Diário de São Pedro (V)

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Pareceu-me estranho falar de praia e sol com as chuvas e o frio dos últimos dias. Adiei por um dia escrever sobre a caminhada, feita na quinta-feira passada, até (quase) a Praia da Baleia e São Pedro mudou o tempo aqui na Aldeia.

Hoje o sol saiu e com ele veio minha disposição para escrever. Verdade seja dita, já bate uma ponta de saudade destes dias maravilhosos em São Pedro da Aldeia e, se não fossem as coisas da vida – ser adulto dever ser mesmo muito chato! –, eu não sairia daqui tão cedo. Vou, mas retorno em algumas semanas para pegar o fim do inverno e o início da primavera.

Mas vamos ao breve relato sobre a missão de desbravamento das praias deste istmo.

Na quinta, 16, parti da Praia da Pitória, às 15h30, com destino à Praia do Sudoeste. A Pitória é uma praia de pescadores; a seguinte, do Arrastão, é quase somente uma passagem até a Praia do Sol; esta tem uma parte tomada por quiosques na areia e, dizem, é repleta de selvagens turistas (perdoem-me a redundância) na alta estação. Depois vem a Praia do Sudoeste e, mais uma vez, tudo muda.

Andei por aproximadamente um quilômetro sem ver viva alma, exceto pelo vira-lata ensandecido que correu em minha direção assim que pisei na praia, seu dono pescador e outro senhor que fez pouco do meu pequeno momento de desgraça: “Ele só quer brincar”. Sei.

A Sudoeste é uma típica praia de veraneio. Repleta de pousadas e grandes casas, muitas ao estilo de fazenda. Meio estranho pensar em fazenda na praia, mas é isso mesmo. A palavra sempre surge quando se pergunta até onde vai a faixa denominada do Sudoeste. “Até aquela ponta lá, onde é fazenda do Roberto Marinho”.

O homem morreu há seis anos, mas seu poder continua sobre a terra. A “fazenda do Roberto Marinho” é a península. Um lugar privilegiado, lindo, difícil ou mesmo impossível de contornar a pé porque quase não há uma faixa de areia que permita a caminhada. Fica em um local mais elevado e de lá pode se ver o nascente e o poente mudando de posição durante as estações. Bem longe de vizinhos. Resumindo: o lugar que eu sonhei. Casa comigo, Dona Lily Marinho!

Voltando à realidade… caminhei pela vazia Praia do Sudoeste e indico: se quiser conhecê-la, aproveite os veranicos durante o inverno. Tudo fica vazio, em paz e os preços muito mais baratos.

Fiquei para registrar o poente e me dei conta de que era a primeira vez que via esse momento “no mar”. Senti-me no Pacífico! As aspas são por conta de que “o mar” aqui é a imensa Lagoa de Araruama. A posição do istmo onde fica São Pedro da Aldeia permite que de vários pontos e em diferentes épocas, se assista o nascer e o pôr do sol “no mar”. E, sim, a lagoa é de água salgada.

Resolvi voltar de ônibus que, sem pressa alguma, parando a todo instante na Estrada do Boqueirão, não leva mais de dez minutos para retornar ao ponto de onde parti na Praia da Pitória. Em determinado trecho, ele passa pelo outro lado do istmo. Ainda não caminhei por lá e talvez não faça isso desta vez. Os últimos quatro dias foram de frio e só tenho outros três para terminar as digitalizações do acervo de Appe (falarei a respeito em outro texto). Como devo estar novamente aqui em setembro e outubro, pretendo aproveitar as cores da primavera para continuar esse mapeamento fotográfico das praias de São Pedro da Aldeia.

** Confira mais fotos em http://twitpic.com/photos/sandrofortunato **

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2 respostas a Diário de São Pedro (V)

  1. ´Wilson Natal disse:

    Tanta coisa para ver, “beber” e fotografar… Deve causar uma fustração não poder agarrar tudo com as mãos e levar embora com a gente.
    É tipo delugar que não nos basta olhar,fotografar.É preciso pegar, roubar, sequestrar, esconder e nunca, nunca mais devolver.
    Abração.

  2. Neusa Pedrosa. disse:

    Acabei de lêr suas memorias S.Pedro. ADOREI. Bem como adorei a felicidade dos cães liberados. Como é bom viver sem correntes…
    Beijos
    Neusa.

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