
Não sei como vocês se sentem depois das eleições. Eu, o que posso dizer é que me sinto moderadamente otimista. O que aliás não é pouco, para quem se afundava naquele desengano tão desamargurado.
O parágrafo acima não é meu. É de Rachel de Queiroz em sua Última Página, coluna que manteve por muitos anos na revista O Cruzeiro. Na crista da onda era o texto e foi publicado na edição de 22 de novembro de 1958, que comemorava os 30 anos da revista.
Bem poderia ser a abertura para um artigo sobre a eleição de Barack Obama na edição dos 80 anos que O Cruzeiro estaria completando nesta segunda. E provavelmente o mulato Obama estaria na capa da edição da semana. Um texto de David Nasser marcaria a ferro os remanescentes da América profunda, os brancos racistas que já não parecem tão fortes. Mesmo enfatizando as boas novas, escrevendo o que os leitores gostariam de ler e fortalecendo sua tendência situacionista, antes de finalizar faria uma comparação entre a histórica vitória contra o racismo nos Estados Unidos e a nossa própria seis anos antes, quando a “esperança venceu”. E aproveitaria para cobrar do novo presidente americano a revolução que não vimos por aqui.
Chateaubriand veria como chá fraco e frio a embaixada em Londres e faria mira
E se esta semana não há cento e tantas páginas de O Cruzeiro para celebrarmos e comprovarmos como seria essa história, temos ao menos uma página de seu único remanescente: Millôr Fernandes.
Foi em um exercício de imaginação assim que “a revista contemporânea dos arranha-céus” tornou-se também contemporânea da Internet. E lá se vão seis anos. Debruçando-me sobre centenas de edições desde então, fiz várias viagens e aprendi História, principalmente do Brasil, como jamais havia pensado
Pedindo novamente licença a Rachel, encerro essa louvação com a ajuda de suas palavras publicadas no Jubileu de Prata da revista:
Hoje, aniversário de O Cruzeiro, esta casa, é claro, está
Muito ainda ouviremos falar a respeito dela.
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Mastigue bem antes de engolir
Oitenta anos e poderia estar viva ainda, pois olhando pela internet como a mesma era avançada para a época.Tenho algunhas edições guardadas mas espirro só de pensar em folhear, uma pena!.Sandro na minha cidade (Aracaju), na década de 60, tinha Eu uns dez anos e lembro como era aguardada a chegada de meu pai em casa, no dia em que o exemplar chegava na Loja de Revistas e Jornais, nessa época ainda não tinha como tem hoje as bancas espalhadas por toda a cidade. Também não tinha TV na cidade e se “via o Brasil e o Mundo” pelas páginas da revista “O CRUZEIRO” e logo depois pela “Manchete”.Posto também no blog http://www.lygiaprudente.blogspot.com, dê uma olhada no marcador:memória, post: “O Fascínio das Bancas de Revistas & Jornais” de: 20 de julho de 2008.Um abraço,Armando
Era uma boa revista sim, pois na década de 60, a TV não tinha transmissão direta, nem estávamos sob essa avalanche de informações (a maioria irrelevante) de hoje. Na atualidade não se distinguiria das hoje existentes, pos acompanharia os tempos. _ Abraço.