Experimente!

Ao leitores habituais deste blog, peço licença. Vou me dirigir aos novos internautas. Sim, gente que está entrando agora no mundo virtual e anda meio perdida nessa bagunça toda que nós, os mais antigos, já conhecemos. Mas não vá embora. Leia. Pode ser que algo sirva a você também. E caso não sirva, você vai poder comentar e adicionar alguma informação que ajudará ainda mais esses novos usuários da rede internacional. A todos, veteranos e novatos, bem-vindos à participação do Sempre Algo a Dizer no Movimento Blog Voluntário 2009.

NO INÍCIO

Quem, como eu, desembarcou na Internet ali por meados da década de 1990, não tinha muito que ver ou fazer. Tinha apenas um grande exercício de imaginação pela frente. Aquele barulhinho da placa de fax modem discando, arranhando e zumbindo para conseguir uma conexão era a porta de entrada para o futuro e para o desconhecido. Podíamos fazer, basicamente, duas coisas: trocar mensagens eletrônicas (e-mails) e navegar na web, que, no Brasil, tinha tão pouca coisa que a memória de cada um era suficiente para guardar todos os endereços.

Quem começou naquele tempo tem facilidade em entender a maioria das novidades. E foram inúmeras nessa década e meia. Mas todas têm uma linguagem básica comum. Todo mundo que passou ou está passando pelo ensino médio ou superior sabe que isso não seria possível se antes não tivesse sido alfabetizado.

Esta é a tônica deste texto. Todos aqui já foram analfabetos e não entendiam absolutamente nada dessa tal de Internet. Não tenha medo. Experimente. Logo você vai entender que aprendendo o bê-á-bá conseguirá ler qualquer livro ou, no caso, fazer qualquer coisa na Internet.

VANTAGENS DE CHEGAR AGORA

Se quem começou a utilizar a Internet desde seus primórdios tem a vantagem de estar familiarizado e absorver mais rapidamente qualquer novidade, quem está começando agora já encontra um mundo virtual muito mais interessante, mais rico e poderoso. Além disso, agora há quem já tenha experimentado de tudo e possa dizer aos novatos: “não use isso” ou “de tal jeito é melhor”. Sempre haverá alguém que possa ensinar algo. Antes, só aprendíamos com aquele bom e velho curso japonês, o Namarra.

Se você está lendo isso, parabéns! Já sabe ligar um computador, conectar-se à Internet, abrir um navegador, fazer uma busca e está interessado em aprender. Acredite: você já fez muita coisa. Então continue com sua curiosidade e lembre-se de que aqui, no mundo virtual, as coisas funcionam como no mundo real: quanto mais aberto a experimentar e menos preconceitos você tiver, mais você irá aprender.

NÃO TENHA VERGONHA. NÃO TENHA MEDO.

Tenho um blog há quase cinco anos. Quando o iniciei, blogs já não eram exatamente uma novidade. Basicamente é como escrever em um caderno e mostrar a outras pessoas. Não há dificuldade. A mágica está no fato de que aqui você vai mostrar a muito mais gente e que essas pessoas, muitas que você não conhece e provavelmente nunca irá conhecer em carne e osso, vão poder trocar ideias com você.

Os blogs começaram como diários virtuais nos quais as pessoas falavam sobre seu dia, seus pensamentos, suas angústias. Algumas perceberam que poderiam usá-lo para falar não apenas sobre sua vida pessoal, mas sobre seu trabalho ou sobre um tema específico. Imagine a Internet como a televisão. O computador é o televisor. Você liga, escolhe um determinado canal e depois um programa específico. Agora imagine que você pode ter o seu próprio programa. Falar sobre o que quiser, abordar seus temas preferidos, dar sua opinião sobre algo que está acontecendo. Isso é um blog. Não é à toa que tantos jornalistas o utilizam como ferramenta, como seu próprio canal, seu próprio programa para falar diretamente com seu público. Com uma grande vantagem: aqui pode realmente existir comunicação. É uma via de duas mãos. Há um contato direto, próximo. Você comenta, pergunta, debate. Você pode experimentar isso ao terminar a leitura deste texto.

Qual o motivo de ter falado em blogs? Para dizer que conheço muita gente que, até hoje, torce o nariz quando ouve falar neles, diz que é besteira, não sabe para que serve, não entra neles. Ou entra e nem sabe que aquilo é um blog porque “botou na cabeça”, “acreditou” que blog é um diário virtual, uma “coisa besta de adolescente falando bobagem”. Pode até ser também! E que mal tem? Se você se identifica, também vai achar bastante disso. Na Internet, a programação é extremamente pessoal. Você só vê o que quer, só acessa o que lhe interessa, o que você gosta.

É BOBAGEM. MAS SÓ SE VOCÊ QUISER.

Isso serve para tudo, inclusive para dois dos sites mais falados no Brasil: o Orkut e o Twitter.

O Orkut completou cinco anos em 24 de janeiro deste ano. Quando me cadastrei nele, em meados de 2004, só se entrava por convite (que eram poucos) e quase ninguém sabia bem o que era. Acreditávamos poder encontrar velhos amigos, colegas de escola e gente com os mesmos interesses. Quando comecei a usá-lo, só conhecia quem me convidou e mais meia dúzia de desesperados por qualquer novidade na Internet. Aquilo não parecia ter grande utilidade. Com o tempo, a coisa se desenvolveu e passou a ter as funções imaginadas. Tornou-se possível encontrar colegas de infância, participar de comunidades de pessoas com interesses afins, etc. Mas também se tornou uma grande bagunça, um balaio de bobagens. Igualzinho ao mundo real. Também conheço gente que até hoje torce o nariz para o Orkut sem nunca ter entrado nele. Puro preconceito. Você tanto pode reunir somente as pessoas que conhece no mundo real como pode virar uma “celebridade virtual” e lotar vários perfis (cada um comporta mil amigos). Só depende do que você quer. Só no ano passado, rejeitei mais de 70 pessoas que quiseram me adicionar como amigo. Eu não sabia quem eram, nem elas foram educadas em se apresentar. São pessoas caçando outras, sem qualquer critério, para parecem populares. Esse tipo de relacionamento – se é que isso chega a ser um relacionamento – não me interessa. Mas se chega por lá uma que eu não conheço, mas me encontrou porque leu algo que escrevi (em um site, em um blog, em uma revista ou mesmo em uma comunidade do Orkut) e se interessou em trocar uma ideia, seja bem-vinda. É um início de relacionamento (de coleguismo, de amizade, missivista, profissional, íntimo) como qualquer outro. Poderia ter acontecido em uma sala de aula, na biblioteca, em um bar, no metrô, na parada de ônibus. Também uso o Orkut para avisar a alguns visitantes do Memória Viva – site do qual sou editor – que há novidades por lá ou até para saber a opinião deles, o que gostariam de ver.

No Twitter, que começa a se tornar mais popular no Brasil, não é diferente. Essa “novidade” já completou três anos. Fiz meu cadastro no final de 2007, mas só o utilizo efetivamente há pouco mais de um ano. Eu, como quase todos os conhecidos que se cadastraram naquela época, não via grande utilidade nele no início. E não havia mesmo. Mas as pessoas começaram a entrar, colocar suas informações rápidas e aí a utilidade começou a aparecer. Em uma mesma página – a sua, da qual você quase nunca precisará sair – você recebe informações de dezenas, centenas ou até milhares de pessoas. A ideia começou simples. Você deveria entrar e responder, em até 140 caracteres, a pergunta: O que você está fazendo? Se todos fossem absolutamente sinceros, apenas responderiam sempre: “Escrevendo no Twitter”. Há mesmo quem diga o que está fazendo: “Cozinhando”, “Indo para o trabalho”, “Esperando a hora do médico”. Invariavelmente as primeiras postagens de qualquer um dizem algo do tipo “aprendendo a usar isto” e, logo depois, “Qual é a utilidade disto?”. Muita gente descobriu que é receber uma quantidade enorme de informações, que você pode filtrar, sem ter que ficar procurando e navegando a esmo. Assim, o Twitter superou a TV, o rádio e qualquer outra ferramenta da Internet no quesito “imediatismo”. Se estiver acontecendo alguma coisa neste instante no planeta, pode apostar que alguém está tuitando a respeito. É lá que você vai saber primeiro.

COMUNIQUE-SE. PERGUNTE SEMPRE.

Falei sobre blogs, Orkut e Twitter porque todo novato na Internet ouvirá falar neles, mas muitos não saberão para que servem exatamente ou como podem utilizá-los de forma produtiva e realmente útil. Você poderá usar cada um deles como uma grande bobagem e perder muito tempo ou poderá utilizá-los como ferramentas que o ajudarão em sua vida pessoal, acadêmica e profissional. Como qualquer outra coisa no mundo, o resultado vai depender somente de você, do uso que você faz.

Mais importante – e mais difícil! – do que aprender a acessar e mexer nessas ferramentas é saber como e para quê usá-las. Lembro mais uma vez: faça como na vida real, faça como na escola; se não sabe, pergunte; se sabe, divida com os outros. Se você chegou a um blog que fala sobre um assunto de seu interesse mas você quer saber mais, utilize o espaço de comentários e faça uma pergunta a quem o escreveu. Se tiver algo a acrescentar, comente. Se você entrou em uma comunidade no Orkut sobre seja-lá-qual-assunto, participe ativamente. Leia o que escreveram, deixe de lado as bobagens, pergunte, peça informação, responda perguntas que outros fizeram, dê informações que você julgue importante. No Twitter, aprenda a seguir apenas aquelas pessoas que lhe digam algo relevante. Se lhe interessa saber o que seu vizinho está fazendo, tudo bem; mas você pode seguir somente aquelas pessoas que trocarão informações sobre o que você está estudando na universidade ou as notícias mais quentes sobre sua profissão.

A Internet é uma grande bagunça, mas do seu computador para dentro da sua cabeça, você organiza tudo do jeito que quer. Como filtrar as informações é algo que pretendo abordar em um próximo texto. Até lá, mostre que aprendeu algo: utilize o espaço abaixo para se manifestar, coloque o endereço do blog nos “Favoritos” do seu navegador ou no seu agregador de Feeds. Não sabe o que é isso? Então veja logo abaixo, nos links, o texto que escrevi a respeito disso para o Movimento Blog Voluntário do ano passado.

Links
Minha página no Orkut
Meu perfil no Twitter
Feeds – Usando o Google Reader

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5 respostas a Experimente!

  1. joão disse:

    Sandro.
    Uma das pessoas que você tinha em mente quando escreveu isto foi pra mim. Realmente me sinto perdido na internet, embora não tenha peconceitos. De maneira que seu curso sobr internet(risos), está sendo pra mim de grande importancia.
    joão

  2. Marcia Macedo disse:

    Bem…perguntar é comigo mesmo! rsrsrsrsrsr

    Perguntar e depois contar sobre as minhas mais novas descobertas em relação ao ainda tão desconhecido mundo computadorizado e inernáutico. Vou experimentar sim, para chegar logo logo ao século XXI!:)

    Adorei o texto!

    Beijo

  3. Carolline disse:

    parabéns Sandro, ótimo trabalho.
    Obrigada.

  4. Chica disse:

    Twitter pra mim é babado novo.
    Valeu os conselhos, bem que uma pá de meio mundo podia ler isso aqui antes conectar-se, acho que diminuiria as porrinhas de clicar aqui neste cartão que eu fiz só pra você.
    bejos

  5. Renato disse:

    Não consigo ver graça alguma no Twitter. Acho que tô véio.

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