Minhas namoradas

Ele é namorador”, “Você namorou uma amiga minha” e “Conheci uma ex-namorada sua”. As frases me pareceram estranhas. Fiz as contas. Cinco, no máximo, poderiam dizer que foram minhas namoradas.  Uma deixou a vida e entrou para a História. Duas foram esposas, não tenho como negar. Uma passou a maior parte do tempo entre quatro paredes. Uma poderia ter sido a prova de que sei amar, mas não passou do estágio probatório, aliás, não chegou a configurar vínculo namoratício.

Amei apaixonadamente cada uma. Tivemos muito mais dias dos namorados do que tive, até agora, anos de vida. Todo dia é dia de amar e namorar. Desse dia inventado, que parece ser apenas para trocar presentes e fomentar a ilusão dos carentes, lembro de poucos. Também existiram, mas dois foram especiais. Dois dos meus amores nasceram no Dia dos Namorados.

Um nasceu, literalmente, no dia 12 de junho e estaria completando 40 anos hoje. Foi meu primeiro Amor. Outro nasceu em um 12 de junho, quando tivemos nosso primeiro beijo. Deste, surgiu a Bem-aventurada, que, para meu desespero, logo começará a ter seus próprios Dias dos Namorados.

Em número, foram poucas namoradas. E ninguém venha dizer que é mentira. Estou falando de namoro: beijos, abraços, vontade louca de rever, dias inteiros sem roupas, tudo mais sem importância. As duzentoutras não foram namoradas.

Quantos dias dos namorados ainda tenho pela frente? Incontáveis! Afinal, “a ficar sem bem-querer, a ter murcho o coração, preferível será ficar sem a vida”.

Feliz todo dia repleto de amor aos eternamente enamorados.

* * * * *

Texto relacionado: Eu, que não sei desamar

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3 respostas a Minhas namoradas

  1. Renata Silveira disse:

    Sabe, também “namoramos” alguns amigos… No sentido de que a sua lembrança move a nossa memória e história, alimentadas pelas afinidades e paixões comuns. Penso nos meus amigos muitas vezes ao dia, não todos de uma vez, mas sempre todos os dias há memória de dois ou três deles… Memória aguçada pela vontade de partilhar experiências atuais. Hoje foi um alfarrabista lisboeta na Feira do Livro, baixa do Porto, que te trouxe até nós. E só pq pensamos em ti, compramos uns postais antigos lindos e cheios de histórias – nossa prenda de dia dos namorados para um amigo sempre presente 🙂 Seguem pelo correio… Beijos, até um dia desses…

  2. wilson disse:

    Ahahahaaaaa! Repito a você, as palavras que a minha “nonna” dizia ao meu tio, quando ele dizia ser um eterno apaixonado.
    Falava ela, no dialeto napolitano: “Luzingamene tu un pocco!”
    Em português, mais ou menos isso: “Vai! Me engana que eu gosto! 🙂
    “Tu sei un donnailo”! – Tu és um mulherengo!
    Um mulherengo com poucas namoradas e um milhão de namoradas estepes… Ahahahaaaaaaaa!!!
    Brincadeiras à parte, eu penso que é e será assim: A muitas, a gente se oferece e a poucas a gente se entrega.As muitas são como pequenos troféus e as poucas são cicatrizes que ainda queimam e doem no nosso coração e lembrança…
    Abração-ção-ção!
    Wilson

  3. Luciana disse:

    Amor…quantos significados…amor paixão, amor amizade, amor cumplicidade, amor felicidade, amor paz, amor compreensão, amor perdão…amor, simplesmente, quando não conseguimos definir e vemos tudo isso misturado…
    Realmente, esse são poucos…
    Nossa…gostei muito dos seus textos…muita sensibilidade, meu amigo!
    Me fez até filosofar um pouco…rsrsrs
    Grande abraço

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