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	<title>Comentários sobre: Tiros em Barreiros</title>
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		<title>Por: Renata Silveira</title>
		<link>http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/06/05/tiros-em-barreiros/comment-page-1/#comment-8056</link>
		<dc:creator>Renata Silveira</dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Jun 2009 12:14:09 +0000</pubDate>
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		<description>PS: Um ano após a chacina, organizei, juntamente com a equipa de reporteres fotográficos da TN uma exposição &quot; A Chacina de São Gonçalo&quot;, com o objetivo de levantar um debate sério sobre imagens de choque versus imagens sensacionalistas. 
Enquanto fotojornalista sempre defendi a ética e a linguagem inteligente para as imagens de informação.
Fui, já falei demais :)</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>PS: Um ano após a chacina, organizei, juntamente com a equipa de reporteres fotográficos da TN uma exposição &#8221; A Chacina de São Gonçalo&#8221;, com o objetivo de levantar um debate sério sobre imagens de choque versus imagens sensacionalistas.<br />
Enquanto fotojornalista sempre defendi a ética e a linguagem inteligente para as imagens de informação.<br />
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		<title>Por: Renata Silveira</title>
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		<dc:creator>Renata Silveira</dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Jun 2009 12:10:09 +0000</pubDate>
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		<description>Sandro,
vivi muito de perto este dia fatídico cujo guião parecia ter sido copiado de algum filme de ação americano. Eram 7h40 da manhã quando saímos (Verailton, Adriano - motorista e parceiro de tantas reportagens - e eu) da Tribuna do Norte para verificar a realidade de uma chamada telefônica à redação que alegava que &quot;um maluco estava armado e matando todo mundo quer via pela frente&quot;. O facto era verdade, havia cadáveres espalhados num trajeto de vingança e sangue por diversas ruas/casas do lugarejo.

Também comecei a minha jornada naquele dia como reporter de imagem mas terminei como ser humano, com questionamentos profundos sobre a condição de quem faz a notícia numa hora destas. 

Não sei se este documentário refletirá na realidade tudo o que aconteceu, pois cada história é composta de dezenas de outras pequenas histórias que se cruzam.

Se dizes que há muitas imagens &quot;aqui agora&quot;, e eu confio nas tuas análises, então já nem sei o que pensar... 

Um pequeno &quot;pormenor&quot;, é que no calor dos acontecimentos, ouvi o relato de um reporter em directo para a rádio cabugi que me deixou indignada. Num momento de relativa trégua, ainda no centro do pequeno povoado e ainda a muitas horas do fatídico final no meio da mata, quando polícias,r eporteres e pessoas tentavam manter a calma, o repórter gritava numa histeria descontrolada: &quot;tiros, tiros! ele está em qualquer lado...&quot;. Neste exacto momento, olhei para a repórter que estava ao meu lado, acho que era da tv cabugi, e disse: &quot;quem ouve isto, ao vivo, pensa que estamos no meio de um tiroteio. que sensacionalista!&quot;. 

O tiroteio numa única direção ocorreria horas mais tarde e este &quot;bravo reporter&quot; estaria a quilómetros do &quot;perigoso genildo&quot;. 

Estive, com washington rodrigues, a 50 metros de onde o genildo foi abatido, disparando com a minha rebel, porque esta era a arma que eu tinha na mão, enquanto os policiais a minha volta atiravam em todas as direcções).

Hoje passados anos desta tragédia, a história parece ser o cruzamento de depoimentos emocionados e parciais com o que se apura nos jornais, nos programas de radio e tv arquivados. Só que nem todas as fontes são isentas. 

Resta-nos a versão autêntica, que é a da emoção de cada um, parentes, amigos, vizinhos, que dentro deles, enquanto personagens, carregam e revelam suas dolorosas memórias.
Quero muito ver este documentário...
Beijo,
Renata</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Sandro,<br />
vivi muito de perto este dia fatídico cujo guião parecia ter sido copiado de algum filme de ação americano. Eram 7h40 da manhã quando saímos (Verailton, Adriano &#8211; motorista e parceiro de tantas reportagens &#8211; e eu) da Tribuna do Norte para verificar a realidade de uma chamada telefônica à redação que alegava que &#8220;um maluco estava armado e matando todo mundo quer via pela frente&#8221;. O facto era verdade, havia cadáveres espalhados num trajeto de vingança e sangue por diversas ruas/casas do lugarejo.</p>
<p>Também comecei a minha jornada naquele dia como reporter de imagem mas terminei como ser humano, com questionamentos profundos sobre a condição de quem faz a notícia numa hora destas. </p>
<p>Não sei se este documentário refletirá na realidade tudo o que aconteceu, pois cada história é composta de dezenas de outras pequenas histórias que se cruzam.</p>
<p>Se dizes que há muitas imagens &#8220;aqui agora&#8221;, e eu confio nas tuas análises, então já nem sei o que pensar&#8230; </p>
<p>Um pequeno &#8220;pormenor&#8221;, é que no calor dos acontecimentos, ouvi o relato de um reporter em directo para a rádio cabugi que me deixou indignada. Num momento de relativa trégua, ainda no centro do pequeno povoado e ainda a muitas horas do fatídico final no meio da mata, quando polícias,r eporteres e pessoas tentavam manter a calma, o repórter gritava numa histeria descontrolada: &#8220;tiros, tiros! ele está em qualquer lado&#8230;&#8221;. Neste exacto momento, olhei para a repórter que estava ao meu lado, acho que era da tv cabugi, e disse: &#8220;quem ouve isto, ao vivo, pensa que estamos no meio de um tiroteio. que sensacionalista!&#8221;. </p>
<p>O tiroteio numa única direção ocorreria horas mais tarde e este &#8220;bravo reporter&#8221; estaria a quilómetros do &#8220;perigoso genildo&#8221;. </p>
<p>Estive, com washington rodrigues, a 50 metros de onde o genildo foi abatido, disparando com a minha rebel, porque esta era a arma que eu tinha na mão, enquanto os policiais a minha volta atiravam em todas as direcções).</p>
<p>Hoje passados anos desta tragédia, a história parece ser o cruzamento de depoimentos emocionados e parciais com o que se apura nos jornais, nos programas de radio e tv arquivados. Só que nem todas as fontes são isentas. </p>
<p>Resta-nos a versão autêntica, que é a da emoção de cada um, parentes, amigos, vizinhos, que dentro deles, enquanto personagens, carregam e revelam suas dolorosas memórias.<br />
Quero muito ver este documentário&#8230;<br />
Beijo,<br />
Renata</p>
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