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	<title>Sempre Algo a Dizer &#187; Atualidade</title>
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		<title>Quase pretos ou quase brancos</title>
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		<pubDate>Tue, 05 Jul 2011 23:00:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
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		<category><![CDATA[Periódicos]]></category>

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		<description><![CDATA[Ontem, comecei a escrever uma série de textos que mostra o peso do fotojornalismo na construção e no fortalecimento da cultura americana e como os brasileiros, que adoram imitar os americanos, não conseguiram fazer algo parecido. O texto já ia &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2011/07/05/quase-pretos-ou-quase-brancos/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Ontem, comecei a escrever uma série de textos que mostra o peso do fotojornalismo na construção e no fortalecimento da cultura americana e como os brasileiros, que adoram imitar os americanos, não conseguiram fazer algo parecido. O texto já ia na oitava página e parei na análise de duas fotos da primeira edição da <em>Life</em>, de novembro de 1936, que mostravam a mistura de raças no Brasil.</p>
<p style="text-align: justify;">Vejam as fotos, as legendas (traduzidas) e parte do meu texto.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/07/brlife2.jpg"><img class="size-full wp-image-1029 aligncenter" style="border: 0pt none; margin-top: 0px; margin-bottom: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/07/brlife2.jpg" alt="" width="590" height="381" /></a></p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;"><em><strong>Civilização</strong> é o nome que os brasileiros dão a esta escultura de um homem e uma mulher negróides, para uma nova raça brasileira que está emergindo dos portugueses misturados com negros e índios. (&#8230;) A despeito da estátua, os cidadãos do Rio, auto-intitulados cariocas, são predominantemente brancos. Mas muitos aristocratas brancos do Rio têm parentes pretos e, no negróide Norte do Brasil, uma gota de sangue branco faz um homem &#8220;branco&#8221;.</em></p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;"><em><strong>O homem com o chapéu preto </strong>(centro) é considerado praticamente branco no Brasil. Sua companhia na dança do subúrbio da Penha, no Rio, é muito mais clara, definitivamente com características europeias. Ela é uma mulher branca, acolhida e alegremente desposada por um homem &#8220;praticamente branco&#8221;. O jovem com casaco cinza e calça branca tem uma boa mistura de sangue indígena e português. Todos estes são mais claros que o homem branco do Norte do Brasil. Todos os negros brasileiros votam e vivem em termos de igualdade legal com os homens brancos puros.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Hoje, pela manhã, me deparo com a seguinte notícia no site da <em>Veja</em>:</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Professor é acusado de mandar aluno africano clarear a cor</strong></p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;"><em>A Universidade Federal do Maranhão (UFMA) solicitou a abertura de um processo administrativo disciplinar para apurar as denúncias de racismo contra um professor da instituição. Alunos do curso de Engenharia Química apontaram atos de discriminação do professor José Cloves Verde Saraiva contra o aluno africano Nuhu Ayuba, inscrito na disciplina Cálculo Vetorial. Saraiva já pediu desculpas e disse que a situação foi um mal-entendido.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;"><em>Uma cópia da denúncia foi entregue ao Ministério Público Federal. &#8220;Informamos que o professor Cloves Saraiva vem sistematicamente agredindo nosso colega de turma Nuhu Ayuba, humilhando-o na frente de todos&#8221;, afirmaram os alunos na petição pública. Segundo os estudantes, o professor teria dito que Ayuba &#8220;deveria voltar à África e clarear a sua cor&#8221;.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Brasil, 1936, visto pelos americanos. Brasil, 2011, visto por nós mesmos.</p>
<p style="text-align: justify;">O último parágrafo que escrevi ontem dizia o seguinte:</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;">Independente da época e do contexto, preconceito racial (e por qualquer tipo de diferença) é uma estupidez indesculpável. No entanto, 75 anos depois, sendo brasileiro (portanto, vira-lata), vejo a legenda e a foto como o documento de uma época em que o Brasil buscava uma identidade racial, social, e não tinha o preconceito típico do americano. Esquecendo um pouco os comentários racistas, a foto é maravilhosa, não? Dispensa qualquer legenda ou interpretação. Retrata a verdadeira mistura que forma nosso povo e sua alegre convivência. Pelo menos nesse ponto, tínhamos tudo para sermos superiores, mais civilizados. <strong>Pena que, até nisso, o brasileiro tenha se americanizado.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Se a Ku Klux Klan aceitasse caboclos, esses brasileiros praticamente negros que se acham brancos poderiam ter seu clubinho.  Acho bem merecido quando esse tipo babaca de brasileiro é maltratado no exterior e se sente colocado no lugar <strong>onde todo racista deveria estar: abaixo de qualquer outro ser humano</strong>. Só lamento que, mesmo assim, não aprendam.  Seres desse tipo nunca aprendem. Nunca viram gente.</p>
<p style="text-align: center;">* * * * * * * *</p>
<p style="text-align: justify;">► <strong>DICA do mano BUCA DANTAS:</strong> <strong><a href="http://www2.uol.com.br/JC/sites/especial_joaquimnabuco/html/html2/index.html" target="_blank">Quase brancos, quase negros</a></strong></p>

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		<title>O Haiti nosso de cada dia</title>
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		<pubDate>Mon, 18 Jan 2010 18:04:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Livre pensar]]></category>

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		<description><![CDATA[“Fermê la búche, sivuplê!”. Assim mesmo, com grafia errada, para acentuar o mau francês do soldado brasileiro atuando diante da câmeras de TV, dando uma ordem grosseira (Calem a boca!) seguida de um “por favor”. Tá aqui! Tá viva! Ela &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/01/18/o-haiti-nosso-de-cada-dia/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">“<em>Fermê la búche, sivuplê!</em>”. Assim mesmo, com grafia errada, para acentuar o mau francês do soldado brasileiro atuando diante da câmeras de TV, dando uma ordem grosseira (<em>Calem a boca!</em>) seguida de um “<em>por favor</em>”. <em>Tá aqui! Tá viva! Ela tá segurando a minha mão. Ela tá bem!</em> Bem?! A mulher estava há três dias presa sob os escombros, grávida, imóvel, sem água, sem comida. Pensei que a próxima fala do soldado seria: “<strong><em>Começamos o resgate agora ou almoçamos antes?</em></strong>”.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.youtube.com/watch?v=O940MCMTyzw" target="_blank">A cena foi exibida</a> no <em>Jornal Nacional</em> do dia 15 de janeiro, sexta-feira, reprisada em todos os telejornais da Globo nas 24 horas seguintes e de novo e novamente no domingo, durante o <em>Fantástico</em>, que abriu e fechou sua edição com as <a href="http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL1451490-5602,00-VIDEO+DE+BRASILEIRO+MOSTRA+CAOS+EM+PORTO+PRINCIPE+INSTANTES+APOS+TERREMOTO.html" target="_blank">imagens captadas por um soldado brasileiro</a> logo após o terremoto. Grande furo! Viva a inclusão digital! Viva o poder de registrar qualquer coisa a qualquer momento com um simples celular! Grande ajuda ao jornalismo. Por falar nisso, <strong>algum jornalista perguntou ao comando do Exército o motivo de o soldado estar brincando de cinegrafista em vez de estar prestando socorro e tentando manter a ordem em uma situação desesperadora daquelas?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">No primeiro caso, não era um “resgate emocionante” como foi passado ao telespectador. Foi um <strong>desastre vergonhoso </strong>mostrando que a preocupação de aparecer na tevê era muito maior que a de salvar uma vida. No segundo, deve ter sido a vocação para repórter do jovem falando mais alto e denunciando que ele escolheu a carreira errada.</p>
<p style="text-align: justify;">Se há uma coisa que repito incessantemente é que <strong>se você quer ser feliz e fazer algo bem feito, siga sua vocação</strong>. Não importa qual seja. Quando alguém se mete a assumir uma profissão por status social, para ganhar muito dinheiro ou por necessidade, pode ter certeza de que em algum momento – ou em muitos ou em todos! – isso ficará bem claro. Você nunca teve uma empregada doméstica da qual reclamasse por não limpar a casa direito? É porque ela não faz aquilo por vocação, mas por necessidade. Nunca foi a um médico que parecia perdido tentando diagnosticar algo ou demasiado apressado durante a consulta? É porque ele deveria estar pensando na partida de tênis ou no passeio de barco do próximo fim de semana. Vocação é algo sério. Mais ainda quando se trata de assumir uma função que envolve ajudar ao próximo. Se você não nasceu para isso, tente melhorar, tente ser uma pessoa melhor, mas não se meta a fazer disso a principal atividade de sua vida. <strong>Ser militar não é ter um emprego, é assumir a missão de defender a vida dos outros colocando a sua em risco.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Ser jornalista profissional é, muitas vezes, ser uma hiena ou um urubu, rondando a desgraça alheia. É um dos motivos de eu ser EX-jornalista. Não é minha vocação. Eu não queria ser repórter de uma das maiores emissoras de TV do planeta, ser reconhecido, ganhar muito bem, viajar por vários países para um dia ter que fazer o papelão de mostrar um ato de incompetência e falta de noção e ainda vendê-lo como algo emocionante. “<em>Cale a boca, você, soldado, e comece já a tirar essa pessoa daí!</em>”. Nenhum motivo “profissional” está acima do bem estar de qualquer ser humano. Compromisso profissional nem dinheiro algum paga A MINHA condição humana. O que vi foi um grupo de humanos desesperados – pobres, sem educação, sem comida, sem condições de nada e ainda arrasados por uma força incontrolável – tentando salvar uma vida enquanto soldados e jornalistas, muito civilizados e no controle de suas vidas, brincavam de fazer um filme de Oliver Stone.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Zilda Arns</strong>, bem nascida, de família bem estruturada, bem alimentada, bem estudada, bem casada, bem relacionada, bem tudo, poderia ter vivido quietinha, como dondoca-esposa-mãe-irmã-de-cardeal ou, se quisesse dizer que trabalhava, ganhar muito bem como médica sanitarista, provavelmente em um alto cargo público para o qual seria indicada sem fazer força. Mas não. Zilda Arns resolveu seguir sua vocação. Se até o momento de sua morte você não sabia quem era ela, o que ela fez ou o que representa a Pastoral da Criança, procure saber. E se, com isso, você perceber o quanto a sua e a minha vida são inúteis, já será um passo para mudar essa situação.</p>
<p style="text-align: justify;">No meu entender, <strong>essa mulher assumiu algo tão grandioso para se fazer em apenas uma vida </strong>que precisou morrer de uma forma espetacular para tornar mais visível sua ação: “<em>Pelo Amor de Deus, olhem para a situação em que seus irmãos vivem! Mexam-se! Façam algo!</em>”. E esta não é uma leitura religiosa e para religiosos. Você pode ler como “<em>Acordem, porra! Vejam a situação em que seus irmãos vivem! Mexam essas bundas moles! Façam alguma coisa!</em>”.</p>
<p style="text-align: justify;">Talvez você nunca antes tenha ouvido falar em Zilda Arns, o que ela fazia e a grandiosidade do seu trabalho de quase três décadas com a Pastoral da Criança, mas certamente você sabe quem são Gisele Bündchen, Sandra Bullock, Brad Pitt, Angelina Jolie e muitos outros que não eram nascidos ou ainda eram crianças quando o trabalho de Zilda começou. Deve saber também sobre as doações milionárias que eles fizeram para ajudar a população do Haiti. Talvez isso tenha feito com que você contribuísse também com 10, 50 ou 100 reais. A partir daí, faço alguns questionamentos: Por que você não segue, há tempos, o exemplo de Zilda Arns? Por que, sem tirar um centavo do bolso, não dedica alguns minutos por dia ou algumas horas uma vez por semana para brincar, ensinar ou simplesmente dar alguma atenção a crianças carentes na sua cidade mesmo? Por que não pega esses 10, 50 ou 100 reais e investe mensalmente em cestas básicas, remédios ou livros para uma criança que mal come ou não consegue estudar aí perto de sua casa ou de seu trabalho? Essa esmola que você deu ao Haiti realmente ajudou em algo ou apenas fez com que você se sentisse mais parecido com astros de Hollywood e aliviasse um pouco sua consciência por nunca fazer nada pelo próximo, esse aí, bem próximo?</p>
<p style="text-align: justify;">No <em>Twitter</em>, surgiu todo tipo de questionamento a respeito da situação no Haiti e das ações geradas em torno dela. No caso das doações, a cobrança de não só passar os números das contas, mas doar efetivamente, até a cobrança explícita a pessoas e instituições que pudessem fazer doações maiores. Cada um faz o que pode e o que sua consciência manda. <em>Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita </em>(Mateus 6:3). Ou, para que não se pense que estou fazendo pregações religiosas: <strong>você quer ajudar ou quer ser admirado porque ajuda? </strong>Vai esperar outra catástrofe em algum lugar distante para ajudar ou vai ajudar o seu vizinho antes que aconteça uma com ele? Já se perguntou se a esmola ao problema distante não é uma forma de pedir a Deus que o mantenha distante? O versículo seguinte ao citado diz: <em>Para que a tua esmola seja dada em segredo; e teu Pai, que vê em segredo, Ele mesmo te recompensará publicamente</em>. Eu, que não sigo qualquer agremiação religiosa, diria: <strong>faça sem esperar qualquer coisa em troca; faça apenas porque é certo</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Houve também um comentário no <em>Twiiter </em>que vale a pena citar. Foi feito por <a href="http://clotildetavares.wordpress.com/" target="_blank">Clotilde Tavares</a>: <em>Não entendo o espanto dos jornalistas com crianças comendo terra no Haiti. No Nordeste que eu conheci, isso acontecia todo dia&#8230; </em>Acontecia e acontece. Assim como acontece – mais comumente e não só no interior do Nordeste, mas em qualquer cidade, em qualquer região – de <strong>crianças passarem o dia sem comer ou comendo coisas encontradas no lixo</strong> e, ao reclamarem, escutam o pai dizer: “<em>Vá dormir que a fome passa</em>”. Talvez seja uma poderosa hipermetropia que nos impeça de ver o que está tão perto. Talvez seja o medo de saber que esteja tão perto. No caso de jornalistas, há também a falta de “formação humana” para que possam exercer devidamente sua função e não se admirar com algo, infelizmente, tão comum.</p>
<p style="text-align: justify;">Creio que o exposto até aqui seja material suficiente para repensarmos nossas atitudes, porém me permito mais algumas linhas para abordar outro ponto do comportamento atual, muito comum nas duas últimas décadas, que não consigo entender e, provavelmente, jamais vou aceitar: <strong>os aplausos em sepultamento</strong>. Isso, mais uma vez, aconteceu no sepultamento de Zilda Arns. Fico imaginando se as pessoas que aplaudiram estavam felizes pelo fato de ela ter morrido ou se esperavam que ela saísse do caixão para agradecer e dar um bis. Aplauso é um gesto eufórico de aprovação.  O que as pessoas aplaudem durante um enterro? A beleza da cerimônia? O discurso do padre? A oportunidade de se livrar do chato que baixa à cova? Tuitei sobre isso e fiquei surpreso com os vários comentários que surgiram a favor do aplauso. O que percebi é que todos vieram de gente muito jovem, no máximo, na casa dos 20 anos, ou seja, gente que cresceu vendo isso e, entendo, só poderia achar natural. Não é. Na maioria das culturas, desde tempos imemoriais, o ritual de sepultamento envolve vários tipos de sentimentos que nada têm a ver com euforia: despedida, finalização de um ciclo, respeito por uma missão cumprida, conscientização sobre nossa condição temporária, reflexão sobre a necessidade de perdoar e viver em paz com todos, sobre como tudo tem o mesmo fim, saudade, etc. Perceba que nem estou falando de culpa, apego, desespero e tristeza, coisas muito comuns na cultura ocidental e mais ainda na brasileira. À exceção de pessoas que tenham levado a vida em festa e explicitem que seus sepultamentos ocorram da mesma maneira, não vejo motivo algum para os aplausos. Zilda Arns não queria aplausos nem em vida, por que iria querer depois de morta? Acredito que ela preferisse que as pessoas pegassem suas mãozinhas e as colocassem à disposição das crianças carentes às quais ela se dedicou. Assim, as crianças também teriam motivos para sorrir, ficar eufóricas e bater palmas.  Esses aplausos em sepultamentos me parecem coisa de pessoas pouco trabalhadas emocionalmente (para ser bem delicado). Pessoas que não conseguem se dar um momento de recolhimento, de silêncio, de paz. <strong>É preciso barulho para abafar os sentimentos com os quais não se sabe lidar</strong>, é preciso uma algazarra para que não se ouça a voz interior. Com os aplausos, saímos do cemitério com a sensação de que saímos de um espetáculo que nos fez bem e fugimos da realidade de que um dia seremos nós no caixão. No meu, não aplaudam. Vivo, não gosto de barulho. Morto, por favor, me deem finalmente um pouco de silêncio.</p>
<p style="text-align: justify;">Encerro com a sugestão de que possamos refletir a respeito dos recentes acontecimentos e de atitudes que podemos mudar para melhorar as nossas vidas e a das pessoas ao nosso redor. Pensemos sobre o que nos dá, hoje, o Haiti nosso de cada dia.</p>

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		<title>Desencontro da Paz</title>
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		<pubDate>Sat, 10 Oct 2009 08:30:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Livre pensar]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Barack Obama, ganhador do Nobel da Paz, foi o assunto da sexta, 9. No mundo inteiro, nos telejornais, na Internet. Mas um detalhe irônico não foi comentado aqui no Brasil. Esperei o Jornal Nacional e nada. Então joguei no Twitter: &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/10/10/desencontro-da-paz/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Barack <img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2009/10/obama_lama.jpg" alt="obama_lama.jpg" align="right" border="0" />Obama, ganhador do Nobel da Paz, foi o assunto da sexta, 9. No mundo inteiro, nos telejornais, na Internet. Mas um detalhe irônico não foi comentado aqui no Brasil. Esperei o <em>Jornal Nacional</em> e nada. Então joguei no <em>Twitter</em>: Ninguém falou que o Nobel da Paz 2009 não recebeu o Nobel da Paz de 1989, o Dalai Lama, que está nos EUA?</p>
<p align="justify">É provável que você lembre de pelo menos dois ganhadores do Nobel da Paz dos últimos vinte anos: Dalai Lama (1989) e Nelson Mandela (1993). Duas personalidades inegavelmente inspiradoras e ligadas ao tema “Paz”. Não que outras não sejam, mas quase sempre estavam relacionadas a fatos ou movimentos menos conhecidos, digamos, de menor apelo universal: campanha em favor dos povos indígenas na Guatemala; por uma solução pacífica para os conflitos na Irlanda do Norte; ativismo pelos direitos humanos no Quênia, etc. Não são menos merecedores ou importantes, mas é impossível não perceber a relevância de nomes como os de Nelson Mandela e Tenzin Gyatso, o Dalai Lama. Este, por ser também um líder religioso carismático e viajar constante pelo mundo, é sempre o primeiro a ser lembrado.</p>
<p align="justify">Na segunda-feira passada, 5 de outubro, o Dalai Lama chegou aos Estados Unidos. Pela primeira vez, desde que começou a visitar o país, em 1991, não foi recebido pelo presidente. Ironicamente, quatro dias depois, com o Dalai Lama ainda em território americano, o presidente Obama é anunciado ganhador do Nobel da Paz.</p>
<p align="justify">Quando o Dalai Lama se viu obrigado a deixar o Tibete, em 1959, Barack Obama nem havia sido concebido.  O primeiro tem uma luta de meio século mundialmente reconhecida; o segundo é uma promessa. Quem deveria negar-se a receber quem? É uma pergunta retórica. Até porque o Dalai Lama receberia qualquer um, inclusive Obama.</p>
<p align="justify">O fato é que os dirigentes de países que mantêm relações diplomáticas com a China evitam recebê-lo. E, claro, isso não é gratuito. A cada anúncio de viagem líder tibetano, o governo chinês “pede” que o governo do país visitado não o receba. Quando esteve no Brasil em 1999, o então presidente Fernando Henrique esteve com ele por 15 minutos, em caráter não oficial, na casa de Antônio Carlos Magalhães (que era presidente do Senado). Ainda assim, o Itamaraty sambou miudinho e deu satisfações a Pequim. Na visita mais recente, em abril de 2006, Tenzin Gyatso esteve com o então ministro Gilberto Gil e outras autoridades políticas. Lula? Devia estar viajando.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2009/10/bush_lama.jpg" alt="bush_lama.jpg" align="right" border="0" />Nenhum presidente americano havia se rendido a esse “capricho chinês”. Os senhores da guerra, Bush pai e Bush filho, estiveram com Tenzin Gyatso. O pacificador Obama não.</p>
<p align="justify">O Dalai Lama disse, em entrevista, que não queria “criar inconveniência a ninguém” e que não estava desapontado por não ser recebido pelo presidente americano. Ainda em Washington quando o vencedor do prêmio foi anunciado, parabenizou Obama. Em carta, disse ao presidente que o comitê do Nobel “reconheceu seus esforços para a resolução de conflitos internacionais através da sabedoria e do poder do diálogo”.</p>
<p align="justify">Acredito que Obama assumiu uma responsabilidade gigantesca ao ser eleito presidente. O Nobel da Paz foi o cheque em branco que o comitê do prêmio passou a ele “em nome do mundo”, uma espécie de “<em>yes, you can</em>”. Não acredito que ele tenha um <em>karma</em> tão bom quando o do Dalai Lama. A começar por essa esnobada e pelas rédeas “impostas pela diplomacia”, duvido que tenha liberdade para agir como e causar o efeito que o líder tibetano consegue.</p>
<p align="justify">Se eu tivesse que votar em alguém para representar os ideais de Paz, votaria em um espírito livre e iluminado. Se tivesse que apostar em alguém para salvar e mudar a humanidade, apostaria em quem age com o coração. Mas o mundo está cada vez mais estranho. A nova Paz não recebe a que conhecíamos. Já não sabemos muito bem o que ela é e nem como é sua cara. Apenas acreditamos que um dia a encontraremos.</p>

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		<title>Rio com o coração</title>
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		<pubDate>Sat, 03 Oct 2009 21:42:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
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<p align="justify">Sim, torci muito para a escolha do Rio de Janeiro como cidade olímpica em 2016. Esperei, sofri, chorei. Ao vivo e todas as vezes que reprisaram o presidente do COI abrindo o envelope e dizendo: <em>Rio Tchanêro</em>. Chorei também vendo Lula chorar. Se me permitem o chiste: Nunca antes na História deste país tivemos um presidente tão humano. Mais que “<em>O cara</em>”, Lula é a nossa cara. A cara da perseverança, a prova de que você pode sair do nada e chegar ao topo. E ainda continuar com um coração.</p>
<p align="justify">Informações necessárias aos que não me conhecem: não pratico esportes há mais de uma década, não vejo programas esportivos, todos os canais especializados no assunto são desprogramados no televisor que uso, o caderno de esportes é o primeiro que descarto ao pegar em um jornal, não gosto de esportes coletivos e não suporto futebol.</p>
<p align="justify">Então qual o motivo do ufanismo? Nenhum. Até porque não há ufanismo algum na minha torcida. Não torci “pelo meu país”, “pela minha cidade”. Torci com o povo que mais necessitava e merecia essa vitória. <strong>Torci junto aos que torceram da única maneira honesta: com o coração.</strong></p>
<p align="justify">Mas muita gente, aqui no Brasil, torceu contra. O fel correu solto via <em>Twitter</em>. Não estavam torcendo para Chicago, Tóquio ou Madri. Simplesmente torciam contra o Rio. Acredito que tenham seus motivos. Mas quais seriam? Algum grande interesse contrariado? Haviam apostado grandes somas de dinheiro na vitória de outra cidade? Ou era pura e simples uruca? Eu apostaria na última. Mas por que alguém agiria assim?</p>
<p align="justify">No <em>Twitter</em>, no calor do momento do anúncio, em meio a toda comemoração, também pipocavam comentários dos amigos da onça. Sem a intenção de colocar mais lenha, tuitei: “<em>E para quem torcia contra, o aeroporto é logo ali</em>”; “<em>Quem tem filhos sabe: aposta, programa, acredita no futuro. Construir o caminho até lá é problema dos pais</em>” e “<em>Torcer contra: NUNCA!</em>”.</p>
<p align="justify">Claro que não desejo que todos concordem ou torçam incondicional e unanimemente por algo. O que me impressiona é como uns se incomodam tanto pela vitória e felicidade de outros. Meu pensamento foi resumido nas tuitadas reproduzidas no parágrafo anterior e se traduzem da seguinte forma: <strong>Não é de seu interesse? Então mantenha sua energia negativa longe</strong>. Viva e deixe viver. Se não puder ajudar, pelo menos não atrapalhe. Você gostaria de alguém urubuzando seus planos? Na sequência de tuitadas, finalizei: <strong><em>Quem ama, entende o amor de qualquer um! Quem é feliz, torce pela felicidade de todos</em></strong>!</p>
<p align="justify">O que você acha que é? Uma estrela como a da logomarca de Chicago? Com o que se identifica? Com aquela mão espalmada de Madri, que me pareceu um alerta xenófobo? Como você leva a vida? Com um nó ou um lacinho de enfeite como o que aparece na logo de Tóquio? <strong>Qual é a sua vibração?</strong> A minha é a do coração batendo alegremente como aquele na marca do Rio 2016.</p>
<p align="justify"><em>Mas o que eu ganho com isso?</em>, perguntará o mais ranzinza. <em>E por que você precisa ganhar algo?</em>, pergunto eu. <em>Vai ter roubalheira!</em>, dirão alguns. <em>E o que você vai fazer para evitar?</em>, perguntarei. <em>Isso não vai trazer benefício algum!</em>, dirão outros e, se chegam a pensar assim, acredito ser um desperdício de tempo tentar mostrar tudo de bom que algo desse tipo pode trazer para a coletividade. Para a mim, o estímulo à autoestima de milhares ou milhões de pessoas já foi de grande importância.</p>
<p align="justify">“<em>O amor é paciente, o amor é benigno, não é invejoso; o amor não se ufana, não se ensoberbece, não é inconveniente, não procura o seu interesse, não se irrita, não suspeita mal, não se alegra com a injustiça, mas rejubila com a verdade</em>”. Todo mundo, de alguma forma, já ouviu esta sábia sentença da <em>1ª Carta aos Coríntios</em> (13; 4-6). O interessante é que em traduções mais castiças, a palavra não é “<em>amor</em>”, mas sim “<em>caridade</em>”. Normalmente entendemos este termo como um ato de piedade e assistência a alguém mais necessitado, mas não é exatamente este seu significado original. Em um sentido mais amplo, pode ser traduzido por “<em>bondade</em>”, “<strong><em>bom coração</em></strong>”. Em sentido teológico, “<em>caridade</em>” é melhor que todos os “carismas”, uma graça divina concedida para o bem daqueles que se irmanam.</p>
<p align="justify">Outro adendo aos que não me conhecem: assim como não torço por nenhum time, também não torço por qualquer agremiação religiosa. Mas desejo que todas espalhem o Bem e mostrem caminhos para a Felicidade de cada pessoa.</p>
<p align="justify">Pergunto: Com o que você se irmana? Com o que você comunga? Em qual nota você vibra? <strong>Um coração cheio de Amor reconhece o Amor em qualquer pessoa, em qualquer manifestação.</strong> Se você acha que ama e pensa que isso é uma dádiva concedida somente a você, sinto informá-lo: isso não é Amor. Se você não se sente feliz ao ver a Felicidade de outro, saiba, você não é feliz. Agora, se você acha que um evento desse porte não trará benefícios a muita gente ou que, pelo, menos, trará mais benefícios que malefícios, aí você é cego mesmo.</p>
<p align="justify">Mas suponhamos que a pessoa com essa atitude esteja apenas percebendo que, diretamente, não ganhará nada com isso. Assim como eu. Não me interesso por esportes, não moro nem pretendo voltar a morar no Rio, não sou proprietário de nenhum estabelecimento que vá lucrar com o incremento turístico, não sou dono nem empregado em construtora, não tenho ligações políticas que me favoreçam legal ou ilegalmente&#8230; Ou seja, provavelmente se os Jogos Olímpicos deixassem de existir, isso não afetaria muito a minha vida. Mas, existindo, afeta, melhora e gera felicidade à vida de milhões de pessoas. E eu me regozijo com isso. Fico feliz porque outros estão felizes.</p>
<p align="justify">Todo esse papo não é pró-Rio 2016 (já foi! <em>We créu!</em>) nem para defender determinado ponto de vista sobre este tema exatamente. A intenção é <strong>convidar a refletir sobre nossas próprias atitudes a partir dele</strong>. Mesmo que você não tenha sido um desses que torceu contra a candidatura do Rio, se pergunte se já não fez isso em outra ocasião. Se foi, <strong>tente imaginar a situação inversa</strong>: o Rio quase todo, parte do Brasil e da América do Sul torcendo para um projeto seu dar errado. Por que? Porque querem que dê errado e pronto. Sua vida não tem importância alguma para eles, ora!</p>
<p align="justify">Encerro com um aforismo de Shantideva. É um dos meus preferidos e que tenho como verdade indiscutível: <em><strong>Infelicidade é o resultado de desejar nossa própria felicidade. Felicidade é o resultado de desejar a felicidade dos outros. </strong></em></p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback3.jpg" usemap="#Map3" border="0" height="25" /></center><br />
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		<title>Hasta la victoria&#8230;</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Jun 2009 01:45:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
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		<description><![CDATA[No meu tempo de universitário, participei de passeatas e manifestações. Isso foi nos anos 80, quando ainda sentíamos o cheiro da ditadura e nossos professores haviam sofrido diretamente com ela. Lutávamos pelo direto de nos expressarmos, não para nos tornarmos &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/06/10/hasta-la-victoria/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/cliche.jpg" align="right" border="0" width="242" height="265" />No meu tempo de universitário, participei de passeatas e manifestações. Isso foi nos anos 80, quando ainda sentíamos o cheiro da ditadura e nossos professores haviam sofrido diretamente com ela. <strong>Lutávamos pelo direto de nos expressarmos</strong>, não para nos tornarmos outra ditadura, <strong>não para que fôssemos os ditadores da vez</strong>. Mesmo que às vezes acreditássemos ser necessário gritar, buscávamos o diálogo. Éramos idealistas (ainda sou) e abestalhados (idem) como grande parte dos jovens, mas <strong>não lembro de nenhum, dentre nós, afrontando e humilhando uma autoridade ou um servidor público que estivesse cumprindo sua função</strong>. Muito menos um que tivesse uma turma grande, mais forte e armada. Isso você só faz por dois motivos: se tem total convicção do que está defendendo ou se é burro. Muitas vezes por ambos. Sou completamente contra a violência e se discordo de algo que está dentro da Lei, o que tenho a fazer é procurar mudá-la, elegendo representantes e legisladores comprometidos com minhas ideias, cobrá-los para que lutem por elas, etc. Isso demora e pode não dar certo. Caso não dê, o jeito é adequar-me à regra ou procurar um lugar que tenha regras com as quais eu concorde.</p>
<p align="justify">No caso da USP, não vi universitários intelectualmente privilegiados e incontestavelmente cheios de razão lutarem por seus ideais. Vi um monte de babuínos gritando e seguindo outros que gritaram antes. Como estavam em maior número, se acharam muito corajosos para mexer com uns gorilas que estavam por lá. Quando a turma dos gorilas chegou, os babuínos se transformaram em saguis saltando para todos os lados. No dia seguinte, a tropa de choque talibã entrou em ação. A minha ainda querida <em>Caros Amigos</em> tascou em seu site uma matéria intitulada <a href="http://carosamigos.terra.com.br/index_site.php?pag=revista&amp;id=127&amp;iditens=198" target="_blank"><em>PM transforma USP em praça de guerra</em></a>. Pelo meu entendimento, para haver guerra é necessário que haja, pelo menos, dois grupos se agredindo. Se um só agride, é massacre. Acho que <strong>seria mais honesto e menos parcial</strong> dizer <em>Estudantes e PM transformaram USP em praça de guerra</em>. No <em>Twitter</em>, a garotada, defendendo “seus iguais”, não sustentava argumento em 140 caracteres. Não raro se lia algo do tipo “<em><strong>sem entrar no mérito de quem começou </strong></em>(&#8230;)”. Como assim? Só tem culpa quem bateu? O que mexeu com a onça é santo?</p>
<p align="justify">Parece que a garotada de hoje, extremamente alienada, não entendeu que <strong>revolução é coisa para gente grande</strong>. Se você está convicto daquilo que está defendendo, se é senhor de sua razão, se chamou alguém “para cair dentro”, vá até o final. <strong>Apanhe da polícia, sangre, se quebre, seja preso, morra, tenha seu corpo levantado pelos colegas, seja velado em praça pública.</strong> Estúpida, violenta, grosseira e até errada, a polícia está cumprindo o papel dela. E os manifestantes estão cumprindo o seu? Eu vi <a href="http://www.youtube.com/watch?v=zYnvT4nqK3M" target="_blank">um monte de filhinho de papai com suas câmeras afrontando covardemente quatro pessoas</a> e depois, também covardemente, correndo para a barra da saia da mamãe e se fiando que a imprensa – também cada vez mais alienada e parcial – fosse sair em sua defesa.</p>
<p align="justify"><strong>Chamou para dentro, encara.</strong> Não se começa uma guerra contando com que seu inimigo não vá lhe bater forte. Você tem que ir com a certeza de que vai morrer. Essa é a única maneira de talvez sobreviver. Se você não tem esse instinto nem consciência do perigo, procure os meios legais, civilizados, diplomáticos. Ou <strong>estão pensando que a vida é filme americano</strong> onde o mocinho enfrenta e vence um exército inteiro? Com celular e camerazinha digital não dá para encarar bomba e revólver. Resolvam: querem ser bobos ou revolucionários? Revolução de verdade tem sangue e morte. O resto é filme e clichê. Estão a fim de pagar o preço? <strong><em>Hasta la victoria siempre</em> ou <em>hasta la Victoria Secret</em>?<br />
</strong><font color="#ffffff">.</font><strong><br />
</strong></p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/aster.jpg" align="left" border="0" width="23" height="25" /><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Cliche Guevara é estampa exclusiva da antiga <em>Desacato</em>, depois <em>Verdurão</em>, grife brasiliense de moda jovem. </font></p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback3.jpg" usemap="#Map3" border="0" height="25" /></center><br />
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		<title>Em verdade, vos digo&#8230;</title>
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		<pubDate>Sun, 24 May 2009 03:19:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Bastidores]]></category>
		<category><![CDATA[Estatuária]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[A edição deste domingo, 24 de maio, da Tribuna do Norte traz duas páginas com matéria sobre o abandono sofrido pelos monumentos em Natal (RN). Texto e fotos fazem um rápido passeio por marcos nos bairros mais centrais e, ao &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/05/24/em-verdade-vos-digo/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/bustdepre.jpg" border="0" width="600" height="326" /></p>
<p align="justify">A edição deste domingo, 24 de maio, da <em>Tribuna do Norte</em> traz duas páginas com matéria sobre <strong>o abandono sofrido pelos monumentos em Natal</strong> (RN). Texto e fotos fazem um rápido passeio por marcos nos bairros mais centrais e, ao final, dá voz à Semsur – Secretaria de Serviços Urbanos, órgão da Prefeitura do Natal responsável pela conservação dos monumentos.</p>
<p align="justify">A matéria termina da seguinte forma:</p>
<blockquote>
<p align="justify"><em>Segundo ele </em>[o secretário adjunto da Semsur]<em>, um historiador e um fotógrafo já estão preparando o inventário sobre os problemas, as necessidades e a história de cada monumento. Ainda não há prazo para o início do trabalho.</em></p>
</blockquote>
<p align="justify"><strong>O historiador e o fotógrafo</strong> em questão são, respectivamente, eu, <strong>Sandro Fortunato</strong>, jornalista (ou ex, como prefiro), memorialista, historiador por amor e capricho pessoal, e <strong>Canindé Soares</strong>, não “<em>um</em>”, mas “<em>O</em>” fotógrafo, senhor de vasta obra da qual será impossível escapar ao se pesquisar sobre a História da cidade do Natal das últimas três décadas e das próximas. <em>That’s my man!</em> Ele é O Cara! Prazer, somos nós. <strong>Ainda nem viramos estátuas para sermos esquecidos.</strong></p>
<p align="justify">Para que fique bem claro que bronze não é gesso, o tal <strong>trabalho, que desenvolvemos desde fevereiro, é pessoal, autofinanciado e tem como finalidade mostrar, em livro, quem são as quase sempre esquecidas figuras homenageadas com estátuas, busto e efígies na cidade do Natal</strong>. Estamos <strong>em fase de conclusão de pesquisa</strong>, isto é, já chegando ao final do levantamento do que existe e, em breve, partindo para a edição dos textos (minha área) e escolha de fotos (feitas pel’O Cara).</p>
<p align="justify">Por meio de nota na coluna de <strong>Cassiano Arruda</strong>, na edição de <strong>1º de março</strong> do jornal <em>O Poti</em>, portanto <strong>há quase três meses</strong>, a Semsur soube de nosso trabalho e nos chamou para uma conversa. Na ocasião, o órgão demonstrou interesse em estender a pesquisa aos demais monumentos da cidade (nosso foco são apenas estátuas, bustos e efígies que representem alguma personalidade real). Para isso, seríamos patrocinados, contratados ou qualquer coisa legal que incentivasse a realização desse <strong><em>novo</em> projeto que, em parte, coincide com o trabalho que já vínhamos desenvolvendo</strong>. Até o presente momento, isso não foi fechado. Na última reunião, há poucos dias, na qual só Canindé participou, isso parece ter tomado rumos de ser viabilizado.</p>
<p align="justify"><strong>Resumindo e deixando bem claro: </strong>meu projeto em parceria com Canindé foi iniciado em fevereiro de 2009, está indo muito bem, obrigado, e já partindo para a fase de edição. O objetivo é publicar um livro mostrando quem são as personalidades representadas por estátuas, bustos e efígies em Natal. Ponto.</p>
<p align="justify">Quem visita nossos <em>blogs</em> sabe disso há meses e tem acompanhado a evolução do trabalho.</p>
<p align="justify">Mais um adendo. A pressa em “fechar matéria” geralmente impossibilita o aprofundamento da pesquisa. Na matéria da <em>Tribuna</em>, são mostrados <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/03/30/turismo-historico-cultural-e-tres-velhos-bigodudos/"><strong>o busto de Pedro Velho e a estátua de Augusto Severo</strong></a>, duas belíssimas obras francesas, quase centenárias, <strong>criadas para resistir a todas as intempéries, incluindo a mais cruel delas: o desprezo humano</strong>. Já passaram por dezenas de administradores, prefeitos, secretários; passarão por outros tantos e continuarão lá quando os bisnestos dos atuais já não andarem sobre a terra. <strong>O abandono tem outra cara.</strong> Muito mais feia. Ou se poderia dizer que nem tem cara, pois desfigura até as obras que foram feitas com o objetivo de perpetuar a memória de alguém. Que o digam o <strong>Padre João Maria</strong> e o jornalista e advogado <strong>Manoel Dantas</strong>, figuras sem rostos, esquecidas por quase todos. São deles os bustos deformados que abrem este texto.</p>
<p align="justify"><strong>Para ver todos os posts relacionados a nosso trabalho de pesquisa:</strong></p>
<p align="justify">No <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/category/estatuaria/">Sempre Algo a Dizer</a></p>
<p align="justify">No <a href="http://canindesoares.blog.digi.com.br/blog/?s=busto" target="_blank">Blog de Canindé Soares</a></p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback3.jpg" usemap="#Map3" border="0" height="25" /></center></p>
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		<title>Mafalda no mundo leal? Eu também quelo!</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/05/19/mafalda-no-mundo-leal-eu-tambem-quelo/</link>
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		<pubDate>Tue, 19 May 2009 15:24:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Desenho]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu admiro os argentinos. Na verdade, admiro qualquer povo que saiba valorizar seus artistas e fortalecer a própria cultura. Mafalda, a personagem mundialmente famosa criada por Quino, vai ganhar uma escultura. A obra será colocada em frente a um edifício &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/05/19/mafalda-no-mundo-leal-eu-tambem-quelo/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><img border="0" width="600" src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/quino.jpg" height="365" /> </p>
<p align="justify">Eu admiro os argentinos. Na verdade, admiro qualquer povo que saiba valorizar seus artistas e fortalecer a própria cultura. <strong>Mafalda</strong>, a personagem mundialmente famosa criada por <strong>Quino</strong>, vai ganhar uma escultura. A obra será colocada em frente a um edifício onde o artista morou.</p>
<p align="justify">Para quem não sabe, as tiras de Mafalda e seus amigos foram publicadas entre os anos de 1964 e 1973. Depois, os personagens só apareceriam em ocasiões especiais, como na campanha mundial da Declaração dos Direitos das Crianças da Unicef. A personagem tem 45 anos; seu criador, 76.</p>
<p align="justify">A homenagem foi anunciada pelo governo da cidade de Buenos Aires. Ou seja: é algo com chancela oficial! Fiquei pensando se não poderíamos fazer o mesmo por aqui. Poderíamos, por exemplo, colocar os <strong>Fradinhos de Henfil</strong> no Palácio do Congresso. O magro sentado sem fazer nada e o baixinho fazendo um “<em>Top! Top!</em>” representando os <strong>parlamentares que estão se lixando para a opinião pública</strong>. Na Praça dos Três Poderes, no lugar do cabeção do JK, poderíamos colocar o <strong>Dr. Macarra</strong>, de <a target="_blank" href="http://www.memoriaviva.com.br/carlosestevao">Carlos Estevão</a>, lembrando que os doutores do Supremo Tribunal Federal, logo ao lado, estão sempre cheios de banca e parecem viver em um mundo no qual só há Justiça para os ricos. Mas a consagração total seria colocar uma enorme estátua do <strong>Amigo da Onça</strong>, criação de <strong>Péricles</strong>, no alto do Corcovado, simbolizando um tipo comum que quer levar vantagem em tudo e está sempre pronto para passar qualquer um para trás.</p>
<p style="text-align: center"><img border="0" width="600" src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/3monu.jpg" height="394" /></p>
<p align="justify">Em um país no qual quase nunca se sabe quem são as pessoas homenageadas com bustos e estátuas, talvez seja mesmo interessante utilizar personagens de desenho, muito mais representativos e populares que este ou aquele <em>dotô</em>.</p>
<p align="justify">Quando evoluirmos o suficiente, poderíamos até fazer uma escultura da <strong>Mônica</strong>, de <strong>Maurício de Sousa</strong>, um ano mais velha que Mafalda, ou do <strong>Cebolinha</strong>, que em 2010 completará 50 anos. Fica a ideia.</p>
<p align="justify"><font size="2" face="Times New Roman, Times, serif">(No desenho de Quino, abrindo o post, o texto original é <em>¡Vamos, hombre, no sea tímido! Solo quiero que mis papás y los lectores conozcan  a quien recibe el depósito que marca la Ley 11.723</em>. O desenho aparece no segundo volume de Mafalda. A Lei 11.723, na Argentina, se refere aos direitos de propriedade intelectual.) </font></p>
<p><center><img border="0" useMap="#Map3" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback3.jpg" height="25" /></center></p>
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		<title>Senhor Morto e Malhação de Judas</title>
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		<pubDate>Sat, 11 Apr 2009 20:29:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Comportamento]]></category>

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		<description><![CDATA[Ao cair da tarde, visto ser a Preparação, isto é, a véspera do sábado, José de Arimatéia (&#8230;) foi corajosamente procurar Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus. Pilatos admirou-se de Ele já estar morto e, mandando chamar o centurião, &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/04/11/senhor-morto-e-malhacao-de-judas/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/srmorto.jpg" width="600" border="0" height="317" /></p>
<blockquote>
<blockquote></blockquote>
</blockquote>
<p align="right"><em>Ao cair da tarde, visto ser a Preparação, isto é, a véspera do sábado,<br />
José de Arimatéia (&#8230;) foi corajosamente procurar Pilatos e pediu-lhe<br />
o corpo de Jesus. Pilatos admirou-se de Ele já estar morto e,<br />
mandando chamar o centurião, perguntou-lhe se já tinha morrido.<br />
Informado pelo centurião, ordenou que o corpo fosse entregue a José.<br />
Este, depois de comprar um lençol, desceu o corpo da cruz e envolveu-o nele.</em><br />
Marcos 15: 42-46</p>
<blockquote></blockquote>
<p align="justify">Durante as andanças de uma Sexta Santa insólita, logo após sermos tocados do Cemitério do Alecrim por um funcionário louco para fechá-lo e voltar logo para casa, eu e <strong><a href="http://canindesoares.blog.digi.com.br/blog/" target="_blank">Canindé Soares</a></strong> nos deparamos com a chegada da <strong>procissão do Senhor Morto</strong> à Igreja de São Pedro. Não sei exatamente como esse evento acontece atualmente em Natal, mas houve um tempo em que de uma igreja saía uma imagem de Nossa Senhora e de outra a do Senhor Morto. Em determinado ponto havia o encontro das procissões. Então, seguiam para a missa em uma das igrejas. Parece-me que hoje cada paróquia (ou pelo menos as maiores) faz sua procissão.</p>
<p align="justify">Diferente dos cemitérios vazios, o cortejo com o qual nos deparamos era de bom tamanho. Ainda assim, é notório o esvaziamento em relação a anos anteriores. Os costumes vêm sendo deixados de lado e feriado santo não é mais que um motivo para correr para a praia. Há também a concorrência das chamadas igrejas neopentecostais, que provocaram uma grande debandada de católicos nas últimas décadas.</p>
<p align="justify">Os tempos mudam, os pensamentos mudam, os costumes também. Quando existe fé sincera e os costumes religiosos são verdadeiramente valorizados por uma família e passados a seus membros mais novos, a tendência é de que estes mantenham a tradição. Por outro lado, surgem novos questionamentos, novas necessidades, e as instituições religiosas têm que se adaptar caso queiram sobreviver. Isto é, para manter a religiosidade das pessoas atreladas a uma determinada instituição, estas têm que dar as respostas que as pessoas procuram.</p>
<p align="justify">Vendo a procissão do Senhor Morto é fácil perceber que, mesmo sendo o maior país católico e tendo em nossas raízes esse ensinamento, <strong>certas peculiaridades do Catolicismo</strong> não “<em>combinam</em>”, por assim dizer, com o temperamento do brasileiro. E essa diferença só vem aumentando. Os aspectos soturnos do Cristianismo que envolvem dor, sofrimento, punição e perdão <strong>passam longe das características comuns ao brasileiro mediano</strong>. O povo aqui gosta de festa, gritaria, pensar pouco e conseguir resultados rápidos. Percebendo isso, surgiram as <em>neopicaretais</em> com o discurso de “<em>Jesus já pagou pelos pecados de todos; você não precisa sofrer, você só tem que colher o que Ele plantou</em>”. <strong>É a instituição da vagabundagem espiritual</strong>. Viva! Era tudo que o povo queria.</p>
<p align="justify">Eu acredito na boa fé das pessoas. Mas acredito ainda mais na ignorância delas. Quem já viu esses programas televisivos em que fiéis dão depoimentos dentro de carros? “<em>O carro que Jesus me deu</em>”. Esse Jesus do qual eles falam deve ser algum milionário que vive distribuindo automóveis por aí. Talvez para lavar dinheiro. Certamente não é aquele que veneravam na procissão da sexta-feira. Fico chocado com os depoimentos do tipo “<em>Deus me deu um carro zero, depois outro, depois um importado que eu queria muito</em>”. Como costuma lembrar meu amigo <strong>Edmar Gurjão</strong>, que <strong>deus escroto esse que fica distribuindo carros zeros para uns enquanto um monte de gente morre de fome</strong>. Se partimos para a interpretação de que Deus está em todas as coisas, inclusive em cada um de nós, fica fácil entender porque alguns se preocupam em acumular e o outros em doar.</p>
<p align="justify">Há outro costume da Semana Santa que também sempre me chamou muito a atenção: a <strong>malhação do Judas</strong>. Se Jesus ensinou a perdoar como é que seus seguidores podem enforcar, bater, chutar, despedaçar e queimar, séculos após séculos, uma mesma criatura? Pior: atribuir a ela nomes de figuras atuais: políticos, técnicos de futebol, ladrões, assassinos. Malhem, meus caros, façam o que quiserem, “há de ser tudo da lei”. Mas não digam que são católicos, nem religiosos, nem <strong>nada além de selvagens</strong>.</p>
<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/judas.jpg" width="600" border="0" height="200" /></p>
<p align="justify">Uma característica, que eu desconhecia, da execução desse costume terrível em Natal me foi mostrada ontem. <strong>Aqui, os judas são malhados à meia-noite, de sexta para sábado</strong> e não ao meio-dia do Sábado de Aleluia como no Rio, São Paulo e outros lugares. Calibrados pela santa aguardente, muitos populares nem esperam a meia-noite e lincham os pobres bonecos bem antes. Mas há outra característica que é mantida aqui: a colocação dos bonecos próximos a igrejas e cemitérios. Em uma das laterais do Cemitério de Igapó, havia ontem um judas com cabeça de urso de pelúcia (pelo menos era um judas fofo). Próximo a ele, um grupo fazia o aquecimento para a festa com churrasquinho, birita e algum som (desses que insistem em chamar de música) nas alturas. Quando a bebida queria sair, nada mais normal que pular o muro do cemitério para se aliviar. Tudo seguindo os mais rígidos costumes cristãos.</p>
<p align="justify">Amanhã, tudo acaba em chocolate. Na segunda, volta-se a sonhar com o próximo feriadão. Tanto faz se é religioso ou não. O importante é festejar. Quem quiser que pague a conta.</p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback3.jpg" usemap="#Map3" border="0" height="25" /></center></p>
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		<title>Natal dos arranha-céus</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Mar 2009 11:52:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Comportamento]]></category>

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		<description><![CDATA[Os arranha-céus começaram por fixar-se definitivamente em Natal. Primeiro vieram tímidos e em pouco número. Isto há trinta anos. E o que inaugurou a série, na esquina da Rua Juvino Barreto com a Avenida Deodoro da Fonseca, era um verdadeiro &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/03/16/natal-dos-arranha-ceus/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/prediosn.jpg" width="600" border="0" height="271" /></p>
<p align="justify">Os arranha-céus começaram por fixar-se definitivamente em Natal. Primeiro vieram tímidos e em pouco número. Isto há trinta anos. E o que inaugurou a série, na esquina da Rua Juvino Barreto com a Avenida Deodoro da Fonseca, era um verdadeiro monstro de aço, para os natalenses daquela época. Os seus dois prédios, que dominavam inteiramente a cidade, puseram em alvoroço os habitantes assombrados que prediziam a queda violenta e inopinada desse precursor das alturas.</p>
<p align="justify">Mas o receio aos poucos foi desaparecendo. Compreendeu-se afinal que o espaço era estrito e grande a população que sempre aumentava.</p>
<p align="justify">Depois surgiu um colosso de mais de 15 andares. E tempo correu sem que outro empreendimento notável viesse surpreender a cidade. Parecia que o estacionamento era para sempre. E cada pessoa que transitava pela Avenida Deodoro não deixava de elevar a vista até o píncaro do cimento armado.</p>
<p align="justify">Entretanto, nesse ínterim, Natal crescia de maneira fantástica.</p>
<p align="justify">Era a vida em toda sua pujança. O progresso que caminhava assustadoramente. O dinheiro que vinhas às mãos cheias.</p>
<p align="justify">Deu-se então início aos arranha-céus propriamente ditos.</p>
<p align="justify">Algum proprietário mais ousado contava em vinte o número dos pisos superiores do seu prédio. Um outro, entusiasmado e cheio de amor próprio, erguia, sobranceiramente, as colunas de cimento armado até muito mais alto, numa bacanal imensa de notas em profusão&#8230;</p>
<p align="justify">E o aço das construções principiou por querer beijar as nuvens mais altas.</p>
<p align="justify">E lá embaixo, nos precipícios escuros e quadrados, vertiginosamente, vêm subindo os elevadores, numa carreira louca de cabos torcidos, como se demandassem o infinito&#8230;</p>
<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/prediosp.jpg" width="600" border="0" height="95" /></p>
<p align="justify">O texto acima não é meu. É de <strong>Luis Lélio</strong>. Falava de São Paulo e foi publicado em <strong>janeiro de 1929 </strong>em uma edição da revista <a href="http://www.memoriaviva.com.br/ocruzeiro" target="_blank"><em><strong>Cruzeiro</strong></em></a>, que não havia ainda completado dois meses de lançamento. Mudadas as referências e atualizada a ortografia, o texto serve para a Natal de hoje.</p>
<p align="justify">Os prédios que cito realmente existem. São o Chácara 402 (assim, com número; não se assustem os de fora) e o Riomar. Foram construídos na década de 1970, mas quando meus pais se mudaram para Natal, em 1986, eram ainda os únicos residenciais com mais de dez andares. E reinaram assim por muitos e muitos anos. Fazia frente a eles somente o antigo Hotel Ducal (já Luxor em meados dos 80), onde moramos antes de mudarmos para um “prédio” de quatro andares (um pequeno subsolo onde fica a garagem, uma loja no térreo e dois andares de apartamentos), o primeiro de uma construtora que estava nascendo naquela época.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/predio43.jpg" width="258" align="right" border="0" height="349" /></p>
<p align="justify">Hoje, 23 anos depois, a mesma construtora está terminando, também em Natal, <strong>o maior prédio residencial do país</strong>. A <em>aberração</em>, como costumo chamá-lo carinhosamente, pode ser visto de vários pontos da cidade. Um detalhe: ele está encravado em “um buraco”, numa baixa, bem no início de uma ladeira muito íngreme. Não fosse isso, pareceria ainda maior.</p>
<p align="justify"><strong>São 43 andares</strong>. Quatro somente de garagens, dois com áreas de lazer, 34 andares residenciais (apenas um apartamento por andar, claro!) e, coroando tudo, um triplex com heliporto. Mas há outros detalhes bem mais assustadores. Apesar das centenas de prédios que apareceram nas duas últimas décadas, Natal ainda é uma cidade bem “aberta”. Os prédios guardam certa distância um dos outros. Como esse monstrengo é bem maior que seus vizinhos de 20 ou 30 andares e nem é tão largo quanto eles, se destaca ainda mais. De longe, parece uma imensa torre de celular.</p>
<p align="justify">Lembro da primeira vez, há uns 10 ou 12 anos, quando entrei no apartamento de um amigo, então novo rico, no bairro de Lagoa Nova. Tinha lá seus 30 andares e ele morava ali pelo vigésimo. A primeira coisa que percebi foram as janelas fechadas. Todas. Perguntei o porquê e ele respondeu abrindo um pouco uma delas. O barulho do vento era terrível e só os móveis não voavam. Acostumado com aqueles corredores de prédios, construídos parede a parede, em Copacabana, eu nem imaginava algo assim: um predião no meio do nada, resistindo bravamente ao vento, de onde você pode apreciar toda a cidade, desde que através do vidro. Agora imagine um de 43 andares nessa situação.</p>
<p align="justify">Foi-se o tempo em que, em tom de pilhéria, eu dizia que se podiam contar os prédios de Natal nos dedos de uma das mãos e ainda sobrava. Hoje, tenho saudades daquela época. Não vejo necessidade alguma de se construir algo desse tamanho. Ainda mais para se morar! E se há algum motivo para isso, certamente é o de elevar ainda mais os egos de seus moradores. No diz-que-me-diz durante a construção, comenta-se que entre os compradores de alguns apartamentos estão Pelé e Ronaldinho que, óbvio, jamais irão morar em Natal. <strong>Mas quantas pessoas podem comprar um apartamento desses? E para quê?</strong></p>
<p align="justify">Natal tem o maior cajueiro do mundo (que não fica em Natal), a maior estátua (inacabada e que também não fica em Natal), o maior carnaval fora de época (o que não deveria ser motivo de orgulho), o maior <em>shopping </em>com área coberta (com mais garagens que lojas), o maior prédio residencial e, sem dúvida, <strong>a maior necessidade de ser maior em alguma coisa</strong>. Deve ter herdado essa mania dos americanos, assim como o falso moralismo. Poderia ter herdado o amor à própria cultura, mas se isso tivesse acontecido, provavelmente o Rio Grande do Norte seria o 51º estado americano. E tentaria tomar todo o Nordeste e mais o Tocantins para ser “o maior estado americano não contíguo”.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/predioma.jpg" width="258" align="right" border="0" height="360" />O que me assusta nesse crescimento de Natal é que ele chegou tarde (se comparado a outras cidades quatrocentonas), é exagerado, descontrolado, sem sentido e parece não ter aprendido as lições dos municípios que incharam há muito mais tempo.</p>
<p align="justify">Mas a mania de grandeza não é exclusividade da capital potiguar. Nisso de ser o maior em alguma coisa, se inventa de tudo. Coloca-se uma antena de TV em cima de um prédio menor e pronto: ele passa a ser o maior. Ou se diz que ele é o maior de frente para o mar. Ou o maior com azulejos azuis. A aberração de Natal é tida como o maior residencial do Brasil mas, neste momento, <strong>pelo menos outros dez prédios mais altos estão sendo construídos no país</strong>. Quase todos em São Paulo (que surpresa!). Quando todos estiverem prontos e somados aos já existentes, residenciais e comerciais, o de Natal não ficará entre os 30 maiores do país. E também será apenas mais um entre mais de três dezenas com mais de 40 andares. E que ninguém invente de mudar mais uma vez o plano diretor da cidade – que hoje não permite que se passe de 30 andares – para se tentar, de novo, ser o maior em alguma coisa!</p>
<p align="justify">Isso não para. E hoje anda em velocidade muito maior. Quando o texto de Luis Lélio foi escrito, 80 anos atrás, São Paulo se admirava com a construção de seu primeiro arranha-céu, o <strong>Martinelli</strong>. Ele é somente 8 metros menor que o prédio de Natal. E há 50 anos parece um anãozinho ao lado de seus vizinhos, o Bando do Brasil e o Banespão. Isso não para!</p>
<p align="justify">Que tal mudar um pouco o foco e <strong>tentar ser a cidade mais limpa do Brasil ou do mundo?</strong> A cidade mais silenciosa, a que mais respeita o meio ambiente, aquela onde mais se anda a pé ou de bicicleta, a mais segura, a mais cultural, a melhor para se viver? Juro que me mudo para cá de novo. Para morar numa casinha com quintal.</p>
<p align="center">* * * * *</p>
<p align="justify"><strong>Panorâmicas recentes de Natal</strong><br />
<a href="http://www.flickr.com/photos/sandrofortunato03/3061315613/" target="_blank">O rio e o mar vistos de um prédio no bairro de Petrópolis</a><br />
<a href="http://www.flickr.com/photos/sandrofortunato03/3084716663/" target="_blank">Avenida Prudente de Morais, bairro de Lagoa Seca</a><br />
<a href="http://www.flickr.com/photos/sandrofortunato03/3342470827/" target="_blank">Natal vista da Zona Norte</a></p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback3.jpg" usemap="#Map3" border="0" height="25" /></center></p>
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		<title>Os rabos de ouro</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Jan 2009 07:16:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Livre pensar]]></category>

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		<description><![CDATA[Vi um desfile e até tive contato mais pessoal com belas bundas durante o tempo em que trabalhei no Senado. Todas merecedoras de cuidados, bons tratos e benza-as Deus para manterem-se lindas. Mas provavelmente nenhuma delas conhecerá o conforto dos &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/01/16/os-rabos-de-ouro/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/cadeiras.jpg" width="600" border="0" height="240" /></p>
<p align="justify">Vi um desfile e até tive contato mais pessoal com belas bundas durante o tempo em que trabalhei no <strong>Senado.</strong> Todas merecedoras de cuidados, bons tratos e benza-as Deus para manterem-se lindas. Mas provavelmente nenhuma delas conhecerá o conforto dos novos sofás e cadeiras que serão comprados pela Casa ao custo estimado de quase <strong>2,5 milhões de reais</strong>.</p>
<p align="justify">Os móveis estão reservados aos gabinetes dos senadores, diretorias e satélites mais próximos. Segundo a direção do Senado, há muitos anos a Casa não adquire novas cadeiras e a compra se destina à reposição de “material desgastado”. Explicando, a gente entende. Mesmo passando tão pouco tempo em Brasília, os bundões dos nossos senadores estão sempre sentados e acabam com os pobres assentos que precisam suportar seus bem nutridos glúteos.</p>
<p align="justify">Em uma das fotos que abre este texto, feita ontem, aparecem os senadores Garibaldi Alves Filho e Tião Viana em um sofazinho dos tempos em que o Senado ainda era no Rio de Janeiro. O desgastado móvel aguenta bravamente as arrobas dos velhos conselheiros e suas preocupações mais urgentes: um tentando se manter na presidência; o outro querendo ser o próximo presidente. Nem o peso de tamanhas inquietações consegue lhes tirar os sorrisos.</p>
<p align="justify">Na outra foto, feita por mim no mesmo dia, na <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/01/09/gente-do-maruim/">Comunidade do Maruim</a>, em Natal, terra de Garibaldi, um casal de irmãos aprecia a atual fartura de caranguejos conseguidos no mangue vizinho ao local onde moram. Sentados no batente da casa – uma pequena obra que impede o esgoto de adentrar o cômodo -, parecem confortáveis e nada preocupados com os problemas que os cercam. Poderiam estar comendo dentro de casa, sentados à mesa se tivessem uma no cubículo que chamam de casa e dividem com pai, mãe, vó e outros irmãos. Poderiam estar sentados à mesa se coubesse uma no lugar que não tem espaço nem para cadeiras, que eles também não têm.</p>
<p align="justify">Mais do que apenas mostrar as diferenças entre os eleitos e os que elegem, coloquei a foto das crianças do Maruim para comentar sobre uma conversa que tive, na quarta, com <strong>Lars</strong>, alemão casado com uma brasileira, que está em Natal e encantado com “as coisas do Brasil”. Ouvindo-me sobre a pequena comunidade que eu havia visitado poucos dias antes e sobre suas subumanas condições de vida, ele perguntou: “<strong><em>Mas por que essas pessoas não saem de lá?</em></strong>”. Eu e <strong>Ariane</strong>, sua esposa, nos olhamos assombrados com a pergunta. Como explicar a ele que <strong>elas não têm escolha</strong>? Como explicar que não temos um Estado capaz de prover condições dignas – mínimas que sejam – de moradia, alimentação, educação e saúde? Como explicar que o valor oferecido como indenização para que eles saíssem dali seria suficiente apenas para eles comprarem outro barraco em outra favela? Como explicar a um alemão que <strong>essa é a nossa realidade</strong>?</p>
<p align="justify">No dia seguinte, foi divulgada a notícia da licitação de 2,5 milhões de reais aberta pelo Senado para comprar cadeiras, 85 delas com assento “anatômico e estruturado em concha”, revestimento de couro preto, com base giratória de “movimentos silenciosos”. Como explicar ao alemão um gasto de quase 800 mil euros, uma fortuna, para que nossos políticos possam se sentar confortavelmente? Como explicar que essas mesmas pessoas querem gastar 5,6 milhões para fazer um túnel que liga o Senado ao Palácio do Planalto quando para ir do primeiro ao segundo basta colocar o pé na rua, atravessar uma faixa de pedestres e andar mais uns 30 metros? Mas deve haver um bom motivo para isso. Rebolar suas gordas nádegas por tantos metros sob o sol do cerrado pode causar algum mal. Deve ser isso.</p>
<p align="justify">Olha, Lars, assim como vocês sempre cuidaram das cabeças do seu povo e assim tiveram grandes filósofos, nós cuidamos das bundas dos nossos políticos. É com elas que eles pensam. E <strong>pensar com a bunda</strong>, você sabe, só pode dar em merda. Por isso estamos nessa! Seja sempre bem-vindo ao nosso mas, acima de tudo, tenha um <strong>feliz retorno ao seu país</strong>. E a respeito da pergunta sobre o que acho que vai acontecer nas próximas eleições, já tenho a resposta: quando você voltar, teremos uma mulher no poder. Pelo andar da carruagem, no próximo ano elegeremos a Mulher Melancia. Aquilo sim é um bundão que vale a pena!</p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback3.jpg" usemap="#Map3" border="0" height="25" /></center></p>
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		<title>Uns Dias em Natal</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/11/26/uns-dias-em-natal/</link>
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		<pubDate>Thu, 27 Nov 2008 02:50:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[Uns dias]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; A idéia ERA a seguinte: aproveitar uma semana atípica e cheia de eventos para fazer os leitores do blog me acompanharem a todos os lugares a que eu fosse. Uma transmissão quase em tempo real, via Twitter e Flickr, &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/11/26/uns-dias-em-natal/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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<p style="text-align: center"><a href="http://www.flickr.com/photos/sandrofortunato03/" title="Atualizações diárias. Clique e veja as fotos." target="_blank"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/unsdias1.jpg" border="0" height="202" width="600" /></a></p>
<p align="justify">A idéia <strong>ERA</strong> a seguinte: aproveitar uma semana atípica e cheia de eventos para fazer os leitores do blog me acompanharem a todos os lugares a que eu fosse. Uma transmissão quase em tempo real, via <a href="http://twitter.com/sandrofortunato" target="_blank"><strong>Twitter</strong></a> e <a href="http://www.flickr.com/photos/sandrofortunato03/" target="_blank"><strong>Flickr</strong></a>, mas a semana tem sido tão mais atípica do que eu previa que quase todo o previsto vem sendo modificado a todo instante. Então vamos deixar assim: este é um ensaio para as próximas séries Uns Dias comigo em outros lugares.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Então fiquem ligados no <a href="http://twitter.com/sandrofortunato" target="_blank"><strong>Twitter</strong></a>, para saber onde estou, e se há fotos no <a href="http://www.flickr.com/photos/sandrofortunato03/" target="_blank"><strong>Flickr</strong></a>. Quem não puder comentar lá (é preciso ter conta no Yahoo), pode fazê-lo neste tópico. Vamos viajar!</p>

<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/11/26/uns-dias-em-natal/&amp;text=Uns Dias em Natal&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
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		<title>Verdade para quê?</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/11/23/verdade-para-que/</link>
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		<pubDate>Sun, 23 Nov 2008 04:38:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo cão]]></category>
		<category><![CDATA[Periódicos]]></category>

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		<description><![CDATA[Depois da óbvia capa com Obama, a Veja (sempre ela… Leu na Veja? Azar o seu.), retoma sua série de capas apelativas, demonstrando que a fofoca e o mundo cão são negócios mais rentáveis que o jornalismo. Como todo o &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/11/23/verdade-para-que/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/veja380.jpg" align="right" height="193" width="156" />Depois da óbvia capa com Obama, a <em>Veja</em> (sempre ela… Leu na <em>Veja</em>? Azar o seu.), retoma sua série de capas apelativas, demonstrando que <strong>a fofoca e o mundo cão são negócios mais rentáveis que o jornalismo</strong>.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Como todo o planeta parece estar em paz, não há catástrofes, problemas ambientais ou sociais acontecendo e falta imaginação para uma boa reportagem, a pedida é requentar algo que provoque a sede de sangue do leitor. Na falta de algo melhor (ou pior), os duzentos dias de férias do casal Nardoni são motivo de capa.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">O julgamento público continua e a idéia é mostrar a boa vida dos dois. Não há qualquer novidade sobre o caso ou sobre o andamento do processo. A “reportagem especial” parece querer somente alimentar o ódio e a vontade de linchamento.<o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" align="justify">O atual jornalismo brasileiro segue a vocação quinto-mundista de escrever com sangue e fazer ferver o do <em>ledor</em> bruto, que se finge leitor com desejo de informação. A capa desta semana de <em>Veja</em> me pareceu ainda mais sem sentido pois, no mesmo dia em que chegou às bancas, finalmente saquei do envelope o livro <strong><em>Maddie – A verdade da mentira</em></strong>, sobre <a href="http://sic.aeiou.pt/online/noticias/pais/multimedia/maddie+1+ano.htm" target="_blank">o caso da garotinha inglesa desaparecida em Portugal</a> em maio de 2007.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">O livro foi escrito por Gonçalo Amaral, Coordenador Operacional das investigações do caso, desde o início, em 3 de maio de 2007, até 2 de outubro do mesmo ano, quando foi afastado. Aposentou-se em junho deste ano e, no mesmo mês, lançou o livro com o qual pretende apontar a verdade sobre os acontecimentos com a menina.<o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/maddie.jpg" align="right" height="227" width="156" /><strong>Um mês depois de lançado</strong>, a meu pedido, <a href="http://amazingideas-lifestyle.blogspot.com/" target="_blank"><strong>Marcelo e Renata</strong></a> me mandaram um exemplar. <strong>Já era a quinta edição</strong>. Há algumas semelhanças entre os casos de Maddie e Isabella. Há inúmeras e gigantescas diferenças na cobertura dos casos, mas em relação ao ocorrido em Portugal, vou falar somente sobre o livro.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><em>Maddie – A verdade da mentira </em>foi escrito por um policial com 26 anos de uma respeitada carreira e lançado pouco mais de um ano depois do desaparecimento, com o caso ainda sem solução. <strong>No primeiro mês, vendeu mais de 125 mil exemplares </strong>em um país com uma população quase igual a da cidade de São Paulo. Se cada exemplar foi lido por pelo menos três pessoas, quase 5% da população do país fez isso no primeiro mês de existência do livro. Se a mesma proporção fosse aplicada ao Brasil, seria como se quase toda a cidade de São Paulo – ou Portugal quase inteiro, isto é, algo perto de 10 milhões de pessoas – lesse um livro em um mês. Nem Paulo Coelho consegue uma mágica dessas.<o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Verdade seja dita, uma edição de <em>Veja </em>é lida por algo como meia cidade do Rio de Janeiro, cerca de 3 milhões de pessoas. Verdade continue sendo dita, isto é <strong>quase nada em um país com 190 milhões de habitantes</strong>. Em compensação, a cobertura dos telejornais só não atinge alguns indígenas, alguns moradores de ruas e alguns bichos-grilos que fazem questão de não ver tevê. Em resumo: <strong>somos um país de analfabetos teleguiados</strong>.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><strong>Oito em cada dez livros mais vendidos no Brasil </strong>na última década são de auto-ajuda, sobretudo os que prometem milagres nas áreas de carreira e finanças. Mesmo com toda a procura e todo o marketing, são necessários uns quatro meses para vender 125 mil exemplares. Proporcionalmente&#8230; proporcionalmente não se chega lá.<o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Esse tipo de comparação só reforça o estigma de que não lemos e de que não temos preocupação em nos aprofundarmos nas histórias, em descobrirmos a verdade. Seja como jornalistas ou como leitores, <strong>não temos tal compromisso</strong>. Tudo é uma novela e o que vem mastigado nas revistas – ou, ainda mais fácil, pelos gritos do apresentador de telejornal estilo mundo cão – basta para alimentar nossos desejos mórbidos. Não vamos além.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Um simples exemplo como este ainda denuncia outras situações suficientes para desenvolver várias teses, mas levanto uma última que é o <strong>pouco ou nenhum apreço pela verdade</strong>, o que certamente nos leva a cometer grandes injustiças e marcar a ferro e fogo juízos que ficarão para a História como reais, mesmo que pairem sobre eles todas as dúvidas. Mas isso já é <strong>assunto para o próximo texto</strong>.</p>

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		<title>O mestre-inimigo</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/11/15/o-mestre-inimigo/</link>
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		<pubDate>Sat, 15 Nov 2008 23:31:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Por isso, como tesouros que surgem em minha casa, Sem qualquer esforço de minha parte para obtê-los, Devo me sentir feliz por ter um inimigo, Pois ele me ajuda a alcançar o Despertar. (Shantideva, no Guia para o modo de &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/11/15/o-mestre-inimigo/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" align="right"><em>Por isso, como tesouros que surgem em minha casa,<br />
Sem qualquer esforço de minha parte para obtê-los,<br />
Devo me sentir feliz por ter um inimigo,<br />
Pois ele me ajuda a alcançar o Despertar.</em></p>
<p class="MsoNormal" align="right">(Shantideva, no <em>Guia para o modo de vida do Bodhisattva</em>, VI: 107)</p>
<p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Primeiro deixei de ver tevê. Depois de ler jornais. De uns tempos para cá, percebi que filmes violentos, que nunca foram exatamente meu gênero preferido, me causavam alguma repulsa. É um processo iniciado há alguns anos, consciente ou não, de afastar-me de energias negativas e de situações que gerem raiva e sentimentos afins.</p>
<p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Esta semana, eu e minha filha mais velha fomos vítimas de uma violência comum e por muitos já banalizada: um assalto com exibição de arma de fogo. Isso a pouco mais de duzentos metros da casa onde meus pais moram há 23 anos, na outrora pacata cidade de Natal. Uma das coisas que costumo contar é sobre a adolescência livre e sem medo que pude ter na capital potiguar. Algo que, obviamente, minha filha não poderá contar a meus netos.</p>
<p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Foi uma ação rápida na qual presenteamos um necessitado com dois celulares velhos e quinze reais, já que ao ter a carteira requisitada, tive a frieza de pedir para ficar com os documentos. Demos meia volta, eu abraçado a minha filha, feliz por aquilo não ter acontecido a ela se estivesse sozinha e sentindo nas costas o peso da mochila com um notebook e uma câmera, que também retornariam sãos e salvos para casa.</p>
<p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Chamei a polícia, que chegou relativamente rápido, e passei quase uma hora circulando em uma viatura sem a mínima ilusão de que iríamos encontrar a pobre alma atormentada. E se encontrasse? Não daria <st1:personname productid="em nada. Se" w:st="on">em nada. Se</st1:personname> não estivesse com o fruto do roubo, não haveria flagrante, o que significa dizer que ele seria levado à delegacia e responderia em liberdade por uma acusação. Isso se eu fosse junto, o reconhecesse e fizesse um boletim de ocorrência. Se estivesse com um revólver, responderia por porte de arma. Também <st1:personname productid="em liberdade. Resumindo" w:st="on">em liberdade. Resumindo</st1:personname>, ele só ficaria preso e esperando julgamento se fosse encontrado com a arma e os objetos roubados. Pelo porte de arma, a pena seria cumprida antes do julgamento. Não existindo outras acusações contra ele, isto é, sendo primário, ele também não ficaria muito tempo preso.</p>
<p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Isso faz pensar no óbvio que não temos: segurança preventiva e policiamento ostensivo. Depois que acontece, há pouco ou quase nada a se fazer. A polícia pode até conseguir concluir seu trabalho, mas a Justiça manda soltar. A certeza da impunidade faz o risco valer a pena. Puxar uns meses de cana é uma espécie de férias ou de curso de extensão que faz parte do ofício. Hoje, no Rio Grande do Norte, há mais mandatos de prisão em aberto do que os números de detentos nos presídios do estado. E nesses mandatos não estão as pequenas almas sebosas que assaltam nas ruas, a não ser que sejam fugitivos e tenham cometidos crimes mais graves.</p>
<p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Essa certeza de que nada vai acontecer estava estampada no sorriso de outro criminoso que apanhava de uma multidão no dia seguinte, na porta do maior shopping da cidade. Parecia uma dessas brincadeiras estúpidas de pancadaria entre colegas, mas havia sido uma tentativa de assalto em plena luz do dia. Pegaram o pobre diabo, lhe desceram o sarrafo e ele rindo, tirando onda com a cara de quem batia. Talvez até estivesse pensando que se a polícia aparecesse o salvaria de apanhar mais e – quem sabe? – seus agressores acabassem presos!</p>
<p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" align="justify">A total inexistência de um sistema eficiente, de um Estado com poderes, faz pensar que seria muito mais fácil prender os honestos e deixar a bandidagem solta. Na prática, isso acontece cada vez mais, quando nos trancamos em nossas casas, com grades, alarmes, cercas elétricas, cães, vigias, armas, segurança particular&#8230; A vida acabou. Não temos mais direito a nada. Se o assalto acontece a <st1:metricconverter productid="200 metros" w:st="on">200  metros</st1:metricconverter> de casa, como ir até a padaria sem correr riscos? Ou à farmácia? Ou à escola? Gostaria de saber se os filhos de Micarla, minha contemporânea no curso de jornalismo e prefeita eleita de Natal, conseguem ir andando até a escola. Gostaria de saber se os netos da governadora Wilma podem ir até a padaria comprar doces. É claro que não. Hoje, a vida se resume à TV, Internet, entrar no carro, descer do carro na garagem do shopping, voltar para casa. Assim fingimos estar felizes e seguros. Andar na rua é atividade para pobre. E pobre, sabemos, não tem direitos.</p>
<p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Percebam que estou falando de Natal, lugar que até pouco tempo, quando eu era adolescente, era uma cidade conhecida por ser pacata, segura, boa para se viver e criar filhos. Agora, você que está aí no Rio, <st1:personname productid="em São Paulo" w:st="on">em São Paulo</st1:personname>, Porto Alegre, Recife ou Salvador, diga como está a situação. Não há mais lugar seguro. Não há mais liberdade de se escolher onde morar.</p>
<p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" align="justify">É uma triste constatação, que muitos já fizeram há anos. Eu tento ser otimista, ver as coisas por um lado positivo. Minha filha e eu já estávamos com celulares novos no dia seguinte, contratei um serviço 3G para não precisar utilizar a rede WiFi do shopping, aquele que fica logo ali e dá (ou daria) para ir a pé. O que se pode remediar, não causa infelicidade alguma.</p>
<p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" align="justify">E o pobre coitado que trocou o fruto do roubo por dez pedras de crack que devem ter sido consumidas no mesmo dia? O que passa essa alma atormentada e quanto tempo ela ainda habitará aquele corpo subnutrido? De que forma ele pagará por todo o mal que espalha?</p>
<p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Não tenho raiva dele. Procuro até não ter pena, pois isso me remete a uma total impossibilidade de resolver as mazelas sociais. Consequentemente, nós, os bons e honestos, nos trancamos em prisões cada vez mais fechadas. Assim como não podemos deixar que o medo tome conta de nós, não devemos deixar que a raiva nos domine. Se não alimentarmos o ódio, ele acabará se extinguindo. Mas é preciso mais que isso. Temos urgência. Queremos viver, queremos que nossos filhos vivam. A vida não acontece entre muros.</p>
<p class="MsoNormal"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Não espere despertar sob a mira de um revólver. Faça sua parte e ajude a mudar isso agora.</p>

<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/11/15/o-mestre-inimigo/&amp;text=O mestre-inimigo&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
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		<title>Insuportável mundo novo</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/09/14/insuportavel-mundo-novo/</link>
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		<pubDate>Sun, 14 Sep 2008 22:10:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>

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		<description><![CDATA[Um viva aos emos! Incrédulo, precisei de alguns anos para perceber que a turminha chorosa de cabelos lambidos e musiquinhas melosas pode vir a ser a boa e orgulhosa lembrança dessa geração. Sim. Porque a turba ignara, que sai do &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/09/14/insuportavel-mundo-novo/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Um viva aos emos! Incrédulo, precisei de alguns anos para perceber que a turminha chorosa de cabelos lambidos e musiquinhas melosas pode vir a ser a boa e orgulhosa lembrança dessa geração. Sim. Porque a turba ignara, que sai do chão com os refrões de vogais do axé, que se encanta com os ganidos breganejos e acha que o forrobodó eletrônico é roots, não vai ter nada para contar aos seus filhos e netos. Só terão o que esquecer e do que se envergonhar. Um planeta desconhecido, distante, de órbita demorada, parece ter marcado e amaldiçoado milhões. Um podre coletivo que terá consequências muito piores que as atuais.</p>
<p align="justify">Tenho alguma esperança naqueles que ainda não chegaram à adolescência. E alguma confiança que os da minha geração que demoraram a ser pais ajudem a fazer dos anos 10 deste século uma década na qual os jovens voltem a fazer sinapses. E pensar que nos anos 80 nos assustávamos quando nascia uma criança sem cérebro em Cubatão! Como deixamos isso se tornar uma epidemia sem controle? A imbecilidade fez mais vítimas que a AIDS, o câncer, o aquecimento global, o fumo, as drogas, o trânsito e as guerras juntos.</p>
<p align="justify">Esta será lembrada como uma era de descerebração. Uma época inútil, vazia, verdadeiramente perdida. A cultura da idiotização faz dos adolescentes seres incapazes de ouvir, de aprender, de buscar, de comparar e até de apenas pensar.  Não existe qualquer busca por valores.  Existe apenas a necessidade de ser reconhecido e aceito como mais um idiota.</p>
<p align="justify">Estou falando apenas de cultura musical. Dispenso maiores considerações sobre formas menos populares de conhecimento e manifestação artística. Em geral, estão muito além da compreensão do adolescente mediano, que não lê, não sabe buscar informação (em um mundo onde ela se tornou mais acessível que o oxigênio), acredita que teatro é uma brincadeira para se fazer rir,&#8230;</p>
<p align="justify">Viva o NX Zero! Viva o CPM 22, o Fresno, o Tokio Hotel e qualquer outra bandinha fake, arremedo de rebeldia. Já que vivi – e sobrevivi! – para ver Xoelma destruindo as músicas do Paralamas e Herbert Vianna convidar a todos para dançar o Apocalipso,  qualquer coisa está valendo.</p>
<p align="justify">Definitivamenre, rock’n’roll é coisa de tiozão. Tio Sandro afere, confere, reitera e ratifica. E reza, pois acredita serem os apelos mundanos quase sempre mais fortes que o sangue e a educação que se deseja aos seus.</p>
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		<title>Antes que, a gosto, se vá</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Aug 2008 19:06:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Jamais agosto fez valer tão fortemente sua alcunha de mês de degosto. Cheio de outras frases feitas, vai sem deixar saudades. Dias de sangue, suór e lágrimas. Em Beijing. Aqui, nem beijins, nem lágrimas. Apenas uma placidez forçada, há muito &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/08/29/antes-que-a-gosto-se-va/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Jamais agosto fez valer tão fortemente sua alcunha de mês de degosto. Cheio de outras frases feitas, vai sem deixar saudades. Dias de sangue, suór e lágrimas. Em Beijing. Aqui, nem beijins, nem lágrimas. Apenas uma placidez forçada, há muito ensaiada, necessária para a sobrevivência.</p>
<p align="justify">Agosto já vai tarde e leva com ele seu gosto amargo de amor contariado, de vida seqüestrada, de planos abortados, de exílio forçado.</p>
<p align="justify">Antes da tempestade, porém, sopraram brisas de afeto e respeito, ares alegres, lufadas de esperança. Para não ficar em dívida, segue abaixo algumas histórias prometidas. Afinal, todo bom momento, independente da brevidade de sua existência, merece ser lembrado.</p>
<p align="justify">No <a href="http://www.flickr.com/photos/sandrofortunato" target="_blank"><strong>flog</strong></a>, outros registrados apenas pelo olhar.</p>
<p align="justify">Ao fundo, uma música de Caymmi que, diferente de Florentino Ariza, passou toda a vida com seu amor e, na morte, esperou apenas onze dias para tê-lo outra vez a seu lado.</p>

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