se mata ou é morto pela polícia.</p>
<p align="justify">Foi assim em Columbine, em 1999. Dois jovens estudantes entraram na escola que frequentavam, mataram colegas e professores, 15 ao todo, e depois se mataram. Foi assim também com <a href="http://www.terra.com.br/istoe/politica/144329.htm" target="_blank">Genildo Ferreira de França, em 1997, no distrito de Santo Antônio do Potengi</a> (antes Santo Antônio dos Barreiros), em São Gonçalo do Amarante, município vizinho a Natal (RN). Em doze horas, matou 14 pessoas, aterrorizou a pequena localidade, mobilizou cerca de 120 soldados e terminou morto. Sem direito a velório, enterro normal, nem plaquinha identificando o túmulo.</p>
<p align="justify">Doze anos depois, a história ganha um documentário de 52 minutos. <a href="http://www.youtube.com/watch?v=AANekYKw8FU" target="_blank"><em>Sangue do Barro</em></a> estreou terça passada em uma sala do Cinemark, em Natal. Imprensa, convidados, sessão fechada e eu sem o mínimo interesse em ir. Não pelo filme, mas pela sessão. Para mim, a estreia verdadeira aconteceria na noite de quinta, no Teatro Municipal de São Gonçalo do Amarante, sendo assistido por pessoas que vivenciaram o massacre, que perderam parentes, amigos e vizinhos, gente que nunca viu um filme em tela grande, nunca entrou em um cinema.</p>
<p align="justify">A fila descia pela rua do teatro. Policiais com roupa de camuflagem – como a que Genildo usava durante o massacre – circulavam pelas imediações. Cada um que passava pelas portas do teatro assinava pacientemente um livro, registrando sua presença naquele momento tão importante, até que o acesso para o auditório foi liberado e alguém, ainda na rua, gritou: “Ei, por que eles já estão entrando e a gente ainda tá aqui? A gente vai ficar do lado de fora?!”. O livro foi esquecido e todo mundo correu. A porta já ia fechando quando eu e Canindé Soares conseguimos chegar a ela com nossa melhor cara de “<em>sou jornalista e posso tudo</em>”. Entramos. Muita gente ficou de fora, mas haveria uma segunda sessão.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/sapotengi2.jpg" align="right" border="0" width="368" height="240" />O pequeno auditório com menos de 300 lugares estava lotado. Gente em pé, escorada nas paredes, sentada pelos corredores, no palco. Outro tanto lá fora aguardando a exibição seguinte. Começa o filme. O estranhamento da primeira sessão de cinema é um fenômeno que merece ser assistido. Eu não sabia se assistia ao filme ou prestava atenção ao público. Risos nervosos, “O<em>lha Fulano! Olha Zé de Beltrana!</em>”, os conhecidos virando estrela, aparecendo gigantescos no pano branco ao fundo. A excitação logo deu lugar ao silêncio, aqui e ali quebrado pelo choro, por soluços. Aquelas pessoas estavam experimentando o cinema em sua forma mais plena, se emocionando, vendo suas próprias vidas – algumas literalmente – na tela grande.</p>
<p align="justify">Genildo, o Neguinho de Zé Ferreira, decidiu dar um fim aos boatos de que era homossexual matando todos que o julgavam assim, a começar pela esposa que teria inventado a história para forçar uma separação. No filme, depoimentos de parentes, colegas de infância, conhecidos, vítimas que escaparam e gritadores de noticiosos policiais. Aliás, a meu ver, o documentário exibe demasiadamente cenas do maldito <em>Aqui, Agora</em> com a caçada ao atirador.</p>
<p align="justify">Homossexual. Traficante. Psicopata. O filme parece querer mostrar que não era nada disso e tenta explicar os motivos que levaram o rapaz de 27 anos a cometer a chacina. A construção do personagem vai sendo feita através dos relatos dos entrevistados que também vão revelando onde se encaixam na história. A história é iniciada em ritmo de série policial moderna, se acalma durante a apresentação do Genildo anterior ao dia do massacre, chega à histeria com as cenas dos telejornais e parece se perder quando tenta recolocar os pés no chão e mostrar os efeitos do ocorrido na vida dos filhos do atirador e dos parentes das vítimas. Dois ou três instantes “artísticos”, pendentes para o docudrama, parecem ter sido esquecidos ali na hora da edição. Não fariam qualquer falta. A imagem do protagonista é pouco utilizada e acaba sendo construída no imaginário do espectador.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/sapotengi3.jpg" align="right" border="0" width="368" height="199" />No geral, o filme funciona bem. Não ousa. Tem início, meio e fim. Cumpre o papel de registrar. Não será exibido em Cannes, não ganhará a Palma de Ouro. Mas ganhou as palmas do público de São Gonçalo que, lembrando seu dia mais triste, viveu uma noite mágica. No lugar de qualquer um da equipe, eu teria ficado orgulhoso com isso. Cheguei como jornalista e fui me transformando em ser humano durante a exibição, contagiado por toda aquela gente de verdade que estava ali, por suas histórias, pelo sangue dado, todos os dias, na luta pela sobrevivência.</p>
<p align="justify">Fui ver um filme e voltei com uma lição sobre falta de respeito, intolerância e suas consequências. O povo de Santo Antônio deve ter aprendido isso há doze anos. Se não, <em>Sangue do Barro</em> deve ter servido para reforçar a lição.</p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback3.jpg" usemap="#Map3" border="0" height="25" /></center></p>
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