O busto de Juvino Barreto

 

Domingo de sol, convidados, autoridades, parentes, discurso, aplausos. Se não com a pompa de outrora, pelo menos as circunstâncias estavam presentes na inauguração do busto de Juvino Barreto, na manhã deste domingo.

A escultura foi colocada no pátio e próximo à entrada do prédio do Instituto Juvino Barreto, abrigo para idosos, localizado na Avenida Almirante Alexandrino de Alencar, próximo à junção dos bairros de Lagoa Seca, Barro Vermelho e Alecrim. O freguês escolhe.

No pedestal, há uma placa na qual se lê:

Juvino Cézar Paes Barreto (1847-1901) é não apenas o pioneiro da industrialização do Rio Grande do Norte, mas da responsabilidade social e da bondade multiplicadora. Diógenes da Cunha Lima.

O epíteto, de autoria do presidente de Academia Norte-Riograndense de Letras cumpre sua função de qualificar o homenageado, mas a placa não traz qualquer outra informação de quem tenha sido ele. Para os “não iniciados”, fica como mais um “velho bigodudo”.

Parece absurdo – e é! – mas a maioria das homenagens desse tipo não apresenta devidamente o homenageado No caso de Juvino, o mal é menor. O busto está dentro de uma instituição que leva seu nome e, supõe-se, deve ser fácil conseguir mais alguma informação a seu respeito. Mas em praças públicas, falo sobretudo de Natal, as placas que acompanham bustos e estátuas costumam trazer os nomes do prefeito, do secretário disso e daquilo, dos seus ajudantes, dos borra-botas, puxa-sacos e baba-ovos e nenhuma explicação sobre o homenageado, o que ele fez, qual sua importância política, cultural ou social, o motivo de a escultura estar no local e quem foi seu autor.

Em tempos idos há muito, os jornais costumavam tapar esses furos. Cobriam o evento, davam as informações que faltavam. Hoje, não estivéssemos eu e Canindé por lá, por conta das pesquisas para nosso livro, não haveria qualquer registro além de fotos amadoras feitas por um e outro.

Então, vamos às informações – corretas, mas assumidamente não suficientes – sobre o evento.

A cerimônia de inauguração do busto em homenagem a Juvino Cézar Paes Barreto (ou César, para seguir o formulário ortográfico de 1943 e da qual não tenho notícias que se tenha havido mudança, no atual acordo, quanto à grafia de nomes próprios) começou por volta das 10h30 deste domingo, 19 de abril de 2009. O busto encontra-se no pátio da Instituição de mesmo nome, administrada pela Companhia das Filhas de Caridade de São Vicnte de Paulo, congregação religiosa feminina mais conhecida como Irmãs de Caridade. O evento começou minutos após o encerramento da missa dominical realizada pelo padre Gilmar Ferreira de Castro, capelão do Instituto Juvino Barreto. Representando as autoridades políticas, estava a deputada estadual Márcia Maia. Representando a família, os bisnetos Frank Cavalcanti Bahia e João Bosco Barreto Pinheiro acompanhados de suas esposas. Após breve discurso de Ticiano Duarte, jornalista, acadêmico e maçom, o busto foi revelado pela deputada e pelos bisnetos do homenageado. Em seguida, recebeu a benção de padre Gilmar. Presente também ao evento, o artista plástico Eri Medeiros, responsável pela criação e execução do busto. O ocorrido marca o aniversário de 65 anos do Instituto Juvino Barreto, fundado oficialmente no dia 19 de abril de 1944.

Sobre o homenageado: Juvino Cezar Paes Barreto nasceu em Aliança, Pernambuco, em 2 de fevereiro de 1847. Foi pioneiro do processo de industrialização no Rio Grande do Norte, inaugurando, em 1888, na capital, uma moderna fábrica de fiação. Filantropo, doou terras e recursos para a construção de vários colégios católicos em Natal, além de um hospital onde era sua residência de veraneio e que, inicialmente, levou seu nome. Faleceu em Natal, em abril de 1901.

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2 respostas a O busto de Juvino Barreto

  1. Wilson Natal disse:

    Também me ofereceram um busto! Só que eu ainda não decidi se vou querer 500ml. em cada um, ou 400ml. … 😛

    Brincadeiras à parte, gostaria de saber se os jornais, radios e Tv de Natal, divulgaram o evento e a história desse homem que fez uma parcela da História de Natal. Ou será que no meio do jornal, perdida em meio a tantas outras fotografias, publicaram uma notinha de rodapé?… 😉
    Abração.

  2. Chica disse:

    Hummm…andas por essas bandas.
    bora uma cerveja.

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