Era iluminada

Da noite do último sábado ao final da tarde de domingo, a SescTV levou ao ar, por três vezes, o especial Rock Anos 80, no programa Era Iluminada. Vi todas as vezes. Na última, até minha mãe, beirando os 70, comentou: Ouvindo as músicas dos seus quinze anos? Imagine o quanto ela também ouviu tudo aquilo! E vamos ouvir de novo nesta terça, às 21h.

Na boa: não é saudosimo; é mesmo a última coisa que prestou. Ao menos como movimento. Há coisas boas até hoje, isoladas, e todas são filhas daquela época. Autoramas e Vanessa Krongold, do Ludov, estavam lá dando “um gás novo” nas releituras. Bela base do Autoramas, com Gabriel na guitarra e Flávia no baixo, mas quem segurou a história toda foi um ex -Autoramas. Nervoso dispensa apresentações como baterista, mas PUTAQUEPARIU, o cara estava com o diabo no corpo naquela apresentação! Não erra uma, senta a mão como uma propriedade que merecia palmas de Lobão. Mais: timbres atualizados, a pegada é a mesma dos oitenta. Isto é, ele pega o que era ótimo e deixa perfeito.

Vanessa, que era criança nos oitenta, apesar das declarações meio desconfiadas foi a melhor escolha entre os que assumiram o microfone. Mandou muito bem com Tudo pode mudar (Metrô) e Pintura Íntima (Kid Abelha). Virginie e Paulinha Toller foram muito bem representadas. Por outro lado, Fernanda Porto, que vem de outras praias, mandou mal com o microfone. Acertou mesmo quando pegou o sax. Outro que me causou alguma estranheza foi Beto Bruno. Adoro o Cachorro Grande, mas agora não tenho qualquer dúvida de que eles têm seu estilo e devem se manter nele.

Dos originais, só Roger, que deu um peso muito maior e fez diferença cada vez que pegava a guitarra, e Thedy (Nenhum de nós). Vinte e três músicas pinçadas de centenas de pérolas que poderiam fazer uma dúzia de programas sem repetir uma canção e sem correr o risco de que um fosse melhor ou mais representativo que o outro. Nem Gang 90 e Mercenárias escaparam. Mas faltou Camisa de Vênus. Impossível não deixar muita coisa boa de fora, mas vale a pena assistir.

Assim como Thedy, “lamento que muita gente não tenha vivido aquela época e tenha uma idéia equivocada do que aconteceu”. Quem perder hoje ainda poderá ver no próximo domingo, 21, às 20h30, e no dia 26, às 18h30.

Também nesta terça, 16, tem exibição de Areias escaldantes, de Francisco de Paula, às 21h, no CineBrasil TV. Já nem sei quantas vezes assisti, principalmente depois de conseguir uma cópia das mãos do próprio diretor. É o filme do mês no Cine Brasil (ainda passará outras duas vezes em setembro). Em breve, falarei mais a respeito desse nonsense que traz Titãs e Lobão, em priscas eras, cantando e atuando, além de Regina Casé, Diogo Vilela, Luiz Fernando Guimarães, Cristina Aché e Macalé (não o Jards). Repeteco nos dias 27 (16h30) e 30 (21h). Cole na tevê, divirta-se e comente.

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7 respostas a Era iluminada

  1. É natural que aquela época tenha rendido bons frutos. Em todos os países podemos observar e listar boas safras. Afinal, o muro de Berlin estava a cair por terra! Também na RDA descobriu-se boa música. Ainda que techno…

    O que talvez ninguém esperava é que as gerações seguintes não iriam conseguir manter um nível ascendente de criatividade e lirismo. A Blitz era absolutamente fútil, e ainda assim muito melhor que qualquer grupo similar de hoje.

    Vamos descer o mapa um bocado. Naquela altura em Cutitiba havia um movimento underground que pariu Arrigo Barnabé. E hoje? Bonde? Fala sério… O que pode vir a seguir aos palavrões na música?

    Gostaria de chamar a produção dos 80 de barroco, mas para isso era preciso que a geração seguinte trouxesse algo de muito novo e diferente. Mas… De volta ao vinil!

    Ei, espera aí! Tenho dúvidas se os Sigue Sigue Sputnik são assim iluminados…

  2. Renata Silveira disse:

    Eu estou a preparar o meu espírito para ver, em Novembro, o Peter Murphy com toda a sua classe urbanodepressiva! Definitivamente rock! definitivamente 80’s!!
    O que me conforta é ter filhos que gostam de boa música. meu adolescente não topa nada do pop atual e a minha pequena já vê shows de boa mpb sentadinha do alto dos eus dois aninhos…

  3. Renata Silveira disse:

    Ps: estou a ouvir Joy Division e penso que o que mais se aproxima atualmente desta atmosfera são os The Editors.. Mas ainda estou demasiado presa aos originais para trocá-los por qualquer banda supostamente indie…

  4. charles disse:

    Cara sensacional! espetacular! Infelizmente só puder ver na terça, exatamente nesse momento tá cantando a Fernanda Porto. A pegada da banda excelente, fazia tempo que não ouvia “Pintura Íntiam” com a mesma pegada da época. Enfim, que me desculpem fãs, mas a parte chata fica por conta do vocalista do Cachorro Grande , ele bem que deveria ter deixado “Óculos” pro Thedy Correia cantar.
    Bem seria muito bacana, se álguém que, por acaso, tivesse gravado disponibilizasse para a gente curtir, já que é tão raro esse tipo de reunião no Brasil Infelizmente. Valeu!

  5. Amanda disse:

    que canal é o sesc tv? acho que não tenho, porque várias vezes já tentei encontrá-lo na minha televisão e não consegui, mas pergunto mesmo mais por desencargo de consciência…
    quero comentar mais sobre seu post antigo do que este (embora goste muito, muito, muito mesmo dos anos 80 em geral e em todos os aspectos)
    tenho 17 anos e concordo com você quando diz que, musicalmente, a minha geração dá vergonha, e não apenas com relação aos emos, mas por todas as músicas sem sentido e com letras sem significado que rodam por ai
    porém, não concordo com tudo… muitos são alienados e ser bobo realmente parece estar na moda, mas nem todos são assim
    nós temos nosso lado bom, conheço muitas pessoas até mais novas do que eu que são capazes de discutir filosofia, música, política, economia, história, arte e tudo mais com pessoas bem mais velhas e experientes, não somos todos parte de humanidade perdida, acredite
    por isso, tente não se reter apenas aos aspectos ruins e veja os bons também, ainda acredito que muitos (ou, pelo menos, alguns) de nós somos capazes de construir uma história melhor do que esta que estamos vivendo agora

  6. joão antonio disse:

    Sandro.
    É natural que agora estejam tentando reabilitar os anos 1980. Eu tenho minhas dúvidas se foi realmente uma boa década, houveram muitos talentos sim, mas eles estavam justamente no lando independente, justamente porque a indústrial estava jogando todas suas fichas no rock tupiniquin(Lobão, Barão, KMid Abelha , etc), e não sobrou um tostão pro Itamar Assunção etc e tal. Um dia tentaram salvar a década de 1970, que hoje chamam de som psicodélico, e logo-logo vão salvar os anos 1980. Que acredite, vai virar cult. Mas é tudo questão de mercado,as coisas vão e voltam ao sabor do mercado.
    grande abraço
    joão

  7. Wagner de Oliveira Lima disse:

    A música dos anos 60,70 e 80,tinha romantismo,era bom ouvir,hj a modernidade,tirou a beleza sentimental,substituindo a música que fazia sucesso,por uma música que nada diz,pq nada tem a dizer,a música tinha história,sentimento,as letras choravam com a música ou na música,hj quem chora somos nós com certas músicas que hj teimam em fazer sucesso.

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