Um momento de paz

Quem procurar em meus textos – pessoais e profissionais – sempre encontrará algo sobre a morte. Há quem diga que ela me impressionou muito quando aos 18 anos de idade levou meu primeiro amor, que tinha apenas 19 e outra vida começando dentro dela. Estão certos. O que não sabem é como isso me impressionou.

Acabei por aprender, muito cedo, sobre a impermanência de tudo. Eu era um jovem universitário, inteligente, metido a gostoso, repleto de motivos para ser arrogante (e era!), desejado, apaixonado e correspondido. Ela era jovem, bonita, muito inteligente, extremamente querida por todos, divertida, sempre bem humorada, cheia de vida e de uma grandeza que sabe-se lá como cabia em corpo tão pequeno. Nós nos casamos em uma tarde de novembro. Ela foi internada no mesmo dia e só deixou o hospital 18 dias depois. Já sem vida. Nem chegamos a morar juntos.

Houve uma grande comoção, em Natal, por conta dessa história. É muito mais difícil entender a morte de uma pessoa jovem. Mais ainda quando ela está saudável, feliz, gerando outra vida. Muita gente que não a conhecia, nem a mim, nem nossas famílias, esteve no velório e no sepultamento. Pessoas mais próximas achavam que eu não estava nada bem e temiam que eu fizesse alguma bobagem.

Bobagem era pensar nisso. Havia uma força muito maior me guiando naquele momento. Aos que não me conhecem, devo esclarecer que nunca segui qualquer religião, nunca fui crente seja no que for e até me considero uma pessoa sem fé, apesar de ter o que chamo de “um grande instinto religioso”.

O que Fabíola me ensinou – dentre muitas coisas – foi a amar e viver em paz com as pessoas como se não existisse amanhã. Nunca deixar nada para o dia seguinte. Nunca dormir contrariado com alguém. Nunca entrar em conflito, muito menos com quem se ama.

Não aprendi isso de imediato, mas sabia que a lição era essa. O aprendizado vem se desenvolvendo durante esses quase 20 anos após esse episódio. Estúpido como só eu consigo ser, precisei de outros exemplos para saber que a morte não é a pior das perdas e que, na verdade, ela é a única a qual somos realmente obrigados a aceitar, pois não há qualquer esperança de que a situação mude. Em determinados aspectos, é até a mais fácil de aceitar.

Nesse rastro, aprendi também que a vida não é como a gente quer, mas sim da maneira que deve ser. O estranho é que ela pode ser contrária a tudo que você quer e ainda assim essa será a melhor maneira. A sua capacidade de aprender é que fará toda a diferença.

Há pouco menos de um ano, me senti preso em uma arapuca, numa situação, para mim, completamente inimaginável. Estava de volta a Natal e morando na casa dos meus pais. Tinha ido visitar minhas filhas e resolver problemas com documentos. Era para ter ficado apenas quatro dias. Fiquei quase um ano.

Tão sereno quanto possível, em meio ao que me parecia ser o maior turbilhão, a maior provação com a qual já havia me deparado, comecei a entender os motivos de ter sido colocado ali contra minha vontade. Havia vários incêndios a serem controlados: minha mãe sobrecarregada cuidando de meu pai e de meu avô; meu pai, sempre intolerante, com enormes conflitos internos em relação ao próprio pai, que depois de mais de vinte anos estava de novo morando com ele; meu avô, já com 88 anos, aparentemente saudável, mas embaralhando as histórias que lembrava, tendo dificuldades para reconhecer as pessoas; filha adolescente dando trabalho… Eu não queria nada daquilo. A minha vida pacata com uma jovem esposa e um filho lindo com três anos de idade era bem mais agradável.

Cada vez mais centrado, comecei a perceber que, mesmo que não quisesse fazer parte daquele quadro, eu era uma peça que estabelecia algum equilíbrio a tudo aquilo. Também não me pergunte como – já disse que não sigo fé alguma –, mas, mesmo que nada parecesse indicar isso, sentia que duas mortes aconteceriam em breve.

A primeira foi a de meu avô, único dos avós que me restava, pai do meu pai, no sábado de carnaval. Ontem, também sábado, foi a do meu pai.

Quando viajei há duas semanas, outra coisa que também sentia, mesmo que novamente nada parecesse indicar, é que isso aconteceria enquanto eu estivesse longe. E aconteceu. Estou em São Pedro da Aldeia, no Rio de Janeiro, e a notícia só chegou a mim neste domingo no final da manhã.

Próximas a meu pai estão pessoas que nunca viram a morte de perto, não lidam bem com isso ou que precisam aprender a lidar melhor. À distância, sei que não preciso estar lá porque ele também não está mais lá. A forma que me acostumei a ver já não será mais vista, não será mais usada. Em liberdade – e ele precisava disto! –, talvez agora sua essência esteja mais acessível e, independente de crenças, ele continue seu caminho.

Sempre considerei meu pai uma pessoa emocionalmente bruta, que não sabia demonstrar o carinho que sentia pelos outros. E, pode apostar, sentia. Demorei muito para, muito mais que aceitar, pois isso pouco adiantaria, compreender suas razões para ser daquele jeito. E foi somente nos últimos onzes meses que cheguei a essa compreensão, percebendo que não tinha qualquer mágoa em relação a ele e até transformando um sentimento de piedade em carinho.

Em meu último aniversário, em abril, ele me deu um presente e me cumprimentou. Nem lembro quando havia feito isso antes. Talvez eu fosse muito pequeno para guardar a lembrança. Desculpou-se por ser algo simples (como se precisasse fazer isso) e me deu parabéns. Eu levantei, agradeci e lhe dei um beijo na testa. E vi que ele estava se esforçando, após 65 anos de embrutecimento, em ser uma pessoa mais doce.

Nunca deixei de amar meu pai. Aprendi a respeitá-lo, a entender suas limitações, suas fraquezas, a perdoar seus erros. Enquanto muitos, em meu lugar, o teria visto como um inimigo, eu comecei a vê-lo como meu maior mestre. Ele errou para que eu não errasse. Sem querer, cumpriu o papel de pai, me ensinando a ser forte, a ser uma pessoa com menos defeitos que ele. Sem demonstrar Amor, me fez uma pessoa que ama sem medidas. Tanto a ponto de ver nele não só a figura de pai, mas de um ser humano com todas as suas complexidades, seus conflitos, seus defeitos.

No final do ano passado, durante um de seus muitos acessos de fúria que sempre pareceram insanos, sem motivo, chamei-o à realidade e trocamos de lugar. Com toda a paciência que me foi dada, passei uma hora e meia lhe falando a respeito de como se deve viver em harmonia com as pessoas, de como devemos demonstrar nossos sentimentos e que eles devem ser bons SEMPRE. E se não for? Nós devemos aprender a transformá-los em algo bom. Durante aquela conversa, me transformei no pai dele. Era eu quem dava conselhos a alguém ainda despreparado, verde, inexperiente. Foi ali que soube de problemas que o atormentavam há décadas e que, em vez de resolver, ele alimentou e fez crescer. Percebi a prisão que havia criado para si mesmo. E mais uma vez reconheci meu grande mestre bem ali. Sem ter a mínima ideia do que fazia, ele continuava me ensinando. Ele começou a mudar, a se desprender das coisas que o seguravam aqui. Começou a se libertar da prisão que havia construído.

Agora ele está perto como nunca. Nunca mais verei aquele corpo que ele tanto maltratou fumando e comendo descontroladamente. Não lançarei um último olhar àquela criatura tão branca que ao misturar-se como minha mãe me fez esse vira-lata moreno de nome italiano.

Sinto apenas por não ter falado a ele que procurasse conversar com meu irmão que, sem querer e sem perceber, vem repetindo alguns de seus erros. Queria que ele também pudesse ser o mestre do meu irmão. Se há outra coisa que aprendi nessa vida, além de que se deve amar as pessoas como se nunca mais fosse vê-las, é que muitas vezes o mestre está todo o tempo por perto, mas o discípulo só percebe quando está pronto. E nem mesmo há qualquer garantia de que um dia o reconheça.

Liberto, sinto-o presente como nunca. Se não tivemos a oportunidade de prolongar a inversão de papéis, se não precisei cuidar dele quando estivesse realmente necessitado, é porque já não era necessária essa lição. Nem para mim, nem para ele.

Com toda sua rispidez, impaciência e intolerância, ele me ensinou a amar, tolerar, esperar, compreender. Eu o agradeço muito por isso, meu pai.

Agora já não há mais Jorge, Jorginho, Fortunato, seu Jorge, pai, vô. Agora existe Paz. Se realmente nos encontramos com os que nos deixaram por aqui, espero que a vó Mafalda e o vô Moacyr o recebam e continuem cuidando de você. Minhas orações, meu perdão, meu carinho, meu amor, meu respeito, você terá para sempre. Por aqui, continuaremos tocando a história. Mamãe, seus filhos, meus filhos, Aimeé, Ananda e a atual ponta desse ramo, Pietro Fortunato, aquele outro branquelo, que você só viu muito pequeno e todo mundo achou que era sua cara. Continue me ajudando a fazer dele um homem muito melhor do que jamais imaginamos ser. O Amor, eu garanto.

Luz, Muita Luz, Pai!

PS: Há poucos dias eu estava falando como, mesmo com todo seu descuido, você era um cara que atraía a atenção das mulheres. Eu queria ser assim. Você sempre foi muito bonito.

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23 respostas a Um momento de paz

  1. Laura disse:

    Sandro, apesar de ter ouvido de sua boca quase tudo isso que está escrito, o seu dom com a escrita mexe mais ainda com a gente. Comigo pelo menos. Eu acho que você tem fé sim, talvez não no sentido do dicionário, mas não sei… acho que você é uma daquelas pessoas que não precisa mesmo ter religião pra aprender as lições da vida, pra se equilibrar, pra amar. Lindo o texto, linda a mensagem que vale pra TODOS!

    Obrigado, Laura! É isso que fica: o ensinamento. Venha de onde vier, do jeito que for. E deve sempre ser passado adiante.

  2. ivany soares disse:

    sandro,

    voce desperta solidariedade.

    sinto muito por esta fase.

    muita luz

    Obrigado, Ivany! Muita Luz SEMPRE!

  3. Ana disse:

    Sandro, seu texto é muito comovente mas sereno. Acho que não preciso te oferecer nada, porque me pareceu que você está lidando muito bem com tudo isso. Mas receba o meu abraço e conte comigo, se em algum momento precisar.

    Obrigado, Ana! Meu entendimento da morte é realmente algo sereno, de paz. Obrigado pela força.

  4. ´Wilson Natal disse:

    Foi preciso voltar,para que se fechasse um ciclo. Foi preciso voltar, abrir velhas portas e encarar o seu conteúdo. Foi um tempo para perdoar-se e perdoar; tempo de pedir perdão e ser perdoado.
    E o ciclo termina livre de tudo o que é sombra,vazio, negação.Desaparecem as velhas pendências e querelas.
    Fica a aura livre dos sentimentos negativos e plena sensação de paz.
    Foi-se o contraponto que lhe fez melhor. Partiu deixando como herança,você por inteiro.Foi-se o antagonista,transformado em aliado.
    Agora é o tempo de deixar partir em paz e de viver em paz.
    E você está certo. Aceitar sempre! Pois, na vida, só se perde aquilo que nunca se teve.
    É que na vida, nada é para sempre.
    Muito equilíbrio, tranquilidade.E segue em frente.
    Um grande beijo no coração.

    Wilson.

    Obrigado, Wilson. Você que também trilha sem medo essa estrada e ouve/lê um monte de coisas minhas, acompanhou a última fase e as últimas pancadas. Tudo para fortalecer! Você sabe.

  5. Meire disse:

    Sandro … Estou tentando te ligar, amigo … Tentando no de casa e no seu celular, queria muito poder falar com você …
    Receba meu beijo, meu abraço, todo meu amor…
    Meire

    Obrigado, Meire. A você, não preciso falar nada, não? Todo meu amor também.

  6. mayhara disse:

    se sinta abraçado, beijado.. conversamos pouco, quase nada, mas a sua sensibilidade sempre me deixou muito a vontade.

    ;*

    Obrigado, Mayhara. Curta muito essa vida que ainda nem começou!

  7. Sandro, diz-se que começamos a vida sendo filhos dos nossos pais; depois somos pais dos nossos filhos. Em seguida, nossos pais começam a ficar velhos, e somos pais dos nossos pais e, finalmente, nós ficamos velhos e nos tornamos filhos dos nossos filhos. Não é curiosa a roda da vida? Ao Arcano 13 segue-se fatalmente o 14, e as lições a tirar daí já sabemos quais são: tudo se transforma, as energias se transmutam, e alcançamos nova volta da espiral um pouco acima da que pecorremos antes. Já perdi pai e mãe; e preparo-me com paciência para a quarta fase, para ser filha dos meus filhos, esperando dar pouco trabalho a eles, que não me deram nenhum. Todos esses pensamentos me vêm à mente enquanto procuro palavras específicas para dizer a você nesse momento e não acho nenhuma, talvez porque elas não existam: o que há, Amigo, é a corrente de amor, compaixão e solidariedade do meu coração para o seu. Fique em paz.

    Obrigado, Clô, escoladíssima em tudo, senhoríssima da vida, conhecedora e vencedora dos caminhos mais loucos.

  8. Dinor Guinzani disse:

    Sandro,
    Fiquei sabendo agora, ao ler seu texto. Eu realmente sinto muito, mas percebo que vc está em paz…Sei que em uma situação como essa, geralmente, lamentamos por não ter dito algo a mais, um último diálogo, um último abraço….Mas acredito que esse texto tenha sido uma conversa com seu pai e que de alguma forma, ele tenha conhecimento do que vc escreveu….Pense que ele agora está em paz….E ficará ainda mais em paz, ao saber que vc tbm está em “paz”,leve, sereno e que seguirá sua vida, sua história.
    Com vc mesmo escreveu, a morte de sua primeira esposa o fez ver que devemos sempre aproveitar a companhia de quem amamos epor isso,nunca esqueça de dizer a sua mãe m~ea infinitamente que a ama…de dizer tbm ao seu irmão que o ama….De lembrar sempre a seus filhos que vc os ama muito, assim como a qualquer outra pessoa que vc ame,..pois com esse texto, em seu novo mundo,seu pai está com certeza do amor que vc sentiu, sente e sempre sentirá por ele….
    Sandro, amigo,primo,irmão, te deixo um forte abraço de alma e lembre que pode contar com esse amigo para o que precisar.
    Meus sentimentos!
    Fique com Deus!

    Obrigado, Dinão, meu irmão. Estou tranquilo, sim. Ressacado, preocupado com quem fica (por estar longe), mas na Paz!

  9. Lobão, no meio deste turbilhão de memórias e emoções, a sua clarevidência me ensinou mais uma valorosa lição de vida, para a vida.
    Que o teu espírito encontre conforto neste amor infinito que você tão bem descreveu/compreendeu.
    Beijo,

    Obrigado, Rê. Grande e fraternal abraço para vocês todos, que amo.

  10. Neide Pessoa disse:

    Sandro,
    posso deixar um abraço?
    E um beijo?
    Deixo aqui o meu carinho.
    Obrigada pela oportunidade de refletir sobre a grande verdade da vida: a morte.
    Quando vier a Belo Horizonte,o cafezinho será coado na hora,sim?
    Neide

    Obrigado, Neide. Você pode tudo, minha querida. Vou cobrar o café ainda este ano.

  11. Márcia disse:

    Meu querido,

    Vinha inquieta contigo há dias, quando te liguei e não conseguimos nos falar. Não se perca da sua serenidade, que sempre nos ensina. Um abraço apertado,

    Márcia

    Obrigado, minha querida. Quero esse abraço quando chegar por aí de novo.

  12. Chris Angelotti disse:

    Sandro,

    Acho que essa foi a primeira vez que vc me deixou sem palavras,e isso é difícil de acontecer…
    Não há como não dizer que eu lamento sua “perda”. Passei pelo mesmo fato no final de janeiro deste ano.Meu pai também se foi.
    Acho que “emudeci” por vc ter traduzido em palavras muito do que senti e sinto. Por isso que é bom compartilhar, acabamos vendo que o nosso próximo, muitas vezes, sente o mesmo que nós.
    Não sabia de algumas coisas da sua vida, embora estivesse em Natal na época e passei a te admirar mais ainda. Vc não se entregou, sempre tenta aprender algo, acredito que é por isso que estamos nessa jornada.
    Enfim…um grande abraço, cheio de energia boa. Também não sigo uma religião pois não gosto de intermediários,mas sigo meu instinto que me diz haver um ser maior e que estamos aqui só de passagem.

    Obrigado, Chris. Você utilizou uma palavra que adoro: “compartilhar”. Quem tem filhos e realmente se preocupa com eles, com sua educação e seu crescimento – e você é assim – sabe a importância disso: COMPARTILHAR. É uma tentativa de asfaltar e iluminar o caminho de quem amamos.

  13. Obrigado, mudo! Deveríamos estar juntos no fim de semana passado, não? Não. Por mais que não pareça, tudo está sempre na mais perfeita ordem.

  14. Lídia Nascimento disse:

    Se eu tinha admiração por você, depois de ler isto ela aumentou muito. Também perdi meu pai, que me faz muita falta, porém acredito que onde ele estiver, estará olhando por mim e digo o mesmo sobre seu pai. Hoje, sei que meu pai está sim comigo e muito mais próximo do que estava antes, o que sinto falta não é do meu pai, mas das sábias palavras. Talvez não tenha sido o homem mais sábio para me dar conselhos, porém, como você afirmou sobre seu pai, afirmo sobre o meu: ele foi meu mestre. Sei que ele está comigo e me proteje sempre e isto acontecerá contigo, talvez um dia vc poderá sentir, pois muito mais importante do que você ver é você sentir. Você me fez chorar, não pela falta do meu pai, um dia eu te explico por que.

    Obrigado, Lindinha. Espero que não demore outros quatro ou cinco anos para revê-la e você poder me contar isso. E lembre-se: FORÇA SEMPRE!

  15. joão disse:

    Sandro.
    A morte é nosso grande problema.Eu perdi poucos entes queridos, durante minha vida. Minhas avós e avôs morreram com idade avançada. Era uma morte já esperada. Meu pai morreu aos 67 anos, depois de uma doença prolongada. Também nos preparamos para ela, afinal ele também maltratou seu corpo a vida toda. Mas anos passado tive um baque violento. Morreu num acidente estúpido, um sobrinho que era um filho pra mim, de 12 anos. Numa brincadeira com outras crianças caiu e bateu a cabeça. Desta morte eu nunca me recuperarei, não passa um dia em que não lembre e chore um pouco. Creio que ele me passou uma lição, este menino tão bonito me ensinou a morrer. Ensinou que isto vai acontecer comigo, o quão breve é a vida pra eu ficar alimentando idiotices.Guilherme é hoje minha baliza, quando faço besteiras lembro dele e volto pra razão.
    Sua história é comovente, eu sabia de algumas coisas, mas agora descrita desta maneira fiquei embasbacado. E pode apostar, com ela também estou aprendendo a morrer.
    abraço
    joão antonio

    Obrigado, João. Você pegou dois pontos muito importantes e sobre os quais pretendo compartilhar, mais adiante, em um próximo texto: aprender a viver bem sempre porque a vida é curta e, cada vez que morre um ente querido, a reafirmação de que nós também morreremos. Viver com a certeza de que há um fim dá uma grande motivação para que não venhamos a agir de forma errada.

  16. Izilda disse:

    Sandro,

    Seu pai cumpriu um ciclo, mas não se foi. Deixou em seus descendentes o fio da sua história e continua, através de você, ensinando coisas importantes sobre o mistério da vida.
    Obrigada por compartilhar de forma tão verdadeira e comovente essas lições…
    Um abraço forte, longo e carinhoso,

    Izilda

    Obrigado, Zi, sempre sábia, equilibrada e sensível. Estou com saudades de você.

  17. Jr. disse:

    Sandro, eu poderia – talvez devesse, por convenção – apresentar-lhe pêsames. Mas, prefiro utilizar a oportunidade para parabenizá-lo por sua grande habilidade em negociar com a vida. Falo de essência, índole, pois se não forem boas, háverá poucas possibilidades de sucesso no aprendizado de que fala. Faço coro no desejo de luz ao Sr. Fortunato e desejo-lhe muita paz, saúde e que continue seguindo esse caminho. Um forte abraço! Junior.

    Obrigado, Junior. Há poucos dias conversávamos sobre o apego de certas pessoas a esta vida e o quanto elas acabam sofrendo durante anos e anos. Fico feliz por meu pai ter se libertado logo. Certamente ele está mais feliz agora e seguindo em frente, já sem alguns véus que o impediam de perceber muito da beleza desta vida.

  18. Priscilla Correia disse:

    A gente tem uma mania de sempre dar nome a tudo não é? Sem isso como viveriámos, mas se isso meu amigo não for fé, é o quê? Talvez não esterotipada, mas com certeza é fé sim…
    Ótimo texto como sempre
    Beijos de paz em seu coração
    Pri

    Obrigado, Priscila. Sim é verdade, damos nomes às coisas com a intenção de entendê-las. Para quem, como eu, trabalha com as palavras, é ainda mais complicado aplicá-las de uma forma que todos entendam. Quando digo que “me considero uma pessoa sem fé”, quero dizer que não costumo simplesmente acreditar em algo por si só, que não sei e não consigo seguir uma fé, no sentido religioso, de acreditar em determinada crença, seja ela qual for. Mas é inegável o meu “grande instinto religioso”. E, que isso fique claro, não tem nada a ver com qualquer agremiação religiosa e seus conjuntos de crenças. Também admito que, de outra forma, eu possa ser uma pessoa de “profunda fé” e que apenas ainda não tenha me dado conta disso.

  19. Tato disse:

    Estou de pé e à ordem. Abraços fraternos.

    Obrigado, Irmão Thiago. Um Tríplice e Fraternal Abraço. Saiba que estou lhe devendo um longo e-mail.

  20. Aninha Daguiar disse:

    Nesse momento só posso desejar muita paz.

    E quando estiver em natal, lembre-se que sempre pode contar conosco(eu e oliveira) pra tudo!

    Um abraço bem apertado!

    Obrigado, Aninha! Abraço para vocês também.

  21. Mayra disse:

    sandrinho, sandrinho… sinto muitíssimo. sinta-se acalentado. estou longe mas o coração tá junto neste momento, viu? força pra você. beijos.

    Obrigado, Mayra! Força SEMPRE!

  22. Carolina Villaça disse:

    Lobão,
    Sinto muito por todo o tempo que fico sem dar notícia alguma, sem perguntar de você, como andam as coisas…Acabo sabendo tudo assim: publicado, e não conversado. Mas gostaria muito de estar perto nessa hora, e não falar nada, só dar um longo abraço. Mas, no fundo, sei que sabe o quanto gosto de você e que pode contar comigo. E desculpe o longo tempo do meu inexplicável sumiço. Prometo estar mais perto agora, mesmo estando longe. Lindo texto, com toda a emoção que estava aí guardada, e que agora é livre! Um abraço bem apertado.

    Obrigado pelo carinho, Carol. Não se preocupe com nada. Quando se gosta verdadeiramente de alguém, se compreende até o não dito.

  23. Cefas disse:

    Amigo, belo e doloroso texto. Te admiro pela força e pela forma de traduzir os sentimentos mais viscerais em palavras. Conte com minha amizade e solidariedade sempre.

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