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	<title>Sempre Algo a Dizer &#187; Anos 80</title>
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		<title>De como Sandrinho virou Lobão</title>
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		<pubDate>Sun, 24 Apr 2011 16:58:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Anos 80]]></category>
		<category><![CDATA[Biografia]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[Desde o fim do ano passado, estava evitando ler biografias. No processo de escrever a de Appe, entrei numas de não me deixar influenciar por estilos de narrativa. Além disso, não queria arriscar me apaixonar pela vida de outro alguém &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2011/04/24/de-como-sandrinho-virou-lobao/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/04/lobao_01_livro.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-954" style="border: 0pt none; margin: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/04/lobao_01_livro.jpg" alt="" width="228" height="321" /></a>Desde o fim do ano passado, estava evitando ler biografias. No processo de escrever a de <a href="http://www.memoriaviva.com.br/appe" target="_blank">Appe</a>, entrei numas de não me deixar influenciar por estilos de narrativa. Além disso, não queria arriscar me apaixonar pela vida de outro alguém neste momento.  Evitava até comprar biografias e, quando o fiz, consegui não ler. Mas aí chega Dona Luciana Ubarana com <em>Lobão – 50 Anos a Mil</em> e imediatamente pensei: “<em>Fudeu!</em>”</p>
<p style="text-align: justify;">Ah! Para quem não me conhece de longas datas, prazer, eu sou Lobão. Explico. O ano é 1987 e estou no pré-vestibular do Salesiano, em Natal. Carlos “Cristão”, professor de Química, tinha a mania de soltar um “<em>Voooooooooo&#8230;</em>” olhando para um lado da turma e apontando para outra para finalizar “<em>&#8230;CÊ!</em>”. Virava, descobria para quem estava apontando e dizia o nome da vítima. Numa dessas vezes, eu fui a vítima. Usava um corte de cabelo batido na base e um franjão que cobria os olhos. Fazia de tudo para que ninguém me notasse (usando um corte desses na Natal de 87? Tá!). Havia chegado à cidade no ano anterior e como todo estranho, sofria <em>bullying </em>(só disse isso porque está super na moda ter sofrido <em>bullying</em>). Pois bem. Carlos mandou um “vooooooCÊ”, virou para mim, olhou para meu cabelo e completou: “<em>Você, Lobão.</em>” Pronto. O apelido pegou de imediato. Virei Lobão.</p>
<p style="text-align: justify;">Voltemos ao outro Lobão. Chegou a Semana Santa, peguei o livro e não desgrudei antes de ler duzentas páginas. Estava lendo os bastidores de uma história que vi e que, em alguns momentos, cruzou com a minha. O corte de cabelo e o apelido Lobão, em 87, não vieram do nada. No verão 86-87, aos 14 anos de idade, eu havia feito minha primeira entrevista. Adivinhe com quem. Pois é. Eu, Fabinho, Marcelo Jucá e Gustavo Lamartine – “<em>uma turminha da pesada que adorava aprontar mil aventuras</em>” – resolvemos aproveitar a passagem de Lobão por Natal e ir até o hotel onde ele estava, na Via Costeira, tentar falar com ele. Eu, tendo um <em>insight</em> do que faria muitas e muitas vezes no futuro, desmontei as caixas do meu <em>stereo</em> portátil, descolei um microfone, uma fita TDK e fui pronto para registrar aquela parada. Levei também a Olympus Trip do meu pai.</p>
<p style="text-align: justify;">Chegamos na cara dura e nos apresentamos. O recepcionista pediu que esperássemos. Voltou dizendo que Lobão estava na piscina e que podíamos ir até lá. Meio sem graça, chegamos até a área externa e ficamos procurando. De repente, de uma espreguiçadeira, Lobão se vira e acena. Fomos até lá e começamos a conversar. Eu, já todo jornalista, gravando tudo. O que ele estava achando de Natal, como era o novo show, se o rock errou mesmo e aquelas coisas de moleque se achando gente. Gustavo, o tempo de boca aberta, queixo apoiado na mão, sem falar nada. Quando resolvemos despertá-lo do transe, disse apenas o seguinte: “<em>E o Herbert?</em>” Pronto. Lobão danou a baixar o pau no Herbert Vianna e o resto do papo foi só aquilo. Uma hora de blá-blá-blá, acabou a fita, sessão de autógrafos e eu, sempre preparado e com tudo pensado, saquei a <em>Playboy </em>de setembro de 1986, edição em que Daniele Daumerie (que foi esposa de Lobão) aparecia. Levemente constrangido, ele autografou na página dupla que abria o ensaio. Muito simpático, foi nos deixar na entrada do hotel (talvez para ter certeza de que aquela molecada iria mesmo embora e deixá-lo em paz). Lembrei da Olympus. Fiz uma foto dos meninos com ele e pedi que fizessem uma dele comigo. Eu, na época um <em>boy</em> com um metro e sessenta e pouco, ao lado daquele gigante de quase dois metros. Saí com uma cara de “<em>peraí!</em>”, segurando o trambolho do gravador e a revista.</p>
<p style="text-align: justify;">Daquele show do Lobão, lembro bem dele abraçado a uma garrafa de uísque que foi esvaziada durante a apresentação. Era a turnê de <em>O Rock Errou</em>. Estava em meu primeiro verão em Natal. Os verões dos anos 80 na cidade eram repletos de shows de BRock: Titãs, Ultraje, Paralamas, Kid Abelha, Biquiní Cavadão&#8230; Eu tinha ido ao primeiro show da minha vida alguns meses antes, no Palácio dos Esportes: Cazuza.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/04/lobao_02_ronaldo.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-955" style="border: 0pt none; margin: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/04/lobao_02_ronaldo.jpg" alt="" width="288" height="280" /></a>Acho que foi antes desse encontro que comprei <em>Ronaldo foi pra Guerra</em>, segundo LP de Lobão, assinado por Lobão e os Ronaldos. Comprei em uma loja no Hiper Bom Preço. Acho difícil explicar a quem chegou ao mundo na era pós-LP o significado da compra de um disco e o ritual que era ouvi-lo. Escolher o bolachão, apreciar a capa, olhar o encarte se o disco não fosse lacrado (os discos importados geralmente eram), comprar, desfilar com ele até em casa, se trancar no quarto, tirar do plástico pela primeira vez, limpar com a almofadinha, colocá-lo no 3 em 1, levar a agulha ao vinil, deitar e acompanhar as letras pelo encarte (quando tinha).  Você ouvia e apreciava uma obra completa, um determinado momento do artista. Era uma viagem. E eu viajei muito ouvindo <em>Corações Psicodélicos</em>, <em>Não tô entendendo</em>, <em>Tô à toa Tókio</em>, <em>Abalado </em>(a primeira balada lobônica que ouvi), <em>Os tipos que eu não fui</em>, <em>Bambina</em>&#8230; E aí acontecia uma mágica dos tempos do LP: virar o disco. A primeira música do lado B era <em>Me chama</em>. Para quem viveu aquela época, não é preciso dizer mais nada. <em>Me chama </em>é a música que mostrava que os brutos roqueiros também amam.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>O Rock Errou</em>, comprei depois. Ouvi muito durante o ano de 1987, o mesmo em que virei Lobão. Também foi naquele ano que deixei não só o franjão, mas todo o resto do cabelo crescer. Os padres do Salesiano não me viam com bons olhos. Na verdade, os alunos também não. O pessoal estava acostumado com forró e vaquejada e não aturava muito a atitude <em>rock’n’roll</em> do carioca alienígena. Tô falando: eu sofria <em>bullying</em>. Mas cagava e andava para isso. Pressionado, resolvi cortar o cabelo. Costumava ir ao salão do seu Guedes, o mais tradicional da cidade e até hoje o preferido pelos políticos, alpinistas da área e wannabes reaças em geral. Cheguei com minha vasta cabeleira – também mal vista pelos clientes – e pedi ao Beto, filho do seu Guedes , para cortar: “<em>Raspa dos lados</em>”. Olha&#8230; Para mim, moicano era um troço velho, de punk dos anos 70, mas, para Natal de 1987, era um negócio pesado e impensável. Enquanto o ministro Aluízio Alves aparava suas carapas brancas na cadeira ao lado, Beto ajudava a nascer o primeiro pós-punk de Natal. Não era um moicaninho de boutique desses de hoje, raspadinho do lado e “deixado em cima”; nem essas frescuras pintadas. Era uma senhora e mui respeitável crista que, armada, tinha lá seu palmo de altura (mantive o comprimento grande do resto do cabelo).  Papai ,mamãe, eu não pedi para vocês me tirarem do Rio em plena explosão do rock nacional. Sinto muito. A cidade ia ter que me engolir. Do Guedes, peguei o ônibus direto para o Salesiano. A coisa mais bonita que ouvi no caminho foi “<em>se fosse meu filho, eu dava uma surra pra se ajeitar</em>”. Uma senhora&#8230; uma velha chata pra caralho foi fazendo um discurso no ônibus sobre como a juventude estava perdida, que o mundo ia acabar e que gente assim (como eu) deveria apanhar até se emendar.  Quando o ônibus parou na Ribeira, virei para a velha, dei o maior berro que podia e desci do ônibus. Bob Cuspe iria se orgulhar. O Salesiano parou quando entrei. Os padres quiseram me expulsar. Deviam achar que eu estava com o diabo no corpo. E se estava, não saiu até hoje. O Lobão, o Sandro Lobão, se assumiu ali.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/04/lobao_04_panfleto.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-956" style="border: 0pt none; margin: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/04/lobao_04_panfleto.jpg" alt="" width="208" height="280" /></a>1988, faculdade de jornalismo. Foi nesse ano que Lobão voltou a Natal com a turnê do LP <em>Vida Bandida</em>. Ele já havia sido preso, estava estouradaço e era o capitão dos malucos de verdade. Na noite de 31 de julho, eu estava bem na frente do palco montado no gramado no Estádio Juvenal Lamartine. Como lembro a data? É porque guardo até o hoje o panfleto (este reproduzido aí ao lado). Estava lá, todo aplicadinho de cerveja.  O show tinha o apoio da rádio 96 FM. A propósito, durante anos, infernizei Ênio Sinedino e Germano (respectivamente, diretor geral e de programação da 96) para liberarem aquele <em>Cena de Cinema</em>, primeiro LP do Lobão, que eles tinham por lá e não servia para nada, afinal as músicas eram gravadas em cartucho e, depois, passaram a usar CD. Nunca me deram. O <em>Cena</em>, como Lobão conta no livro, vendeu pouco e foi logo tirado de circulação por conta de uma encrenca sua com a gravadora. Diz que foram vendidos cerca de 6 mil discos. Eu só teria um já nos anos 2000. Comprei na Baratos da Ribeiro, em Copacabana. Novinho. Detalhe: também deve ter sido de alguma rádio, pois tem um carinho de “<em>Invendável – Amostra grátis</em>”. Para mim, não foi. Na mesma leva, ainda vieram para minha coleção <em>O Império dos Sentidos</em> (segundo de Fausto Fawcett, com Silvia Pfeifer na capa) e as trilhas de <em>Amarcord</em>, de Fellini, e <em>Areias Escaldantes</em>, de Francisco de Paula.</p>
<p style="text-align: justify;">Para quem não sabe, <em>Areias</em> é um filme louquíssimo, non sense, feito em 1985. Francisco de Paula (que conheci em 2006 no Festival Internacional de Cinema de Brasília e vez ou outra dá o ar da graça aqui no <em>blog</em>) juntou Regina Casé, Luis Fernando Guimarães, Diogo Vilela e parte da nata do rock brasileiro – Titãs e Lobão, que participam do filme, mais Lulu Santos, Ira, Ultraje a Rigor, Gang 90 &amp; Absurdettes na trilha sonora – para contar uma história louca (coisa de quem cheirava muito) com terroristas e uma polícia de elite na Província de Kali. Vivia passando no <em>CineBrasil</em>, mas eu tenho uma cópia em DVD que me foi dada por Francisco.</p>
<p><center><br />
<iframe title="YouTube video player" width="480" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/SG8dgO2ez5Y" frameborder="0" allowfullscreen></iframe><br />
</center></p>
<p style="text-align: justify;">Em 2001, fiz aquela que por um bom tempo chamei de minha última entrevista. Sim, com Lobão. Achei que seria <em>A</em> entrevista e queria encerrar meus dias de jornalista com ela. Falei com esposa de Lobão por telefone e ela disse que ele responderia as perguntas por e-mail. Não gostei da ideia, mas encarei. Foi um desastre. Lobão sempre viu jornalistas como Dom Quixote via moinhos. Era botar o olho e partir para o ataque. Por <em>e-mail</em>, à mercê de interpretações erradas que não poderiam ser devidamente esclarecidas, acabou não rendendo, mas <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/tafalado/arquivos/lobaovpi.htm" target="_blank">publiquei assim mesmo</a>. Dez anos depois, vejo Lobão muito mais manso, mais acessível e até admitindo que estava sempre armado e pronto a desancar qualquer um. Inclusive eu, que estava super-bundão, em um momento único, mais fã que jornalista, levantando a bola para ele cortar. Cortou e veio bem na minha cara. Tudo bem.</p>
<p style="text-align: justify;">Há poucos dias, Lobão esteve duas vezes em Natal. Na primeira, veio autografar o livro. Tive vontade de ir para que autografasse seus/meus LPs, mas abortei a ideia quando imaginei a garotada Restart cuzona que estaria por lá idolatrando um cara que sempre foi iconoclasta. Na mesma semana, voltou para fazer um show no “teatro do shopping da cidade”. Não consigo imaginar um show de Lobão com gente vestidinha, com cheirinho de perfume e sentada.  Eu ia querer quebrar aquela porra toda, então, resolvi ficar em casa. Era véspera do meu aniversário e eu não ia querer estragar as boas lembranças dos últimos 25 anos: a entrevista no hotel; os shows no Juvenal Lamartine; outro também em Natal, nos anos 90, com quase ninguém; um em Brasília, quando lançou seu disco independente. O velho Lobo, para mim, era o Lobão novo. Este novo Lobão, cinquentão e educadinho, estou curtindo muito nas páginas do livro que serei obrigado a terminar. Ali, ele continua <em>rock’n’roll</em> e me fazendo lembrar coisas da natureza dos lobos, como ir contra tudo e contra todos agarrado à ideia de que está fazendo a coisa certa (por mais que o mundo mostre o contrário), sendo fiel a si mesmo e feliz a todo custo. Só não digo que fazemos parte da mesma matilha porque tanto aquele quanto este lobo é do tipo solitário.</p>
<p style="text-align: justify;">E chega. Vou ali matar o livro e continuar girando o mundo, sempre com a certeza de que “<em>é melhor viver dez anos a mil do que mil anos a dez</em>”.</p>
<p style="text-align: center;">* * * * * * *</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Mais Lobão (o outro) no Tumblr:</strong> <a href="http://sandrofortunato.tumblr.com" target="_blank">http://sandrofortunato.tumblr.com</a></p>

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		<title>Aqueles marços</title>
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		<pubDate>Tue, 30 Mar 2010 22:00:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Anos 80]]></category>
		<category><![CDATA[Anos 90]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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		<category><![CDATA[Há 20 anos...]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[Antes que este também se vá e eu desaprenda de todo a juntar meia dúzia de palavras de forma inteligível, voltemos àqueles de 1989 e 1990. Na quinta, 2 de março de 1989, aconteceu algo que, à época, podia ser &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/03/30/aqueles-marcos/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Antes que este também se vá e eu desaprenda de todo a juntar meia dúzia de palavras de forma inteligível, voltemos àqueles de 1989 e 1990.</p>
<p style="text-align: justify;">Na quinta, 2 de março de 1989, aconteceu algo que, à época, podia ser considerado um grande evento: o lançamento de um comercial da Pepsi estrelado por Madonna. No dia seguinte, no mundo real e do qual eu fazia parte, o curso de jornalismo da UFRN inaugurava seu laboratório de rádio e TV, nos fundos da Biblioteca Zila Mamede. Depois de acanhados comes ali, parte da turma foi para os bebes no Chernobyl (Chernô, para os íntimos) ,o bar dos malucos, que ficava na Ponta do Morcego, na Praia dos Artistas.</p>
<p align="center"><object width="480" height="385"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/h8qtsUaoVak&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/h8qtsUaoVak&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;">Naquele março, pensava em dar continuidade ao jornal <em>Graúna</em>, mas fiquei só na vontade. Também fiz uma descoberta que deixei registrada na agenda, no dia 8: “<em>Como guitarrista, sou um ótimo jornalista</em>”. Agradeça por eu não ter à mão uma foto que me mostra com <em>mullets</em>, sem camisa, com um bermudão vermelho, segurando a guitarra e encostado a uma parede com posters de Stallone e Schwarzenegger. Eu achava que era o Lulu Santos, mas queria mesmo ser um dos dois fortões.</p>
<p style="text-align: justify;">Para o fim de semana, fazia planos de ir à Flash, uma boate que era “<em>o point</em>”, em Natal, no fim dos anos 80. Não registrei se fui, mas assisti alguns filmes em casa: <em>Weekend Warriors</em>, uma comédia idiota; <em>Twice in a lifetime</em>, uma drama com Gene Hackman e Ann-Margret; e <em>Salsa – O filme quente</em>, grande clássico com o ex-Menudo Robby Rosa. Na terça seguinte, 14, tentei me redimir disso assistindo <em>The Corsican Brothers</em>, este, sim, um clássico, de 1941, com Douglas Fairbanks Jr. interpretando irmãos siameses que haviam sido separados e criados em lugares diferentes. Um, vira um cavalheiro; outro, um bandido.</p>
<p style="text-align: justify;">A semana seguinte começaria com uma notícia triste. Na manhã do dia 20 de março, uma segunda-feira, morria a atriz Dina Sfat. Na terça, eu assistia pela milésima vez uma comédia romântica que ainda hoje acho muito bonitinha: <em>Alguém muito especial</em> (<em>Some Kind of Wonderful</em>), do mestre dos filmes adolescentes John Hughes. Ainda que a cada mês dos últimos vinte anos tenham lançado um filme sobre o esquisito que se apaixona pela garota mais popular do colégio e não percebe sua amiga apaixonada sofrendo bem a seu lado, nenhum chegou perto da mestria de Hughes. A abertura (logo abaixo) é uma de minhas preferidas dentre os filmes do gênero. Em três minutos, sem uma única palavra, Hughes apresenta os personagens, a sinopse da história e dá o ritmo do filme.</p>
<p align="center"><object width="480" height="385"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/R1dHOg4-esw&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/R1dHOg4-esw&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;">Em parágrafo único, tomando quase toda a página do dia 23 de março, dava um ultimato a mim mesmo: “<em>Colocar a vida em ordem</em>”.  Nas duas páginas seguintes, fazia uma longa lista do que precisava fazer naqueles dias. A cada dois itens, um se repetia: “<em>Fazer a resenha</em>”. Trauma de nove entre dez universitários, para mim, isso não chegava a ser um problema, mas eu estava em atraso com uma para Sistemas de Comunicação no Brasil II, disciplina do saudoso Rogério Cadengue, um dos grandes e verdadeiros professores que tive, desses que ensinam muito em sala de aula e mais ainda em mesa de bar. O livro era <em>Carnavais, Malandros e Heróis</em>, que até hoje indico não só a alunos de Comunicação, mas a qualquer um interessado em compreender certos aspectos culturais brasileiros. Tinha que me apressar, pois no domingo havia uma estreia imperdível na TV: <em>Domingão do Faustão</em>. Mais da metade dos televisores do país estariam ligados no contra-ataque da Globo à supremacia dominical de Sílvio Santos. Nós, os ingênuos, acreditávamos que Fausto Silva iria nos salvar da leseira e da mesmice que imperava nas tardes de domingo. Claro! Aquele gordo sacana do <em>Perdidos na Noite</em> iria avacalhar com tudo. Não. Aquele gordo sacana iria se encher de dinheiro e fazer exatamente o que lhe mandassem: ser o idiota do outro canal. Deixa pra lá,&#8230;</p>
<p align="center"><object width="480" height="385"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/W03k6GgPhkM&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/W03k6GgPhkM&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;">&#8230; passemos a março de 1990, iniciado com mais um filme que eu deveria ter vergonha de contar que assisti: <em>Retroceder nunca&#8230; render-se jamais!</em>, que marcava o início da era Jean-Claude Van Damme. Na mesma linha, assistiria naquele primeiro fim de semana a <em>O Grande Dragão Branco </em>(filme seguinte de Van Damme), <em>O Voo do Dragão </em>e <em>A Fúria do Dragão</em>, estes com Bruce Lee (em <em>O Voo</em>&#8230;  tinha ainda seu discípulo, Chuck Norris). Não entendi o motivo de ver tantos filmes assim nessa época até ler uma carta na qual eu explicava que Fabíola, minha namorada, gostava do gênero. Em seguida vieram <em>Indiana Jones e a Última Cruzada</em> e <em>Willow – Na Terra da Magia</em>. Os clássicos também tinham vez. Eu e Fabíola iniciamos um grupo para debates com exibição de filmes no laboratório de TV. Na estreia, com <em>A General</em>, de Buster Keaton (<a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/02/20/dias-e-filmes-melhores-virao/">texto anterior</a>), quase todos dormiram. O segundo, último antes de desistirmos dessa insanidade, foi <em>A Felicidade não se compra</em>, de Frank Capra, outro desses que guardo no coração e assisto uma vez por ano – sempre no Natal, claro! – para testar se ainda sou humano.</p>
<p style="text-align: justify;">Meus apontamentos mostram que eu lia muitos livros sobre cinema. Também frequentava outros grupos (menos sonolentos) de estudo. Quem me conhece dessa época, até hoje me cobra que escreva para cinema. Não digo que isso não venha a acontecer, mas não chega a ser uma pretensão. Nas duas décadas seguintes, tornei-me principalmente um amante, um apreciador de filmes que muito raramente vê algo que não o (me) agrade. Os cinemas de <em>shopping </em>com seus animais barulhentos me afastaram quase completamente das salas de exibição, a pipoca americana passou a último lugar na minha lista de possibilidades a serem assistidas e Fellini se tornou minha divindade absoluta. Antes de assistir a um filme, pergunto a ele se posso. Se não mordo a língua nem fico com o corpo paralisado, é sinal de que ele deixou. Recentemente, quando perguntei sobre <em>Nine</em>, senti meu coração sendo esmagado. Até hoje, não tive coragem de ver a tal “homenagem”.</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda naquele março de 1990, no dia 15, vimos a posse de Collor. Para minha geração, o primeiro presidente eleito por voto direto. No dia seguinte, uma sexta, o país parava para assistir as explicações sobre confisco da poupança e outras medidas impostas pelo Plano Brasil Novo, que ficaria conhecido como Plano Collor. O Cruzeiro voltava e, com ele, o desespero de muita gente. O depois, todos conhecemos.</p>
<p align="center"><object width="480" height="385"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/4VItVQbiww4&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/4VItVQbiww4&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"></embed></object></p>

<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/03/30/aqueles-marcos/&amp;text=Aqueles marços&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
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		<title>Dias (e filmes) melhores virão</title>
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		<pubDate>Sat, 20 Feb 2010 17:35:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Anos 80]]></category>
		<category><![CDATA[Anos 90]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Há 20 anos...]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-510" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/02/ageneral1.jpg" alt="ageneral" width="600" height="388" /></p>
<p style="text-align: justify;">“<em>Morreu Lampeão. E foi épico</em>”. Jamais saíram de minha cabeça as palavras iniciais de um texto do jornal <em>A República</em>, de 1938, contando o fim do cangaceiro. Em 12 de fevereiro de 1989, anotava na agenda: “<em>Acabar de datilografar o texto de Lampião</em>”. Dura vida de jovem pesquisador. Em priscas eras, já fazia amizade com ácaros. Focinho enfiado em jornais antigos, copiava os artigos à mão para depois datilografar em casa. Nem em meus sonhos mais Clarkeanos (do Arthur C., não do Kent), me imaginaria, quase década e meia a frente, clicando centenas de páginas, em uma tarde, com uma câmera digital do tamanho da palma de minha mão.</p>
<p style="text-align: justify;">Os apontamentos daquele fevereiro denunciam planos nunca terminados como a eterna retomada às aulas de inglês e a incapacidade, hoje parcialmente vencida, de cumprir o que prometia a mim mesmo: Segunda, 13 – <em>“Tentar” fazer o que deixei de fazer ontem</em>; Terça, 14 – <em>Tentar fazer o que não tentei fazer ontem que é justamente o que eu não fiz anteontem</em> e, mais adiante, no fim da página, <em>Saldo do dia: não fiz nada</em>. O humor e a mania de ironizar os próprios defeitos também já se faziam presentes.</p>
<p style="text-align: justify;">Em quase todos os dias, havia uma “reunião”. Sempre em um bar. Era a velha escola do jornalismo e da política estudantil. Marcávamos a reunião, bebíamos todas, decidíamos nada e marcávamos outra reunião para fazermos tudo isso outra vez.  As anotações sobre o vai-e-vem de cartas era outra constante. Chegavam também postais da Paraíba e do Maranhão, enviados pelos novos colegas que havia feito no Enecom. E eu sabia quem eram aquelas pessoas? Várias não foram identificadas. Ah, um Orkut! Ah, um Facebook! Um Google que fosse, para dar uma clareada nas ideias. Não havia nada disso. Só a educação em responder e esperar que alguém mandasse uma foto para ser lembrado. Falando em fotos, só vi as feitas com minha máquina – uma Olympus Trip 35 – duas semanas depois de chegar do encontro. Tinha que esperar acabar o filme – 24 ou 36 poses que rendiam! – e ter dinheiro para revelação e cópias. E nada de cópias para os outros. Eram caras!</p>
<p style="text-align: justify;">No dia 20 de fevereiro de 1989 começava mais um semestre e, para não ferir os costumes, os professores não apareceram para dar aulas. Sabe como é&#8230; “os alunos não vão, então não vou também&#8230;”, emenda com carnaval, feriados, enforca daqui, enforca dali, hoje não dá, até que, no final, as notas se ajeitavam e (quase) todos ficavam felizes seguindo aquela velha regra: os professores fingiam dar aulas e os alunos fingiam aprender. Sempre demos muita importância às tradições nacionais e tínhamos muito orgulho disso.</p>
<p style="text-align: justify;">Naqueles idos, eu ouvia bastante o bolachão <em>Black Celebration</em>, do Depeche Mode. Semestre letivo já iniciado, tentava conseguir uma Pentax K1000 junto ao laboratório do curso. Não lembro se cheguei a fotografar, mas estava presente ao debate com Mário Covas, no dia 27 de fevereiro, no auditório da Reitoria da UFRN. No final daquele ano, o país voltaria a votar em seus representantes políticos. Eu, como a maioria dos meus colegas de faculdade, nem era nascido quando isso havia acontecido pela última vez. Imagine a emoção de, sendo universitário, ter a oportunidade e a liberdade de debater com os candidatos! Um deles seria nosso presidente no ano seguinte.</p>
<p><center><br />
<object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/dQ5ZiMqy_ek&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/dQ5ZiMqy_ek&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object><br />
</center></p>
<p style="text-align: justify;">Mas a posse só aconteceria em março de 1990. É um pouco antes que aportamos, agora, naquele ano. Na terça, 13 de fevereiro de 1990, recebia, pelos Correios, alguns clássicos em VHS, mas só começaria a vê-los no dia seguinte. Naquele dia, a única preocupação era ir ao show dos Paralamas do Sucesso.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>A General </em>(1927), até hoje considerado um dos melhores filmes da História do Cinema, foi o primeiro VHS que tirei da caixa no dia seguinte. A obra-prima de Buster Keaton chegava aos videocassetes brasileiros 63 anos depois de exibida nos cinemas. O filme teve várias versões que ganharam ou perderam alguns minutos e pelo menos três sonorizações diferentes. A versão que recebi e guardo até hoje tem uma trilha sonora bem superior a <a href="http://www.youtube.com/watch?v=1b24wqhy0Zo" target="_blank">esta que você pode assistir no YouTube</a>. Talvez tenha sido com <em>A General </em>que percebi existir algo além da <em>Sessão da Tarde</em> e do cinema pipoca. Até então, eu consumia filmes. Era filme, mandava para dentro. Mas o milagre não se deu do dia para a noite. Naquela mesma semana assisti <em>Popeye </em>(sei que serei perdoado por este) e <em>Máquina Mortífera II </em>(e muito justamente condenado por este). Uma curiosidade: na sexta-feira, 16, a Globo exibiu <em>Dias melhores virão</em>, de Cacá Diegues, antes de estrear no cinema. Uma maluquice que nunca consegui entender.</p>
<p><center><br />
<object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/EzYApX75WL4&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/EzYApX75WL4&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object><br />
</center></p>
<p style="text-align: justify;">No carnaval, que naquele ano caiu no final de fevereiro (24 a 27), passei em Muriú, praia de veraneio do município de Ceará-Mirim (RN). E março&#8230; março fica para o próximo capítulo.</p>

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		<title>Nós somos o mundo</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Feb 2010 07:54:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Anos 80]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Envie a eles seu coração Assim saberão que alguém se importa com eles E suas vidas serão mais fortes e livres (Dionne Warwick em We are the World) Tenho três filhos. Aimée, a primeira, está completando 17 anos hoje. É &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/02/11/nos-somos-o-mundo/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em>Envie a eles seu coração<br />
Assim saberão que alguém se importa com eles<br />
E suas vidas serão mais fortes e livres</em><br />
(Dionne Warwick em <em>We are the World</em>)</p>
<p style="text-align: justify;">Tenho três filhos. Aimée, a primeira, está completando 17 anos hoje. É difícil explicar a ela – e acredito que será muito mais para os dois mais novos, atualmente com 10 e (quase) 5 anos – que já existiu um mundo sem Internet, que precisávamos esperar para ter determinada informação, no qual artistas eram ativistas políticos e humanitários e faziam músicas que varriam o planeta, fazendo com que as pessoas parassem e pensassem que havia algo muito maior e mais importante que suas próprias vidas, que deveriam agir para transformar esse mundo em um lugar mais justo e melhor para se viver.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 1982, eu tinha 10 anos – idade atual de Ananda, minha filha do meio –, e escutei uma música, em inglês, que me tocou de alguma forma. Eu não entendia nada do que ela dizia além da palavra que lhe dava título e era repetida algumas vezes: <em>Africa</em>. Qualquer manifestação artística honesta e bem realizada desconhece barreiras de linguagem. Essa canção foi feita por excelentes músicos populares que sabiam como transpor essas barreiras. A impressão que ela me deixou, até hoje, é que começava de uma forma melancólica mas esperançosa e, em determinado momento, pouco antes do refrão, fazia uma convocação para, na sequência, ganhar outras vozes reafirmando uma necessidade urgente.</p>
<p><center><br />
<object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/9NuA7AripfU&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/9NuA7AripfU&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object><br />
</center></p>
<p style="text-align: justify;">Certamente demorou algum tempo, alguns anos talvez, para que eu soubesse que era realmente isso.  A voz se elevava ao dizer “<em>Hurry, boy, it&#8217;s waiting there for you</em>” (em uma tradução livre: <em>Rápido, garoto, tudo está lhe esperando por lá</em>). No refrão, dizia em coro: <em>There&#8217;s nothing that a hundred men or more could ever do (&#8230;) /Gonna take some time to do the things we never had </em>(<em>Não há nada que uma centena de homens ou mais não possa fazer (&#8230;) /Vai levar algum tempo para fazer as coisas que nunca fizemos</em>).</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/watw_big.jpg" target="_blank"><img class="alignright size-full wp-image-502" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/02/wearetheworld.jpg" alt="" width="288" height="347" /></a>Devo ter recebido essa informação por volta de 1985, quando já bombardeados com as muitas imagens da fome na África – a maioria pela TV, durantes os telejornais –, vimos um grupo de artistas (naquele tempo havia artistas de verdade, não meras “celebridades”) se unir, criar e cantar uma música que virou um verdadeiro mantra, que por si só parecia ter a força de executar mudanças gigantescas: <em>We are the World</em>. Para mim, um adolescente de 13 anos, ela parecia ganhar mais força quando entrava alguma das vozes dos astros do pop rock que eu costumava ouvir. Aquelas vozes mais conhecidas falavam diretamente a mim: Tina Turner dizendo que somos todos parte da fantástica família de Deus; Michael Jackson, de uma forma muito doce, dizendo que somos o mundo, somos as crianças; mais adiante, caso alguém não tivesse entendido, a voz rouca e poderosa de Bruce Springsteen repetindo isso de outra forma; e o esclarecimento era dado pela voz de Cindy Lauper, dizendo que deveríamos perceber que a mudança só poderia vir quando nós nos juntássemos e resistíssemos como se fossemos um só.</p>
<p style="text-align: justify;">Acredito que a experiência de <em>We are the World</em> só possa ser plenamente entendida por quem viveu aquela época. Não podíamos baixar o clipe para um computador ou vê-lo no <em>YouTube</em> a qualquer instante. Não havia nem videocassetes. Tínhamos que esperar a música ser executada em uma rádio ou o vídeo ser exibido na TV. Quando isso acontecia, todos corriam, aumentavam o som e, mesmo sem saber direito o que estavam falando, cantavam junto, fazendo parte daquele coro: <em>We are the world, we are the children / We are the ones who make a brighter day.</em> Era um momento de oração. Depois, comprando o LP e com isso contribuindo para combater a fome na África, podíamos “rezar” mais vezes.</p>
<p><center><br />
<object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/jzw6GiqZyD0&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/jzw6GiqZyD0&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object><br />
</center></p>
<p style="text-align: justify;">Hoje, 25 anos depois, Quincy Jones e Lionel Richie, dois dos idealizadores daquele momento, reúnem um novo time para fazer <em>We are the World &#8211; 25 for Haiti</em>, que será lançado nesta sexta, 12 de fevereiro, durante a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno de Vancouver. Um quarto de século depois, o mundo está muito diferente, totalmente conectado. A informação chega imediatamente a qualquer lugar do planeta e pode ser acessada e repassada a qualquer momento, quantas vezes for preciso. Muita coisa mudou, mas não a nossa incapacidade de resolver os problemas dos nossos irmãos mais necessitados.</p>
<p><center><br />
<object width="560" height="340"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/Glny4jSciVI&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/Glny4jSciVI&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="560" height="340"></embed></object><br />
</center></p>
<p style="text-align: justify;">Duvido que alguém discorde da afirmação de que hoje as pessoas são muito mais insensíveis do que 25 anos atrás. O problema da fome na África continua e a ele se aliou o da AIDS que, até agora, já matou o equivalente a uma vez e meia a população da cidade de São Paulo. E há outro tanto desses vivendo com o vírus. Não fomos capazes de deter isso e ainda fazemos previsões para um futuro pior. Em 15 anos, mais de 200 milhões – mais do que toda a população atual do Brasil – estarão infectados com o HIV na África.</p>
<p style="text-align: justify;">A situação do Haiti não é diferente. <em>Noventa por cento dos 5 milhões de haitianos são subalimentados. Há seis médicos para cada 100 mil habitantes. A expectativa de vida não chega a 50 anos. Noventa por cento da população é analfabeta e 73% das crianças com menos de 14 anos nunca foram à escola. O desemprego e o subemprego são da ordem dos 70%.</em> E o que você acabou de ler não é uma informação divulgada recentemente, por conta do terremoto que matou mais de 230 mil pessoas. Você leu um parágrafo de uma matéria de agosto de 1973 da revista <em>Realidade</em>. Quase quatro décadas depois, a realidade é bem pior.</p>
<p style="text-align: justify;">Há duas coisas que não consigo entender: como não conseguimos aprender com nossos erros e como bilhões de pessoas não conseguem impedir que alguns poucas deixem milhões de outras nessa situação por décadas e até séculos. Grande parte dos 5 milhões dos quais falava a matéria de <em>Realidade</em> em 1973 já morreu. Surgiram pelo menos duas outras gerações, hoje cerca de 8 milhões de pessoas, que já nasceram condenadas a esse mesmo tipo de existência.</p>
<p style="text-align: justify;">Naqueles dias de 1985 em que o mundo estava cantando <em>We are the World</em>, Baby Doc, então presidente dito vitalício do Haiti, comemorava 14 anos de sua chegada ao cargo, transmitido por seu Papai Doutor (Papa Doc), que passou seus 28 últimos anos de boa vida vampirizando o país.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-503" style="border: 0pt none;" title="babydoc" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/02/babydoc.jpg" alt="babydoc" width="500" height="555" /></p>
<p style="text-align: justify;">No ano seguinte, 1986, Baby Doc e família fugiram para a França. Somente quatro anos depois, o Haiti teria o que é considerado como sua primeira eleição livre. O eleito foi o padre Jean-Bertrand Aristide, que também sofreu golpes e ficou em um vai-e-vem no cargo até 2004, quando foi retirado do país por tropas americanas. Aristide acabou se refugiando na África do Sul, outro país com um povo extremamente sofrido – a parte negra, para não fugir à regra.</p>
<p style="text-align: justify;">Não pretendo me estender nem falar agora sobre esse completo absurdo chamado Apartheid, que durou mais de meio século. Quero apenas terminar lembrando o maior símbolo de resistência contra esse regime de separação, Nelson Mandela, que passou quase três décadas preso pelo “crime” de defender a igualdade de direitos para todos os homens, independente de cor. Hoje, 11 de fevereiro de 2010, faz 20 anos que Mandela foi libertado.</p>
<p style="text-align: justify;">Naqueles conturbados anos 80, quando parecíamos mais dispostos a lutar por um mundo melhor, ele ainda estava preso. Além de <em>Africa </em>(1982) e <em>We are the World</em> (1985), quem viveu aqueles tempos também deve lembrar outra canção que marcou a década: <em>Mandela Day</em> (1988), do Simple Minds. Era o mundo pedindo a libertação de um homem, de um símbolo de resistência e de humanidade. Nós realmente acreditávamos que éramos <em>O</em> mundo e não só a parte mais egoísta dele. Desejo que as gerações que viram sua história continuem inspiradas por seus ideais. E que, como é dito em um dos versos da música feita para ele, as crianças continuem conhecendo a história desse homem. Talvez ainda haja tempo de revermos esse roteiro que parece levar sempre ao mesmo fim. Talvez ainda sejamos fortes e suficientemente humanos para mudarmos nossa História.</p>
<p><center><br />
<object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/FFnJmz5pWc4&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/FFnJmz5pWc4&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object><br />
</center></p>

<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/02/11/nos-somos-o-mundo/&amp;text=Nós somos o mundo&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
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		<title>Foi bom enquanto durou</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Feb 2010 20:33:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Anos 80]]></category>
		<category><![CDATA[Anos 90]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Há 20 anos...]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[Fevereiro de 1989 começou entre cartas, postais, reuniões do Centro Acadêmico e filmes. Neste último quesito, minha múltipla personalidade continuava se manifestando.  Via desde o pop Robocop (1987) aos ótimos Alta ansiedade (1977), homenagem de Mel Brooks a Hitchcock, e &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/02/06/foi-bom-enquanto-durou/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-495  aligncenter" style="border: 0pt none;" title="5filmes80" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/02/5filmes80.jpg" alt="5filmes80" width="600" height="181" /></p>
<p style="text-align: justify;">Fevereiro de 1989 começou entre cartas, postais, reuniões do Centro Acadêmico e filmes. Neste último quesito, minha múltipla personalidade continuava se manifestando.  Via desde o pop <em>Robocop</em> (1987) aos ótimos <em>Alta ansiedade </em>(1977), homenagem de Mel Brooks a Hitchcock, e <em>O Sol da Meia-Noite</em> (1985), com matadores Mikhail Baryshnikov e Gregory Hines dançando e encantando. Dentre minhas frustrações, está a de não ter me tornado um dançarino. Hoje, babo na frente da TV com programas como <em>So you think you can dance</em>. Não se engane: não era uma frescura latente. Eu não queria ser o Baryshnikov; queria ser o John Travolta, ser um imã para mulheres como Jamie Lee Curtis e ficar mais bonito depois dos 40 (ainda tenho fé neste ponto).</p>
<p style="text-align: justify;">Se alguém lembrou de <em>Perfeição </em>(1985), com Travolta no papel de jornalista transitando em uma academia cheia de loiras de collants e caras com mullets e faixas na cabeça, acertou em cheio. Foi um dos filmes que assisti naquele fevereiro. No entanto, o mais marcante daqueles dias foi <em>Repo Man </em>(1984), um longa de ação-comédia-ficção científica estrelado por Emilio Estevez, que no Brasil ganhou o título de <em>Repo Man – A Onda Punk</em>. Assisti na noite de sábado, 11 de fevereiro. Sim, já existia SuperCine naquela época.</p>
<p style="text-align: justify;">Em fevereiro do ano seguinte, 1990, distribuidoras de filmes em VHS costumavam me mandar alguns de seus lançamentos. O nível começou a subir. Comecei a ficar mais seletivo. Já em relação aos livros, estava em uma fase bem “não pense muito, apenas leia”. Depois de <em>Cartas da Mãe</em>, de Henfil, eu devorava, em uma noite, <em>O Reverso da Medalha</em>, de Sidney Sheldon. um apontamento na agenda daquele ano me traz uma surpresa. Na sexta, 9, li <em>O Estudante</em>, de Adelaide Carraro. Não lembrava disso. Pensava que jamais havia lido qualquer livro seu antes de 2006 (li pelo menos trinta deles do final de 2006 a abril de 2007).</p>
<p style="text-align: justify;">Nas bancas, chegava a <em>Playboy</em> com uma capa muito esperada pelos adolescentes da época. Trazia uma baianinha, muito linda e com jeitinho de índia. Elimary Silva era seu nome, mas todos a chamavam de Mara Maravilha. Era um tempo em que as mulheres ainda eram de verdade. Mara fazia sucesso com a criançada, com os meninos adolescentes e com as meninas que se identificavam com a garotinha bonita, sensual, mas com ar puro que cantava <em>Não faz mal (eu tô carente, mas eu tô legal)</em>. Ah, Britney, desculpe-me dizer, mas eu era muito mais a Mara (até porque, em 1990, você era só uma garotinha desconhecida de 9 anos). Hoje, a convertida Mara prefere nem lembrar aquele período. <em>Foi bom enquanto durou/ E valeu/ O que passou já passou/ Não faz mal&#8230;</em></p>
<p><center><br />
<object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/bAS1riUeU6g&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/bAS1riUeU6g&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object><br />
</center></p>

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		<title>Baú de cartas</title>
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		<pubDate>Sat, 30 Jan 2010 16:51:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Anos 80]]></category>
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		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[Janeiro de 1989 estava terminando. Eu havia voltado do famigerado Eneconha de João Pessoa e, na segunda-feira seguinte, dia 30, tentava voltar ao normal, se é que podemos chamar de “normal” qualquer coisa naquele tempo. A turma do Centro Acadêmico &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/01/30/bau-de-cartas/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-461" style="border: 0pt none;" title="envelopes" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/01/envelopes.jpg" alt="envelopes" width="600" height="244" /></p>
<p style="text-align: justify;">Janeiro de 1989 estava terminando. Eu havia voltado do famigerado <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/01/24/o-historico-enecom-de-joao-pessoa/" target="_self">Eneconha de João Pessoa</a> e, na segunda-feira seguinte, dia 30, tentava voltar ao normal, se é que podemos chamar de “normal” qualquer coisa naquele tempo. A turma do Centro Acadêmico marcou uma reunião para fazer um balanço do que havia acontecido no Encontro Nacional, mas&#8230; se balançasse muito, acabaríamos vomitando. Ainda estávamos de ressaca.</p>
<p style="text-align: justify;">No último dia do mês, assisti <em>Os Garotos Perdidos </em>(<em>The Lost Boys</em>). Também tínhamos filmes com vampiros nos anos 80, mas eram menos bobos que os de hoje. Dormir o dia todo. Festa a noite toda. Nunca envelhecer. Nunca morrer. Era divertido ser vampiro ou adolescente naquela época e as regras valiam para ambos.</p>
<p style="text-align: justify;">Fevereiro começou com filme. <em>Dia dos Mortos</em> (<em>Day of the Dead</em>), do zumbizólogo George A. Romero. É, também tínhamos zumbis (se você curte Romero e o gênero, assista <em>Zumbilândia</em>, que está nos cinemas). Na sexta, 3, eu registrava na agenda: <em>Stroessner é derrubado</em>. O militar golpita paraguaio sofreu um golpe militar e foi desancado do poder após 35 anos. Não estava muito a fim de pensar naquilo e, no final de semana, coloquei em prática minha sanha adolescente por filmes em VHS. Vi <em>Home of the Brave</em>, show da louca Laurie Anderson (sim, eu era um adolescente antenado); <em>Super Xuxa contra o Baixo Astral</em> (sim, eu era um adolescente retardado); e <em>Je vous salue Marie </em>(sim, eu era um adolescente intelectualizado e que caía <em>por terra aos pés de um filme de Godard</em>).</p>
<p style="text-align: justify;">Na segunda-feira, 6 de fevereiro de 1989, duas anotações na agenda. A primeira dizia: <em>Stroessner está no Brasil (sua presença é um tanto “incômoda”)</em>. Ele ficaria por aqui até sua morte, em 2006. Na outra: <em>Passei a tarde e a noite redigindo cartas</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Sim, cartas! Fico imaginando como a geração dos meus filhos chegará à idade adulta sem ter uma caixa de cartas e de fotos para lembrar as aventuras. Deve procurar nos e-mails, mas talvez já não existam ou, se existirem, não deverá entender o dialeto em que escrevia. E as fotos? Tantas e tantas, mas os amigos nunca mandavam. E as feitas por eles mesmos? Perdidas em algum HD que deu pau. Triste fim da memória.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu escrevia muitas cartas. Alucinadamente. Quase sempre em máquina de escrever, pois minha letra já era uma desgraça. O hábito de trocar correspondências começou em 1986, quando me mudei do Rio para Natal, mas se intensificou em 1990. Em fevereiro daquele ano, minha principal correspondente era Márcia Cristina, colega dos tempos de ginásio. A partir das cartas e de telefonemas (geralmente de minha parte, no meio da madrugada), começamos a construir uma sólida amizade que dura até hoje (não é, cachorra? Eu sei que você está lendo isto! ). A propósito, estávamos falando – por MSN e Skype – enquanto eu escrevia.</p>
<p style="text-align: justify;">As cartas também resistiram a essas duas décadas e, hoje, nos contam histórias de dois adolescentes: um porra-louca que fazia Jornalismo e apaixonadíssimo pela namorada; e uma garota contida, em dúvida entre Medicina e Jornalismo, que acabaria fazendo Direito.</p>
<p style="text-align: justify;">Há poucos dias, Márcia digitalizou as cartas que enviei e pude encaixá-las em suas respostas. Na primeira delas, a história do Enecom, ocorrida no ano anterior, ainda rendia. Fiquei impressionado como muito do que escrevi na carta, vinte anos antes, estava da mesma forma no <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/01/24/o-historico-enecom-de-joao-pessoa/" target="_self">texto da semana passada</a>! Não havia divergências ou acréscimos na repetição da narrativa. Só alguns pontos que haviam ficado esquecidos, como as manhãs durante o encontro: <em>Todo dia eu acordava cedinho, fazia duas marias-chiquinhas e acordava as delegações do Maranhão e Campina Grande, saltitando entre os corpos estendidos nos colchões enquanto, na porta, um coro cantava: &#8220;Bom dia, amiguinhos, já estou aqui/ tenho tantas coisas pra nos divertir&#8230;</em></p>
<p style="text-align: justify;">Contava também, ainda sobre 89, que já estava me acostumando com a ideia de ser uma versão macho da Christiane F. quando uma providencial greve, na universidade, me afastou daquela vida bandida.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-462" style="border: 0pt none;" title="carta01" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/01/carta01.jpg" alt="carta01" width="600" height="277" /></p>
<p style="text-align: justify;">A criaturinha era Fabíola e eu falava a seu respeito em 80% do conteúdo de cada carta que escrevia a Márcia.  Em fevereiro de 1990, eu a apresentava&#8230;</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-463" style="border: 0pt none;" title="carta02" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/01/carta02.jpg" alt="carta02" width="600" height="179" /></p>
<p style="text-align: justify;">Vocês também vão saber mais sobre essa e outras histórias. Continuarei a lembrar, com ajuda das agendas e das cartas, no próximo sábado.</p>

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		<title>O histórico Enecom de João Pessoa</title>
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		<pubDate>Sun, 24 Jan 2010 19:29:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Anos 80]]></category>
		<category><![CDATA[Anos 90]]></category>
		<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Há 20 anos...]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
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		<description><![CDATA[Os últimos dias de janeiro de 1990 foram calmos. A agenda daquele ano comparada a de outros, revela que sempre leio pouco em janeiro. Minha média é de um ou dois livros por semana, mas no primeiro mês de cada &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/01/24/o-historico-enecom-de-joao-pessoa/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-445" style="border: 0pt none;" title="enecom1" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/01/enecom1.jpg" alt="enecom1" width="600" height="291" /></p>
<p style="text-align: justify;">Os últimos dias de janeiro de 1990 foram calmos. A agenda daquele ano comparada a de outros, revela que sempre leio pouco em janeiro. Minha média é de um ou dois livros por semana, mas no primeiro mês de cada ano isso cai terrivelmente. Quando percebo a falta, começo a ler desesperadamente. Naquela última semana, li <em>Perestroika</em>, de Mikhail Gorbachev, leitura obrigatória para quem quisesse entender as transformações políticas da época; <em>He</em>, sucesso de Robert A. Johnson, uma das partes da trilogia que contava ainda com <em>She</em> e <em>We</em>; e <em>Minha Razão de Viver</em>, autobiografia de Samuel Wainer.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 1989, o ritmo era outro. Na sequência de shows de verão, o do Capital Inicial estava programado para o dia 25 de janeiro, uma quarta-feira. Havia comprado o ingresso alguns dias antes e marcado na agenda, mas na noite anterior decidi ir ao Encontro Nacional dos Estudantes de Comunicação – Enecom, que aconteceria de 25 a 28, em João Pessoa, na Paraíba. Eu fazia parte da chapa que havia acabado de ganhar as eleições para o Centro Acadêmico (C.A.) e não poderia deixar de fazer parte das plenárias, militar, gritar palavras de ordem e todas essas coisas que acreditamos sérias quando somos jovens estudantes ou quando somos embriões de políticos.</p>
<p style="text-align: justify;">Havíamos conseguido um micro-ônibus da UFRN e partiríamos na quarta pela manhã. Dei meu ingresso a Carlos Magno (hoje diretor de redação de um jornal em Natal), que também fazia parte do C.A., e embarquei naquela aventura. Um detalhe: eu tinha 16 anos e, em tese, alguém teria que se responsabilizar por mim. Isso ficou só na tese mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignright size-full wp-image-446" style="border: 0pt none;" title="enecom2" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/01/enecom2.jpg" alt="enecom2" width="188" height="303" />Por volta das 8h30 da manhã, já estávamos na base da cerveja, da vodka e do que de mais barato tivesse e aparecesse. Se o motorista desse mole, tomaríamos a gasolina do micro-ônibus. Inexperientes e sedentos, em menos de uma hora acabamos com tudo. Paramos em uma bodega no meio do caminho. O dono não queria nos vender nada. Disse que só vendia por doses e quase tudo estava aberto. O que tinha fechado? Conhaque de alcatrão. Manda! Só em dose. Conta as doses. Manda. Embarcamos de novo. Peraê! E copo? Só tem de vidro. Então pega canudinho. E assim desembarcamos no final da manhã em João Pessoa, já completamente bêbados.</p>
<p style="text-align: justify;">As salas de aula da UFPB faziam as vezes de dormitórios. Quem tivesse levado colchão, ótimo; quem não tivesse levado, poderia ter sorte de conseguir um com os organizadores do encontro ou dividir um com outra pessoa, o que era recomendável e muito desejado. Ficamos em uma sala ao lado da turma de Campina Grande (PB) e do Maranhão. Estes, para manter uma das mais sólidas tradições maranhenses, nos receberam com algo que parecia o charuto do Hulk, mas que eles juravam que era “só um baseado mesmo”. Muito educadamente recusei e comecei a perceber que aquele papo de plenárias, discussões sobre os rumos do jornalismo, protestos e política estudantil eram desculpas para nosso pequeno Woodstock ou, como jamais deixaria de ser chamado, nosso Eneconha.</p>
<p style="text-align: justify;">Lisos, lesos e loucos, tomávamos qualquer coisa que desse barato. Foi assim durante o primeiro dia inteiro. À noite, quando os bares do Campus da UFPB fecharam, fomos obrigados a sair em busca de mais álcool. No meio do breu, encontramos um boteco. Colegas de outros estados já estavam por lá. Todos em um clima muito familiar: música, barulho, garrafas sendo enxugadas, ameaças de strip-tease em cima das mesas. Até aí, eu me lembro.  Corte. Sandro deitado em um chão de terra encharcado de mijo, ao lado de uma borracharia. Corte. Tudo escuro. Sandro tentando não se afogar com o próprio vômito (“Hendrix morreu assim!”, eu pensava desesperado). Corte. Sandro sendo carregado – arrastado, sem conseguir me sustentar nem dar um passo – até o dormitório. Em rápidos lampejos, ouvia coisas como: “<em>E se ele morrer?!</em>”; “<em>Gente, ele menor! Quem está responsável por ele?</em>”; “<em>Não é melhor levar para um hospital</em>”&#8230; <em>Spoiler</em>: eu sobrevivi. Estou aqui, 21 anos depois, contando isso a vocês.</p>
<p style="text-align: justify;">Foram horas debaixo do chuveiro até que eu e outros colegas nos convencêssemos de que eu poderia fechar os olhos sem que fosse pela última vez. Tentava fazer polichinelos, flexões de braço, esmurrava os tapumes que serviam de parede, prometia a todos os santos que se escapasse daquela nunca mais beberia. Lá pelas tantas, totalmente molhado, me joguei em um colchão e fosse o que Deus quisesse. Ele devia estar de bom humor. Não deixou ninguém abusar sexualmente de mim. Pelo menos, eu acredito nisso até hoje.</p>
<p style="text-align: justify;">No dia seguinte, na primeira ida ao refeitório, vi que não conseguiria comer nada. Foi assim durante todo o evento. Então, eu bebia. Juro que não queria, mas tinha que botar alguma coisa para dentro. Que fosse álcool. Promessas? Que promessas? Não lembro. Sei que um anel, de minha amiga Andréa, que quase não entrava em meu anular direito antes de sairmos de Natal estaria dançando no meu polegar quatro dias depois.</p>
<p style="text-align: justify;">No último dia do encontro, no refeitório, durante o almoço, rolou uma performance – estudantes de jornalismo adoram essas coisas! São todos artistas, músicos, poetas e escritores frustrados –&#8230; bem, rolou a tal performance em que alguns apareciam nus, corriam no meio de todos e subiam nas mesas. À noite, as caravanas se preparavam para voltar. Algumas se preocupavam com a estrada ou quem os pegaria ao chegar. A do Maranhão estava preocupada em acabar de qualquer jeito com as quatro quentinhas de maconha que havia levado. Não queriam correr o risco de um novo encontro com a Polícia Rodoviária Federal. Então, dá-lhe fazer charutos de Itu e tocar fogo neles. Enquanto rolava a plenária final, ânimos acirrados, discussões ruidosas, eu e outros, digo, eu e uns maconheiros do Maranhão, Natal e Campina Grande resolvemos invadir o local, travestidos – eu, maquiado e com chuquinhas no cabelo – e cantando <em>Turma da Xuxa, aaaaaaaahh/Turma da Xuxa</em>&#8230; e <em>Ilariê</em>. Os que levavam a política estudantil a sério não gostaram muito, mas os pelegos e os malucos, que eram maioria esmagadora, curtiram o show.</p>
<p style="text-align: justify;">Já de volta, corri para a agenda e fiz um resumão nessas páginas que aparecem no alto do texto. Os nomes dos colegas de outras cidades (com os quais eu me corresponderia por algum tempo), os de Natal que haviam participado da bagunça, os principais momentos e, encerrando, uma expressão que definiria tudo: SÓ PUTARIA!</p>

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		<title>Há 20 anos: Marina, Paralamas e RPM</title>
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		<pubDate>Sat, 16 Jan 2010 17:15:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Anos 80]]></category>
		<category><![CDATA[Anos 90]]></category>
		<category><![CDATA[Há 20 anos...]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[Janeiro de 1990 estava se comportando, para mim, como um típico verão oitentista em Natal: namoro, praia e música. No dia 16 deveria acontecer um show de Marina (Lima), como mais corretamente se fala em Natal, ou, mais cariocamente, da &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/01/16/ha-20-anos-marina-paralamas-e-rpm/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
<div class="twitterbutton" style="float: right; padding-left: 5px;"><a href="http://twitter.com/share?url=http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/01/16/ha-20-anos-marina-paralamas-e-rpm/&amp;text=Há 20 anos: Marina, Paralamas e RPM&amp;via=sandrofortunato&amp;related=DolcePixel"><img align="right" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/plugins//easy-twitter-button/i/buttons/en/tweetn.png" style="border: none;" alt="" /></a></div>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Janeiro de 1990 estava se comportando, para mim, como um típico verão oitentista em Natal: namoro, praia e música. No dia 16 deveria acontecer um show de Marina (Lima), como mais corretamente se fala em Natal, ou, mais cariocamente, da Marina, mas ele foi transferido para o dia seguinte, 17, uma quarta-feira. A apresentação aconteceu no Pavilhão do Centro de Convenções, o que era uma novidade. Nos anos 80, o local mais comum para shows musicais era o Palácio dos Esportes, um ginásio localizado na Praça Cívica, no bairro de Petrópolis, vizinho ao centro da cidade. Três mil pessoas eram suficientes para entupir o Palácio. No grande vão do Pavilhão do Centro de Convenções – construído para abrigar feiras e exposições – deve caber fácil o triplo disso.</p>
<p style="text-align: justify;">No dia seguinte, 18, quinta, Fabíola e eu iríamos para Pitangui, uma praia de veraneio a uns 30 quilômetros de Natal, no município vizinho de Extremoz. Ficaríamos por lá até domingo. Naquele tempo, mesmo no verão e tão próximo à capital, Pitangui era uma praia tranquila, com pouca gente, sem as armadilhas para turistas e a agitação provocada por eles.</p>
<p style="text-align: justify;">Um ano antes, em 17 de janeiro de 1989, também estava indo a um show. Ainda sob o impacto de <em>D</em>, disco gravado no Festival de Montreux em 1987, e com a ajuda das novas <em>O Beco</em>, <em>Uns Dias</em>, <em>Quase um segundo</em> e <em>Bora-Bora </em>(que dava nome ao disco de 1988), a garotada ia conferir os Paralamas do Sucesso. Aquele deve ter sido meu terceiro show da banda. É difícil explicar às gerações mais novas o que era um show de BRock nos anos 80. Éramos mesmo uma tribo e por isso, no caso de Natal, cabíamos tranquilamente no minúsculo Palácio dos Esportes. Se você gostava de forró, ia para o forró. Se gostava de rock, ia a shows de rock. Não nos misturávamos. Não havia esse “ecletismo” de hoje, que me parece apenas desculpa para o mau gosto. Se alguém cogitasse a realização desses “festivais” misturando rock, emo, axé e forró que acontecem hoje, certamente encontraria mais ceticismo do que se desse a notícia de Jesus descendo de uma nave extraterrestre de mãos dadas com Madonna e Cindy Lauper.</p>
<p><center><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/VslpQzlgJYs&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/VslpQzlgJYs&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></center></p>
<p style="text-align: justify;">O dia seguinte foi de descanso e preparo. Fiquei em casa vendo filmes: <em>Posições Comprometedoras </em>(1985), com Susan Sarandon e Raul Julia; Inocência Destruída (1988), que tem como tema <em>Baby, I love your way</em>, de Peter Frampton; e o já clássico<em> Cabaret </em>(1972), com Liza Minnelli e Michael York.</p>
<p><center><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/BmjFk7i4hyg&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/BmjFk7i4hyg&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></center></p>
<p style="text-align: justify;">A quinta, 19 de janeiro, traria algo há muito esperado: um show do RPM. Só quem viveu sabe o que o RPM representava. A histeria causada pela banda de Paulo Ricardo, diziam os da geração anterior, foi o mais perto que chegamos da Beatlemania. Eu posso dizer que nunca vi nada igual. Nem antes, nem até hoje. Uma música do RPM, saindo de um três em um em qualquer festinha, era suficiente para causar uma revolução. Várias Revoluções Por Minuto.</p>
<p style="text-align: justify;">O show aconteceu em área aberta, no Estádio Juvenal Lamartine. Os anos de 1985 e 1986 – quando o RPM mandava prender, mandava soltar e enlouquecia geral – não pareciam suficientemente distantes para não levar um multidão à primeira e única apresentação dos quatro rapazes em Natal. A banda já havia se separado, voltado, gravado mais um disco (<em>Quatro coiotes</em>, em 1988) e estava em final de turnê e de existência, mas, quem não queria ver aqueles caras de perto? Todas as garotas queriam Paulo Ricardo. Todos os garotos queriam ser Paulo Ricardo e pegar todas as garotas. No futuro, continuaríamos querendo ser ele para pegar só a Luciana Vendramini mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;">No show, eu me dividia entre curtir quase tardiamente o maior e mais meteórico sucesso do rock brasileiro oitentista, imaginar como seria a década seguinte e, claro, ficar com alguma garotinha bonita. A daquele show seria uma bem pequenina, tipo ninfa – já com uns 19 ou 20 anos, mas com cara de menininha –, por quem eu ficaria louco naquele verão. Mignon, corpo perfeito, ficaria me provocando em algumas idas à praia nos dias seguintes.  Ela gostava de mexer com aquele moleque de 16 anos que pensava ser gente. <em>Seu corpo </em>era<em> o fruto proibido, a chave de todo pecado e da libido, e para um garoto </em>(nada) <em>introvertido como eu, </em>era<em> pura perdição</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Bem&#8230; e pra vocês, <em>eu deixo apenas o meu <a href="http://www.youtube.com/watch?v=zeSXO-7uNxE" target="_blank">olhar 43</a>, aquele assim, meio de lado, já saindo, indo embora</em>, louco que vocês comentem algo sobre aquela época&#8230;</p>

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		<title>Go back to 1989</title>
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		<pubDate>Sat, 09 Jan 2010 18:41:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Anos 80]]></category>
		<category><![CDATA[Anos 90]]></category>
		<category><![CDATA[Há 20 anos...]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-402" style="border: 0pt none;" title="ssstitas" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/01/ssstitas.jpg" alt="ssstitas" width="600" height="210" /></p>
<p style="text-align: justify;">Os primeiros dias de janeiro de 1990, tirando a batida de carro, foram de muito Amor e Paixão ao lado de Fabíola. Juntos há apenas quatro meses, abríamos mãos de costumes e oportunidades para ficarmos juntos. Pela primeira vez, desde que passei a morar em Natal, quatro anos antes, eu dizia não ao verão carioca. Ela, aos 18 anos, pouco depois, abriria mão do sonho de todo adolescente daquela época: uma viagem aos Estados Unidos. Queríamos ficar juntos tanto quanto possível. Ainda não sabíamos (ou talvez soubéssemos), mas tínhamos pouco tempo para isso. A ordem era aproveitar ao máximo.</p>
<p style="text-align: justify;">Um ano antes, em 9 de janeiro de 1989, eu estava no Rio. Entrei em uma das muitas lojas de discos do Centro Comercial de Copacabana (ali na Nossa Senhora com a Siqueira Campos) e comprei <em>Flaunt It</em>, primeiro LP (de 1986), da banda britânica Sigue Sigue Sputnik. Em uma época em que a web não existia, nossas referências sobre música eram as rádios, a tevê, as poucas revistas sobre o assunto e o cinema. Tudo chegando, no mínimo, com um atraso de seis meses. Os malucos do SSS ainda não eram tão conhecidos por aqui, mas todo adolescente já havia escutado pelo menos uma música deles: <em>Love Missile F1-11</em>, que estava no filme <em>Curtindo a Vida Adoidado</em> (<em>Ferris Bueller&#8217;s Day Off</em>, também de 1986).</p>
<p><center><br />
<object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/pk30a0qsVIk&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/pk30a0qsVIk&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object><br />
</center></p>
<p style="text-align: justify;"><em>O Novo Cruzado, que ainda não saiu, já foi apelidado de “Bateau Mouche V”. Totalmente sem segurança, nesse ninguém embarca</em> – escrevi na agenda no dia 10, uma terça, seis dias antes da nova moeda entrar em vigor. O Cruzado Novo (NCz$) – era essa a denominação – sobreviveria até março do ano seguinte.</p>
<p style="text-align: justify;">Antes que o Cruzado passasse a ser chamado de novo, comprei, no dia 12, uma edição especial do segundo LP do SSS, <em>Dress for Excess</em>. Com capa e músicas diferentes, a versão brasileira trazia um enorme 1989 e o aviso <em>Brazil Pre-release!!</em> <a href="http://www.youtube.com/watch?v=r-coORYpt7w" target="_blank"><em>Albinoni VS Star Wars</em></a>, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=2rciJ8TCPXY" target="_blank"><em>Hey Jayne Mansfield Superstar</em></a>, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=xcSGXBlxiWo" target="_blank"><em>Rio Rocks!</em></a> e <em>Success</em> até hoje bombam em minha cabeça e, provavelmente, na da vizinha do nono andar daquele prédio na Barata Ribeiro, quase esquina com República do Peru. Depois, todo mundo conheceria o Sigue Sigue, que fez show no Brasil e até se apresentou no&#8230; Faustão!</p>
<p><center><br />
<object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/W40PGggXAvs&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/W40PGggXAvs&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object><br />
</center></p>
<p style="text-align: justify;">Naquela quinta, acabei não indo a <em>Splish Splash</em>, musical com Cláudia Raia. No dia seguinte, fiz um programa de turista: fui ao Cristo Redentor. Não me lembro de ter ido novamente nesses 21 anos seguintes, mas pode ser que tenha estado lá mais uma vez. Estava nublado e quase não se via a cidade. No sábado, 14, eu anotava: <em>De Volta ao Inferno – Não é o filme, é pura realidade.</em> Acabavam as férias e eu voltava a Natal. No domingo, escrevi várias cartas (algumas aparecerão aqui nesta série). Na segunda, 16, o Cruzado Novo entrava em vigor e eu finalmente via o quinto e último número do jornal <em>Graúna</em>, que na contracapa trazia uma foto minha e outra de Alexandre Mulatinho crianças, numa referência a <em>Go Back</em>, disco do Titãs lançado em 1988 e que havia embalado nosso primeiro ano na faculdade: <em>Jesus não tem dentes no país dos banguelas</em>, <em>Nome aos bois</em>, <em>Bichos escrotos</em>, <em>Marvin</em>, <em>AA UU</em>, <em>Polícia</em>, <em>Cabeça dinossauro</em>, <em>Não vou me adaptar</em>, <em>Lugar nenhum</em> e <em>Marvin</em>. Era um tempo em que os discos eram tão bons que todas as músicas faziam sucesso.</p>

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		<title>Há 20 anos&#8230;</title>
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		<pubDate>Sat, 02 Jan 2010 15:39:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Anos 80]]></category>
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		<category><![CDATA[Há 20 anos...]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[Onde você estava, com quem e o que estava fazendo na manhã de 2 de janeiro de 1990? Se me perguntassem isso em uma cena de filme em um tribunal, eu responderia: “Estava na praia de Ponta Negra, em Natal, &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/01/02/ha-20-anos/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-363" style="border: 0pt none;" title="agendas" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/01/agendas.jpg" alt="agendas" width="600" height="300" /></p>
<p style="text-align: justify;">Onde você estava, com quem e o que estava fazendo na manhã de 2 de janeiro de 1990? Se me perguntassem isso em uma cena de filme em um tribunal, eu responderia: “<em>Estava na praia de Ponta Negra, em Natal, com minha namorada Fabíola</em>”. E adiantaria: “<em>À tarde, depois do banho, fizemos amor e assistimos ao filme </em>Um Grito no Escuro<em>, que tem Meryl Streep, uma de minhas atrizes preferidas, no elenco</em>”.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu tinha 17 anos, meus pais haviam viajado para o Rio e aproveitei para bancar o homem da casa. Errei quando peguei o Corcel II (creme claro, placa ST 0844, RJ) e banquei o <em>playboy</em>, indo para a praia todos os dias, namorada a tiracolo, caipirosca para ficar no grau. Três dias depois, dia 5, uma sexta, foi a última vez que fizemos o passeio. Na volta, chovia. Ao entrar na BR 101, minha arrogância e imprudência de moleque não me fizeram pisar no freio ao ver um caminhão vindo em alta velocidade. Ele deveria manter a faixa e deixar a que eu estava liberada para quem vinha da Estrada de Ponta Negra, mas não fez isso. Em segundos, vi o caminhão crescendo bem ao meu lado e jogando o carro em uma pequena ribanceira. Não aconteceu nada conosco. A lateral do carro ficou amassada e ele jamais voltaria a ser o mesmo, pois a pancada afetou o eixo de direção de forma irreparável.</p>
<p style="text-align: justify;">Gastei o dinheiro de uma poupança, que estava fazendo para viajar, pagando o guincho e mandando consertar a lataria. Meu pais voltariam uma semana depois e talvez não percebessem nada. Se a polícia foi ineficiente e não chegou a tempo, as línguas dos colegas de trabalho de meu pai foram rápidas e competentes, avisando-o de que viram o carro circulando enquanto ele não estava na cidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Foi assim que, antes de ter 18 anos e uma carteira de motorista, aprendi a dirigir com cuidado, responsabilidade e, sobretudo, pelos outros. Não o faço hoje. Acho estressante e adoro ter alguém de motorista, desde que também seja calmo e responsável. Estresse, zigue-zague, correria e buzina não são comigo. Quem quiser que morra sozinho. Saudades de Brasília, o lugar mais maravilhoso que existe para dirigir. Tesourinha, tesourão, tesourinha&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignright size-full wp-image-364" style="border: 0pt none;" title="3jornais1989" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/01/3jornais1989.jpg" alt="3jornais1989" width="280" height="295" />E sabem o que eu estava fazendo um ano antes, em 2 de janeiro de 1989? Logo pela manhã comprei um exemplar de <em>The Miami Herald</em> em uma banca na esquina da Avenida Nossa Senhora de Copacabana com República do Peru. Achei parecido com <em>O Globo</em> que, a propósito, havia saído no dia anterior. Era a primeira vez que saía no primeiro dia do ano e trazia a cobertura do <em>réveillon</em>, dando destaque ao naufrágio do Bateau Mouche IV, no qual morreram a atriz Yara Amaral e dezenas de pessoas. Foi também no dia 2 de janeiro daquele ano que experimentei <em>Diet Coke </em>pela primeira vez.</p>
<p style="text-align: justify;">No dia seguinte, 3, uma terça, comprei o argentino <em>La Nacion</em>. Eu era um jovem e ainda aplicado estudante de jornalismo. No fim da tarde, assisti <em>Um Príncipe em Nova York</em>, que se tornaria um clássico da <em>Sessão da Tarde</em>. Na quarta, 4, fui a Todos os Santos e arredores. Visitei Patrícia Olga e Marcinha, amigas de infância. À noite, já de volta à Copa, em uma sessão às 22h, assisti <em>Uma cilada para Roger Rabbit</em>. O filme havia estreado no verão americano, em junho de 1988, mas só chegou aqui em dezembro. Naquele tempo, não tinha isso de “estreia mundial”. No Brasil, quem quisesse ver um filme, tinha que ter paciência e esperar.</p>
<p style="text-align: justify;">Irremediavelmente e para todo sempre apaixonado por Jessica Rabbit, descobri, na quinta, que ela havia sido capa da <em>Playboy</em> americana em novembro. Comprei e <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/10/12/elas-nao-sao-mas-so-foram-desenhadas-assim/" target="_self">a tenho muito bem guardada</a> até hoje.  Nesse mesmo dia, saía, em Natal, a quinta (e última) edição do <em>Graúna</em>, um jornalzinho que eu fazia com Alexandre Mulatinho, colega de turma na faculdade. À noite, comecei a ler <em>Diário de um Cucaracha</em>, de Henfil. O nome do jornal, claro, era uma homenagem a ele. Na sexta, 6, telefonei para alguns colegas de ginásio: Renata, Neusa e Cleber. No sábado, 7, continuei os contatos telefônicos: Lívia Formiga, Patrícia Romana e Márcia Cristina. Às 14 horas nos reunimos no McDonald’s do Méier. Dos nove alunos que completaram o ginásio no Pequeno C.E.U. em 1984, sete estavam presentes. Marcinha, muito tímida à época, declinou do convite. Com Sérgio Gama não consegui contato.</p>
<p style="text-align: justify;">Como lembro esses detalhes de dias ocorridos há 20, 21 anos? Porque sempre escrevi. Em agendas ou diários. Estes, sobre os quais falei, têm anotações em agendas. Os detalhes estão ainda frescos na memória. A ideia de escrever sobre eles apareceu no final de 2008, ao revirar uma caixa com agendas, cartas e escritos dos anos 80 e 90, mas só agora coloco em prática. Esporadicamente, aqui no <em>blog</em>, vou lembrar, mostrar fotos, recortes, colagens e tudo mais que ficou guardados nessas cápsulas do tempo. Quem participou, pode ajudar a lembrar de algo mais. Quem não estava lá, pode dizer o que estava fazendo na mesma época. Conseguem lembrar? Contem aí nos comentários.</p>

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		<title>Os primeiros grandes filmes da minha vida</title>
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		<pubDate>Wed, 29 Apr 2009 09:07:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Anos 80]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[Aproveitando a blogagem coletiva (estou ficando perito nisso) O filme da minha vida, proposto pelo Fio de Ariadne, aqui vai o primeiro de uma série de textos sobre cinema que eu vinha matutando e adiando. Toda vez que me deparo &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/04/29/os-primeiros-grandes-filmes-da-minha-vida/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/et.jpg" width="600" border="0" height="250" /></p>
<p align="justify">Aproveitando a blogagem coletiva (estou ficando perito nisso) <em>O filme da minha vida</em>, proposto pelo <em><a href="http://fio-de-ariadne.blogspot.com" target="_blank">Fio de Ariadne</a></em>, aqui vai o primeiro de uma série de textos sobre cinema que eu vinha matutando e adiando.</p>
<p align="justify">Toda vez que me deparo com listas de melhores filmes, procuro identificar o autor ou autores. Melhor para quem? Melhor na opinião de quem? E me imagino fazendo o impossível: uma lista dessas.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/5filmes.jpg" width="138" align="right" border="0" height="1021" /><strong>Não imagino quantos filmes vi na vida.</strong> Mas posso fizer que entre longas, curtas e episódios de séries, <strong>foram mais de 5 mil nos últimos dez anos</strong>. Lamento profundamente não ter feito uma lista com todos eles. Essa paixão começou ainda criança, quando minha mãe me levava para ver <em>Os Trapalhões</em> e os filmes da <em>Disney</em> nos cinemas do Méier, no Rio. Opa! Temos um começo. Filmes infantis nos cinemas do Méier, depois os primeiros filmes “adultos” ali e em Copacabana, os filmes em VHS, os cineclubes, os festivais de cinema, os festivais particulares em casa, a era do DVD e, finalmente, a era da facilitação, na qual aquilo que se imaginava difícil de ser visto está a alguns <em>megabytes</em> de distância.</p>
<p align="justify"><strong>Não tenho um filme da minha vida. </strong>Teria imensa dificuldade em fazer uma lista com apenas os cem filmes mais marcantes da minha vida. Talvez seja mais fácil se me reportar a fases. É o que pretendo fazer agora, falando da primeira de que tenho lembranças: a de quando passei a escolher os filmes que iria assistir.</p>
<p align="justify">Foi no início da década de 80 (sempre ela), ali entre 9 e 11 anos de idade, que comecei a ir ao cinema “sozinho”. Pelo menos entrava sozinho ou com alguns colegas, mas já não estava indo “com a mamãe”. Ela ou outra mãe ia até a porta, comprava as entradas, mas ficava do lado de fora. Isso era um avanço e tanto. Começava a me sentir gente.</p>
<p align="justify">Dessa época, lembro bem de cinco filmes: <em><strong>Flash Gordon </strong></em>(1980), <strong><em>Superman II </em></strong>(1981), <em><strong>Num Lago Dourado</strong></em> (1981), <em><strong>Fúria de Titãs </strong></em>(1981) e <strong><em>E.T.</em></strong> (1982). Os anos entre parênteses são os de produção. Provavelmente assisti a cada um no ano seguinte. Hoje percebo como essas escolhas foram importantes para o desenvolvimento de minhas preferências durante as quase três décadas seguintes. Dentre os cinco, nenhuma comédia, gênero que menos me atrai. É sempre minha última opção. Quatro deles traziam o fantástico, a possibilidade de outros mundos, superação sobre-humana, a busca por algo maior que somente aquilo que podemos ver ou comprovar. E um drama. Certamente haveria outros nessa primeira listagem se eu tivesse idade para assisti-los. <em>Num Lago Dourado </em>(<em>On Golden Pond</em>), um filme quase real, último de <strong>Henry Fonda</strong>, com câncer, fazendo papel de um pai à beira da morte que tenta se reconciliar com a filha, vivida por sua filha verdadeira, <strong>Jane Fonda</strong>, foi o primeiro que me fez chorar no cinema.</p>
<p align="justify"><em>Flash Gordon </em>denunciava outra paixão: as HQs. Lembro do herói na página de quadrinhos de <em>O Globo.</em> Também colecionei o álbum de figurinhas do filme, mais uma de minhas manias de infância. Duas décadas depois, como um pequeno tributo, <em>Flash Gordon</em> foi o primeiro filme que comprei em DVD.</p>
<p align="justify"><em>Superman II</em>. Se contarmos com o primeiro e com <em>Flash Gordon</em>, já são três filmes adaptados de quadrinhos. E há quem pense que isso seja uma novidade!</p>
<p align="justify"><em>Fúria de Titãs </em>também previa um gosto que me acompanharia sempre: o misticismo das religiões. Heróis, semideuses, deuses, criaturas fantásticas, mitos. Está para ganhar uma refilmagem. Algo me diz que será uma heresia. E contra vários deuses!</p>
<p align="justify">E finalmente <em>E.T. – O Extraterreste</em>. Que filme! E que sorte a minha em assisti-lo no cinema aos 10 anos de idade, de me identificar com as crianças do filme, de me sentir voando numa bicicleta. <em>E.T.</em> certamente está em várias listas que eu faria: entre os melhores de todos os tempos, entre os mais importantes da história do cinema, o mais fantásticos, os melhores de ficção, os melhores com seres de outros planetas, os mais mais, os mais tudo, os mais qualquer coisa,&#8230; Ele tem uma grande parcela de culpa pelos outros milhares de filmes que eu veria daí por diante. E por minha exigência de que um filme não deve ser apenas mero entretenimento. <strong>Um filme deve ser uma experiência única. </strong>Deve marcar sua vida de alguma forma e não fazer com que você perca uma ou duas horas dela.</p>
<p align="justify">Ainda hoje, quando estou zapeando a tevê e esbarro com <em>E.T.</em>, paro e vejo até o final. Sempre como se fosse a primeira vez. Como se mais ninguém o tivesse visto. Como se fosse um segredo de infância muito bem guardado. Acho mesmo que ele não deveria ser exibido indiscriminadamente na tevê. Suas cópias deveriam ser guardadas como um tesouro e mostradas às crianças uma única vez, na idade e na hora certa. Se fossem tocadas, se o Amor incondicional e desinteressado fizesse seus olhos brilharem, estaríamos seguros de que seria um bom adulto, até porque só cresceria em tamanho. A partir daquele momento, o coração de criança jamais morreria. Nunca iria ver um filme para dizer “<em>que mentira!</em>” ou “<em>isso não existe</em>”.</p>
<p align="justify">A criança tocada por <em>E.T.</em> saberia que <strong>tudo que se imagina é possível</strong>. Que cinema não é lugar de se fazer baderna. É um templo onde nos encontramos com todos os deuses, com criaturas de qualquer planeta, com nossos heróis. Um lugar mágico que se transforma toda vez que a luz apaga, que nos ensina a enfrentar monstros, vilões, todos os nossos medos. Aprenderia que <strong>ver um filme é como fazer uma oração</strong>: você se sente melhor, mais puro e mais humano ao terminar.</p>
<p align="justify">Nunca poderei dizer que tenho um filme da minha vida, mas acho que sei qual foi <strong>o primeiro grande filme da minha vida</strong>.</p>
<p align="justify">E os seus? Quais são?</p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback3.jpg" usemap="#Map3" border="0" height="25" /></center></p>
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		<title>Era iluminada</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Sep 2008 03:10:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Anos 80]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[Da noite do último sábado ao final da tarde de domingo, a SescTV levou ao ar, por três vezes, o especial Rock Anos 80, no programa Era Iluminada. Vi todas as vezes. Na última, até minha mãe, beirando os 70, &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/09/16/era-iluminada/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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<p align="justify">Da noite do último sábado ao final da tarde de domingo, a SescTV levou ao ar, por três vezes, o especial <strong>Rock Anos 80</strong>, no programa <strong><em>Era Iluminada</em></strong>. Vi todas as vezes. Na última, <strong>até minha mãe</strong>, beirando os 70, comentou: <em>Ouvindo as músicas dos seus quinze anos?</em> Imagine o quanto ela também ouviu tudo aquilo! E vamos ouvir de novo nesta terça, às 21h.</p>
<p align="justify">Na boa: não é saudosimo; é mesmo a última coisa que prestou. Ao menos como movimento. Há coisas boas até hoje, isoladas, e todas são filhas daquela época. <strong>Autoramas</strong> e <strong>Vanessa Krongold</strong>, do <strong>Ludov</strong>, estavam lá dando “um gás novo” nas releituras. Bela base do Autoramas, com <strong>Gabriel</strong> na guitarra e <strong>Flávia</strong> no baixo, mas quem segurou a história toda foi um ex -Autoramas. <strong>Nervoso</strong> dispensa apresentações como baterista, mas PUTAQUEPARIU, o cara estava com o diabo no corpo naquela apresentação! Não erra uma, senta a mão como uma propriedade que merecia palmas de <strong>Lobão</strong>. Mais: timbres atualizados, a pegada é a mesma dos oitenta. Isto é, ele pega o que era ótimo e deixa perfeito.</p>
<p align="justify">Vanessa, que era criança nos oitenta, apesar das declarações meio desconfiadas foi a melhor escolha entre os que assumiram o microfone. Mandou muito bem com <em>Tudo pode mudar </em>(<strong>Metrô</strong>) e <em>Pintura Íntima</em> (<strong>Kid Abelha</strong>). <strong>Virginie</strong> e <strong>Paulinha Toller </strong>foram muito bem representadas. Por outro lado, <strong>Fernanda Porto</strong>, que vem de outras praias, mandou mal com o microfone. Acertou mesmo quando pegou o sax. Outro que me causou alguma estranheza foi <strong>Beto Bruno</strong>. Adoro o <strong>Cachorro Grande</strong>, mas agora não tenho qualquer dúvida de que eles têm seu estilo e devem se manter nele.</p>
<p align="justify">Dos originais, só <strong>Roger</strong>, que deu um peso muito maior e fez diferença cada vez que pegava a guitarra, e <strong>Thedy</strong> (<strong>Nenhum de nós</strong>). Vinte e três músicas pinçadas de centenas de pérolas que poderiam fazer uma dúzia de programas sem repetir uma canção e sem correr o risco de que um fosse melhor ou mais representativo que o outro. Nem <strong>Gang 90</strong> e <strong>Mercenárias </strong>escaparam. Mas faltou <strong>Camisa de Vênus</strong>. Impossível não deixar muita coisa boa de fora, mas vale a pena assistir.</p>
<p align="justify">Assim como Thedy, “<strong><em>lamento que muita gente não tenha vivido aquela época e tenha uma idéia equivocada do que aconteceu</em></strong>”. Quem perder hoje ainda poderá ver no próximo domingo, 21, às 20h30, e no dia 26, às 18h30.</p>
<p align="justify">Também nesta terça, 16, tem exibição de <strong><em>Areias escaldantes</em></strong>, de <strong>Francisco de Paula</strong>, às 21h, no CineBrasil TV. Já nem sei quantas vezes assisti, principalmente depois de conseguir uma cópia das mãos do próprio diretor. É o filme do mês no Cine Brasil (ainda passará outras duas vezes em setembro).  Em breve, falarei mais a respeito desse nonsense que traz <strong>Titãs</strong> e <strong>Lobão</strong>, em priscas eras, cantando e atuando, além de <strong>Regina Casé</strong>, <strong>Diogo Vilela</strong>, <strong>Luiz Fernando Guimarães</strong>, <strong>Cristina Aché</strong> e <strong>Macalé</strong> (não o Jards). Repeteco nos dias 27 (16h30) e 30 (21h). Cole na tevê, divirta-se e comente.</p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback.jpg" usemap="#Map" border="0" height="25" /></center></p>
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		<title>Chacretes</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Apr 2008 03:00:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Anos 80]]></category>
		<category><![CDATA[Erotismo]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Periódicos]]></category>

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		<description><![CDATA[Que Blitz! Que Cazuza! Que Titãs! Que nada! Quando eu ligava a tevê nas tardes de sábado, nos anos 80, eu queria mesmo ver as Chacretes. Para um pré-aborrecente, o Cassino do Chacrinha fazia as vezes de telecatecismo, por assim &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/04/21/chacretes/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/chacretes.jpg" align="right" border="0" height="314" width="238" />Que Blitz! Que Cazuza! Que Titãs! Que nada! Quando eu ligava a tevê nas tardes de sábado, nos anos 80, eu queria mesmo ver as <strong>Chacretes</strong>. Para um pré-aborrecente, o <a href="http://br.youtube.com/watch?v=ATd-ZDKvYE8" target="_blank">Cassino do Chacrinha</a> fazia as vezes de telecatecismo, por assim dizer.</p>
<p align="justify">Eu sonhava com as chacretes. Todo mundo sonhava. Mas como diria John Lennon e também o padeiro depois de esvaziar o cesto: “<em><strong>O sonho acabou</strong></em>”.</p>
<p align="justify">Engrossando as estatísticas que dizem ter aumentado em 46% a audiência dos telejornais nas duas últimas semanas, lá estava eu com a tevê ligada, à espera de mais um capítulo da <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/04/07/isabella" target="_blank">novela da menina</a> (que já não me esforço por entender porque não há o que entender) quando ouvi o porta-voz dos mauricinhos – O incrível Huck – falando algo sobre o <strong>Velho Guerreiro</strong>. Cheguei a tempo de <a href="http://belezapura.globo.com/Novela/Belezapura/Capitulos/0,,AA1677796-10261,00.html" target="_blank">ver a entrada das chacretes</a>: <strong>Rita Cadillac</strong>, <strong>Marlene Morbeck</strong>, <strong>Índia Poti</strong>, <strong>Edilma Campos</strong>, <strong>Lucia Apache</strong>, <strong>Regina Polivalente</strong>, <strong>Sandrinha Toda Pura</strong> (que ele chamou de Toda Dura&#8230; se bem que&#8230;), <strong>Cleópatra</strong>, <strong>Cleo Toda Pura</strong> e <strong>Cris Saint Tropez</strong>. Algumas me deram a certeza de que o sonho realmente acabou.</p>
<p align="justify">Justiça seja feita! <strong>As mais novas ainda estão lindas</strong> e batendo um bolão. Regina Polivalente, Cleópatra, Cleo Toda Pura e Cris Saint Tropez estão bem na fita. Mas a verdade é que nem bem a presepada terminou e minha mente sórdida de memorialista safado já estava em busca de uma edição especial da <em><strong>Internacional</strong></em> (“revista para adultos”) só com chacretes, feita ali pelo final de 1982 ou início de 1983.</p>
<p align="justify">Das que apareceram na tevê, só Rita Cadillac (sempre ela!) estava entre as quatro que posaram para a revista. As outras eram <strong>Lia Hollywood</strong>, <strong>Fátima Boa-Viagem</strong> e <strong>Índia Amazonense</strong>. Todas em ótima forma e – algo raro hoje em dia – naturalíssimas. Nada de peitões a mais ou costelas a menos. Mas o interessante mesmo dessa edição é a entrevista (me engana que eu gosto!) com Rita, Lia e Índia. Reproduzo o texto de apresentação para que vocês possam sentir o tom.</p>
<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/chacretes2.jpg" border="0" /></p>
<p align="justify">Lembrei também que, na mesma época, as três haviam participado do filme <em><strong>Tessa, a gata</strong></em>, adaptação do livro de mesmo nome de <strong>Cassandra Rios</strong> (quem tiver uma cópia, por favor&#8230; será regiamente recompensado).</p>
<p align="justify">Essas e muitas outras devem aparecer ainda este ano. As homenagens a <strong>Chacrinha</strong> – muito merecidas – não são à toa. Em julho, fará <a href="http://br.youtube.com/watch?v=kjXsJeN_yHY" target="_blank"><strong>20 anos que ele morreu</strong></a>.</p>
<p><strong> Textos relacionados</strong><br />
<a href="http://www.sandrofortunato.com.br/sajul06.htm#rita"> Rita Cadillac, uma mulher que sabe se virar</a><br />
<a href="http://www.sandrofortunato.com.br/sagost07.htm">Pecados de Cassandra</a></p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback.jpg" usemap="#Map" border="0" height="25" /></center></p>
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		<title>A diversão continua</title>
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		<pubDate>Sat, 05 Apr 2008 20:49:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Anos 80]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; Já que estamos em clima oitentista, nada melhor que falar de B-52’s. Fred Schneider (56 anos), Keith Strickland (54), Kate Pierson (completando 60 anos este mês!) e Cindy Wilson (51), esses garotos e garotas da foto, insistem em provar &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/04/05/a-diversao-continua/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">&nbsp;</p>
<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/b52.jpg" border="0" height="450" width="600" /></p>
<p align="justify"> Já que estamos em clima oitentista, nada melhor que falar de <strong>B-52’s</strong>.</p>
<p align="justify"><strong>Fred Schneider</strong> (56 anos), <strong>Keith Strickland</strong> (54), <strong>Kate Pierson</strong> (completando 60 anos este mês!) e <strong>Cindy Wilson</strong> (51), esses garotos e garotas da foto, insistem em provar – sem fazer força! – que <strong>envelhecer não é preciso</strong>. Sempre achei que eles não fossem desse planeta e agora já não tenho dúvidas.</p>
<p align="justify">A foto é de divulgação do novo CD, <strong><em>Funplex</em></strong>, que The B-52’s lança após 16 anos sem gravar. <em>Photoshop</em> à parte, eles estão batendo um bolão. “<em><strong>Coincidentemente</strong></em>”, Fred, Keith e Kate <strong>são vegetarianos há décadas</strong>. Cindy, a mais nova de todos e que parece a mais velha, não é. Ok. Isso foi só para lembrar que eu também sou vegetariano.</p>
<p align="justify">O CD – aquele disquinho prateado que antigamente se vendia em lojas cheias deles – chega oficialmente ao Brasil na próxima sexta, dia 11. Falar mais o quê? Você, que é um cidadão respeitável e pagador de impostos, <a href="http://vh1brasil.uol.com.br/musica/audiopremiere/az/b52s" target="_blank">ouça aqui</a>. O resto da humanidade sabe o que fazer. Afastem os móveis, aumentem o som e divirtam-se.</p>
<p align="justify">Ah! Tem mais uma coisinha a falar, sim. A quarta faixa se chama <em><strong>Juliet of the Spirits</strong></em>. Eles são <strong>A</strong> banda dos anos 80, me fizeram pular como louco em todas as festas daqueles anos, são vegetarianos e ainda fazem uma música com <strong>nome de filme do Fellini</strong>. Pergunte-me se gosto deles&#8230;</p>

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		<item>
		<title>Cazuza &#8211; 50 anos</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Apr 2008 03:00:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Aniversário]]></category>
		<category><![CDATA[Anos 80]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[A primeira vez em que vi Cazuza foi na praia. Nem lembro qual. Ipanema ou Leblon. Eu era um moleque, estava com um grupo mais velho e quando nos aproximamos alguém o chamou. Estava deitado sobre uma toalha de banho. &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/04/04/cazuza-50-anos/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/cazuza.jpg" border="0" height="261" width="600" /></p>
<p align="justify">A primeira vez em que vi <strong>Cazuza</strong> foi na praia. Nem lembro qual. Ipanema ou Leblon. Eu era um moleque, estava com um grupo mais velho e quando nos aproximamos alguém o chamou. Estava deitado sobre uma toalha de banho. Sentou, virou o rosto, alguém me cutucou: “<em>É o Cazuza</em>”. Eu só sabia que ele cantava numa banda que já tinha visto <a href="http://br.youtube.com/watch?v=QzwCQndTJ_o" target="_blank">no programa do Chacrinha</a>. Ainda nem havia começado a comprar meus primeiros discos.</p>
<p align="justify">Em 1986, já morando em Natal, fui ao <strong>meu primeiro show</strong>. Cazuza. No Palácio dos Esportes, um ginásio que fica na Praça Cívica, no bairro de Petrópolis. O local abrigou shows de todas as bandas e cantores oitentistas: Paralamas, Ultraje, Titãs, Lobão, Kid Abelha, Lulu&#8230; Era o <em>Circo Voador</em> em Natal. O show fazia parte da turnê de <strong><em>Exagerado</em></strong>, primeiro álbum solo de Cazuza. Eu nem tinha idade para ir, mas como era maior e mais encorpado que a média dos adolescentes que já tinham 16, 17 anos, entrei na boa.</p>
<p align="justify">Foi um ritual de iniciação. Sair à noite, ir a um show de rock, flertar, ficar agarrado, dar beijinho, pular, cantar&#8230; E Cazuza apadrinhando esse batismo.</p>
<p align="justify">No ano seguinte viria <em><strong>Só se for A 2</strong></em>, que ouvi até quase deixar o vinil fino como papel. Em, 1988, fazendo a trilha sonora para o moleque que entrava no curso de Jornalismo, <em><strong>Ideologia</strong></em>. Depois tudo aconteceu muito rápido. Mais dois álbuns, ambos com Cazuza já muito debilitado, e sua morte em julho de 1990. Lembro de ver a notícia no <em>Jornal Nacional</em> e ficar sem acreditar. Era como se <strong>os anos 80</strong> inteiros estivessem <strong>morrendo junto com ele</strong>. E talvez tenha sido isso mesmo.</p>
<p align="justify">Trancado no quarto, vitrola no último volume, acompanhava as músicas com uma guitarra muda e chorava. Chorava muito. Um não entender de porquê se morre. Naquele instante, nem imaginaria que no mesmo ano eu estaria sentindo isso de forma ainda mais intensa, vivendo meu próprio drama pessoal com a perda de alguém muito mais jovem que Cazuza.</p>
<p align="justify">Em minha história pessoal, com o ano de 1990 terminou toda uma fase de sonhos. As músicas de Cazuza entraram definitivamente em mim. <em>Vida louca vida/ vida breve/ já que eu não posso te levar/ quero que você me leve</em>&#8230; <em>Senhoras e senhores/ trago boas novas/ eu vi a cara da morte e ela estava viva</em>&#8230; <em>Exagerado</em>&#8230; <em>O nosso amor a gente inventa/ pra se distrair/ e quando acaba, a gente pensa / que ele nunca existiu</em>&#8230; Tudo entendido-vivido de uma só vez e uma única certeza: que <em><strong>o tempo não pára</strong></em>.</p>
<p align="justify">E pensar que o garoto que o viu na praia tem hoje mais idade do que ele chegou a ter&#8230;</p>

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