Go back to 1989

ssstitas

Os primeiros dias de janeiro de 1990, tirando a batida de carro, foram de muito Amor e Paixão ao lado de Fabíola. Juntos há apenas quatro meses, abríamos mãos de costumes e oportunidades para ficarmos juntos. Pela primeira vez, desde que passei a morar em Natal, quatro anos antes, eu dizia não ao verão carioca. Ela, aos 18 anos, pouco depois, abriria mão do sonho de todo adolescente daquela época: uma viagem aos Estados Unidos. Queríamos ficar juntos tanto quanto possível. Ainda não sabíamos (ou talvez soubéssemos), mas tínhamos pouco tempo para isso. A ordem era aproveitar ao máximo.

Um ano antes, em 9 de janeiro de 1989, eu estava no Rio. Entrei em uma das muitas lojas de discos do Centro Comercial de Copacabana (ali na Nossa Senhora com a Siqueira Campos) e comprei Flaunt It, primeiro LP (de 1986), da banda britânica Sigue Sigue Sputnik. Em uma época em que a web não existia, nossas referências sobre música eram as rádios, a tevê, as poucas revistas sobre o assunto e o cinema. Tudo chegando, no mínimo, com um atraso de seis meses. Os malucos do SSS ainda não eram tão conhecidos por aqui, mas todo adolescente já havia escutado pelo menos uma música deles: Love Missile F1-11, que estava no filme Curtindo a Vida Adoidado (Ferris Bueller’s Day Off, também de 1986).



O Novo Cruzado, que ainda não saiu, já foi apelidado de “Bateau Mouche V”. Totalmente sem segurança, nesse ninguém embarca – escrevi na agenda no dia 10, uma terça, seis dias antes da nova moeda entrar em vigor. O Cruzado Novo (NCz$) – era essa a denominação – sobreviveria até março do ano seguinte.

Antes que o Cruzado passasse a ser chamado de novo, comprei, no dia 12, uma edição especial do segundo LP do SSS, Dress for Excess. Com capa e músicas diferentes, a versão brasileira trazia um enorme 1989 e o aviso Brazil Pre-release!! Albinoni VS Star Wars, Hey Jayne Mansfield Superstar, Rio Rocks! e Success até hoje bombam em minha cabeça e, provavelmente, na da vizinha do nono andar daquele prédio na Barata Ribeiro, quase esquina com República do Peru. Depois, todo mundo conheceria o Sigue Sigue, que fez show no Brasil e até se apresentou no… Faustão!



Naquela quinta, acabei não indo a Splish Splash, musical com Cláudia Raia. No dia seguinte, fiz um programa de turista: fui ao Cristo Redentor. Não me lembro de ter ido novamente nesses 21 anos seguintes, mas pode ser que tenha estado lá mais uma vez. Estava nublado e quase não se via a cidade. No sábado, 14, eu anotava: De Volta ao Inferno – Não é o filme, é pura realidade. Acabavam as férias e eu voltava a Natal. No domingo, escrevi várias cartas (algumas aparecerão aqui nesta série). Na segunda, 16, o Cruzado Novo entrava em vigor e eu finalmente via o quinto e último número do jornal Graúna, que na contracapa trazia uma foto minha e outra de Alexandre Mulatinho crianças, numa referência a Go Back, disco do Titãs lançado em 1988 e que havia embalado nosso primeiro ano na faculdade: Jesus não tem dentes no país dos banguelas, Nome aos bois, Bichos escrotos, Marvin, AA UU, Polícia, Cabeça dinossauro, Não vou me adaptar, Lugar nenhum e Marvin. Era um tempo em que os discos eram tão bons que todas as músicas faziam sucesso.

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Uma resposta a Go back to 1989

  1. ô cantinho bom esse aqui!
    Seu post me trouxe muitas lembranças…
    Em 1989 eu estava em Natal, no terceiro colegial do APEC que havia acabado de virar Objetivo, seria meu penúltimo ano na terra do Sol. Em 1990 passei praticamente o ano inteiro numa crise horrível de depressão, que naquela época ninguém sabia o que era, ou não queria saber. Hj por outro lado, qualquer frustração vira depressão. Mas voltemos ao seu post…
    Acho que você nasceu jornalista, não tinha como escolher outra profissão. Memória impecável, anotações, observação dos fatos.
    E a sua linda história com a Fabíola deveria virar um livro. Não é todo mundo que tem o privilégio de amar e ser amado e principalmente em tão tenra idade.
    beijos,

    Chris

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