Telhados de Paris

Pour Ananda, ma petite Potisienne

Nei,

Parece que não há vento. Pode ver. As árvores, ao canto, estão cansadas de qualquer ballet. Ananda, com sua faixa branca nos cabelos, inventa fotos para mim, para eu escrever algo assim, sem necessidade de rima, mas de um fim. Sem pressa, sem correrias pela Champs-Élysées ou pelo Louvre, sem empurra-empurra-de-turistas-vamos-logo-que-tem-mais-gente-pra-ver. Só uma janela em cruz e uma paisagem tão comum, do jeito que você disse. Mas essas casas velhas falam alguma coisa. E no verão não se acha a tal luz que acaricia a dureza cor de giz. Cada janela, um país. Vê alguém nelas? neles? a defender seu território? Um silêncio que grita até em foto.

O tempo se vai e logo acabam as férias. Há tempos, ela desistiu de atualizar o caderno de viagens, dos planos de contar tudo, de falar de todos os cantos, de aprovar ou desaprovar os passeios com os cantos des yeux ou de la bouche. O resto do texto serve para dizer a ela que aproveite essa doce loucura que nos leva a lugares tão distantes, mas sem jamais separar nossos corações. Que ponha seus olhos a registrar tudo, enquanto os meus estão aqui, doidos, doidos, tão doidos para revê-la. Bisou.

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