Ao gosto de cada um

estatuas_p7set.jpg

Não gosto de cubismo. Gosto de Cézanne, gosto de Picasso, mas não gosto de seus momentos geométricos. Acho tudo meio troncho, meio anormal. Não que seja feio. Eu que não gosto. Não que não seja muito bem feito e não tenha seu valor. Repito: eu que não gosto. Gosto é como aquilo que você está pensando. Cada um tem o seu. E nem isso é igual. Uns são mais bonitinhos, outros mais estranhos…

Também não gosto daqueles quadrões ditos modernos com pinturas que parecem uma variação tresloucada, assimétrica e muito colorida do Teste de Rorschach. Tem quem goste. Eu não.

Gosto do convencional, do clássico, do realismo. Gosto de olhar uma pintura e me perguntar se é mesmo uma pintura ou uma foto. E descobrir que uma foto não retrataria tão perfeitamente a realidade. Gosto das estátuas que parecem ter sido moldadas em corpos perfeitos. Tão perfeitas como poucos corpos conseguem ser. E o são por pouco tempo. Elas, as estátuas, são para sempre. Eternizam a beleza e a perfeição.

É o meu gosto e, se não for bom, deixem-me na ilusão. Adoro apreciar as dezenas de estátuas na Cinelândia e na Praça Paris, no Rio. Nativas francesas ou suas descendentes, feitas nas fundições cariocas. Em Natal (RN), onde estou no momento, também há várias dessas. Belos exemplos da estatuária francesa como as que estão na Ribeira, no Teatro Alberto Maranhão, na antiga Secretaria de Segurança e também na praça, com a bela homenagem a Augusto Severo. Há também exemplares dessa arte bem aprendida e desenvolvida por aqui, como a homenagem ao primeiro centenário da Independência (no alto, foto à esquerda), ali na Praça Sete de Setembro, na Cidade Alta. Feita em 1922, é digna representante do bom gosto da época.

Bom gosto que parece ter desaparecido em meados do século XX, quando a arte estatuária começou a perder posições e a ideia de “monumento” mudou consideravelmente. Se antes eram construídos para homenagear, passaram, em muitos casos, a sacanear alguém.

Mas ainda erguem-se estátuas. Não com tanta regularidade, não com tanto bom gosto, mas elas ainda surgem. Em Natal mesmo, a poucos metros da outra já mencionada (a do centenário da Independência), feita na Fundição Cavina, a mesma que costumava moldar obras do mundialmente conhecido e admirado Rodolfo Bernardelli, logo ali na esquina da Assembléia Legislativa, está sendo erguida uma (foto no alto, à direita) em memória de José Augusto, personalidade política e cultural das mais expressivas da História do Rio Grande do Norte.

Certamente haverá alguém que goste dela.

Logo abaixo em  COMMENTS
Esta entrada foi publicada em Estatuária, Memória. Adicione o link permanente aos seus favoritos.

7 respostas a Ao gosto de cada um

  1. Aninha Daguiar disse:

    Eu gosto de quadros e esculturas que me passam alguma sensação diferente de “ãhn?”

  2. Na boa, o teu pior nariz de cera em anos. E comparar pintura com fotografia também foi um aposta mal feita.

    Teu texto começa no quarto parágrafo. Todos temos nossos mal momentos. Quebre o quarto todo, parta a cara de alguém… Faça alguma coisa! Eu gosto dos teus textos e sei que você escreve muitos quilômetros de tinta melhor do que isto. Aquele abraço. Teu amigo.

    Então funcionou! Porque a intenção era exatamente essa: enrolar, disfarçar e não partir para o ataque. Já que você me fez revelar a fraude, segue o texto direto:

    Que merda é essa?

  3. rafael disse:

    Sem falar quando são alvo de vandalismo. Talvez as pessoas não saibam apreciar mesmo. Aqui é comum ver estátuas pichadas, derrubadas ou vestidas com uma camisa do Paysandu.

  4. PQP às estátuas de M…!!!

  5. Wilson Natal disse:

    Sei o que gosto e o que não gosto. A segunda estátua parece um trabalho primitivo. Lembra os santeiros e figureiros que se vê no nordeste e e aqui, em SP, no Vale do Paraíba. O prmitivo é interessante quando as peças são pequenas ou médias. Maior a obra, maior a impressão do grotesco… Mas o belo é a expressão e visão do artista. E quem ama o feio…
    Abs.

  6. Sandro Fortunato disse:

    O texto, postado com revisão pra lá de deficiente, quase à meia-noite, dizia que o monumento na primeira foto era pelo centenário da República. O correto é Centenário da Independência (7-09-1822/1922). Quem percebeu o erro foi Wilson Natal. Não é comentador oficial deste blog à toa. Faz jus ao alto salário que recebe. 😉

  7. Pingback: Sempre Algo a Dizer » Blog Archive » Golden Shower

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *