Dalva e Herivelto

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Foi biográfico ou inspirado em fatos reais, eu me esforço. Seja livro, filme ou minissérie, encaro até o fim. Estava com boa vontade em relação a Dalva e Herivelto – Uma canção de amor, mesmo sabendo, desde a pré-produção, que o casal seria representado por Adriana “Celinha” Esteves e Fabio “Dispensa-se Comentário” Assunção.  Nem precisei conferir a atuação de ambos para torcer o bico. Nos dois primeiros minutos, as referências a La Môme disseram o que estava por vir. Era de se esperar, já a partir do título descarado. No Brasil, La Môme foi chamado de Piaf – Um hino ao amor. A Globo continua achando que está nos anos 1970 e tratando os espectadores como alienados que só têm alguma conexão com o mundo além-casa ao sintonizá-la. Copiou o maravilhoso filme de Olivier Dahan ao fazer Maysa – Quando fala o coração e agora fez a cópia da cópia. O roteiro apressado, que parece ter sido escrito para o Twitter – cada cena em até 140 caracteres –, não ajudou em nada na construção dos personagens. Tudo de fácil digestão, seguindo a receita do que já fez sucesso. Ponto positivo para a rápida participação de Fernando Eiras interpretando Francisco Alves (esse merece livro, filme, minissérie…). Curioso por conferir Jandir Ferrari como David Nasser, que deve aparecer nos capítulos finais, que mostrará a fase em que, em parceria com Herivelto, compunha as músicas-lavagem-de-roupa-suja-pós-separação. Chega. Nem mais uma linha.

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Sobre o casal, registro minha passagem pela exposição As estrelas Dalva de Oliveira e Herivelto Martins nos braços de Sampa, em outubro de 2009, na Caixa Cultural São Paulo (Sé). Simples, mas gostosa de ver.

No Blog do Memória Viva, um pouco da conturbada  história de Dalva e Herivelto.

Sobre outras exposições em São Paulo, continuo devendo – devo, nego, não pago enquanto puder – os textos. Em especial, as de Rodin, no Masp, que terminou no último dia 3; também lá, a de Walker Evans, que vai até este fim de semana (10 de janeiro); e a de Cartier-Bresson. Logo, logo…

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6 respostas a Dalva e Herivelto

  1. Eu nem me dou mais o trabalho de assistir essas coisas da Globo. Ou é aquelas coisas incompreensíveis como as séries de Luís Fernando Carvalho, que acho apropriado para o cinema mas não para a TV, ou esses melodramas como Maysa e agora Dalva/Herivelto, que fica contando briga de casal, e esquecendo de traçar um panorama da MPB na época, que é o que eu queria ver. Comecei a assistir Dalva e Herivelto, mesmo tendo que engulir o desempenho pífio dos atores principais, mas tirando as músicas, que posso ver no YouTube, algumas em suas versões originais, o resto é sem nenhum atrativo para mim. Séries da Globo que gostei? Anos Dourados e Anos Rebeldes. A Muralha (essa não foi da Globo?). Pois é.

  2. Neide Pessoa disse:

    Pois é…
    Falaram tanto…
    E é o que estamos vendo,a gente não se emenda com a Globo,sempre fica feito bobo(a) esperando algo mais digno.
    No mais é como disse Clotilde:
    “e esquecendo de traçar um panorama da MPB na época, que é o que eu queria ver”
    Eu também.
    Estão “ameaçando”…fazer algo parecido com Clara Nunes.
    E,como cantava nossa intérprete mineira:
    “Vira os olhos grandes de cima de mim pra ondas do mar”.
    e mais:
    “tomara meu Deus,tomara..que não façam!

  3. wison natal disse:

    Não perdí meu tempo em ver a mini série. Mas, depois de Maysa, o melhor é comprar o “Grande Hotel” ou o “Capricho”.
    Ou você se fixa no Mito, ou no ser humano. Misturar os dois só pode dar m…! Traçar uma paralela entre os dois é difícil. Sempre vai-se priorizar um ou o outro.
    Dona Vicentina era uma mulher difícil.E Dalva de Oliveira continuou sendo. Herivelto era um boemio, mulherengo.E,também, difícil.
    A separação entre os dois teria sido simples. Mais não foi. Não foi, muito menos pela moral da época e sim pelo fato dos dois serem grandes personalidades do rádio, cassinos e teatros.
    E ambos souberam “capitalizar” essa separação, transformando dramáticos sambas-canção “de resposta” em sucessos. Por ai, ainda cantam “Bom-dia”, “Que sera?”,etc.
    Herivelto ficou entre suas composições, parcerias e o Trio.
    A Estrêla D’Alva foi em frente, tornou-se a Rainha da Voz! Tournés pela América Latina, Europa. Sucesso estrondoso no Brasil inteiro. Em Londres gravou “Kalú” e “Olhos Verdes”, que estão entre os maiores sucessos.
    Nos anos 40, tranforma-se em Branca de Neve, na dublagem do desenho de Disney “Branca de Neve e os Sete Anões”. Ela e Carlos Galhardo cantavam as músicas de Branca e do Príncipe.
    Vive a vida de uma estrela, vive a vida pessoal sempre tumultuada. Retira-se e volta ao panorama artistico algumas vezes. Mas continua viva e VIVE, sobrevive.
    Continua Dalva, Rainha da Voz, a Preferida,”Dona” de um dos maiores fan-clubes do Brasil; a Rainha da Bicharada!…
    Em São Paulo,nos anos 70,no seu retorno, pouco antes de sua morte, Dalva provocou um fenômeno de interação com a diversidade:
    Durante o Carnaval, apresentou-se no
    Baile “Gay” do Theatro Paramount. A quantidade hetero (homens e mulheres) que comprou os ingressos estava par a par com os “gays”.
    Nesse tetro ela cantou os dois grandes sucessos que marcaram o seu retorno: “Bandeira Branca” e “Máscara Negra”.
    Dalva mito, Dalva sonho, Dalva realidade. Não importa. Importa sim, que tenha sido Vicentina. Que tenha virado Estrela D’Alva!
    E é Dona Vicentina quem deveria ser telebiografada.
    Abração,

  4. leandro disse:

    Não concordo com nenhum dos três acima,Dalva e Herivelto mito astros estrela da musica brasileira, muitos nunca teriam a oportunidade de conhecer uma historia tão linda.A musica e sentimento alma e arte de definir nossos sentimentos atraves do som para pela otimo material musical. So tenho 29 anos mas como musico estrela Dalva te amamos para todo o sempre.

    Nem precisa! Ainda bem que vivemos em mundo multifacetado, com opiniões diferentes e, melhor que tudo, no qual podemos expressá-las. Mas, afora as demonstrações de não querer “perder tempo em assistir a minissérie” (eu talvez seja mais tolerante e assisti), nada do que você disse invalida os que os três disseram – uma professora de Arte, uma jornalista e um historiador, o mais novinho e já entrado nos cinquenta. Permito-me alertá-lo a respeito de dois pontos: 1) aquela “história tão linda” pode ser melhor conhecida de muitas maneiras e essa minissérie, provavelmente, é a pior delas; e 2) Dalva e Herivelto fizeram sucesso, eram conhecidos em todo o Brasil e viveram toda aquela “história linda” e também aquela história horrorosa que rendeu belas canções-respostas quando NÃO existia televisão no Brasil. Televisão não é nem jamais foi a forma mais apropriada de aprender alguma coisa. Quando muito, é boa para se ter um contato inicial. Sendo comercial e não educativa, melhor desconfiar sempre. Sendo da Globo, que é feita para uma multidão pouco crítica, melhor NÃO CONFIAR MESMO. A minissérie foi um arremedo, uma sombra da história real do casal. Dizer que conheceu as músicas e a vida do casal porque viu a minissérie é como dizer que conheceu Beatles escutando algumas de suas músicas tocadas por bandas de forró eletrônico e tecnobrega. A partir dessa dramatização da Globo, pode se dizer, no máximo, que se OUVIU FALAR de Dalva e Herivelto. Reconheço: já é um passo para as gerações deseducadas por Xuxa e outras coisas que vieram depois.

  5. leandro disse:

    O que digo em questão e que muitos desta nova geração como eu, nunca teriam a portunidade de conhecer sua historia mas sei que e so mostraram um pouco de sua historia, mas meu amigo televisão meu caro e cultura e a forma mais popular de passar uma mensagem para todos os niveis social então sua filosifia e balela.Parabens a toda a equipe da Globo por trazer a estrela Dalva e Herivelto a todos aqueles que não tiveram a oportunidade de ouvi-los ou conhecer sua historia.Criticas como estas acima são para aqueles que não tem capacidade de criar perpetuar um material digno como foi.Agradeço a Deus, antes tarde do que nunca de ter tido a opotunidade no ano 2010 de conhecer a voz masi linda da musica brasileira.

    Se tu es o sonho dos dias meus, se meus beujos sempre forem teus, não importa querido,
    O amargo das dores desta vida….
    Fiquem com Deus Estrela Dalva.

    Leandro

    Este blog já foi melhor frequentado… Como se diz em alguns lugares quando as crianças começam a fazer barulho e os adultos não conseguem conversar: “Vá brincar mais pra lá, vá, menino”.

  6. wilson natal disse:

    Leandro,
    Respeito e respeitarei sempre a opinião dos outros.
    Critico aqui, a abordagem das miniséries da Globo. Não a qualidade de apresentar às novas gerações os grandes ídolos do passado.
    E concordo plenamente com voce, quando fala da grandesa de Dalva e Herivelto. Sou contemporâneo dos dois. Pelo menos, do opúsculo de suas carreira, que foram definhando quando as rádios e a própria TV, deram preferência às produções estrangeiras.
    Misturar mito e realidade nem sempre dá certo. Principalmente neste caso, onde a realidade extrapola qualquer ficção. A vida de dona Vicentina (nome verdadeiro de Dalva)vai muito mais além. A dimensão que ela e Herivelto tiveram no seu tempo e espaço vai além da miniserie.
    E a própria Globo poderia documentar isso, através dos seu acervo de imagens. Será que o fez?…
    Eu não sei. Não assistí.
    Mas sei que, a Globo provavelmente vai “capitalizar” através da Som Livre, os sucessos da dupla…
    Isso é ruim? Não! Há muito tempo não se relançam os velhos registros fonográficos de Dalva e Herivelto.
    E, para concluir, digo a você: a vida dos dois, sem ficção, daria uma novela global, grandiosa, com mais de 200 capítulos.
    Abração,
    Wilson

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