Alô, Alô, Terezinha!

aloalo Terezinhaaaaaaaa!
U-uuuuuuuuuu!
Tá fraco. Terezinhaaaaaaaa!
U-UUUUUUUUUU!

As luzes se apagam e se ouve a voz do Velho Guerreiro. A resposta, como de costume, vinha das chacretes. Mas o coro vinha mesmo de duas fileiras da sala 1 do Cine Reserva Cultural, em São Paulo, na pré-estréia de Alô, Alô, Terezinha, filme de Nelson Hoineff, na noite desta terça, 27 de outubro.

Com 45 minutos de atraso – caiu o último bastião da pontualidade brasileira! –, graças ao furdunço feito pelo pessoal do programa Pânico no hall do cinema, o filme começa assim: Chacrinha chama, as chacretes respondem, entra a música de forma estrondosa – Abelardo Barbosa/ está com tudo e não está prosa (…). Quem, assim como eu, viveu a época da Discoteca e do Cassino do Chacrinha, já estava completamente arrepiado e no clima.

O circo estava montado: chacretes, calouros, cantores e nós, a plateia. Alô, Alô, Terezinha! segue a cartilha do homenageado: é frenético, insano, cômico e grotesco. Há tempos não ria tanto com um filme. O grotesco fica por conta da história dos personagens longe das câmeras. Calouros que sentiram humilhados com a buzinada, que tiveram seus instantes de fama e “estão até hoje batalhando”, acreditando no sonho de se tornarem cantores. Chacretes, que foram mulheres extremamente desejadas, esquecidas e sobrevivendo a duras penas. O glamour ficou na lembrança. A realidade é um tremendo abacaxi. E não é doce.

Não se trata de uma cinebiografia de Chacrinha. O filme é uma soma de retalhos das memórias de quem participou ativamente da história. E o roteiro é tão non sense quanto a própria história que pretende mostrar. Pelos depoimentos das chacretes, se pode acreditar que sejam putas, quase santas ou somente dançarinas. Melhor acreditar que são pessoas como quaisquer outras, com desejos, medos, momentos bons e maus, motivos de orgulho, coisas a esconder. Vivem a vida sem um roteiro pré-estabelecido. Assim como o programa que faziam. Convidadas a mostrar as reboladas e os passos famosos, algumas chegaram a vestir as roupas que usavam à época. “Coragem!”, gritou alguém na plateia. Coragem mesmo. Não pelo risco de parecerem ridículas, mas por mostrar a vida nada gloriosa que tiveram depois da fama, por contar segredos, desenterrar histórias que podem gerar intrigas.

Quem comeu quem? Quem dava para quem? O travesti Rogéria disse que nunca comeu ninguém, mas que foi muito comido. As chacretes dão nomes aos bois, se orgulham de suas listas ou se arrependem por não terem aceitado propostas mais ousadas.

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E por falar em ousadia, nada nem ninguém superou a de Índia Potira. Como não gosto de revelar surpresas de filmes, você vai ficar na curiosidade. Digo apenas que, durante a festa no Bar Biroska, logo após a exibição do filme, não resisti a dar um beijo em Índia e elogiar sua atitude. Além de ser uma mulher linda, cheia de personalidade. “Como é bom ouvir isso”, disse ela, com um sorriso enorme. A propósito, o trio de impostores – eu, Zeck e Dany – desembestou a fazer fotos com artistas, chacretes e calouros. Eu “produzia e dirigia”, Dany (cara-de-pau até não mais poder) abordava as vítimas e Zeck clicava. Ao abordarmos Rita Cadillac, Dany me apresentou como “seu fã há 25 anos, mas tímido”. Rita bateu de pronto: “Muito tímido! Eu vi ele dançando ali”. É que pouco antes havia tocado Menudo e eu atendi à ordem de não me reprimir. Estava de olho, hein, Rita?!

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Quem também estava por lá era o cantor Biafra. Para quem não sabe, a famosa cena do parapente que o atropela foi registrada enquanto gravava para Alô, Alô, Terezinha! E você vai rir ainda mais ao vê-la na telona e com a sequência, que mostra a reação do cantor. Simpático e solícito, brincou quando lhe revelei que passei a vida toda achando que ele era baixinho para finalmente descobrir que eu também sou. “Nós não ficamos devendo nada a ninguém”. Durante rápida apresentação, não teve como fugir do apelo do público: “Voar, voar/ subir, subir…” Delírio total! No palco do Biroska, a noite foi mesmo dos calouros. Arigatô Flamengo e Abacaxi fizeram a festa. Se deixassem, cantariam a noite toda (assim que subirmos os vídeos, acrescento ao post).

Não canso de dizer: não houve uma década tão divertida como a de 80. E ainda não acabou. Roda e avisa que o filme estreia nesta sexta. Quem vai querer bacalhau? Terezinhaaaaaaaa!

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Trailer de Alô, Alô, Terezinha!


Abacaxi cantando no Biroska

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2 respostas a Alô, Alô, Terezinha!

  1. AMEI!
    Sandro, você consegue colocar sentimentos em palavras, sensações em frases. Adorei, fiquei com uma curiosidade imensa em assistir o filme.

    Vá! Eu já estou louco para rever!

  2. ricardokelmer disse:

    Aiaiai… Eu amava todas as chacretes. Mas minha favorita era ela, Leda Zeppelin, eu queria casar com ela!!! Lembro de uma revista com ensaios de várias delas, todas nuas, putz, eu quase me acabo!!! Cadê essa revista, Lobão? Só você poderá nos salvar! 🙂
    .
    Ricardo Kelmer
    blogdokelmer.wordpress.com

    Tá salvo, mizinfi! Clica aí em Chacretes, nos textos relacionados, e relembre as homenagens do passado!

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