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	<title>Sempre Algo a Dizer &#187; Arte tumular</title>
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		<title>Ei, defunto, passa o bronze!</title>
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		<pubDate>Sat, 19 Feb 2011 08:00:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte tumular]]></category>
		<category><![CDATA[Cemitérios]]></category>
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		<category><![CDATA[História]]></category>
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		<description><![CDATA[No dia 30 de março de 2009, no texto Turismo-histórico cultural e três velhos bigodudos, eu terminava dizendo o seguinte sobre uma das homenagens ao advogado e escritor Manoel Dantas: Já a efígie em seu túmulo, no Cemitério do Alecrim &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2011/02/19/ei-defunto-passa-o-bronze/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/02/manoel2.jpg"><img class="size-full wp-image-902 aligncenter" style="border: 0pt none; margin-top: 0px; margin-bottom: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/02/manoel2.jpg" alt="" width="600" height="263" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">No dia 30 de março de 2009, no texto <em>Turismo-histórico cultural e três velhos bigodudos</em>, eu terminava dizendo o seguinte sobre uma das homenagens ao advogado e escritor Manoel Dantas: <em>Já a efígie em seu túmulo, no Cemitério do Alecrim </em>(em Natal)<em>, resiste bravamente há 65 anos</em>. Atualizando: RESISTIA.</p>
<p style="text-align: justify;">O medalhão que ficava no túmulo de Manoel Dantas era obra de Hostílio Dantas, pintor e célebre escultor do Rio Grande do Norte, praticamente o único nome a entrar, até agora, para a história da arte estatuária no estado.  Foi Edgard Ramalho Dantas (é ele quem aparece na foto que abre o texto), neto de Manoel, quem deu o alerta por e-mail: “<em>Túmulos dos alemães da Condor e de Manoel Dantas depredados no Cemitério do Alecrim</em>”. Duas horas depois, eu e <a href="http://www.canindesoares.com" target="_blank">Canindé Soares</a>, acompanhados por Edgard, estávamos conferindo os estragos.</p>
<p style="text-align: justify;">Não foi apenas isso. Outras três efígies de bronze também foram roubadas: a de Elias Lamas e as duas do túmulo de Francisquinha e Ernesto Fonseca. Aliás, deste só sobraram três letras. Até a portinhola do jazigo foi levada. Estas eram as quatro únicas efígies em bronze de todo o Cemitério do Alecrim, um dos mais antigos cemitérios públicos do país. Se há registro fotográfico das peças é por conta de meu interesse por arte tumular e por um trabalho de catalogação da estatuária da Cidade do Natal que comecei a fazer com Canindé em 2009 (é daquele ano as fotos que mostram os medalhões). Na época, a Semsur – Secretaria Municipal de Serviços Urbanos, órgão responsável (?!) pela administração do Cemitério do Alecrim se disse interessada pelo trabalho, mas estava apenas tentando trazer “os inimigos” para perto, já que rodamos toda a cidade e denunciamos o abandono das praças, monumentos e cemitérios.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/02/lamas2.jpg"><img class="size-full wp-image-903 aligncenter" style="border: 0pt none; margin-top: 0px; margin-bottom: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/02/lamas2.jpg" alt="" width="600" height="300" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/02/francis2.jpg"><img class="size-full wp-image-904 aligncenter" style="border: 0pt none; margin-top: 0px; margin-bottom: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/02/francis2.jpg" alt="" width="600" height="404" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Natal é uma cidade conhecida pelo desprezo com que trata sua História e sua cultura. Se possível, João Pessoa e Recife se mudariam para bem longe para não ter uma vizinha igual a essa. É uma vergonha! Natal é comumente ridicularizada como “a cidade do já foi”, “a cidade do já teve”. Uma capital quatrocentona que não tem um museu. Ninguém venha dizer que tem! Tem “umas coisas” que chamam de museu e só chama assim quem nunca esteve em um. Quase tudo que se faz em Natal e é relacionado à sua História gira em torno do nome de Câmara Cascudo, que, diga-se, é extremamente respeitado no resto do Brasil e no mundo, mas também desprezado na cidade onde nasceu. A minha geração e as mais novas acham bonito falar mal dele e fazer ar de enfado quando ouvem seu nome. Aquele comportamento típico de quem quer disfarçar a própria ignorância diminuindo quem realmente fez alguma coisa. A propósito, falei que o túmulo de Cascudo, totalmente reformado pela família (como tudo relacionado a ele, pois estado e município não fazem qualquer coisa), em maio do ano passado, também foi depredado? Foi. Levaram a placa em inox com os nomes de todos que foram sepultados lá.</p>
<p style="text-align: justify;">Fotografo cemitérios por todo o Brasil. Já fiz <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/category/arte-tumular/" target="_self">vários <em>posts</em></a>, aqui, a respeito disso. Cemitérios gigantescos como o do Araçá, em São Paulo, com seus 222 mil m2, no qual caberiam dezenas de cemitérios do Alecrim. Cemitérios com centenas de monumentos gigantescos, em bronze ou mármore, como os da Consolação e São Paulo. Todos seguem o mesmo esquema das necrópoles públicas brasileiras: o terreno pertence à administração pública, que zela pela limpeza e segurança do local, mas os túmulos são de responsabilidade dos donos. Sabe o que acontece com túmulos de personalidades famosas e/ou que tenham grandes obras de arte nos cemitérios de São Paulo? A administração pública tomba e se torna responsável direta por sua limpeza e manutenção. Os donos só têm direito a enterrar seus mortos. Não podem mexer neles, modificá-los. Se um túmulo está abandonado, o dono é notificado. Em Natal, os donos não são avisados nem quando os túmulos são depredados e roubados.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/02/ruacemita.jpg"><img class="size-full wp-image-906 aligncenter" style="border: 0pt none; margin-top: 0px; margin-bottom: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/02/ruacemita.jpg" alt="" width="600" height="403" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Para entender a situação de total abandono do Cemitério do Alecrim, basta olhar para suas ruas. As principais, próximas às entradas, receberam uma maquiagem há alguns anos. As restantes são como a mostrada na foto acima. Antes de ser enterrado e roubado, o morto ainda experimenta a sensação de andar naqueles carros performáticos de rapper americano, sacudindo para todos os lados. Não me admiraria se um pedisse para descer do caixão e ir andando até sua sepultura. Seria muito mais digno. Parece que a administração da cidade sempre entendeu “lugar de descanso” como “lugar de descaso”. Assim, passam secretários e prefeitos enquanto o cemitério continua virando pó. Dá para levar a sério uma cidade que não respeita nem os seus mortos? Se eu morrer aqui, façam uma fogueira no quintal e cremem meu corpo,  façam qualquer coisa, mas, por favor, não me levem para o Cemitério do Alecrim. Já me basta ter sido assaltado em Natal, mais de uma vez, ainda vivo.</p>
<p style="text-align: center;">* * * * * *</p>
<p style="text-align: left;"><strong>Textos relacionados<br />
</strong><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/06/15/o-primeiro-marmore/" target="_blank">O primeiro mármore</a><br />
<a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/04/11/passeios-por-cemiterios-v-outras-curiosidades/" target="_self">Passeios por cemitérios V – Outras curiosidades</a><br />
<a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/05/24/em-verdade-vos-digo/" target="_self">Em verdade, vos digo…</a><br />
<a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/05/28/era-para-ser-assim/" target="_self">Era para ser assim</a><br />
<a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/03/30/turismo-historico-cultural-e-tres-velhos-bigodudos/" target="_blank">Turismo histórico-cultural e três velhos bigodudos</a></p>
<p><strong>E ainda</strong><br />
<a href="http://www.memoriaviva.com.br/manoeldantas" target="_blank">Manoel Dantas</a><br />
<a href="http://www.memoriaviva.com.br/cascudo" target="_blank">Câmara Cascudo</a></p>

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		<title>Consolação</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Nov 2010 01:40:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Algumas pessoas que tiveram a oportunidade de ver parte do material bruto das mais de 7 mil fotos que fiz em cemitérios pelo país me cobram transformar isso em livro e exposição. Como é possível ter bastante informação a respeito &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/11/01/consolacao/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Algumas pessoas que tiveram a oportunidade de ver parte do material bruto das mais de 7 mil fotos que fiz em cemitérios pelo país me cobram transformar isso em livro e exposição.</p>
<p style="text-align: justify;">Como é possível ter bastante informação a respeito do Cemitério da Consolação (São Paulo &#8211; SP) pela Internet e eu mesmo <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/04/05/passeios-por-cemiterios-iii-consolacao/" target="_self">já falei dele aqui</a>, decidi fazer, hoje, um post totalmente visual para dividir com vocês algumas de minhas fotos preferidas feitas lá.</p>
<p style="text-align: justify;">A minha parte é mostrar que onde muitos veem dor e morte, eu vejo arte. A de vocês, hoje, será sugerir títulos para as fotos. Só a primeira já tem: “<strong>Nós que aqui estamos por vós esperamos</strong>”.</p>
<p style="text-align: justify;">Espero que gostem. Aguardo sugestões.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/conso01_nos_que_aqui-Custom.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-713" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/conso01_nos_que_aqui-Custom.jpg" alt="" width="600" height="450" /></a><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/conso02_torso_nu-Custom.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-714" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/conso02_torso_nu-Custom.jpg" alt="" width="600" height="450" /></a><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/conso03_anjo_dedo-Custom.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-715" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/conso03_anjo_dedo-Custom.jpg" alt="" width="600" height="450" /></a><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/conso04_pernas_rosto-Custom.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-716" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/conso04_pernas_rosto-Custom.jpg" alt="" width="600" height="450" /></a><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/conso05_anjo_prece-Custom.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-717" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/conso05_anjo_prece-Custom.jpg" alt="" width="600" height="450" /></a><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/conso06_cristo_ceu-Custom.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-718" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/conso06_cristo_ceu-Custom.jpg" alt="" width="600" height="450" /></a><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/conso07_dedo_flores-Custom.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-719" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/conso07_dedo_flores-Custom.jpg" alt="" width="600" height="450" /></a><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/conso08_perfil_mulher-Custom.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-720" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/conso08_perfil_mulher-Custom.jpg" alt="" width="600" height="450" /></a><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/conso09_saudade_flores-Custom.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-721" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/conso09_saudade_flores-Custom.jpg" alt="" width="600" height="450" /></a><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Estas fotos podem ser vistas em tamanho maior no <a href="http://www.flickr.com/photos/artetumular/" target="_blank">Flick Arte Tumular</a>.</strong></p>

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		<title>Necrópole São Paulo</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Nov 2010 02:00:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Confesso: sempre que me proponho a falar sobre cemitérios, penso em algo bem definido, mas começo a viajar nas fotos, percebo novos detalhes, descubro novas histórias e, de repente, há quase um livro em minha cabeça. Quando pensei em escrever &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/10/31/necropole-sao-paulo/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/10/31/necropole-sao-paulo/&amp;text=Necrópole São Paulo&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/atsorriso.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-702" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/atsorriso.jpg" alt="" width="600" height="252" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Confesso: sempre que me proponho a falar sobre cemitérios, penso em algo bem definido, mas começo a viajar nas fotos, percebo novos detalhes, descubro novas histórias e, de repente, há quase um livro em minha cabeça. Quando pensei em escrever sobre a Necrópole São Paulo, imaginei partir das obras de Alfredo Oliani, autor de <em>O último adeus</em>, sobre o qual falei no texto anterior (<a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/10/30/sexo-amor-e-morte/" target="_self"><em>Sexo, amor e morte</em></a>). Quando comecei a escolher as fotos dentre as mais de 500 que fiz em dois corridos dias de visita àquele cemitério, lembrei de tantas esculturas lindas e tantas histórias que passei um dia inteiro recordando tudo que vi por lá.</p>
<p style="text-align: justify;">O Cemitério São Paulo (ou Necrópole São Paulo, como ostenta em sua fachada) me pegou de surpresa. Eu vinha de dois dias inteiros fotografando o da Consolação. Havia andado quilômetros e quilômetros sob sol forte, estava cansado, desidratado, com braços e mãos tremendos depois de quase 3 mil cliques e com um belo bronzeado de cemitério (só rosto e braços queimados). Imaginei que não veria tantas nem tão interessantes obras quanto nos cemitérios da Consolação e do Araçá,  mas estava completamente enganado.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/atsp02_esconde.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-703" style="border: 0pt none; margin: 0px;" title="atsp02_esconde" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/atsp02_esconde.jpg" alt="" width="300" height="400" /></a>O São Paulo começou a funcionar em 1926 por conta da superlotação dos cemitérios da Consolação (inaugurado em 1858) e do Araçá (1887). A essa altura, outros cemitérios públicos já haviam sido criados e as divisões de classes sociais também estavam estabelecidas na morte. Os ricos precisavam de mais espaço e assim surgiu o São Paulo. Valendo-se de quase 70 anos de experiência, a nova necrópole nasceu e cresceu mais organizada. As ruas por onde transitam os carros são mais largas, os espaços entre as quadras são desenhados em arcos, há muita luminosidade, é tudo muito aberto e a área está em um declive – quando você sobe em direção à colina central, vai vendo a cidade do lado de fora. É muito agradável.</p>
<p style="text-align: justify;">Chegando lá, pela primeira vez, a apenas uma hora antes do encerramento do expediente e sem conhecer nada, tive que confiar plenamente nos conhecimentos de um dos funcionários, que me fez o favor de mostrar, tão rápido quanto possível, o que havia de melhor e mais representativo. Foi no túmulo de uma família italiana (Parello) que vi um conjunto escultórico diferente de tudo que conhecia. A obra mostra duas jovens, separadas por um muro ou uma parede, que parecem brincar de esconde-esconde. Elas estão se divertindo (o detalhe do sorriso na foto que abre este texto é daquela que parece estar se escondendo) e é impossível não notar, de imediato, que a cena mostra a morte de uma maneira muito diferente e mais leve do que se costuma vê-la. Em algum instante, o jogo de esconde vai terminar e as pessoas voltarão a se encontrar, a ficar juntas. No muro que as separa há ainda uma placa com um poema, em italiano, que reforça a ideia da transformação, da passagem do tempo e do pedido de paciência e percepção que se deve ter a respeito da morte. É a conversa de uma filha com a mãe, dizendo que retornará, levantando-se da terra como uma flor e, quando isso acontecer, elas se reconhecerão. A composição é um acróstico que forma a seguinte mensagem: <em>Mariana Parello delicato fiore</em> (delicada flor).</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/atsp03_oliani.jpg"><img class="size-full wp-image-705 aligncenter" style="border: 0pt none; margin-top: 0px; margin-bottom: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/atsp03_oliani.jpg" alt="" width="600" height="260" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Outro conjunto que chama atenção, logo na entrada, próximo a <em>O último adeus</em>, é também um obra de Alfredo Oliani, de 1949. Ele mostra quatro personagens: dois homens carregando um terceiro, morto, enquanto uma mulher demonstra seu pesar. Se pudessem ficar em pé, cada criatura teria mais de dois metros de altura. É feito em bronze e, como em outros trabalhos de Oliani, <a href="http://www.flickr.com/photos/artetumular/5134139478/" target="_blank">os detalhes impressionam</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Logo de início, achei que o São Paulo concentrava um grande número de túmulos de famílias italianas, assim como trabalhos de escultores italianos ou descendentes. Além de Alfredo Oliani, há obras de Victor Brecheret, Luigi Brizzolara, Nicola Rollo e Antelo Del Debbio, para citar somente os mais conhecidos.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/atsp04_anjos.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-706" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/atsp04_anjos.jpg" alt="" width="600" height="450" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Os Anjos</em>, de Brecheret, no túmulo da Família Scuracchio, está entre as obras mais representativas dos escultores ítalo-brasileiros no Cemitério São Paulo.  Também é interessante saber que Brecheret, autor do <em>Monumento às Bandeiras</em>, da <em>Graça</em> (Galeria Prestes Maia), do <em>Fauno </em>(Parque Trianon) e de várias obras para túmulos de cemitérios paulistanos foi sepultado lá. Seu túmulo é extremamente simples. Só percebido e lembrado graças a <a href="http://www.flickr.com/photos/artetumular/5133538285/" target="_blank">uma pequena placa</a> com sua efígie e datas de nascimento e morte. Muito diferente dos grandes monumentos mortuários que fez para a aristocracia paulistana.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/atsp06_comendador.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-707" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/atsp06_comendador.jpg" alt="" width="600" height="268" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Exemplos de ostentação e orgulho eterno não faltam. Alguns, mesmo católicos, pareciam não ligar para a soberba como um dos pecados capitais. O <a href="http://www.flickr.com/photos/artetumular/5132369979/" target="_blank">mausoléu do Comendador Joaquim Gil Pinheiro</a> é desses que se veem de longe. Tem pelo menos 8 metros de altura, é cheio de placas e títulos, tem a entrada ladeada por duas esculturas de santos em tamanho natural, um busto do comendador do lado de fora, outro do lado de dentro, além de uma representação mortuária de corpo inteiro (comum entre nobres e clérigos na Europa, mas raro por aqui). Do lado de fora, o Comendador avisa: “<em>Aqui jazem os meus ossos neste campo de egualdade pois que esperam pelos vosso quando Deus tiver vontade. – J. Gil Pinheiro</em>”. No interior, acima do corpo de mármore, outra placa na qual se lê: “<em>Aqui jazem os restos mortaes do Commendador Joaquim Gil Pinheiro nascido em Portugal no anno de 1855, que muito amou o Brasil, com especialidade São Paulo, onde viveu 48 annos até o dia de seu fallecimento a 28 de novembro de 1926. Orae por elle.</em>”</p>
<p style="text-align: justify;">Muitas personalidades conhecidas foram sepultadas no São Paulo e também possuem belas obras em seus túmulos como o empresário <a href="http://www.flickr.com/photos/artetumular/5132370425/" target="_blank">José Ermírio de Moraes</a> e o desenhista <a href="http://www.flickr.com/photos/artetumular/5132228903/" target="_blank">Belmonte</a>. Estas e outras, você confere no <a href="http://www.flickr.com/photos/artetumular" target="_blank">Flickr Arte Tumular</a>.</p>

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		<title>Sexo, amor e morte</title>
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		<pubDate>Sat, 30 Oct 2010 19:40:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte tumular]]></category>
		<category><![CDATA[Artes plásticas]]></category>
		<category><![CDATA[Cemitérios]]></category>
		<category><![CDATA[Erotismo]]></category>
		<category><![CDATA[Estatuária]]></category>
		<category><![CDATA[Fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[Quem me conhece ou acompanha o blog há mais tempo não se assombra com meus textos e fotos sobre cemitérios. Sempre gosto de lembrar: cemitérios são museus. Em relação ao Brasil, falo dos modelos surgidos em meados do século XIX &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/10/30/sexo-amor-e-morte/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/at_ultimoadeus.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-692" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/at_ultimoadeus.jpg" alt="" width="600" height="223" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Quem me conhece ou acompanha o <em>blog</em> há mais tempo não se assombra com meus textos e fotos sobre cemitérios. Sempre gosto de lembrar: cemitérios são museus. Em relação ao Brasil, falo dos modelos surgidos em meados do século XIX e que foram registrando a História, com mais intensidade, até os anos 1960.</p>
<p style="text-align: justify;">Conheço muita gente que estranha minha familiaridade com as necrópoles e diz que só vai pisar em um cemitério quando estiver morta. Devo avisar: morto, ninguém pisa em lugar algum. Tampouco poderá apreciar toda a riqueza artística e histórica que há em alguns como os da Consolação, Araçá e São Paulo (os três na capital paulistana e sobre os quais falarei nos próximos textos) ou São João Batista e do Caju, no Rio. Portanto, um conselho: <strong>aproveite para ir a cemitérios enquanto está vivo</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Resolvi começar esta nova série mostrando um bom motivo para ninguém ter medo dessas visitas, falando de coisas que todos querem em vida: amor e sexo. Sim, eles estão lá, representados de várias formas. Sexo?! Sim. Ou, caso prefira, o amor sensual, o erotismo. Os três mais belos exemplos que conheço estão em São Paulo. Dois deles, desde os anos 1920.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/at_solitudo.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-693" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/at_solitudo.jpg" alt="" width="600" height="340" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Solitudo</strong></em>, o primeiro nu feminino do Cemitério da Consolação, é de 1922 e foi esculpida por Francisco Leopoldo e Silva. Trata-se da figura de uma mulher em aparente êxtase sensual. Esculpida em granito, tem detalhes que só podem ser devidamente apreciados <em>in loco</em>. O que na foto parecem ranhuras são detalhes de um véu translúcido.  Segundo informações de José de Souza Martins, que constam no <em>folder</em> <em>História e Arte no Cemitério da Consolação</em>,</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;">“(&#8230;) foi esculpido para a sepultura do advogado Teodureto de Carvalho e sua esposa, família antiga de São Paulo e Minas. O pai de Teodureto, Teodoro, foi chefe de polícia, secretário da Agricultura e senador estadual. Francisco Leopoldo e Silva era de Taubaté, como seu irmão mais velho, Duarte, futuro arcebispo de São Paulo. (&#8230;) Foi professor primário e estudou arte, tendo recebido bolsa para estudar escultura em Paris, retornou ao Brasil durante a Primeira Guerra, e com família já constituída, foi para Roma, após o conflito, para se aperfeiçoar. Já estudara aqui com Amadeu Zani, autor de várias obras expostas em lugares públicos de São Paulo e também no Cemitério da Consolação. Sofreu influência de Rodin. Teve estúdio no Palácio Episcopal, no início dos anos vinte, quando era arcebispo seu irmão, dom Duarte, na rua São Luís, onde é hoje a Biblioteca Municipal Mário de Andrade. Aparentemente, ali esculpiu <em>Solitudo </em>(&#8230;)”.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/at_interrogacao.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-694" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/at_interrogacao.jpg" alt="" width="600" height="400" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>A Interrogação</em></strong> está no túmulo de Moacyr Piza, jovem advogado e escritor que viveu um intenso e trágico romance com Nenê Romano, uma linda cortesã de luxo. A escultura, em granito, também é de Francisco Leopoldo e Silva. Segundo contam, foi colocada no túmulo de Piza aproximadamente um ano após sua morte, ocorrida em 1923. O advogado de 32 anos matou-se com um tiro, dentro de um táxi, após matar a amante.</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;">“Nenê Romano era o nome pelo qual se conhecia Lina Machiaverni, imigrante italiana cuja família chegara ao Brasil quando tinha dois anos de idade. Fora costureira no Brás. Moça lindíssima, acabou se tornando conhecida cortesã, companhia de homens famosos e poderosos. Era odiada pelas mulheres da elite. Num corso de carnaval, na avenida Paulista, jovem mancebo de família rica jogou-lhe um bilhete, o que foi percebido pela namorada, de uma das mais ricas famílias de fazendeiros de café. A moça ajustou dois jagunços da fazenda da família, em Ribeirão Preto, para que dessem um corretivo à cortesã. Nenê Romano levou uma navalhada no rosto num atentado de 1918, que a desfiguraria. Apresentou queixa e iniciou processo contra a mandante do crime. Mas o processo foi ficando pelas gavetas, pois era ação de prostituta contra gente poderosa.</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;">“Nenê, então, contratou Moacir Piza, advogado já famoso, para que desemperrasse o processo. Moacir Piza se apaixonou por ela. Estiveram juntos por dois anos na boemia, namorando em hotéis e táxis. Mas Nenê começou a sair novamente com outros homens, desinteressou-se por ele, que se tornara homem relapso em relação ao trabalho como jornalista e advogado. O namoro acabou. Moacir Piza foi procurá-la na noite de 25 de outubro de 1923, na tentativa de reatar o relacionamento. Ela estava de saída. Ele insistiu para que ela entrasse no táxi, para conversar. Na esquina da avenida Angélica com a rua Sergipe matou-a com quatro tiros e matou-se em seguida, caindo sobre ela. A vingança da namorada do almofadinha que cortejara Nenê Romano já era indicação de que, entre as mulheres, culpada era a mulher, em casos assim. A escultura de Francisco Leopoldo e Silva, em forma de interrogação, também expressa a mentalidade da época em relação a mulheres como Nenê Romano: por quê? Que sentido tinha o suicídio de um moço de família antiga, parente de políticos, advogado estabelecido, boêmio conhecido, de vida alegre e de bem com a vida, que se apaixonara por uma pobre proletária do Brás, garota de programa de ricos e poderosos?”</p>
<p style="text-align: justify;">A história virou filme. <em>Desatino</em>, curta de Dimas Oliveira Junior, lançado em 2008.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/at_ultimoadeus2.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-695" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/at_ultimoadeus2.jpg" alt="" width="600" height="272" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>O último adeus</strong></em>, de Alfredo Oliani, está no túmulo da Família Cantarella, no Cemitério São Paulo.  A foto logo acima, a que abre este texto e também a que ilustra o texto anterior (<a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/10/28/da-urgencia-dos-que-conhecem-a-morte/" target="_self"><em>Da urgência dos que conhecem a morte</em></a>) mostram a obra. Diferente das visitas aos cemitérios da Consolação e do Araçá, nas quais tive, respectivamente, as companhias de Popó e Fininho (falarei de ambos nos próximos textos), no São Paulo, não pude contar com alguém que me tirasse determinadas dúvidas. E, você sabe, quanta maior a curiosidade, mais perguntas aparecem.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao nos depararmos com o enorme casal de bronze representado em <em>O último adeus</em>, a primeira ideia que vem à mente é de um homem que perdeu a mulher amada. É isso que vemos. Um homem jovem, vigoroso, nu (os detalhes perfeitos da musculatura impressionam) beijando uma mulher, também jovem, de olhos fechados, já morta. Mas, na realidade, aconteceu o contrário. A obra foi encomendada por Maria Cantarella, viúva de Antonino Cantarella, falecido em 1942. Os papéis são invertidos. Parece-me que ela quis representar não só a imortalidade do amor e da paixão do casal, mas apresentar, principalmente, a quem vê o monumento, o homem de sua vida em todo seu vigor, pleno, vivo. E ela, morta. Talvez seja uma representação mais perfeita da saudade. Quem fica é condenado a uma morte em vida. “<em>Ao Nino, meu esposo, meu guia e motivo eterno de minha saudade e de meu pranto</em>”, são os dizeres na lápide ao lado. Maria, dez anos mais jovem, só se juntaria ao amado quatro décadas depois.</p>
<p style="text-align: justify;">Além das interpretações que a história – contrária ao que se vê – pode gerar, surgem outras dúvidas. Infelizmente, a ação de vândalos contribui em muito para apagar os registros históricos mais visíveis. Muitas vezes, o visitante comum sequer saberá quando o homenageado nasceu ou faleceu, já que os números ou placas com datas são arrancados. No caso de <em>O último adeus</em>, isso me chamou bastante atenção. Na sepultura, a data de morte de Nino aparecia da seguinte maneira: 23-*2-1*4* (onde os asteriscos representam os números arrancados). Tudo que se poderia dizer é que havia morrido na antevéspera do Natal de algum ano na década de 1940. Mas há uma informação que confunde ainda mais. Na base do monumento, lê-se: A. OLIANI &#8211; S. PAULO 30-06-928. Como a estátua teria sido feita em 1928 (não há o “1” no entalhe) se foi encomendada após a morte de Nino, em 1942? Um pouco mais de conhecimento histórico-biográfico e a confusão aumenta. Em 1928, Alfredo Oliani tinha apenas 22 anos de idade e estava iniciando seus estudos. Obra criada em 1928, mas só executada em 1942 após a encomenda? Entalhe feito posteriormente com data errada?</p>
<p style="text-align: justify;">A atenção a esses detalhes levam a novas visitas, às buscas nos arquivos dos cemitérios, ao estudo da vida e da obra dos artistas, à familiarização com seu estilo, ao reconhecimento de outras obras sem que se precise conferir a assinatura&#8230; Histórias pessoais e História da Arte é o que encontramos em cemitérios. São cheios de vida e de vidas.</p>
<p style="text-align: justify;">No próximo texto, um passeio pelo Cemitério São Paulo, mais obras de Oliani e de outros escultores que deixaram sua marca não só nas necrópoles, mas também do lado de fora delas.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>* * * * * *</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Confira <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/category/arte-tumular" target="_self"><strong>todos os textos</strong></a> sobre passeios em cemitérios e arte tumular.<br />
Dezenas de fotos dos cemitérios que visitei no <a href="http://www.flickr.com/photos/artetumular/" target="_blank"><strong>Flickr Arte Tumular</strong></a>.</p>

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		<title>Da urgência dos que conhecem a morte</title>
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		<pubDate>Thu, 28 Oct 2010 03:15:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte tumular]]></category>
		<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Livre pensar]]></category>

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		<description><![CDATA[Não há regras para lições. Para cada aprendiz, um método, uma forma, um momento. Já vi a morte, em seu papel de mestra, tentando ensinar muita gente. Doenças pesadas, acidentes sérios, meses ou anos numa cama, partes do corpo retiradas. &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/10/28/da-urgencia-dos-que-conhecem-a-morte/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/ultimoadeus.jpg"><img class="size-full wp-image-683 aligncenter" style="border: 0pt none; margin-top: 0px; margin-bottom: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/ultimoadeus.jpg" alt="" width="600" height="300" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Não há regras para lições. Para cada aprendiz, um método, uma forma, um momento. Já vi a morte, em seu papel de mestra, tentando ensinar muita gente. Doenças pesadas, acidentes sérios, meses ou anos numa cama, partes do corpo retiradas. Mas não era a hora de ir. Apenas uma oportunidade de aprender.</p>
<p style="text-align: justify;">Em muitas das vezes que a observei visitando outros, o efeito foi o seguinte: escapando, a pessoa via que poderia morrer a qualquer momento, passava a viver com uma pressa que não tinha antes e sem se importar com nada. Ataque cardíaco? Fumava ainda mais. Cirrose? Dá-lhe álcool. Overdose? Mais pó. Câncer? Mais comida, mais bebida, sexo desesperado com qualquer um&#8230; Afinal, a vida é curta, a morte já bateu à porta, sabe-se lá quando virá de novo.</p>
<p style="text-align: justify;">Agem assim como se isso representasse amor à vida. Não entenderam que suas ações anteriores os aproximaram da morte e que as novas só demonstram paixão ainda maior por ela. Como todo mestre, a morte tem paciência com seus alunos com menos capacidade de cognição. Faz outra visita, senta-se mais tempo ao lado da cama, olha fixamente perguntando: “<em>Entendeu agora?</em>” Alguns entendem; outros nunca aprenderão.</p>
<p style="text-align: justify;">Para mim, a visita e a lição vieram de outra forma. A morte me tirou quem eu amava. E fez isso quando este Amor estava gerando outra vida. A morte não teve a mínima piedade, não deu chance, mostrou todo seu poder de uma só vez. E nem perguntou se eu havia entendido.</p>
<p style="text-align: justify;">Isso foi há quase vinte anos. Comecei a repetir que deveria viver todos os dias como se fosse o último. E caí no mesmo erro que apontei antes, buscando os prazeres que só se pode conhecer nesta vida. Agindo assim, logo chegaria mesmo àquele que seria meu último dia. Ou talvez a mestra fizesse outra visita, repetisse a lição. Da mesma maneira. Foi quando reconheci a vida como aliada. Mas só poderia tê-la a meu lado se produzisse e desse a ela o que a morte me tirou: Amor.</p>
<p style="text-align: justify;">Amar foi minha arma contra a morte. Foi meu troco. A cada Amor, me sinto mais vivo. Não há mentira, não há superficialidade, não há mistificação. Sempre me jogo de cabeça nesse abismo e a vida sempre está lá embaixo para me segurar no colo. Foi dela que virei amante. A vida não me trai nunca.</p>
<p style="text-align: justify;">Há Amor nas palavras, nos atos, nos sonhos. Há Amor de sobra, sem medida, sem fim, para viver muitas vidas em uma. Morre só a ilusão. Eu, nunca. E nunca os amores em mim.</p>
<p style="text-align: justify;">O Amor vence a morte a todo instante. “<em>Por mais que o matem (e matam)</em>”, ele ressurge mais forte, sempre lembrando que é preciso amar como se não houvesse amanhã. Todos sabemos que não há. Não se pode perder tempo. É sempre para agora e com toda força. Era esta a lição da morte: Amar intensamente nesta Vida.</p>

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		<title>As sereias na casa de Deus (II)</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Oct 2010 01:30:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
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		<description><![CDATA[“Venha! Venha! Chegue! Chegue! Olhe. Bonito, né? Fotografe. Venha, venha&#8230;” Era assim, tocado como um boi desgarrado da manada, que minha guia me fez percorrer, em 20 minutos, praticamente todas as partes da Igreja de São Francisco em João Pessoa &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/10/25/as-sereias-na-casa-de-deus-ii/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/sereias01.jpg"><img class="size-full wp-image-666 aligncenter" style="border: 0pt none; margin-top: 0px; margin-bottom: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/sereias01.jpg" alt="" width="600" height="250" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">“<em>Venha! Venha! Chegue! Chegue! Olhe. Bonito, né? Fotografe. Venha, venha&#8230;</em>” Era assim, tocado como um boi desgarrado da manada, que minha guia me fez percorrer, em 20 minutos, praticamente todas as partes da Igreja de São Francisco em João Pessoa (PB). Vinte minutos que para ela teriam sido cinco se eu não me fizesse de doido e mouco à sua toada sem freio. Ela foi cansando e logo já era um aboio, triste, ao longe, “<em>tchau, moço</em>” e me abandonou ali na porta da, segundo ela, “<em>capela de São Francisco, porque a Igreja mesmo é de Santo Antônio</em>”. Prestes a me ver livre, nem quis discutir. Fica para a próxima saber qual santo é dono de qual parte, quem fica com a nave principal, quem fica com a capela que tem uma vista linda e na qual se pode passar horas somente olhando para o teto.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa minha segunda ida à Igreja de São Francisco foi em busca de suas sereias. Nem sabia que havia tanta coisa linda, além delas, para se ver ali. E há! Na próxima, passarei horas. Esteja avisada, dona venha-venha-chegue-chegue!</p>
<p><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/download/sereias.pdf" target="_blank"><img class="size-full wp-image-667 alignright" style="border: 0pt none;" title="Clique e baixe o artigo completo" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/sereias_pagina.jpg" alt="" width="207" height="279" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Soube das sereias há alguns anos, folheando a edição de 5 de abril de 1952 de <a href="http://www.memoriaviva.com.br/ocruzeiro" target="_blank"><em>O Cruzeiro</em></a>. Um artigo de <a href="http://www.memoriaviva.com.br/cascudo" target="_blank">Câmara Cascudo</a> dava conta da excentricidade. Passei pela igreja no final de 2008, mas só conheci a parte externa. Dessa vez, entrei e fui buscar as mulheres com rabos de peixe no altar do Santíssimo.</p>
<p style="text-align: justify;">Segundo Cascudo, elas estão lá desde 1779 e não são de ordem erótica, mas símbolos funerários. Ele vai a três séculos antes da igreja de Cristo para explicar a ligação da sereia com a morte, em um tempo e lugar onde elas eram seres alados. Sereia com rabo de peixe, parece, é coisa nossa. Ainda assim, faz sentido que essas também estejam relacionadas à morte. Afinal, o que faz uma sereia quando encanta um homem? Também parece estar relacionado aos desejos, a sedução, aos prazeres, à “perdição” que este caminho leva. Arriscaria dizer que pode haver um sincretismo entre arte, regionalismo e religião. Sabe Deus o que as diabinhas do mar estão fazendo lá!</p>
<p style="text-align: justify;">Cascudo também diz que não conhece outro exemplo desse tipo no Brasil. Não dou certeza, mas se não me falha a memória (ela é muito boa, mas falha), também há sereias na entrada da Igreja de São Pedro, em Recife, Pernambuco. Nem preciso dizer que voltarei a ambas para tirar tudo a limpo, não? Por enquanto, fiquem com <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/download/sereias.pdf" target="_blank">o artigo</a> de <em>O Cruzeiro</em>, com as imagens da época e com as que fiz agora (as sereias tiveram pelo menos uma restauração desde então, pelo que sei, no final da década de 1970).</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/sereias02.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-670" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/sereias02.jpg" alt="" width="500" height="435" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/sereias03.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-671" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/sereias03.jpg" alt="" width="500" height="413" /></a></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/igsfran01.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-673" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/igsfran01.jpg" alt="" width="500" height="443" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/igsfran02.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-674" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/10/igsfran02.jpg" alt="" width="500" height="443" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Mais fotos no <a href="http://twitpic.com/photos/sandrofortunato" target="_blank">Twitpic</a> ou em <a href="http://www.facebook.com/sandrofortunato" target="_blank">meu perfil no Facebook</a>.</strong></p>

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		<title>Diário de São Pedro (VI)</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Jul 2009 21:12:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte tumular]]></category>
		<category><![CDATA[Cemitérios]]></category>
		<category><![CDATA[Estatuária]]></category>
		<category><![CDATA[São Pedro da Aldeia]]></category>
		<category><![CDATA[Viagem]]></category>

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		<description><![CDATA[Dentre as coisas que gosto e sempre há em todo lugar, estão igrejas e cemitérios. Há algum tempo, folheando uma edição de 1930 de O Cruzeiro, encontrei a foto (acima, à esquerda) de uma igreja em São Pedro da Aldeia. &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/07/23/diario-de-sao-pedro-vi/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2009/07/igrejaspa.jpg" alt="igrejaspa.jpg" /></p>
<p>Dentre as coisas que gosto e sempre há em todo lugar, estão igrejas e cemitérios. Há algum tempo, folheando uma edição de 1930 de <em><a href="http://www.memoriaviva.com.br/ocruzeiro" target="_blank">O Cruzeiro</a></em>, encontrei a foto (acima, à esquerda) de uma igreja em São Pedro da Aldeia. Isso foi depois de minha última vinda para cá, no final de 2007. Trata-se da <a href="http://twitpic.com/9x8tb" target="_blank">Igreja Matriz de São Pedro da Aldeia</a>.</p>
<p><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2009/07/igrejaspa2.jpg" border="0" alt="" align="right" />A construção é de meados do século XVIII. Há quem diga que foi concluída em 1783. No site da paróquia, em um texto confuso, fala-se em 1748, mas também não dá certeza. Por lá, só me disseram que “<em>aaaaaaah! é muito antiga</em>”. Isso é um trabalho para o Sandro-Memorialista, mas quem passou por lá foi o Sandro-Turista. Fico devendo. Fica para a próxima.</p>
<p>A Aldeia de São Pedro foi fundada por jesuítas em 1617. A igreja, como de costume, fica no ponto mais alto e a cidade se desenvolveu ao seu redor. Na sua frente, desde 1887, há outra igreja. Pelas datas gravadas no frontispício, deve ter sido concluída em 1941. A mais antiga ameaçava cair. Está aí até hoje, talvez não tão firme nem tão forte, mas ainda de pé, após mais de duzentos anos.</p>
<p>Por fora, a igreja parece grande. A nave, porém, é pequena. Quatro pares de colunas, duas fileiras com aproximadamente vinte bancos e já se chega ao altar. Chegando lá, à esquerda há uma pequena capela; à direita, a sacristia, que dá passagem para um espaço mais amplo, cercado, a céu aberto, onde fica o cemitério.</p>
<p>Não parecesse tão impróprio, diria que é o cemitério mais aconchegante que já vi: pequeno, protegido, arborizado, com algumas estátuas. Parece mesmo um jardim santo. Como <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/06/15/o-primeiro-marmore/">já disse aqui</a>, até meados do século XIX era costume enterrar os mortos nas igrejas e arredores. O túmulo mais antigo que vi nesse pequeno cemitério aponta um sepultamento em 1847. “<em>Aqui jazem os restos mortaes de D. Joaquina Maria Thereza &#8211; Fallecida a 5 de outubro de 1847 &#8211; e do Comendador Manoel de Souza Teixeira, fallecido a 2 de novembro de 1856</em>”. A construção representa um pequeno templo sustentado por quatro colunas. Ao centro, uma urna com pés. Sobre ela, um crânio sem a mandíbula. Meio macabro, mas levemos em conta a concepção de morte para os católicos do século XIX. Aparentemente é todo em mármore e muito bem executado, como toda a estatuária do pequeno cemitério. Há vários outros monumentos lá: urnas, <a href="http://twitpic.com/9x989" target="_blank">representações de anjos</a>, santos, melancolia, etc.</p>
<p><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2009/07/igrejaspa4.jpg" border="0" alt="" align="left" />Não pude observar os hábitos dos católicos de São Pedro. Fiquei adiando uma ida à missa e só uma única vez estive perto da igreja, em um domingo, quando os sinos bateram seis da tarde. Mas a missa seria uma hora depois. Em outra noite, vi algumas pessoas chegando para um casamento. <a href="http://twitpic.com/a2c6a" target="_blank">O templo tem uma iluminação modernosa</a> que não é afetada pelas pequenas construções ao redor.</p>
<p>Por pura preguiça (pecado capital!), também não fui a pelo menos uma das missas rezadas aos sábados, aqui mesmo na Praia da Pitória, a poucos passos, na Igreja Filial de São Pedro. <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/07/10/diario-de-sao-pedro-iii/">Anteriormente expliquei esse termo</a> que nunca havia visto. Na Praia do Sol também tem outra Filial, sendo que é de Nossa Senhora das Graças. Cercada por grades pontiagudas, parece bem menos cordial que as outras.  No entanto, em minha única passagem por lá, no meio da tarde de uma quinta, eu a encontrei aberta. Pode ter sido coincidência. Na Filial de São Pedro, quinta também é o dia em que há uma prece, no início da noite. Fora isso, só abre para a missa de sábado.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>** Confira mais fotos em <a href="http://twitpic.com/photos/sandrofortunato" target="_blank">http://twitpic.com/photos/sandrofortunato</a> **</p>
<p><img usemap="#Map3" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback3.jpg" border="0" alt="" height="25" /></p>
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		<title>O primeiro mármore</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Jun 2009 04:28:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Cemitérios]]></category>
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		<category><![CDATA[História]]></category>
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		<description><![CDATA[Independente de sua idade, leitor, os “cemitérios clássicos” – com túmulos, lápides, etc – já não eram novidade quando você nasceu. No entanto, em termos históricos, eles são bem novos, principalmente aqui no Brasil. Eles começaram a surgir na metade &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/06/15/o-primeiro-marmore/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/marmore1.jpg" border="0" width="600" height="225" /></p>
<p align="justify">Independente de sua idade, leitor, os “cemitérios clássicos” – com túmulos, lápides, etc – já não eram novidade quando você nasceu. No entanto, em termos históricos, eles são bem novos, principalmente aqui no Brasil. Eles começaram a surgir na metade do século XIX, portanto, há pouco mais de 150 anos. Na década de 1970, esse modelo começou a ser deixado de lado (estou falando sempre do Brasil). Surgiram fornos crematórios e cemitérios-parques. Portanto, os grandes “cemitérios clássicos” nasceram por volta de 1850 e se desenvolveram por aproximadamente 120 anos. Como sempre costumo lembrar, são museus a céu aberto.</p>
<p align="justify">Temos cemitérios mais antigos, criados no início do século XIX. São cemitérios ingleses. Por que ingleses? Por que vieram antes? Com predominância católica, antes de termos cemitérios públicos, o costume era enterrar os corpos nas igrejas – dentro ou ao redor delas. Os ingleses, anglicanos ou de outra corrente protestante, construíram seus próprios cemitérios. Na década de 1830, havia também cemitérios de escravos. Somente no início da segunda metade do século XIX começamos a ter cemitérios públicos. Em 1856, o ano da cólera, foi definitivo para a criação de vários para que o monte de cadáveres tivesse lugar de descanso. O Cemitério do Alecrim, em Natal (RN), é deste ano.</p>
<p align="justify">Em <a href="http://www.memoriaviva.com.br/cascudo/actadiurna" target="_blank">Acta Diurna</a> de 17 de outubro de 1942, <a href="http://www.memoriaviva.com.br/cascudo" target="_blank">Câmara Cascudo</a> fala da primeira lápide e do primeiro mármore do Cemitério do Alecrim. A respeito do último, diz o seguinte:</p>
<blockquote><p><em>O mais antigo, o primeiro túmulo de mármore que se erigiu no Cemitério do Alecrim, é o terceiro, à esquerda de quem entra.</em><br />
<em>Representa uma mulher grega, em atitude de meditação e de cisma, olhando uma urna, a urna bem clássica que devia conter as cinzas.</em><br />
<em>É o túmulo de Manuel Gabriel de Carvalho, falecido em Natal no ano de 1872.</em><br />
<em>Veio de Portugal já pronto. A construção do sepulcro foi feita pelo arquiteto Frederico Skinner (&#8230;)</em><br />
<em>Seu túmulo é um dos mais bonitos pela simplicidade, nitidez e perfeição.</em><br />
<em>No meio de tanta vaidade em pedra e mármore, em cimento e tijolo, ressalta a linha pura d’aquela figura grega, pensativa e concentrada.</em><br />
<em>Se não estivesse pensando, desde 1872, na morte de Manuel Gabriel de Carvalho, diria eu que ela, sendo grega e sábia, lamentaria, silenciosamente, a existência de tanta inutilidade com que o orgulho dos Vivos enfeita a modéstia dos Mortos&#8230;</em></p></blockquote>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/marmore2.jpg" align="right" border="0" width="328" height="240" />Sessenta e sete anos depois da crônica de Cascudo, 137 após a construção do túmulo, onde está a mulher grega? Creio que tenha sido roubada. Pela descrição de Cascudo, a figura devia ficar na parte superior da construção. Essa parte de cima, pesadíssima, foi arrancada e, até poucos dias, quando estive lá, estava no chão por detrás do túmulo. Bem no meio, percebe-se que uma parte foi quebrada. O mármore resiste ao sol, ao vento, às chuvas, mas não ao homem.</p>
<p align="justify">No mesmo dia em que vi isso, andei um pouco pelo cemitério e vi vários outros túmulos, mais simples, se desmanchando devido às recentes chuvas. Esse é o destino de muitos cemitérios públicos: o abandono, o desmoronamento, o roubo. Totalmente desprovidos de administração, estão fadados a desaparecer. Com túmulos perpétuos, pertencentes a famílias que os compraram há décadas, sem qualquer espaço há muitos anos, não dão qualquer lucro. Só uma administração compromissada com a História e com alguma consideração às pessoas que ali foram enterradas e a seus familiares se mexeria para fazer alguma coisa. Administrações inteligentes, em outros lugares – alguns aqui no Brasil –, já despertaram para o potencial turístico que esses centros históricos e culturais possuem.</p>
<p align="justify">Se isso não acontecer, o destino do Cemitério do Alecrim e de outros museus desse tipo é a pior das mortes: a da nossa própria memória.</p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback3.jpg" usemap="#Map3" border="0" height="25" /></center></p>
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		<title>Passeios por cemitérios V &#8211; Outras curiosidades</title>
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		<pubDate>Sat, 11 Apr 2009 04:44:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O dia nem era para isso, mas eu e Canindé Soares acabamos visitando alguns cemitérios de Natal nesta Sexta Santa. Sabíamos que não encontraríamos bustos ou efígies para dar continuidade a nosso trabalho, mas fomos assim mesmo. O passeio rendeu &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/04/11/passeios-por-cemiterios-v-outras-curiosidades/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/cemitale.jpg" border="0" width="600" height="250" /></p>
<p align="justify">O dia nem era para isso, mas eu e <strong><a href="http://canindesoares.blog.digi.com.br/blog/" target="_blank">Canindé Soares</a></strong> acabamos visitando alguns cemitérios de Natal nesta Sexta Santa. Sabíamos que não encontraríamos bustos ou efígies para dar continuidade <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/02/19/as-vezes-famosos-quase-sempre-esquecidos/">a nosso trabalho</a>, mas fomos assim mesmo. O passeio rendeu algumas observações.</p>
<p align="justify">Vou a cemitérios, com se percebe pela presente série, por curiosidade artística e histórica. Essa curiosidade não seria alimentada pelos que passamos hoje. Eram cemitérios populares, todos muito simples. Não pude deixar de fazer, de imediato, uma triste constatação: <strong>os mortos andam cada vez mais esquecidos</strong>. No primeiro em que paramos, um pequeno cemitério em São Gonçalo do Amarante, município que faz parte da Grande Natal, nem pudemos entrar. Estava fechado. No segundo, o Cemitério do Bom Pastor I, havia apenas um administrador e zeladores particulares. No terceiro, o de Nova Descoberta, um casal visitando um túmulo. No último, o do Alecrim, chegamos a tempo de flagrar algumas pessoas saindo, já no fim da tarde.</p>
<p align="justify">Em outros tempos, era comum ver muita gente visitando cemitérios nos feriados religiosos. Parece que o culto aos mortos, pelo menos entre católicos, anda bem esquecido. Teve um feriado? Praia. Mesmo em um dia chuvoso como o de hoje.</p>
<p align="justify">Fiquei impressionado com o <strong>Cemitério do Bom Pastor I</strong>. Para quem não é morador da cidade, explico: quando o Cemitério Bom Pastor lotou, foi construído outro ao lado, com a mesma denominação e o algarismo “II” para diferenciar. Daí o Bom Pastor II, a missão, e o I, acompanhando essa mania estranha que temos de fazer virar I quando surge um segundo seja o que for (vide D. Pedro I e II). Os dois cemitérios não são contíguos. Há uma rua entre eles. O II estava fechado. Horário de almoço (sim, na cidade onde já foi piada se dizer que até os restaurantes fechavam para almoço, alguns mantém esse hábito sagrado). No II, as peculiaridades já começam a ser observadas logo na entrada. Algumas ruas foram tomadas por covas. Isso é um problema que acontece em muitos lugares. Em Natal, o último cemitério público foi construído há quase 40 anos e todos estão lotados há décadas.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/baracho.jpg" align="right" border="0" width="228" height="312" />Outro ponto que me chamou atenção: vários túmulos cercados por grades. É uma tentativa, inocente e praticamente sem efeito, de evitar a depredação dos jazigos. Como lembrou um funcionário que estava por lá, “<strong><em>no Bom Pastor os mortos têm que ficar presos</em></strong>”. E como eu já disse nessa série, os cemitérios repetem os padrões da sociedade onde são construídos. O bairro do Bom Pastor é um dos mais violentos de Natal. Quando perguntei sobre a segurança e se havia algum busto ou medalhão nos túmulos, o funcionário riu. “<strong><em>É botar e roubar</em></strong>”. Não há crucifixos, argolas, nada de valor. O cemitério é sombrio e frequentado por marginais. Geralmente viciados que fumam maconha e roubam visitantes ou ladrões que praticam assalto nas proximidades e correm para lá. Segurança? Durante o dia, nenhuma; à noite, só se você for amigo dos marginais.</p>
<p align="justify">Os túmulos mais visitados são os do cantor <strong>Carlos Alexandre</strong> (“<em>Feiticeeeeeeira/ Feiticeira é essa mulher/ que por ela gamei</em>” e “<em>Você é a ciganinha/ Dona do meu coração</em>”) e o do bandido <strong>Baracho</strong> (foto). Este, morto pela polícia em 1962, segundo contam, morreu pedindo água. Morte bruta seguida, como muitas outras, de pena e devoção. Seus devotos costumam agradecer as graças alcançadas levando galões de água para matar sua sede.</p>
<p align="justify">Um último detalhe, que já havia percebido no simplíssimo cemitério em São Gonçalo do Amarante, é da ornamentação com flores coloridas. Coroas de flores de plástico. Flores de verdade são caras e duram pouco. As de plástico, todos sabem, não morrem.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/ceminova.jpg" align="left" border="0" width="288" height="210" />O <strong>Cemitério de Nova Descoberta</strong> também me impressionou. Nunca havia visto nada parecido. Inaugurado em 2 de novembro de 1970 e tendo seu primeiro sepultamento dois dias depois, foi o último cemitério público construído em Natal. Sua pecularidade é o padrão dos túmulos. Todos medem 1,10m por 2,30m e são baixos. A maior parte deles é feito de mármore, tem um crucifixo do mesmo material, um Cristo crucificado (em metal) e quatro argolas. Há poucas variações em torno disso. Ainda anteriores aos cemitérios-parques no Brasil, talvez tenha sido uma tentativa de igualar a todos com a morte. Mas sempre há uma placa, uma foto a mais, um detalhe de orgulho maçônico, mais vasos, mais flores, mais alguma coisa para fazer continuar no pós-morte a diferença exaltada em vida. Pelo menos para os bestas que ficam.</p>
<p align="justify">Já quase no fim da tarde, voltamos a campo e estivemos no <strong>Cemitério do Alecrim</strong>. Mesmo não tendo a grandiosidade dos cemitérios das grandes cidades, sempre que vou a ele, percebo que ainda não vi nada. Obras são reveladas, surgem túmulos centenários, detalhes que haviam escapado. Nele encontramos visitantes e até recentes homenagens como uma carta a um pai falecido há três anos. Um sinal de que os sentimentos ainda existem e de que nem todos os mortos foram esquecidos.</p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback3.jpg" usemap="#Map3" border="0" height="25" /></center><br />
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		<title>Passeios por cemitérios IV &#8211; Curiosidades</title>
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		<pubDate>Thu, 09 Apr 2009 01:35:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte tumular]]></category>
		<category><![CDATA[Cemitérios]]></category>
		<category><![CDATA[Estatuária]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[Chegamos finalmente às histórias de cemitérios. Nada macabro, prometo. Falarei apenas de minhas observações. Todo cemitério tem suas histórias, seus anjos, seus santos. No Cemitério São Pedro, em Londrina (PR), fui em busca do túmulo da Bela Adormecida (a história &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/04/08/passeios-por-cemiterios-iv-curiosidades/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/cemit00.jpg" border="0" width="600" height="300" /></p>
<p align="justify">Chegamos finalmente às histórias de cemitérios. Nada macabro, prometo. Falarei apenas de minhas observações.</p>
<p align="justify">Todo cemitério tem suas histórias, seus anjos, seus santos. No <strong>Cemitério São Pedro, em Londrina (PR)</strong>, fui em busca do túmulo da <strong>Bela Adormecida</strong> (<a href="http://www.memoriaviva.com.br/bela.htm" target="_blank">a história está contada aqui</a>) e descobri muitas outras. Conheci o túmulo de um homem sem nome, responsável pela inauguração do cemitério. Seu corpo foi encontrado por uma freira. Uma placa, já quase apagada pelo tempo, lembra o caso. <em>Morto estendido no chão com os braços abertos em forma de cruz. Jaz neste humilde túmulo o Nº 1 deste cemitério</em>. E pede: <strong><em>Os que passarem por aqui rezem por sua alma</em></strong>. Além do túmulo de Lecy Suzana Garcia, a Bela, falecida aos 22 anos, encontrei outros que viraram pequenos santuários. Todos de jovens que, em geral, sofreram alguma morte brutal. Há o de <strong>Neila Ribeiro</strong>, morta aos 11 anos (completaria 50 anos no próximo domingo); o de <strong>José Oswaldo Schietti</strong>, morto em 1950, aos 8 anos, sempre repleto de belas flores e placas de agradecimento; e o de <strong>Lícia</strong>, uma jovem descendente de japoneses, seviciada “<em>por um bando de lobos e chacais</em>”. Logo abaixo, detalhe dos túmulos de Lecy e de Lícia. <strong>Se tiver coragem, repare bem neste último.</strong></p>
<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/cemit01.jpg" border="0" width="508" height="334" /></p>
<p align="justify"><strong>Viu um rosto entre as flores?</strong> Tudo bem, é apenas o reflexo, no vidro, de um senhor que trabalha no cemitério e me contou as histórias das crianças.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/cemit03.jpg" align="left" border="0" width="308" height="400" />Assustadora é a foto ao lado. Ela mostra um mausoléu no <strong>Cemitério da Consolação (SP)</strong>. A figura no frontispício tem cerca de dois metros de altura e está bem acima da entrada, olhando para quem se aproxima (colocarei maior e com detalhes no <a href="http://www.flickr.com/photos/artetumular" target="_blank"><strong>Flickr Arte Tumular</strong></a>). Uma obra indiscutivelmente bem executada, mas também tenebrosa.</p>
<p align="justify">O Cemitério da Consolação é campeão absoluto em figuras representando a dor da perda. Saudade, Melancolia, Tristeza, Nostalgia. Elas ganham variados nomes. Isso está muito relacionado com a ideia de morte, carregada de sofrimento, que nos foi legada pelo Cristianismo. Em se tratando da necrópole paulistana, pode ser que a influência da colônia italiana seja responsável por deixar isso ainda mais evidente. Digo isso por experiência própria. Minha avó materna, filha de italianos, tratava o cemitério como casa para a qual os parentes falecidos haviam se mudado. Nos velórios, choros altos, lamentações, abraços no caixão, promessas ao defunto, manifestações do desejo de ser enterrada também. Durante anos, levou empadas e outros salgados ao túmulo da irmã. Os coveiros do <strong>Cemitério do Caju</strong>, no Rio, agradeciam.</p>
<p align="justify">Voltando ao da Consolação, lembro de algo que aconteceu quase ao final do passeio, que já durava quase quatro horas. Cansado, já sem espaço para fazer mais fotos e tendo visto os principais túmulos em uma visita guiada por <a href="http://www.flickr.com/photos/wilsonnatal" target="_blank"><strong>Wilson Natal</strong></a>, me senti subitamente com vontade de mudar de caminho. Deixei que “me levassem” e logo me deparei com o túmulo de <strong>Achille Fortunato</strong>. Não é ninguém conhecido. Mas eu já havia encontrado com ele algum tempo antes, pesquisando sobre a chegada de meus bisavós ao Brasil. Achille Fortunato, o da Consolação, chegou ao país mais ou menos na mesma época em que meu bisavô, <strong>Fortunato Achille</strong>. Um pelo Porto de Santos (SP), outro pelo Rio de Janeiro. Senti como se Achille estivesse me dizendo que eu ainda encontraria informações sobre a chegada de meus parentes. Sobre seu túmulo, uma figura feminina triste, chorosa, como querendo ser enterrada junto ao ser amado. Mais italiano impossível.</p>
<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/cemit02.jpg" border="0" width="600" height="250" /></p>
<p align="justify">Ainda em São Paulo, sempre acompanhado de meu fiel guia-escudeiro para empreitadas culturais e funerárias, fui até o <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/saabr07.htm"><strong>Cemitério do Horto Florestal</strong></a>, um cemitério-parque que fica no alto da Cantareira. Nada de arte tumular, nada de monumentos artísticos, nada de nada além de uma visita a um túmulo: o da escritora <strong>Adelaide Carraro</strong>. Mas já que estávamos por lá (e esse <em>lá </em>é bem longe de tudo que você imaginar), exercitamos um pouco nossa curiosidade mórbida e procuramos outros túmulos, dentre eles, o da jornalista <strong>Sandra Gomide</strong>, assassinada pelo ex-namorado e também jornalista Pimenta Neves, em 2000; e o do <strong>Coronel Ubiratan</strong>, que comandou o massacre do Carandiru em 1992 e foi assassinado em casa em 2006. Este, nem placa tinha.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/cemit04.jpg" align="right" border="0" width="208" height="267" />Nos do Rio Grande Norte, além do que já falei no <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/04/01/passeios-por-cemiterios-i/">primeiro texto desta série</a>, vale lembrar dos <a href="http://www.flickr.com/photos/artetumular/3418408892/" target="_blank">túmulos dos três pilotos ingleses</a>, abatidos, durante a Segunda Guerra, próximo à costa do estado, no <strong>Cemitério do Alecrim, em Natal</strong>; e o túmulo, extremamente simples e sempre muito visitado, do <a href="http://www.flickr.com/photos/artetumular/3418408132/" target="_blank">cangaceiro Jararaca</a>, ferido e capturado em <strong>Mossoró</strong> durante ataque do bando de Lampião. Preso por quatro dias, conta-se, acabou enterrado vivo pelos policiais. Indignada com a covardia, a população da cidade o transformou em santo.</p>
<p align="justify">Termino aqui os textos <em>programados</em> para esta série. Mas haverá um extra, sobre arte tumular em vários cemitérios do mundo. <a href="http://www.psiulandia.blogspot.com/" target="_blank"><strong>Ana Oliveira</strong></a> já enviou fotos de suas visitas aos cemitérios da <strong>Recoleta</strong> (Argentina), <strong>Montparnasse</strong> e <strong>Père-Lachaise</strong> (França). <strong>Ariane</strong> ficou de enviar algo da Alemanha. <a href="http://www.flickr.com/photos/marceloandrade/" target="_blank"><strong>Marcelo</strong></a> e Renata, que tal algo aí de Portugal? E você, <a href="http://opensadorselvagem.org/blog/diegoviana" target="_blank"><strong>Diego</strong></a>? Aproveito para comentar algo que vem sendo discutido há um bom tempo e há poucos dias voltou a ser noticiado: o túmulo de <strong>Nietzsche</strong>, em Rocken, está ameaçado por conta de um projeto de mineração. Terrivelmente triste isso. Nem morto, o filósofo encontra paz.</p>
<p align="center">* * * * * * * *</p>
<p><strong>Visite o <a href="http://">Flickr Arte Tumular</a></strong></p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback3.jpg" usemap="#Map3" border="0" height="25" /></center><br />
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		<title>Passeios por cemitérios III – Consolação</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Apr 2009 01:29:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte tumular]]></category>
		<category><![CDATA[Cemitérios]]></category>
		<category><![CDATA[Estatuária]]></category>
		<category><![CDATA[Fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[Se foi difícil fazer uma seleção entre as quase duas centenas de fotos do São João Batista (RJ), imagine do Cemitério da Consolação (SP), do qual tenho quase trezentas imagens. A tarefa se tornou mais fácil quando resolvi criar um &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/04/05/passeios-por-cemiterios-iii-consolacao/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/cons01.jpg" border="0" alt="" width="600" height="300" /></p>
<p>Se foi difícil fazer uma seleção entre as quase duas centenas de fotos do São João Batista (RJ), imagine do <strong>Cemitério da Consolação</strong> (SP), do qual tenho quase trezentas imagens. A tarefa se tornou mais fácil quando resolvi criar um <strong><a href="http://www.flickr.com/photos/artetumular" target="_blank">Flickr sobre arte tumular</a></strong> e disponibilizar mais fotos não só desses dois, mas também de outros cemitérios.</p>
<p><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/consplac.jpg" border="0" alt="" width="150" height="176" align="right" />Antes de falar sobre e mostrar o da Consolação, comento as colaborações de dois assíduos leitores do <em><strong>Sempre Algo a Dizer</strong></em>. <a href="http://www.psiulandia.blogspot.com/" target="_blank"><strong>Ana Oliveira</strong></a> perguntou sobre um túmulo específico do São João Batista e, na área de comentários, listei vários outros que ficaram de fora. O Flickr foi a solução mais imediata para minimizar essas faltas e oferecer mais informação visual. Ana também começou a me enviar fotos de vários cemitérios que já visitou, no Brasil e no exterior. Incentivo todos a fazerem o mesmo. Não só de cemitérios, mas também de igrejas, prédios históricos, estátuas e outros monumentos. Há anos, venho fazendo uma catalogação, somente com fotos feitas por mim, e pretendo finalmente disponibilizar esse material no <a href="http://www.memoriaviva.com.br" target="_blank"><em><strong>Memória Viva</strong></em></a>. Creio que a primeira fase estará no ar até setembro.</p>
<p>No <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/04/01/passeios-por-cemiterios-i/">primeiro texto desta série</a>, em determinado instante falo sobre os túmulos “importados de São Paulo” no Cemitério do Alecrim, em Natal (RN). <a href="http://www.flickr.com/photos/wilsonnatal" target="_blank"><strong>Wilson Natal</strong></a> comentou que em “<em>meados dos anos 70 existia na Rua da Consolação muitos ateliês de arte funerária, ou arte tumular. Eram artistas italianos, espanhóis na sua maioria. Eles exportavam suas obras para todos os estados e para a o Uruguai e Argentina</em>”. Na imagem, duas placas dessas empresas: uma do túmulo da família Cicco, outra do jazigo de Francisquinha e Ernesto Fonseca (ambos no Cemitério do Alecrim).</p>
<p><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/cons02.jpg" border="0" alt="" width="370" height="335" align="right" />Durante a escolha e identificação das fotos contei com a ajuda, via MSN, de Wilson. E foi também com ele que fiz um passeio, de aproximadamente quatro horas, pelo Cemitério da Consolação, em maio de 2006. À época, <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/sajun06.htm" target="_blank">falei a respeito em um texto aqui no blog</a> (<em>Uma semana e dois pastel</em>). A partir da capela, começando o passeio tomando à direita (estando de frente para a capela), chama a atenção uma escultura, em tamanho natural, de uma mulher desolada. Ela não está em nenhum túmulo. Um pouco mais adiante está o túmulo de <strong>Domitila de Castro Canto e Mello, a Marquesa de Santos</strong>, doadora das terras do cemitério. A marquesa faleceu em novembro de 1867, nove anos após a inauguração da primeira necrópole de São Paulo. Em seu túmulo, impecavelmente limpo e bem cuidado, um aviso: <em>Proibido acender velas e depositar objetos</em>. Logo acima, duas plaquinhas com agradecimentos por graças alcançadas.</p>
<p>A limpeza e a conservação do Cemitério da Consolação são dois pontos impressionantes. A organização também. Há visitas monitoradas durantes as quais são mostrados os túmulos de personalidades famosas e as muitas obras de arte espalhadas pelo local. Dentre os escultores mais conhecidos, há obras de <strong>Bruno Giorgi</strong>, <strong>Enrico Bianchi</strong>, <strong>Celso Antônio de Menezes</strong>, <strong>Luigi Brizzolara</strong> e <strong>Nicolina Vaz de Assis</strong>. Veremos algumas aqui, começando pelo mais famoso de todos, <strong>Victor Brecheret</strong>, responsável por um dos cartões-postais mais conhecidos de São Paulo: o Monumento às Bandeiras. No túmulo da <strong>família Botti</strong>, há <em><strong>O Grande Anjo</strong></em>, escultura em bronze sobre base de granito. No túmulo de <strong>Olívia Guedes Penteado</strong>, amiga de vários modernistas, está a escultura <em><strong>O sepultamento</strong></em>. Além de Maria e Jesus, há ainda quatro mulheres. Três representam figuras bíblicas; a quarta, dizem, seria uma referência a Olívia, que foi esposa de <strong>Inácio Leite Penteado</strong>, tio de <strong>Yolanda Penteado</strong>, outra grande incentivadora das artes. Yolanda foi casada com <strong>Francisco Matarazzo Sobrinho, o Ciccillo</strong>. Os dois foram responsáveis pela primeira Bienal de São Paulo, em 1951. Quem assistiu a minissérie <em>Um só Coração</em> (2004), na Globo, deve lembrar do casal, que foi interpretado por <strong>Ana Paula Arósio</strong> e <strong>Edson Celulari</strong>.</p>
<p style="text-align: center;"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/consbrec.jpg" border="0" alt="" width="600" height="270" /></p>
<p>Na sequência abaixo: 1) Escultura de <strong>Antelo del Debbio</strong> no túmulo da <strong>família João Saad</strong>. Essa figura me chamou atenção por vários motivos. Foi a primeira com a qual me deparei que carrega algum erotismo. A mulher seminua se lamenta e traz na mão esquerda, na altura do sexo, uma coroa. É um ponto muito interessante. A coroa representa vitória e está na altura do ventre, onde se gera a vida. Lembra muito o arcano <em>A Força</em> do Tarot. Minha leitura foi de que a morte seria vencida por um novo nascimento. 2) Ao centro, no túmulo da <strong>família Miguel Chedid Jafet</strong>, escultura de uma figura feminina com um manto sugerindo asas. 3) No túmulo da <strong>família Lucio</strong>, figura feminina diante de uma pira.</p>
<p style="text-align: center;"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/cons03.jpg" border="0" alt="" width="600" height="386" /></p>
<p>Se uma escultura bem feita representando um personagem já impressiona, imagine um conjunto com várias como o que está no túmulo do empresário <strong>Demetrio Calfat</strong>. De um lado, a família; do outro, o trabalho; ao centro, a figura de um operário; por trás e acima de todos, um anjo. A obra é de <strong>Antelo del Debbio</strong>. Mais abaixo (não aparece nessa foto), há também uma efígie de Calfat. Na foto seguinte (a do meio), uma gigantesca e extremamente expressiva escultura do italiano <strong>Nicolla Rollo</strong>, no túmulo de seu compatriota, o <strong>maestro Luigi Chiafarelli</strong>. Perceba que a figura está em uma posição que faz lembrar uma interrogação. Trata-se de uma figura feminina, nua. Ao lado das mãos, pendiam tranças, que foram quebradas e roubadas. No túmulo, bem em frente à escultura, uma lira (<span style="color: #cf070f;"><strong><span style="color: #000000;">confira o álbum do cemitério da Consolação, no</span> <a href="http://www.flickr.com/photos/artetumular" target="_blank">Flickr Arte Tumular</a></strong></span>). Encerrando essa seqüência, <em><strong>Caminhando sobre o túmulo</strong></em>, também conhecida como <em><strong>Nostalgia</strong></em>, escultura de 1927, do maranhense <strong>Celso Antônio de Menezes</strong>. Aproveito para alertar sobre informações perdidas, não só na Internet mas também em outras fontes aparentemente confiáveis, que podem conter erros. Em uma matéria na <em>Veja SP</em>, foi dito que essa escultura estava no túmulo da Marquesa de Santos, o que não é verdade.</p>
<p style="text-align: center;"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/cons04.jpg" border="0" alt="" width="600" height="338" /></p>
<p>Como já deu para perceber, algumas esculturas encontradas no Cemitério da Consolação apresentam teor erótico. Em minha opinião, duas delas, ambas do escultor <strong>Francisco Leopoldo e Silva</strong>, são os principais e mais impressionantes exemplos dessa vertente de arte tumular. <em><strong>Solitudo</strong></em> (abaixo, à esquerda) é de 1922. Trata-se de uma figura feminina em aparente êxtase sensual. Esculpida em granito, tem detalhes que só podem ser devidamente apreciados <em>in loco</em>. O que na foto parecem ranhuras são detalhes de um véu translúcido. É algo de extrema delicadeza. Creio que também já se percebeu que estou me limitando a apresentar algumas esculturas, informando os nomes dos autores e os túmulos onde se encontram. Porém, não é difícil imaginar as muitas histórias por trás de cada uma dessas obras, dos artistas responsáveis por elas, dos homenageados, etc. E isso porque, à exceção da Marquesa de Santos, nem mostrei o túmulo de ninguém conhecido. Mas a próxima obra reúne tudo isso: riqueza artística, histórias fascinantes e personagens famosos. <em><strong>A interrogação</strong></em>, como é conhecida, está no túmulo de <strong>Moacyr Piza</strong>. Para quem não sabe, Moacyr Piza foi um jovem advogado e escritor que viveu um intenso e trágico romance com <strong>Nenê Romano</strong>, uma linda cortesã de luxo. Isso aconteceu no início da década de 1920. A história, que até já virou filme (<em>Desatino</em>, curta de Dimas Oliveira Junior, lançado em 2008), termina com Piza matando Nenê com quatro tiros e se suicidando em seguida. A interrogação, encomendada sabe-se lá por quem, está ali, há muitas décadas, se perguntando como o amor a uma mulher pode transformar um homem em assassino.</p>
<p style="text-align: center;"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/cons05.jpg" border="0" alt="" width="600" height="256" /></p>
<p>Na próxima sequência, túmulos de algumas personalidades famosas: <strong>Afonso Arinos</strong>, <strong>Líbero Badaró</strong>, <strong>Mário de Andrade</strong>, <strong>Monteiro Lobato</strong> e o presidente<strong> Campos Sales</strong>, este último com esculturas de <strong>Rodolfo Bernadelli</strong>.</p>
<p style="text-align: center;"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/cons06.jpg" border="0" alt="" width="600" height="267" /></p>
<p style="text-align: center;"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/cons07.jpg" border="0" alt="" width="600" height="225" /></p>
<p>Para finalizar, dois mausoléus que são verdadeiros palacetes: o da <strong>família Sinisclachi</strong>, réplica miniaturizada de uma catedral gótica, em mármore de Carrara, datado de 1913, com 12,5 metros de altura, construído pela <strong>Marmoraria J. Savoia</strong>; e o da <strong>família Matarazzo</strong>, que dispensa qualquer comentário.</p>
<p style="text-align: center;"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/cons08.jpg" border="0" alt="" width="600" height="400" /></p>
<p>No <a href="http://www.flickr.com/photos/artetumular" target="_blank"><strong>Flickr Arte Tumular</strong></a>, tudo isso e muito mais, em tamanho maior e com detalhes.</p>
<p><img usemap="#Map3" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback3.jpg" border="0" alt="" height="25" /></p>
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		<title>Passeios por cemitérios II – São João Batista</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Apr 2009 22:35:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte tumular]]></category>
		<category><![CDATA[Cemitérios]]></category>
		<category><![CDATA[Estatuária]]></category>
		<category><![CDATA[Fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[Ao selecionar as fotos que usaria para ilustrar este texto, fiquei em dúvida sobre qual utilizar para abri-lo. Por vários motivos, acabei escolhendo esta que mostra, em primeiro plano, o túmulo de Ary Barroso. Mais que meramente ilustrativa, ela nos &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/04/02/passeios-por-cemiterios-ii-sao-joao-batista/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/tumary.jpg" border="0" width="600" height="385" /></p>
<p align="justify">Ao selecionar as fotos que usaria para ilustrar este texto, fiquei em dúvida sobre qual utilizar para abri-lo. Por vários motivos, acabei escolhendo esta que mostra, em primeiro plano, o <strong>túmulo de Ary Barroso</strong>. Mais que meramente ilustrativa, ela nos leva a muitas considerações que podem não ser percebidas de imediato.</p>
<p align="justify">Vemos nela uma pequena área do <strong>Cemitério São João Batista</strong>, que fica no bairro de Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro. Vê as construções no meio da mata do Morro São João ao fundo? Elas foram faladas em uma matéria veiculada na semana passada pelo <em>RJ TV </em>e também pelo <em>Jornal Nacional</em>. A reportagem falava do crescimento e unificação de favelas, dentre elas a da Ladeira dos Tabajaras, em Copacabana, e a do Morro São João, em Botafogo.</p>
<p align="justify">Para quem não conhece o Rio, uma rápida explicação. A Zona Sul é onde ficam os bairros ricos da cidade: Copacabana, Leblon, Ipanema, Botafogo, etc. No entanto, a geografia extremamente acidentada, que faz a cidade ser tão linda quando vista de cima, não separa ricos e pobres. Criadas nos morros, as favelas cercam os bairros da Zona Sul.  O pequeno e mundialmente conhecido bairro de Copacabana, por exemplo, é ladeado por quatro grandes favelas. São apenas cinco quarteirões do Copacabana Palace a uma delas. O bairro faz fronteira com Botafogo. Favelas de um e de outro estão se encontrando e se transformando em uma só.</p>
<p align="justify">Pois bem, a matéria na TV Globo dizia que “<em>para a prefeitura, <strong>a favela </strong>na parte de cima do cemitério nem existe oficialmente” e que “<strong>só teria sido descoberta há um ano</strong></em>”. A foto que abre este texto foi feita em <strong>dezembro de 2003</strong>. Mas já existiam casas ali desde meados dos anos 1980. Hoje, a mata que se vê na foto quase não existe.</p>
<p align="justify">Outro ponto interessante. O paredão que separa o morro do cemitério é onde estão as gavetas, locais que comportam apenas um caixão. “Descendo” o paredão, chegando ao “asfalto” do cemitério, os túmulos são normais, maiores e mais espaçosos, tanto mais quanto as posses de seus donos. Do centro para a porta do cemitério, fica a maior parte dos mais ricos. A necrópole repete o padrão da cidade onde está encravada. Na periferia e subindo o morro, os mais pobres; do centro para a praia, os mais abastados. Pode parecer exagero, mas assim como as da foto, boa parte das estátuas do São João Batista, independente da posição do túmulo, está voltada para a entrada do cemitério e de costas para o morro. Assim como o Cristo Redentor está de frente para a Zona Sul e de costas para a Zona Norte.</p>
<p align="justify">Finalmente chegando ao foco principal deste texto, aproveito a imagem desse monumento a Ary Barroso para explicar alguns pontos básicos referentes à estatuária e à arte tumular. Quando se fala em “<strong><em>estátua</em></strong>”, está se falando de uma representação de corpo inteiro. “<strong><em>Busto</em></strong>” se refere à cabeça e parte do tronco. “<strong><em>Efígie</em></strong>” é uma figura em alto relevo, aparece com freqüência, mas não necessariamente, em medalhões. No túmulo de Ary Barroso, vemos um busto seu acompanhado da estátua de uma mulher entristecida com um pandeiro mudo próximo a sua mão. No canto, aos pés da estátua, folhas em bronze com nomes de músicas do compositor. Uma bela homenagem e um lindo exemplo de arte tumular, que se completa com a construção em mármore do próprio túmulo.</p>
<p align="justify">E agora, eu os convido a passear comigo e apreciar um pouco desse grande museu que é o Cemitério São João Batista.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/tumlima.jpg" align="right" border="0" width="308" height="225" />Quando estive por lá, em 2003, estava procurando o túmulo de <strong>Lima Barreto</strong>. Ninguém sabia dizer onde ficava. No São João Batista há passeios organizados com historiadores e, como em todo cemitério desse tipo, os funcionários e biscateiros que vivem dos serviços de limpeza prestados a particulares também costumam saber onde ficam as sepulturas dos famosos. Pois o pobre Lima Barreto ninguém sabia onde estava. Nem sabiam quem era ele. Precisei recorrer aos livros da administração para descobrir a localização de sua última morada e – surpresa! – lá estava ela próximo a uma saída, nos fundos do cemitério, próximo a uma das pontas do paredão dos simples. Até existe uma efígie e seu nome está sobre a tampa, mas o escritor, que sempre foi pobre, descansa em uma tumba simples, como foi tudo em sua vida.</p>
<p align="justify">Durante as duas horas que perambulei entre os jazigos, além de pegar o chamado “<strong>bronze de cemitério</strong>” (só no rosto e nos braços), aproveitei para registrar os túmulos de personalidades famosas como <strong>Cazuza</strong>, <strong>Vicente Celestino</strong>, <strong>Nelson Rodrigues</strong> e <strong>Carmen Miranda</strong>, além dos já citados Ary Barroso, Augusto Severo e Alberto Maranhão (este dois últimos em <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/03/30/turismo-historico-cultural-e-tres-velhos-bigodudos/">texto anterior</a>).</p>
<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/tucazuza.jpg" border="0" width="450" height="338" /></p>
<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/celenrod.jpg" border="0" width="510" height="333" /></p>
<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/tucarmen.jpg" border="0" width="450" height="374" /></p>
<p align="justify">O surgimento e desenvolvimento do Cemitério São João Batista coincide com a época áurea do Rio de Janeiro como centro cultural e político do país. <strong>Criado em 1851</strong>, portanto quase quatro décadas antes da proclamação da República, o local abriga túmulos de figuras ricas e importantes da sociedade carioca, mesmo que não tão populares como os já mostrados. Os nomes podem não ser tão conhecidos, mas o luxo na construção dos mausoléus e das homenagens não deixa dúvidas sobre a condição financeira ou da importância dos falecidos. Vejamos alguns exemplos, como os mausoléus das famílias <strong>Pinto</strong>, <strong>Zanotta</strong>, <strong>Miguel Hernandez Martin</strong>, <strong>Álvaro da Costa Martins</strong> e de <strong>Clarisse Lage Índio do Brazil</strong>.</p>
<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/tumsjb1.jpg" border="0" width="510" height="333" /></p>
<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/tumsjb2.jpg" border="0" width="450" height="383" /></p>
<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/tumsjb3.jpg" border="0" width="510" height="333" /></p>
<p align="justify">Outras homenagens que chamam atenção no São João Batista são aquelas feitas a aviadores. Desde os pioneiros <strong>Augusto Severo </strong>(morto em Paris quando seu balão dirigível, o <em>Pax</em>, incendiou, em 1902) e <strong>Santos Dumont</strong> (um pedra com uma representação de Ícaro sobre ela) até os pilotos militares mortos durante a Segunda Guerra (com obras da escultora Celita Vaccani).</p>
<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/tudumont.jpg" border="0" width="560" height="541" /></p>
<p align="justify">Mostro também dois mausoléus muito interessantes: <strong>um palacete dedicado “<em>A minha Lili</em>” </strong>e outro em homenagem aos <strong>estudantes Guimarães e Junqueira</strong>, mortos em um desentendimento entre universitários e a força policial. O episódio, que completará 100 em setembro próximo, ficou conhecido como <strong>Primavera de Sangue</strong>.</p>
<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/tumsjb4.jpg" border="0" width="600" height="400" /></p>
<p align="justify">Finalizando esse rápido passeio, deixo ainda outras imagens de belas esculturas, algumas fundidas em bronze, outras esculpidas em mármore (tenho certeza, todos saberão diferenciar).</p>
<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/tumsjb5.jpg" border="0" width="600" height="400" /></p>
<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/tumsjb6.jpg" border="0" width="600" height="400" /></p>
<p align="justify"><strong>Veja 38 fotos do Cemitério São João Batista no <a href="http://www.flickr.com/photos/artetumular" target="_blank">Flickr Arte Tumular</a>.</strong></p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback3.jpg" usemap="#Map3" border="0" height="25" /></center></p>
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		<title>Passeios por cemitérios I</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Apr 2009 12:56:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte tumular]]></category>
		<category><![CDATA[Cemitérios]]></category>
		<category><![CDATA[Estatuária]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
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		<description><![CDATA[Minhas primeiras lembranças relacionadas a cemitérios são dos anos 1970, do Cemitério do Caju, no Rio. Existe ali um jazigo da família. Mesmo ainda muito pequeno, o local me fascinava. Silencioso, repleto de esculturas, tudo aparentemente muito organizado. A partir &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/04/01/passeios-por-cemiterios-i/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/anjoceu.jpg" border="0" alt="" width="600" height="250" /></p>
<p>Minhas primeiras lembranças relacionadas a cemitérios são dos anos 1970, do Cemitério do Caju, no Rio. Existe ali um jazigo da família. Mesmo ainda muito pequeno, o local me fascinava. Silencioso, repleto de esculturas, tudo aparentemente muito organizado.</p>
<p>A partir de 1986, passando a morar em Natal, longe dos familiares – vivos ou mortos – perdi o “hábito” de visitar cemitérios. No entanto, alguns anos depois, isso se tornaria quase uma rotina. Já visitei e fotografei cemitérios em São Paulo, Rio de Janeiro, Londrina, Belo Horizonte, Natal, Mossoró e muitas outras cidades. No início, o objetivo era registrar “o ponto final” da história de alguns personagens sobre os quais estava escrevendo ou tinha algum interesse. Logo fui percebendo como os cemitérios eram não só guardiões desses últimos capítulos, mas de histórias inteiras: das pessoas ali sepultadas, mantidas na lembrança pela tradição oral; suas próprias histórias como cidades mortuárias; histórias das cidades onde estão encravados; história da arte; etc.</p>
<p>Arrisco-me a dizer que jamais visitei um museu – mesmo os imperiais em Rio e São Paulo – tão ricos quanto os cemitérios da Consolação (SP) ou o São João Batista (RJ).</p>
<p><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/yvecicco.jpg" border="0" alt="" width="208" height="343" align="right" />Mas vou começar falando de um mais modesto: o do Alecrim, em Natal (RN). Fundado em meados do século XIX, é guardião dos restos mortais de destacadas personalidades da vida cultural, política e religiosa do Rio Grande do Norte. Ali foram sepultados, originalmente ou depois trasladados, Auta de Souza, Câmara Cascudo, Pedro Velho, Dinarte Mariz, Djalma Maranhão e Padre João Maria, dentre outros.</p>
<p>Por conta das pesquisas sobre busto e estátuas de Natal, recentemente fiz algumas visitas ao Cemitério do Alecrim. Não existe nenhum busto nele. Há apenas quatro efígies (sendo duas no mesmo túmulo) e apenas uma estátua que represente uma pessoa. Há várias representando Jesus, anjos, santos e figuras mitológicas, como Mercúrio, mas somente uma representando alguém ali sepultado. Trata-se de homenagem a <strong>Yvette Simões Cicco</strong>, falecida em 1937, aos 25 anos. Era filha de Januário Cicco, renomado médico que fundou os primeiros hospitais de grande porte em Natal. No mausoléu da família Cicco, encontram-se duas estátuas: uma, de pé, representando Yvette; outra, a seus pés, com olhar de tristeza. Dizem que esta seria a mãe da jovem e esposa de Januário Cicco, mas é quase certo que seja uma representação da Melancolia ou da Saudade, muito comum naquela época. Encontramos várias dessas nos cemitérios de Rio e São Paulo. A propósito, as estátuas e o mausoléu foram feitos em São Paulo. Outro ponto interessante nessa história é que, na área externa do mausoléu, em frente às estátuas, foram deixados os móveis e outros objetos de uso pessoal da jovem falecida. Um tempo depois, tudo foi retirado do local.</p>
<p><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/pejmaria.jpg" border="0" alt="" width="188" height="297" align="left" />Provavelmente o túmulo mais visitado do Cemitério do Alecrim seja o do <strong>Padre João Maria</strong>. Falecido em outubro de 1905, formou-se todo um culto popular em torno de seu nome. Até hoje, mais de 100 anos depois, as visitas ao túmulo que fica próxima à entrada principal são constantes. Há um pequeno altar com imagens de santos e ex-votos, além de uma eterna e imensa mancha negra, ao lado, provocada pela queima de velas. O mais interessante é que os restos mortais do Padre João Maria foram trasladados para a Igreja de Nossa Senhora de Lourdes (no bairro de Areia Preta) há quase 30 anos. E nem de longe o “novo” local tem tanta visitação. Outra curiosidade: a praça ao lado da igreja leva o nome do padre e tinha um busto, de concreto, em sua homenagem. Depredada, os restos da homenagem foram guardados na igreja. Mais: no centro da cidade, atrás da Igreja Matriz, há outra praça com o nome de Padre João Maria. E outro busto, em bronze, colocado sobre um obelisco. É outro grande ponto de manifestações de devoção de populares.</p>
<p>O Cemitério do Alecrim guarda ainda muitas histórias como os túmulos gêmeos de três jovens pilotos ingleses, abatidos em abril de 1944, que foram resgatados e ali sepultados. Também mostrando que a crueldade contra crianças não é uma novidade, há o túmulo de um menino assassinado por suas babás antes de completar 3 anos de idade, em 1948. Além da foto da criança, uma placa faz lembrar o caso: <em>Morto envenenado pelas perversas criminosas</em> (&#8230;).</p>
<p>No próximo texto, um passeio pelos cemitérios da Consolação (SP) e São João Batista (RJ). Homenagens a figuras famosas, grandes obras arquitetônicas e de escultura.</p>
<p><img usemap="#Map3" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback3.jpg" border="0" alt="" height="25" /></p>
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		<title>Turismo histórico-cultural e três velhos bigodudos</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/03/30/turismo-historico-cultural-e-tres-velhos-bigodudos/</link>
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		<pubDate>Mon, 30 Mar 2009 16:05:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte tumular]]></category>
		<category><![CDATA[Estatuária]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Viagem]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando se planeja viajar ao Nordeste do Brasil, geralmente os pensamentos se voltam para sol, praia, calor e alguma música estúpida. Aos amigos que passam por Natal , sempre preferi mostrar um aspecto diferente da cidade. Enquanto os guias e &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/03/30/turismo-historico-cultural-e-tres-velhos-bigodudos/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/tammusa.jpg" width="600" border="0" height="300" /></p>
<p align="justify">Quando se planeja viajar ao Nordeste do Brasil, geralmente os pensamentos se voltam para sol, praia, calor e alguma música estúpida. Aos amigos que passam por <strong>Natal </strong>, sempre preferi mostrar um aspecto diferente da cidade. Enquanto os guias e outros conhecidos os ajudam a saciar seus desejos mundanos de turista, costumo lhes dar uma oportunidade de realmente conhecer a cidade.</p>
<p align="justify">A extensão desses passeios depende do interesse e da disposição de cada um, mas invariavelmente as pessoas se surpreendem com o que teriam perdido se ficassem só lagartixando sob o sol ou matando neurônios ao som do axé.</p>
<p align="justify">Há poucos dias, pude fazer um desses passeios com <strong>Edvaldo</strong>, antigo amigo de família. Pernambucano de Recife (indubitavelmente uma cidade que sempre se preocupou com sua cultura), interessou-se pela proposta. A pé, percorremos os bairros das <strong>Rocas</strong>, <strong>Ribeira</strong>, <strong>Cidade Alta</strong> e <strong>Alecrim</strong>, os mais antigos e populares da cidade, dos quais os turistas normalmente nem ouvem falar.</p>
<p align="justify">Enquanto caminhávamos, comecei a falar do trabalho sobre <strong>bustos e estátuas</strong> que estou fazendo. Sempre que encontrávamos algum pelo caminho, eu dizia quem era, falava sobre a pessoa, dos motivos da homenagem e da localização do monumento, etc. Isso se estendia para a história do local, levava a algum prédio, praça ou outro monumento e assim sucessivamente. Em determinado instante, ele demonstrou surpresa por eu “<em>saber aquilo tudo</em>”. Primeiro, não sei tanta coisa assim. Segundo, eu <strong>nem sabia que sabia aquilo</strong>.</p>
<p align="justify">Sua observação me fez perceber como <strong>é fascinante conhecer o mundo que nos cerca</strong>. Em vez de simplesmente ir de um lugar a outro apressadamente, sem apreciar as coisas ao redor, seria interessante conhecer os nomes das ruas, quem foi a pessoa que dá nome àquela via, quem é aquele representado na estátua no meio da praça, o que ele fez, qual sua importância, porque a praça leva tal nome, etc. Quando se faz isso, você passa a conhecer toda a História de um determinado local. Não é uma <em>decoreba</em> como costumam fazer nas escolas. <strong>Você realmente aprende porque passa a viver e entender tudo aquilo.</strong> Você passa a fazer parte da história e, mesmo sem querer, aprende a mantê-la viva. Mais: conhecendo o local em que vive (ou que está visitando), você se sente mais íntimo dele, se sente mais à vontade, mais seguro. Da mesma forma que cada um se sente em sua própria casa.</p>
<p align="justify">O mais interessante é que esse processo não tem fim. <strong>Sempre haverá algo a aprender</strong>, alguma coisa a ser descoberta, muitas surpresas a serem reveladas.</p>
<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/3irmaos.jpg" border="0" /></p>
<p align="justify">Há mais ou menos um mês, escutei o seguinte de um popular, em uma pracinha no bairro das Quintas, em Natal: “<em>Em vez de botar esse monte de velhos bigodudos, a prefeitura deveria iluminar, ajardinar, fazer áreas de lazer nas praças</em>”. Certíssima a opinião do cidadão. A prefeitura tem mesmo que fazer tudo isso. Mas o que mais me chamou atenção foi a referência aos “<strong><em>velhos bigodudos</em></strong>”. Em geral, as pessoas não sabem quem são essas figuras homenageadas com bustos e estátuas em praça pública. Essa falta de conhecimento histórico alimenta a distância (entre o povo e as figuras ilustres) e acaba gerando antipatia.</p>
<p align="justify">O bigodão era comum no século XIX, início do século XX. Homenagens com bustos e estátuas também era comuns até metade do século passado, portanto nada mais natural que existam muitos bigodudos espalhados por nossas praças. Mas há em Natal alguns bigodudos que sempre chamaram minha atenção: <strong>Pedro Velho</strong>, <strong>Alberto Maranhão</strong> e <strong>Augusto Severo</strong>. Mesmo em minha paquidérmica ignorância, saberia dizer algo sobre cada um deles. Pedro Velho foi o primeiro governador do Rio Grande do Norte e também senador. Alberto Maranhão também foi governador, construiu o Teatro Carlos Gomes, que depois teria seu nome. Augusto Severo foi pioneiro da aviação e morreu em um acidente com um dirigível que pegou fogo. Muito bem. Nada mal para um carioca ignorante como eu, que até poderia dizer mais uma ou duas coisas sobre cada um deles. O que eu não sabia, até pouco tempo, é que os três eram irmãos. Bem que eu achava aqueles bigodudos muito parecidos&#8230;</p>
<p align="justify">Pedro Velho de Albuquerque Maranhão, o primogênito (eram seis irmãos ao todo), foi abolicionista, primeiro governador do Rio Grande do Norte, e é tido como o organizador na política no estado. Isso faz parte da <em>decoreba </em>que, acredito, devem ensinar nas escolas potiguares. Mas quando você se interessa em saber um pouco mais sobre aquele bigodudo que tem um busto na Praça Cívica (Praça Cívica Pedro Velho, no bairro de Petrópolis), vai saber de sua importância como republicano, que ele fundou o Partido Republicano no Rio Grande do Norte, lançou um jornal chamado <em>A República</em> e que, ainda no sistema confuso, logo após a proclamação da República, assumiu como governador. Que nesse cargo, durante os dois anos seguintes, passariam outras 12 pessoas, até que em fevereiro de 1892, ele fosse eleito pelo Congresso Legislativo Estadual e, só então, teríamos uma organização muito próxima da que temos ainda hoje.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/3irmaos2.jpg" width="258" align="right" border="0" height="373" />Alguns anos depois, veremos seu irmão, Alberto Maranhão, assumindo o governo pela primeira vez, em março de 1900. De grande importância para as artes e a cultura, pouco antes de terminar seu primeiro mandato, em 1904, inaugura o Teatro Carlos Gomes. Em 1902, bem no meio de seu primeiro mandato, acontece na França um acidente com o balão dirigível <em>Pax</em>, no qual morre Augusto Severo. Em 1913, durante o segundo mandato de Alberto Maranhão, é inaugurada uma estátua em homenagem a seu irmão aeronauta próximo ao Teatro Carlos Gomes. Em 1957, o teatro passaria a se chamar Alberto Maranhão. Hoje, muitos anos depois, essas e muitas outras histórias podem ser relembradas em um simples passeio pelo bairro da Ribeira, onde também ficava o antigo Palácio do Governo (hoje uma escola de balé), que teria a sede mudada por Alberto Maranhão para a Cidade Alta&#8230; onde centenas de outras histórias podem ser contadas em mais um passeio. Isso parece não ter fim.</p>
<p align="justify">Perceba que estamos falando de <strong>apenas três pessoas de uma mesma geração de uma única família</strong>. Suas histórias pessoais ajudam a explicar a História da cidade e também do país, quando falamos de temas como a abolição da escravatura, a proclamação da república e o pioneirismo na aviação, para citarmos somente uns poucos.</p>
<p align="justify">Voltando ao passeio. Da Ribeira, subimos para a Cidade Alta e depois fomos para o Alecrim, para um dos tipos de visitas mais ricos que se pode fazer a qualquer cidade: uma ida ao cemitério. Vou deixar para um próximo texto maiores detalhes sobre essa modalidade de visitação e estudo histórico. Agora vou apenas mostrar algumas curiosidades acerca dos três irmãos bigodudos. Pedro Velho foi o único enterrado em Natal. Ele faleceu em dezembro de 1907, a bordo de um navio, em Recife. No <strong>Cemitério do Alecrim</strong>, há um interessante mausoléu em sua homenagem, construído em 1939. O mausoléu não tem entrada. É como um cofre forte construído ao redor do túmulo. O nome de Pedro Velho e uma placa identificam o monumento.</p>
<p align="justify">Os irmãos Augusto Severo e Alberto Maranhão foram enterrados no<strong> Cemitério São João Batista</strong>, no Rio de Janeiro. Severo, como dito, morreu em Paris. Seu corpo foi levado para o Rio de Janeiro e sepultado no “cemitério dos ricos” da então capital federal. À época, Pedro Velho era senador. Foi feito um monumento, estilo obelisco, com sua efígie, obra do escultor Rodolfo Bernardelli. Alberto Maranhão, falecido em 1944, também foi enterrado no mesmo cemitério e tem um busto em seu túmulo.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/mdantas.jpg" width="368" align="left" border="0" height="187" />No próximo texto, sobre bustos, estátuas e arte tumular, pretendo mostrar como aprender algo de nossa cultura e de nossa História em passeios por cemitérios. Sem falar na riqueza artística. São <strong>grandes museus a céu aberto </strong>nos quais, talvez pela pouca ação do bicho homem, se consegue preservar melhor diversos monumentos. Mais preocupados em roubar o bronze dos crucifixos e argolas dos túmulos, os ladrões deixam em paz as esculturas, a arquitetura e, consequentemente, a História. São menos nocivos que alguns responsáveis por bens públicos, “artistas” sem talento e alunos mal educados. <strong>Manoel Dantas </strong>que o diga. O busto em sua homenagem em uma escola, que também leva seu nome, no bairro do Tirol (Natal &#8211; RN) transformou-se em insulto à memória do jornalista. Já a efígie em seu túmulo, no Cemitério do Alecrim, resiste bravamente há 65 anos.</p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback3.jpg" usemap="#Map3" border="0" height="25" /></center></p>
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