Estou me vendo em uma corrida onde meus companheiros de equipe estão morrendo. Estou bem cansado. Podiam me dar uma folga de uns dez ou vinte anos. Pelo menos. Não estou tendo tempo suficiente para elaborar as mudanças a cada evento desses. E olha que lido razoavelmente bem com isso. Nada de choro, nada de tristeza, nada de do egoísmo típico de quem fica. Esta série mais recente de perdas irremediáveis começou em novembro do ano passado com o jovem Antonio. Depois, em fevereiro deste, meu avô, que hoje estaria completando 89 anos. Mês passado, meu pai. Semana passada, Helena, esposa de Carlos Estevão e, junto, a notícia de que também havia partido há poucos dias a única irmã ainda viva de Appe, Bebete. Antonio não vai ver a biografia, que estou escrevendo, de seu irmão; Helena não vai ver a biografia do marido; meu pai não vai ver um livro meu; Bebete, que fiquei de visitar quando eu ainda morava em Brasília, também não vai ver o livro sobre Appe. Esforço-me para acreditar/lembrar que eles cumpriram suas missões, fizeram tudo que tinham a fazer, mas lá no fundo fica uma sensação de que faltou algo. Talvez seja eu quem esteja devendo e o incômodo maior venha daí. Deixa, deixa, deixa eu dizer o que penso dessa vida… ela passa muito rápido. Deixa, deixa, deixa eu viver. E também os meus. Dá um tempo na chamada aí!
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