Eu admiro os argentinos. Na verdade, admiro qualquer povo que saiba valorizar seus artistas e fortalecer a própria cultura. Mafalda, a personagem mundialmente famosa criada por Quino, vai ganhar uma escultura. A obra será colocada em frente a um edifício onde o artista morou.
Para quem não sabe, as tiras de Mafalda e seus amigos foram publicadas entre os anos de 1964 e 1973. Depois, os personagens só apareceriam em ocasiões especiais, como na campanha mundial da Declaração dos Direitos das Crianças da Unicef. A personagem tem 45 anos; seu criador, 76.
A homenagem foi anunciada pelo governo da cidade de Buenos Aires. Ou seja: é algo com chancela oficial! Fiquei pensando se não poderíamos fazer o mesmo por aqui. Poderíamos, por exemplo, colocar os Fradinhos de Henfil no Palácio do Congresso. O magro sentado sem fazer nada e o baixinho fazendo um “Top! Top!” representando os parlamentares que estão se lixando para a opinião pública. Na Praça dos Três Poderes, no lugar do cabeção do JK, poderíamos colocar o Dr. Macarra, de Carlos Estevão, lembrando que os doutores do Supremo Tribunal Federal, logo ao lado, estão sempre cheios de banca e parecem viver em um mundo no qual só há Justiça para os ricos. Mas a consagração total seria colocar uma enorme estátua do Amigo da Onça, criação de Péricles, no alto do Corcovado, simbolizando um tipo comum que quer levar vantagem em tudo e está sempre pronto para passar qualquer um para trás.

Em um país no qual quase nunca se sabe quem são as pessoas homenageadas com bustos e estátuas, talvez seja mesmo interessante utilizar personagens de desenho, muito mais representativos e populares que este ou aquele dotô.
Quando evoluirmos o suficiente, poderíamos até fazer uma escultura da Mônica, de Maurício de Sousa, um ano mais velha que Mafalda, ou do Cebolinha, que em 2010 completará 50 anos. Fica a ideia.
(No desenho de Quino, abrindo o post, o texto original é ¡Vamos, hombre, no sea tímido! Solo quiero que mis papás y los lectores conozcan a quien recibe el depósito que marca la Ley 11.723. O desenho aparece no segundo volume de Mafalda. A Lei 11.723, na Argentina, se refere aos direitos de propriedade intelectual.)
Viva a Mafaldita!!!
Você sabe que eu ADORO a Mafalda!Tanto que vc herdou os meus 10 livrinhos de tiras, em espanhol.
E é bom demais saber que la niña vai virar estátua.
Aqui, deveria ter uma estátua MONUMENTAL do amigo da onça em frente à assembléia legislativa de cada Estado.
Em Brasília os Fradins, e Níquel Náusea. E também figuras do folclore, como a Mula-sem-cabeça, em bronze, sobre a mesa do presidente; um boitatá no gabinete da casa civíl e claro, um Sacizão no Senado… Oops! Vou devagar para não divagar…:P. Ia esquecendo: Também um quadro a óleo da Cuca, na sala de visitas da residência presidencial…KKKKKKKKKkkkkkkkkkk! ( A cara da dona…)
Mas o que eu queria mesmo era a Mônica com seu adorável coelhinho, no lugar da estátua da Justiça nessas salas onde acontecem os conlúios das CPIs…
Abraços de tamanduá.
Wilson.
Estive em BsAs há uns dois anos atrás e entrei num sebo procurando os originais de Mafalda, e a moça que me atendeu abriu o maior e mais sincero sorriso do mundo, ao ver que um brasileño se interessava pela cultura deles.
Sandro responde: Como Wilson disse no comentário anterior, eu herdei seus 10 álbuns originais de Mafalda. Falei a respeito em texto de 12 de outubro de 2006, Mafalda no feriado