Por fim

Então, é isso: na autópsia, descobre-se um grande coração cheio de nada e um estômago corroído pela cafeína.  Percebeu tarde quão desumano e bárbaro seria amar uma única pessoa. E ainda mais tarde que era tudo ilusão. Amava o amor. Amava o desejo. Amava a história criada em torno disso. Planejou morte à toa. Viver sem amar já não é viver.

Bobagem! O coração batia bem melhor sem a esperança de ser ou ter tudo que desejava. Dos vultos de mulheres que passaram por seus sonhos, dispensou até o adeus. Nem recordava se eram felizes ou bem torneados. Nada queria guardar. Nem lembranças. Passaram os amores, ficou o coração.

Que restava senão buscar outro afeto? Enamorou-se por pontos finais. Pensou que seria o fim perfeito. Aceitou-os tal como eram e foi muito além. Partiu daquelas para uma muito melhor.

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4 respostas a Por fim

  1. Jackie disse:

    L I N D O …

  2. ivany soares disse:

    que texto maravilhoso.

    grande homenagem.

  3. Ana Laura disse:

    Breve, como uma constatação.
    Silenciador, como a notícia da morte.
    Lindo.

    Um cheiro.

  4. Marcia Regina de Macedo disse:

    Despedida

    Despedi-me ontem do meu Amor. Ajoelhei-me diante de sua lápide. Seu nome talhado com letras simples e as datas do seu ciclo de vida. Ao redor de mim, o vento balançava as árvores com cuidado. O silêncio consolava meu coração. Não chorei. Precisava continuar, retomar a minha vida. Dele trago a sua amizade e a doçura do seu olhar. Lembro-me dos momentos que se perderam abortados, que não tiveram tempo de amadurecer (ou de frutificar). Mas sei que preciso seguir, sem ele. Vazio a ser preenchido. Ou não. Talvez precise aprender a me sentir vazia para continuar o meu caminho com plenitude. Sei que essa é a lição que ele gostaria que eu aprendesse. Posso senti-lo, olhando nos meus olhos e falando com sua voz pausada e reconfortante para que eu seguisse. E que vivesse. Vou seguir, sem saber onde chegarei. Não quero me preocupar com isso.
    Um cheiro de mato fresco misturava-se ao vento quando me afastei lentamente de onde ele jazia. Em despedida silenciosa, deixei ao meu Amor as mais belas rosas. Vermelhas, cor de Vida, Paixão e Dor.
    Caminho, seguindo em frente, tentando não olhar para trás.
    Marcia Regina de Macedo

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