O homem a olhar o mar de Copacabana

A água ficava mais distante. Bem mais. A calçada era estreita; os desenhos das ondas, menores. Largava-se no banco, sem medos, a olhar meninas em maiôs. Todas de generosas curvas, para combinar com a geografia do bairro. A bossa, novíssima, trilha de seus balanços. Os prédios já existiam aos montes, mais baixos, pouco maiores que o Copa e seu charme francês. Ah, o Copa! Quem diria que este lugar onde estou, do outro lado da Atlântica, faria parte da calçada dele? Saía-se do hotel e, em meia dúzia de passos, já se estava entre um Cadilac e um Buick, com o pé na única pista de mão dupla. Olhava-se para um lado e outro, mas sem preocupação. Tudo era um desfile. Não havia pressa. Mais alguns passos e aqui estamos. Um banco, a areia, o mar ao longe, sem qualquer acordo ou obrigação, só se exibindo em sua magnitude e sua frieza. Às vezes, ele se cansa dos nativos e dos gringos. Some com a areia. Vem lamber os prédios. Faz que vai engolir tudo. Parece coisa de quem está enlouquecido, perdido de amor. Depois se acalma e nos devolve a Princesinha para que as nossas voltem a aparecer também. Encantados e cheios de respeito, reconhecemos que existem praias lindas, mas nenhuma com tamanho encanto. E só a ti, mesmo não merecedores de tua beleza, iremos amar.

* * * * * * * *

Veja a foto inteira

Esta entrada foi publicada em Crônica, Fotografia, Memória. Adicione o link permanente aos seus favoritos.

Uma resposta a O homem a olhar o mar de Copacabana

  1. wilson disse:

    Ô mardade!
    Mais uma foto dessas, vou obrigar você a me pagar uma plástica daquelas ca-rís-si-mas, daquelas que fazem o umbigo virar furinho no queixo!… Ahahahahahahaaaaaa!
    Nos anos 60, Copacabana ainda era assim. Mas, o tempo passa e a pricesinha foi perdendo o seu território para o mar, ganhou “revoluções arrastônicas” e mudou o visual… Antes, Copacabana era o que era. Hoje ela me engana; a memória me engana.Não lembro se ainda existe essa calçada em frente ao Copacabana Palace, lembrando golfinhos pulando ondas… Meu tio a apontava e rindo me dizia que aquilo era a representãção dos “tubarões” da indústria e do comércio pulando as ondas e hospedados no Copa às custas do trabalho suado dos trabalhadores (risos). Você que, volta e meia está por lá, vai dizer se a calçada dos “tubarões” ainda existe.
    Ver La Masina “in piena gioventù” não tem preço!Só faltou nessa foto a presença do Guinle,do Tormes e do Sued!
    Gostei!
    Abraços,
    Wilson

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *