De que forma você vê o mundo?

Dentre meus muitos defeitos, está o de ser intolerante com os intolerantes. Entram na lista os tacanhos, os que têm sempre razão, os que sabem tudo, os cagarregras, os que veem problema em qualquer coisa, os que só enxergam o lado negativo das situações e, quando este não existe, o criam.

Durante insanas épocas, respondia na mesma moeda, acreditando que o outro só pudesse entender essa linguagem. E talvez isso seja verdade, mas com isso eu me tornava igual a ele.

Com a prática de artes marciais, percebi que não gostava de apanhar, mesmo que pudesse revidar com mais força. Trouxe para a vida a prática de desviar os golpes para que não me atinjam e fazer com que eles se percam no vazio. Faço isso até o oponente cansar de golpear e procurar outro que o responda com a mesma agressividade, a mesma disposição para o mal. Não tenho nem nunca pretendo tê-la.

No entanto, nossa visão é limitada e é muito comum que vejamos o mundo a partir de conhecimentos prévios. Em vez de estarmos abertos e dispostos a aprender, nos aprisionamos pela falsa segurança do pouco conhecimento que temos e julgamos ser o bastante.

Fazemos a leitura de acordo com aquilo que há de mais forte em nós. O intolerante escuta um belo sermão sobre a importância de perdoar e se pega com a rápida passagem na qual foi citada a Lei de Talião. Para ele, o que fica é a estupidez da breve referência. Todo o resto se perde. Simpatiza com e alimenta aquilo que já existe nele. Ainda que o objetivo tenha sido falar a respeito da nobreza e do valor do perdão, ele só consegue enxergar a ira, a condenação, a execução.

“Deixai vir a mim as criancinhas (…) porque delas é o Reino dos Céus”. Parece-me muito claro o conselho para buscarmos ver o mundo com os olhos e o coração de uma criança, sempre puros, abertos ao novo, sempre dispostos a aprender. Só assim é possível atingir “o céu”, um lugar pleno de paz, harmonia, tranquilidade. Eu acredito que este céu possa ser aqui. Aos diabos os diabos que queiram infernizá-lo!

Pela total incapacidade em fazer com que aqueles que insistem em viver nas cavernas façam a leitura adequada e pelo cansaço em desviar golpes continuamente, às vezes prefiro me fazer invisível. A reserva pode ser interpretada como pedantismo, orgulho, soberba, mas, por enquanto, só cheguei até aqui e o que me resta é sentar e observar pacientemente.

Eu brinco ao sol. Está vendo? Consegue enxergar isso? Então venha brincar também.

Texto relacionado: Sympátheia

Logo abaixo em  COMMENTS
Esta entrada foi publicada em Comportamento, Livre pensar. Adicione o link permanente aos seus favoritos.

2 respostas a De que forma você vê o mundo?

  1. Lol! Eu tinha este almanaque do Cebolinha, com esta historinha incluída. Ganhei da minha mãe na sala de espera do dentista (era o “suborno” de costume).
    Mais tarde é que vim ouvir falar do mito da caverna de Platão.

  2. Wilson Natal disse:

    O Grande problema de muita gente é que deixaram a criança que foram perder-se no labirinto das “adultices”. Perderam o lúdico,a originalidade das experimentações; aquela capacidade de movimentar as as enrgias e transformá-las em fantasias sonhos e adaptá-las à realidade – mesmo que fosse realidade do momento.
    Perder a essência é viver pela metade. E é assim que a maioria vive. O agora, embora finjam que não, matou-lhe a esperança de grandes conquistas reais. Significa apenas a conquista de algo que lhes tornem menos pesada a insipidez de suas vidinha vazias. A grandeza do prazer de viver limitou-se às conquistas do banal.Não se VIVE mais. Vai-se vivendo…
    Eu vou morrer criança!
    Conheço muito bem aquela deusa que lançou, lança e lançara sempre o Pomo da discórdia entre as “deusas”… “Para a mais bela”… Que se matem!
    O Ego que dá vida ao homem, pode matá-lo também.
    Alguém ai, quer lutar por um pominho apodrecido
    e sem utilidade alguma?…

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *