Diário de São Pedro (III)

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Ontem escrevi no Twitter que a farsa das caminhadas matinais havia acabado. Seria mais correto dizer que as falsas caminhadas matinais haviam acabado. Eram curtas, mais de observador do que de andador, desculpa para procurar um lugar quieto onde escrever e ler um pouco.

Na quarta, comecei verdadeiras caminhadas vespertinas. Deixei a Praia da Pitória e seus pescadores e fui buscar outras, segundo ouvia dizer, mais bonitas e desejadas. A praia seguinte é a do Arrastão.  Já havia andado por um trecho dela em minha última caminhada matinal. É aquela com casas grandes e cães neuróticos. Mais adiante, na altura em que encontra a Estrada do Boqueirão, vê-se um trapiche antigo e um barzinho que convida para ver o pôr do sol. Continuando pela orla, o mato alto empresta um aspecto de abandono à trilha. Mais uns trezentos metros e o cenário muda novamente. Enormes casas com muros a poucos metros da água e a visão da Praia do Sol.

Quando terminam as casas e se chega à praia propriamente dita, vemos uma série de quiosques padronizados. Nessa época, em dia de semana, há pouca gente. Melhor assim. Dizem que é área bem movimentada no verão. Deve ser um inferno. Quanto menos gente, melhor. Um ou dois casais, uma família e algum funcionário público com uma Kombi da prefeitura vomitando um pagode. Foi esse o cenário que encontrei.  Caminhando um pouco mais, os ruídos do bicho-homem vão embora e se ouve apenas o som das pequenas vagas e do vento nas árvores. Fui até aí no primeiro dia. Subi em direção à estrada. Vi um campinho onde crianças de uma escola pública jogavam futebol e a Igreja Filial de Nossa Senhora das Graças.  Se o termo “igreja filial” lhe parece estranho, devo explicar que não é invenção minha. É assim mesmo que são chamadas. São maiores que capelas e foram construídas próximas à praia, um pouco distante das matrizes. Na da Praia do Sol, bem no meio da tarde, encontrei quatro senhorinhas entregues às suas orações. Tão envolvidas que nem perceberam minha chegada e meu rápido passeio de reconhecimento pelo local.

Na quinta, resolvi ir além. Fui até o final da Praia do Sol, que não acaba onde eu pensava. Depois de uma pequena área com casas humildes e barcos de pescadores, estende-se ainda um pouco, numa ponta que abriga condomínios e casas luxuosas. Até aí, devo ter andado uns quatro quilômetros. Vi pouca gente. Passada essa área, há outra ponta repleta de pedras que marca a divisão entre as praias do Sol e do Sudoeste. Esta última é minha próxima missão.

Retornei desse ponto com a intenção de procurar um local calmo e bonito, onde pudesse sentar, ler, escrever um pouco e aguardar o poente. Levava uma mochila com livro, caderno, máquina… mas percebi que nada disso valeria muito ali. A máquina fotográfica, sim, para mostrar a vocês algo da beleza do local. O resto era inútil. Já passo o dia inteiro – a vida toda – lendo e escrevendo, por que não utilizar esses momentos da maneira correta? O ideal é esquecer tudo e se deixar levar pela Natureza. Sentir o sol, o vento, a água, aproveitar o silêncio. Em certo momento, até a câmera começou a me incomodar. Não tenho o direito de tentar eternizar, de aprisionar um momento desses. Capacidade muito menos! Cada instante é único, cada onda em constante movimento, cada reflexo que dança e muda de lugar… Tudo deve ficar na memória para que, quando comece a desvanecer, venha a vontade fazer uma nova visita.

Confesso que pretendo ainda fotografar as outras praias de São Pedro da Aldeia e, mais que isso, fotografar o nascente e o poente em cada uma delas. Haja disposição! E quem aguenta tanto céu, tanto mar, tanto azul? Eu aguento. Nem sabia disso, mas começo a crer que sim. As primeiras fotos me incomodaram: céu, mar, azul, linha do horizonte, céu, mar, azul, linha do horizonte… De repente, o que me incomodava foi me deixando tranquilo.

Tranquilidade maior, penso, terei durante as caminhadas para esperar o nascer do sol. Ninguém por perto, nenhum barulho, nenhuma pressa, nada além de beleza, equilíbrio, paz e harmonia.

** Confira fotos diariamente em http://twitpic.com/photos/sandrofortunato **

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3 respostas a Diário de São Pedro (III)

  1. Wilson Natal disse:

    LUGARZINHO POBRE, MEDÍOCRE, HORROROSO!
    Inveja… Inveja… Inveja… Inveja… Inveja… Inveja… Inveja… Inveja…
    IN-VE-JAAAAAAAAAAAAAAAAA!

    Tô de Mal! Seu bosta!…

    Assinado anonimamente,
    EU!

  2. Tato disse:

    Bicho… como se chega aí?

    Olha, cara, foi dizendo como chega que aquele paraíso que era Natal ficou a merda que está! Então vê se não espalha! Rio > Niterói > Maricá > Saquarema > Araruama > Iguaba Grande > São Pedro da Aldeia, que é uma tripa que se descolar vira uma ilha comprida. Fica a uns 140 quilômetros do Rio; ao lado de Cabo Frio, Arraial do Cabo e, pouco mais adiante, Búzios. Só lugar feio! (Esta última frase pode espalhar). No Google Maps: http://migre.me/3uZ0

  3. Que lugar maravilhoso! Dá vontade de largar tudo e ir simbora! 🙂

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