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	<title>Sempre Algo a Dizer &#187; Amigos</title>
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		<title>Se existe alguma esperança&#8230;</title>
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		<pubDate>Sun, 15 May 2011 22:49:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Amigos]]></category>
		<category><![CDATA[Conversa com o leitor]]></category>
		<category><![CDATA[Crônica]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu já perdi um filho. Um filho que nem conheci. Ele morreu antes mesmo de nascer, junto com a mãe, que tinha apenas 19 anos. Eu tenho três filhos e sou um incompetente como pai. Se faço algum lamento e &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2011/05/15/se-existe-alguma-esperanca/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/05/meninadormindo.jpg"><img class="size-full wp-image-994 aligncenter" style="border: 0pt none; margin-top: 0px; margin-bottom: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2011/05/meninadormindo.jpg" alt="" width="600" height="398" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Eu já perdi um filho. Um filho que nem conheci. Ele morreu antes mesmo de nascer, junto com a mãe, que tinha apenas 19 anos.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu tenho três filhos e sou um incompetente como pai. Se faço algum lamento e se existe alguma ponta de uma maldita autocomiseração, é quando penso que gostaria de ter nascido milionário para ser dono de casa e viver para eles. Brincar, ensinar, não ter qualquer outra preocupação, ocupação, necessidade ou outro sonho pessoal. Trocaria qualquer coisa, qualquer vida, para, sendo homem, ser uma perfeita mãe de família dos anos 1950. E viveria com aquele sorriso de dona de casa de filme americano antigo.</p>
<p style="text-align: justify;">Toda vez que tenho notícia da dor de uma criança, eu sinto a dor. Toda vez que tenho notícia da morte de uma criança, morro também. Não morro um pouco. Eu morro DE NOVO.</p>
<p style="text-align: justify;">Hoje, a primeira coisa que vi ao conectar foi: <a href="http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2011/05/15/casal-de-minas-gerais-luta-ha-um-ano-na-justica-por-remedio-para-doenca-rara-das-filhas.jhtm" target="_blank"><em>Casal de Minas Gerais luta há um ano na Justiça por remédio para doença rara das filhas</em></a>. Isso é coisa de país subdesenvolvido, de gente subdesenvolvida e, obviamente, governado por gente subdesenvolvida. Eu havia tirado o domingo para exercitar minha mediocridade de remediado, aproveitar o clima chuvoso e ver filmes com Ananda, minha filha de 11 anos. Preferi &#8220;não pensar nessas coisas&#8221;. No fim da tarde, conecto de novo e fico sabendo que um anjinho, Taíssa, sobrinha do meu querido Silvio Lach, nos deixou. Ela morreu com dengue hemorrágica. Uma epidemia que existe por ser transmitida pela picada de um mosquito é coisa de quinto mundo, de país sem qualquer preocupação com saúde. Não interessa se você ou alguém da sua família já teve dengue ou outra doença epidêmica. É um problema de todo mundo. Esperar ação de governante é atitude de gente idiota. Eleger e cobrar, independente de quem foi eleito, é a única atitude que provoca alguma mudança. Se não fazemos nada, se não nos movimentamos, se não cobramos, se torcemos contra e boicotamos (quando nosso candidato não foi eleito), nós SOMOS PESSOAS DE QUINTO MUNDO, por isso temos doenças de quinto mundo e merecemos o descaso de quem nos governa.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>PERGUNTO</strong>: Você faz alguma coisa ou fica só reclamando da incompetência de quem nos representa?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>PERGUNTO</strong>: Você vai ficar esperando isso acontecer <strong>COM O SEU FILHO</strong> para finalmente sentir a dor e tentar fazer alguma coisa?</p>
<p style="text-align: justify;">Silvio resumiu de forma verdadeiramente brilhante ao tuitar: <em>A dengue dá em águas paradas, prefeituras paradas, políticos parados, governos parados e, principalmente, pessoas paradas.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>TODOS NÓS</strong> somos responsáveis pela mudança. Se tem alguém aí perto que você possa ajudar, ajude. <strong>FAÇA A SUA PARTE</strong> não é uma frase de propaganda;<strong> É UMA LEI DE SOBREVIVÊNCIA DA ESPÉCIE</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Em tempo: Meu bebê mais novo, Dom Pietro Fortunato Barbosa de Castro Alves sem Orleans e Bragança, completa seis anos nesta segunda. Pietro e Ananda são regentes do meu coração e os responsáveis mais diretos por eu não ser o mais radical dos niilistas. Não tenho grandes esperanças na humanidade e minha descrença só não é absoluta porque os dois existem. Se eu for um pouco menos incompetente, talvez consiga ajudá-los a serem pessoas melhores que eu. Se existe alguma esperança, ela mora nas crianças. Nas minhas, nas dos meus amigos, nas que não conheço.</p>
<p style="text-align: justify;">Descanse em paz, Taissa. Perdão por não termos conseguido fazer deste mundo um lugar legal para se viver. Ainda estamos só tentando acordar.</p>

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		<title>Os Clowns</title>
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		<pubDate>Mon, 29 Nov 2010 19:27:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Amigos]]></category>
		<category><![CDATA[Fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Teatro]]></category>

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		<description><![CDATA[– Ma che cosa è? – È il circo. (Primeiro diálogo em I Clowns, de Fellini) Os Clowns estão de volta. A principal novidade é que não há novidade. São os clowns, os palhaços, i buffoni, de volta às raízes &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/11/29/os-clowns/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/clowns_r3_01.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-792" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/clowns_r3_01.jpg" alt="" width="600" height="300" /></a></p>
<p style="text-align: right;"><em>– Ma che cosa è?<br />
– È il circo.</em><br />
(Primeiro diálogo em <em>I Clowns</em>, de Fellini)</p>
<p style="text-align: justify;">Os Clowns estão de volta. A principal novidade é que não há novidade. São os clowns, os palhaços, <em>i buffoni</em>, de volta às raízes do espetáculo circense. E são Os Clowns de Shakespeare de volta às próprias raízes e em grande forma.</p>
<p style="text-align: justify;">Estão de volta à sua terra, Natal. Eu, também nela, tenho me recusado a sair de casa e poucos argumentos me convencem a fazer o contrário. Porém, os Clowns não são qualquer coisa e César Ferrario, um deles, me convidou a conferir o novo espetáculo – <em>Sua Incelença, Ricardo III </em>– de forma carinhosa, alegando que tenho um dos “<em>poucos olhares que pode enxergar toda a nossa história através dos tempos, em tudo que isso tem de bom e de não bom</em>”. Como se diz “<em>não</em>” a uma intimação dessas?</p>
<p style="text-align: justify;">Foi em 1993 que lancei meu primeiro olhar sobre os Clowns, um bando de aproximadamente 30 jovens alunos secundaristas, quase todos desorientados, em cima de um palco. Eu, um jovem jornalista (hoje curado, apesar da sequelas) que se atreveu a escrever uma crítica ao espetáculo. Primeira e única que o grupo recebeu durante uma década. Não por falta de merecimento, mas de quem o fizesse.  Mesmo tendo me mudado para Brasília, os Clowns eram programa obrigatório durante minhas vindas a Natal, nos finais de ano. Em 2004, tendo restado apenas César, Renata Kaiser e Fernando Yamamoto do gigantesco bando inicial, assisti a <em>Muito Barulho por Quase Nada</em>, um sucesso que durou várias temporadas. Já eram, então, um grupo profissional, bem organizado, estudioso e que estava conquistando reconhecimento nos festivais de teatro do país e, bem mais difícil que isso, na normalmente ingrata cidade onde nasceu e da qual Cascudo diz que não consagra nem desconsagra ninguém.<a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/clowns_r3_02_3.jpg"></a></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/clowns_r3_02_3.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-796" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/clowns_r3_02_3.jpg" alt="" width="600" height="300" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Até o convite, o capítulo mais recente dessa história em comum havia acontecido em outubro de 2009, em São Paulo, quando assisti a <em>O Capitão e a Sereia</em>. Escrevi a respeito e usei os Clowns para criticar a inexistência de crítica em Natal. Fui suficientemente ácido para apontar a melhor peça deles como algo, digamos, “insuficiente” para quem os conhecia há década e meia. <em>O Capitão&#8230; </em>era, sem dúvida e de longe, o melhor espetáculo do grupo. Rendeu excelentes críticas de quem sabe e pode fazer crítica teatral no Brasil. Da província, sem ver, as focas batiam palmas. Se fossem sérias, se disporiam a ir a São Paulo, onde eles estrearam e fizeram temporada de dois meses, para conferir e escrever a respeito. Assim como, hoje, a imprensa de São Paulo vêm a Natal para conferir o trabalho deles. Os Clowns são profissionais de alto nível e merecem tratamento à altura. Um ano depois desse episódio e tendo corrido o risco de que um ou outro me odiasse eternamente, não criticaria mais a falta de crítica na pequena tribo. Tampouco diria que isso faz falta aos Clowns. Eles pertencem ao mundo. Não precisam de focas amestradas batendo palmas, nem de tapinhas nas costas, frases feitas e coisas assim. Não precisam nem de um ex-jornalista idiota como eu se metendo a Barbara Heliodora. Portanto, o que segue não é uma crítica, mas um breve relato sentimental de nosso mais recente encontro. E se eu usar as palavras “<em>trupe</em>” e “<em>mambembe</em>”, por favor, pare de ler. Ninguém merece isso.</p>
<p style="text-align: justify;">Sexta, 26 de novembro de 2010. Chego ao “terrenão”, uma grande área aberta em frente ao Barracão dos Clowns onde estava sendo apresentada <em>Sua Incelença, Ricardo III</em>. Incelências são os cantos coletivos feitos em velórios. Também uma forma popular, anasalada, de se referir a alguma autoridade no interior do Nordeste. Todo <em>dotô </em>é uma <em>incelença</em>. Os Clowns são basicamente isso: Shakespeare com sotaque nordestino.</p>
<p style="text-align: justify;">Fui como mero espectador. Sozinho, quase anônimo, praticamente escondido. Aboletado no alto de uma das arquibancadas, via as árvores, as gambiarras de lâmpadas movimentadas pelo vento, ouvia a música e tudo me lembrava Fellini. Aqui, aos que me conhecem, já entrego minhas expectativas, pois nunca uso o nome de deus em vão. Se algo me faz lembrar Fellini, só pode ser algo muito bom. Aquele ambiente aberto, de circo popular, da arte teatral em sua forma mais pura e simples foi me conquistando antes mesmo de os atores entrarem em cena.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/clowns_r3_04_joel.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-801" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/clowns_r3_04_joel.jpg" alt="" width="600" height="316" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Entraram. Nunca vi os Clowns tão clowns. Seria extenso e mesmo chato falar de cada detalhe perfeito da peça. Diria apenas que todo expectador poderia vê-la pelo menos meia dúzia de vezes. Uma para ver o todo, uma segunda para olhar somente os detalhes do figurino, outra para prestar atenção às vozes dos personagens, uma quarta apenas para admirar o trabalho corporal, mais uma só para se deliciar com as expressões&#8230; Pensando bem, seis vezes ainda é pouco. Fui duas vezes. Uma, só para fotografar.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Ricardo III </em>traz oito atores. Quatro deles, conheço de longa data; Renata Kaiser, Marco França, César Ferrario e Titina Medeiros. Da outra metade, conhecia apenas Camille Carvalho de <em>O Capitão e a Sereia</em>. Dudu Galvão, Joel Monteiro e Paula Queiroz eram novos para mim.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/clowns_r3_05_dudupaula.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-802" style="border: 0pt none; margin: 0px;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/clowns_r3_05_dudupaula.jpg" alt="" width="370" height="380" /></a>Sabe quando você vê um jovem ator/uma jovem atriz pela primeira vez e se pergunta: Onde ele estava que eu nunca tinha visto?! É um de seus primeiros trabalhos e ele é já bom assim mesmo? Isso tudo é talento? Já havia sentido isso por <em>Camille em O Capitão&#8230;,</em> sua estreia nos Clowns.  Joel é ótimo. Paula e Dudu são surpreendentes. Incomodam de tão bons que são.</p>
<p style="text-align: justify;">Paula e Dudu fazem vários personagens. Mesmo com figurinos e até uso de máscaras diferentes, isso pode confundir o espectador menos atento. Mas o trabalho de voz dos dois é tão perfeito que basta ouvi-los para saber que o personagem que acaba de entrar não é o mesmo que saiu há pouco. Eles sabem dar o tom certo, uma personalidade a cada um, pontuar cada sentimento. O deboche, a ironia, o sarcasmo e o desdém – muitas vezes entendidos como uma coisa só – são utilizados, cada um, no tom adequado. Dudu, quando faz o narrador, ainda está livre para exercitar a improvisação e inserir cacos tão perfeitos que parecem ter sido ensaiados.  Muita disciplina e raciocínio rápido ajudam muito um ator a brilhar. Além das vozes, Paula e Dudu ainda subvertem o poder da máscara, da maquiagem. Quando um palhaço entra em cena, de imediato você sabe mais ou menos o que esperar dele pela sua maquiagem. Ele pode parecer triste, louco, pateta, bobo, cínico&#8230; A maquiagem tem a função óbvia de reforçar a caracterização, de ajudar a compor a personalidade a ser apresentada. Quando um ator, debaixo de uma única maquiagem de clown, se transforma em vários personagens e ainda imprime a cada um deles variados sentimentos é algo que realmente impressiona. Não é qualquer um que tem essa capacidade de expressão facial e, mais ainda, técnica e conhecimento para aplicar e fazer valer esse poder. Dudu ainda é responsável por um dos momentos mais risíveis da peça, quando a plateia se rende a sua interpretação e sua voz ao cantar.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/clowns_r3_03_renata.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-804" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/clowns_r3_03_renata.jpg" alt="" width="600" height="315" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Confessei a César que acho necessário tomar alguma distância temporal em relação a ele, Marco e Renata. Cada vez que pisam em cena, já vejo todos os personagens que os vi interpretar. É um problema meu, não deles. De imediato, não dou chances que me apresentem às novas personas. Minha exigência para com eles é sempre bem maior. Penso: “<em>Surpreendam-me. Mostrem-me se merecem mesmo meus aplausos.</em>” Eles mostraram. Quem melhor fez isso foi Renata, que passa a maior parte do tempo como a amarga rainha Margaret. Diferente dos outros, que se revezam em momentos de drama e comédia, ela é sempre grave, trágica. Gostei de vê-la assim.</p>
<p style="text-align: justify;">A respeito de Marco, aproveito para fazer uma confissão. Na primeira vez em que o vi em cena junto aos Clowns, pensei: “<em>O que aquele antipático que toca teclado está fazendo ali?</em>” Assim mesmo, de forma convicta e preconceituosa, já disposto a odiar qualquer coisa que ele fizesse. Isso foi em 2004, como <em>Muito Barulho por Quase Nada</em> e&#8230; adorei seu trabalho como ator. Talvez por ele ter papéis de grande destaque em todas as peças, talvez por me restar ainda alguma estúpida antipatia totalmente sem sentido, talvez por achar que ele exerça muita influência e até coloque música demais em algumas peças, talvez por tudo isso junto, é em relação a ele que tenho mais dificuldade em ter o necessário distanciamento para ver somente o personagem que está em cena. Assim que ele aparece, fico esperando que surjam também Benedito e o galado do Corniso, de <em>Muito Barulho</em>&#8230;; o garçom de <em>Roda Chico</em>; o falastrão de <em>O Capitão e a Sereia</em>. Porém, em <em>Ricardo III</em>, quem aparece é só Ricardo III mesmo. Se Marco conseguiu me fazer rir de quem eu não queria e agora, me fez enxergar somente Ricardo, certamente está fazendo um trabalho bem feito. Assumo a culpa por qualquer disposição em contrário.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/clowns_r3_06_marco_cesar.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-811" style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/clowns_r3_06_marco_cesar.jpg" alt="" width="600" height="414" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Finalmente, César, o grande culpado por me fazer sair do claustro e escrever este texto imenso.  Ele faz três papéis importantes: Clarence, a Duquesa e Tyrrel Jararaca. Este último é o que mais rápido cativa a plateia, até por ser um cangaceiro e, portanto, o mais próximo de nossa realidade, de nossa cultura. Mas é com a Duquesa que ele vive o momento de apoteose da peça. Ninguém consegue ficar sem rir e aplaudir. Contar estragaria a surpresa. Só posso dizer que quem viu vai passar muito tempo com <em>Bohemian Rhapsody </em>na cabeça.</p>
<p style="text-align: justify;">Falei de todos? Não. Faltou Titina, de quem sempre me recuso a falar por me sentir afetado por todo carinho que tenho por ela. Quando a conheci, era ainda uma menina e, creio, ela nem imaginava que viria a ser atriz. Penso que por ser uma figura mais popular, que aparece na tevê, o público, em geral, já se sente à vontade para gostar mais dela. Gostaria de vê-la atuando fora de Natal. Nesta peça, sua rainha Elizabeth tem falas que fazem o público gargalhar a toda hora. Do interior do Rio Grande do Norte, Titina conhece bem o jeito e as expressões populares que são imediatamente reconhecidas e agradam. É a pessoa perfeita para virar para o rei e dizer: “<em>Ricardo, não confunda cu com bunda.</em>” Isso em um tempo certo de piada e fazendo todo mundo acreditar que a rainha não passa de uma alpinista social daquelas bem ralé.</p>
<p style="text-align: justify;">Ricardo III é uma tragédia, uma comédia, um musical, um espetáculo de clowns. Dizer que é completo, seria como utilizar aquelas palavras que disse, lá no início, que não usaria. Se achei <em>O Capitão e a Sereia</em> a melhor peça do grupo, <em>Sua Incelença, Ricardo III</em> é o melhor clowns e o melhor Shakespeare dos Clowns de Shakespeare. Em 2011, vai rodar pelo país. Fique de olho para quando passar aí por perto.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>* * * * * * * *</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Textos relacionados</strong><br />
<a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/11/29/os-clowns-o-capitao-e-a-falta-de-critica" target="_self">Os Clowns, o Capitão e a (falta de) Crítica</a><br />
<a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/08/29/velhos-palhacos-na-estrada" target="_self">Velhos palhaços na estrada</a></p>
<p><strong>Fotos:</strong><br />
<a href="http://www.flickr.com/photos/unsdiasemnatal/sets/72157625493912290" target="_blank">Sua Incelença, Ricardo III</a> (por Sandro Fortunato)<br />
<a href="http://www.flickr.com/photos/unsdiasemsampa/sets/72157625368673903" target="_blank">O Capitão e a Sereia</a> (por Sandro Fortunato)<br />
<a href="http://www.flickr.com/photos/clowns_natal" target="_blank">O Casamento</a> (por José Luiz Coe)<br />
<a href="http://www.flickr.com/photos/clowns_natal/sets/72057594056601062" target="_blank">Roda Chico</a> (por José Luiz Coe)<br />
<a href="http://www.flickr.com/photos/clowns_natal/sets/72057594056630444" target="_blank">Muito Barulho por Quase Nada</a> (por José Luiz Coe)</p>
<p><strong>Mais Clowns:<br />
</strong><a href="http://www.clowns.com.br" target="_blank">Site oficial dos Clowns de Shakespeare</a><br />
<a href="http://odiariodocapitao.blogspot.com" target="_blank">O Diário do Capitão</a></p>

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		<title>Gente</title>
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		<pubDate>Sat, 20 Nov 2010 22:39:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Amigos]]></category>
		<category><![CDATA[Fotografia]]></category>

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		<description><![CDATA[Pode até ser que eu goste de gente. Não de toda nem qualquer. De alguns tipos. Por perto, quanto menos, melhor. Passou de três, para mim já é tumulto. Vejo gente como personagem. Engraçado é que não gosto de gente &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2010/11/20/gente/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Pode até ser que eu goste de gente. Não de toda nem qualquer. De alguns tipos. Por perto, quanto menos, melhor. Passou de três, para mim já é tumulto.</p>
<p style="text-align: justify;">Vejo gente como personagem. Engraçado é que não gosto de gente que age como personagem. Gosto de gente de verdade, simples, com marcas no rosto e expressões que contam histórias. Gosto de gente original e que não tem medo de ser assim.</p>
<p style="text-align: justify;">Gosto de gente. Ponto. Para provar (ou para fingir), selecionei vinte e duas fotos que fiz de humanos em situações que me chamam atenção: na pureza, na simplicidade, em trabalhos pesados e pouco valorizados,  se misturando à cidade e em cena. Tem ainda algumas que considero especiais: são de criaturas que deixo chegar mais perto e chamo de amigos.</p>
<p style="text-align: justify;">Abaixo, dez dessas fotos. Você pode ver as vinte e duas, na ordem em que foram feitas, em <a href="http://www.flickr.com/photos/sandrofortunato02/sets/72157625432714848/" target="_blank"><strong>um álbum no Flickr</strong></a> ou em <a href="http://www.facebook.com/sandrofortunato" target="_blank"><strong>minha página no Facebook</strong></a>.  Espero que goste. E se você for gente (de verdade), saiba que é uma vítima em potencial.</p>
<p style="text-align: center;">
<p><div id="attachment_766" class="wp-caption aligncenter" style="width: 610px"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/2009_01_06_sibauma01p.jpg"><img class="size-full wp-image-766  " style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/2009_01_06_sibauma01p.jpg" alt="" width="600" height="450" /></a><p class="wp-caption-text">SAFIRA, moradora de Sibaúma, município de Tibau do Sul (RN).  Janeiro de 2009.</p></div><br />
<br />
<div id="attachment_769" class="wp-caption aligncenter" style="width: 610px"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/2009_01_08_maruim01p.jpg"><img class="size-full wp-image-769 " style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/2009_01_08_maruim01p.jpg" alt="" width="600" height="450" /></a><p class="wp-caption-text">Crianças da comunidade do Maruim, Natal (RN).  Janeiro de 2009.</p></div><br />
</p>
<p><div id="attachment_772" class="wp-caption aligncenter" style="width: 610px"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/2009_11_01_seja_feliz_p.jpg"><img class="size-full wp-image-772 " style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/2009_11_01_seja_feliz_p.jpg" alt="" width="600" height="450" /></a><p class="wp-caption-text">&quot;Seja feliz ou morra tentando&quot; - Praça Roosevelt, São Paulo (SP).  Novembro de 2009.</p></div><br />
</p>
<p><div id="attachment_773" class="wp-caption aligncenter" style="width: 610px"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/2009_11_04_mulher_grafite_p.jpg"><img class="size-full wp-image-773 " style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/2009_11_04_mulher_grafite_p.jpg" alt="" width="600" height="450" /></a><p class="wp-caption-text">Na Rua Augusta, São Paulo (SP).  Novembro de 2009.</p></div><br />
</p>
<p><div id="attachment_774" class="wp-caption aligncenter" style="width: 610px"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/2007_10_27_grafite_p.jpg"><img class="size-full wp-image-774 " style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/2007_10_27_grafite_p.jpg" alt="" width="600" height="450" /></a><p class="wp-caption-text">Na Estação da Luz, São Paulo (SP).  Outubro de 2007.</p></div><br />
</p>
<p><div id="attachment_776" class="wp-caption aligncenter" style="width: 610px"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/2009_01_08_maruim04p.jpg"><img class="size-full wp-image-776 " style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/2009_01_08_maruim04p.jpg" alt="" width="600" height="450" /></a><p class="wp-caption-text">Ferreiro no bairro das Rocas, Natal (RN).  Janeiro de 2010.</p></div><br />
</p>
<p><div id="attachment_777" class="wp-caption aligncenter" style="width: 610px"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/2009_11_09_fininho_p.jpg"><img class="size-full wp-image-777 " style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/2009_11_09_fininho_p.jpg" alt="" width="600" height="450" /></a><p class="wp-caption-text">FININHO, o coveiro-filósofo do Cemitério do Araçá, São Paulo (SP).  Novembro de 2009.</p></div><br />
</p>
<p><div id="attachment_778" class="wp-caption aligncenter" style="width: 610px"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/2009_10_31_teatro_renata_p.jpg"><img class="size-full wp-image-778 " style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/2009_10_31_teatro_renata_p.jpg" alt="" width="600" height="450" /></a><p class="wp-caption-text">RENATA KAISER, do grupo teatral Clowns de Shakespeare, na peça &quot;O Capitão e a Sereia&quot; no Sesi Vila Leopoldina, São Paulo (SP). Outubro de 2009.</p></div><br />
</p>
<p><div id="attachment_779" class="wp-caption aligncenter" style="width: 610px"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/2009_11_angela_p.jpg"><img class="size-full wp-image-779  " style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/2009_11_angela_p.jpg" alt="" width="600" height="450" /></a><p class="wp-caption-text">ÂNGELA CASTRO, vocalista da banda Rosa de Pedra, em Natal (RN). Novembro de 2009.</p></div><br />
</p>
<div id="attachment_780" class="wp-caption aligncenter" style="width: 610px"><a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/2007_10_31_wilson_p.jpg"><img class="size-full wp-image-780 " style="border: 0pt none;" src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2010/11/2007_10_31_wilson_p.jpg" alt="" width="600" height="450" /></a><p class="wp-caption-text">WILSON NATAL em foto para uma série com closes de amigos meus.  Foto feita em outubro de 2007, em São Paulo (SP).</p></div>

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		<title>Alfredo Puig</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Oct 2009 15:48:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[Foi em meados dos anos 1990 que estive pela primeira vez com Alfredo Puig Figueroa. Ele era vice-presidente da Sociedade Teosófica no Brasil e nos conhecemos em um encontro regional, em Recife. Voz calma, suave, sempre muito solícito e simpático, &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/10/12/alfredo-puig/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/wp-content/uploads/2009/10/puigmissa.jpg" alt="puigmissa.jpg" /></p>
<p align="justify">Foi em meados dos anos 1990 que estive pela primeira vez com Alfredo Puig Figueroa. Ele era vice-presidente da Sociedade Teosófica no Brasil e nos conhecemos em um encontro regional, em Recife.</p>
<p align="justify">Voz calma, suave, sempre muito solícito e simpático, cheio de histórias para contar. Estivemos juntos outras vezes, sempre em encontros da mesma instituição, em diferentes cidades. Em 2002, já morando em Brasília, tive o privilégio de vê-lo com mais frequência e, em minha incompetência para aprender, pelo menos estar ao alcance de sua aura de sabedoria.</p>
<p align="justify">Ontem, por mensagem enviada a um endereço eletrônico que acesso eventualmente, fiquei sabendo de sua última viagem, ocorrida no dia 2 de outubro. Estava com 88 anos.</p>
<p align="justify">Puig sempre foi um grande exemplo, não só para mim, mas para qualquer pessoa que o tenha conhecido. Era meu irmão mais velho em duas Fraternidades: na Sociedade Teosófica e na Maçonaria. No entanto, era outra faceta sua que me chamava mais atenção: a de sacerdote da Igreja Católica Liberal. Curiosamente, só o vi em ação uma única vez, em 2003, quando da visita à Brasília do Monsenhor Miguel Angel Batet, Bispo Comissário para o Brasil. A foto acima é dessa ocasião.</p>
<p align="justify">Acompanhando a mensagem sobre seu falecimento, vinham alguns dados biográficos, que reproduzo aqui:</p>
<blockquote>
<p align="justify"><em>Alfredo Ronan Puig Figueroa, nasceu em Cárdenas, Matanzas, Cuba, em 28 de fevereiro de 1921. Foi tradutor para o espanhol do ex-Presidente Internacional da Sociedade Teosófica, Sr. Sri Ram, em viagens pela América, tendo sido Presidente da Sociedade Teosófica em Cuba, Presidente da Federação Teosófica Interamericana e também Presidente da Sociedade Teosófica no Brasil.<br />
</em></p>
<p align="justify"><em>Além de sacerdote da Igreja Católica Liberal, o irmão Puig atingiu o grau 33, na Maçonaria, e teve destacada atuação no movimento teosófico por mais de cinquenta anos.<br />
</em></p>
<p align="justify"><em>Puig foi o principal responsável pelo fato de a Sociedade Teosófica ter permanecido em funcionamento em Cuba durante o período que sucedeu à Revolução Cubana de Fidel Castro, quando muitas instituições ficaram impedidas de atuar. Durante muitos anos não pôde manter contato com outros países e, no final dos anos 80, aceitou convite para vir residir no Brasil.<br />
</em></p>
<p align="justify"><em>Durante o período da Revolução Cubana, Alfredo Puig chegou a ser tradutor, para o inglês, em Cuba, do famoso líder revolucionário Ernesto Che Guevara.</em></p>
</blockquote>
<p align="justify">Uma de nossas primeiras conversas rendeu uma entrevista publicada na edição de março de 1997 da revista <em>ISIS</em>, da qual eu era editor (<a href="http://www.sandrofortunato.com.br/tafalado/isis/anteriores/puig.htm">veja aqui a entrevista completa</a>). Falamos sobre sua trajetória por várias Fraternidades e, ao final, perguntei o que ele achava da onda pseudoesotérica que já era bem forte naquela época. Sua resposta mostra de forma clara como Puig levava a vida, que ele acreditava não ser apenas essa que costumamos enxergar:</p>
<blockquote>
<p align="justify"><em>Algumas pessoas se inclinam aos movimentos de caráter psíquico e outras procuram coisas sérias. Em vez de adquirir qualidade através de uma disciplina de vida, como a yoga, que dura muitas vidas, muitos procuram efeitos transitórios, que não vão além desta encarnação. Devemos procurar o natural e o permanente.<br />
</em></p></blockquote>
<p align="justify">Siga em frente e incansável, Puig.</p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback3.jpg" usemap="#Map3" border="0" height="25" /></center></p>
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		<title>O jovem Antonio</title>
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		<pubDate>Wed, 05 Nov 2008 06:08:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Amigos]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[Um ano. Exatamente um ano entre aquela tarde em que estávamos vendo centenas de fotos enquanto tomávamos uma cerveja e ontem, quando soube que ele havia saído, assim às pressas e sem aviso, para sua derradeira viagem. Antonio Estevão, o &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/11/05/o-jovem-antonio/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/antonio1.jpg" /></p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Um ano. Exatamente um ano entre aquela tarde em que estávamos vendo centenas de fotos enquanto tomávamos uma cerveja e ontem, quando soube que ele havia saído, assim às pressas e sem aviso, para sua derradeira viagem.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><strong>Antonio Estevão, o jovem Antonio</strong>, como eu o chamava, foi uma das pessoas mais impressionantes que conheci em toda a vida. Dono de uma energia e de uma vivacidade que só poderiam ser subtraídas pelo coração, esse maldito que bate no peito de cada um e no qual não se pode confiar, foi levado numa manhã de terça sem que tivesse chance de reagir. Porque se tivesse, ele ganhava.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><o:p></o:p>Foi em abril do ano passado que nos falamos pela primeira vez. Eu organizava o material sobre <a href="http://www.memoriaviva.com.br/carlosestevao" target="_blank">Carlos Estevão</a>, conseguido naquele mês, quando me vi cheio de dúvidas. Eram referentes a datas, quase todas de sua infância e juventude <st1:personname productid="em Recife. Quem" w:st="on">em  Recife. Quem</st1:personname> poderia esclarecê-las? Liguei para Antonio Estevão, irmão de Carlos. Estranhei um pouco o vozeirão jovial que vinha daquele senhor que eu sabia ser já um octogenário.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Solícito e brincalhão, respondeu minhas perguntas sem qualquer dificuldade. Falamos sobre seus pais, as ruas em que moraram no Recife, as escolas que freqüentaram, e sobre o período em que ele e Carlos serviram o Exército.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/antonio2.jpg" align="left" height="207" width="288" />Antonio trabalhou muitos anos com Jean Manzon. Rodou o Brasil e o mundo e tem muitas (põe muitas nisso!) histórias para contar. Cinegrafista, parecia fazer com a cabeça o que fez a vida inteira com a câmera: registrava tudo.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Dono de uma vida riquíssima, digna de ser contada, não tive dúvidas e, ainda nesse primeiro contato, eu disse logo: “<em>Já sei de quem será minha próxima biografia</em>”.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Quando nos conhecemos pessoalmente, em seu apartamento em Copacabana, no dia 2 de novembro do ano passado, antes de começarmos a falar sobre seu irmão, eu quis saber: “<em>Qual é o segredo da eterna juventude?</em>”. Estava frente a <strong>um menino de 82 anos</strong>. Jovem, forte, bonito, de um raciocínio rápido e com uma energia que não encontro em muitos amigos que estão na casa dos trinta. Entenda-se: não era uma pessoa “conservada para 80 anos”. Era alguém que sabia viver e, com isso, parece ter sido poupado ou jamais alcançado pelo tempo.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Tinha certeza que ele seria muito importante em minhas pesquisas sobre Carlos Estevão. Sabia que ele preencheria lacunas, arremataria nós, esclareceria passagens, me daria pecinhas que estavam faltando no quebra-cabeças. Fez tudo isso e muito mais. Mostrou uma memória espantosa sobre fatos acontecidos 70 anos antes. Não teve meias palavras sobre nada nem ninguém. <strong>Sabe esse tipo de gente que você não encontra toda hora na vida e que é impossível não admirar? </strong>Antonio Estevão era assim.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Em muitos instantes, esqueci o irmão famoso, motivo pelo qual eu havia ido até lá, para ouvir suas histórias. Antonio viajou o Brasil e o mundo inteiro como cinegrafista da companhia de Jean Manzon. Conheceu a inóspita Ilha de Marajó, viu a Transamazônica ser aberta, foi ver a matança dos jacarés no pantanal do Mato Grosso, conheceu os lugares mais pitorescos que se possa imaginar, conviveu com grandes personalidades do mundo cultural e político, com presidentes&#8230; Filmava, fotografava, pintava. <strong>Era uma força da Natureza.</strong></p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/antonio3.jpg" align="right" height="251" width="168" />Alguém que sobrevive à queda de um avião e a quase uma semana esperando socorro, tinha mesmo que ser <strong>muito amigo da Vida</strong>. E ele era. Aqueles dias em que estivemos juntos me fez entender com mais clareza a necessidade de amar a vida, de vivê-la intensamente, de lembrar constantemente aos que amamos que nós realmente os amamos. Eu programei falar sobre ele aqui no blog no início deste ano. Fui deixando para depois, para depois&#8230; e agora ele não vai saber o quanto eu gostava dele.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Mas sei que esse sentimento foi correspondido. Absolutamente nada acontece por acaso. Naqueles poucos dias, há um ano, quando eu olhava para ele e pensava “<em>esse cara poderia ter sido meu pai</em>”, ele certamente percebeu isso. Por qual outro motivo ele se apressaria em escrever mais alguns capítulos de suas memórias e, uma semana depois, dar cópias disso a um quase estranho?</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Na última vez em que nos vimos, já existia no ar um sentimento de saudades. Ao nos despedirmos, na porta do elevador, ele me deu um forte abraço, um beijo carinhoso e disse que eu voltasse logo. Ontem, ao saber que seu alegre e enorme coração já não batia, me senti traído. Não por ele, mas pela vida. Por vários motivos, tive que adiar uma nova ida ao Rio e, quando isso se aproxima, já não mais nos encontraremos.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Na semana passada, pensei muito nele e, estupidamente, não dei um telefonema. Eu não havia percebido, mas ele estava fazendo aniversário. Na noite de domingo para segunda, não dormi e fiquei mexendo no material sobre Carlos Estevão. Na manhã de ontem, mesmo muito cansado, quase não consegui dormir. Tive dor de cabeça, estava agitado e durante o pouco tempo de sono tive pesadelos. No início da tarde, quando desisti de tentar descansar, recebi a notícia. Não perguntei maiores detalhes e, no momento, isso não me interessa. A imagem que sempre guardarei do jovem Antonio é aquela com os olhos apertados, o sorriso aberto e a voz cheia de vida contando muitas histórias.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Antonio Estevão viveu com muita sabedoria e energia cada dia dos seus 83 anos. Além de contar sua história, sinto-me devendo a ele pelo menos meio século, a partir de agora, de uma vida muito bem vivida e feliz. Se aprendi algo com ele é que estamos aqui para isso: para <strong>fazermos valer a pena cada instante</strong>.</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Permito-me um instante de tristeza, porque sou egoísta e não poderei mais ter bons momentos junto a você, mas só um instante. Já estou levantando um brinde, meu amigo. E você, onde estiver, continue nesse caminho inspirador e cheio de Luz.</p>

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		<title>Dos mestres com carinho</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Aug 2008 14:09:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Amigos]]></category>
		<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>

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		<description><![CDATA[Caí sem avisos no primeiro dia do II Festival Literário de Natal. Aquela segunda, 4 de agosto, escondia surpresas e momentos desses que devem ser guardados em relicários. Antes da abertura do Festival, aproveitando a solicitação apressada de alguns a &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/08/29/dos-mestres-com-carinho/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/neyfmora.jpg" border="0" height="222" width="600" /></p>
<p align="justify">Caí sem avisos no primeiro dia do <em>II Festival Literário de Natal</em>. Aquela segunda, 4 de agosto, escondia surpresas e momentos desses que devem ser guardados em relicários.</p>
<p align="justify">Antes da abertura do Festival, aproveitando a solicitação apressada de alguns a <strong>Nei Leandro de Castro </strong>para que autografasse seus exemplares da nova edição de <strong><em>O Dia das Moscas</em></strong>, apresentei meus dois exemplares: o novo e um da primeira edição, lançada 25 anos antes pela Codecri.</p>
<p>A situação única e provavelmente inesperada, valeu uma dedicatória carinhosa do autor:</p>
<p><strong><em>Para Sandro, que está lendo este livro aos 5 anos de idade , o abraço de Nei Leandro – Natal, 4.08.1983<br />
</em></strong><br />
Além da gentileza de me deixar com 30 anos quando já enxergo uma década a mais se aproximando, as palavras de Nei me deixaram como o primeiro a ter um exemplar de <em>O Dia das Moscas </em>autografado. O lançamento aconteceu no Rio de Janeiro no final de agosto de 1983.</p>
<p align="justify">Em seguida, Nei abriu a Feira falando principalmente sobre <strong><em>As Pelejas de Ojuara</em></strong> e sua adaptação para o cinema (<em>O homem que desafiou o diabo</em>). O escritor sempre foi reconhecido por seus iguais, mas “o povo” – principalmente o de Natal, que exige muitos leões mortos em savanas distantes para lançar um rápido olhar de admiração – estava lá para ver quem escreveu aquela historieta mostrada por maus atores. Historieta que <strong>NÃO</strong> foi escrita por ele, pois, tirando seus minutos iniciais, a adaptação está longe de fazer jus à tremenda história contada nas páginas de <em>As Pelejas de Ojuara</em>.</p>
<p align="justify">Enquanto isso, bem ao lado, a praça de alimentação do Natal Shopping se converteu em praça de agradáveis encontros e reencontros. Começou com <a href="http://colunas.digi.com.br/author/meire" target="_blank"><strong>Meire Feia-mas-te-amo Gomes</strong></a> e sua amiga <strong>Carol</strong> que formaram, junto a mim, uma mesa inusitada na qual se revelou algo, para mim, até então impensável: três pessoas que concordaram, expontaneamente, que o melhor filme brasileiro de todos os tempos é <em>Lavoura Arcaica</em>.</p>
<p align="justify">Na seqüência, <strong>Cláudio Damasceno</strong>, <a href="http://acacioas.digi.com.br" target="_blank"><strong>Santo Acácio</strong></a>, <strong><a href="http://www.cefascarvalho.blogspot.com" target="_blank">Cefas Carvalho</a></strong> e <a href="http://www.teatroclaudiamagalhaes.blogspot.com" target="_blank"><strong>Cláudia Magalhães</strong></a>, <a href="http://colunas.digi.com.br/author/patricio" target="_blank"><strong>Patrício Junior</strong></a>, o grande <strong><a href="http://canindesoares.blog.digi.com.br" target="_blank">Canindé Soares</a></strong> e a pequena (no tamanho) <a href="http://colunas.digi.com.br/author/tatiana" target="_blank"><strong>Tatiana Lima</strong></a>. Espero não ter esquecido ninguém.</p>
<p align="justify">Então chegou a vez do Mago. Não o Coelho, sobre quem escreveu, mas o <em>Mago das biografias</em>. Com um olho no chopp e outro na fila, esperei que essa diminuísse e, mais uma vez, fui para o final.  Abri meu coração sujo com <strong>Fernando Morais</strong>. Se soubesse que ele estaria lá, teria viajado com todos os seus livros para que fossem devidamente autografados. Apresentei-lhe o <a href="http://www.memoriaviva.com.br" target="_blank"><em><strong>Memória Viva</strong></em></a>, falei sobre minhas pesquisas para as biografias de <strong><a href="http://www.memoriaviva.com.br/appe" target="_blank">Appe</a></strong> e <a href="http://www.memoriaviva.com.br/carlosestevao" target="_blank"><strong>Carlos Estevão</strong></a> e joguei a culpa de tudo isso sobre ele. Com um sorriso de quem conhece as responsabilidades  – as próprias e as alheias – de se contar a vida de alguém, tascou na dedicatória:</p>
<p align="justify"><strong><em>Para Sandro Fortunato, que entende disto como ninguém, com o abraço e o carinho de Fernando Morais.</em></strong></p>
<p>Precisava de algo mais para ganhar o dia e tomar fôlego para os livros que estão por vir?</p>
<p>Aos mestres, meu agradecimento, minha admiração e o reconhecimento da dívida a ser paga com histórias muito bem contadas.</p>

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		<title>Velhos palhaços na estrada</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Aug 2008 13:48:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Amigos]]></category>

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		<description><![CDATA[Nos últimos instantes de meu último e involuntário ato na Rainha da Borborema, assisti aos Clowns de Shakespeare. Houve ainda uma tentativa de ver algo da apresentação do Cordel do Fogo Encantado. O algo ficou só no bis e na &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/08/29/velhos-palhacos-na-estrada/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/fotosblog/yamacesar.jpg" border="0" /></p>
<p align="justify">Nos últimos instantes de meu último e involuntário ato na Rainha da Borborema, assisti aos <a href="http://www.clowns.com.br" target="_blank"><strong>Clowns de Shakespeare</strong></a>. Houve ainda uma tentativa de ver algo da apresentação do Cordel do Fogo Encantado. O algo ficou só no bis e na observação de que não se pode aprender a ser palhaço. Você é e pronto.</p>
<p align="justify">Na manhã seguinte, partindo para o exílio sem saber, vencida a etapa de chão paraibano, iniciei um papo de velho com <strong>Fernando Yamamoto</strong>. “<em>Lembra?</em>”, “<em>naquele tempo&#8230;</em>” e outras expressões que entregam a idade de qualquer um iniciavam boa parte das frases. Quinze anos é algum tempo. É o tempo que nos conhecemos. Já rodamos bastante e, vez por outra, nossos caminhos se cruzam. Nesses momentos, completamos algumas lacunas: “<em>o que está rolando</em>”, “<em>como foi</em>”, “<em>e aquela história</em>”&#8230;</p>
<p align="justify"><strong>César Ferrário</strong> acorda e se junta à conversa. Logo percebe que é difícil fugir “daquele tempo”. Então começa a reconhecer as mudanças recentes, que também existe uma “<strong>crise dos 30</strong>”, durante a qual insistimos em <em>adolescer </em>em vez de envelhecer.  Histórias como a de Fernando se metendo a bater cabeça ao som de Iron, em casa, e ficando todo quebrado depois de duas músicas; meu quase infarto depois de uma nadada no mar de Jacumã ou a excursão de César com um grupo de terceira idade mostra a difícil adaptação do adolescente de 30 anos.</p>
<p align="justify">E quando o papo recai sobre as filhas, o grande medo é que canalhas como todos já fomos se aproximem delas. Filhas deveriam ser freiras ou casar somente depois dos 40. Fica difícil bancar o adolescente quando se corre o risco de ser avô.</p>
<p align="justify">Natal, esta cidade para se pagar karma, chega mais uma vez e cada um desce em uma parada. Novos pontos de partida, novas histórias começando. Cada clown inventa um personagem e segue seu caminho, sem saber o que esperar da próxima platéia e até se haverá alguma. O que importa é o que se faz no palco. Vamos ao próximo ato.</p>

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		<title>Flavinho, o sonhador</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Jul 2008 11:46:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Amigos]]></category>
		<category><![CDATA[Aniversário]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>

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		<description><![CDATA[Devo ter visto Flávio Rezende pela primeira vez ali no corredor do Bloco C, do Setor V da UFRN, em 1988. Jovem, mas com aquele ar de irmão mais velho da garotada que dava seus primeiros passos no ingrato mundo &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/07/15/flavinho-o-sonhador/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/flavinho.jpg" align="right" border="0" height="288" width="228" />Devo ter visto <strong>Flávio Rezende</strong> pela primeira vez ali no corredor do Bloco C, do Setor V da UFRN, em 1988. Jovem, mas com aquele ar de irmão mais velho da garotada que dava seus primeiros passos no ingrato mundo jornalístico.</p>
<p align="justify">Vinte anos depois, ele tem a mesma cara, a mesma juventude, a mesma energia, a mesma aura. Tudo isso muito típico das almas puras. A mais, história, experiência, sabedoria. E livros.</p>
<p align="justify">Hoje, no <strong>dia de seu aniversário</strong> de 47 anos – sim, esse menino na foto, feita há poucos dias, logo logo terá meio século de existência! –, está lançando seu 19º livro: <em><strong>O sonhador</strong></em>.</p>
<p align="justify">Li e tenho pelo menos meia dúzia deles, os lançados na época em que estávamos mais próximos, até meados dos anos 90. Flavinho sempre divulgou meus trabalhos. Talvez por gostar, por bondade, para completar suas colunas. Também sempre divulguei os dele, mas que fique claro que não por agradecimento ou política. Sempre fiz isso porque <strong>Flavinho é o cara “mais do Bem” que conheço</strong>. Então, nem me preciso ver o que ele fez. Se foi feito por ele, só pode ser uma coisa boa, algo para o Bem.</p>
<p align="justify">Nessas duas décadas, sou testemunha de suas batalhas e realizações. Nada fácil, nada sem muito esforço. Tudo tão impregnado de bondade, de bons fluídos, que invariavelmente dá certo, não importando o tempo que seja necessário para se tornar real. E o início de cada uma dessas realizações é sempre um sonho ao qual outras boas almas vão se juntando até que se concretize.</p>
<p align="justify"><em>O sonhador</em> livro está sendo lançado hoje. O sonhador-realizador Flavinho está só começando a encher nosso mundo de Luz.</p>
<p align="justify">Um grande beijo, meu querido. Sonho junto com você.</p>
<h5 align="right"> O convite para o lançamento está <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/07/11/o-sonhador">dois posts abaixo</a>.</h5>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback.jpg" usemap="#Map" border="0" height="25" /></center></p>
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		<title>Céu, Mar e Cajus</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/07/12/ceu-mar-e-cajus/</link>
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		<pubDate>Sat, 12 Jul 2008 18:00:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Amigos]]></category>
		<category><![CDATA[Artes plásticas]]></category>
		<category><![CDATA[Exposição]]></category>

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		<description><![CDATA[Vai um caju aí? Ainda dá tempo de conferir a exposição Céu, Mar e Cajus, do artista plástico Vatenor. Ela está sendo apresentada até quarta, 16 de julho, no Espaço Cultural Agência Sebrae, no Natal Shopping, em Natal (dãã!). A &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/07/12/ceu-mar-e-cajus/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/cajus.jpg" align="right" border="0" />Vai um caju aí? Ainda dá tempo de conferir a exposição <em>Céu, Mar e Caju</em>s, do artista plástico Vatenor. Ela está sendo apresentada até quarta, 16 de julho, no Espaço Cultural Agência Sebrae, no Natal Shopping, em Natal (dãã!).</p>
<p align="justify">A exposição, que inaugura o novo espaço cultural, mostra 25 trabalhos inéditos, todos dentro do universo dos cajus, dunas e mar. Vatenor começou a pintar de forma autodidata há 34 anos e já fez mais de 30 exposições individuais no Brasil e no exterior.</p>
<p align="justify"><a href="http://www.tafalado.com.br/natalnaintegra/cultura/vatenor.htm" target="_blank">Clique aqui para ler uma matéria</a> que fiz com ele para o <a href="http://www.tafalado.com.br/natalnaintegra" target="_blank">Natal na Íntegra</a>, em 1999.</p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback.jpg" usemap="#Map" border="0" height="25" /></center></p>
<map name="Map">
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		<title>Kusudama</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/07/10/kusudama/</link>
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		<pubDate>Thu, 10 Jul 2008 19:00:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Amigos]]></category>

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		<description><![CDATA[Tem gente, como eu, que guarda toneladas de papel, arruma direitinho, tenta preservar infinitamente suas características. Tem gente que pega qualquer papel e faz arte com ele como se estivesse brincando. Kusudama é o nome. São origamis modulares atualmente muito &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/07/10/kusudama/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/kusudama.jpg" border="0" height="319" width="600" /></p>
<p align="justify">Tem gente, como eu, que guarda toneladas de papel, arruma direitinho, tenta preservar infinitamente suas características. Tem gente que pega qualquer papel e faz arte com ele como se estivesse brincando. <strong>Kusudama</strong> é o nome. São <strong>origamis modulares</strong> atualmente muito usados em decoração. Particularmente, acho que é “uma forma de meditar fazendo arte”.</p>
<p align="justify"><strong>Andréa Garcia</strong>, prima de minha esposa e advogada que ficará milionária cuidando de meus direitos autorais, é uma artista da dobradura. Ela e duas amigas estarão expondo em<strong> Campina Grande</strong> a partir do próximo sábdo. Quem estiver na cidade, confira de perto. Quem estiver longe, dê uma boa olhada no <a href="http://brincadeirascompapel.blogspot.com" target="_blank"><em><strong>Brincadeiras com papel</strong></em></a>, blog onde Andréa mostra algumas de suas criações.</p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback.jpg" usemap="#Map" border="0" height="25" /></center></p>
<map name="Map">
<area href="mailto:sandrofortunato@gmail.com" shape="rect" coords="410,0,600,23" alt="Escreva-me" />
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		<title>Sant’Ana e Zé do Caixão</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/04/29/santana-e-ze-do-caixao/</link>
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		<pubDate>Tue, 29 Apr 2008 03:30:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Amigos]]></category>
		<category><![CDATA[Desenho]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Teatro]]></category>

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		<description><![CDATA[Fazia tempo que a minguada seção de Teatro potiguar em minhas estantes – perdida ali entre Autores potiguares – não via nada de novo. Pouco mais de dez anos, para ser preciso. A última aquisição havia sido Dramaturgia da Cidade &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/04/29/santana-e-ze-do-caixao/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/santana.jpg" align="right" border="0" height="280" width="208" />Fazia tempo que a minguada seção de <em>Teatro potiguar</em> em minhas estantes – perdida ali entre <em>Autores potiguares</em> – não via nada de novo. Pouco mais de dez anos, para ser preciso. A última aquisição havia sido <strong><em>Dramaturgia da Cidade dos Reis Magos</em></strong>, de <strong>Sônia Maria de Oliveira Othon</strong>. Antes disso, <em><strong>À luz da lua os punhais</strong></em>, peça de <strong>Racine Santos</strong>, que acompanhei e fotografei, com texto publicado em 1992. E acabou aí a seção de <em>Teatro potiguar</em>. Não menti quando disse que era minguada. Mas não é culpa exclusivamente minha. Publica-se muito pouco a respeito.</p>
<p align="justify">Acabo de receber <strong><em>Terra de Sant’Ana</em></strong>, da atriz e dramaturga <strong>Cláudia Magalhães</strong>. Plaquete editada com cuidado e muito bom gosto, é o primeiro título da <strong><em>Coleção Teatro Potiguar</em></strong>, da <strong>Editora Mekong</strong>. Acaba de ser lançada, sem alarde, e já pode ser encontrada nas principais livrarias de Natal ou pedida pelos e-mails <a href="mailto:claudia.magalhaes1@hotmail.com">da autora</a> ou <a href="mailto:cefascarvalho@bol.com.br">do editor</a>, <strong>Cefas Carvalho</strong>.</p>
<p align="justify">Aliás, junto com a plaquete vieram dois folhetos de cordel assinados por Cefas: <strong><em>A decadência da TV brasileira e esse tal de “Bigue Bróder”</em></strong> e <em><strong>A triste história de Romeu e Julieta no Nordeste</strong></em>. Cefas Carvalho é jornalista, escritor, poeta, editor e tudo mais que se possa fazer juntando palavras e papel. No mundo eletrônico, publica o <em><strong>Texto da Segunda</strong></em>, reunião de textos seus e de outros, enviado leitores famintos. Quando lembra, publica algo também em <a href="http://www.cefascarvalho.blogspot.com" target="_blank">seu blog</a>.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/zecaixao.jpg" align="left" border="0" height="267" width="208" />Há quanto tempo conheço esse espírito irrequieto e indomável, já nem sei. Umas boas duas décadas. Estamos nos devendo uma cervejada cultural. Oportunidades, para breve, há aos montes. Em maio, Cefas lança um livro de contos, em Natal. No final do mês, <strong>em </strong><strong>São Paulo</strong>, há o lançamento da antologia <em><strong>Entrelinhas</strong></em>, da Andross Editora, recheada de contos e microcontos, dois deles especialíssimos, <strong>um de Cefas e outro meu</strong>. Para junho, dependendo das conversa etílicas, talvez role <strong>um mini-lançamento</strong> do <em>Entrelinhas</em>, “<em>para poucos e bons</em>”, <strong>em Natal</strong>. Aviso por aqui.</p>
<p align="justify">Da avó de Jesus e mãe de Maria, passando por um filho de padre excomungado (sim, Cefas!), chegamos àquele que à meia-noite encarnará no seu cadáver. <strong>Zé do Caixão</strong>, pasmem, está lançando um livro para crianças. <em><strong>O livro horripilante de Zé do Caixão</strong></em> reúne contos de terror feitos para a petizada. Depois de cada susto, uma lição sobre amizade, preconceito ou solidariedade.</p>
<p align="justify">Agora repare na capa. Mesmo pequena, dá pra perceber que não é qualquer coisa, não? As ilustrações do livro são do francês <a href="http://www.citronvache.com.br" target="_blank">Laurent Cardon</a>, artista e profissional de primeiríssima linha, que muito gentilmente autorizou o uso de uma obra sua aqui no blog. Logo logo, estará ilustrando um texto sobre leitura. Mesmo que você não goste do Zé do Caixão, nem de histórias de terror ou nem mesmo saiba português, pode comprar porque as ilustrações do Cardon já valem por tudo.</p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback.jpg" usemap="#Map" border="0" height="25" /></center></p>
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		<title>A tradicional poesia sertaneja</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Apr 2008 03:00:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandro Fortunato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Amigos]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Aproveitando que este blog está cada vez mais parecido com uma revista de variedades (das boas!), aproveitando minha ignorância sobre determinados temas, aproveitando o gancho de que Clotilde Tavares lança hoje, em Campina Grande (PB), seu folheto de louvação ao &#8230; <a href="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2008/04/17/a-tradicional-poesia-sertaneja/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>
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<p align="justify">Aproveitando que este blog está cada vez mais parecido com uma revista de variedades (das boas!), aproveitando minha ignorância sobre determinados temas, aproveitando o gancho de que <strong><a href="http://www.clotildetavares.com.br" target="_blank">Clotilde Tavares</a></strong> lança hoje, em Campina Grande (PB), seu folheto de louvação ao Cariri e, finalmente, aproveitando-me de seu conhecimento sobre o tema <em><strong>Cordel</strong></em>, lacei a bruta no MSN e arranquei dela – em luta selvagem! – <strong>uma conversa sobre os tais folhetinhos</strong>.</p>
<p align="justify">Antes, faz-se necessário dizer que adoro esses <strong>livrinhos de poesia popular</strong> e que foi assim como sempre os vi. Gosto dos papelinhos porque sou viciado nisso, mas gosto também do <strong>“som dos cordéis”</strong>. Mesmo que você tenha ainda menos conhecimento sobre o tema do que eu (que sei quase nada), deve saber que <strong>a tradição oral da poesia sertaneja</strong> é anterior à forma impressa popularmente chamada de<strong> Literatura de Cordel</strong>.</p>
<p align="justify">Iniciamos <strong>um papo contraído</strong> (sim, <em>contraído</em>, porque a danada estava arredia que só a gota) que foi se tornando mais natural do meio para o final, quando em vez de teclar, resolvemos falar e, <strong>encantada com minha bela voz</strong>, Clotilde ficou mais à vontade (isso vai gerar um comentário mal-criado por parte dela). Pois bem, segue trecho da conversa, ilustrado por alguns folhetos de minha coleção.</p>
<p align="justify"><strong>Sandro – Onde nasceu o cordel?</strong><br />
Clotilde – Bem, o cordel nasceu nas fábricas, onde se unem fios de algodão, lã ou barbante; faz-se o cordel, que depois é enrolado em tubos e comercializado&#8230;</p>
<p align="justify"><strong>Tá! E os folhetos? Na gráfica, eu sei&#8230; E os versos?</strong><br />
Eu tenho uma implicância com esse termo “<em>O cordel</em>”. O que existe é o <strong>romanceiro popular nordestino</strong>, que são histórias em versos, originalmente decoradas e recitadas, e depois (final do século 19) impressas em papel rústico, com prelos rudimentares, constituindo os “<strong>folhetos</strong>”, que eram <strong>vendidos nas feiras</strong>. Esses folhetos (e o povo ainda chama “<em>folheto</em>” ou “<em>verso de feira</em>”) podiam ser expostos em tabuleiros ou “a cavaleiro”, em cordéis esticados entre duas estacas de uma banca. Aí, os intelectuais que começaram a estudar esse fenômeno quando já constituía uma “<em>literatura</em>”, começaram a chamar isso de “<em>literatura de cordel</em>”, um termo inapropriado, pois a rigor não define a essência do que é essa produção literária. E agora todo mundo chama “<em>cordel</em>”. Escreveu uma linha debaixo da outra, não importa de que jeito for, chama-se “<em>cordel</em>”! Ô termo famigerado!</p>
<p align="justify"><strong>Qual seria o termo mais apropriado?</strong><br />
Não sei. O povo chama folheto. Eu gosto de folheto.</p>
<p align="justify"><strong>Como você começou a se interessar pelos folhetos?</strong><br />
Eu não comecei a me interessar. <strong>Fui criada junto com isso</strong>, com essas histórias, ditas decoradas ou lida nos folhetos que mamãe trazia da feira. Fazem parte da minha cultura. Faz parte do romanceiro popular nordestino. Eu <strong>nunca vi folheto de cordel pendurado em cordão</strong>. Quando eu era menina, <strong>era numa maleta</strong>. O camarada tinha uma maleta, abria e os aprumava na tampa. E ficava lendo. Nunca vi folheto pendurado em cordão. Vim ver isso em exposições. Não estou dizendo que não tenha. Eu nunca vi.</p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/cordel2.jpg" align="right" border="0" height="288" width="208" /></center></p>
<p align="justify"><strong>Agora responda, como uma boa moça, minha primeira pergunta. Como nasceu o cordel, ou melhor, como nasceram os folhetos?</strong><br />
No final do século 19, quando a imprensa começou a se modernizar, alguém teve a idéia de comprar aqueles prelos antigos, de composição manual, letra por letra, que ficaram ociosos. Foram adquiridos por poetas, por pessoas que tinham essas histórias na cabeça e que resolveram imprimi-las. O papel fundamental nesse processo foi o de <strong>Leandro Gomes de Barros</strong>. Pode-se dizer que <strong>Leandro criou a Literatura de Cordel</strong>. Leandro, que é nascido em Pombal, na Paraíba, teve a idéia de pegar aquelas histórias e começar a imprimir. Ele criou a Literatura de Cordel no sentido de haver criado todo o processo, desde a criação e composição dos versos, a edição, a impressão, à escolha dos tipos, das capas, depois botava esse pacotes no lombo de um jumento, danava-se pelo interior e fazia comercialização. Além de ter <strong>escrito mais de 600 folhetos diferentes</strong>. Ele escrevia romances, folhetos de propagandas, de acontecidos, sobre a vida dos cangaceiros, escrevia de tudo.</p>
<p align="justify"><strong>Parece que o pessoal bom mesmo de cordel é da Paraíba. Quais outros nomes podemos citar? João Martins de Athayde&#8230;</strong><br />
João Martins de Athayde é um dos clássicos dos folhetos. Quando Leandro morreu, a viúva vendeu a ele o prelo e também os folhetos. Ele começou a botar o nome dele nos folhetos porque naquele tempo essa questão de autoria era algo muito diluído. Então tem folheto que na capa tem o nome de João Martins de Athayde e na última estrofe tem o acróstico de Leandro (<em>formando o nome com as iniciais de cada verso</em>). Mas ele também escrevia.</p>
<p style="text-align: center"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/cordel3.jpg" border="0" height="214" width="600" /></p>
<p align="justify"><strong>José Bernardo da Silva&#8230;</strong><br />
José Bernardo da Silva é outro também dos antigos e também famosos.</p>
<p align="justify"><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/cordel4.jpg" align="left" border="0" /><strong>E esse lance de autoria dos folhetos?</strong><br />
A cultura popular se caracteriza por não ter um conceito muito rígido de autoria, mas na literatura de cordel tem. Eles brigam muito. Quem é o autor, quem copiou de quem&#8230; Até hoje rola uma briga sobre quem é o autor do <strong><em>Pavão misterioso</em></strong>. Os estudiosos dizem que o autor é <strong>José Camelo de Melo Rezende</strong> e não <strong>João Melquíades Ferreira</strong>. O que aconteceu é que o folheto é de José Camelo, que cantava junto com Melquíades. José Camelo meteu-se numa confusão – eu não sei os detalhes – e teve que fugir. Nisso Melquíades manda imprimir o folheto com os versos. Quando Camelo voltou, disse que ia matar Melquíades e foi uma confusão danada.</p>
<p align="justify"><strong>E você? Desde quando escreve folhetos?</strong><br />
Segundo os registros de uma pesquisadora que esteve comigo ano passado, eu sou a mulher que tem folhetos mais antigos assinados. Antes de mim, só uma mulher teria escrito e publicado, mas ela assinava com nome de homem (<em>Maria das Neves Batista Pimentel, que assinava com o nome do marido, Altino Alagoano</em>). O primeiro foi em 1974, chamado <em><strong>A tragédia human</strong></em>a, no qual eu contava com era a vida de uma atendente de pronto-socorro, que era eu mesmo. Esse folheto eu mandei pra papai, que mandou para a Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos.</p>
<p align="justify"><strong>E sobre esse que está lançando hoje? O que pode dizer dele?</strong><br />
Esse folheto foi escrito porque minha família tem origens no Cariri e eu sempre ia àquela região, me emocionando profundamente com aquele universo cultural, com a natureza, que também é linda, áspera e pedregosa. Eu devo ter natureza de bode porque adoro aquilo, aqueles serrotes, aquelas pedras, aquele céu azul de tinir! Aí, começando a freqüentar as reuniões do Instituto Histórico e Geográfico do Cariri, apresentei um trabalho e no final do trabalho tive a idéia de incluir uns versos sobre o Cariri. O povo gostou e eu resolvi escrever o folheto, onde faço uma louvação à região, natureza, história, cultura, etc e ainda cito, rimando, dentro das estrofes, <strong>todos os 40 municípios do Cariri histórico</strong>. Por isso é que é “<em>de A a Z</em>”, ou seja, <strong>de Alcantil a Zabelê</strong>.</p>
<p>Vamos a um trecho&#8230;</p>
<p><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/cordel5.jpg" align="right" height="281" width="200" /><strong>Cariri de A a Z<br />
As belezas do Cariri Paraibano</strong></p>
<p>Neste momento eu imploro<br />
A divina inspiração<br />
Peço força pro meu verso<br />
Peço rima pra canção<br />
Muito alento pra garganta<br />
Muita seiva nessa planta<br />
Nascente no coração.</p>
<p>Quero louvar nestes versos<br />
O Cariri afamado<br />
Terra, gente, natureza<br />
E a tradição do passado<br />
Nas vertentes da memória<br />
Muitas páginas da história<br />
Trazem seu nome gravado.</p>
<p>Desde o século dezenove<br />
Que meu povo vive aqui<br />
Como velhas baraúnas<br />
Plantadas no Cariri<br />
Homens de têmpera forte<br />
Mulheres de altivo porte<br />
Foi desse clã que eu nasci.</p>
<p><center><img src="http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/imagens/feedback.jpg" usemap="#Map" border="0" height="25" /></center><br />
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