O dia em que seremos felizes

Quando não se está preparado, se repete o ano. É o mais indicado. Continuo na tentativa de aprender sobre respeito e tolerância. Nesse processo, relembro – portanto percebo que não havia realmente aprendido – que a maior prisão que existe é aquela que nós criamos.

E todas as prisões têm o mesmo carcereiro. Ele atende pelo nome de Desejo. O sobrenome varia: Desejo de Liberdade, de Amar, de Possuir Algo, de Ter Alguém.

Escravos de nossos desejos, parimos o sofrimento. Para fugir do monstro que criamos, tentamos desviar o foco dele, culpamos pessoas e situações. Procuramos justificar nossa dor com um quem, um quê, um onde, um como, um porquê. “Ele não me quis”, “Não tenho dinheiro”, “Seria tão bom se eu viajasse para um país distante”… Inventamos de tudo e dificilmente percebemos que a raiz do problema está na palavra que inicia este texto: Quando.

O que realmente causa o sofrimento é a relação com o tempo. Pouco importa se não se tem mais aquela pessoa ou se ela ainda não apareceu, se haverá dinheiro para comprar algo ou se não há mais, se será possível viajar. A dificuldade é lidar com o “quando”, isto é, com o fato de os desejos não estarem sendo satisfeitos neste momento.

Vivemos no passado, tentamos viver no futuro e esquecemos de viver o agora, de perceber a situação presente e o que ela nos oferece de bom. Presos aos nossos desejos, insistimos em continuar experimentando dores passadas ou em criar novas por ainda não termos o que queremos.

A mente fica divagando, fica buscando algo que não existe mais, que ainda não existe ou mesmo nem vai existir e deixa de ter a percepção do que está acontecendo. Neste momento, você está se dedicando a ler este texto e, se chegou até aqui, deve estar gostando. Então mantenha sua mente aqui neste instante. Somente aqui. Leia calmamente, concentre-se, procure entender o que está sendo dito. Agora, mantenha sua mente aqui.

Ao terminar, continue exercitando o domínio de sua mente em relação ao aqui e o agora. Vai fazer amor? Faça apenas isso, concentre-se nisso, dê o seu melhor. Vai responder e-mails? Leia as mensagens com calma, responda da mesma forma. Vai pegar um ônibus para chegar ao local onde trabalha? Curta a caminhada até a parada, aproveite a espera para ler algo ou somente relaxar, perceba todo o caminho independente de estar confortavelmente sentado ou em pé dividindo o pouco espaço com outras cem pessoas. Sorria para elas. No momento, estão passando pelas mesmas dificuldades que você. Olhe pela janela, aprecie o caminho, descubra algo novo.

Eu fui muito feliz, eu serei muito feliz, mas eu gosto mesmo é de saber que sou feliz agora, que há motivos para isso, que os percebo, que os aproveito. Quero que aqueles que amo sejam felizes agora. Independente do que estejam vivendo. Meu único desejo é que não sejamos escravos de nossos desejos. Que apreciemos cada passo no caminho para nossas realizações. Assim não correremos o risco de chegarmos até elas e percebermos que perdemos muitas oportunidades no caminho e que já estamos querendo algo mais.

O dia em que seremos felizes é sempre hoje. Experimente.

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13 respostas a O dia em que seremos felizes

  1. Carolina disse:

    Apesar de há muito não repartir essa felicidade com meu grande amigo: Lobão! Em tempo, informo que roubaram meu celular em Salvador (boa essa frase, porque de uma só vez disse que fui a Salvador, e acabei sendo roubada, e perdi portanto toda minha agenda de celular). Eu não estava totalmente presente no momento do roubo, talvez esse tenha sido meu erro…Mas Salvador é tão bom, que a ausência é perdoada, perfeitamente, ainda mais quando se está no Pelô!Ops…Mais um momento ausente…perdoe!rs.estava no passado!beijo grande, e me liga porque eu não vou te ligar (tô sem o número)!

  2. Carolina disse:

    Sou feliz, agora!

  3. marcia disse:

    feliz pela sua amizade, pela sua presença. mesmo quando distante, nunca ausente. bjões.

  4. Repetir de ano é sempre melhor que palmatória… play it again, San(dro)!

  5. ivany disse:

    que texto!
    continuo esperando seus livros.
    parabens

  6. joão antonio disse:

    Sandro.
    Você tá filosófico à beça, hem?! Vamos esperar pra quando vai ser sua aterrisada por sobre o planeta Terra.Risos.
    grande abraço
    joão

  7. Seu EMO! 🙂

    Aguardo a tal visita prometida para breve!

  8. Kassandra Torres disse:

    Já estava sentindo falta de seus textos…

  9. irene disse:

    eu estava com saudades dos seus escritos.e fiquei imaginando o que poderia ter acontecido.
    deu um aperto no coração, pois filho é filho, temos uma ligação muito grande, será que vou ter o direito de saber ?aguardo contacto.
    beijos eu te amo no presente também.

  10. Wilson disse:

    Ser feliz é uma questão pessoal.
    Uns são felizes sofrendo ou fazendo sofrer; outros ligam ao felicidade ao dinheiro e a
    outros bens materiais.
    Felicidade, no coletivo é relativa. Não somos iguais.
    Fico com a teoria de que a felicidade é a busca do conhecimento sobre nós mesmos: É transformar desencanto em encanto. Reciclar, restaurar, recriar e criar a nós mesmos. Nada é cíclico, nada é para sempre. Tudo é evolutivo e sujeito à mutação.
    Para o Oriente, a felicidade é o prório conhecimento em evolução. Para os Franciscanos, felicidade é estar em paz consigo mesmo e em harmonia com Deus.
    Para mim, felicidade é poder, sempre que necessário, retorceder e refazer tudo o que estava pendente ou errado.
    Felicidade é poder recomeçar sempre. É ter a certeza de que sou dono do meu próprio destino.
    Felicidade é mais uma busca.
    Felicidade é para todos os gostos. Só não é para os inertes, para os passivos… Ou talvez seja. Deve haver algum tipo de felicidade na inércia ou na passividade…
    A verdade, talvez relativa, sobre a felicidade é que ela é uma qualidade daqueles que não se deixam abater.
    É o seu caso? Se é, bom. Muito bom!
    E, no momento, minha maior felicidade é mandar a você, por e-mail, um abração forte,forte.

    Wilson

  11. karla disse:

    quem sabe essas divagações sobre o desejo nos previna de vivermos como se nunca fossemos morrer, e nem morrer como se nunca tivessemos vivido…
    em busca do equilibrio afinal…mes de libra eh bom pra isso eheheh…
    lindo o texto!!!

  12. Diego disse:

    Andou meio sumido, mas voltou com carga máxima. Texto bem daqueles que eu gosto, ligando o particular ao universal pelas vias da vida!

  13. Renata Silveira disse:

    Nem todos têm a lucidez para entender a grande oportunidade que é poder fazer o mesmo, mas de forma diferente. Repetir de ano não é repetir no tempo. Como ariana que sou (sei como é que somos…), não gosto de “tentar o mesmo novamente”, mas antes lançar-me a um novo e imenso desafio! É da nossa natureza…
    Somente em 2005, numa caminhada solitária a Santiago de Compostela, entendi que não precisamos sempre implodir as coisas e começar “do zero” (uma mania dos arianos…). Se vc compreende isto está, aos poucos e como eu, aprendendo a voltar a olhar as coisas mas num tempo diferente.
    Essencialmente, o repetir na vida é isto: é como ler “a Idade da Razão” durante toda uma existência, com intervalos de 5, 8, 10 anos…

    Beijos com saudades,
    felicidades hoje e sempre!!

    Renata

    [http://www.renatasilveira.blogger.com.br/2006_09_01_archive.html]

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