Foi bom enquanto durou

5filmes80

Fevereiro de 1989 começou entre cartas, postais, reuniões do Centro Acadêmico e filmes. Neste último quesito, minha múltipla personalidade continuava se manifestando.  Via desde o pop Robocop (1987) aos ótimos Alta ansiedade (1977), homenagem de Mel Brooks a Hitchcock, e O Sol da Meia-Noite (1985), com matadores Mikhail Baryshnikov e Gregory Hines dançando e encantando. Dentre minhas frustrações, está a de não ter me tornado um dançarino. Hoje, babo na frente da TV com programas como So you think you can dance. Não se engane: não era uma frescura latente. Eu não queria ser o Baryshnikov; queria ser o John Travolta, ser um imã para mulheres como Jamie Lee Curtis e ficar mais bonito depois dos 40 (ainda tenho fé neste ponto).

Se alguém lembrou de Perfeição (1985), com Travolta no papel de jornalista transitando em uma academia cheia de loiras de collants e caras com mullets e faixas na cabeça, acertou em cheio. Foi um dos filmes que assisti naquele fevereiro. No entanto, o mais marcante daqueles dias foi Repo Man (1984), um longa de ação-comédia-ficção científica estrelado por Emilio Estevez, que no Brasil ganhou o título de Repo Man – A Onda Punk. Assisti na noite de sábado, 11 de fevereiro. Sim, já existia SuperCine naquela época.

Em fevereiro do ano seguinte, 1990, distribuidoras de filmes em VHS costumavam me mandar alguns de seus lançamentos. O nível começou a subir. Comecei a ficar mais seletivo. Já em relação aos livros, estava em uma fase bem “não pense muito, apenas leia”. Depois de Cartas da Mãe, de Henfil, eu devorava, em uma noite, O Reverso da Medalha, de Sidney Sheldon. um apontamento na agenda daquele ano me traz uma surpresa. Na sexta, 9, li O Estudante, de Adelaide Carraro. Não lembrava disso. Pensava que jamais havia lido qualquer livro seu antes de 2006 (li pelo menos trinta deles do final de 2006 a abril de 2007).

Nas bancas, chegava a Playboy com uma capa muito esperada pelos adolescentes da época. Trazia uma baianinha, muito linda e com jeitinho de índia. Elimary Silva era seu nome, mas todos a chamavam de Mara Maravilha. Era um tempo em que as mulheres ainda eram de verdade. Mara fazia sucesso com a criançada, com os meninos adolescentes e com as meninas que se identificavam com a garotinha bonita, sensual, mas com ar puro que cantava Não faz mal (eu tô carente, mas eu tô legal). Ah, Britney, desculpe-me dizer, mas eu era muito mais a Mara (até porque, em 1990, você era só uma garotinha desconhecida de 9 anos). Hoje, a convertida Mara prefere nem lembrar aquele período. Foi bom enquanto durou/ E valeu/ O que passou já passou/ Não faz mal…



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3 respostas a Foi bom enquanto durou

  1. Meire disse:

    Essa onda nostálgica é sinal de que a gente tá ficando velho, hehehe.Se o tempo voltasse eu não teria jogado fora as minhas agendas.
    Ai que inveja !
    Beijos

  2. wilson natal disse:

    Realmente tudo é bom enquanto dura. Se durasse “for ever” a vida seria um tédio! E não haveria “causos”, contos, memória e histórias. 🙂
    Mas, se “deu pra ti baixo astral. Vai prá Porto Alegre e tchau!”
    Gostei!!!
    Wilson

  3. fauzé disse:

    Viva a Tolerância, quando eu tinha 14 ou 15 anos não via cinema americano porque ele refletia o imperialismo de tio Sam. Gostavamos de cinema italiano e francês. Viamos A Chinesa do Godard e alienados discutiamos veementemente a Grande Marcha de Mao Tse Tung. Si el mundo no fuese uma porqueria!!!!!!

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