Alfredo Puig

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Foi em meados dos anos 1990 que estive pela primeira vez com Alfredo Puig Figueroa. Ele era vice-presidente da Sociedade Teosófica no Brasil e nos conhecemos em um encontro regional, em Recife.

Voz calma, suave, sempre muito solícito e simpático, cheio de histórias para contar. Estivemos juntos outras vezes, sempre em encontros da mesma instituição, em diferentes cidades. Em 2002, já morando em Brasília, tive o privilégio de vê-lo com mais frequência e, em minha incompetência para aprender, pelo menos estar ao alcance de sua aura de sabedoria.

Ontem, por mensagem enviada a um endereço eletrônico que acesso eventualmente, fiquei sabendo de sua última viagem, ocorrida no dia 2 de outubro. Estava com 88 anos.

Puig sempre foi um grande exemplo, não só para mim, mas para qualquer pessoa que o tenha conhecido. Era meu irmão mais velho em duas Fraternidades: na Sociedade Teosófica e na Maçonaria. No entanto, era outra faceta sua que me chamava mais atenção: a de sacerdote da Igreja Católica Liberal. Curiosamente, só o vi em ação uma única vez, em 2003, quando da visita à Brasília do Monsenhor Miguel Angel Batet, Bispo Comissário para o Brasil. A foto acima é dessa ocasião.

Acompanhando a mensagem sobre seu falecimento, vinham alguns dados biográficos, que reproduzo aqui:

Alfredo Ronan Puig Figueroa, nasceu em Cárdenas, Matanzas, Cuba, em 28 de fevereiro de 1921. Foi tradutor para o espanhol do ex-Presidente Internacional da Sociedade Teosófica, Sr. Sri Ram, em viagens pela América, tendo sido Presidente da Sociedade Teosófica em Cuba, Presidente da Federação Teosófica Interamericana e também Presidente da Sociedade Teosófica no Brasil.

Além de sacerdote da Igreja Católica Liberal, o irmão Puig atingiu o grau 33, na Maçonaria, e teve destacada atuação no movimento teosófico por mais de cinquenta anos.

Puig foi o principal responsável pelo fato de a Sociedade Teosófica ter permanecido em funcionamento em Cuba durante o período que sucedeu à Revolução Cubana de Fidel Castro, quando muitas instituições ficaram impedidas de atuar. Durante muitos anos não pôde manter contato com outros países e, no final dos anos 80, aceitou convite para vir residir no Brasil.

Durante o período da Revolução Cubana, Alfredo Puig chegou a ser tradutor, para o inglês, em Cuba, do famoso líder revolucionário Ernesto Che Guevara.

Uma de nossas primeiras conversas rendeu uma entrevista publicada na edição de março de 1997 da revista ISIS, da qual eu era editor (veja aqui a entrevista completa). Falamos sobre sua trajetória por várias Fraternidades e, ao final, perguntei o que ele achava da onda pseudoesotérica que já era bem forte naquela época. Sua resposta mostra de forma clara como Puig levava a vida, que ele acreditava não ser apenas essa que costumamos enxergar:

Algumas pessoas se inclinam aos movimentos de caráter psíquico e outras procuram coisas sérias. Em vez de adquirir qualidade através de uma disciplina de vida, como a yoga, que dura muitas vidas, muitos procuram efeitos transitórios, que não vão além desta encarnação. Devemos procurar o natural e o permanente.

Siga em frente e incansável, Puig.

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