Em paz com o Rio

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Uma trégua. Melhor chamar assim. Fui, me diverti, fiquei um pouco mais, me vi sem pressa para isto ou aquilo e, sobretudo, para sair correndo. Ainda há coisas que me incomodam e que só um milagre mudaria. O barulho, a sujeira, a decadência de grandes áreas, os bairros fantasmas, a pouca cordialidade… Mas algo essencial mudou para que eu pudesse ver tudo isso de outra forma: a minha tolerância.

O encontro com os amigos de infância, o reconhecimento ou a reapresentação de certos lugares, a constatação de uma ou outra coisa boa ainda está por ali, mesmo que ninguém perceba, que não dê valor a ela.

Pela primeira vez considerei tirar o Rio da última posição dentre os lugares que voltaria a morar. E não colocaria outro lá. É claro que há lugares com os quais você tem maior identificação, maior afinidade, mas se eu estiver aberto e devidamente preparado, posso melhorar qualquer um onde resolva estar.

Em vez de esperar ou cobrar mudanças, mudo eu. Bem mais rápido e com resultados fáceis de perceber.

O Rio decadente não era só o do mundo real. Existia também dentro de mim e assim eu contribuía para sua destruição. Parecia-me cada vez mais feio a cada encontro.  Agora não. Agora parece mais com algo com o qual não devo me impacientar.

Começamos a nos entender. Da próxima, ainda menos pressa. Vamos nos permitir.

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3 respostas a Em paz com o Rio

  1. ´Wilson Natal disse:

    Sandro, a beleza está nos olhos de quem a vê. E que bom que você tenha dado uma chance ao Rio e a você mesmo! Eu que continuo “Miss Ponte Aérea” – paulistano roxo – por 4 anos fui muito feliz ai. E toda a vez que volto, essa é a emoção e o sentimento. Aproveite tudo o que está acontecendo. Tudo é progresso e prosperidade!
    Aproveite, trabalhe e vá em frente… que atrás vem gente. Abração-ção-ção!

  2. joão disse:

    Sandro.
    Aquela música do Gil é de uma sabedoria plena. Como um mestre zen ele diz “que o melhor lugar do mundo é aqui e agora”. Parece uma frase boba mas é muito sábia. Na verdade qualquer lugar é perfeitamente adequando para nós, a não ser evidentemente guerras ou terremotos. Aí sim eu quereria estar longe do lugar.
    Ontem pelo site da TV Brasil vi sua participação no programa.
    Diante daquela praçona…
    abraço
    joão

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