O segundo nascimento

Daqui a cem dias, começa minha vida. Meu Natal e ano novo particulares. A prova – ou não – do velho ditado. Apagou-se o fogo-fátuo daquela noite de dez anos atrás. Vai longe aquele aniversário com conhecidos refugiados em seus pequenos guetos em um café-livraria. Hoje, parece um retrato dos caminhos que se ofereciam. Qual tomei? Parece que nenhum deles.

Sinto que um fogo sagrado foi aceso e vem sendo alimentado nos últimos tempos, queimando tudo que não era Sandro, que não importava. Restou amar, pensar, escrever e uns temperos para dar gosto à vida. Nasço sem avós, sem pai e com três filhos. Os cabelos, que no primeiro nascimento eram pretinhos, tornaram-se tolerantes e aceitaram alguns brancos entre eles. Não haverá quem pergunte o que o menino vai ser quando crescer. Ele já sabe. Acha até que sabia da primeira vez, mas preferiu não revelar.

Talvez esses últimos meses de gestação sejam como os da primeira. Pode ser que fique meio apertado, que eu fique mais quieto, esperando a hora de ver a luz. O parto deverá ser como na ocasião anterior: natural, tendo que lutar desde sempre para poder ter um lugar no mundo. Mas não vai ter choro. Só a mesma cara bolachuda, séria, observando tudo para tentar aprender e fazer algo útil.

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Uma resposta a O segundo nascimento

  1. ivany soares disse:

    Encantada.
    espero que de vez em quando voce nao perceba este tempo
    ivany

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