<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Sempre Algo a Dizer &#187; Bibliofilia</title>
	<atom:link href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/category/bibliofilia/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo</link>
	<description></description>
	<lastBuildDate>Wed, 01 Feb 2012 11:00:20 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.3</generator>
		<item>
		<title>Nunca te vi… sempre te amei</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/03/03/nunca-te-vi-sempre-te-amei/</link>
		<comments>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/03/03/nunca-te-vi-sempre-te-amei/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 03 Mar 2008 21:08:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bibliofilia]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/03/03/nunca-te-vi%e2%80%a6-sempre-te-amei/</guid>
		<description><![CDATA[Alguns livros e filmes são verdadeiramente importantes em nossas vidas. São como tatuagens nas costas: às vezes nem nos damos conta de que estão ali, mas fazem parte de nós. E há ainda aqueles que marcam uma época, uma geração, &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/03/03/nunca-te-vi-sempre-te-amei/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/03/03/nunca-te-vi-sempre-te-amei/&amp;text=Nunca te vi… sempre te amei&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/bancroft.jpg" border="0" height="300" width="600" /></p>
<p align="justify">Alguns livros e filmes são verdadeiramente importantes em nossas vidas. São como tatuagens nas costas: às vezes nem nos damos conta de que estão ali, mas fazem parte de nós. E há ainda aqueles que marcam uma época, uma geração, várias gerações, que passam para o imaginário popular, para o inconsciente coletivo, que gravam uma sentença nas almas até dos que nunca souberam de sua existência.</p>
<p align="justify">Quem nunca escutou a frase <em><strong>Nunca te vi&#8230; sempre te amei</strong></em>? De todos os títulos loucos dados a filmes no Brasil, este foi um dos mais felizes, pelo menos no que diz respeito à fácil memorização e ao apelo que faz ao imaginário. Quando exibido aqui no Brasil, no primeiro semestre de 1988, eu era um garoto com 16 anos incompletos e com duas novidades em minha vida: a faculdade e um vídeo-cassete. Lembro do pôster nas revistas de cinema da época, mas só fui ver o filme muitos anos depois. Ele reúne várias coisas que adoro: troca de correspondências (ô, saudade!), bibliofilia e, claro, cinema bem feito.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/ccrbooks.jpg" align="right" border="0" height="196" width="354" />Para quem não sabe, o filme é baseado no livro <em><strong>84 Charing Cross Road</strong></em>, que reúne a correspondência trocada, durante vinte anos, entre a escritora <strong>Helene Hanff</strong> e os empregados da <strong>Marks &amp; Co</strong>, livraria antiquário que ficava em Londres no endereço que dá título ao livro e ao filme. Sempre achei o título brasileiro uma forçada de barra que dá a entender que existia um romance entre Helene e <strong>Frank Doel</strong>, seu principal correspondente. É verdade, eles nunca se viram. É verdade, é uma história de amor (mas não personificado). É verdade, a chamada americana para o filme pode levar a entender isso (Um grande caso de amor que começou em uma pequena livraria). É verdade, em alguns momentos o filme sugere a existência de um amor platônico, mas é algo <strong>MUITO</strong> platônico, um amor mais fraternal, de simpatia entre humores e afinidades. Nunca uma paixão arrebatadora, um amor homem-mulher.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/ccrmovie.jpg" align="right" border="0" height="204" width="365" />O filme virou um <em>cult</em>. Os personagens principais vividos por dois monstros: <strong>Anne Bancroft</strong> e <strong>Anthony Hopkins</strong>. A saudosa Anne foi duplamente responsável não só pela defesa carismática de sua personagem mas pela própria realização do filme. Foi ela quem convenceu <strong>Mel Brooks</strong>, seu marido, a produzi-lo.</p>
<p align="justify"><em>84 Charing Cross Road</em> – prefiro o título original – foi uma dessas histórias que me fizeram percorrer o “caminho contrário” de ver o filme e só depois ler o livro. Até onde saiba, no Brasil, o livro acompanhou o sucesso do filme. Teve duas edições – tiradas no mesmo mês – em junho de 1988 e sumiu. Há uns quatro meses, dei de cara com um exemplar numa estante promocional (3 livros por 10 reais) logo na entrada da <strong>Baratos da Ribeiro</strong>, livraria de usados em Copacabana. Neste fim de semana, li-o e revi o filme. Que vontade de conhecer Londres! E que saudades de quando trocava cartas com meio mundo! Os envelopes, os selos, as surpresas (fotos? postais? panfletos?), os papéis diferentes&#8230; A tecnologia matou todo esse romantismo. Adoraria receber cartas outra vez.</p>
<p align="justify">Voltando à história de Helene Hanff, devo dizer que alguns pontos de seu relacionamento com os livros divergem do meu, mas ainda assim, o livro e o filme são uma ode à bibliofilia. Divido com vocês e comento alguns de meus trechos preferidos.</p>
<p align="center"><strong>* * * * *</strong></p>
<p align="justify"><em>Os livros chegaram direitinho. O Stevenson é tão bonito que está encabulando minhas estantes de caixotes de laranjas. Quase que tenho medo de mexer num velino tão macio e nas pesadas páginas de cor creme. (&#8230;) Jamais pensei que tocar num livro pudesse dar tamanha alegria.<br />
</em>(Abrindo o texto, a cena com Bancroft que mostra esta passagem)</p>
<p align="justify"><em>No dia em que Hazlitt chegou, abriu-se em “</em>odeio ler livros novos<em>”, e eu bradei “</em>Camarada!<em>” a quem quer que o tenha possuído antes de mim.</em><br />
(Com raras exceções, não gosto de livros marcados, mas essa sensação de o livro abrir-se em uma página muito lida anteriormente é extraordinária. É como se o leitor anterior estivesse tentando se comunicar com você! Há um trecho de outra carta que fala bem sobre isso. É o seguinte&#8230;)</p>
<p align="justify"><em>Sua aparência é tão nova e tão docemente antiga a ponto de não se acreditar que alguém o tenha lido antes; mas leram. Vota e meia ele se abre nos passos mais deliciosos, como se o fantasma do antigo dono me ficasse indicando coisas que nunca lera anteriormente.</em></p>
<p align="justify"><em>Newman chegou há quase uma semana e agora é que estou começando a recuperar-me. Deixo-o sobre a mesa o dia inteiro, volta e meia paro de bater à máquina e estendo a mão para tocá-lo. Não é porque seja uma primeira edição; é que nunca vi livro tão bonito.  Sinto-me vagamente culpada por ser dona dele. (&#8230;) ele pede para ser lido à beira do fogo na poltrona de um cavalheiro &#8211; não num divã de segunda mão, numa toca de um só cômodo, no térreo de um sobradão em ruínas.</em><br />
(Acontece a mesma coisa comigo. Os livros que chegaram mais recentemente ficam ao alcance de minha mão, próximo ao computador.  Vez por outra paro de escrever e pego um. Abro, avalio, aprecio, leio um trecho. É um namoro. Até que “nos casemos”, eu o conheça por inteiro e arranje seu lugar nas estantes. No filme, o final deste trecho é transformado em diálogo com uma amiga de Helene e é um dos momentos mais tocantes. Quando ela diz como e onde o livro merecia ser lido, a amiga retruca: “<strong><em>Se eu fosse este livro, iria querer viver aqui</em></strong>”. Lindo, não? É exatamente assim que acontece. Os livros procuram quem cuide deles.)</p>
<p align="justify"><em>Meus amigos são gozados a respeito dos livros. Lêem tudo que é best seller e o fazem tão depressa quanto possível, desconfio que passam por alto de muita coisa. E NUNCA lêem nada pela segunda vez, de forma que um ano mais tarde não recordam de uma só palavra.</em><br />
(Toda essa carta é interessantíssima, mas este trecho me chama mais atenção. Eu me imponho uma cota razoável de leitura– 9 a 12 livros por mês – mas há livros os quais não tenho a mínima pressa de largar. Passo semanas e até meses lendo-os, enquanto outros vão sendo devorados. Outro ponto importante é esse de ler várias vezes certos livros. Tenho dezenas de livros aguardando sua primeira leitura e eles são preteridos por outros que já li várias vezes e que lerei muitas outras até o fim dos meus dias.)</p>

<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/03/03/nunca-te-vi-sempre-te-amei/&amp;text=Nunca te vi… sempre te amei&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/03/03/nunca-te-vi-sempre-te-amei/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>10</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Bibliotecas, confrarias, antiquários e sebos</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/02/21/bibliotecas-confrarias-antiquarios-e-sebos/</link>
		<comments>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/02/21/bibliotecas-confrarias-antiquarios-e-sebos/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 21 Feb 2008 03:00:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bibliofilia]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/02/21/bibliotecas-confrarias-antiquarios-e-sebos/</guid>
		<description><![CDATA[Para mim, ler é algo tão prazeroso que faço isso quase somente na cama. Só leio recostado e muito bem acomodado. Também exijo silêncio total e evito que qualquer coisa, um simples movimenta que seja, tire minha atenção do livro. &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/02/21/bibliotecas-confrarias-antiquarios-e-sebos/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/02/21/bibliotecas-confrarias-antiquarios-e-sebos/&amp;text=Bibliotecas, confrarias, antiquários e sebos&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/nacalil.jpg" border="0" /></p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/biblio5.jpg" align="left" border="0" />Para mim, ler é algo tão prazeroso que faço isso quase somente na cama. Só leio recostado e muito bem acomodado. Também exijo silêncio total e evito que qualquer coisa, um simples movimenta que seja, tire minha atenção do livro. Meus principais horários de leitura coincidem com aqueles em que a casa e a vizinhança estão dormindo. Por esses motivos, nunca fui muito chegado a ler em biblioteca.</p>
<p align="justify">No entanto, algumas bibliotecas nos oferecem a oportunidade de ter em mãos um título esgotado, um exemplar raro ou mesmo os originais de um livro. Isso não é para todos, claro. Esse material não fica nas estantes e ao alcance que qualquer pessoa. O fato de normalmente ter acesso a eles não me deixa muito à vontade para dizer que isso está certo, que deve mesmo ser assim. Mas se livros comuns são depredados, riscados, rasgados e roubados, imagine o que aconteceria se esses pequenos tesouros ficassem expostos como banana na feira.</p>
<p align="justify">A primeira biblioteca que freqüentei foi a do Colégio Pequeno C.E.U., no bairro carioca do Engenho Novo. Depois a <strong>Biblioteca do Méier</strong> e, em meu último ano no Rio, <st1:metricconverter productid="1985, a" w:st="on">1985,  a</st1:metricconverter> de outro colégio, o São Leopoldo. Ficava em uma espécie de porãozinho e eu fiz logo amizade com a pessoa que tomava conta dela. Em Natal, freqüentei inicialmente a do Salesiano, por muitos anos a <strong>Biblioteca Central Zila Mamede</strong> e outras de alguns departamentos da UFRN; eventualmente a do <strong>Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande de Norte</strong> e, até hoje, à distância ou quando estou lá, a biblioteca particular de Câmara Cascudo. A freqüência às bibliotecas de Brasília coincidiu com intensos momentos de trabalho e foi das mais longas e proveitosas. As <strong>bibliotecas do Senado e da Câmara Federal</strong> foram as mais visitadas e as únicas nas quais eu realmente passava horas a ler livros inteiros. A seção de <em>Obras Raras</em> da <strong>Biblioteca Central da UnB</strong> também recebeu muitas visitas minhas.</p>
<p align="justify">As bibliotecas, museus e salas de exposições são os primeiros lugares que visito em qualquer cidade. E garanto que em cada uma que visitei encontrei algo diferente, único e muito interessante. Mesmo nas mais modestas.</p>
<p align="justify">E se há bibliotecas públicas permitindo o acesso de qualquer pessoa, há <strong>coleções particulares</strong> que guardam livros que dificilmente serão encontrados naquelas. Os livros editados por confrarias de bibliófilos já nascem raros, ficam entre seus membros/confrades e muito raramente chegam a fazer parte de um acervo público, a não ser por decisão do próprio grupo ou doação/venda pós-morte e, quase sempre, para alguma biblioteca de referência como a <strong>Biblioteca Nacional</strong>, no Rio, ou a <strong>Mário de Andrade</strong>, <st1:personname productid="em S￣o Paulo." w:st="on">em São Paulo.</st1:personname></p>
<p align="justify">No Brasil, as mais conhecidas associações desse tipo são a <strong>Sociedade dos Cem Bibliófilos do Brasi</strong>l, a <strong>Confraria dos Bibliófilos Brasileiros Cattleya Alba</strong> e a <strong>Confraria dos Bibliófilos do Brasil</strong>, sendo esta a única em atividade.</p>
<p align="justify">A Sociedade dos Cem Bibliófilos do Brasil foi fundada em 1944, no Rio de Janeiro. Publicou 23 obras até 1969. Seus livros são muito procurados até hoje. Da Confraria dos Bibliófilos Brasileiros Cattleya Alba, sei muito pouco e só tive dois títulos <st1:personname productid="em mãos. Um" w:st="on">em mãos. Um</st1:personname> deles foi <strong><em>Lendas Brasileiras</em></strong>, de <strong>Câmara Cascudo</strong>, publicado em 1945 (veja na seção Livros<span>  </span>do site <a href="http://www.memoriaviva.com.br/cascudo" target="_blank">Memória Viva de Câmara Cascudo</a>). Cada lenda é acompanhada de um desenho a carvão, feito por <strong>Martha Pawlowna Schidrowitz</strong>. A Confraria dos Bibliófilos do Brasil nasceu em 1995, em Brasília, e publicou seu primeiro livro – <strong><em>O quinze</em></strong>, de <strong>Rachel de Queiroz</strong> – no ano seguinte. Em 2005, entrei para o quadro extra (máximo de cem pessoas) da Confraria. Segundo informações recentes, para fazer parte do quadro dos 350, preciso matar, digo, esperar morrer, isto é, “aguardar a desistência” de uns 40 confrades. Mas eu faço o sacrifício de não ter um número em meus exemplares. Vida longa a todos.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/cobrador.jpg" align="right" border="0" />A Confraria dos Bibliófilos do Brasil edita três livros por ano. Dois são escolhidos em votação pelos membros. O terceiro, chamado de <em>Livro do ano</em>, é uma edição ligeiramente diferenciada, um pouco mais em conta, que pode ser adquirido por não-membros. Todos os livros são feitos de forma artesanal e, dispensável dizer, cada um é, por si só, uma obra de arte.</p>
<p align="justify">Algumas dessas publicações, às vezes, acabam parando em algum antiquário. <em>A priori</em>, antiquário é um local que comercializa antiguidades, mas há livrarias de usados tão especializadas e repletas de raridades que utilizam tal designação. Ainda há sebos, daqueles bem sebosos, como antigamente: livros empilhados, jogados, espalhados com pouco ou nenhum critério, empoeirados, preços dados “pela cara do cliente”. Mas a maioria evoluiu, se organizou e se transformou em livraria de usados.</p>
<p align="justify">Numa Livraria Antiquário, você está lidando com pessoas que conhecem os valores daquilo que está sendo comercializado. Não é local propício a pechinchas. É claro que aquilo que você procura e pelo que pagaria mil pode ser encontrado por cem. Sugiro que você não reclame. Mas geralmente acontece o contrário. Aquilo pelo que você pagaria cem, será encontrado por mil.</p>
<p align="justify">Freqüentar sebos não é uma questão apenas de “ir até o da esquina”. É preciso andar muito e conhecer o <em>modus operandi</em> de cada um. O valor de um livro é algo extremamente subjetivo e pode ter variações incríveis, mesmo hoje quando é possível pesquisar pela Internet em sebos do país inteiro e estabelecer uma média. Determinados autores podem ser supervalorizados em alguns lugares e desvalorizados em outros, assim como certos temas. Há sebistas que acham que qualquer livro amarelado vale uma fortuna e há outros que não percebem pequenas raridades em suas estantes. <strong>O</strong> <strong>negociante esperto</strong> dá o preço conforme a cara e a vontade que o comprador demonstra pelo livro; <strong>o honesto</strong> indica o valor e o coloca no próprio objeto; <strong>o inteligente</strong> conhece cada comprador e sabe onde encontrar aquilo que ele está procurando.</p>
<p align="justify">Eu poderia ainda contar as histórias que envolvem alguns livros que possuo, destrinchar os motivos de serem especiais, falar de descobertas surpreendentes, do que se acha dentro dos livros (esse é um tema que adoro), das anotações, mostrar alguns livros raríssimos que tive o prazer de ter em mãos mas que apenas fotografei (muitos não representavam grande coisa para mim, mas reconheço o valor de cada um), contar a história de pessoas que têm mais tempo de bibliofilia do que eu de vida, falar dos tesouros que conheci em certas bibliotecas públicas ou particulares,&#8230; há uma infinidade de temas em torno da arte de colecionar livros, mas o objetivo destes textos é fazer uma introdução à bibliofilia. Espero que tenha sido de alguma utilidade.</p>

<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/02/21/bibliotecas-confrarias-antiquarios-e-sebos/&amp;text=Bibliotecas, confrarias, antiquários e sebos&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/02/21/bibliotecas-confrarias-antiquarios-e-sebos/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>9</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>As “anas” e os livros que são comprados pelas capas</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/02/20/as-anas-e-os-livros-que-sao-comprados-pelas-capas/</link>
		<comments>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/02/20/as-anas-e-os-livros-que-sao-comprados-pelas-capas/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 20 Feb 2008 03:00:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bibliofilia]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/02/20/as-anas-e-os-livros-que-sao-comprados-pelas-capas/</guid>
		<description><![CDATA[Brasiliana é o termo pelo qual se designa uma coleção de livros, periódicos e estudos acerca de temas brasileiros. Da mesma forma, o sufixo é usado em nomes e sobrenomes para nomear coleções de determinado autor. Assim, Daltoniana se refere &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/02/20/as-anas-e-os-livros-que-sao-comprados-pelas-capas/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/02/20/as-anas-e-os-livros-que-sao-comprados-pelas-capas/&amp;text=As “anas” e os livros que são comprados pelas capas&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/barreto.jpg" border="0" /></p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/biblio4.jpg" align="left" border="0" /><strong><em>Brasiliana</em></strong> é o termo pelo qual se designa uma coleção de livros, periódicos e estudos acerca de temas brasileiros. Da mesma forma, o sufixo é usado em nomes e sobrenomes para nomear coleções de determinado autor. Assim, <em>Daltoniana</em> se refere a <strong>Dalton Trevisan</strong>, <em>Lobatiana</em> a <strong>Monteiro Lobato</strong>, <em>Machadiana</em> a <strong>Machado de Assis </strong>e assim por diante.</p>
<p align="justify">Você pode agradecer à Editora Nova Aguilar a facilidade de ter em um único volume a obra completa de vários autores portugueses e brasileiros, mas as “<em>ana</em>s”, para um bibliófilo, é algo bem diferente. Geralmente se começa colecionando os títulos. Digamos que tal autor escreveu vinte livros. O colecionador procurar adquirir esses vinte títulos. O próximo passo pode ser conseguir <strong>a primeira edição de cada um</strong> desses títulos. Se ainda não estiver satisfeito, pode aumentar a coleção buscando <strong>todas as edições de cada título</strong>. Sim, isso existe e é esse tipo de coleção que mais causa estranhamento aos não-bibliófilos. Imagine, ainda utilizando o exemplo proposto, uma coleção que parece completa com vinte livros transformar-se em, digamos, mais de 400 volumes. E tudo somente de um autor.</p>
<p align="justify">Vamos além. Imagine que o autor escolhido foi <strong><a href="http://www.memoriaviva.com.br/cascudo" target="_blank">Câmara Cascudo</a></strong> e seus mais de 150 títulos. Alguns com várias edições, lançadas por diferentes editoras. Percebe onde isso pode parar? <em>E há quem faça isso, Sandro?</em> Há quem faça mais. <strong>Vicente Serejo</strong>, jornalista, bibliófilo e cascudófilo, não satisfeito em ter todas as edições de todos os livros de Cascudo, passou a colecionar teses acadêmicas que falassem dele. Sem falar em toda e qualquer coisa a respeito do homem.</p>
<p align="justify">Minhas “<em>anas</em>” são bem humildes. Oito autores brasileiros são os mais presentes em minhas estantes: <strong>Lima Barreto</strong>, <strong><a href="http://www.memoriaviva.com.br/drummond" target="_blank">Carlos Drummond de Andrade</a></strong>, Câmara Cascudo, Dalton Trevisan, <strong>David Nasser</strong>, <strong>Carlos Lacerda</strong>, <strong>Adelaide Carraro</strong> e <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/sagost07.htm"><strong>Cassandra Rios</strong></a>. Nasser foi o primeiro a entrar no nível de buscar as primeiras e outras edições. Lima Barreto e Adelaide Carraro também já se insinuam nesse processo. E há duas grandes dificuldades adicionais em relação aos dois. A obra de Lima está em domínio público, o que quer dizer que qualquer um pode editá-las e sabe-se lá quantas vezes isso foi feito com cada uma delas. Da de Adelaide Carraro, autora publicada por várias editoras populares tendo alguns de seus títulos com dezenas de edições, mal se sabe a real quantidade de títulos escritos e não há registros catalográficos precisos a respeito de nenhum deles.</p>
<p align="justify">Cada editora pode ter seu próprio critério para considerar algo como reimpressão ou como nova edição. Em tese, reimpressão seria uma nova tiragem, dentro de uma mesma edição, exatamente igual a que já foi publicada. Uma nova edição deveria conter algum tipo de mudança, se não de texto – ainda que somente correção –, pelo menos de capa ou formato.</p>
<p align="justify">Além do interesse pela obra de cada um desses autores, tenho ainda outro, relacionado à <strong>arte das capas</strong>. Isso vai desde as diferenças por motivações comerciais de cada editora (que acham este ou aquele tipo de capa mais atraente) até a arte em si, principalmente quando se trata de ilustrações. Tenho um carinho especial pelas capas brasileiras das décadas de 50 e início de 60. Para exemplificar tudo isso, segue uma pequena mostra de capas com rápidas informações a respeito delas e/ou da edição do livro.</p>
<p style="text-align: center"> <img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/livros01.jpg" border="0" height="300" width="600" /></p>
<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/livros02.jpg" border="0" /></p>
<p style="text-align: center"> <img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/livros03.jpg" border="0" /></p>
<p style="text-align: center"> <img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/livros04.jpg" border="0" /></p>
<p align="justify">Além do já dito, há ainda capas que valem o livro, o qual pode, em se tratando de conteúdo, não interessar em absoluto ao colecionador. A importância fica por contra da ilustração de determinado artista, por um erro ou pela própria encadernação.</p>

<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/02/20/as-anas-e-os-livros-que-sao-comprados-pelas-capas/&amp;text=As “anas” e os livros que são comprados pelas capas&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/02/20/as-anas-e-os-livros-que-sao-comprados-pelas-capas/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>7</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Os autografados e os que jamais serão lidos</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/02/19/os-autografados-e-os-que-jamais-serao-lidos/</link>
		<comments>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/02/19/os-autografados-e-os-que-jamais-serao-lidos/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 19 Feb 2008 03:00:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bibliofilia]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/02/19/os-autografados-e-os-que-jamais-serao-lidos/</guid>
		<description><![CDATA[Nunca fui um caçador de autógrafos. E olha que teria uma coleção considerável, sem muito esforço, se tivesse me limitado a pedir somente os jamegões de quem entrevistei. Mas até por isso, por ser jornalista, me acostumei a não tratar &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/02/19/os-autografados-e-os-que-jamais-serao-lidos/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/02/19/os-autografados-e-os-que-jamais-serao-lidos/&amp;text=Os autografados e os que jamais serão lidos&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/biblio3.jpg" align="left" border="0" />Nunca fui um caçador de autógrafos. E olha que teria uma coleção considerável, sem muito esforço, se tivesse me limitado a pedir somente os jamegões de quem entrevistei. Mas até por isso, por ser jornalista, me acostumei a não tratar as pessoas como ídolos. Em relação aos livros, sessões de autógrafos também não me animam, a menos que seja para prestigiar algum amigo. Os livros autografados de minha biblioteca são, em sua maioria, de conhecidos e amigos meus.</p>
<p align="justify">Mas há, basicamente, <strong>dois tipos de livros autografados que me interessam</strong>. Os de autores que admiro e os de autores já falecidos, pois não podem gerar novos autógrafos e já passam a ser raros por isso. Ambos me proporcionam um grande prazer: o de descobrir exemplares autografados em sebos.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/autografo1.jpg" align="right" border="0" height="220" width="270" />O que realmente gosto é de saber que o autor segurou aquele exemplar e deixou uma marca personalíssima nele. A assinatura irregular de <strong>David Nasser</strong>, por exemplo, já me é familiar. Sim, aqui vai um aviso: um rabisco com o nome do autor não é exatamente um autógrafo. Entre o alto clero bibliófilo – coisa rara no Brasil, mas relativamente comum na Europa e nos Estados Unidos – um livro autografado só tem seu valor definido se o autógrafo for reconhecido por alguém ou alguma forma de ilibada competência: parente próximo do autor, estudioso de sua vida e obra, reconhecimento em cartório, etc. Os livros chegam a ser acompanhados por um <strong>atestado de autenticidade</strong>. É algo próximo ao comércio de grandes obras de arte.</p>
<p align="justify">Catar livros em sebos e, de repente, deparar-se com um exemplar autografado – de alguém que você nem estava procurando – é uma experiência quase mediúnica. Imediatamente sinto o momento do autógrafo. Imagino as linhas sendo desenhadas na página, o autor fechando o livro e entregando-o a um admirador. Pergunto-me o que o fez sair das mãos de quem o recebeu, por onde andou até chegar à estante daquele sebo e sinto-me na obrigação de resgatá-lo, como se estivesse devolvendo ao autor o carinho que ele teve. “<em>Olha, vou tirar este exemplar deste sebo empoeirado e colocá-lo junto à minha coleção, ok?</em>” E então ele vem morar comigo.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/autografo2.jpg" align="right" border="0" />Assim, nos últimos tempos, resgatei <em><strong>Mezzamaro, Flores e Cassis</strong></em>, autobiografia de <strong>Cassandra Rios</strong>; <strong><em>Palmas pra que te quero</em></strong>, de <strong>Dina Sfat</strong> (em parceria com Mara Caballero); <em><strong>O ABC das relações humanas</strong></em>, de <strong>Pierre Weil</strong>; e <em><strong>Vito Grandam</strong></em>, de <strong>Ziraldo</strong>, para citar apenas alguns. Uma curiosidade: já havia estado com Ziraldo, entrevistando-o, e sequer pedi um autógrafo.</p>
<p align="justify">Exemplares autografados, aliados a outras peculiaridades, podem fazer o valor de um livro multiplicar-se muitas vezes. Um exemplar autografado de <em><strong>O quinze</strong></em>, de <strong>Rachel de Queiroz</strong>, editado pela Confraria dos Bibliófilos do Brasil, em 1996, ou de <em><strong>A Polaquinha</strong></em>, de <strong>Dalton Trevisan</strong>, também da Confraria, editado em 2002, quando aparecem, não costumam sair por menos de 3 mil reais. Uma primeira edição autografada de <em>O quinze</em> ou de <em><strong>Novelas nada exemplares</strong></em>, de Dalton, dificilmente muda de mãos por menos de 4,5 mil reais. Mas, é claro, você pode se deparar com um desses pequenos tesouros perdido e por um valor bem mais acessível em algum sebo. <strong>Se isso acontecer</strong>, é de fundamental importância que você lembre do que vou dizer agora: <strong><u>eu aceito doações</u></strong>.</p>
<p align="justify">Numa negociação dessas ou por outro motivo que se enquadre nos objetivos de sua coleção é possível que sejam comprados<strong> livros que nunca serão lidos</strong>. No ano passado, adquiri cerca de vinte livros sobre história política com a desculpa de que poderiam interessar à minha esposa, formada em Relações Internacionais. Além das encadernações clássicas de excelente qualidade, quase todos estavam autografados. Apesar de boa parte deles apresentar temas bem interessantes até para mim, é provável que eu venha a ler somente dois ou três. Há uma infinidade de outros livros de meu interesse que estarão em melhor lugar na fila de leitura. Mas há um deles que chama atenção por ser completamente diferente de qualquer outro que eu possua em se tratando de temática. <em><strong>Moderno sistema penitenciário</strong></em>, de 1963, é um livro que apresenta, em parte, uma visão extremamente pessoal e religiosa, e, na maioria de suas páginas, uma exposição técnica. E por que eu o comprei? Porque estava autografado pelo autor e <strong>dedicado ao então Presidente da República, Sr. João Goulart</strong>. Não me pergunte os caminhos pelos quais andou esse exemplar. Eu imagino que ele tenha sido confiado, no Rio de Janeiro, a um deputado federal (ele fazia parte de vários livros que comprei da biblioteca de um falecido deputado) para que fosse entregue ao presidente em Brasília. Provavelmente, nunca chegou às mãos de Jango, mas, 44 anos depois, chegou às minhas. <strong>Não tente entender as razões e manias de um bibliófilo.</strong></p>
<p align="justify">Em minha coleção há livros que provavelmente (digo sempre “provavelmente” porque os interesses mudam com o tempo e porque também sou viciado em leitura; numa crise de abstinência, até bula de remédio vale) também não serão lidos por outros motivos. Seja porque se trata de uma edição diferente de um livro já lido, por ser um exemplar em estado tão delicado que é melhor não folheá-lo, <strong>porque foi comprado devido ao trabalho do ilustrador ou do capista</strong> ou ainda <strong>porque tinha uma bela encadernação</strong> (<em>sobre estes dois últimos tipos, falarei no próximo texto</em>).</p>
<p align="justify">Acredito que exista quem colecione livros somente por sua beleza ou para dizer que possui uma biblioteca bonita. <strong>A minha coleção nasceu do hábito de leitura.</strong> Esse tipo de colecionador, invariavelmente, <strong>passa a vida comprando mais livros do que conseguirá ler</strong>. E sofrerá por esse descompasso. Antes de me perceber bibliófilo, eu morria de vergonha disso, mesmo sabendo estar bem acima da média em se tratando de ler. Atualmente, leio, em média, 10 a 12 livros por mês, mas chego a comprar 20, 30 livros no mesmo período, às vezes mais. Espero que essa defasagem seja compensada pela realização do meu “sonho de aposentadoria”:<strong> ler um livro por dia</strong>.</p>

<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/02/19/os-autografados-e-os-que-jamais-serao-lidos/&amp;text=Os autografados e os que jamais serão lidos&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/02/19/os-autografados-e-os-que-jamais-serao-lidos/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>As manias de cada um e o que faz de um livro uma raridade</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/02/18/as-manias-de-cada-um-e-o-que-faz-de-um-livro-uma-raridade/</link>
		<comments>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/02/18/as-manias-de-cada-um-e-o-que-faz-de-um-livro-uma-raridade/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 18 Feb 2008 03:00:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bibliofilia]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/02/18/as-manias-de-cada-um-e-o-que-faz-de-um-livro-uma-raridade/</guid>
		<description><![CDATA[Há várias diferenças entre amontoado de livros, biblioteca e biblioteca de bibliófilo. Amontoado de livros, você já viu alguns, garanto. É comum entre acadêmicos. A pessoa vai juntando livros acadêmicos e afins. Por também gostar de ler, vai somando livros &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/02/18/as-manias-de-cada-um-e-o-que-faz-de-um-livro-uma-raridade/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/02/18/as-manias-de-cada-um-e-o-que-faz-de-um-livro-uma-raridade/&amp;text=As manias de cada um e o que faz de um livro uma raridade&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/biblioteca.jpg" border="0" height="216" width="600" /></p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/biblio2.jpg" align="left" border="0" height="120" width="92" />Há várias diferenças entre amontoado de livros, biblioteca e biblioteca de bibliófilo.</p>
<p align="justify"><strong>Amontoado de livros</strong>, você já viu alguns, garanto. É comum entre acadêmicos. A pessoa vai juntando livros acadêmicos e afins. Por também gostar de ler, vai somando livros de literatura ou de outros temas de seu interesse. Vai juntando, juntando, juntando e deixando em algum cômodo. Naquele amontoado, você encontrará<strong> livros que não são tocados há anos</strong>, livros pelos quais o dono não tem mais o mínimo interesse, livros ganhos e nunca lidos. É o que chamo de “<strong>biblioteca morta</strong>”. A maioria dos livros está esquecida. Eles estão como em um depósito. Não há necessidade de grande organização ou cuidados. Alguns, que um dia foram colocados em pé, hoje estão completamente tortos, tronchos. Os livros não cumprem sua função. São como arquivos mortos, esperando que alguém um dia precise deles.</p>
<p align="justify">Já a <strong>biblioteca</strong> tem, a princípio, uma organização. Seu dono separa os livros como melhor lhe convém. Costuma consultá-los. Tem seus preferidos, relê alguns. As bibliotecas <strong>podem ser simples, pequenas</strong>. Podem acompanhar o ritmo de leitura e do bolso de seus donos. Podem ser modestas, com duas ou três dúzias de um determinado tipo de literatura ou de um só autor. Só <strong>Agatha Christie</strong>, por exemplo (nunca li um livro seu, autora muito popular entre os adolescentes de minha geração). Também pode ser uma biblioteca gigantesca, de alguém que <strong>leia compulsivamente</strong> (só se lê realmente assim). Os livros cumprem sua função e o dono também, cuidando, organizando, lendo, mantendo a coleção viva e ativa, interagindo com ela.</p>
<p align="justify"><strong>Biblioteca de bibliófilo</strong> já é um outro papo, a começar pelas <strong>manias básicas de todo colecionador</strong>: organização, limpeza, conhecimento de cada item, seus porquês, seus históricos. A partir daí, dependendo dos interesses de cada um, outras manias e cuidados vão surgindo e fazendo esse tipo de biblioteca ser muito diferente dos outros já citados.</p>
<p align="justify">Começando pelos hábitos comuns, irei desenvolvendo e falando um pouco de minhas próprias manias e tipos de coleção que formam minha biblioteca.</p>
<p align="justify">A primeira coisa que chama atenção na biblioteca de um biblófilo é a <strong>posição dos livros</strong>. Eles ficam deitados. <em>Por que?</em> Sempre me perguntam isso. Respondo: <strong>porque livro foi feito para ficar deitado</strong>. Lembro sempre de <strong>Dr. Marcos Fulco</strong>, oftalmologista, me dizendo que praticamente todo mundo que lê muito usa óculos e explicando o porquê. “<em>Olho foi feito para ver árvore, cavalo, montanha&#8230; Usar os olhos para ficar lendo essas letrinhas acaba com eles</em>”.  E é claro que ninguém vai deixar de ler por isso! Da mesma forma, cada um faz o que quiser com seus livros, mas <strong>deixando-os em pé, você acelera o processo de envelhecimento e destruição</strong> deles. E também do seu pescoço. Todos já tivemos, inúmeras vezes, a terrível e incômoda experiência de torcer o pescoço para ler o título na lombada e, procurando determinado livro, continuar <strong>torcendo o pescoço de um lado pro outro</strong>, já que a escrita não segue um padrão e, com o livro em pé, tanto pode estar de cima para baixo como o contrário. Aí você se cansa de ficar imitando a <a href="http://www.youtube.com/watch?v=f4nO9x937Ek" target="_blank">dancinha do Chicó</a> (quando Selton Mello “ressuscita” após João Grilo tocar a gaita abençoada no <em>Auto da Compadecida</em>), ajeita o pescoço e começa a passar os livros para ler o título nas capas (como se fazia com os LPs). Com isso, você acaba <strong>manuseando excessiva e desnecessariamente</strong> o livro, ajudando a entortá-los ainda mais do que eles já ficam por estarem em posição vertical.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/livroempe.jpg" align="right" border="0" />Enfileirados, os livros ainda recebem uma camada maior de poeira na parte de cima das páginas e, no caso de terem encadernações duras, isso é ainda pior. É mais difícil limpar essas partes. <strong>Livros em pé, só em pouquíssimos casos</strong>. Se forem calhamaços compactos – mais de 300 páginas, tamanho padrão ou aproximado, capa seguindo o corte do miolo – ou livros com encadernações especiais, muito resistentes e, preferencialmente, de tamanho próximo ao do miolo. Ainda assim, eles não devem “atravessar longas distâncias”, isto é, nada de enfileirar de ponta a ponta em uma prateleira. Menos de dois palmos e sempre bem apoiados nas laterais.</p>
<p align="justify">Quem freqüenta livrarias – as comuns mesmo – há muitos anos deve ter percebido que a partir da década de 90 elas aprenderam a se utilizar desses cuidados. Tornaram-se mais comuns as mesas nas quais os livros ficam empilhados. É uma forma de facilitar a visualização, chamando a atenção e o reconhecimento pela capa e de não entortar os livros antes que sejam vendidos.</p>
<p align="justify">Há ainda outros motivos para que fiquem deitados. Como já foi dito, apesar de não haver um padrão para a grafia de título e autor nas lombadas, você elimina “a dança do Chicó”. Você vai ler normalmente as informações da lombada de boa parte dos livros e, para as que estiverem de cabeça para baixo, não será preciso plantar bananeira para ler. Deitados, a capa do livro que ficar em cima vai receber a maior carga de poeira. É mais fácil limpar uma capa. Além disso, você pode cobrir cada pilha com uma lâmina de papel, plástico, feltro ou qualquer outro material assim ou simplesmente dar preferência a colocar no alto livros de pouco valor, de edições mais simples e baratas.</p>
<p align="justify">As pilhas devem ter, preferencialmente, no máximo, um palmo de altura. Mais que isso, os livros que estiverem mais embaixo poderão receber um peso não recomendável. <strong>A altura de um palmo também facilita o manuseio</strong>. Ao tirar um livro de uma pilha, você ainda poderá deixar os que estavam em cima levemente deslocados. Assim você visualiza mais rápido de onde ele foi tirado e poderá devolvê-lo ao lugar certo. Em pé, cada vez que você tira um livro, a fileira se entroncha mais e vários livros são danificados.</p>
<p align="justify">Quantas coisas e somente sobre a posição dos livros na estante, hein? E esse tema ainda poderia ser alongado, mas a idéia aqui é fazer uma introdução, um resumo. Então, vamos seguir com minhas manias.</p>
<p align="justify">Os <strong>maiores fetiches do bibliófilo</strong>, seus livros mais queridos, seus tesouros e troféus <strong><u>NÃO</u> ficam expostos</strong>. Isso mesmo. <u><strong>NÃO</strong></u> ficam expostos à poeira, ao calor, à luz excessiva e muito menos aos olhos de “simples mortais não-iniciados”. Antes o ciúme que a vaidade besta. Assim como a mulher guarda aquela <em>lingerie</em> maravilhosa para um momento especial, assim como você só usa determinada roupa fina em uma ocasião específica, aquele seu pequeno tesouro fica guardado para determinadas situações. Assim como você só apresenta um grande amigo a outro grande amigo, fala muito bem de cada um para o outro, e sabe que eles se reconhecerão como indivíduos acima do comum, <strong>você também só apresenta certos livros a determinadas pessoas</strong> e em momentos propícios.</p>
<p align="justify"><em><strong>São livros raros?</strong></em> Você deve estar se perguntando. Sim, <strong>raro para o colecionador</strong>. O que faz um livro ser considerado raro? Há vários motivos para isso: a antiguidade, a baixa tiragem, ter tido uma única edição, ter feito muito sucesso ou ter provocado comoção quando de seu lançamento, estar autografado, ter um erro, ter sido feito para um determinado grupo ou para comemorar uma data, ter pertencido e/ou estar dedicado a alguém conhecido&#8230; Quando alguns destes motivos se concentram em um único título ou em determinado exemplar, ele se torna mais e mais raro. Mas este ainda é um conceito extremamente subjetivo. <strong>Um livro pode ser raro só para você</strong>. O motivo ou os motivos devem ser importantes para você. E esse é o livro que estará na “seção de obras raras” de sua biblioteca.</p>
<p align="justify">Quais são os livros raros que eu tenho? Bem, primeiro é preciso saber <strong>quais tipos de livros me interessam</strong>. Eu me interesso por exemplares autografados, por títulos de edição única, livros e autores brasileiros que tenham sido muito populares, títulos lançados por várias editoras, exemplares de edição limitada a determinados grupos e também por edições refinadas que fazem do volume em si uma obra de arte (<em>falarei mais detidamente sobre essas preferências nos próximos textos</em>).</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/blackout.jpg" align="right" border="0" height="191" width="143" />Dentre os meus queridinhos está <em><strong>Trágico Black-out</strong></em>, de <strong>Luz del Fuego</strong>. Passei quase dez anos procurando esse livro. Nunca vi em biblioteca alguma. Nunca conheci alguém que tivesse um exemplar. <em>O que ele tem de especial? </em>Para responder, preciso contar uma pequena história. <em><strong>Luz del Fuego – A bailarina do povo</strong></em>, de <strong>Cristina Agostinho</strong>, foi a primeira biografia sobre um personagem brasileiro que li e me marcou. Isso foi há uns quinze anos, numa edição do <em>Círculo do Livro</em>. Em 1998, crivei um <a href="http://www.memoriaviva.com.br/luzdelfuego" target="_blank">site sobre Luz del Fuego</a>. Ele foi comentado em várias revistas sobre Internet e logo daria origem ao <a href="http://www.memoriaviva.com.br" target="_blank"><strong>Memória Viva</strong></a>, que completará dez anos em abril próximo, e tem uma carreira cheia de prêmios e dezenas de reportagens em jornais e revistas de todo o país. Luz lançou dois livros. Um álbum sobre nudismo, contendo várias fotos suas, intitulado <em><strong>A verdade nua</strong></em>. Teve duas edições. A primeira, recolhida pela polícia; a segunda, vendida apenas via correio. Foi seu segundo livro. O primeiro foi <em>Trágico Black-out</em>, em 1947, que teve apenas uma edição. É um romance com pinceladas autobiográficas que fez com que um de seus irmãos, senador, comprasse mais da metade dos mil exemplares impressos e desse fim a eles. Dos que escaparam do fogo, <strong>quantos você acha que chegaram aos dias de hoje?</strong> Um, eu garanto que chegou.</p>
<p align="justify">Outro personagem que me fascinou e cruza minha história e a do <a href="http://www.memoriaviva.com.br" target="_blank"><strong>Memória Viva</strong></a> é o jornalista <strong>David Nasser</strong>. Tenho quase todos os seus livros, alguns em várias edições, alguns autografados. Também <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/safev07.htm">já falei aqui</a> sobre os livros recolhidos por <strong>Roberto Carlos</strong>. Tenho todos. A recente biografia, <em><strong>Roberto Carlos em detalhes</strong></em>, de <strong>Paulo César de Araújo</strong>; <em><strong>Eu sou o Rei</strong></em> (1984), de <strong>Adelaide Carraro</strong>; e <strong><em>O Rei e Eu – Minha vida com Roberto Carlos</em></strong> (1977), confiscadíssimo, escrito por seu ex-mordomo, <strong>Nichollas Mariano</strong>. Tenho um livro dedicado pelo autor ao então presidente <strong>João Goulart</strong>; a primeira edição de quando se reuniu pela primeira vez a Poesia completa de <a href="http://www.memoriaviva.com.br/drummond" target="_blank"><strong>Drummond</strong></a>, editada pela Nova Aguilar sob patrocínio da Bradesco Seguros e que não foi comercializada (foi presenteada a “amigos e clientes” da empresa); várias edições antigas (entre primeira e quinta edição) de autores como <strong>Clarice Lispector</strong>, <strong>Graciliano Ramos</strong>, <strong>Jorge Amado</strong> e <strong>Menotti Del Picchia</strong>; uma edição de <em><strong>Éramos Seis</strong></em> ainda assinada pela <strong>Sra. Leandro Dupré</strong>, já que “não era de bom tom uma senhora de sociedade ser escritora” e, portanto, assinava com o nome do marido (a autora é <strong>Maria José Dupré</strong>); as maravilhosas edições da <strong>Confraria dos Bibliófilos do Brasil</strong> (todas desde 2005), que já nascem raras; e por aí vai&#8230;</p>
<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/3livros.jpg" border="0" /></p>
<p align="justify">Certamente deixei de citar algum livro que tenho e faria você babar, mas é provável que, para mim, ele não tenha grande importância. Ou talvez um deles apareça nos próximos textos, quando eu contar as histórias de como consegui este ou aquele volume ou ainda sobre os detalhes e surpresas que alguns me revelaram.</p>

<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/02/18/as-manias-de-cada-um-e-o-que-faz-de-um-livro-uma-raridade/&amp;text=As manias de cada um e o que faz de um livro uma raridade&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/02/18/as-manias-de-cada-um-e-o-que-faz-de-um-livro-uma-raridade/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Bibliofilia, essa obsessão</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/02/17/bibliofilia-essa-obsessao/</link>
		<comments>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/02/17/bibliofilia-essa-obsessao/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 17 Feb 2008 17:53:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bibliofilia]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/02/17/bibliofilia-essa-obsessao/</guid>
		<description><![CDATA[A série de textos que inicio hoje nasceu de várias perguntas que as pessoas me fazem sobre o tema Bibliofilia, principalmente por alunos de Comunicação Social após palestras/conversações sobre História do Jornalismo Brasileiro, que sempre descambam para minha coleção de &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/02/17/bibliofilia-essa-obsessao/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/02/17/bibliofilia-essa-obsessao/&amp;text=Bibliofilia, essa obsessão&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/biblio1.jpg" align="left" height="120" vspace="0" width="92" />A série de textos que inicio hoje nasceu de várias perguntas que as pessoas me fazem sobre o tema <em><strong>Bibliofilia</strong></em>, principalmente por <strong>alunos de Comunicação Social</strong> após palestras/conversações sobre História do Jornalismo Brasileiro, que sempre descambam para minha coleção de periódicos, e também por quem tem a oportunidade de conhecer minha humilde porém decente biblioteca. Os textos pretendem ainda servir como uma introdução e resumo de uma nova palestra/conversação exclusivamente sobre esse assunto.</p>
<p align="justify">Comecemos pela fria e triste definição dada a <em><strong>bibliófilo</strong></em> pelo Mestre Aurélio:</p>
<blockquote>
<p align="justify"><em>S. m.</em> Colecionador de livros.</p>
</blockquote>
<p align="justify">Mas sua definição de <em>bibliofilia</em> desmente tanta simplicidade:</p>
<blockquote>
<p align="justify"><em>S. f.</em> Arte de colecionar livros tendo em vista circunstâncias especiais ligadas à publicação deles.</p>
</blockquote>
<p align="justify">Minha escolha por designar <em>bibliofilia</em> como <strong><em>obsessão</em></strong> é justamente para dar um sentido de que não se trata apenas de mania de colecionar. É mesmo uma idéia fixa, que domina o modo de viver e agir. Para alguns, de forma tão mórbida que pode ser encarado como doença. Foi há menos de dois anos, no Arquivo Edgard Leuenroth, na Unicamp, que vi tal manifestação pela primeira vez. Pouco tempo antes, <strong>José Mindlin</strong>, conhecido como o maior bibliófilo do Brasil, havia doado cerca de 25 mil volumes de sua coleção à USP. Numa conversa informal à entrada do Arquivo, surgiu o assunto e alguém disparou: “<em>Ainda bem que doou. Isso de juntar um monte de livros só pode ser doença</em>”. Se for, eu tenho. E não vejo a mais remota possibilidade de cura.</p>
<p align="justify">É praticamente impossível falar em bibliofilia e não citar Mindlin. No entanto, a idéia aqui é concentrar o papo em minhas próprias experiências. Vou utilizar Mindlin, por ora, somente para algumas comparações. Você sabe qual é <strong>a diferença entre o bibliófilo rico e o bibliófilo pobre?</strong> O primeiro é um excêntrico; o outro, um esquisito. E a diferença entre um bibliófilo de idade mais avançada, que já tem uma biblioteca com alguns milhares de volumes, e um bibliófilo jovem com uma biblioteca ainda modesta?  O primeiro é um intelectual refinado; o segundo, um maluco que gosta de criar traça.</p>
<p align="justify">Em <strong>80 anos</strong> de bibliofilia, Mindlin juntou <strong>mais de 50 mil volumes</strong>. Eu ainda estou indo para o segundo milhar e, pelo andar da carruagem, devo chegar aos 5 mil antes de completar 50 anos. Mas <strong>ser bibliófilo não é apenas juntar livros</strong>. Se fosse, todo sebista seria um grande bibliófilo e a coleção de Mindlin, no quesito quantidade, seria risível na frente de alguns acervos que conheço.</p>
<p align="justify"><strong>Ser bibliófilo é ter uma relação de amor com os livros</strong>, é ter uma história com cada um deles, um porquê de este ou aquele fazer parte de sua coleção. Mas <strong>como nasce essa mania</strong>, essa obsessão? O sujeito acorda um dia e resolve ser bibliófilo? Pode acontecer, mas esse é do tipo que, diante de qualquer outra mania adolescente, ouve dos pais: “<em>Quando crescer, passa</em>”. O sujeito é rico e começa a comprar livros para decorar uma sala, porque é chique ter uma biblioteca? Acontece também. Nesse caso, é onde mais encontramos livros recheados de fotos, afinal, nada vai ser lido mesmo. Bibliófilo de verdade, em geral, é <strong>um grande leitor que um dia percebeu que não estava só lendo</strong>, mas comprando, guardando e cuidando de seus livros.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/corcunda.jpg" align="right" border="0" height="217" width="148" />Eu não nasci em uma casa com livros. Mas, por algum capricho do destino, a vontade de meus pais em comprar coisas para o filho único casou com a existência de vendedores ambulantes de coleções. Assim, li e reli todo o <em>Sítio do Picapau Amarelo</em>, as fábulas e os clássicos infanto-juvenis mais conhecidos. Lá pelos oito ou nove anos de idade, acompanhando meu avô a uma gravação do programa de Chico Anysio, fizemos uma escala no Shopping da Gávea e, pela <strong>primeira vez</strong>, lembro de ter entrado em uma livraria e escolhido um livro. Foi <em><strong>O Corcunda de Notre-Dam</strong></em><strong>e</strong>, que tenho até hoje. Lembro também da vendedora encantada com o menino que comprava um livro – algo raro naquela época em que não existiam esses parquinhos que temos hoje nas seções de infantis – perguntar o porquê daquela escolha. Inocentemente respondi que “<em>gostava de histórias de terror</em>”. Ela riu e disse que eu iria me surpreender. Realmente, foi a primeira de muitas surpresas que tive em relação a que um livro pode guardar em suas páginas.</p>
<p align="justify">Depois vieram os <strong>vendidos em bancas de revistas</strong>. Edições populares, geralmente em papel jornal, de <em>best sellers</em> que viraram filmes – <strong><em>Gente como a gente</em></strong>, <strong><em>Christiane F.</em></strong>,&#8230; Nas livrarias, os autores populares da época como <strong>Sidney Sheldon</strong> e <strong>Harold Robbins</strong>. Também freqüentava a biblioteca da escola e a Biblioteca Pública do Méier. Isso foi entre os 10 e 13 anos. Em seguida, me mudei para Natal. Numa cidade menor e já adolescente, ficava mais fácil sair, conhecer livrarias. Freqüentava duas: uma quase em frente à Catedral, na Avenida Deodoro, e outra perto de casa, no bairro de Lagoa Seca. Nessa, lembro de uma vez em que, já no caixa, descobri que o livro que estava comprando não estava cadastrado e, portanto, estava sem preço. O caixa pega o livro e grita para alguém no segundo andar: “<em>Fulano, veja aí qual é o preço de </em>Reflexões <u><strong>fisiológicas</strong></u> de Einstein”. Nunca esqueço os olhares das pessoas que, como eu, deveriam estar imaginando Einstein filosofando sentado no vaso sanitário.</p>
<p align="justify">De 15 para 16 anos, estava na faculdade e comprava basicamente quatro tipos de livro: a coleção <em><strong>Por ele mesmo</strong></em>, geralmente sobre os malucos que eu gostava (e continuo adorando) como <strong>Jim Morrison</strong>, <strong>Janis Joplin</strong> e outros; a coleção <em><strong>Primeiros Passos</strong></em>, obrigatória para qualquer calouro; os livros sobre teoria da comunicação e jornalismo em geral; e ainda os livros que figuravam entre os mais vendidos. Algum tempo depois, mais ou menos ali pelos 19 ou 20 anos, percebi que tinha algumas dezenas de livros e costumava guardá-los com certo cuidado. A partir daí, outros livros começaram a se tornar mais comuns em minha estante: os de <strong>autores locais</strong> (pois eu costumava cobrir eventos culturais e tinha muitos amigos escritores, músicos e atores); os <strong>clássicos brasileiros e estrangeiros</strong>; e <strong>biografias</strong>.</p>
<p align="justify"><a href="http://www.youtube.com/watch?v=wZnOIFKVf0o" target="_blank"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/sfnatv.jpg" align="right" border="0" height="209" width="208" /></a>Nessa época, praticamente não freqüentava sebos. Eu só gostava de livros novos e que tivessem sido “só meus”. Jamais imaginei no que <strong><a href="http://www.youtube.com/watch?v=wZnOIFKVf0o" target="_blank">iria me transformar mais adiante</a></strong> e, claro, hoje rio disso. As dezenas de livros foram se transformando em centenas, mas até o ano 2000, eram <strong>apenas “os livros que eu comprava para ler”</strong>. Uma “<strong>biblioteca morta</strong>”, como costumo chamar (<em>falarei sobre isso no próximo texto</em>).</p>
<p align="justify">Em 2001, mudei-me para <strong>Brasília</strong> e <strong>vários fatores modificaram radicalmente a forma de me relacionar com os livros</strong>. E talvez estejam aí as raízes da obsessão no sentido de “preocupação com uma determinada idéia, que domina morbidamente o espírito”, podendo até ser resultante de sentimentos recalcados. Primeiro, fui morar sozinho. Tinha mais tempo para mim, não tinha amigos e meu hábito de leitura se intensificou. Passei a ter <strong>contato diário com bibliotecas maravilhosas</strong>, principalmente as do Senado e da Câmara Federal. Comecei a ler livros que não poderiam ser achados em livrarias. Comecei também a sentir falta de ter meus livros à mão. Iniciou-se, então, uma nova fase de compras de livros e de visitas a <strong>sebos em Brasília, Rio e São Paulo</strong>. Ao mesmo tempo, comecei a comprar mais e mais livros de um único autor (<strong>Nietzsche</strong>, outra de minhas obsessões, seria um deles – <em>sobre coleções de um único autor, falarei em outro texto, na quinta</em>). Minhas <strong>pesquisas e compras de periódicos antigos também se intensificaram</strong> durante esse período e começaram a puxar as buscas por livros relacionados aos temas de meu interesse.</p>
<p align="justify">Um dia percebi que não tinha mais uma “biblioteca morta” dentro de casa. Cada livro tinha uma história que se juntava à minha. Eu me sentia íntimo de alguns autores. Tinha vários títulos iguais, mas em edições diferentes. <strong>O livro não servia mais só para ler</strong>. Havia muitas diferenças e várias histórias em torno de um mesmo título. Uma tradução diferente, uma edição comemorativa, um exemplar mais agradável de manusear, uma encadernação que por si só era um objeto de arte. Não era mais um amontoado de livros. Cada volume tinha um monte de histórias para contar além daquela escrita nele. E eu me dei conta de que conhecia essas histórias, que fazia parte de algumas delas ou era “aquele a quem elas haviam sido confiadas”. <strong>Os livros estavam pulsando nas estantes</strong>. Todos eles. Estavam vivos. Cada um, um velho amigo. Pronto: eu estava irremediavelmente contaminado.</p>
<p align="justify">Comigo, aconteceu assim. Não me dei conta do processo. Não percebi que estava me tornando um bibliófilo. <strong>Nunca planejei ser um</strong>. Admito, sou do tipo que acredita que primeiro se compra livros, depois, se sobrar dinheiro, comida e roupa. Para <strong>Pietro</strong>, meu filho que já nasceu entre livros, se também for um, talvez venha a dizer que bibliófilos já nascem bibliófilos. Em seu caso, poderá se manifestar uma <strong>bibliofilia congênita</strong>. No meu, foi <strong>bibliofilia a vírus</strong>, adquirida por anos de leitura e convívio com os livros.</p>

<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/02/17/bibliofilia-essa-obsessao/&amp;text=Bibliofilia, essa obsessão&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/02/17/bibliofilia-essa-obsessao/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>5</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>

