Era para ser assim

Lembra do busto de Manoel Dantas mostrado no texto Em verdade, vos digo…? Era para ser assim, como o da foto à direita. A imagem mostra o original, em bronze, feito por Hostílio Dantas, em 1930, e que se encontra na casa de D. Sílvia Ramalho Dantas, viúva de Osório Bezerra Dantas, filho mais novo do homenageado.

Sabe a velha história de escrever no mármore aquilo que se quer lembrar e na areia o que se quer esquecer? Cabe bem em se tratando de monumentos. O bronze é para sempre. O busto original completará 80 anos no próximo ano e, tendo estado a salvo do sol e da chuva, está como novo. A réplica, em gesso, colocada em uma área externa da Escola Estadual Manoel Dantas, provavelmente nos anos 1970, é o contraponto da mesma lição.

O “provavelmente” sobre a época de sua instalação deixo por conta, por enquanto, do não aprofundamento de minhas pesquisas. Nos próximos dias, devo contar com a memória da mais antiga funcionária do colégio e, em seguida, com a sorte de haver algum registro na Secretaria de Estado da Educação e da Cultura. Digo “sorte” porque nem sempre é possível encontrar documentos que comprovem datas em órgãos oficiais. Mofo, extravio, perda em mudanças, incêndios, falta de cuidado… Tudo contribui para a falta de memória.

Tivesse eu raízes em Natal, daquelas impossíveis de remover como as de Cascudo, ficaria por mais tempo e tocaria outros projetos relacionados à memória da cidade. Um deles seria sobre as antigas escolas. Pesquisa de fôlego, pois algumas merecem livros exclusivos.

Na capital potiguar, está o estabelecimento de ensino público mais antigo do país: o Atheneu Norte-Riograndense. Fundado em fevereiro de 1834 (quase quatro anos antes do afamado D. Pedro II, no Rio de Janeiro), continua em atividade. Nem sempre esteve onde está. Teve outras duas sedes antes da construção do complexo em X inaugurado em 1954.

A foto mais antiga deve ser de Jaeci Emerenciano, responsável pelo registro fotográfico de muitas décadas da História da cidade. A mais recente, feita em maio de 2005, é de Canindé Soares. Hoje a construção tem outra cor e está cercada por mais prédios.

Ainda mais importante, a meu ver, é o prédio do Grupo Escolar Augusto Severo. A instituição pode não ter tido vida longeva, mas seu prédio existe há 101 anos. A seu respeito, há um ótimo trabalho de pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo (UFRN), de autoria de Ana Zélia Maria Moreira, concluído em 2005, que merece chegar às mãos do público em geral. O exemplo deveria ser seguido em relação a outras edificações e escolas. Atualmente, o prédio centenário, pelo qual já passaram também a antiga Faculdade Direito e a Secretaria de Segurança Pública, está fechado, morto, com suas belas estátuas testemunhando o lento processo de revitalização do bairro da Ribeira e sonhando com o dia que chegará sua vez.

Quem se habilitar a manter vivas tais histórias, por favor, dê um passo a frente.

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Uma resposta a Era para ser assim

  1. joão disse:

    Sandro.
    Seu blog tem que ser tombado pois é de interesse público. Estas reflexões são muito importantes, merecem serem juntadas em livro meu caro. Não um livro academico, mas assim mesmo, fortuitos, como uma cronica de Braga. Naturalmente que ilustado com estas todos suas e de Canindé.
    ab
    joão antonio

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