Diário de São Pedro (VI)

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Dentre as coisas que gosto e sempre há em todo lugar, estão igrejas e cemitérios. Há algum tempo, folheando uma edição de 1930 de O Cruzeiro, encontrei a foto (acima, à esquerda) de uma igreja em São Pedro da Aldeia. Isso foi depois de minha última vinda para cá, no final de 2007. Trata-se da Igreja Matriz de São Pedro da Aldeia.

A construção é de meados do século XVIII. Há quem diga que foi concluída em 1783. No site da paróquia, em um texto confuso, fala-se em 1748, mas também não dá certeza. Por lá, só me disseram que “aaaaaaah! é muito antiga”. Isso é um trabalho para o Sandro-Memorialista, mas quem passou por lá foi o Sandro-Turista. Fico devendo. Fica para a próxima.

A Aldeia de São Pedro foi fundada por jesuítas em 1617. A igreja, como de costume, fica no ponto mais alto e a cidade se desenvolveu ao seu redor. Na sua frente, desde 1887, há outra igreja. Pelas datas gravadas no frontispício, deve ter sido concluída em 1941. A mais antiga ameaçava cair. Está aí até hoje, talvez não tão firme nem tão forte, mas ainda de pé, após mais de duzentos anos.

Por fora, a igreja parece grande. A nave, porém, é pequena. Quatro pares de colunas, duas fileiras com aproximadamente vinte bancos e já se chega ao altar. Chegando lá, à esquerda há uma pequena capela; à direita, a sacristia, que dá passagem para um espaço mais amplo, cercado, a céu aberto, onde fica o cemitério.

Não parecesse tão impróprio, diria que é o cemitério mais aconchegante que já vi: pequeno, protegido, arborizado, com algumas estátuas. Parece mesmo um jardim santo. Como já disse aqui, até meados do século XIX era costume enterrar os mortos nas igrejas e arredores. O túmulo mais antigo que vi nesse pequeno cemitério aponta um sepultamento em 1847. “Aqui jazem os restos mortaes de D. Joaquina Maria Thereza – Fallecida a 5 de outubro de 1847 – e do Comendador Manoel de Souza Teixeira, fallecido a 2 de novembro de 1856”. A construção representa um pequeno templo sustentado por quatro colunas. Ao centro, uma urna com pés. Sobre ela, um crânio sem a mandíbula. Meio macabro, mas levemos em conta a concepção de morte para os católicos do século XIX. Aparentemente é todo em mármore e muito bem executado, como toda a estatuária do pequeno cemitério. Há vários outros monumentos lá: urnas, representações de anjos, santos, melancolia, etc.

Não pude observar os hábitos dos católicos de São Pedro. Fiquei adiando uma ida à missa e só uma única vez estive perto da igreja, em um domingo, quando os sinos bateram seis da tarde. Mas a missa seria uma hora depois. Em outra noite, vi algumas pessoas chegando para um casamento. O templo tem uma iluminação modernosa que não é afetada pelas pequenas construções ao redor.

Por pura preguiça (pecado capital!), também não fui a pelo menos uma das missas rezadas aos sábados, aqui mesmo na Praia da Pitória, a poucos passos, na Igreja Filial de São Pedro. Anteriormente expliquei esse termo que nunca havia visto. Na Praia do Sol também tem outra Filial, sendo que é de Nossa Senhora das Graças. Cercada por grades pontiagudas, parece bem menos cordial que as outras.  No entanto, em minha única passagem por lá, no meio da tarde de uma quinta, eu a encontrei aberta. Pode ter sido coincidência. Na Filial de São Pedro, quinta também é o dia em que há uma prece, no início da noite. Fora isso, só abre para a missa de sábado.

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** Confira mais fotos em http://twitpic.com/photos/sandrofortunato **

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5 respostas a Diário de São Pedro (VI)

  1. Márcia disse:

    Pôxa, queria muito ler o que você escreveria depois de visitar a Igreja do Lima, em Patu, RN, e seu santuário, onde jazem muitos dos filhos da terrinha.

    beijo, querido. Volte logo pra velha Nat.

    Estive lá há uns 12 anos. Fotografei várias igrejas (só exteriores) no RN naquela época. Quero voltar com calma e para fazer um trabalho sério. Topa? Em novembro. Pode ser? Semana que vem baixo por aí.

  2. ´Wilson Natal disse:

    Beleza, Sandro! Esse cemitério deve remontar a 1810,por ai. Poucas Igrejas tinham espaço para criar o próprio cemitério. Dai os enterramentos sob os altares laterais, chão das igrejas ou críptas. A urna que você viu, permanece na arte funerária até o início do século XX. É o ossuário ou ossário e, geralmente ali eram depositados os ossos dos patriarcas da família.Os demais eram enterrados ao fundo da sepultura.
    Quanto a Igreja, ela deve remontar ao tempo dos Jesuítas. E a dificuldade está ai. Pois, no local deve ter surgido uma capela que teria virado ermida e da ermida começa a construção da Igreja. E a construção é típica dos Jesuítas. Templo pequeno e a capela do Santíssimo Sacramento. E se você tiver interessado em pesquisar mais, procure a Cúria Metropolitana do Rio de Janeiro ou de Niterói.
    Gostei muito. Abração.

  3. Giane disse:

    Oi, Sandro!

    Gostei muito dos posts e de quantos lugares interessantes existem para conhecer em nosso país.

    Voltarei outras vezes.

    Beijos mil!!!

  4. ianniu disse:

    gosto de igrejas e cemitérios. da igreja não sei bem pq,talvez pelo cheiro da madeira… dos cemitérios é por conta da ilha de silêncio que os urbanos oferecem ser.

  5. karla disse:

    estou procurando informações sobre cemitérios na região dos lagos. vcs tem fotos, histórias ou informações que possam me ajudar? obrigada

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